Busque abaixo o que você precisa!

Lula se sentiu traído por Marina em decisão do Ibama, dizem interlocutores do governo

Ana Carolina Amaral / FOLHA DE SP

 

SÃO PAULO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se sentiu traído com a publicação da decisão do Ibama que negou o licenciamento ambiental para a perfuração de poço de petróleo pela Petrobras na foz do Amazonas.

Lula esperava que a ministra Marina Silva (Meio Ambiente) o informasse previamente sobre a decisão, para que ele costurasse uma saída política junto ao MME (Ministério de Minas e Energia).

A informação foi confirmada por interlocutores do Ministério do Meio Ambiente, do PT (Partido dos Trabalhadores) e da presidência da Petrobras.

Marina, no entanto, insistiu que a decisão do Ibama seria técnica e não estaria sujeita a ingerência política.

A decisão foi publicada em 17 de maio, quando Lula estava no Japão para o encontro do G7.

Os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) precisaram aguardar o retorno do presidente ao país para tentar reverter a situação, o que aumentou o custo político da mediação com o Meio Ambiente, inspirando a fritura de Marina Silva.

Segundo fontes do governo, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, deve mediar um acordo entre o MME, o MMA (Ministério do Meio Ambiente) e o Ibama, que deve ser assinado por Lula.

Petrobras pretende apresentar ainda nesta semana um recurso ao Ibama, mas o presidente da empresa, Jean Paul Prates, deve manter uma postura neutra na briga política.

Há pouco espaço de negociação para o MMA em um possível acordo, que já conta com o alinhamento entre o MME e a Casa Civil, na avaliação de interlocutores da pasta ambiental.

Os três ministros e o presidente do Ibama já se reuniram na última terça-feira (23), quando o MMA reforçou a posição de que a decisão do Ibama era técnica e precisava ser obedecida —o que significa, na prática, que o MME deve providenciar a AAAS (Avaliação Ambiental de Área Sedimentar) como condição para avançar no licenciamento.

No dia seguinte à reunião, a comissão mista do Congresso aprovou a MP 1.154, com um esvaziamento do Ministério do Meio Ambiente.

A proposta, que segue para o plenário da Câmara, transfere a outros ministérios competências típicas do MMA, como o administração do CAR (Cadastro Ambiental Rural), da ANA (Agência Nacional de Águas) e dos sistemas de gestão de resíduos sólidos e saneamento básico.

A sequência dos eventos foi lida por interlocutores da pasta ambiental como um jogo combinado para desgastar o nome de Marina, visto por aliados políticos do presidente como obstáculo aos projetos do governo.

FOZ DO AMAZONAS

O projeto Planeta em Transe é apoiado pela Open Society Foundations.

Plano de Lula de incentivar carro popular prejudica os mais pobres

Roberto Andrés / FOLHA DE SP

 

[RESUMO] Pacote que governo federal deve anunciar para incentivar produção de carros populares é mais um capítulo da longa lista de privilégios de que aindústria automobilística desfruta no Brasil, com impactos negativos para toda a sociedade. Explosão do setor nos governos Lula e Dilma, às custas de volumosas quantias de recursos públicos destinadas às montadoras, não gerou empregos qualificados, aumentou poluição e acidentes e deteriorou ainda mais a qualidade de vida nas cidades, prejudicando sobretudo os mais pobres.

 

O governo federal pretende anunciar um pacote de estímulos à indústria automobilística. Busca-se reduzir os preços dos veículos, que subiram bastante nos últimos anos. Por razões diversas, as fábricas brasileiras deixaram de produzir carros populares, focando-se em modelos mais caros. O governo agora quer usar dinheiro público para reverter essa decisão.

 

A medida, que deve ser anunciada na quinta-feira (25/5), vai na contramão do esforço do Ministério da Fazenda de rever desonerações e aumentar a arrecadação. Não é bom sinal: como dizer para o empresário que perderá um desconto tributário que outro setor ganhará um desconto no mesmo momento?

 

Difícil encontrar um segmento que tenha sido tão beneficiado no Brasil quanto o das montadoras. A implantação da indústria automotiva no país, durante o governo JK, deu-se por um arranjo em que uma série de incentivos era compensada por investimentos e garantia de nacionalização dos veículos —95% das peças deveriam ser fabricadas no país.

 

Durante a ditadura, o índice de nacionalização foi sendo flexibilizado. Com a abertura comercial dos anos 1990, ele despencou. O imposto para importação de peças foi praticamente a zero, e as montadoras passaram a se abastecer de fornecedores internacionais.

 

O processo levou à derrocada da indústria nacional de autopeças. A abertura comercial, contudo, não foi para todos: a taxa de importação de veículos ficou em 70%, beneficiando montadoras multinacionais instaladas no país.

 

A escolha por privilegiar as montadoras em detrimento das autopeças dificilmente se sustenta. Para se ter uma ideia, em 1990 os dois setores tiveram um faturamento similar no Brasil, cerca de US$ 13 bilhões de dólares cada um, mas as montadoras empregaram cerca de 117 mil pessoas, enquanto as autopeças criaram mais de 285 mil vagas.

 

Já o setor de revendas empregou quase 380 mil, e as oficinas de reparos, mais de 1,2 milhão de pessoas no mesmo ano. Ou seja, embora utilizem de sua força simbólica e concentração de capital para conquistar benefícios, as montadoras geram poucos empregos. Em 1990, respondiam por cerca de 6% deles.

