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Presidente da CPI do MST vai ao Conselho de Ética contra Sâmia Bonfim após discussão com bolsonaristas

Por Gabriel Sabóia — Brasília / O GLOBO

 

O presidente da CPI do MST, Coronel Zucco (Republicanos-RS), afirmou que assinará duas representações contra Sâmia Bomfim (Psol-SP), deputada que se envolveu em embate com bolsonaristas na sessão desta quarta-feira por não respeitar o tempo de fala dos colegas. Uma delas será no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados e a outra na Corregedoria da Casa. Nesta terça-feira, um bate-boca que envolveu a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e o relator do colegiado, Ricardo Salles (PL-SP), fez com que o presidente Coronel Zucco (Republicanos -RS) ameaçasse interromper a sessão, caso a parlamentar não permitisse que os demais falassem. Salles, então, pediu para que os demais deputados fizessem uma representação conjunta contra Sâmia.

— Eu não estava acostumado com este nível de baixaria. Eu e os demais parlamentares assinaremos a representação do General Girão. Isso aqui não é um palco para lacrações. Existem falas contrárias à minha opinião, mas as respeito. Espero que o segundo semestre seja melhor — afirmou o parlamentar.

 

Um dos alvos de Sâmia, General Girão (PL-RN) pediu a palavra para fazer a sua defesa e disse que a deputada "se vale de ser mulher para silenciar os demais e se vitimizar, quando lhe convém". Ao final do seu discurso, entretanto, Girão disse que respeitava todas as mulheres "por serem responsáveis pela procriação e pela harmonia da família". A fala gerou revolta nas demais mulheres presentes no plenário.

A confusão começou após o deputado Éder Mauro (PL-PA) ter dito que Sâmia e Talíria Petrone (PSOL-RJ) faziam parte do "chorume comunista" e solicitado a retirada das notas taquigráficas, nas quais ele é acusado de tortura. O deputado também as acusou de financiamento de invasões.

— Sinta o cheiro do chorume do comunismo à sua volta — disse Éder.

Sâmia, então, mesmo com o microfone desligado, disse que adesivos de Éder Mauro haviam sido encontrados no Complexo Penitenciário da Papuda. A partir daí, Girão assumiu a fala. Exaltada, Sâmia afirmou que um parlamentar alvo de inquérito do Supremo Tribunal Federal começaria a falar. Ricardo Salles, com quem Sâmia já protagonizou embates nesta CPI, disse:

 

— Lá vem a deputada que é sempre interrompida querer interromper a todos.

A sessão ficou por alguns minutos com os microfones desligados, enquanto Sâmia falava. Salles solicitou à secretaria da Mesa que os membros da CPI em conjunto representassem contra Sâmia Bomfim.

— Sempre que esta deputada quer se vitimizar diz que é interrompida, então esse momento precisa ficar registrado — afirmou. Enquanto ele falava, Sâmia seguiu argumentando que a mesma postura não havia sido adotada quando ela foi interrompida.

Girão pediu para que a Polícia Legislativa tirasse Sâmia do plenário. Com isto em debate, o presidente da CPI se exaltou.

— Qual é o seu objetivo, deputada Sâmia? Quer que eu encerre a sessão? Fique calada e respeite os demais deputados.

Com os ânimos mais calmos, Girão lamentou o episódio, mas fez uma fala interpretada como "machista e misógina".

— Eu lamento tudo isso, mas é o jeito da esquerda protestar. Estou sendo acusado de crimes que não cometi, enquanto vejo o terrorismo do MST. Precisamos mostrar para a população quem apoiou eses atos. A deputada que está vociferando contra mim sabe que ainda tenho direito à esquerda. Ela acha que por ser mulher não pode ser interrompida. Já cobrei isto ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). No Código Penal, mulheres não são isentas. Respeito muito as mulheres, responsáveis pela procriação e harmonia da família — afirmou.

