Quase metade do orçamento do Auxílio Brasil vai para o Nordeste, crucial para o plano de reeleição de Bolsonaro
Fernanda Trisotto, Raphaela Ribas e Carolina Nalin / O GLOBO
BRASÍLIA e RIO - A criação do Auxílio Brasil com benefício mensal de R$ 400, mais que o dobro do que a média no atual Bolsa Família, causou a crise fiscal da semana, abalou o mercado financeiro e provocou nova debandada na equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes.
Entenda: Por que os mais pobres serão os mais afetados pelo descontrole fiscal?
Mas, politicamente, todo o ruído pode ter valido a pena para o presidente Jair Bolsonaro. Além do valor turbinado até dezembro de 2022, o programa substituto do Bolsa Família promete ampliar de 14,6 milhões para 17 milhões o contingente de lares vulneráveis atendidos.
E o maior impacto será sentido no Nordeste, onde Bolsonaro tem o menor índice de aprovação a caminho da reeleição. A região receberá praticamente metade do valor do Auxílio Brasil: ao menos R$ 36,6 bilhões em 2022, ano eleitoral.
O plano da ala política do Planalto e dos aliados do centrão no Congresso é tentar repetir o pico de popularidade do presidente provocado pelo auxílio emergencial pago para amenizar os impactos econômicos da pandemia.
Em setembro do ano passado, 33% dos nordestinos consideravam o governo ótimo ou bom, contra média nacional de 40%, segundo a pesquisa CNI/Ibope da época.
Fila é predominantemente nordestina
O governo promete zerar a atual fila de espera do Bolsa Família, que tem 1,19 milhão de pessoas. Desse total, 41,6% são do Nordeste, que concentra 27% da população brasileira.
Levando em conta essa expansão e o aumento do pagamento médio mensal de R$ 189 do Bolsa Família para no mínimo R$ 400 do Auxílio Brasil para quem já está no cadastro, o incremento nas transferências de renda no Nordeste será de R$ 20,5 bilhões em relação ao previsto anualmente no Bolsa Família atual.
Dados obtidos pelo GLOBO via Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que o Nordeste conta com 493.423 famílias na fila do programa social, número superior até mesmo ao da região Sudeste, a mais populosa do país, que tem 401.994 famílias na espera.
Se a fila nacional de pessoas elegíveis para o Bolsa Família que não recebem hoje por falta de orçamento for zerada, o total de benefícios pagos na região subirá de 7,12 milhões para ao menos 7,62 milhões.
O governo promete ampliar o programa para além da lista de espera e introduzir novas modalidades de benefício, como bolsa atleta e de iniciação científica, o que pode ampliar ainda mais o impacto no Nordeste.
Expectativa alta entre os mais pobres
Historicamente, o Nordeste já concentra a maior parte de beneficiários do Bolsa Família, e a fatia será ampliada com a absorção da fila. Mas ainda não há previsões oficiais do impacto.

O novo programa pode ajudar imediatamente pessoas como a diarista Deuzimar de Oliveira, de 53 anos, de Timon, no Maranhão. Com faxinas, ela sustentava a família, mas, sem renda na pandemia, precisou de ajuda do governo.
Registrada no Cadastro Único, recebeu o auxílio emergencial em todas as fases, mas está apreensiva com o fim do programa neste mês. Ela tem dúvidas se vai ser incluída no Auxílio Brasil, cujo funcionamento o governo ainda não detalhou, mas diz que ainda precisa de ajuda:
— É com isso que a gente vai comprando as coisas. Tem água, tem luz, tem gás, e está tudo caro agora.
A líder comunitária Eurídice Andrade, de 64, quer receber o novo auxílio. Ela mora com o filho na comunidade do Coque, no Recife, e já recebeu Bolsa Família há alguns anos, mas foi cortada porque alegaram que havia um CNPJ em seu nome: o da associação de moradores, entidade sem fins lucrativos que ela coordena.
— Meu auxílio acaba no dia 28 (de outubro). Gostaria de ter o novo auxílio, com certeza. Minha prateleira está vazia. Estou almoçando batatinha porque a carne acabou.
Em nota, o Ministério da Cidadania informou que o Auxílio Brasil “será regulamentado através de decreto a ser publicado nos próximos dias”.
Ganho político é incerto
Com a recuperação lenta da economia e alto desemprego, especialistas avaliam que o aumento das transferências no Nordeste deve provocar efeitos sociais e econômicos positivos a curto prazo, como interessa a Bolsonaro, cujo plano é garantir o pagamento mínimo de R$ 400 somente até dezembro de 2022, pouco depois da eleição.