 

Apesar disso, as montadoras seguiram privilegiadas. Ganharam vultosas desonerações por programas federais —como o Novo Regime Automotivo, de FHC— e pelas "guerras fiscais".

 

Multinacionais que já haviam decidido operar no país anunciavam a possibilidade de se instalar em dois ou três Estados, para barganhar vantagens. Além da redução, ou mesmo isenção, do ICMS, os governos estaduais começaram a oferecer terrenos públicos, obras de infraestrutura, crédito subsidiado, descontos em contas de água e luz.

 

Em muitos casos, as fábricas foram capazes de sobrepor benefícios e prolongá-los no tempo. Esse financiamento público da atividade privada já estava nas alturas quando começou o primeiro governo Lula, que apostou no crescimento do setor com mais desonerações. Vieram então a política de IPI zero e o boom na produção.

 

O licenciamento de novos veículos saltou de 1,5 milhão de unidades anuais em 2003 para 3,4 milhões em 2012. Esse foi um período de grande lucro para as montadoras, que em 2008 enviaram o maior volume de recursos a suas matrizes na série histórica: US$ 5,6 bilhões. Entre 2005 e 2013, essas remessas superaram em quase US$ 20 bilhões os investimentos realizados no país.

 

Como aponta o pesquisador Jonas Tomazi Bicev, a margem de lucro praticada no Brasil era, em geral, três vezes maior que a de outros países. Durante a crise iniciada em 2008, a lucratividade das filiais brasileiras compensou as perdas das matrizes do Norte Global.

 

A explosão das vendas e da lucratividade foi em parte sustentada pelos incentivos estatais. Somente as desonerações de IPI alcançaram R$ 10,5 bilhões entre 2009 e 2013.

 

Um levantamento calculou em R$ 69 bilhões os incentivos fiscais concedidos pela União às montadoras entre 2000 e 2021. Isso sem contar os benefícios estaduais e outras formas de estímulo, como as isenções fiscais para a gasolina e o álcool.

 

O boom não se refletiu em aumento relevante de empregos. Embora a produção nacional de veículos tenha crescido em quase quatro vezes entre 1990 e 2013, o emprego no setor de montadoras ficou relativamente estável no período.

 

A indústria de autopeças, ainda que tenha se recuperado de sua forte perda de empregos na década de 1990, não chegou a gerar aumento de ocupação significativo.

Tudo isso acabou por produzir um teto baixo para o modelo de ascensão dos governos petistas. A carência de empregos de maior produtividade jogou milhares de jovens com formação superior em trabalhos precarizados e mal remunerados no setor de serviços.

Como as montadoras são pouco intensivas em mão de obra, seu crescimento em quase nada contribuiu para a geração de empregos qualificados —assim como a mineração e o agronegócio, pilares da economia no período.

Os recursos públicos abocanhados pelas montadoras, se investidos em serviços de saúde, educação e mobilidade urbana, poderiam ter provido melhorias de vida para toda a população. Mas subsidiaram o boom automobilístico, que, além de não produzir aumento de empregos de alta produtividade e remuneração, gerou uma aguda deterioração da qualidade de vida nas cidades, prejudicando sobretudo os mais pobres.

O CUSTO SOCIAL DO AUTOMÓVEL

O conceito de externalidade, em economia, diz respeito ao impacto, positivo ou negativo, sobre terceiros não diretamente envolvidos em uma atividade.

A referência bibliográfica mais completa sobre o tema, um estudo de Todd Litman, do Victoria Transport Institute, indica 17 externalidades negativas para o transporte, a maior parte gerada por carros e motocicletas. O compilado aponta que os custos sociais dos veículos individuais podem estar bem acima dos benefícios financeiros do setor.

Os poucos estudos feitos no Brasil chegam a conclusões parecidas. Analisando apenas poluição do ar, de ruído e acidentes, um relatório elaborado pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) estima em R$ 154 bilhões os custos sociais oriundos do transporte motorizado em 2016, 90% gerados por automóveis e motocicletas. No entanto, estes veículos responderam por apenas 29% das viagens feitas no país naquele ano, enquanto o transporte coletivo foi responsável por 28% delas.

Para se ter uma ideia, os impostos arrecadados junto às montadoras somaram R$ 19,2 bilhões em 2013 —ano de maior venda de automóveis da história do país. Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), toda a cadeia da indústria automobilística teria gerado R$ 56,6 bilhões em tributos naquele ano —cerca de um terço de apenas três custos sociais do transporte.

Quando é aplicada a média aferida pelo compilado de Litman, vê-se que os três custos para os quais há estimativas no Brasil correspondem a cerca de 30% de custos externos gerados por automóveis e motocicletas.

Se os outros 14 custos não inseridos na estimativa nacional fossem computados, considerando a média internacional, as externalidades do transporte motorizado no país seriam de cerca de R$ 500 bilhões por ano.

Se a conta do carro não fecha no balanço dos impactos sociais, ela tampouco é sustentável na perspectiva dos gastos privados, especialmente na periferia do capitalismo.

Os custos de manutenção e financiamento de veículos podem facilmente chegar ao piso da renda familiar da classe C no Brasil. Não por acaso, a compra do carro foi identificada, em pesquisa de 2012, como "principal razão do alto endividamento da classe C". Para as dezenas de milhões de brasileiros que seguiram nas classes D e E, seria impossível arcar com esses valores.

Aqui há um paradoxo evidente. Os preços dos veículos teriam que ser muito mais baixos para que pudessem ser universalizados em países da periferia do capitalismo. No entanto, esses mesmos preços teriam que ser muito mais altos para "internalizar" ao menos parte dos impactos sociais gerados por essa indústria.