Até mesmo as parlamentares de oposição se mostraram constragidas com a declaração de Girão.

A CPI do MST aprovou, nesta quarta-feira, seus últimos requerimentos antes do início do recesso parlamentar, na próxima semana. Em votação relâmpago, feita em bloco, 21 requerimentos foram aprovados. Em foco, estão autoridades de estados como a Bahia, onde teriam ocorrido invasões irregulares do MST neste ano. Um dos documentos aprovados pedia, por exemplo, para ouvir o Comandante da Polícia Militar do Estado da Bahia, Paulo José Reis de Azevedo Coutinho. O secretário de Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, também que comparecer. A Polícia Civil do estado é alvo de um requerimento de informações.

Dra. Silvana critica tramitação acelerada da proposta de reforma tributária no Congresso

Por Gleydson Silva / ALECE

 

Deputada Dra. Silvana (PL) - Foto: Junior Pio

 

A deputada Dra. Silvana (PL) criticou, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Ceará, nesta terça-feira (11/07), a rapidez com que a proposta de reforma tributária foi aprovada na Câmara dos Deputados. Em sua avaliação, muitos parlamentares “votaram de forma açodada, sem saber o que estavam votando”.

De acordo com a parlamentar, não é possível alguém ler e estudar 142 páginas do projeto “da noite para o dia”, para decidir o futuro tributário do país. Neste sentido, Dra. Silvana defendeu o voto contrário do deputado federal Dr. Jaziel (PL-CE) à proposta, por falta de tempo hábil para estudar os detalhes do projeto. “O voto tem que ter muita responsabilidade. Eu sou a favor de reforma tributária e o Jaziel também, mas a gente tem que saber o que está votando”, afirmou.

Na avaliação de Dra. Silvana, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) não errou ao apoiar a matéria, pois “essa proposta para São Paulo está bem redondinha”, pois beneficia as indústrias, setor forte naquele estado. No entanto, a bancada do Ceará precisa se mobilizar e pressionar o Senado Federal para avaliar a taxação de serviços, que deve ser aumentada. “Aqui o que é bate pesado é serviço, que geram mais de 70% dos empregos que temos. Aumentar a tributação dessa fatia é perverso. Temos que encontrar um caminho que não se penalize quem gera serviços, que já paga imposto demais”, assinalou.

A deputada defendeu ainda a participação das casas legislativas nas sugestões de alterações da proposta, bem como é necessária a participação popular. “Se o povo não participa, tem risco nisso sim. Desrespeita o Legislativo. Represento o meu Estado e vou defender o que penso. Se voto da noite pro dia, sem saber o que é, o povo cobra depois, e estão corretos”, disse.

A deputada repudiou ainda um ato criminoso contra a igreja em Uruoca. Segundo ela, pichações foram feitas nos muros do templo com ataques e insultos à religião, e ele mesmo irá à Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) pedir um posicionamento sobre o acontecido. “Algo tem que ser feito. A fé precisa ser respeitada. As pessoas precisam ser respeitadas. Nunca ouvirão insulto da boca dessa crente. Aprendi a respeitar as pessoas, independente da sua opção sexual”, disse.

Edição: Adriana Thomasi

Cláudio Pinho aponta número de denúncias contra empresas de crédito

Por Luciana Meneses / ALECE

 

Deputado Cláudio Pinho (PDT) - Foto: Junior Pio

 

O deputado Cláudio Pinho (PDT) chamou atenção para o alto o número de denúncias contra empresas de empréstimo consignado, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Ceará desta terça-feira (11/07).

Conforme explicou o parlamentar, existe uma verdadeira “farra dos consignados” em todo o País, com empresas lesando pessoas com empréstimos intermináveis. Ainda de acordo com ele, o principal alvo das empresas seriam idosos aposentados pela vulnerabilidade.