Mas o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, aponta riscos na forma como o governo quer viabilizar isso, sacrificando o teto de gastos. A reação do mercado financeiro, com disparada do dólar e queda da Bolsa, indica que o descontrole fiscal trará consequências negativas a longo prazo, diz:
— O governo está dando um recurso para uma população muito carente de um lado e tirando por outro, porque pode ter mais inflação, menos crescimento e mais desemprego.

O professor do Insper Otto Nogami, observa que o auxílio emergencial incrementou a renda do nordestino, principalmente no interior, mais dependente do Estado. Mas alerta que o benefício turbinado dessa forma não melhora a situação a longo prazo.
Para Daniel Duque, da FGV, o Nordeste se beneficiaria mais se o governo tivesse organizado um aumento permanente no valor do Bolsa Família, mantendo o desenho do programa. A revisão do critério para demarcar linha de pobreza pela inflação também teria efeito positivo. Para ele, há o risco de a população ser envolvida em uma “jogada eleitoral” e se ver sem esses recursos em 2023.
Caixa amplia atuação no Nordeste e cria vitrine eleitoral na região onde Bolsonaro tem pior avaliação
Geralda Doca e Fernanda Trisotto / oO GLOBO
BRASÍLIA - Missão Velha, na região do Cariri, no Ceará, é conhecida pelas belezas naturais, pela festa do padroeiro São José e pela grande concentração de fósseis.
Em julho deste ano, a cidade de 35 mil habitantes que fica a 300 quilômetros de Fortaleza também ganhou notoriedade por inaugurar uma agência da Caixa Econômica Federal com a presença virtual do presidente Jair Bolsonaro.
Ele participou do evento por meio de uma videochamada enquanto estava em um hospital em São Paulo, onde tratava uma obstrução intestinal.
Durante seu discurso, Bolsonaro lembrou que uma vez fez uma parada em Missão Velha, foi a um bar, jogou sinuca, bebeu refrigerante e ouviu do povo “que faltava uma agência bancária”. Resolveu que não faltaria mais.
A fala foi transmitida pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que confirmou a história do chefe e contou que recebeu dele o pedido da agência para a cidade, como registra um vídeo divulgado em suas redes sociais:
— Ele repassou esse pedido para mim. Nós analisamos matemática e socialmente, e ficou claro que Missão Velha precisava de uma agência.
O evento no interior do Ceará não é isolado. Foi um dos promovidos por Guimarães no Nordeste, onde a Caixa tem reforçado sua atuação e a popularidade de Bolsonaro é mais baixa: só 15% dos moradores da região avaliavam o governo como bom ou ótimo, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada em setembro. No Sul e Sudeste, são 28% e 23%, respectivamente.
Sementes políticas
Executivos da Caixa, integrantes do governo e lideranças políticas admitem que a guinada do banco estatal em direção ao Nordeste tem como objetivo semear dividendos políticos para Bolsonaro colher votos em 2022.
Uma parte dessa estratégia consiste em expandir a presença da instituição financeira na região.
Somente neste ano, a Caixa anunciou a abertura de 168 novas agências, sendo 70 delas, ou 42%, em cidades nordestinas.
O movimento vai na contramão do setor bancário, que reduziu em pouco mais de 10% o número de estabelecimentos no país entre 2018 e 2020, segundo levantamento recente do Banco Central.
Um superintendente da Caixa, que pediu para não ser identificado, diz que o plano de expansão do banco não faz sentido do ponto de vista estritamente comercial.
O Banco do Brasil, também controlado pela União, fechou 112 agências em 2021, das quais 44 foram na região Nordeste. Esse foi um dos motivos que levaram à saída de André Brandão da presidência do BB no início deste ano. Bolsonaro recebeu queixas de políticos de cidades que perderam agências.
A insatisfação não se repete com Guimarães. Ao contrário, o presidente da Caixa é um frequentador das transmissões do presidente em redes sociais e um dos auxiliares mais engajados no plano de sua reeleição.
Ele esteve ao lado de Bolsonaro em eventos políticos controversos como os do último Sete de Setembro e chegou a ameaçar tirar a Caixa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) por causa de um manifesto assinado pela entidade em favor da democracia após declarações golpistas do presidente.
A Caixa também expandiu nos últimos dois anos os empréstimos para governos locais do Nordeste e do Norte. A fatia das duas regiões no total de operações de crédito realizadas pelo banco saltou de 18%, em 2019, para 31,5% no período entre janeiro e outubro deste ano.