Por fim, outro ponto a ser ressaltado explicita a contradição da ênfase automobilística por parte de governos de esquerda. Os mais impactados pelas externalidades dos veículos particulares são os mais vulneráveis.

As mortes no trânsito no Brasil, que ceifam dezenas de milhares de vidas por ano, estão concentradas entre pedestres e motociclistas —ambos com participação majoritária na base da pirâmide. Quem mais respira o ar poluído são os que passam mais tempo no trânsito, se deslocam de ônibus ou a pé —mais uma vez, os mais pobres.

A massificação de automóveis congestiona as ruas das cidades e induz o espraiamento, prejudicando o transporte coletivo. Enquanto o país viveu o boom de carros de 2008 a 2013, o tempo de viagem nos ônibus urbanos foi às alturas.

Em muitas cidades, o tempo médio de deslocamento dobrou. O aumento dos itinerários e da lentidão pressiona o custo dos ônibus, fazendo crescer o preço das tarifas —que subiram muito acima da inflação no período. Na raiz das revoltas de 2013, esteve também o boom automobilístico.

Mais uma vez, os maiores prejudicados foram os mais pobres, milhões de pessoas sem carro que dependem dos ônibus. Mulheres negras de baixa renda formam o principal grupo de usuárias cativas do transporte público no Brasil.

A experiência anterior mostra que incentivar montadoras não é bom negócio. Consome dinheiro público, gera poucos empregos qualificados, degrada a condição de vida nas cidades e contribui para a crise climática.

A indústria de transporte do século 21 é a de ônibus, trens, bondes e bicicletas. Se o governo for gastar dinheiro público e capital político desonerando setores, que sejam aqueles que beneficiam de fato os mais pobres e criam perspectivas de vida sustentáveis no planeta.

 

Receita começa a divulgar 'caixa-preta' de benefícios fiscais com nomes de empresas e valores

Eduardo Cucolo / FOLHA DE SP

 

SÃO PAULO

A Receita Federal divulgou três listas com o nome de empresas beneficiadas por incentivos, renúncias, benefícios ou imunidade tributária. A iniciativa atende à determinação do Ministério da Fazenda de abrir a chamada "caixa-preta" dos gastos tributários federais.

Uma delas é a relação de benefícios declarados na Escrituração Contábil Fiscal do contribuinte, que traz dados sobre mais de 15 mil grandes empresas, com valores que somam R$ 50 bilhões, referentes ao ano de 2021 para IRPJ/CSLL (tributos sobre o lucro das empresas).

Foram publicadas também as relações de empresas imunes ou isentas de IRPJ/CSLL —com cerca de 260 mil CNPJs de entidades sem fins lucrativos, religiosas e de previdência privada fechada— e de cerca de 23 mil companhias inscritas em 14 Regimes Especiais de Tributação. Nesses casos, não foram apresentados os valores das renúncias individualmente.

A lista dos maiores beneficiados ainda pode sofrer alterações, pois nem todas as empresas tiveram seus dados divulgados. A Folha selecionou as 50 companhias com maiores valores apresentados pela Receita até o momento. Na lista, estão grandes empresas como Vale, Petrobras, subsidiárias da Eletrobras e companhias que atuam na Zona Franca de Manaus e no Nordeste.

Portaria divulgada pela Receita na semana passada prevê ainda a divulgação de informações relativas a benefícios de importação (PIS/Cofins e IPI), que devem ser apresentados até o final de maio. Os dados não incluem alguns dos maiores gastos tributários federais, como o Simples e as desonerações das cesta básicas e da folha de pagamento.

Segundo a Receita, as listas serão periodicamente revisadas e reavaliadas, de modo a promover a ampliação gradual do rol de transparência, "sempre com a devida segurança jurídica".

Na relação que traz o valor individual das renúncias, foram listados 22 tipos de benefícios. A maior parte dos recursos divulgados se refere aos incentivos para projetos nas áreas das superintendências do desenvolvimento do Nordeste e da Amazônia (Sudam/Sudene) e para os fundos de investimentos das duas regiões (Finam e Finor).

Há também programas como Prouni (Universidade para Todos), Rota 2030 (automotivo) Padis (semicondutores), Empresa Cidadã (prorrogação da licença maternidade) e PAT (alimentação do trabalhador), além de deduções relacionadas aos fundos da criança e adolescente e do idoso, a programas de incentivo a cultura e desporto e com horário eleitoral.

O Prouni, que concede bolsas de estudo em universidades a alunos de baixa renda, foi criado pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda) em parceria com sua esposa, Ana Estela.