Cláudio Pinho afirmou que em Fortaleza, cerca de 70 empresas que trabalham oferecendo empréstimo consignado estão sendo investigadas. “Em 2020, o Procon Fortaleza recebeu 32 denúncias. Em 2021 aumentou para 251. Em 2022 saltamos para 500 denúncias. E sabe quantas no Brasil? 5,6 milhões de tentativas de golpe em 2022. Precisamos de uma legislação que dê garantias para quem contrai um empréstimo, com um contrato claro sobre os juros e parcelas”, ressaltou. 

Esses empréstimos, conforme salientou o deputado, são ofertados na maioria das vezes por telefone, sem qualquer assinatura, facilitando os golpes. “Há casos em que familiares de um aposentado solicitam esses empréstimos. E o absurdo não acaba aí. Temos juros de até 1000% ao ano e ainda uma prática de se renovar empréstimos sem autorização. É uma história sem fim”, apontou. 

O pedetista cobrou por leis mais rígidas em relação a esses tipos de abusos e sugeriu, por meio de uma emenda ao projeto de lei 05/23, do deputado Renato Roseno (Psol), em tramitação na Casa, que obriga a assinatura física das pessoas idosas em contratos de operação de crédito firmado por meio eletrônico ou telefônico, o registro do contrato em cartório e a cobrança do valor mínimo nas parcelas. “É uma forma de resguardarmos essas pessoas e garantirmos que não haverá abusos por parte das empresas”, defendeu. 

Em aparte, a deputada Dra. Silvana (PL) apoiou a iniciativa dos colegas deputados. “É realmente absurdo o que vem acontecendo e apoio essa exigência do registro em cartório para evitar que mais golpes e abusos por parte dessas empresas continuem acontecendo”, concordou. 

Edição: Adriana Thomasi 

Deputado De Assis Diniz relata processo movido contra ele

Por Ricardo Garcia / ALECE

 

Deputado De Assis Diniz (PT) - Foto: Junior Pio

 

O deputado De Assis Diniz (PT) ocupou a tribuna, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa desta terça-feira (11/07), realizada de forma presencial e remota, para relatar que está sendo processado pelo deputado federal André Fernandes (PL/CE), por conta do conteúdo de determinado pronunciamento feito na Casa.

Para De Assis Diniz, é sua obrigação, enquanto parlamentar, defender a sua honra, a do seu partido e a dos que construíram a base democrática e programática do País. “Pode me processar, que não tenho medo. Não abrirei mão do meu princípio inalienável de ser quem eu sou”, comentou.

Apesar das eventuais divergências, conforme salientou, é necessário que haja o respeito no debate político. “Não temos o direito de fazer uso inadequado e indevido dos nossos mandatos. A imunidade parlamentar não pode ser usada indevidamente”, apontou.

O deputado André Fernandes, segundo o parlamentar, já foi alvo de um procedimento no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa, quando exercia mandato no Parlamento estadual. “Ele já acusou colegas nesta Casa de envolvimento com o crime. Eu posso passar o dia enumerando aqui a quantidade de processos e denúncias a que responde o deputado André Fernandes”, assinalou.

Ainda de acordo com De Assis Diniz, a imunidade parlamentar nunca foi utilizada por ele como justificativa para falar o que pensa. “Nunca utilizei a imunidade para estar nas ruas, na construção de um mundo socialista. Nunca precisei de carteira de deputado para organizar a classe trabalhadora”, enfatizou.

Edição: Adriana Thomasi

Alece lança exposição e livro em comemoração aos 26 anos do Malce

Por Vanessa Madeira / ALECE

 

Comemoração ao 26º aniversário do Malce, exposição “Caminhos da Memória” - Foto: Bia Medeiros

 

Em comemoração aos 26 anos de fundação do Memorial Deputado Pontes Neto da Assembleia Legislativa (Malce), foi aberta, nesta terça-feira (11/07), a exposição “Caminhos da Memória”, com imagens e documentos que contam a trajetória do equipamento cultural.