De acordo com balanço trimestral da Caixa, uma das estratégias adotadas foi a pulverização do crédito, em áreas como agrícola, construção e infraestrutura, permitindo que municípios de menor porte, que, até então, não eram contemplados com financiamentos, tivessem acesso aos recursos da instituição estatal, que centraliza o pagamento de benefícios sociais como o novo Auxílio Brasil.
Destino preferencial
Em 2021, o presidente da Caixa realizou 202 viagens pelo Brasil e exterior. Excluindo os deslocamentos até São Paulo, seu estado de origem, Guimarães realizou 153 expedições, sendo o Nordeste a região com mais destinos: 41, de acordo com dados obtidos pelo GLOBO via Lei de Acesso à Informação (LAI).
Uma dessas viagens ocorreu no início de julho, quando o executivo foi inaugurar uma agência da Caixa em Serrinha, município da Bahia administrado pelo prefeito Adriano Lima, do PP, partido da base do governo.
Com 81 mil habitantes, a cidade conta com nove agências, incluindo BB, Bradesco, Caixa, Itaú Unibanco, Banco do Nordeste e cooperativas. Naquela ocasião, Bolsonaro gravou um vídeo na área externa do Palácio do Planalto que foi transmitido na solenidade. O presidente destacou o fato de Guimarães ter ido até lá para abrir uma nova agência.
— Para onde ele vai só leva boa notícia — disse Bolsonaro, que arrematou dizendo que a Caixa sob Guimarães faz um “trabalho espetacular”.
O CEO da gestora Finacap, Luiz Fernando Araújo, avalia que a Caixa, livre da pressão de mercado (o BB tem ações negociadas em Bolsa), pode adotar um modelo de gestão que dá liberdade a movimentos com maior interesse político que comercial, como a ampliação da rede de atendimento:
— Essa lógica de abertura de agências no Nordeste tem claramente finalidade sociopolítica: é onde tem o maior contingente de beneficiários de programas de transferência de renda.
Além de cumprir as missões dadas por Bolsonaro, o presidente da Caixa busca atender políticos aliados do presidente. Desde o início do governo, o banco abriu duas superintendências, uma em Petrolina (PE) e outra em Campina Grande (PB), redutos políticos do senador Fernando Bezerra (MDB-PE), líder do governo no Senado, e do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).
Para isso, o banco fechou superintendências em grandes centros do Sudeste, como São Paulo e Belo Horizonte.
Uso político recorrente
Ao longo das últimas décadas, a Caixa Econômica tem funcionado como instrumento político de diferentes governos.
A instituição financeira, que funciona como repassadora de muitos recursos federais para estados e municípios, já realizou negócios que se tornaram alvos de investigação, foi pressionada a reduzir a taxa de juros de empréstimos abaixo da média do mercado e até concedeu crédito para a construção de um estádio de futebol para a Copa do Mundo no Brasil.
No governo Bolsonaro, o roteiro não é diferente.
— Se as ações da Caixa não trouxerem dividendos eleitorais, podem assegurar uma fatia de votos que pode ser fundamental para Bolsonaro ir para o segundo turno, porque ele corre um risco razoável de ficar fora. As projeções econômicas para o próximo ano não são positivas. Por isso, o campo econômico é fundamental — avalia o cientista político Jairo Pimentel, sócio da Ponteio Política.
‘Objetivo estratégico’
Procurada, a Caixa não respondeu todos os questionamentos do GLOBO. Em nota, limitou-se a informar que 67 municípios não possuíam operação de crédito com o banco até 2020 e realizaram contratos neste ano, sendo 14 das regiões Norte e Nordeste, correspondendo a R$ 480 milhões, ou 24,42% do valor de todas as operações.
O banco disse que o processo de expansão está alinhado à sua visão estratégica e informou a abertura de 268 novas agências, incluindo 100 postos agro.
“A ação de expansão visa a ampliar a capilaridade da Caixa, fortalecendo seu papel social e contribuindo para o alcance do objetivo estratégico de se tornar o maior banco de varejo do país. Além disso, a Caixa passa a estar presente em 100% dos municípios com população maior ou igual a 40 mil habitantes, fortalecendo o propósito de ser o banco de todos os brasileiros”, afirma o banco estatal.
