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AGU sabia de problema no INSS e Messias ignorou alerta sobre sindicato de irmão de Lula no esquema

Por Vinícius Valfré / O ESTADÃO DE SP

 

BRASÍLIA - O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, ignorou um alerta do próprio órgão que apontou o sindicato do irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como um dos principais envolvidos em suspeitas de descontos associativos ilegais a aposentados.

 

Procurada, a AGU afirmou que o documento em questão — fruto de uma fiscalização em uma de suas equipes com 63 procuradores da região Sul — não tinha objetivo identificar fraudes e não levantou elementos suficientes para providência judicial. Disse ainda que atuou tecnicamente com base em critério aplicado a partir de apurações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) (leia mais abaixo).

O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi-FS) aparece em um processo interno da AGU, de 2024 que listou nove “principais” entidades com “aumento significativo” de reclamações judiciais sobre descontos não autorizados. O sindicato tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula.

Esse processo reunia informações para que, “caso comprovadas as irregularidades na inclusão dos descontos”, fosse realizado o “cancelamento dos convênios” com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

Os documentos afirmam textualmente que essas informações serviriam para “encaminhamento de pedido de providências” junto à autarquia previdenciária para dar “início ao procedimento de averiguação de indícios de irregularidades e instauração de processo administrativo de cancelamento dos convênios”. A observação foi feita em abril de 2024.

Ao pedir à Justiça, em 8 de maio de 2025, o bloqueio de bens de entidades suspeitas de fraudar aposentados, Messias não levou em conta esses achados da AGU e deixou de fora seis das nove entidades mencionadas no levantamento da instituição que lidera.

A medida, que pretendia bloquear R$ 2,5 bilhões em bens, foi anunciada pelo ministro após a primeira fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, no mês anterior.

Messias é, hoje, o mais cotado para ser indicado por Lula à vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.

Além do Sindnapi, Conafer, Master Prev, Cobap, Unipab e Abamsp estavam citadas no mesmo documento da AGU, como “principais” suspeitas, e foram poupadas dos primeiros pedidos de bloqueio apresentados por Jorge Messias contra 12 entidades. Das nove, AAPB, a AP Brasil e Unaspub apareceram concomitantemente nas duas listas.

Àquela altura, já se sabia que o suposto esquema envolvia associações e sindicatos maiores, como o Sindnapi e a Contag — esta também ligada ao governo, com dirigentes do PT e PCdoB. Ambas tinham sido alvo da operação da PF, em abril.

A Contag é a entidade que mais arrecadou com descontos associativos. Entre 2016 e janeiro de 2025, foram R$ 3,4 bilhões, segundo dados levantados pela CGU.

A entidade reúne associações e sindicatos de trabalhadores rurais historicamente envolvidos no apoio e em pautas do PT, assim como movimentos como a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

O Sindinapi é outro grande arrecadador de descontos associativos. De janeiro de 2019 a junho 2025, o sindicato movimentou R$ 1,2 bilhão.

Os critérios usados por Jorge Messias

Para solicitar os bloqueios, o chefe da AGU optou por levar em conta outros critérios. Segundo o ministério, o levantamento da equipe do Sul não reunia elementos suficientes para motivar uma ação judicial contra as entidades mencionadas no processo interno.

Pressionado para explicar quais foram, na época, o órgão disse que mirou entidades que a PF apontou como suspeitas de serem pagadoras de propina e de serem de fachada.

Em entrevista ao programa oficial “Bom dia, Ministro”, em 20 de maio, ele declarou: “O que não temos nesse momento é elementos de prova para colocar todas as entidades na condição de entidades fantasma ou entidades criminosas. Se tiver irregularidade, vai pegar pela irregularidade”.

Agora, os novos documentos indicam que um setor da AGU tinha um mapeamento próprio sobre indícios de alastramento das fraudes, sabia do problema dos descontos ao menos desde o início de 2024 e cobra medidas do junto ao INSS.

A reportagem do Estadão perguntou à AGU, nesta segunda-feira, 17, qual foi o critério objetivo utilizado para a medida cautelar e o porquê de a medida na Justiça ter desconsiderado as associações citadas em levantamento interno.

Em nota, a pasta afirmou que apresentou a primeira leva de medidas cautelares com base em apuração administrativa realizada pelo INSS, nos Processos Administrativos de Responsabilização (PARs) da CGU e a partir dos casos com fortes indícios de “terem sido criadas com o único propósito de praticar a fraude com uso de ‘laranjas’”.

“Ao ajuizar as primeiras ações, a AGU atendeu a pedidos do INSS e da CGU. Elas tiveram como alvo, portanto, 12 entidades associativas, seis consultorias, dois escritórios de advocacia e três empresas”, alegou.

O que a AGU tinha levantado?

O levantamento sobre os nove sindicatos e associações “principais” com indicativos de fraude aparece no âmbito de um processo administrativo aberto especificamente para lidar com o crescimento de demandas envolvendo o INSS por procuradores da AGU na 4ª Região, que abrange Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Embora elaborado regionalmente, a existência do trabalho não ficou restrita aos procuradores regionais. Em 30 de agosto de 2024, chegou ao conhecimento do corregedor-geral da AGU, Heráclio Mendes de Camargo Neto. E em 3 de setembro de 2024 foi enviado pelo corregedor ao ministro Jorge Messias.