Vale
19,108
Eletronorte
1,215
Salobo Metais (Vale)
1,205
Petrobras
1,129
Chesf
0,846
Braskem
0,762
Recofarma do AM (Coca-Cola)
0,606
Companhia Siderúrgica do Pecém
0,437
Coelba
0,331
Novamed Produtos Farmacêuticos
0,322
Crown da Amazônia
0,321
Mineração Caraíba
0,311
Energisa Mato Grosso
0,291
Arosuco (Ambev)
0,288
Refinaria de Mataripe
0,274
Jacobina Mineração e Comércio
0,261
Termo Norte Energia
0,258
Rumo Malha Norte
0,254
Equatorial Pará Energia
0,251
TIM
0,240
Equatorial Maranhão Energia
0,229
Inpasa Agroindustrial
0,225
FS Agrisolutions Biocombustiveis
0,218
Bom Futuro Agrícola
0,209
South32 Minerals
0,185
Siderúrgica Norte Brasil
0,183
Ball do Brasil
0,177
Ferbasa (Ferro Ligas)
0,166
Mineração Paragominas
0,159
Bunge Alimentos
0,158
Aço Cearense Industrial
0,151
Argo Transmissão de Energia
0,148
Transmissora Aliança de Energia
0,144
Mineração Aurizona
0,143
Coimpa Industrial
0,142
Telefônica Brasil
0,142
Belgo Bekaert Arames
0,141
Bertuol Indústria de Fertilizantes
0,139
Alcoa World Alumina Brasil
0,137
Deten Química
0,130
Britânia Componentes Eletrônicos
0,128
Equatorial Piauí Energia
0,125
Equatorial Alagoas Energia
0,125
Indorama Ventures Polímeros
0,123
CSN Mineração
0,123
Energisa Paraíba Energia
0,123
Proquigel Química
0,122
LG Electronics do Brasil
0,118
Cia Energética do RN
0,116

Batalha pela extinção da Funasa é termômetro da relação do Centrão com governo Lula

Por Malu Gaspar e Johanns Eller — Brasília e Rio / O GLOBO

 

Das várias batalhas que esperam o governo Lula no Congresso nesta semana, uma em especial deve funcionar como um termômetro da boa vontade do Centrão em relação aos planos do governo: o futuro da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), que Lula quer extinguir e o bloco quer manter.

 

O fim da Funasa é o objeto de uma das seis MPs editadas no início do governo Lula e que precisam ser chanceladas pelo congresso até o dia 1º para não perder a validade.

 

Se isso não acontecer, a fundação voltará a existir – ao menos no papel –, apesar do Planalto ainda rejeitar essa possibilidade.

 

A pressão do Centrão se intensificou nesta terça-feira (23), quando o relator da medida provisória que trata da reorganização da Esplanada dos Ministérios, Isnaldo Bulhões (MDB-AL), propôs incluir a extinção da Funasa nesse mesmo texto – seu partido controla o Ministério das Cidades, que absorveu parte das atribuições do órgão.

 

Mas a proposta enfrentou forte reação de deputados como Danilo Forte (União-CE), que presidiu a fundação no segundo mandato de Lula, e a deliberação foi adiada para os próximos dias – o que deixa o governo cada vez mais próximo do prazo limite.

 

A ofensiva para ressuscitar a Funasa tem sido capitaneada principalmente pelo PSD, que já comanda três ministérios e quer assumir seu controle.

 

Já no final do ano passado, durante as negociações para a PEC da Transição, o partido incluiu uma emenda aumentando o orçamento da fundação para 2023.

 

Depois da posse, Lula editou a MP extinguindo o órgão, mas depois houve um acordo com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para deixar a MP caducar e a fundação voltar a existir.

 

Os líderes do Centrão confiam tanto nesse acordo que já até definiram quem vai presidir a Funasa depois que ela for recriada: Virgínia Velloso Borges — mãe da senadora paraibana Daniella Ribeiro, do PSD de Pacheco.

 

Ex-prefeita de Pilar (PB), Virgínia já comandou a superintendência da Funasa no estado nordestino nos governos Temer e Bolsonaro. Ela tem outro filho no Congresso, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, do PP.

 

No Palácio do Planalto, porém, os esforços vão em outra direção: deixar que a MP da Funasa caia, mas incluir uma emenda prevendo sua extinção em outra MP que define a reorganização da Esplanada dos Ministérios sob Lula.

 

A decisão de acabar com a Funasa foi uma recomendação do grupo de trabalho de saúde do gabinete de transição, com base em relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) que apontaram irregularidades como fraudes em contratos.

 

Até ser extinta, a Funasa tinha mais de 2 mil funcionários e uma verba de R$ 2,9 bilhões prevista para 2023. Além do PSD, que mandava na Funasa até o ano passado, seu comando também já esteve nas mãos do MDB, do PP, que apoiam a recriação.

 

Depois, os funcionários de carreira foram realocados nos ministérios das Cidades e da Saúde e a sede foi cedida à Secretaria Nacional de Saneamento, subordinada à pasta das Cidades.

 

Em março, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, chegou a declarar que “não havia hipótese” de recriação da Funasa. Hoje, na definição de alguns governistas, a Funasa é pouco mais do que um "CNPJ vazio".

 

Isso, porém, não parece preocupar os parlamentares. “O desmonte não intimida nenhum senador ou deputado. Se estão desmontando, a decisão final será do Parlamento e, dependendo do nosso texto final, vão ter que remontar a Funasa talvez até mais estruturada do que estava”, disse Daniela Ribeiro em uma audiência pública no final de março.

Diante de tantas questões importantes tramitando no Congresso ao mesmo tempo, o governo vai ter que escolher quais disputas quer travar e em quais assuntos vai ceder. O empenho do Centrão em manter a Funasa pode ser um sinal de que essa batalha já começa perdida.

Nem só punitivismo, nem só garantismo

Por Notas & Informações / O ESTADÃO

 

O governo articula um censo para uniformizar os dados sobre a situação carcerária no Brasil. O chamado Projeto Mandela é urgente. Além da escassez de dados para se traçar perfis socioeconômicos da população carcerária, há discrepâncias até nos números absolutos. As diferenças entre as estatísticas do Ministério da Justiça e do Conselho Nacional de Justiça, por exemplo, se contam na casa das dezenas de milhares. Mas um diagnóstico preciso é só o primeiro passo.