Caixa direciona mais de 40% das novas agências ao Nordeste e cria vitrine eleitoral na região onde Bolsonaro é mais rejeitado
BRASÍLIA - Em julho deste ano, Missão Velha, cidade de 35 mil habitantes do Ceará que fica a 300 quilômetros de Fortaleza, ganhou notoriedade por inaugurar uma agência da Caixa Econômica Federal com a presença virtual do presidente Jair Bolsonaro.
Ele participou do evento por meio de uma videochamada enquanto estava em um hospital em São Paulo, onde tratava uma obstrução intestinal.
O banqueiro do presidente: À frente da Caixa, Pedro Guimarães viaja pelo país e acumula capital político a serviço de Bolsonaro
A fala foi transmitida pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que tem feito viagens ao Nordeste, onde a Caixa tem reforçado sua atuação e a popularidade de Bolsonaro é mais baixa: só 15% dos moradores da região avaliavam o governo como bom ou ótimo, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada em setembro.
Somente neste ano, a Caixa anunciou a abertura de 168 novas agências, sendo 70 delas, ou 42%, em cidades nordestinas.
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O movimento vai na contramão do setor bancário, que reduziu em pouco mais de 10% o número de estabelecimentos no país entre 2018 e 2020, segundo levantamento recente do Banco Central.
Reportagem do GLOBO mostra que os números fazem sentido quando se avalia por que a Caixa pode ser um instrumento importante no projeto de reeleição do presidente Jair Bolsonaro.
Brasil registra 217 mortes por covid-19 em 24 horas
As secretarias municipais e estaduais de Saúde registraram, em 24 horas, 8.833 casos de covid-19 e 217 mortes resultantes de complicações associadas à doença. Os dados estão na atualização diária do Ministério da Saúde, divulgada neste sábado (20).

Com isso, o número de vidas perdidas para a pandemia chegou a 612.587. Ainda há 2.858 mortes em investigação, situação ocorre pelo fato de haver casos em que o paciente faleceu, mas a investigação sobre a causa demanda exames e procedimentos posteriores.
Com os novos casos registrados, o número de pessoas que contraíram covid-19 até hoje chegou a 22.012.150. Estão em acompanhamento 181.824 casos de pessoas que tiveram o quadro de covid-19 confirmado. Até esta quinta-feira, 21.217.739 pessoas já se recuperaram da covid-19.
Os números em geral são menores aos domingos, segundas-feiras e nos dias seguintes aos feriados por causa da redução de equipes para a alimentação dos dados. Às terças-feiras e dois dias depois dos feriados, em geral, há mais registros diários pela atualização do acúmulo de dados.
Estados
Segundo o balanço do Ministério da Saúde, o estado com mais mortes por covid-19, até o momento, é São Paulo (153.460), seguido por Rio de Janeiro (68.832), Minas Gerais (56.023), Paraná (40.749) e Rio Grande do Sul (35.940).
Os estados com menos óbitos resultantes da doença são Acre (1.845), Amapá (1.996), Roraima (2.039), Tocantins (3.908) e Sergipe (6.040). Não se registraram mortes por covid-19 ontem e hoje nos estados do Acre, do Amapá e de Roraima.
Vacinação
Até o início da noite de hoje, o sistema do Ministério da Saúde marcava a aplicação de 297,9 milhões de doses no Brasil, sendo 157,3 milhões da primeira dose e 128,4 milhões da segunda e da dose única. Foram aplicados 11,5 milhões de doses de reforço.
Edição: Claudia Felczak / AGÊNCIA BRASIL
Ministro diz que Brasil está com o controle da pandemia nas mãos
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse hoje (20) que o Brasil está com o controle da pandemia de covid-19 nas mãos. Ele reafirmou que as doses de vacina para 2022 já estão garantidas e que o Brasil tem potencial, inclusive para se tornar um exportador de imunizantes.

Queiroga voltou a citar como exemplos o acordo da Pfizer com a brasileira Eurofarma para produzir 100 milhões de doses da vacina contra a covid-19 e a capacidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de fabricar vacinas com ingrediente farmacêutico ativo (IFA) nacional.
“Nós temos a Fundação Oswaldo Cruz já produzindo vacina com IFA nacional. A nossa expectativa é de um potencial de produção de até 40 milhões de doses todos os meses. Ou seja, nós temos uma potencialidade de produzir próximo de 500 milhões de vacina [anualmente] na Fundação Oswaldo Cruz. Com isso, o Brasil passará de um país importador de vacinas para um país que vai exportar vacinas, ajudando países vizinhos da América Latina e nossos irmãos da África de língua portuguesa”, disse Queiroga.