No dia 15 de outubro de 2024, o procurador Flávio José Roman recebeu e aprovou o relatório assinando como Advogado-Geral da União Substituto.

Nessa data, Messias despachou normalmente no Palácio do Planalto. Perguntada sobre o por que de o documento não ter sido assinado pelo chefe da pasta, a AGU afirmou que a aprovação pelo ministro substituto “se deu seguindo a regular rotina administrativa”.

As informações chegaram à cúpula da AGU, em Brasília, porque foram colhidas no âmbito de uma correição (fiscalização) realizada em uma equipe de 63 procuradores com atuação no Sul do País. É um processo que costuma ser realizado de forma aleatória e por amostragem para averiguação de produtividade, regularidade, eficácia e condições de trabalho dos servidores públicos.

As demandas relativas ao INSS na Justiça — que têm a AGU como “advogada” nesses processos — foram alguns dos pontos mais críticos abordados na correição. A fiscalização contou com análise de processos e reuniões com as equipes de procuradores.

Em uma dessas reuniões, em 22 de abril de 2024, o grupo avisou a corregedoria que “o alto volume de trabalho referente às ações de empréstimo consignado e contribuições associativas aliado aos prejuízos sofridos pela autarquia previdenciária demandam uma revisão do tema”.

O quadro levou à abertura de processo administrativo específico para monitoramento das ações judiciais. Com relação aos consignados, ficou demonstrado que “dos principais bancos que figuravam como réus”, apenas três estavam em mais de 60% dessas ações".

Em relação aos descontos associativos, o relatório informa expressamente a existência de um processo administrativo por meio do qual a direção do INSS havia sido informada sobre “aumento significativo de ações envolvendo associações de aposentados” e instada a tomar “providências cabíveis para suspensão dos convênios junto ao INSS”.

É nesse processo administrativo em que estão as entidades apontadas como principais no incremento de ações judiciais que as acusava de aplicar descontos que não foram autorizados.

O alerta não ficou apenas no relatório de correição. Em paralelo, a equipe de procuradores do Sul fez tratativas junto ao Judiciário e ao INSS para mapear o tamanho do problema e encaminhar providências.

Em um dos ofícios encaminhados ao Centro Local de Inteligência do Judiciário da 4ª Região, no âmbito do processo administrativo informado à Corregedoria, os procuradores pediram comparações de estoques de processos relacionados aos descontos para “apuração de irregularidades”, que, caso comprovadas, embasariam providências para cancelamento dos convênios das entidades com o INSS assim como feito com quatro outras entidades em 2019.

Apesar das alegações da equipe técnica referentes a suspeitas de descontos ilegais, de proposta de encerramento de convênios e de paralelos com fraudes semelhantes de anos anteriores, a cúpula da AGU afirmou que não havia elementos para uma medida judicial a partir do trabalho dos procuradores regionais.

O que a AGU diz sobre a menção ao sindicato de Frei Chico

Em nota, a AGU afirmou que o relatório de correição teve como objeto a avaliação da gestão de processos, com foco na verificação da regularidade e da eficácia dos serviços jurídicos prestados pela unidade que foi objeto da correição.

“O trabalho não identificou fraudes nos descontos associativos nem trouxe elementos que justificassem atuação investigativa ou corretiva por parte da AGU quanto esse tema, pois esse não é o escopo de uma correição ordinária”, frisou.

A reportagem perguntou expressamente à AGU o motivo de não ter considerado ao anunciar providências o processo citado na correição que listava entidades como o Sindnapi.

A pasta destacou, entre outras coisas, que “não detém atribuições de polícia judiciária ou de controladoria administrativa, mas de representação judicial/extrajudicial, consultoria e assessoramento jurídico da Administração Pública Federal”.

“Esse monitoramento cumpriu exatamente o seu propósito, tanto que suas conclusões foram encaminhadas à Direção do INSS. O documento desencadeou uma sequência de ações da equipe técnica da AGU junto à Direção Central do INSS e ao Poder Judiciário. Em diversos comunicados administrativos e reuniões foram tratados temas relativos à possível existência de prática de advocacia predatória e de medidas necessárias à melhoria da defesa jurídica do Instituto”, disse.

Correios: dívidas judiciais crescem quase 460% em 2 anos. Nova gestão quer fazer radiografia dos processos

Por Thaís Barcellos — Brasília / O GLOBO

 

Após registrar uma alta de 458% no estoque de precatórios nos últimos dois anos, os Correios planejam contratar uma consultoria para fazer uma análise detalhada dos processos judiciais contra a empresa. A ação é uma das iniciativas previstas no plano de reestruturação da estatal.

 

Entre junho de 2023 e o mesmo mês deste ano, o estoque de dívidas decorrentes de decisões judiciais finais (transitadas em julgado) saiu de R$ 367,4 milhões para R$ 2,05 bilhões. Deste total, R$ 913,1 milhões precisam ser pagos até o fim deste ano, e o restante será quitado em 2026.