A mostra, que ficará em exibição no hall expositivo da Assembleia até o dia 11 de agosto, revela a riqueza do acervo do memorial. Fotografias, livros, arquivos e objetos traçam a história do Malce, a partir de diferentes recortes temporais, desde a fundação, em 1977, até os dias de hoje. 

A solenidade também foi marcada pelo lançamento do livro “Deputados Estaduais: 30ª Legislatura (2019-2022)”, a mais recente das 46 publicações Malce, a qual agrega informações sobre as atividades do Legislativo durante o período. 

Na ocasião, o idealizador do memorial, ex-deputado estadual Osmar Diógenes, e a primeira-dama da Alece, Cristiane Leitão, receberam homenagens pelos serviços prestados à Casa. Osmar Diógenes foi homenageado ainda com um placa entregue pelo presidente da Associação dos Servidores da Assembleia Legislativa do Ceará (Assalce) Luis Edson Correia.

Presidente da Alece, deputado Evandro Leitão (PDT) / Foto: Bia Medeiros

“Osmar Diógenes tem uma trajetória de vida que enche de orgulho seus familiares e amigos. Um homem que já deu sua contribuição a este Parlamento e uma pessoa que, através das suas atitudes, tem deixado um legado. Por isso, é mais do que justo esse reconhecimento por parte da Assembleia”, destacou o presidente da Casa, deputado Evandro Leitão (PDT). 

O deputado Osmar Baquit (PDT), 2º vice-presidente da Assembleia, ressaltou o trabalho da primeira-dama da Alece, Cristiane Leitão, na liderança do Comitê de Responsabilidade Social. “Muitos serviços da Alece têm sua mão, sua cabeça e seu coração. Cristiane já deixa seu nome marcado na história”, ressaltou.

Já a primeira-dama Cristiane Leitão agradeceu a equipe do Malce pela homenagem e enalteceu o trabalho de Osmar Diógenes à frente do Memorial. “O senhor nos inspira e faz desse memorial uma lembrança eterna da casa legislativa”. 

Em seu discurso, Osmar Diógenes recordou os esforços empenhados para preservar documentos históricos relacionados ao parlamento cearense. “Toda a história desta Assembleia está presente para a nossa geração e para a posterioridade. O Memorial é um exemplo para o Brasil inteiro da responsabilidade do Ceará com a sua memória”, afirmou. 

Também estiveram presentes no evento os deputados Antônio Granja (PDT), De Assis Diniz (PT), Fernando Hugo (PSD), Gabriella Aguiar (PSD), Renato Roseno (Psol) e Romeu Aldigueri (PDT); o presidente do Instituto do Ceará, Júlio Lima Verde; o vice-presidente da Academia Cearense de Letras, Juarez Leitão; o diretor executivo do Instituto de Estudos e Pesquisas Sobre o Desenvolvimento do Estado do Ceará (Inesp), Milton Cunha; e o presidente da Associação dos Servidores da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Assalce), Luis Edson Corrêa Sales. 

A exposição “Caminhos da Memória” fica aberta à visitação até o dia 11 de agosto, das 8h às 17h, de segunda a sexta

O dever do Senado

O ESTADÃO DE SP

A aprovação da reforma tributária pelos deputados foi um feito na história brasileira. Não há, nos anos recentes, algo comparável ao que ocorreu na semana passada na Câmara. Poucas vezes se viu um apoio tão expressivo a um texto que promove mudanças tão profundas e necessárias no sistema tributário. Agora que a proposta chega ao Senado, os senadores terão a oportunidade de mostrar o mesmo senso de compromisso com o País.

O Senado é o ambiente legislativo em que os Estados são representados. É comum que senadores já tenham sido governadores ou almejem disputar o cargo ao longo de sua vida pública. Cinco dos nove presidentes da República desde a redemocratização por lá passaram, prova da responsabilidade que significa ocupar uma das 81 cadeiras do Senado.

