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Para combater evasão, SP pagará R$ 1 mil por ano a estudantes da rede estadual

Bianca Gomes / O GLOBO

 

SÃO PAULO — Para combater a evasão escolar, o governo de São Paulo anunciou nesta quinta-feira a criação de uma bolsa destinada a estudantes da rede estadual em situação de vulnerabilidade. O valor de R$ 1 mil por ano letivo será dividido em parcelas mensais e deve beneficiar 300 mil estudantes em situação de pobreza e extrema pobreza. Ao todo, o governo pretende investir R$ 400 milhões no programa, com aportes de R$ 100 milhões ainda em 2021 e de R$ 300 milhões no ano letivo de 2022.

Ensino prejudicado: Mais de meio milhão de alunos no Brasil não teve aula nem à distância em 2020

Os pagamentos aos alunos serão feitos proporcionalmente ao ano letivo e estão condicionados à frequência escolar mínima de 80% e à dedicação de 2h a 3 h de estudos pelo Centro de Mídias da Seduc-SP, plataforma em que os estudantes acessam suas atividades escolares e assistem às aulas em tempo real. Também será considerada a participação nas avaliações de aprendizagem e, no caso dos estudos do último ano do Ensino Médio, a realização de atividades preparatórias para o ENEM.

O principal objetivo do programa é manter os jovens do ensino médio na escola. Na pandemia, o abandono do ensino tem sido uma das maiores preocupações de especialistas em educação. Segundo um relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), só no primeiro ano da pandemia, mais de 172 mil alunos, entre 6 e 17 anos, abandonaram ou deixaram de frequentar a escola no Brasil. Outro relatório divulgado em julho pelo Fundo das Nações Unidas pela Infância (Unicef) indicou um crescimento na evasão no estado de São Paulo, com mais de 667 mil alunos fora das escolas em 2020.

Vítimas da desigualdade32% das mulheres jovens negras estão sem estudar e sem emprego

A medida anunciada nesta quinta se soma a outras iniciativas do estado para evitar o abandono de estudantes. No mês passado, o governo anunciou que iria selecionar 20 mil responsáveis de alunos para prestar apoio às escolas por um benefício de R$ 500 durante seis meses. Também criou um espaço Centro de Mídias dedicado somente aos pais, para facilitar o acompanhamento dos alunos em casa e fortalecer o vínculo da família com a escola.

Outros estados também têm investido em maneiras de evitar a evasão. Há desde incentivos financeiros vinculados à frequência nas aulas até reforço na alimentação.

 

Inscrições até 10 de setembro

As inscrições para o programa poderão ser realizadas entre 30 de agosto e 10 de setembro pelo site https://www.bolsadopovo.sp.gov.br/. Poderão se inscrever todos os alunos regularmente matriculados no ensino médio e na 9ª série do ensino fundamental da rede estadual de ensino e inscritos no Cadastro Único – CadÚnico.

Bolsonaro diz que presidente da Caixa está 'abismado' com corrupção; Guimarães culpa outras gestões

Eduardo Gayer, Sofia Aguiar e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2021 | 11h40
Atualizado 19 de agosto de 2021 | 15h13

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, 19, que o presidente da CaixaPedro Guimarães, fez investigações e está “abismado” com a corrupção encontrada no banco estatal. Ao divulgar o balanço da instituição, Guimarães fez menções a "problemas de gestões passadas", entre 2009 e 2015 que provocaram um prejuízo de R$ 46 bilhões no balanço do banco, segundo cálculos divulgados nesta quinta pela atual gestão.

“Pedi para todo mundo fazer uma auditoria do passado e ele falou que está abismado com o que levantou em alguns meses sobre corrupção na Caixa”, declarou o presidente a apoiadores presentes na porta do Palácio da Alvorada. Guimarães está à frente da Caixa há dois anos e meio. Ele assumiu no início do mandato de Bolsonaro, em 1.º de janeiro de 2019.

Jair Bolsonaro
Bolsonaro afirmou que está pronto um levantamento de suspeitas de irregularidades no BNDES. Foto: Adriano Machado/Reuters - 12/8/2021

Ao divulgar o resultado do banco do segundo trimestre, o próprio Guimarães afirmou que as perdas econômicas de gestões passadas estão relacionadas a investimentos feitos por meio do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) ou empréstimos "mal feitos", todos já conhecidos. 