 

A fatia de 2025 já está contemplada nos cálculos realizados pela cúpula da estatal em relação à necessidade de recursos no curto prazo. Como revelou o GLOBO, a empresa corre contra o tempo para conseguir ao menos R$ 10 bilhões em empréstimos para conseguir reequilibrar o caixa, pagar dívidas em atraso e colocar de pé o plano de reestruturação.

 

O aumento dos precatórios, inclusive, é um dos pontos que ajuda a explicar os resultados negativos dos Correios este ano, além das despesas com pessoal e a queda nas receitas. A empresa registrou prejuízo acumulado de R$ 4,3 bilhões em 2025.

 

Apenas no segundo trimestre, entre abril e junho, o resultado negativo atingiu R$ 2,6 bilhões, quase cinco vezes o registrado em igual período do ano anterior, de R$ 553,1 milhões.

 

O salto no estoque de precatórios ainda acionou uma cláusula de pagamento antecipado no atual contrato de empréstimo que os Correios têm com BTG Pactual, Citibank e Banco ABC Brasil.

 

Causas antigas

 

Em uma renegociação com as instituições financeiras, os Correios tiveram de aceitar o pagamento de uma taxa extra de R$ 40,5 milhões, além do aumento do percentual de juros cobrados e da antecipação do início do pagamento do valor principal, de junho de 2026 para janeiro.

 

No âmbito da renegociação, a estatal já fez uma consulta em todos os tribunais para verificar se o número de precatórios emitidos considerado no balanço era fidedigno. Agora, dentro do plano de reestruturação, a ideia é fazer uma análise de cada processo ainda em tramitação na Justiça para entender, por exemplo, os principais motivos das ações. Mais de 70% das causas são antigas, da década de 90 até 2020.

 

A ideia é verificar se o dinheiro reservado para prováveis perdas nos processos está adequado. Essa provisão é classificada como uma despesa no balanço — ou seja, quanto maior, pior o resultado da empresa. Por isso é importante que os cálculos estejam corretos.

 

A avaliação é que a revisão deve fortalecer as práticas contábeis dos Correios, um sinal considerado essencial para recuperar a credibilidade da empresa.

 

O que dizem os Correios

 

Procurados, os Correios afirmaram que seguem rigorosamente o que determina a legislação referente a precatórios. "O aumento do volume registrado neste período decorre, principalmente, da atualização monetária definida em lei e da entrada de novos processos já transitados em julgado, ou seja, se trata de uma despesa obrigatória", afirmou a estatal.

 

A empresa afirma que trabalha pela eficiência administrativa e pela redução de passivos judiciais futuros, por meio de melhores práticas de gestão e conciliação.

 

CORREIOS

Emprego recorde não deixa para trás mazelas do trabalho

EDITORIAL DA FOLHA DE SP

O Brasil celebra, com razão, a taxa de desemprego em mínima histórica de 5,6%, com 4,6 milhões de vagas formais abertas desde 2023 e total de 102,4 milhões de pessoas ocupadas. Entretanto tais recordes não refletem nem prenunciam um momento de especial pujança econômica, como se pode perceber pelas nuances do mercado de trabalho nacional.

A aparente boa situação não deixou para trás as mazelas da informalidade exagerada, beirando os 40% —ou 40,8 milhões de trabalhadores, segundo o IBGE, padrão que se mantém quase estável há uma década.

Ademais, um dos motores da alta ocupação é o crescimento acelerado dos microempreendedores individuais (MEI) e outros profissionais enquadrados como pessoas jurídicas.

Desde 2012, a parcela dos trabalhadores por conta própria com CNPJ saltou de 3,3% para quase 7%, impulsionada por 5,5 milhões de migrações diretas de contratos pela CLT para esses regimes entre 2022 e julho de 2025. Tal crescimento se explica não só pelo empreendedorismo mas também por adaptações forçadas.

O ainda elevado custo da formalização pela CLT —encargos sociais, previdenciários e fiscais chegam a 70% sobre o salário bruto— dificulta a contratação nesses moldes em empresas de pequeno e médio porte.

Há aspectos positivos inegáveis no crescimento das modalidades PJ, dado que 59% dos brasileiros afirmam que preferem trabalhar por conta própria, segundo pesquisa do Datafolha.

Além disso, a renda média desses profissionais é superior: média de R$ 4.947 mensais ante R$ 3.200 dos empregados formais no setor privado (excluindo domésticos). Essa disparidade sugere que, para perfis qualificados, o modelo PJ/MEI pode elevar ganhos por meio de menores custos e múltiplos clientes.

Com a ressalva de que é preciso vigilância para evitar precarização, o efeito geral da ampliação de outras modalidades contratuais é benéfico, pois traz dinamismo ao mercado de trabalho.

O grande problema, porém, é a produtividade, que avança a passos lentos —aumento de somente 0,3% ao ano por hora trabalhada nos últimos cinco anos.

As mudanças do emprego não alteram essa realidade. O desempenho dos informais é um quarto do medido entre os formais. Quanto a estes, os de pequeno porte no formato de MEI têm produtividade inferior à de empresas limitadas (LTDA), que têm maior escala, quadros com melhor qualificação técnica e acesso a crédito, perpetuando um ciclo de baixa inovação.

Outros fatores, como a economia fechada ao comércio internacional e o custo elevado de capital, travam o progresso.

