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Eduardo Leite anuncia renúncia ao governo do RS e diz que fica no PSDB

Lauriberto Pompeu, Bruno Luiz, Camila Turtelli, Pedro Venceslau e Felipe Uhr, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2022 | 10h45
Atualizado 28 de março de 2022 | 16h23

BRASÍLIA -  O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, anunciou nesta segunda-feira, 28, que permanecerá no PSDB e vai renunciar ao cargo. O tucano decidiu não aceitar convite feito pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab, para disputar a Presidência da República pelo partido. "Não estou dando adeus, Estou me apresentando ao País", disse em entrevista coletiva na ala residencial do Palácio do Piratini, sede do governo gaúcho. "Não se trata de um projeto pessoal se não eu tinha escolhido um outro caminho que me foi oferecido."

Cercado de secretários, o governador não afirmou, no entanto, se tentará ser candidato ao Planalto pelo partido ou se vai concorrer a outro cargo nas eleições deste ano. A decisão sobre não migrar para o PSD foi comunicada ontem em um telefonema a Kassab.

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FHC diz que prévias entre Doria e Leite no PSDB devem ser respeitadas

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O governador do Rigo Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), vai deixar o cargo. Foto: Facebook/Governo RS

Antes do anúncio, Leite telefonou para o governador João Doria (SP) e disse que vai respeitar o resultado das prévias tucanas realizadas no fim do ano passado, em que os dois disputaram o posto de candidato do partido à Presidência da República. O gaúcho afirmou, no entanto, “não poder controlar o movimento de outros”. "(Leite) tomou a decisão certa ao ficar no partido. É a melhor decisão que um democrata pode ter", disse o governador paulista ao Estadão.  Apesar do tom conciliador, Doria descartou a possibilidade de Leite ser o candidato do PSDB ao Palácio do Planalto e afirmou que as prévias são irrevogáveis. "Só se revoga a democracia com um ato de força e autoritarismo", disse o tucano. 

Vídeo

Apesar de não ter externado de forma direta pretensões presidenciais, Leite exibiu um vídeo em que fala com tom de pré-candidato. Anunciou que vai viajar o Brasil para “engajar os jovens pelo voto” e que está “se apresentando”. Também pregou uma política feita “com mais tolerância”, em crítica à polarização no País, e que os partidos de centro criem uma alternativa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL).

“A carta de lideranças tucanas me sensibilizou muito (a ficar no PSDB). É importante a gente lembrar as raízes, o caminho que me trouxe até aqui. [...] Minha escolha impacta mais que a minha vida, ela não muda apenas meu futuro. Por isso que ela foi tão demorada, tão ponderada. Me desincompatibilizo para onde meu partido mais precisar de mim. Vou renunciar ao poder para não renunciar à política”, afirmou no vídeo, exibido durante entrevista coletiva nesta tarde.

Após o anúncio de Leite, o PSDB publicou, em seu perfil no Twitter, ter  "orgulho da virada histórica que conduziu no Rio Grande do Sul". "Com diálogo, entendimento e coerência política, soube equacionar problemas gravíssimos que duravam décadas. O Estado segue agora equilibrado no caminho de mais prosperidade. Missão cumprida", afirmou o partido.

Articulação

Leite chegou a sinalizar que trocaria de partido, mas cedeu aos colegas do PSDB, que fizeram diversos apelos nos últimos dias para que ele permanecesse na legenda. Ao anunciar publicamente que continuaria no partido, o governador tratou a decisão como "Dia do Fico", em referência ao episódio em que D. Pedro I comunicou que não voltaria para Lisboa e permanecera no Brasil.

A articulação para que o governador não deixasse o partido foi conduzida por líderes tucanos, como o deputado federal Aécio Neves (MG) e o senador Tasso Jereissati (CE).

Apesar de Leite ter perdido as prévias da sigla para João Doria no ano passado, aliados do gaúcho tentam fazer com que ele seja a opção do partido para concorrer à Presidência. O Estadão/Broadcast mostrou que o objetivo é formar maioria para que o governador de São Paulo tenha a candidatura rejeitada na convenção partidária, o que impediria seu registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Assim, Leite seria o indicado tucano para a campanha presidencial.

Tucanos avaliam, no entanto, que a manobra será difícil de ser aplicada. Aliados veem a articulação como tentativa de golpe contra a pré-candidatura de Doria e cobram do presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, um posicionamento contundente em defesa do resultado das prévias presidenciais tucanas realizadas no ano passado.