O lucro líquido do Caixa foi de cerca de R$ 6,3 bilhões no segundo trimestre, mas, segundo Guimarães, o resultado era para ter sido de R$ 8 bilhões a R$ 9 bilhões. A diferença das cifras, disse, se dá por impactos como a redução da taxa de administração do FGTS, sob responsabilidade da Caixa. No ano, a mudança consumiu R$ 3 bilhões de lucro do banco público.

Outro fator, conforme o presidente da Caixa, é a necessidade de provisionar perdas econômicas por problemas em gestões passadas, de 2009 a 2015. No período, a gestão atual calcula um prejuízo de mais de R$ 46 bilhões.

"Antigamente, esses fatores eram muito importantes. Hoje, são pouco relevantes e a Caixa consegue ter aumento de lucro a despeito da redução da taxa do FGTS e perdas econômicas com créditos e investimentos mal feitos", disse em coletiva de imprensa.

Para gerar lucro ao banco, segundo Guimarães, é só não "roubar" e não emprestar para empresa que não vai pagar, não patrocinar times de futebol. "Eu prefiro emprestar para 500 mil microempresas, cuja inadimplência é muito menor e há uma pulverização pelo Brasil", afirmou.

"É melhor do que emprestar para duas grandes. Não há possibilidade grande de corrupção uma vez que o tíquete médio dos empréstimos é de R$ 100 mil e não de R$ 10 bilhões, R$ 15 bilhões", concluiu.

BNDES

Além das desconfianças na Caixa, Bolsonaro afirmou que já está pronto um levantamento de suspeitas de irregularidades no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo o presidente, não estão sendo pagas as prestações anuais dos empréstimos internacionais.

A ofensiva sobre o BNDES é uma retórica antiga de Bolsonaro, que, durante a corrida presidencial de 2018, disse que iria “abrir a caixa preta” da instituição. Como revelou o Estadão, o banco chegou a gastar R$ 48 milhões em uma auditoria interna, mas não encontrou ilegalidades.

As supostas novas suspeitas envolvendo o BNDES serão abordadas, provavelmente, na semana que vem, durante live nas redes sociais, afirmou Bolsonaro. Ele não informou se o presidente da instituição, Gustavo Montezano, estará presente.

Anvisa recomenda que Ministério da Saúde avalie 3ª dose para quem tomou Coronavac

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou nesta quarta-feira, 18, que o Ministério da Saúde avalie a possibilidade de dar uma dose de reforço para grupos específicos que receberam as duas doses da vacina Coronavac. A terceira dose está em debate no Brasil, diante da alta de infecções em algumas localidades, como o Rio, e do avanço da variante Delta, mais transmissível .

 

O tema foi tratado durante uma reunião da Anvisa para avaliar o risco-benefício do uso da Coronavac e a possibilidade de que a vacina produzida pelo Instituto Butantan seja usada também em crianças e adolescentes. A agência rejeitou o uso da Coronavac no público entre 3 e 17 anos, manteve a avaliação de que os benefícios da Coronavac superam os riscos para adultos e determinou que o Butantan apresente dados que ainda faltam sobre estudos relativos à Coronavac nos maiores de 18 anos. 

 

Vacina
Vacinação contra a covid-19 Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Em relação à terceira dose, os diretores da Anvisa votaram por recomendar ao Plano Nacional de Imunziações (PNI), do Ministério da Saúde, que considere a possibilidade de dar a dose de reforço para grupos que receberam as duas doses da Coronavac, "destacamente para alvos prioritários como imunocomprometidos e idosos, em especial os acima de 80 anos", afirmou a diretora da Anvisa, Meiruze Freitas.

Os diretores da Anvisa ponderaram que essa é uma decisão difícil, considerando que boa parte da população ainda não está completamente vacinada e que há posicionamentos divergentes de autoridades sanitárias pelo mundo sobre os benefícios da terceira dose. O Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, recomenda que os países concentrem esforços para cobrir a maior parte da população mundial, antes de iniciar a revacinação. 