No caso específico da reforma tributária, uma vez que a proposta começou a tramitar pela Câmara, caberá ao Senado atuar como casa revisora. É bom que tenha sido assim, pois a reforma produzirá impactos sobre o tributo que sustenta as finanças dos Estados – o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

A essência da reforma tributária é simplificar o sistema, eliminando as disfuncionalidades de um modelo marcado por regimes especiais, subsídios, cumulatividade e regressividade. Uma de suas alterações mais importantes é a que muda a incidência do ICMS sobre bens e serviços da origem para o destino, distorção que criou as condições para a guerra fiscal. Adotada por alguns governadores, essa estratégia desesperada para atrair empresas drenou as receitas dos Estados e pouco se reverteu em termos de crescimento e geração de empregos.

A virtude da reforma tributária aprovada pelos deputados é que ela acolhe as questões que tanto preocupavam os governadores – e isso ocorre não por acidente, mas por contribuição do Senado. Não é algo trivial, uma vez que foram justamente receios quanto à perda potencial de arrecadação e de investimentos que impediram a construção de um consenso mínimo sobre a reforma nos últimos 35 anos.

É importante reconhecer as diferenças entre o texto original da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45/2019, de autoria da Câmara, e a redação final a que os deputados deram aval na semana passada. Muitas destas diferenças refletem justamente sugestões que inicialmente faziam parte somente da PEC 110/2019, de autoria do Senado.

Originalmente, a PEC 45 estabelecia um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) único, em vez do IVA dual e do imposto seletivo propostos na PEC 110. A PEC 45 determinava uma alíquota única, enquanto a PEC 110 previa setores isentos e com direito a alíquotas reduzidas. O Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR) só existia na PEC 110; ambas mantinham o Simples Nacional, mas somente a PEC 110 mantinha a Zona Franca de Manaus.

Um dos pontos que mais geraram debate na Câmara foi a criação do Conselho Federativo para gerir as receitas de Estados e municípios, prevista apenas na PEC 110. Questionada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a governança do conselho foi ajustada ainda na Câmara, tendo como premissa o equilíbrio na relação de poderes entre os Estados e o fortalecimento da Federação, em linha com o que defende o Senado.

Resta claro que a reforma aprovada na semana passada não foi a reforma tributária da Câmara, mas uma junção dos textos propostos na Câmara e no Senado há quatro anos. É isso o que explica muito do apoio expressivo que ela recebeu dos deputados – e é isso que os senadores devem ter em conta quando tiverem a chance de se posicionar sobre a reforma.

Há tempo e espaço, no entanto, para que o Senado aprimore a redação final da proposta. Preservar seu espírito é aprovar uma reforma ainda mais justa, que reveja parte das exceções a que os deputados deram aval de última hora. Os privilégios dados a alguns oneram a alíquota geral de todos os demais – e foi assim, aos poucos, que o País chegou ao manicômio tributário que finalmente será encerrado agora. É, portanto, dever dos senadores defender a reforma aprovada na Câmara, que protege os Estados e que o Senado ajudou a construir.

SENADORES PODEM FATIAR REFORMA T RIBUTARIA PARA ACELERAR TRAMITAÇÃO DA PROPOSTA NA CASA

Por Adriana Fernandes e Mariana Carneiro / O ESTADÃO

 

BRASÍLIA – O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), disse ao Estadão que há a possibilidade de a reforma tributária ser ‘fatiada’ – ou seja, dividida em duas partes – durante a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45 na Casa.

 

Um dos cotados para ser o relator da proposta no Senado, Braga ponderou que esse é um tema complexo é que preciso ter certeza de que um texto não dependerá do outro para poder fazer sentido.

 

A proposta em discussão entre senadores visa acelerar a votação para a aprovar a parte do texto que passou pela Câmara em que há acordo. Já os temas sem consenso seriam discutidos numa segunda PEC, paralela.