No Twitter, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que "as prévias do PSDB foram realizadas democraticamente". "Assim sendo, penso que devem ser respeitadas", afirmou FHC.

PSD

Kassab afirmou que o PSD ainda vai ter candidatura própria à Presidência e descarta apoiar outro partido no primeiro turno. Ele evitou mencionar nomes, mas nas últimas semanas o ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung (PSD) era citado por Kassab como alternativa presidencial junto com Leite. "Vamos iniciar agora a discussão, assim como foi com o Rodrigo Pacheco, com Eduardo Leite", disse ao Estadão.

É a segunda recusa que Kassab recebe para um convite de concorrer ao Planalto. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), era a opção anterior, mas decidiu não concorrer ao cargo e focar no comando da Casa Legislativa.

Bolsonaro decide demitir Silva e Luna do comando da Petrobras

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2022 | 17h29

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro bateu o martelo e decidiu demitir Joaquim Silva e Luna da presidência da Petrobras, segundo fontes do governo ouvidas reservadamente pelo Estadão/Broadcast. O anúncio deve ser feito ainda nesta segunda-feira, 28. O mais cotado para substituí-lo é do diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires

A decisão foi tomada no mesmo dia em que o ministro da Educação, Milton Ribeiro, entregou o cargo ao presidente. Ele é investigado por suspeita de envolvimento com pastores que cobravam propina para intermediar recursos para escolas, como revelou o Estadão.

A União tem até a última hora no dia 13 de abril, durante a assembleia dos acionistas, para indicar seus nomes para o conselho de administração da Petrobras. Como ela é a controladora da estatal, não terá dificuldade em conseguir o número de votos necessários para eleger seus candidatos, independentemente da vontade dos acionistas minoritários. 

A presença do presidente da companhia no conselho de administração é uma obrigatoriedade prevista no estatuto social da companhia. Por isso, o substituto de Silva e Luna deve antes ser referendado pela assembleia como membro do colegiado. Após receber o aval dos acionistas na assembleia, ele, automaticamente, está apto a assumir a presidência da empresa. O mandato do atual presidente da Petrobras vai até março de 2023, mas isso não impede a substituição.

Bolsonaro se irritou com com Silva e Luna pelo 'timing' no anúncio do mega-aumento dos combustíveis neste mês. A Petrobras pratica a chamada paridade de preços, ou seja, paga pelo produto o preço cobrado no mercado internacional e, por isso, repassa eventuais altas para refinarias, o que leva ao aumento de preços para o consumidor final.

Na quinta-feira, 10, diante do aumento na cotação do petróleo no mercado internacional, reflexo da guerra na Ucrânia, a Petrobras anunciou reajuste de 18,8% para a gasolina e de 24,9% para o diesel.

No dia seguinte, o Congresso aprovou e Bolsonaro sancionou um projeto que faz alterações na tributação sobre os combustíveis para tentar aliviar a alta de preços. Para Bolsonaro, o impacto da aprovação do projeto foi "mitigado" porque a Petrobras fez o anúncio do mega-aumento antes.

"Olha só, eu tenho uma política de não interferir. Sabemos das obrigações legais da Petrobras e, para mim, particularmente falando, é um lucro absurdo que a Petrobras tem num momento atípico no mundo. Então, não é uma questão apenas interna nossa", disse Bolsonaro, no sábado. "Então, falar que eu estou satisfeito com o reajuste? Não estou satisfeito com o reajuste, mas não vou interferir no mercado", completou o presidente.

Se confirmada, esta será a segunda vez que Bolsonaro muda o comando da Petrobras. Em fevereiro do ano passado, o presidente demitiu Roberto Castello Branco, também em um momento em que o preço dos combustíveis impactava sua popularidade.

Milton Ribeiro entrega carta de demissão após denúncias de corrupção no MEC

Breno Pires, Julia Affonso e Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2022 | 16h32
Atualizado 28 de março de 2022 | 18h09

BRASÍLIA – Investigado por suspeita de envolvimento com pastores que cobravam propina para intermediar recursos para escolas, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, entregou o cargo ao presidente Jair Bolsonaro. Em carta, Ribeiro disse que as reportagens revelando corrupção na sua Pasta “provocaram uma grande transformação em sua vida”. Ele pediu que as suspeitas de que uma pessoa próxima a ele “poderia estar cometendo atos irregulares devem ser investigados com profundidade”.  Ribeiro deixa o cargo dizendo estar “de coração partido”. A exoneração “a pedido” do ministro foi publicada em edição extra do Diário Oficial nesta segunda-feira, 28.