O ministro participou hoje, no Rio de Janeiro, do lançamento da semana nacional de Mega Vacinação contra covid-19, criada para reduzir o número de brasileiros que ainda não se imunizaram com a segunda dose. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 21 milhões de pessoas ainda não completaram o esquema vacinal de duas doses.
Durante a cerimônia de lançamento da campanha, o ministro aproveitou para receber sua dose de reforço e convocou toda a população para se imunizar contra a doença. “Nós estamos com o controle da pandemia nas nossas mãos e depende de cada um de nós a efetividade das ações para por fim ao caráter pandêmico dessa doença”, disse.
Queiroga disse que a vacinação contra a covid-19 tem sido fundamental na redução dos casos e mortes pela doença no país. De abril deste ano, a vacina foi a grande responsável pela queda de 90% nos óbitos de abril, quando se registrou a maior média de mortes diárias (mais de 3 mil), até hoje, que tem uma média de 268 óbitos por dia, de acordo com os dados mais recentes da Fiocruz.
“Nós queremos que as pessoas busquem livremente as salas de vacinação, para reforçar a cobertura vacinal mais ainda e também aplicar a dose de reforço, e proteger a população contra um eventual surto de novos casos, como temos visto na Europa”, afirmou Queiroga.
Janssen
Em entrevista à imprensa, o ministro explicou que as pessoas que foram imunizadas com a Janssen em junho e julho terão que tomar uma dose de reforço desse mesmo imunizante. Segundo ele, as doses dessa vacina, quase 40 milhões, já foram adquiridas e devem chegar ao país em breve.
Queiroga disse que ainda será preciso analisar se os imunizados com a Janssen precisarão de uma terceira dose.
Sobre a CoronaVac, o ministro explicou que, por enquanto, não há intenção de fazer novas compras do imunizante. Ele disse que a vacina produzida pelo Instituto Butantan foi importante no início da campanha de imunização mas que mostrou ter uma efetividade mais baixa do que a Pfizer e a AstraZeneca. “Logicamente, se surgirem evidências científicas mostrando que essa vacina de vírus inativado é tão boa quanto as outras, não há problema em usar não só essa, como qualquer vacina que seja aprovada pela Anvisa”.
Edição: Claudia Felczak / AGÊNCIA BRASIL
Brasil chega a 60% da população com ciclo completo da vacina contra Covid

O Brasil chegou nesta sexta-feira (19) a 60,12% da população com o esquema primário da vacina contra Covid completo, ou seja, pessoas que receberam duas doses ou o imunizante de dose única. Apesar do número animador, a experiência internacional mostra que os cuidados para evitar o coronavírus ainda precisam permanecer, destacam especialistas.
Os 60% foram alcançados com os registros, nesta sexta, de 823.821segundas doses e 4.845 doses únicas. Além disso, o Brasil também computou 171.208 primeiras doses e 402.056 doses de reforço.
Com os novos dados, 157.646.149 pessoas receberam pelo menos a primeira dose de uma vacina contra a Covid no Brasil —123.699.538 delas já receberam a segunda dose do imunizante. Somadas as doses únicas da vacina da Janssen contra a Covid, já são 128.251.431 pessoas com as duas doses ou com uma dose da vacina da Janssen.
Assim, o país já tem 73,90% da população com a 1ª dose. Considerando somente a população adulta, os valores para primeira dose e segunda dose são, respectivamente, 97,26% e 79,12%.
Os dados são do consórcio de veículos de imprensa, colaboração entre Folha, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1 para reunir e divulgar os números relativos à pandemia do novo coronavírus.
O número pode ser considerado elevado em relação à realidade de outros países, levando em conta o tamanho da população brasileira e o fato de termos iniciado a vacinação depois de locais como Reino Unido e Estados Unidos.
Os EUA, inclusive, já foram deixados para trás pelo Brasil em relação ao percentual de população totalmente vacinada. Segundo dados do CDC (Centro de Controle de Doenças), os EUA têm 58,9% de vacinados com as duas doses ou a vacina de dose única.
O país norte-americano iniciou sua campanha em 14 de dezembro de 2020. O Brasil, por sua vez, começou em 17 de janeiro de 2021.
Considerando só a América do Sul, o Brasil está atrás de Chile e Uruguai, respectivamente com cerca de 82% e 75% de população com esquema primário completo, segundo dados da plataforma Our World in Data, ligada à Universidade de Oxford. O Chile deu início à vacinação em 24 de dezembro, enquanto o Uruguai só em 1º de março.