 

O estratégia do fatiamento também foi usada durante a tramitação da reforma da Previdência, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, porém, a PEC paralela do Senado nunca foi aprovada pela Câmara.

 

“É sempre possível que o texto comum possa ser promulgado, enquanto o controverso segue”, afirmou o senador. Segundo ele, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ainda não conversou sobre o assunto com as lideranças. Pacheco se reúne com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, às 11h desta terça-feira, 11.

 

Relator do grupo de trabalho da reforma tributária, criado no mês passado na Comissão de Assuntos Econômicos, o senador Efraim Filho (União-PB) afirma que os senadores vão querer que o Ministério da Fazenda apresente os cálculos que demonstram de quanto deverá a alíquota padrão do novo Imposto sobre Valor Agregado (IVA) – que substituirá os tributos atuais –, a partir do texto aprovado na Câmara.

Pelas contas preliminares do secretário extraordinário da Reforma Tributária, Bernard Appy, esse valor girava em torno de 25%. Mas o número de setores nas exceções engordou na Câmara, o que pode provocar um aumento na alíquota para garantir que a arrecadação seja mantida.

“A gente precisa avançar um pouco mais na regulamentação complementar, saber como é que vai ser essa divisão de alíquotas. Porque é a alíquota que define o peso real da carga. A mudança de modelo é bem-vinda para o modelo do IVA. Agora, qual é o peso da carga?”, questiona Efraim. “O Senado, antes de votar, vai querer saber a alíquota padrão.”

Impasses

A PEC 45 foi aprovada na Câmara na semana passada, mas há pontos controversos e sem acordo, sobretudo, em relação à partilha do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR), que será criado para compensar os Estados pelo fim da possibilidade de conceder incentivos fiscais.

Os Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste não querem que a regulamentação do fundo fique para a lei complementar, conforme determinando no texto aprovado na Câmara.

A governança do Conselho Federativo, que vai centralizar a arrecadação do novo IBS (criado a partir da junção do ICMS e do ISS), é outro ponto de discórdia. Estados das regiões mais pobres não gostaram do modelo que dá mais poder de veto aos Estados e municípios mais populosos, como Rio e São Paulo.

“Haverá mudanças para encontrar um ponto maior de equilíbrio entre as regiões. Isso na Câmara, me parece que a balança ficou um pouco desequilibrada para os Estados do Sul e Sudeste, os mais populosos”, afirmou Efraim.

Deputado bolsonarista parte para cima de petista durante bate-boca na Câmara: 'Você é covarde'

Por O Globo

 

Uma confusão entre dois deputados federais quase terminou em agressão física na Câmara na tarde desta quarta-feira. O tumulto teve início durante um pronunciamento no plenário de Paulo Guedes (PT-MG), que rebateu críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) feitas anteriormente por Gilvan da Federal (PL-ES), apoiador de Jair Bolsonaro.

 

Ao discursar, Gilvan da Federal atacou a reforma tributária defendida pelo governo federal e fez uma série de ataques a Lula:

— Essa é a reforma do dito pai dos pobres, que não é pai dos pobres, é o pai da mentira, é o maior charlatão que existe no nosso País. Mentiroso, ex-presidiário, ladrão — enumerou o deputado, que completou citando um slogan de campanha do petista: — 'Faz o L’ aí para comer picanha e cerveja. Vai tomar um aumento em todos os impostos para deixar de ser otário.

Paulo Guedes, ao tomar palavra, repudiou a fala anterior, chamada de "mentirosa" e "de ódio". "Expressão da vergonha e da mentira", acrescentou, antes de elevar o tom:

 

— O senhor precisa se enrolar em uma bandeira para enganar as pessoas. Seja brasileiro. Seja homem, rapaz. Seja brasileiro. Seja homem. Seja brasileiro. Você é covarde — disparou o petista, fazendo referência ao adereço usado com frequência por Gilvan nas dependências da Câmara.