O pedido de demissão ocorre no mesmo dia em que o Estadão revelou que em evento do MEC foram distribuídas Bíblias com fotos do ministro, que para especialistas ato pode ser enquadrado como crime. A derrocada do ministro começou no dia 18 deste mês, após publicação da primeira reportagem do Estadão sobre o gabinete paralelo na pasta de Ribeiro com atuação dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura.

Milton Ribeiro em Salinópolis
Ministro Milton Ribeiro, da Educação, participa de evento com entrega de Bíblia com sua foto impressa em Salinópolis, no Pará, em 2/7/2021 Foto: Reprodução Prefeitura Salinópolis

Na carta, diante dos fatos, Ribeiro disse que decidiu pedir exoneração com a finalidade de “de que não paira nenhuma incerteza sobre sua conduta.” Segundo o ministro, ele quer “mais do que ninguém, uma investigação completa e longe de qualquer dúvida acerca de tentativas dele de interferir nas investigações”. O ministro disse que seu afastamento “é única e exclusivamente decorrente de minha responsabilidade política que exigem de mim um senso de País maior do que quaisquer sentimentos pessoais”.  Encerra a carta com o “até breve” prometendo voltar se sua inocência for comprovada. 

A decisão foi tomada após o Estadão publicar uma série de reportagens revelando atuação que o ministro mantinha um gabinete paralelo operado pelos pastores. Em entrevistas ao Estadão, prefeitos contaram que receberam pedidos de propina em ouro em contrapartida para terem demandas atendidas no MEC.  Com a demissão, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) passará por sua quinta gestão diferente do MEC.

Nesta segunda-feira, 28, o Estadão mostrou que, em evento do MEC, foram distribuídas bíblias com fotos do ministro Ribeiro, o que pode configurar crime. A compra das bíblias também era parte de pagamento de propina pedida pelos pastores, conforme relato de prefeitos ao jornal.

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Covid-19: Brasil registra 29,8 milhões de casos e 117 mortes

O Brasil registra 29.842.418 casos de covid-19 e 686.071 mortes pela doença desde o início da pandemia, segundo o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde divulgado neste domingo (27). Há 28.497.468 casos de recuperados e 686.071 casos em acompanhamento.

Em 24 horas, foram registrados 10.239 casos e 117 mortes pela doença. Os dados não incluem informações do Distrito Federal e dos estados do Mato Grosso e do Tocantins.

Estados

São Paulo é a unidade da Federação com o maior número de casos (5.232.374) e de mortes (167.110). No número de casos, o segundo lugar é ocupado por Minas Gerais (3.317.401) e Paraná (2.407.960). O menor número de casos está nos estados do Acre (123.808), Roraima (155.062) e Amapá (160.328).

Em relação ao número de óbitos, o estado do Sudeste é seguido por Rio de Janeiro (72.695) e Minas Gerais (60.767). As unidades da Federação com menor número de mortes são Acre (1.992), Amapá (2.122) e Roraima (2.144).

Boletim epidemiológico da covid-19
Boletim epidemiológico da covid-19 - 27/03/2022/Divulgação/ Ministério da Saúde

Vacinas

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, foram aplicados, no total, 394,77 milhões de doses de vacina contra a covid-19. Deste total, 172,32 milhões são de primeira dose, 149,80 milhões são de segunda dose e 4,78 milhões são de dose única.

As doses de reforço totalizam 65,2 milhões e a dose adicional, 2,66 milhões.

Edição: Fábio Massalli / AGÊNCIA BRASIL

Covid-19: Brasil tem 29,83 milhões de casos e 659 mil mortes

O Brasil registra, desde o início da pandemia, 29.832.179 de casos de covid-19 e 678.762 de mortes em decorrência da doença. O número de recuperados é de 28.464.436 e há 798.901 casos em acompanhamento.

Em 24 horas, foram registrados 29.922 casos da doença e 196 óbitos. Os dados não incluem atualizações do número de casos do Distrito Federal e dos estados do Mato Grosso e da Bahia.

Estados

São Paulo é a unidade da Federação com o maior número de casos (5,22 milhões) e de mortes (167,1 mil). No número de casos, o estado do Sudeste é seguido por Minas Gerais (3,31 milhões) e Paraná (2,40 milhões). Os menores números de casos foram registrados no Acre (123.77), Roraima (155.049) e Amapá (160.321).