Nesse contexto, persistir em reformas é imperativo. Modernizar relações trabalhistas, abrir-se à competição externa e fomentar poupança doméstica são caminhos para que emprego e renda tenham expansão duradoura.

Governo Lula já gastou R$ 787 milhões de R$ 1 bilhão previsto para COP30 e fala em sanção para falhas

Vinicius Sassine / FOLHA DE SP

 

 

O governo Lula (PT) gastou, até agora, R$ 787,2 milhões com as ações previstas para organização e realização da COP30, a conferência do clima da ONU, realizada em Belém até o fim desta semana. Os gastos previstos são superiores a R$ 1 bilhão.

Em julho, em mensagem ao Congresso com o conteúdo do acordo firmado entre o governo e o braço da ONU que cuida de mudanças climáticas, os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Rui Costa (Casa Civil) informaram a ação orçamentária que seria utilizada para a realização da COP30, com gastos previstos de R$ 859,3 milhões no âmbito da Presidência.

Esses gastos, porém, não se restringem à Presidência e abarcam ainda despesas da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), PF (Polícia Federal), PRF (Polícia Rodoviária Federal), Aeronáutica, Marinha e Exército, entre outros órgãos.

Conforme os dados disponíveis no Portal da Transparência, mantido pela CGU (Controladoria-Geral da União), o orçamento previsto para a realização da COP30 ultrapassa R$ 1 bilhão, 20% a mais do que o informado na mensagem ao Congresso.

Uma fatia expressiva desse dinheiro é destinada à OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos), entidade contratada pelo governo federal, sem licitação, para a efetivação da montagem da estrutura para a COP30, como as zonas azul e verde ("blue zone" e "green zone"). O convênio tem valor de R$ 480 milhões, e já foram repassados R$ 324,6 milhões.

A "blue zone" apresentou diversos problemas durante a primeira semana de COP30, com calor excessivo em corredores e pavilhões, falta constante de água nos banheiros e goteiras em diferentes espaços. As falhas foram objeto de carta da ONU ao governo brasileiro, com cobrança por melhorias na estrutura.

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência diz que eventuais descumprimentos contratuais poderão levar a aplicação de sanções.

Segundo a Presidência, o orçamento superior a R$ 1 bilhão para organização e realização da COP30, validado pelo Congresso, pode não ser "totalmente necessário".

Já existe empenho —a fase orçamentária em que é dada autorização para o pagamento efetivo dos recursos— de R$ 877,2 milhões, dentro da ação orçamentária voltada à realização da COP30.

O acordo do Brasil com a UNFCCC, o braço da ONU que realiza as COPs, prevê um repasse de US$ 7,2 milhões (R$ 38,2 milhões, pela cotação do dólar desta segunda-feira, 17) à entidade. A transferência financeira, feita pelo governo federal, serve para custear despesas com comunicação, deslocamento e hospedagem de funcionários da ONU.

A montagem da zona azul já chegou a ter custos estimados em R$ 423,5 milhões, conforme as primeiras especificações do processo licitatório conduzido pela OEI.

O contrato com a DMDL –a empresa escolhida para erguer a estrutura da zona azul, com plenários, salas de reunião, restaurantes e estandes– tem valor de R$ 182,6 milhões, e já foram gastos, até agora, R$ 112,9 milhões, segundo dados públicos informados no Portal da Transparência.

Diversos problemas na estrutura foram registrados desde o início da conferência, no dia 10. O calor excessivo demonstrou as falhas do sistema de ar-condicionado. Goteiras diversas no sistema de lona e estrutura metálica foram notadas em mais de um dia. Faltou água nos banheiros, que não contavam, em parte deles, com trancas nas portas, sabonete e papel toalha.

As especificações técnicas para a contratação da empresa responsável pela "blue zone" previam banheiros com fechadura, álcool em gel e sabonete; tenda modular de alta resistência; cobertura em lona impermeável capaz de suportar condições climáticas extremas; e um sistema de ar-condicionado e climatizadores que resfriam o ambiente com evaporação de água.

"A equipe responsável pela logística da conferência, em parceria com a UNFCCC e com as empresas responsáveis pela prestação do serviço, monitoram eventuais falhas que, em regra, estão sendo rapidamente saneadas", disse a Secretaria de Comunicação da Presidência, em nota.

Fornecedores são notificados a atuar de forma "tempestiva" e a adotar medidas compensatórias, às suas custas, cita a nota. "Eventuais descumprimentos contratuais, caso identificados, serão tratados na forma prevista nos procedimentos aplicáveis, podendo, inclusive, serem objeto de aplicação de sanções."

A OEI disse que os problemas detectados são comuns em grandes eventos e que foram feitos os ajustes necessários. "A OEI acompanha diariamente a execução de todos os contratos, fiscalizando o cumprimento integral das especificações. Quaisquer eventuais descumprimentos serão rigorosamente apurados", afirmou, em nota.

A DMDL, por sua vez, disse que as especificações técnicas estão refletidas nos projetos e estão sendo cumpridas. "Ocorrências pontuais foram atendidas prontamente pelas equipes técnicas do grupo, que estão disponíveis 24 horas por dia para atender a organização do evento."