 

Neste momento, o parlamentar do PL partiu em direção a Guedes. Os dois deputados só foram contidos pela ação de colegas da Casa, que agiram para separar a briga e tentar amansar os ânimos.

No comando da sessão, o deputado Gilberto Nascimento (PSD-SP) também buscou acalmar a dupla. Ao microfone, ele pontuou que "isso é do Parlamento", mas pediu — sem sucesso, em um primeiro momento — que o entrevero cessasse.

 

— Vou pedir muita tranquilidade aos senhores. Vamos manter a calma nesse plenário, por favor — disse, citando nominalmente Guedes e Gilvan.

 

Nascimento também lembrou que, naquele momento, a Câmara estava "recebendo visitantes estrangeiros":

— Não vamos deixar que aqueles que nos visitam levem essa imagem.

 

 

PAUTA ECONOMICA VIRA BALCÃO DE NEGOCIAÇÃO ENTRE GOVERNO E CONGRESSO QUE LIBERA 1,2 BILHÃO EM EMENDAS

Por Bianca Lima / O ESTADO DE SP

 

BRASÍLIA – O esforço concentrado de votações econômicas na Câmara dos Deputados nesta semana – que inclui a reforma tributária, o arcabouço fiscale o projeto que altera as regras do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) – virou um grande balcão de negociações entre parlamentares, segmentos produtivos e o governo. 

O tendão de Aquiles do Executivo é o projeto que recria o voto de qualidade (voto de minerva pró-governo) do Carf, visto como uma pauta de interesse exclusivo da Fazenda, pelo seu potencial arrecadatório, e que não foi abraçada pelo Legislativo. Logo, a avaliação nos bastidores é de que o governo terá de ceder e liberar verbas caso queira aprovar o texto e destravar a pauta da Câmara – já que o projeto tramita em regime de urgência.

Um parlamentar que vem acompanhando as conversas disse ao Estadão que o que se ouve nos corredores é “f***-se o Carf”, uma vez que o foco é total na reforma tributária e que o arcabouço já está encaminhado. A percepção é de que, se o governo quiser votar o Carf, terá de entrar em campo com força.

Em meio a esse cenário, o governo empenhou R$ 2,1 bilhões em emendas parlamentares apenas nesta primeira semana de julho – valor que se aproxima de todo o montante distribuído aos parlamentares durante o mês de junho (R$ 2,7 bilhões). 

A maior parte dessas liberações de julho, porém, está concentrada nas emendas de bancada, que são impositivas, ou seja, têm execução obrigatória. Há um grande interesse dos parlamentares em outro dinheiro: cerca de R$ 9 bilhões em antigas emendas de relator, as quais ficaram “penduradas” do governo anterior, do presidente Jair Bolsonaro, e que vêm sendo pagas a conta gotas, gerando insatisfação.

Plano Safra

Além da liberação de verbas aos parlamentares, os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, se reuniram na manhã desta quarta-feira, 4, com membros da bancada ruralista para negociar apoio ao projeto do Carf. A moeda de troca, segundo fontes, foi o Plano Safra. Um dos interlocutores a par das conversas afirma que um dos pedidos na mesa foi uma cifra adicional de R$ 2 bilhões para a subvenção ao seguro rural.   

O encontro foi realizado no ministério da Fazenda e contou com a presença, dentre outros parlamentares, dos deputados Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agricultura (FPA), Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da FPA, e Fábio Garcia (União-MT), coordenador de política do grupo.

Reforma tributária 

Essas negociações ainda se somam aos acertos finais em torno da reforma tributária, que pode começar a ser discutida no plenário da Câmara ainda nesta quarta-feira. Isso porque há um entendimento interno na Câmara de que a urgência do texto do Carf, que está trancando a pauta, não trava a votação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que é o caso da reforma.   