Em número de mortes, o Rio de Janeiro a unidade da Federação com o segundo maior número de óbitos (72,6 mil), seguido de Minas Gerais (60,7 mil). Os menores número de mortes foram registrados no Acre (1.992), Amapá (2.144) e Roraima (2.144).

Boletim epidemiológico covid-19
Boletim epidemiológico covid-19 - 26/03/2022/Divulgação/ Ministério da Saúde

Edição: Fábio Massalli / AGÊNCIA BRASIL

Covid-19: Brasil registra 29,7 milhões de casos e 658 mil óbitos

O Ministério da Saúde divulgou hoje (24) novos números sobre a pandemia de covid-19 no país. De acordo com levantamento diário feito pela pasta, o Brasil acumula 29.767.681 casos confirmados da doença e 658.310 mortes registradas.

Em 24 horas, o ministério contabilizou 37.690 casos e 312 óbitos por covid. O total de pacientes recuperados da doença somam 28.407.457 (95,4% dos casos). 

Estados

O estado de São Paulo tem o maior número de casos acumulados desde o início da pandemia: 5,2 milhões, além de 166,9 mil óbitos. Em seguida estão Minas Gerais (3,3 milhões de casos e 60,6 mil óbitos), Paraná (2,4 milhões de casos e 42,8 mil óbitos) e Rio Grande do Sul (2,2 milhões de casos e 38,9 mil óbitos). 

Boletim epidemiológico do Ministério da Saúde atualiza os números da pandemia no Brasil.
Boletim epidemiológico do Ministério da Saúde atualiza os números da pandemia no Brasil. - Ministério da Saúde

Edição: Paula Laboissière / AGÊNCIA BRASIL

Bolsonaro tem ainda muita tinta na sua caneta para gastar a seu favor nas eleições

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

O presidente Jair Bolsonaro tem ainda muita tinta na sua caneta para gastar a seu favor nas eleições deste ano.

Como assim? 

Essa foi a pergunta que muitos leitores fizeram à coluna diante da reportagem do Estadão que mostrou que o governo Bolsonaro tinha uma “folga” de R$ 45 bilhões para aumentar a aposta em corte de impostos e até lançar mão de subsídios sem furar a meta fiscal.

Bolsonaro
O presidente usa a sua caneta para reduzir os tributos e atender a todo tipo de demandas. Foto: Alan Santos/PR - 22/3/2022

Até agora, todos os olhos estavam voltados para buscar (com dribles) espaço no teto, regra que impõe um limite anual para as despesas com base na variação da inflação.

A confusão é natural porque o Brasil tem muitas regras fiscais, e a meta fiscal, que trata do resultado primário (calculado pelo valor das receitas menos despesas sem contar o pagamento dos juros da dívida), acabou ficando em segundo plano após a criação do teto em 2016.

Ocorre que em 2022 o limite para ampliação de despesas ficou tomado. Também ficou mais difícil politicamente fazer novos furos no teto depois da festa do ano passado. A consequência é que o espaço para medidas fiscais que possam garantir benefícios eleitorais passou a ser do lado das receitas.

É por isso que só este ano o governo já abriu mão de R$ 49,8 bilhões em redução de receitas e mesmo assim a arrecadação ficará R$ 87 bilhões maior do que a prevista quando o Orçamento foi aprovado.

O presidente pega carona nesse cenário e usa a sua caneta para reduzir os tributos e atender a todo tipo de demandas (até mesmo para cortar imposto de carro importado, jet ski e motocicletas) que só olham o curto prazo.

O movimento está longe de acabar porque as receitas têm sido favorecidas pela inflação alta e pela elevação do preço do petróleo, que vai engordar em mais R$ 37,2 bilhões o caixa do governo. Estão bombando.

A meta folgada de déficit de R$ 170,4 bilhões abriu a porteira para essa onda de desonerações embalada no cenário eleitoral. 

O governo pode optar em adotar um novo subsídio aos combustíveis, como quer Bolsonaro, abrindo crédito extraordinário sem afetar o teto nem decretar estado de calamidade para suspender as regras fiscais. Basta ter espaço na meta fiscal e uma justificativa “perfeita” para editar o crédito. Esse tipo de crédito não entra no limite do teto, mas o mesmo não acontece com a meta fiscal. Ao contrário do teto, as despesas com esse crédito entram no cálculo da meta. Daí que olhar para a folga fiscal que a meta permite passou a ser importante. É claro que ela pode ser mudada pelo Congresso. Já vimos esse filme tantas vezes. 

*REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

Governo entrega sistemas de abastecimento de água no Ceará

O presidente Jair Bolsonaro e uma comitiva de ministros participaram de solenidade em Quixadá (CE), na tarde desta quarta-feira (23), para o lançamento da Força-Tarefa das Águas, que prevê a execução de obras de abastecimento de água no semiárido nordestino. A cidade fica no sertão central do Ceará, a cerca de 160 quilômetros de Fortaleza.

Foram entregues, oficialmente, 74 sistemas simplificados de abastecimento, que vão atender 15 municípios, 90 comunidades e mais de 23 mil habitantes. Na região, também estão foram inaugurados cerca de mil poços artesianos, que devem beneficiar 58 mil pessoas.

A cerimônia faz parte das comemorações do Dia Mundial da Água, celebrado nesta terça-feira (22).

"A água é um bem inigualável. Cada vez mais estamos concluindo a transposição do Rio São Francisco e trazendo dignidade a todos vocês", disse Bolsonaro em seu discurso.

A Força-Tarefa das Águas envolve diferentes instituições federais, como a Fundação Nacional de Saúde (FNS), a Companhia de Desenvolvimento do Vale do Rio São Francisco (Codevasf), o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), além dos ministérios da Cidadania, Desenvolvimento Regional, Saúde e Defesa. A meta do governo é atender 1,5 milhão de pessoas com perfuração de poços, implantação de cisternas e de sistemas simplificados de abastecimento de água.

Mais cedo, em outra agenda oficial, desta vez em Paudalho (PE), o presidente Jair Bolsonaro participou do lançamento da pedra fundamental da Escola de Formação e Graduação de Sargentos do Exército. A nova escola militar das Forças Armadas dará mais de 2,4 mil oportunidades para jovens que desejam seguir a carreira militar. O investimento é de mais de R$ 1,5 bilhão.

Edição: Fernando Fraga / AGÊNCIA BRASIL

Em Quixadá, Bolsonaro exalta ministros nordestinos, nega corrupção e faz críticas a Lula e a Camilo

Escrito por , / DIARIONORDETE

 

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a fazer uma série de acenos aos eleitores do Nordeste durante a passagem por Quixadá, no Ceará. Na cerimônia de lançamento do programa "Força Tarefa das Águas", ele exaltou o papel dos ministros nordestinos em seu governo, em aproximação aos eleitores da região.

O chefe do Executivo federal ainda atacou o ex-presidente Lula (PT) e criticou governadores brasileiros, entre eles o cearense Camilo Santana (PT). Bolsonaro também negou que haja corrupção em seu Governo.

PT

Em seu discurso, Bolsonaro criticou governos recentes do PT, tanto o liderado pelo ex-presidente Lula quanto o do governador Camilo Santana. 

"Vejo com satisfação, depois de três anos, a volta do patriotismo. Cada vez mais, as cores verde e amarelo são vistas pelos quatro cantos do País. Vamos deixando para trás a cor vermelha, a cor do comunismo, a cor do atraso e da corrupção", disse. 

 
"Quando se fala em corrupção, nós temos o que falar. Temos três anos e três meses de governo sem qualquer denúncia de corrupção em nossos ministérios (...) Tentam nos igualar aos que nos antecederam, mas não conseguirão"
JAIR BOLSONARO (PL)
Presidente da República

A fala do presidente ocorre em um momento de pressão contra ele, após um áudio revelado pela Folha de S. Paulo mostrar o ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmando que daria prioridade a pedidos de recursos de pastores. 

Ribeiro ainda afirmou, na gravação, que a liberação de recursos foi um "pedido especial" de Bolsonaro. Até agora, o presidente não comentou o caso.

PANDEMIA

O presidente também voltou a criticar as medidas adotadas para combater o avanço da Covid-19 no País. Assim como fez em outras visitas ao Ceará, Bolsonaro atacou os governadores.

"Lamentamos os anos 2020 e 2021, onde a pandemia se abateu sobre nós e a política equivocada e desastrosa do 'fique em casa, a economia a gente vê depois', de muitos governadores, fez com que muita gente perdesse sua renda. O Governo Federal não fechou uma só casa de comércio", disse.