Apesar do avanço da vacinação no Brasil e das taxas de casos e mortes em patamares mais baixos, em relação aos altíssimos níveis de meses passados, a empolgação deve ser contida, alertam cientistas.
Até mesmo países com níveis de vacinação mais elevados que os do Brasil voltaram, recentemente, a enfrentar um novo crescimento de contaminações.
A Alemanha, por exemplo, vem registrando recordes em uma quarta onda da doença e vê subir a ocupação hospitalar. O país tem 67% da população com esquema primário de vacinação completo e 70% com ao menos uma dose.
A Áustria, com quase 64% de pessoas com esquema primário completo, é outro país em que a situação crítica de novas contaminações levou ao anúncio de um novo lockdown.
"Sessenta por cento não dão nenhuma segurança de que a pandemia esteja sob controle", avalia Raquel Stucchi, professora da Unicamp e consultora da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).
A infectologista afirma que é necessário também levar em conta que, entre cinco e seis meses após a segunda dose, observa-se uma redução na proteção, o que deve jogar um pouco para baixo a porcentagem de imunizados. Daí a importância das doses de reforço, que já são aplicadas em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil.
Segundo Stucchi, o Ministério da Saúde tomou uma decisão acertada ao abrir a dose de reforço para toda a população adulta que já tenha completado cinco meses após a segunda aplicação.
Além disso, há outras particularidades na porcentagem alcançada, que dizem respeito à população total do país, alerta Renato Kfouri, pediatra e diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).
A vacina para Covid não está autorizada no Brasil para pessoas com menos de 12 anos. Dessa forma, levar em conta a população brasileira inteira pode gerar um certo ruído nos números observados. Considerando somente as pessoas com mais de 12 anos, o percentual com ciclo primário de vacinação completo chega a 71%.
Em outros países, porém, a vacina contra a Covid já é usada em crianças. Nos EUA, a vacinação de crianças de 5 a 11 anos, com o imunizante da Pfizer, já ocorre desde o início de novembro.
No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recebeu, no fim da semana passada, o pedido da Pfizer para uso da vacina contra a Covid em crianças, nessa mesma faixa etária.
O Instituto Butantan, responsável pela produção da Coronavac no Brasil, também havia pedido autorização para uso da vacina em crianças e adolescentes de 3 a 17 anos. A Anvisa, porém, negou o pedido, porque, segundo a agência, o estudo apresentado tinha somente 586 participantes e não apresentava informações sobre subgrupos etários.
Desde a negativa inicial da Anvisa ao Butantan, em 18 de agosto, o processo está emperrado, sem a apresentação de um novo pedido de uso pelo instituto paulista.
Sobre a quantidade ideal de doses e intervalos de tempo, Kfouri afirma que ainda estamos aprendendo qual é o melhor esquema vacinal para cada imunizante e, assim, as recomendações podem sofrer alterações ao longo do processo.
O especialista exemplifica que até a idade pode acabar impactando no melhor esquema, considerando que em idosos existe a possibilidade de a proteção ter uma duração menor. "Ainda é cedo para falarmos qual o esquema primário de cada vacina e para cada idade", afirma.
Por fim, a plataforma de desenvolvimento das vacinas (por exemplo, RNA mensageiro, como a da Pfizer, ou de vírus inativado, como a Coronavac) também influencia nos esquemas, observa Kfouri.
Recentemente, a farmacêutica AstraZeneca enviou à Anvisa o pedido para incluir, na bula do imunizante, uma terceira dose da Covishield. A Pfizer também já apresentou publicamente dados sobre a aplicação de uma dose extra de sua vacina.
Também na última semana, o Ministério da Saúde afirmou que a vacina da Janssen, antes tida como de dose única, agora deve contar com duas doses e, assim como os demais imunizantes aprovados no país, ter uma dose de reforço após cinco meses. A decisão pegou de surpresa a Anvisa e a farmacêutica responsável pela vacina.
Mortes
O Brasil também registrou 234 mortes por Covid e 11.910 casos da doença, nesta sexta. Com isso, o país chegou a 612.411 vidas perdidas e a 22.001.369 pessoas infectadas pelo Sars-CoV-2 desde o início da pandemia.
Já as médias móveis estão em estabilidade, ou seja, sem variações superiores a 15%, em relação ao dado de duas semanas atrás. A média de mórtes agora é de 211 por dia e a de infecões é de 8.631.