 

Diz-se que o Brasil “prende muito e prende mal”. A segunda afirmação é consensual. Mas, até por isso, a primeira é relativa.

 

Por um lado, o Brasil prende pouco. Mais de 60% dos homicídios ficam sem esclarecimento. Há centenas de milhares de mandados de prisão não cumpridos. Além disso, contrariando o poder constituinte (que exigiu tratamento diferenciado dos presos conforme seu grau de periculosidade) e usurpando o Legislativo, o Supremo Tribunal Federal eliminou, em 2006, o regime integral fechado para condenados por crimes hediondos e assemelhados. A partir daí se acumularam os casos escandalosos de abrandamento de pena e saídas temporárias de condenados por crimes brutais.

 

Ao mesmo tempo, o Brasil prende muito. O País tem a terceira maior população carcerária do mundo, só atrás de China e EUA. Mas, se nesses países a taxa está estável ou declinante, no Brasil ela cresce aceleradamente. Entre 2000 e 2014, por exemplo, a população carcerária cresceu em média 7% ao ano, ante 1,1% do conjunto da população.

 

Certo é que o Brasil prende mal. Cerca de 40% dos presos são provisórios. Estes encarcerados e outros condenados por crimes não hediondos ou violentos são obrigados a conviver com uma minoria de presos de alta periculosidade e líderes de facções criminosas (cerca de 13%), a quem têm de prestar vassalagem. Resultado: na esmagadora maioria das vezes o sujeito entra ruim e sai pior. A taxa de reincidência chega a 70%, enquanto a média na Europa e nos EUA é 16%.

 

O trabalho das facções de transformar os presídios em usinas de criminosos é facilitado pelas condições sub-humanas do cárcere. A superlotação chegou a beirar 2 presos para 1 vaga e em muitos Estados ela ultrapassa essa proporção. Só 15% dos presos estudam e 18% trabalham.

 

Uma infraestrutura maior e mais eficiente é necessária tanto para oferecer condições dignas quanto para aumentar o isolamento dos presos, que têm fácil acesso a celulares, drogas e armas. Os recursos muitas vezes não são utilizados por falta de qualidade técnica das gestões subnacionais. A superlotação e a exposição ao crime organizado também devem ser enfrentadas se revendo o sistema de penas para criminosos de menor periculosidade, que podem responder com penas alternativas, e também se investindo no isolamento dos presos de alta periculosidade.

 

Um bom sistema carcerário deveria proteger a sociedade isolando os criminosos, dissuadir potenciais delinquentes e ressocializar os condenados. Se as disfunções do sistema não forem sanadas, ele seguirá produzindo o exato oposto dessas metas. Mas, para tanto, será preciso sanar disfunções culturais na compreensão do direito penal.

 

À direita, muitos escandalizados justamente com a criminalidade querem indiscriminadamente menos leniência, em favor de mais punição. À esquerda, muitos escandalizados justamente com as desigualdades sociais querem indiscriminadamente menos punição, em favor de medidas preventivas. Ambos estão em parte certos – mas em parte errados. Como se vê, no Brasil convivem o excesso e a falta de repressão. O problema é que, aferrados aos seus dogmas “punitivistas” e “garantistas”, ambos os lados negligenciam evidências para discriminar os excessos e faltas das políticas carcerárias, com resultados contraproducentes para ambos. Os excessos de repressão colaboram para transformar os presídios em escolas do crime que subsidiam a violência que horroriza a direita. Mas os excessos de impunidade também colaboram para facilitar as operações do crime organizado e dos criminosos comuns que ameaçam principalmente a população mais pobre que a esquerda jura defender.

Sob pressão, governo impõe travas para liberar verba herdada do orçamento secreto

Por Dimitrius Dantas e Camila Turtelli — Brasília / O GLOBO

 

Cobrado pela base a liberar recursos do extinto orçamento secreto que foram incorporados aos caixas de ministérios, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva impôs uma série de critérios para que o dinheiro seja destinado aos redutos eleitorais de parlamentares. Portarias publicadas pelas pastas nas últimas duas semanas preveem regras que incluem privilegiar o desembolso a cidades com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), além de projetos específicos.

 

Nos bastidores, congressistas do Centrão reclamam que as travas vêm dificultando o acesso aos recursos, enquanto o governo argumenta que as regras mais rígidas servem para um melhor direcionamento das verbas públicas — contraponto ao descontrole que marcou a utilização das chamadas emendas de relator nos últimos anos.

 

A falta de critérios técnicos para a distribuição do orçamento secreto, instrumento que permitia aos parlamentares destinarem verbas da União sem transparência e isonomia, foi um dos argumentos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para acabar com a ferramenta, em dezembro do ano passado. O mecanismo era usado pelo governo para contemplar cidades escolhidas por aliados sem que eles fossem identificados. Em troca, o apoio aos interesses do Planalto no Congresso.

 

O atual governo, entretanto, continua usando as verbas do antigo orçamento secreto como instrumento de barganha política para angariar apoio no Legislativo. Os R$ 9,8 bilhões inicialmente previstos para as emendas de relator foram transferidos para os caixas de sete ministérios. Em um acordo fechado no fim do ano passado, durante as discussões da PEC da Transição, a equipe de Lula concordou em enviar esses recursos para prefeituras indicadas pelos deputados e senadores.