"No contexto em que a (variante) Delta está circulando, uma dose adicional da vacina pode ajudar a prevenir casos graves e possivelmenete fatais em idosos e pessoas com sistema imunológico comprometido", disse Meiruze. A diretora lembrou que a Coronavac tem bom desempenho no Brasil, mas inicialmente a vacina não foi estudada em idosos e imunocomprometidos.

Ainda faltam estudos robustos que evidenciem a necessidade dessa dose de reforço, mas pesquisas indicam que há queda na produção de anticorpos, principalmente entre os idosos - o que justificaria a estratégia. Meiruze lembrou que, à medida em que a variante Delta avança em muitos países, as autoridades "não podem se dar ao luxo de esperar respostas definitivas". 

Países como Israel e Chile já começaram a aplicar a terceira dose contra a covid-19. Israel vacinou sua população com a vacina da Pfizer e aplica o reforço com o mesmo imunizante. No caso do Chile, a terceira dose com a vacina da AstraZeneca está sendo dada inicialmente a idosos acima de 86 anos que tomaram a Coronavac.

No Brasil, Estados mais adiantados na vacinação dos adultos solicitaram ao Ministério da Saúde aval para essa dose de reforço - é o caso, por exemplo, do Mato Grosso do Sul. A pasta afirma que estuda uma eventual aplicação da terceira dose e que uma pesquisa já em andamento vai medir os benefícios dessa estratégia. 

Nesta quarta, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que a aplicação de uma 3.ª dose começa pelos idosos e profissionais de saúde, caso essa estratégia seja aprovada pelo governo federal.

Resposta lenta do Brasil à covid gera mais custo para o governo, diz estudo

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2021 | 05h00

BRASÍLIA - Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) indica que países com pior êxito no controle da disseminação da covid-19 acabaram sofrendo as maiores perdas da atividade e, consequentemente, precisaram lançar mão de pacotes fiscais mais generosos para mitigar os impactos econômicos e sociais da pandemia. 

O Brasil está entre as nações em que a correlação apontada pelo Ipea fica clara. O País registrou um elevado número de mortes pela doença e uma queda de 4,1% no PIB ano passado – tombo que não foi maior porque houve injeção de R$ 524 bilhões em despesas adicionais só em 2020.

Vacinação contra a covid em São Paulo
Mulher é vacinada contra a covid-19. Intervenções para frear a disseminação do vírus ajudaram a reduzir consequências econômicas e sociais. Foto: Leo Souza/Estadão - 16/5/2021

O debate sobre a relação entre o combate à doença e seus efeitos sobre a atividade econômica esteve presente desde o início da pandemia, por causa da recomendação de especialistas em saúde pela adoção de medidas de distanciamento social para frear o avanço do vírus. No Brasil, a discussão ganhou contornos políticos. O presidente Jair Bolsonaro, com frequência, tratava o tema com um dilema.

O estudo do Ipea, elaborado pelo economista Rodrigo Orair, que já foi diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, fornece indícios de que, na crise atual, as intervenções para reduzir a disseminação da covid-19 também ajudaram a mitigar as consequências econômicas e sociais da crise. O texto foi publicado na mais recente edição do Boletim de Políticas Sociais do órgão.

“Aqueles que não conseguiram controlar a crise sanitária tiveram muitas mortes, tiveram mais perdas econômicas e sociais. Na medida em que os danos econômicos e sociais são maiores, eu preciso gastar mais para mitigar esses danos econômicos e sociais.

Quem fez a lição de casa, fez a estratégia de achatamento (da curva de casos e mortes) bem feita, informou a população, tomou medidas de precaução, conseguiu evitar a crise sanitária, evitou os danos econômicos e sai com o sistema econômico social mais resiliente”, afirma Orair.

Segundo ele, o Brasil teve uma das crises mais graves, considerando o número de mortes, a perda do PIB e o tamanho do pacote fiscal. Até o início de março, o País tinha uma média de 1.210 mortes por milhão, uma das maiores em um conjunto de 30 países analisados, e uma perda relativa de 6,1 pontos porcentuais entre o crescimento esperado antes da pandemia e o que foi efetivamente observado. O pacote fiscal, considerando todas as medidas (inclusive de crédito), ficou em 14,5% do PIB, comparável ao adotado em países avançados.