A contratação sem licitação da OEI foi analisada em um processo no TCU (Tribunal de Contas da União), que afirmou que a ausência de concorrência se deu sem motivações suficientes e que não ficou comprovada vantagem na escolha feita.

A Secretaria Extraordinária para a COP30, vinculada à Casa Civil, disse que a contratação da OEI "foi amparada por acordo internacional ratificado pelo Brasil e regido pelo direito internacional".

Haddad, o injustiçado

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

 

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se sente injustiçado. Para ele, o esforço fiscal que o governo tem feito não recebe o devido reconhecimento, não apenas do mercado e da imprensa, mas também do Banco Central (BC). Esperançoso, o ministro ainda acredita que o empenho da equipe econômica será atestado. “Estou louco para ver uma ata do Banco Central dizendo que eu estou fazendo um esforço relevante, como fez o Fundo Monetário Internacional. Mas vai chegar meu dia”, afirmou, em entrevista ao Estadão.

 

Ninguém pode dizer que o trabalho do ministro seja fácil. É realmente desafiador defender o reequilíbrio fiscal com um presidente como Luiz Inácio Lula da Silva, que não vê problema em aumentar o gasto público, com um Congresso que se recusa a rever subsídios e a aumentar impostos para cobrir as renúncias e com um Judiciário que não vê problema algum em privilégios que garantem supersalários e ignoram o teto remuneratório. Mas daí a se sentir um injustiçado vai uma distância considerável.

 

O cargo de ministro da Fazenda requer muitas habilidades, e talvez a maior delas seja saber dizer “não” quando todos, especialmente seu chefe, esperam que diga “sim”. Pedidos para aumentar gastos e reduzir impostos virão de todos os lados diuturnamente – do próprio ministério, dos colegas de Esplanada, do presidente da República, do Legislativo, do Judiciário, do mercado financeiro, do setor produtivo.

 

Resistir a essas pressões é a essência do cargo, reconhecidamente o pior emprego do Brasil. Quando o ministro da Fazenda erra, as consequências afetam a vida de toda a sociedade. Quando acerta, não fez mais do que sua obrigação. É provável que isso explique por que o ministro diz não ter certeza de que quer continuar na Fazenda caso Lula seja reeleito.

 

Dito isso, seria de bom tom que o ministro fizesse um mea culpa sobre sua atuação nos últimos três anos, mas ele parece bastante satisfeito com o que fez. Na avaliação de Haddad, o arcabouço fiscal é a legislação mais avançada que o País já teve – a despeito de a dívida bruta na proporção do Produto Interno Bruto (PIB) continuar em ascensão. Para ele, a meta fiscal será cumprida – ainda que em seu limite inferior e excluindo várias despesas da conta.

 

É difícil compreender a lógica do ministro. Gestada para ser uma bandeira eleitoral, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, na avaliação de Haddad, foi feita de forma equilibrada e inteligente, muito embora técnicos do Senado não concordem com os cálculos da Fazenda.

 

Até a descabida tarifa zero para o transporte público, que em outros tempos seria descartada de imediato por qualquer ministro da Fazenda, por sua absoluta inviabilidade, está em estudo. “O trabalho que eu estou fazendo, se terminar a tempo, vai ser publicizado, e cada candidato que se vire para assimilar ou não”, afirmou Haddad.

 

O saldo negativo entre receitas e despesas, que ocorre de maneira sistemática desde 2014, é uma das principais razões pelas quais a taxa básica de juros está em 15% ao ano. Para Haddad, no entanto, tudo vai bem. É revelador que o ministro tenha dito que a inflação aumentaria “apenas” 0,2 ponto porcentual se os juros estivessem em 12% ao ano.

 

Mais de 30 anos após o Plano Real, Haddad ainda acredita na balela de que é possível tolerar um pouco mais de inflação para estimular o crescimento. Ora, a meta de inflação é de 3% e foi ele mesmo quem a definiu, juntamente com a ministra do Planejamento, Simone Tebet, e o então presidente do BC, Roberto Campos Neto.

 

E, se a inflação ainda não chegou à meta mesmo com a Selic a 15%, foi sobretudo porque o governo fez de tudo para impedir que isso acontecesse, ao apostar numa política fiscal expansionista, ao não apoiar reformas que cortem gastos de maneira estrutural, ao ampliar o crédito direcionado e ao alimentar incertezas quanto à estabilização da dívida pública, como descreveu o BC na ata da mais recente reunião do Copom.

 

Nada disso é obra do acaso. “Eu já falei que entreguei tudo aquilo que ele (Lula) encomendou. O que ele encomendou eu entreguei”, afirmou Haddad. Nisso, de fato, o ministro tem toda razão.

Escândalo no INSS volta a assombrar Lula

Apesar de ter sido encoberta pela sucessão de temas que assolaram o noticiário doméstico desde o começo do ano, como a guerra comercial de Donald Trump contra o Brasil ou o debate acerca da segurança pública, a crise do INSS volta a ser a alvo de atenção.

Nesta quinta (13), a Polícia Federal prendeu Alessandro Stefanutto, ex-presidente do órgão que ocupou o cargo de julho de 2023 a abril deste ano, quando a eclosão do escândalo forçou sua saída.