 

“Liberou sem liberar”

 

O pontapé inicial para que os valores sejam pagos, contudo, só foi dado no início deste mês, após os parlamentares darem sinais de insatisfação com a demora para liberar os recursos. Um dia após o governo sofrer sua principal derrota na Câmara, em 3 de maio, com a derrubada de parte de um decreto de Lula sobre saneamento, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, pediu aos ministérios que publicassem as portarias estabelecendo como iriam distribuir as verbas.

 

O Ministério das Cidades, por exemplo, definiu que pelo menos 60% dos R$ 2,4 bilhões que herdou devem ser destinados a municípios com IDH inferior ao do Brasil (0,754). Uma das críticas de especialistas em relação ao mecanismo era exatamente que, ao delegar a deputados e senadores a decisão de como e onde o dinheiro público deveria ser empregado, o governo ignorava a necessidade das populações para privilegiar interesses políticos de aliados.

 

Levantamento do GLOBO publicado no ano passado evidenciou a distorção ao revelar que metade dos R$ 20 bilhões do orçamento secreto foi destinada a apenas 7,7% das cidades do país. Entre 2020 e 2021, por exemplo, Petrolina (PE) recebeu R$ 166,4 milhões das emendas de relator, enquanto municípios mais pobres, como Solidão, no mesmo estado, não receberam um centavo.

 

Parlamentares de partidos do Centrão reclamam nos bastidores do excesso de regras e afirmam que prefeituras estão enfrentando dificuldades para cadastrar projetos e, assim, receber recursos. Um integrante do grupo afirma que, na prática, o governo “liberou sem liberar” as emendas do antigo orçamento secreto.

 

O vice-líder do governo na Câmara, Emanuel Pinheiro Neto (MDB-MT), afirma que esses critérios são importantes para garantir a boa aplicação dos recursos.

 

—É para evitar desvio de finalidade e os desmandos do orçamento secreto. Ou seja, o orçamento público, como tem de ser, vai ter regras—disse Pinheiro Neto ao GLOBO.

 

Em nota, a Secretaria de Relações Institucionais defendeu a distribuição dos recursos com base em regras preestabelecidas.

 

“Cabe destacar que o governo vê como democrático e desejável que os parlamentares apoiem as prefeituras na apresentação de propostas e o governo federal na identificação das demandas da população brasileira por todo o país”, afirmou a pasta responsável pela articulação política.

 

No caso do Ministério do Esporte, que tem direito a R$ 211 milhões para distribuir, além de pistas de skate, a portaria publicada pela pasta prevê prioridade a localidades com “vulnerabilidade social” (baixo IDH), alto índice de violência e locais próximos a escolas públicas.

 

“Live” da saúde

 

Já na Saúde, os R$ 3 bilhões que ficaram com a pasta devem ser divididos quase que igualmente entre as áreas de atenção primária e especializada. No primeiro caso, a prioridade será projetos de estruturação da infraestrutura odontológica, que inclui compra de equipamentos, cadeiras e unidades móveis, assim como computadores e transporte eletivo.

 

Na atenção especializada, há a previsão de construção, reforma e ampliação de unidades, além de renovação da frota do Samu. Em outras palavras, são recursos que não serão destinados apenas à manutenção de unidades, mas que podem ser usados para a construção de novos equipamentos.

 

O anúncio do ministério de que as verbas estavam disponíveis gerou movimentação de gestores municipais e estaduais. O Fundo Nacional de Saúde precisou fazer duas transmissões ao vivo na semana passada para tirar dúvidas de como as propostas deveriam ser cadastradas.

 

 

Ministros levam rixas locais a Brasília e impõem novos obstáculos à articulação

Por Jeniffer Gularte e Sérgio Roxo — Brasília / O GLOBO

 

Além da demora nas liberações de emendas e nomeações, a construção de uma base sólida para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido prejudicada por disputas regionais. Rixas entre integrantes do primeiro escalão do Planalto e líderes do Congresso, oriundas de estados, transformaram-se em mais um obstáculo para a articulação política.

 

O caso mais complexo opõe o líder do União Brasil na Câmara, Elmar Nascimento (BA), e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Como consequência, o deputado adota uma posição dúbia em relação ao governo, ora agindo como aliado, ora como adversário. No embate mais recente, o parlamentar disse que o rival era responsável por represar o pagamento de emendas, atrapalhando a relação com o Congresso — o titular da pasta reagiu e disse que não interfere no fluxo de repasses.

 

Embora tenha feito campanha a favor do ex-presidente Jair Bolsonaro e se referido a Lula como “ladrão, corrupto e chefe de quadrilha”, o parlamentar chegou a ser cotado para assumir o Ministério de Integração Nacional no fim do ano passado, por comandar a terceira maior bancada da Câmara, com 59 deputados. Mas a pressão do PT da Bahia fez com que Lula recuasse.

 

Ainda assim, Nascimento manteve sua influência: seus indicados permaneceram na presidência da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e de duas superintendências da estatal na Bahia.

 

Na avaliação de um petista próximo ao presidente, a rixa regional prejudica o governo. Para esse aliado, o deputado é uma liderança importante na Câmara e, se tivesse sido escolhido ministro, poderia ajudar Lula a ter uma base mais sólida. O entendimento é que a conjuntura nacional deveria estar acima da disputa local.