Pós-crise

Além de ter se mostrado “ineficaz” no combate à pandemia, o Brasil parece estar atrás da curva quando se trata de discutir a recuperação no pós-crise. Orair recorre a um esquema adotado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para ilustrar as “etapas” de enfrentamento e resposta da política fiscal à covid-19. Elas envolvem ações emergenciais, de controle da emergência sanitária e dos desdobramentos da crise, e de pós-crise, com estímulo fiscal para retomar o crescimento e, posteriormente, medidas de ajuste nas contas.

“Inúmeros países já anunciaram ou estão anunciando pacotes de estímulo fiscal para favorecer a recuperação econômica e o alcance de objetivos estratégicos de médio e longo prazos, enquanto o Brasil parece apostar na estratégia de que será possível superar a crise social e econômica prescindindo desse tipo de pacote fiscal”, diz o texto.

Segundo Orair, embora o governo programe R$ 127 bilhões em gastos extras em 2021, a solução para este ano foi “de improviso” após o governo ter “apostado” no fim da pandemia.

Covid-19: Saúde recebe 2 milhões de doses da CoronaVac

O Ministério da Saúde informou que recebeu hoje (18) 2 milhões de doses da CoronaVac, imunizante produzido pelo Instituto Butantan.

Do total, 452 mil doses vão ficar em São Paulo, onde está instalada a sede do instituto. As doses restantes, segundo a pasta, serão destinadas aos demais estados e ao Distrito Federal, “de forma proporcional e igualitária”.

Balanço

Dados do ministério mostram que, até o momento, 117 milhões de pessoas já receberam a primeira dose das vacinas contra a covid-19 – 73% do público-alvo definido, formado por 160 milhões de brasileiros com mais de 18 anos.

Ainda segundo a pasta, mais de 51 milhões de pessoas estão totalmente imunizadas – com as duas doses ou com dose única.

Terceira dose

Mais cedo, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, informou que a aplicação da terceira dose das vacinas deve começar por idosos e profissionais de saúde. Ele destacou, entretanto, que, para iniciar a chamada dose de reforço, ainda são necessários mais dados científicos para que a pasta possa organizar a aplicação.

Coronavac
Frasco de CoronaVac- Rovena Rosa/Agência Brasil

Pfizer entrega mais de 1 milhão de doses de vacina ao Brasil

Um voo trazendo 1.076.400 doses da vacina contra a covid-19 ComiRNAty, da Pfizer, chegou por volta das 19h30 desta quarta-feira (18) no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). A empresa deve entregar 17,6 milhões de doses entre os dias 3 e 22 de agosto.

É o 49º lote entregue pela farmacêutica ao governo brasileiro. Entre o final de agosto e setembro há a previsão da chegada de quase 52,4 milhões de doses – que fazem parte do primeiro acordo firmado no dia 19 de março e que contempla a disponibilização de 100 milhões de vacinas até o final do terceiro trimestre de 2021.

O segundo contrato, assinado em 14 de maio, prevê a entrega de mais 100 milhões de doses entre outubro e dezembro. Ao longo do ano, a farmacêutica fornecerá um total de 200 milhões de doses de vacina ao Brasil.

Edição: Fábio Massalli / AGÊNCIA BRASIL

Bolsonaro segue Constituição e espera que outros Poderes façam o mesmo, diz general Ramos

Danielle Brant / FOLHA DE SP
BRASÍLIA

O presidente Jair Bolsonaro age nos limites da Constituição Federal e espera que os demais Poderes também joguem dentro das quatro linhas da Carta, afirmou nesta quarta-feira (18) o ministro da Secretaria-Geral, o general Luiz Eduardo Ramos.

As declarações foram dadas em meio a atritos de Bolsonaro com o STF (Supremo Tribunal Federal).

No último fim de semana, o presidente disse em redes sociais que levará ao Senado um pedido de abertura de processo de impeachment contra os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, que também preside o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Ex-ministro da Secretaria de Governo e da Casa Civil, Ramos compareceu à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle para prestar esclarecimentos sobre reunião para discutir a situação dos madeireiros investigados pela Operação Handroanthus, da Polícia Federal.