É um sinal salutar que, mesmo com a barulheira no mundo político, com direito à criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para apurar a fraude, o trabalho de investigação policial seguiu seu curso.

Ele já havia revelado as proporções infames do esquema descoberto, no qual entidades usualmente ligadas a políticos descontavam de forma não autorizada valores de aposentadorias e pensões na casa de mais de R$ 6 bilhões, segundo a investigação.

Por óbvio, a detenção de Stefanutto e outras frentes são parte do processo, não seu fim, sendo necessário estabelecer responsabilidades e garantir o amplo direito à defesa aos acusados.

Do ponto de vista político, a nova etapa da chamada Operação Sem Desconto é motivo para tensão extra no Palácio do Planalto, dado seu potencial impacto na campanha eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026. Os elementos do escândalo são de facílima compreensão para o eleitorado: resumem-se ao proverbial roubo do dinheiro de velhinhos.

O que estará em jogo no próximo pleito é a paternidade do malfeito, cujas origens remontam à gestão de Michel Temer (MDB), entre 2016 e 2018.

O esquema prosseguiu no governo Jair Bolsonaro (PL) e chegou ao de Lula, quando atingiu o recorde de R$ 1,3 bilhão desviado em 2024, de acordo com a PF.

O trabalho da polícia abarca ambos os lados do espectro político. Entre os alvos da operação, além do ex-presidente do INSS nomeado sob Lula, está o ex-ministro do Trabalho de Bolsonaro Armed Mohamad Oliveira (PL).

Políticos do PSB do vice Geraldo Alckmin e do Republicanos do governador de São PauloTarcísio de Freitas, também estão no rol de investigados, e ainda há suspeitas sobre sindicato no qual um irmão de Lula, conhecido como Frei Chico, é vice-presidente.

Com efeito, o Planalto corre para dizer que o problema é de todos —e que foi sob Lula que a PF enfim revelou o esquema. Pode ser, mas isso não apaga um fato básico do presidencialismo: toda e qualquer crise acaba na mesa do chefe do Executivo.

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Governo Lula volta atrás em acordo com 41 países sobre descarbonização de caminhões

Pedro Lovisi / FOLHA DE SP

 

 

Belém

Menos de 24 horas depois de aderir a uma coalizão de outros 41 países sobre descarbonização de ônibus e caminhões, o governo federal voltou atrás e declarou ter cancelado sua participação na iniciativa. O recuo surge depois de reportagem da Folha que apontava contradições entre o acordo assinado e a narrativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na COP30, em Belém.

"O Ministério dos Transportes informa que, diante de interpretações divergentes quanto ao objetivo originalmente pretendido, determinou o cancelamento imediato da participação da pasta no memorando de entendimento que tratava da meta de emissão zero para veículos pesados e médios", afirmou a pasta em nota enviada à reportagem por volta das 13h30 desta quarta-feira (12).

Nos portais do ministério e da coalizão, no entanto, a participação do Brasil ainda é mencionada.

Na tarde de terça, durante a COP30, o governo federal, por meio do Ministério dos Transportes, havia assinado um memorando de entendimento que previa que até 2040 todos os caminhões e ônibus vendidos no país deveriam ser livre de emissões de gases de efeito estufa. Já em 2030, a meta era de 30% de veículos limpos.

A iniciativa, chamada de Drive to Zero e liderada pelo governo da Colômbia, tem como premissa a contabilização de emissões apenas a partir dos gases que saem do escapamento dos veículos, o que limita o acordo a veículos elétricos ou movidos a hidrogênio verde.

Os biocombustíveis têm carbono em sua composição e, por isso, liberam gases de efeito estufa quando são queimados. Mas eles são considerados limpos quando se analisa todo o seu ciclo de vida, incluindo a absorção de carbono das plantações das matérias-primas desses combustíveis.

Na prática, o acordo assinado pelo governo brasileiro, portanto, excluía caminhões movidos a biodiesel e biometano do mercado brasileiro a partir de 2040. Apesar de não ser deliberativo, o memorando indica o caminho que os países assinantes pretendem seguir em sua descarbonização.

O acordo ia em direção contrário ao pleito do presidente Lula durante a Cúpula do Clima, evento que antecedeu o início oficial da COP30, em Belém. Na ocasião, Lula pediu a adesão de países a um compromisso lançado pelo Brasil para o mundo quadruplicar a produção de combustíveis sustentáveis até 2035, incluindo os biocombustíveis.

A agenda é estratégica para o agronegócio brasileiro, que vê oportunidade de alavancar suas exportações de etanol, biodiesel e biometano. Nos últimos meses, por exemplo, houve disparada nos emplacamentos de caminhões a gás no Brasil, que podem usar o biometano. No primeiro semestre, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), foram 356, mais do que o dobro do que o ano passado inteiro.

Folha apurou que a decisão de aderir à iniciativa partiu do Ministério dos Transportes —a presença do ministro Renan Filho na cerimônia era cogitada até segunda (10). Dentro do Itamaraty, que participa de discussões globais sobre o uso de combustíveis no setor rodoviário, técnicos desconheciam a iniciativa, assim como a indústria de biometano.