Papel do governo é a gestão pública, não a caridade
19 de novembro de 2021 | 15h57
“O Brasil que pode ajuda o Brasil que precisa.” Este foi o slogan que marca a chamada do Twitter de uma campanha do governo federal promovida pelo Ministério da Cidadania. A ideia é instigar a doação para o programa “Brasil Fraterno - Comida no Prato”. Empresas que fazem doações não pagam ICMS e ganham um selo. Este ano vimos atuação semelhante em outros níveis de governo.
Durante o inverno, São Paulo teve uma das noites mais frias das últimas décadas. Vários grupos da sociedade civil, organizados formalmente por entidades religiosas ou ONGs ou informalmente por redes de conhecidos, fizeram campanhas de doações e entregas de cobertores e agasalhos para pessoas em situação de rua.
Em evento coordenado entre o governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura, em julho, os governos locais distribuíram 50 mil cobertores para pessoas em situação vulnerável. Na ocasião pensei que havíamos sido pegos desprevenidos. Logo, o que restava para os governos locais era ocupar um espaço que é comum à sociedade civil, o da caridade. Não havia tempo, ou foco político, para o desenho de uma política pública apropriada para evitar os problemas do inverno rigoroso numa cidade sem estrutura para isso. Restava aos governos locais uma atitude bem-vinda, distribuir cobertores, mas que não resolveria o problema de forma fundamental.
No caso do governo federal, usar o espaço de atuação da sociedade civil é ainda mais preocupante. A discussão sobre o aumento da fome e da miséria por conta da pandemia, a dificuldade do governo em dar continuidade ao auxílio emergencial e a falta de clareza nos novos rumos dos programas de assistência social mostram que houve tempo e oportunidade para uma discussão séria de políticas públicas de combate à pobreza extrema.
O governo federal possui todos os mecanismos para atuação em projetos sociais que foquem em transferências de renda. Temos largas evidências de que transferir renda, e não doar bens, é a forma mais eficiente de lutar contra a pobreza. É o governo de um país continental, que carece de parcerias locais para chegar até o povo. Gastar recursos com doações que serão distribuídas em centros espalhados pelo País remonta a uma tentativa de planificar a economia de forma ineficiente.
Um programa de incentivos a doações escancara a dificuldade do atual governo em entender seu papel como gestor e formulador de políticas públicas. Caridade fazemos nós, cidadãos. O governo federal tem de se preocupar em desenvolver, implementar, medir o impacto e a efetividade de políticas públicas feitas com evidência.
*PROFESSORA DO INSPER, PH.D. EM ECONOMIA PELA UNIVERSIDADE DE NOVA YORK EM STONY BROOK
Covid-19: mais de 82% dos indígenas estão completamente imunizados
O governo federal enviou um aporte de recursos superior a R$ 100 milhões para o combate à pandemia de covid-19 nas aldeias indígenas. A informação é do Secretário Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Robson Santos, entrevistado desta sexta-feira (19) do programa A Voz do Brasil, que disse que mais de 82% da população indígena do país estão completamente imunizados. 

Segundo Santos, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) contou com o apoio do Ministério da Defesa. “Foram mais de 20 missões interministeriais principalmente para regiões de Rondônia, Amazonas, Acre e Roraima”. Uma frota de mais 3 mil veículos que incluem balsas, lanchas, aviões e helicópteros permitiu com quem fossem atendidas todas as cerca de 6 mil comunidades indígenas nessa pandemia.
Como resultado a mortalidade desse público foi menos da metade da população em geral: a taxa de letalidade nos indígenas ficou em 1,2% sendo que no público geral foi de 2,5%.
O secretário da Sesai falou sobre outras frentes de trabalho da secretaria, entre elas o combate à malária. Segundo ele, a doença é endêmica em 20 dos 34 distritos indígenas. Só no distrito yanomami, um dos mais afetados pela doença, foram investidos, nos anos de 2020 e 2021, R$ 216 milhões, o maior valor destinado ao combate da doença até hoje. “Além disso temos investido também no envio de insumos, testes rápidos e tudo aquilo que é necessário, mosquiteiros, borrifação”, disse.
Edição: Fábio Massalli / AGÊNCIA BRASIL
Brasil já aplicou mais de 300 milhões de doses de vacinas contra covid
O Brasil atingiu a marca mais de 300 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 aplicadas desde o início da campanha de vacinação, informou hoje (19) o Ministério da Saúde (MS).