Na audiência, porém, o ministro foi pouco questionado sobre a ação da PF. A maior parte das perguntas tratava do risco de ruptura democrática, sobre eleições de 2022 e ações do governo de Jair Bolsonaro no enfrentamento à pandemia.

Ramos defendeu o presidente e afirmou que Bolsonaro age dentro das quatro linhas da Constituição Federal. “E ele está agindo. O que ele espera é que os outros Poderes também estejam jogando dentro das quatro linhas. É bom que se esclareça isso.”

O ministro afirmou ainda que, enquanto esteve na ativa do Exército, até julho de 2020, teve contato direto com o alto comando militar. “Em nenhum momento ouvi de qualquer integrante do Alto Comando qualquer coisa com a quebra do estado democrático de direito. Isso aí é muito imprensa.”

Ramos assegurou ainda que as eleições de 2022 serão realizadas, apesar das ameaças de Bolsonaro.

“Eu tenho tanta certeza de que elas vão ocorrer, e eu estou dizendo, pode ser que eu seja cobrado ano que vem, que o vitorioso será Jair Messias Bolsonaro, diferente de institutos de pesquisas que eu não acredito.”

Substituído na Casa Civil por Ciro Nogueira, Ramos elogiou a escolha do senador licenciado e afirmou não questionar o “feeling político” de Bolsonaro. “Eu não dou pitaco, porque ele realmente é profundo conhecedor”, disse o ministro, afirmando que Nogueira foi uma decisão excepcional do presidente.

Assim como o ministro Walter Braga Netto (Defesa), o general qualificou a ditadura militar registrada no Brasil entre 1964 e 1985 de “regime forte de exceção”.

“Meus senhores, eu sou de uma geração, eu saí da academia em 1979. Em 1964 eu tinha 8 anos de idade”, disse.

“O que eu sei pela história e por depoimentos tanto de elementos que estiveram do lado oposto como no lado do governo militar...era uma outra época. Era um regime forte, de exceção. Agora, isso aí é uma semântica, ditadura, não ditadura.”

Ele comparou o governo militar com o de Getúlio Vargas, “quando o Congresso não funcionava.”

“Havia um controle muito grande da polícia do estado à época. E durante o governo do regime militar, o Congresso pode ter sido fechado, mas [continuou] funcionando.” “Eu diria que foi um regime militar de exceção muito forte”, concluiu.

 

PRESIDENTE Bolsonaro culpa estados pela alta do gás e da gasolina em evento ao lado do governador do Amazonas

João ValadaresRosiene Carvalho / FOLHA DE SP
 
bolsonaro em manaus
RECIFE e MANAUS

Ao lado do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) culpou, na manhã desta quarta-feira (18), em Manaus, parte dos governadores pela alta do preço do gás e dos combustíveis. Ele reconheceu a inflação e disse que o povo tem razão em reclamar.

“Sabemos que a inflação está batendo na porta de vocês, mas lá atrás grande parte dos governadores e da nossa mídia disse que deveríamos respeitar aquela máxima: ‘fique em casa que a economia a gente vê depois’”, discursou.

Ao classificar os preços como absurdos, Bolsonaro destacou que a população precisa perceber quem está sendo o verdadeiro vilão.

“Hoje em dia, o litro da gasolina é vendido nas refinarias na casa de R$ 1,95. Se está R$ 6, R$ 7 o litro, o que é um absurdo, o imposto federal na casa de R$ 0,70, vamos ver quem é o vilão nessa história”, afirmou.

Bolsonaro aproveitou o discurso para fustigar, sem citar nominalmente, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), um dos seus adversários políticos.

“O vilão não é o governo federal. A gente lamenta que alguns estados do Brasil, como o maior estado economicamente ativo, foi o estado que mais aumentou o ICMS em plena pandemia. É lamentável isso”, discursou.

Mais uma vez, o presidente afirmou que o governo federal foi alijado das ações de combate à pandemia.