Após a publicação da reportagem de terça, representantes do setor de biocombustíveis solicitaram reuniões para a pasta. O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), presidente da Comissão Especial da Transição Energética da Câmara dos Deputados, publicou uma nota na tarde desta quarta dizendo que a adesão do Brasil ao acordo causou perplexidade no setor e comemorando o cancelamento em seguida.

Na nota enviada, o Ministério dos Transportes disse que "ainda que o referido memorando não estabelecesse metas vinculativas, a decisão busca assegurar total alinhamento entre as políticas do Ministério dos Transportes e as diretrizes estratégicas do Governo Federal".

"O caminho escolhido pelo Brasil para reduzir as emissões do setor de transportes é claro: quadruplicar a produção de combustíveis sustentáveis até 2035, incluindo o avanço dos biocombustíveis. Essa é a base da transição energética nacional e representa o compromisso efetivo do Ministério dos Transportes com uma infraestrutura moderna, eficiente e ambientalmente responsável", acrescentou a pasta.

Correios: TCU faz auditoria presencial na estatal em crise para apurar possíveis irregularidades na gestão

Por Thaís Barcellos e Geralda Doca — Brasília / O GLOBO

 

Centro de Tratamento de Encomendas dos Correios em Benfica, Zona Norte do RioCentro de Tratamento de Encomendas dos Correios em Benfica, Zona Norte do Rio — Foto: Fernando Frazão/EBC/Agência Brasil

 

O Tribunal de Contas da União (TCU) está realizando uma auditoria presencial nas instalações dos Correios para verificar possíveis irregularidades administrativas, financeiras, operacionais e institucionais no âmbito da gestão da empresa nos últimos anos.

 

A estatal vive a pior crise da sua história e tenta negociar um empréstimo de R$ 20 bilhões com aval da União para manter suas atividades desde a chegada do seu novo presidente, Emmanoel Rondon. A fiscalização atende a uma solicitação da Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização, Controle e Defesa do Consumidor do Senado.

 

O plenário do TCU deve discutir o tema na sessão desta quarta-feira. Segundo interlocutores a par do assunto, a auditoria, realizada pela equipe técnica especializada no setor de Comunicações, deve durar até o fim deste mês.

 

A Corte de contas já vem acompanhando a situação financeira dos Correios há algum tempo. Na semana passada, a empresa apresentou seu plano de reestruturação a representantes do tribunal.

 

Segundo documento obtido pelo GLOBO, o escopo da inspeção envolve uma série de possíveis irregularidades que constam da representação do Senado, que vão desde atrasos de repasses ao Postal Saúde, convênio dos servidores, e de pagamento a fornecedores até doações ao Rio Grande do Sul que não foram entregues, passando por transporte de baterias de lítio em possível desconformidade com as regras da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

 

Acordo com Postalis no alvo

O TCU também vai investigar o contrato de confissão de dívida em que os Correios se comprometeram a transferir R$ 7,6 bilhões ao Postalis, fundo de pensão de seus funcionários, para cobrir metade do rombo do plano de aposentadoria.

 

Outro eixo da auditoria foca em questões financeiras e contábeis, como o atraso na divulgação do balanço do ano passado e mudanças nas informações de saldo do caixa deixados pela gestão no governo de Jair Bolsonaro, que terminou em 2022.

 

Além disso, a auditoria vai analisar o aumento de gastos com patrocínio de 2022 a 2024, despesas com serviços advocatícios e conflito de interesses na gestão.

Em relação à auditoria, a unidade técnica do TCU defendeu que a fiscalização ocorresse in loco na empresa (inspeção) "diante da relevância do objeto proposto" e também porque as demais auditorias realizadas ou em curso na Corte não atendem integralmente as solicitações do Congresso.

A fiscalização presencial prevê um exame minucioso e detalhado da situação, podendo incluir a verificação de documentos, processos e até mesmo o ambiente físico.

 

 

Lula leva 28 ministros a Belém e aposta em COP30 como ativo eleitoral

Por  Bernardo Mello Franco / O GLOBO

 

Deu no Diário Oficial: de 11 a 21 de novembro, a capital do Brasil fica transferida para Belém. Lula parece ter levado a Lei 15.251 a sério. Nos últimos dias, carregou 28 ministros para circular na cidade-sede da COP30. Em campanha aberta à reeleição, o presidente apostou alto na conferência amazônica. Visitou aldeia indígena e quilombo, tomou açaí, inaugurou obras e quase perdeu a voz de tanto discursar. Só na cúpula dos líderes, fez cinco pronunciamentos em dois dias.

 

A COP recolocou Lula no centro do palco internacional. No front externo, ele voltou a pontificar como líder do Sul Global. Defendeu a troca da dívida de países pobres por serviços ambientais, lançou um fundo de preservação de florestas e cobrou grandes poluidores a financiarem ações contra o aquecimento do planeta.

 

No front doméstico, o presidente capitalizou resultados da gestão de Marina Silva no Meio Ambiente, como a redução dos incêndios florestais e a menor taxa de desmatamento na Amazônia em uma década. Ao desfilar os números, expôs o contraste com o antecessor, que tratava ambientalistas como inimigos e fazia piada com o apelido de “Capitão Motosserra”.