 

Estratégia em análise

 

Aliados de Costa, no entanto, se dividem sobre a possibilidade de o ministro tentar uma aproximação com Nascimento. Uma ala já aconselhou o titular da Casa Civil a buscar uma composição, com argumento de que é melhor tê-lo por perto e que o líder do União fará tudo o que puder para desgastar a relação do ministro com o Congresso. Outro grupo, no entanto, avalia que Costa deve centrar esforços na relação com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

 

A rivalidade entre os dois políticos baianos tem origem na disputa pela prefeitura de Campo Formoso (BA), cidade de 72 mil habitantes que é reduto eleitoral da família de Nascimento e do deputado Adolfo Menezes (PSD), presidente da Assembleia Legislativa da Bahia — o parlamentar é um dos aliados mais próximos de Costa no estado e já foi recebido pelo amigo no Planalto.

 

Nascimento e Menezes disputam o comando do município e têm influência no centro-norte baiano. Ambos são oriundos da mesma família na cidade, chegaram a pertencer ao mesmo grupo político, mas romperam em 2012, quando Menezes venceu a eleição (ele acabou renunciando ao cargo pressionado por um impasse judicial). Meses depois, quem assumiu foi o irmão de Elmar, Elmo Nascimento, então presidente da Câmara Municipal. Ele tornou-se aliado de ACM Neto enquanto o PSD, de Menezes, virou uma das legendas mais fiéis ao PT da Bahia, sigla que comanda o estado há 16 anos. No governo de Jair Bolsonaro, Nascimento ganhou influência e levou R$ 29,9 milhões em recursos do orçamento secreto ao município.

 

Ofensas na campanha

 

Outro embate regional que atinge o governo vem de Alagoas. Os grupos do ministro dos Transportes, Renan Filho, e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), cultivam longa rivalidade. O senador Renan Calheiros (MDB), pai do ministro, é processado pelo deputado por causa de uma postagem nas redes sociais em que o chama de “ladrão”.

 

O governo depende de Lira para dar andamento aos projetos de seu interesse na Câmara. Para não se tornar alvo de aliados do presidente da Casa, Renan desistiu de integrar a CPI mista que vai investigar os ataques golpistas. O Planalto contava com o senador alagoano na comissão, por causa de sua experiência, para enfrentar os bolsonaristas.

 

Antes de se tornarem rivais, Lira e os Calheiros foram próximos. Na eleição de 2010, Renan e Benedito de Lira, pai do presidente da Câmara, apesar de estarem em chapas diferentes, fizeram uma aliança informal e conseguiram ser eleitos senadores.

 

A rixa nasceu na eleição seguinte, quando Renan Filho e Benedito de Lira se enfrentaram pelo governo e trocaram ataques duros — o atual ministro venceu. Em 2018, Benedito disputou o Senado com Renan Calheiros e perdeu.

 

Nas eleições do ano passado, com Lira no comando da Câmara dos Deputados, os dois clãs se enfrentaram de forma indireta, mas com trocas pesadas de acusações. Paulo Dantas (MDB), candidato dos Calheiros, venceu o governo contra Rodrigo Cunha (União Brasil), nome de Lira.

 

Outro embate local ocorre no Maranhão, em que o senador Weverton Rocha (PDT-MA) rompeu com o ministro da Justiça, Flávio Dino. Os grupos disputaram cargos federais no estado, e Weverton foi contemplado com o mais cobiçado deles, a superintendência regional da Codevasf.

 

Já no Ceará, a disputa é entre o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT), e o deputado Eunício Oliveira (MDB), aliado histórico de Lula. Eunício tem criticado a articulação governista.

Ministra da Saúde anuncia R$ 330 milhões para atendimentos e redução das filas cirúrgicas no CE

 

Gabriela Custódio e Lucas Falconery / DIARIONORDESTE
 
A ministra da Saúde, Nísia Trindade, anunciou, em visita a Fortaleza, o investimento de R$ 333,5 milhões destinados aos mutirões de cirurgias eletivas e oncológicas, além do fortalecimento da assistência no Hospital do Vale do Jaguaribe e das 22 policlínicas no Estado, nesta quinta-feira (18). As demandas do Estado, conforme Nísia, estavam represadas há 4 anos.
 
Nísia visitou com o governador Elmano de Freitas e a secretária da Saúde do Ceará, Tânia Mara Coelho, o Hospital Regional do Vale do Jaguaribe (HRVJ) e a Policlínica Judite Chaves Saraiva, em Limoeiro do Norte. Na capital cearense, a ministra assinou 3 portarias para a rede de saúde no Estado.
 
Os recursos serão usados para ampliar a assistência em 4 policlínicas e 9 hospitais em Fortaleza, para cirurgias relacionadas ao câncer também na Capital e oferta de mais serviços na rede de policlínicas e no Hospital do Vale de Jaguaribe – unidade que deve evitar com que pacientes do interior sejam transferidos para a Capital.
 

PORTARIAS ASSINADAS

  • 1ª: R$ 52,9 milhões a ser incorporado ao limite financeiro da média e alta complexidade do Ceará e de Fortaleza (como cirurgias);
  • 2ª: R$ 154 milhões de recursos para o Hospital do Vale Jaguaribe e 22 policlínicas regionais de saúde;
  • 3ª: R$ 126,6 milhões para assistência de oncologia (cirurgias, quimioterapias, entre outros procedimentos.
  • "Nós teremos um hospital de emergência, porta aberta de traumatologia, para o povo da região. Isso é importante também para Fortaleza", destaca o governador.
  • As portarias, de acordo com a ministra, são resultado do diálogo e trabalho técnico feito com os estados e a secretaria de atenção especializada do Ministério da Saúde.
  • As portarias, de acordo com a ministra, são resultado do diálogo e trabalho técnico feito com os estados e a secretaria de atenção especializada do Ministério da Saúde.
  • Durante a visita, Nísia analisou a rede de saúde do Ceará como modelo para outros estados. Goiás, por exemplo, construiu policlínicas baseadas na experiência cearense, conforme a ministra contou sobre o diálogo com o governador goiano, Ronaldo Caiado.
  • "O caráter precursor do Ceará na regionalização (da saúde), nas policlínicas. O modelo criado aqui é referência nacional, não só do Nordeste", destaca Nísia.