“Só o fato a obrigarem vocês a ficar em casa, ao decretarem toque de recolher e confinamento, jogaram praticamente na miséria em torno de 40 milhões de pessoas no Brasil. O governo federal fez sua parte, criou o auxílio emergencial que acabou no fim das contas atingindo sessenta e oito milhões de pessoas”, declarou.

Em guerra com o STF (Supremo Tribunal Federal), o presidente, desta vez, não fez ataques a ministros. A missão coube ao pastor Silas Malafaia, que discursou na cerimônia de entrega de habitações populares.

"Eu queria fortalecer uma verdade, supremo poder é o povo. O povo é o supremo poder. Não é uma caneta de ministro do STF e ninguém que vai tirar um presidente legítimo com o voto do povo na caneta", disse. Neste momento, parte da plateia levantou as mãos para o céu como se estivessem celebrando uma oração.

É a terceira vez que Bolsonaro vai ao Amazonas desde que o sistema de saúde do estado colapsou com crise de abastecimento de oxigênio e o aumento de casos de Covid-19 na segunda onda da pandemia.

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, alvo de investigação em decorrência da gestão do combate à Covid-19, esteve presente na cerimônia. A primeira visita de Bolsonaro ocorreu às vésperas do início dos trabalhos da CPI da Pandemia no Senado.

No primeiro trimestre, foram 6.600 mortes no Amazonas, um dos índices per capita mais elevados do mundo. Além da falta de leitos clínicos, os pacientes que conseguiram vagas em hospitais sofreram com falta de insumos e morreram sem oxigênio.

Nas visitas, o presidente não fez referências às vítimas ou prestou solidariedade às famílias.

O governo também é investigado na CPI por ter ignorado duas ofertas da ONU (Organização das Nações Unidas) e uma do governo dos Estados Unidos para transportar de forma mais rápida oxigênio até o estado, no período em que pacientes internados morreram asfixiados sem o insumo em Manaus e no interior do estado.

A agenda rápida do presidente em Manaus também teve forte conotação política em função do palanque em construção no estado para reunir três máquinas públicas contra adversários.

No aeroporto, Bolsonaro foi recebido pelo aliado e governador Wilson Lima, que é pré-candidato à reeleição. Também esteve presente o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), de linha evangélica e conservadora, além do amigo pessoal do presidente, coronel da reserva Alfredo Menezes.

Pré-candidato ao Senado, Menezes é figura constante no Planalto e, nos últimos meses, desbancou a bancada do Amazonas da função de elo entre os dois senadores e o presidente. Além disso, Menezes ataca constantemente o presidente da CPI da Covid, senador por Amazonas Omar Aziz (PSD), que deve tentar se reeleger no próximo ano.

No dia 8 de junho, Bolsonaro teve uma reunião que durou cerca de 40 minutos com o prefeito de Manaus e Menezes. Ao final do encontro, um vídeo dos três foi gravado e distribuído na cidade com promessas de repasse de recursos à capital.

Em entrevista ao UOL, em junho, ao comentar os vetos às emendas da bancada do Amazonas, Omar declarou: "Ele [Bolsonaro] tem feito vídeos com adversários meus no estado prometendo mundos e fundos. Não sei de onde. Mas veta emendas parlamentares. Não tem problema, mas é uma forma não muito republicana como ele tem anunciado recursos para o estado", disse.

Um estudo sobre o orçamento de 2021 do Inop (Instituto Nacional de Orçamento Público) aponta que, no ranking por estados, o Amazonas foi o que recebeu o maior corte em termos percentuais e absolutos. Foram vetados 50% dos repasses ao estado relacionados às emendas de comissão (RP2), o que representa um total de mais de R$ 220 milhões.

Bolsonaro participou, em abril, de uma inauguração de um anexo de um centro de convenções construído em governos anteriores. Em maio, participou da inauguração de uma ponte de madeira de 18 metros na Terra Indígena (TI) Balaio, em São Gabriel da Cachoeira, no extremo norte do País.

Em julho, Bolsonaro adiou ida a Manaus, quando participaria de uma motociata, em função da internação com um quadro de obstrução intestinal. No entanto, do leito do hospital, participou por vídeo-chamada do evento e fustigou Omar Aziz, defendendo que o estado faça uma renovação política.