 

Ontem uma pesquisa da Quaest informou que 41% dos brasileiros acreditam que a COP vai trazer resultados positivos para o Brasil. Apenas 7% preveem saldo negativo, enquanto outros 41% acham que a cúpula “não fará diferença”. Segundo o mesmo levantamento, quase todos (94%) percebem mudanças no clima, como calor mais intenso e secas mais longas.

 

Os números sugerem que insistir no negacionismo não será bom negócio nas urnas. A ver se os protestos programados contra a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, apoiada por Lula, serão suficientes para arranhar a imagem verde que ele busca projetar.

 

Na política paraense, a COP virou ativo para os Barbalho. O governador Helder, que se reelegeu com 70% dos votos, agora saboreia uma temporada de projeção nacional. A cúpula animou a família a preparar uma dança de cadeiras nas eleições de 2026. O patriarca Jader Barbalho promete se aposentar, mas o clã terá candidatos ao Senado, à Câmara e à Assembleia Legislativa.

 

O desafio é convencer os eleitores de que a COP deixará um legado permanente — o que nem sempre acontece após grandes eventos internacionais.

 

Lucro do Banco do Brasil cai mais de 60% no terceiro trimestre, ainda pressionado pelo agro

Júlia Moura / O ESTADÃO DE SP

 

Banco do Brasil reportou, nesta quarta-feira (12), um lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre de 2025, 60,2% menor que há 12 meses. O resultado, porém, veio acima da expectativa de R$ 3,55 bilhões de analistas consultados pela Bloomberg.

O resultado contábil foi de R$ 3,028 bilhões. O dado veio estável em relação ao trimestre anterior, mas, em comparação com o mesmo período de 2024, há uma queda de 66%.

O banco estatal passa por um momento de forte inadimplência de clientes do agronegócio, um dos seus principais segmentos, com diversos deles em recuperação judicial.

Junto ao balanço, o banco também divulgou uma revisão de suas estimativas para 2025 para baixo. Agora, o custo do crédito neste ano como um todo deve somar entre R$ 59 bilhões e R$ 62 bilhões (R$ 6 bilhões acima do anteriormente previsto) e com um lucro líquido entre R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões, ante R$ 21 bilhões e R$ 25 bilhões.

O RSPL (Retorno sobre o Patrimônio Líquido), que mede a rentabilidade do banco, ficou em 8,4%, também estável em relação ao segundo trimestre. No entanto, há um ano, esta métrica estava em 21,1%.

"O ano de 2025 é um ano de ajustes, marcado pela resiliência do nosso balanço diante de desafios. Atuamos com responsabilidade para controlar a inadimplência, gerar novos negócios e diversificar receitas, preparando o Banco do Brasil para um novo ciclo de crescimento", diz a administração do banco no balanço.

No trimestre, o custo de crédito foi R$ 17,9 bilhões, aumento de 12,7% na comparação com o trimestre anterior e um salto de 77,7% ante o ano passado. "Destaca-se que, além do aumento da inadimplência, em especial na carteira agro, houve agravamentos em casos específicos em Grandes Empresas", diz o balanço do BB.

A taxa de inadimplência do banco também segue em alta, com 4,93% da carteira de crédito em atraso há mais de 90 dias, um aumento de 1,6 ponto percentual em 12 meses.

A carteira de crédito expandida do BB terminou setembro com R$ 1,28 trilhão, uma alta de 7,5% em um ano e queda de 1,2% no trimestre. Os maiores crescimentos vieram de pessoas físicas, grandes empresas e exterior, com ganhos anuais de 7,9%, 8,4% e 21,9%. Na comapração trimestral, porém, apenas créditos a pessoa física e ao governo expandiram.

Os maiores bancos privados do país sinalizaram nas últimas semanas estar mais cuidadosos na concessão de crédito com receio do crescimento da inadimplência, em meio ao maior nível de juros registrado em quase 20 anos.

Durante a divulgação dos seus balanços do terceiro trimestre, eles disseram que por ora os atrasos estão sob controle, mas que o momento requer cuidado ao emprestar para consumidores de maior risco de crédito. O surgimento de novas recuperações judiciais de empresas também está no radar dos executivos.

A avaliação é que a taxa básica de juros (Selic) em dois dígitos desde fevereiro de 2022 tem penalizado a saúde financeira de indivíduos e companhias.

Apesar do juro em 15%, as carteiras de crédito seguem crescendo, ainda que em ritmo menor. Porém, segundo o Banco Central, as taxas de crescimento são maiores nas modalidades de crédito de maior risco, como o rotativo e o crédito pessoal consignado, no caso de pessoas físicas.

No BB, foram essas linhas que puxaram o crescimento da carteira de crédito. No caso dos clientes pessoas físicas, os empréstimos somam R$ 350,5 bilhões.

Junto ao balanço, o banco comunicou a distribuição de R$ 410.587.269,98 em JCP (Juros sobre Capital Próprio) em 11 de dezembro, tendo como base a posição acionária de 1º de dezembro. Serão R$ 0,07192713139 por papel.

RAIO-X | BANCO DO BRASIL NO 3º TRI DE 2025

Fundação: 1808

Lucro: R$ 3,8 bilhões

Agências: 3.997

Funcionários: 87.101

Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Nubank e Caixa Econômica Federal

FACHADA DO BANCO DO BRASIL

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