Até o momento, 157,6 milhões de pessoas receberam a primeira dose e 129,8 milhões tomaram as duas doses ou a dose única da vacina, o que representa que 73,3% da população-alvo completou o ciclo vacinal.
Amanhã (20), o ministério vai promover uma campanha para ampliar ainda mais o número de brasileiros completamente vacinados. De acordo com a pasta, a estimativa é que 21 milhões de pessoas não compareceram aos postos para tomar a segunda dose da vacina.
A campanha Mega Vacinação tem por objetivo para ampliar a aplicação da segunda dose para atingir 85% da população-alvo com o esquema vacinal completo. Além da segunda dose, a campanha também é voltada para a aplicação da dose de reforço para as faixas etárias já liberadas.
Na terça-feira (16), o ministério anunciou a redução do intervalo da dose de reforço da vacina contra a covid-19. E a partir de agora, a dose adicional está liberada para toda a população adulta acima de 18 anos de idade. Desde que o reforço na imunização começou, o número de vacinas aplicadas atingiu 12,7 milhões.
“Vale lembrar que o intervalo entre a dose dois e a de reforço também foi reduzido. Antes, as pessoas precisavam aguardar seis meses para tomar o reforço. Agora, o prazo passa a ser de cinco meses após o esquema vacinal completo. A orientação é baseada em pesquisas científicas que apontam queda na resposta imune, principalmente, a partir do 5º mês após a dose dois”, informou a pasta.
Na avaliação do Ministério da Saúde, os resultados do avanço na vacinação refletem no cenário epidemiológico da doença, bem mais equilibrado atualmente. Desde o pico da pandemia, registrado em abril, a média móvel de óbitos caiu 91,7%.
Ontem (18) o ministério informou que foram registraram, em 24 horas, 12.301 casos de covid-19 e 293 mortes resultantes de complicações associadas à doença. Com isso, o número de vidas perdidas para a pandemia chegou a 612.144.
Matéria atualizada às 11h48 para correção de informação. Foram 300 milhões de doses aplicadas e não 360 milhões
Edição: Fernando Fraga / AGÊNCIA BRASIL
Brasil registra 293 mortes por covid-19 em 24 horas
As secretarias municipais e estaduais de Saúde registraram, em 24 horas, 12.301 casos de covid-19 e 293 mortes resultantes de complicações associadas à doença. Os dados estão na atualização diária do Ministério da Saúde, divulgada nesta quinta-feira (18).
Com isso, o número de vidas perdidas para a pandemia chegou a 612.144. Até ontem (17), o painel de informações sobre a covid-19 mantido pelo Ministério da Saúde marcava 611.851 mortes em decorrência da doença.
Ainda há 2.867 mortes em investigação, situação ocorre pelo fato de haver casos em que o paciente faleceu, mas a investigação sobre a causa demanda exames e procedimentos posteriores.
Com os novos casos registrados, o número de pessoas que contraíram covid-19 até hoje chegou a 21.989.962. Ontem, o sistema de informações do Ministério da Saúde totalizava 21.977.861 casos acumulados.
Estão em acompanhamento 170.821 casos de pessoas que tiveram o quadro de covid-19 confirmado. Até esta quinta-feira, 21.206.997 pessoas já se recuperaram da covid-19.
Os números em geral são menores aos domingos, segundas-feiras e nos dias seguintes aos feriados por causa da redução de equipes para a alimentação dos dados. Às terças-feiras e dois dias depois dos feriados, em geral, há mais registros diários pela atualização do acúmulo de dados..

Estados
Segundo o balanço do Ministério da Saúde, o estado com mais mortes por covid-19, até o momento, é São Paulo (153.299), seguido por Rio de Janeiro (68.793), Minas Gerais (55.997), Paraná (40.741) e Rio Grande do Sul (35.898).
Os estados com menos óbitos resultantes da doença são Acre (1.845), Amapá (1.995), Roraima (2.038), Tocantins (3.903) e Sergipe (6.038).
Não se registraram mortes por covid-19 ontem e hoje nos estados do Acre, do Amapá e de Roraima.
Vacinação
Até o início da noite de hoje, o sistema do Ministério da Saúde marcava a aplicação de 297,9 milhões de doses no Brasil, sendo 157,3 milhões da primeira dose e 128,4 milhões da segunda e da dose única.
Foram aplicados 11,5 milhões de doses de reforço.
No total, foram distribuídas 360,6 milhões de doses a estados e municípios, tendo sido entregues 349,9 milhões.
Edição: Nádia Franco