Bolsonaro desembarcou em Manaus na manhã desta quarta no aeroporto Eduardinho. Apoiadores organizaram caravanas para recepcioná-lo no estacionamento do local, onde foi montado um cercadinho.

Sem usar máscara, o presidente provocou aglomerações, abraçou crianças e teve contato com os seguidores.

Parte dos apoiadores acompanhou com motos e carros o deslocamento de Bolsonaro entre o aeroporto e o local do evento, o residencial Cidadão Manauara 2 no bairro Santa Etelvina, Zona Norte de Manaus.

Acompanhado pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, o presidente fez a entrega de 500 apartamentos populares. De acordo com dados da Prefeitura de Manaus, as moradias foram construídas a partir do repasse de R$ 607,5 milhões do Ministério de Desenvolvimento Regional, no primeiro trimestre.

 

Bolsonaro culpa estados pela alta do gás e da gasolina em evento ao lado do governador do Amazonas

João ValadaresRosiene Carvalho
RECIFE e MANAUS

Ao lado do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) culpou, na manhã desta quarta-feira (18), em Manaus, parte dos governadores pela alta do preço do gás e dos combustíveis. Ele reconheceu a inflação e disse que o povo tem razão em reclamar.

“Sabemos que a inflação está batendo na porta de vocês, mas lá atrás grande parte dos governadores e da nossa mídia disse que deveríamos respeitar aquela máxima: ‘fique em casa que a economia a gente vê depois’”, discursou.

Ao classificar os preços como absurdos, Bolsonaro destacou que a população precisa perceber quem está sendo o verdadeiro vilão.

 

“Hoje em dia, o litro da gasolina é vendido nas refinarias na casa de R$ 1,95. Se está R$ 6, R$ 7 o litro, o que é um absurdo, o imposto federal na casa de R$ 0,70, vamos ver quem é o vilão nessa história”, afirmou.

 

Covid-19: Brasil passa da marca de 570 mil mortes

O Brasil bateu a marca de 570 mil mortes em decorrência da covid-19. Nas últimas 24 horas, foram registrados 1.106 novos óbitos, totalizando 570.598 vidas perdidas para a pandemia. Ontem, o número estava em 569.492.

Ainda há 3.576 óbitos em investigação uma vez que há casos em que o diagnóstico depende de resultados de exames concluídos apenas após o paciente já ter morrido.

A quantidade de pessoas que contraíram covid-19 desde o início da pandemia subiu para 20.416.183. Entre ontem e hoje, foram registrados 37.613 novos casos. Ontem, o sistema de informações do Ministério da Saúde marcava 20.378.570 casos acumulados.

Ainda há 532.039 casos em acompanhamento. O nome é dado para pessoas cuja condição de saúde é observada por equipes de saúde e que ainda podem evoluir para diferentes quadros, inclusive graves.

O número de pessoas que se recuperaram da covid-19 chegou a 19.313.546.

Boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde em 17/08/2021
Boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde em 17/08/2021 - 17/08/2021/Divulgação Ministério da Saúde

As informações estão no balanço diário do Ministério da Saúde, divulgado nesta terça-feira (17).

Os dados, em geral, são menores aos domingos e segundas-feiras em razão da dificuldade de alimentação do sistema pelas secretarias estaduais. Já às terças-feiras, os resultados tendem a ser maiores pela regularização dos registros acumulados durante o fim de semana.

Estados

São Paulo é o estado que registra mais mortes pela covid-19 (143.135), seguido pelo Rio de Janeiro (60.771), por Minas Gerais (52.002), pelo Paraná (36.584) e Rio Grande do Sul (33.807). Já os estados onde a doença menos matou são: Acre (1.808), Roraima (1.920), Amapá (1.941), Tocantins (3.627) e Sergipe (5.951).

Vacinação

O painel de vacinação, também mantido pelo Ministério da Saúde, ainda não divulgou os dados relativos às ações de imunização hoje. Até ontem, o número de doses aplicadas estava em 168,1 milhões.

Edição: Lílian Beraldo / AGÊNCIA BRASIL

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