    REDE DE SAÚDE CEARENSE

    Em entrevista ao Diário do Nordeste, em janeiro deste ano, Tânia Mara Coelho contou que o Hospital do Vale do Jaguaribe deve ter prioridade no processo de interiorização da alta complexidade. 

    “O primeiro serviço que queremos abrir dentro do HRVJ é o de oncologia. Vamos contemplar um grande vazio assistencial. Além disso, o serviço de traumato-ortopedia: aquela região tem uma grande necessidade de atendimento a traumas”, apontou à época.

  • "O caráter precursor do Ceará na regionalização (da saúde), nas policlínicas. O modelo criado aqui é referência nacional, não só do Nordeste", destaca Nísia.

    REDE DE SAÚDE CEARENSE

    Em entrevista ao Diário do Nordeste, em janeiro deste ano, Tânia Mara Coelho contou que o Hospital do Vale do Jaguaribe deve ter prioridade no processo de interiorização da alta complexidade. 

    “O primeiro serviço que queremos abrir dentro do HRVJ é o de oncologia. Vamos contemplar um grande vazio assistencial. Além disso, o serviço de traumato-ortopedia: aquela região tem uma grande necessidade de atendimento a traumas”, apontou à época.

     

CONGRESSO x LULA : NUNCA ANTES UM PRESIDENTE ENFRENTOU TANTAS CPIS EM TÃO POUCO TEMPO DE M,ANDATO

Por Vera Rosa / O ESTADÃO DE SP

 

Nunca antes na história deste País um presidente enfrentou tantas Comissões Parlamentares de Inquérito com apenas quatro meses e meio de mandato. Mas Luiz Inácio Lula da Silva, autor da conhecida frase, não conseguiu segurar a oposição. Com uma base aliada que mais parece uma geleia, precisando de “agrado” a cada votação, Lula deu o comando para a articulação política do Planalto atrair os insatisfeitos e “resolver” a questão das CPIs, mas pode ter sido muito tarde.

 

Até agora, três delas já saíram do papel: uma para investigar quem financia o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), outra para escarafunchar resultados fraudados de apostas esportivas e mais uma para esmiuçar a crise nas Lojas Americanas.

 

A expectativa é que, na próxima semana, também seja aberta a tão falada CPI mista dos atos golpistas de 8 de janeiro, composta por deputados e senadores. Mas tanto o governo como a oposição parecem fazer corpo mole para que essa CPI avance no jogo.

 

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro ficaram na defensiva após o arsenal de denúncias que o atingiu – da fraude no cartão de vacinas ao escândalo das jóias. Na outra ponta, o Planalto quer todo foco na votação do arcabouço fiscal, que teve o regime de urgência aprovado na noite desta quarta-feira, 17. Mesmo assim, os dois lados dizem estar prontos para a guerra.

 

“Essa CPMI vai colocar uma pá de cal na teoria terraplanista de que a vítima é responsável pelos atos terroristas”, afirmou o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha. “Em nenhum momento nós recuamos da CPMI. Quem permitiu o vandalismo, de forma premeditada ou por incompetência, precisa ser punido”, insistiu o senador Rogério Marinho (PL-RN), ex-ministro do Desenvolvimento Regional na gestão Bolsonaro.

 

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), também leu, há duas semanas, um requerimento para criar a CPI das ONGs, com o objetivo de investigar a liberação de recursos públicos para organizações não-governamentais.

Leia mais...

Governo Lula avança pouco ante Bolsonaro na participação civil no Meio Ambiente

Por João Paulo Saconi / O GLOBO

 

Marina Silva presidiu na quarta a retomada dos trabalhos do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e a posse de novos conselheiros — o governo Lula ampliou de 36 para 114 as cadeiras do colegiado, na comparação com Jair Bolsonaro. Beleza. Só que a composição do órgão está sob questionamento de entidades ambientalistas.

 

O motivo? O pouco avanço na ampliação da sociedade civil, almejada por essas organizações.

 

Sob Bolsonaro, o governo detinha 47% dos conselheiros do Conama e destinava cerca de 17,3% a representantes da sociedade civil . Do restante, 30,3% eram destinados às administrações estaduais e municipais e 8,6% a entidades empresariais.

 

Agora, a parcela do Executivo é de 42,1%, mas os movimentos sociais seguem com participação de apenas 19,3%. Estados e municípios têm 31% e empresas ficaram com 7%. A proporção mais favorável ao governo contraria o que foi discutido na transição e recai novamente numa “assimetria democrática”, conforme a ministra Rosa Weber, do STF, já havia alertado numa liminar proferida em 2021.

 

Para alterar a estrutura, sete entidades apresentaram ao Conama, na reunião de quarta, um requerimento para a reestruturação. Pedem que a reanálise garanta que “os direitos humanos e ambientais vigentes em nosso país sejam respeitados e as instituições se tornem imunes às ondas de autoritarismo”.

 

São signatários os institutos Guaicuy e Alana, as associações Alternativa Terrazul e de Defesa Etnoambiental, entre outros. A previsão é que um grupo assessor seja criado dentro do Conama para tratar do tema.

 

Compartilhar Conteúdo

444