Neste momento, o discurso do presidente foi interrompido por seus apoiadores, que gritavam "fora, Camilo".

"Governar é assumir desafios, correr riscos e decidir. Nós sempre estivemos do lado certo, fui certamente um dos raros chefes de estado do mundo que não adotou a conduta daqueles que defendiam o politicamente correto naquele momento", disse.

NORDESTE

Em outro momento, o presidente foi novamente interrompido pelos apoiadores que gritavam contra Lula. "Agora que estou no Nordeste, estou com ministros cabra da peste, mostrando como não era difícil a Transposição do São Francisco (...) Vocês lembram quem administrou o Brasil entre 2003 e 2015? Sabem quem esteve na Presidência?", instigou Bolsonaro. Que foi seguido por gritos de "Lula, ladrão" dos apoiadores.

"É um País riquíssimo, mas que foi roubado em um passado curto. Mostrando isso, mostrando o que estamos fazendo, sinalizamos a vocês que o Brasil não é mais o País do futuro, é o País do presente", acrescentou. 

Em diversas falas, os ministros ressaltaram os investimentos feitos pelo Governo Federal no Nordeste. A região, historicamente, apoia o ex-presidente Lula ou candidatos indicados pelo petista. 

QUIXADÁ

O presidente visitou a cidade para inaugurar a central de abastecimento no município, construída com recursos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). A unidade deve servir de projeto-piloto para o programa, que será ampliado para os outros estados nordestinos e para Minas Gerais.

Na cerimônia, o presidente entregou 74 Sistemas Simplificados de Abastecimento de Água (SSAA), que contemplam 15 municípios, 90 comunidades e 23.808 cearenses. Também inaugurou 973 poços, que beneficiarão 58.380 moradores da região.

Ordens de serviço para a construção de 182 SSAA, alcançando 61 municípios, 189 comunidades e 35.516 pessoas; e para construção de mais 427 poços, que vão atender mais 25.620 pessoas, também foram assinadas no evento. As obras serão concluídas em aproximadamente 5 meses.

ALIADOS

O presidente chegou a Quixadá cercade de aliados. Ele desfilou em carro aberto pela cidade ao lado do deputado federal Capitão Wagner (PL), pré-candidato ao Governo do Ceará.

Outros parlamentares também participaram do evento, entre eles os deputados federais Domingos Neto (PSD), Dr. Jaziel (PL) e Nelho Bezerra (Pros); deputados estaduais André Fernandes (PL), Delegado Cavalcante (PL) e Dra. Silvana (PL); vereadores de Fortaleza Sargento Reginauro (Pros), Inspetor Alberto (Pros), Carmelo Neto (Republicanos) e Priscila Costa (PSC).

 

Brasil registra 394 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas

O Brasil registrou, desde o início da pandemia, 657.696 mortes por covid-19, segundo o boletim epidemiológico divulgado hoje (22) pelo Ministério da Saúde. O número total de casos confirmados da doença é de 29.682.615.

Em 24 horas, foram registrados 41.021 casos. No mesmo período, foram confirmadas 394 mortes de vítimas do vírus.

Ainda segundo o boletim, 28.286.808 pessoas se recuperaram da doença e 738.111 casos estão em acompanhamento.

Estados

São Paulo lidera o número de casos, com 5,1 milhões, seguido por Minas Gerais (3,30 milhões) e Paraná (2,39 milhões). O menor número de casos é registrado no Acre (123,7 mil). Em seguida, aparece Roraima (154,8 mil) e Amapá (160,2 mil).

Em relação às mortes, São Paulo tem o maior número de óbitos (166.746), seguido de Rio de Janeiro (72.534) e Minas Gerais (60.601). O menor número de mortes está no Acre (1.990), Amapá (2.122) e Roraima (2.144).

Vacinação

Até hoje, foram aplicadas 391,5 milhões de doses de vacinas contra a covid-19, sendo 171,8 milhões com a primeira dose e 148,9 milhões com a segunda dose. A dose única foi aplicada em 4,7 milhões de pessoas. Outras 63,3 milhões já receberam a dose de reforço.

Boletim epidemiológico do Ministério da Saúde atualiza os números da pandemia no Brasil.
Boletim epidemiológico do Ministério da Saúde atualiza os números da pandemia no Brasil. - Ministério da Saúde

Edição: Lílian Beraldo / AGÊNCIA BRASIL

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