Em Brasília desde terça-feira, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se reuniu com Haddad nesta manhã e pediu alterações na governança do Conselho Federativo, que será o órgão responsável por unificar e distribuir a arrecadação a Estados e municípios no novo sistema. O objetivo é garantir que os Estados com mais população tenham participação proporcional ao seu peso dentro da federação, como antecipou o Estadão.    

Já o governador do Amazonas, Wilson Lima, e a bancada do Estado no Congresso apresentaram ao ministro da Fazenda o pedido de criação de um fundo exclusivo, que seria abastecido com verbas federais e compensaria o fim dos subsídios da Zona Franca de Manaus, que seriam mantidos até 2073. 

Arcabouço fiscal 

Enquanto isso, o texto do arcabouço fiscal fica em banho-maria, aguardando uma solução para o impasse do Carf. O relator do texto, deputado Claudio Cajado (PP-BA), já manifestou o seu desejo de retomar a versão votada pela Câmara, revertendo as mudanças feitas pelo Senado, as quais liberam R$ 73 bilhões em gastos fora do novo teto, como mostrou o Estadão.

Cajado disse, porém, que vai submeter a decisão aos líderes e ao presidente da Casa, Arthur Lira, e afirmou que não fará um “cavalo de batalha” em relação a isso.        

Nos bastidores, o relator afirmou a colegas que se sente magoado e traído pelo Senado, que saiu como bonzinho, afrouxando a regra fiscal. Enquanto que ele e a Câmara ficaram como os malvados. A irritação também se estende ao governo, que não estaria se empenhando para reverter as mudanças feitas pelos senadores.

Felipe Mota cobra do Governo do Estado melhorias na Pefoce

Por Luciana Meneses / ALECE

 

Deputado Felipe Mota (União) - Foto: José Leomar

 

O deputado Felipe Mota (União) cobrou, no primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Ceará desta quarta-feira (05/07), que o governo do Estado atenda a recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU) em relação ao número de peritos necessários para a Perícia Forense do Estadodo Ceará (Pefoce).

Conforme explicou o parlamentar, a ONU recomenda para o Ceará um total de 1.837 peritos para os seus 9.187.103 habitantes, mas essa não seria a realidade do Estado. “Atualmente, a Pefoce tem um total de 449 cargos vagos, entre médicos perito legistas, perito legista, perito criminal e auxiliar de perícia, mesmo após nomear a primeira turma de aprovados no concurso realizado em 2021. Não temos pessoal suficiente para executar o trabalho da forma como é necessária”, salientou. 

Felipe Mota acrescentou ainda que há a expectativa do anúncio de implantação de núcleos regionais no interior do Estado, mas que não adianta investir em prédios se não tem profissionais qualificados suficientes. “Temos vários municípios aguardando núcleos, como Sobral, Juazeiro, Quixeramobim, Iguatu, Canindé, Tauá, Crateús, Guaraciaba do Norte, Russas, Itapipoca e Acarape. Então, peço ao governo que antes de implantar os núcleos, organize primeiro o pessoal, pois tem pessoas com desvio de função por falta de profissional. Falta viatura, equipamento e gente. Só prédios não vão atender a demanda do nosso Estado”, apontou.

Em aparte, o deputado Sargento Reginauro (União) corroborou com o colega parlamentar e ressaltou a urgência na melhoria do serviço da Pefoce, visto a importância desse órgão para a segurança pública. “O crime trabalha com inteligência e estrutura. E isso impacta diretamente na sensação de segurança da população. A resolutividade de crimes do Estado é baixa e como manter criminosos presos se não conseguimos provas? Se encontra a vítima, se encontra o projetil, mas quem fará o estudo para saber de que arma saiu?”,questionou

Já o deputado Queiroz Filho (PDT) chamou atenção para a demora em alguns procedimentos. “Muitas vezes, acompanhamos a demora no recolhimento desses corpos para serem levados até o IML e o tempo que levam lá dentro. É visível a necessidade de profissionais”, opinou.

Edição: Adriana Thomasi 

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