Votos do PT na PEC da eleição aproximam a estratégia de Lula do ridículo.
Lula ainda sonha com uma vitória no primeiro turno. Foi o que se depreendeu das declarações do candidato petista numa roda de conversas que se seguiu ao almoço que lhe foi servido por Rodrigo Pacheco na residência oficial da presidência do Senado, nesta quarta-feira. Lula alega que o triunfo antecipado seria vital para deter as ameaças de ruptura democrática. A votação da PEC eleitoral urdida para favorecer Bolsonaro, concluída na Câmara horas depois do repasto, transformou a pregação de Lula num flerte com o ridículo.
Chama-se Frei Anastácio o único parlamentar do PT a votar contra a emenda que virou a Constituição do avesso e rasgou as leis fiscais e eleitorais para autorizar Bolsonaro a injetar R$ 41 bilhões no bolso de eleitores pobres. A distribuição de dinheiro na antessala da eleição não fez de Bolsonaro um favorito. Mas pode representar o empurrão que faltava para colocar o antagonista de Lula num segundo turno sangrento.
Ouvido pela coluna Painel, da Folha, o deputado petista Frei Anastácio disse quase tudo: "Eu não seria hipócrita de criticar e votar a favor." Faltou apenas acrescentar que a hipocrisia esteve presente também nas abstenções. No Senado, nenhum petista ou aliado de Lula votou contra. Na Câmara, sete dos 56 deputados do PT preferiram se esconder atrás da abstenção. A bancada do esconde-esconde incluiu Gleisi Hoffmann, presidente do partido e coordenadora da campanha de Lula..
Lula disse na conversa com Pacheco que espera obter novos apoios ainda no primeiro turno. Ambiciona, por exemplo, a adesão do PSD, partido de Pacheco. Dono da legenda, Gilberto Kassab acaba de fechar uma aliança com Tarcísio de Freitas, candidato de Bolsonaro ao governo de São Paulo. Mas admite em privado, sem fixar datas, que deve fechar com Lula no plano nacional.
Kassab mantém as portas do PSD sempre abertas, como numa igreja. Nos templos convencionais, ensina-se que Deus tem o poder da ubiquidade. O Todo-Poderoso está em toda parte. Lula convive bem com a ideia de que, no templo do PSD, Kassab exibe o dom da ambiguidade. O resultado é o mesmo. Ele também está em toda parte.
Candidato à recondução ao comando do Senado, Pacheco foi tratado durante o almoço como uma espécie de herói da resistência contra os ímpetos antidemocráticos de Bolsonaro. Na semana passada, o mesmo Pacheco acelerou a aprovação da PEC eleitoral e articulou o sepultamento da CPI do MEC. Nesta semana, tornou-se protagonista de uma queixa-crime no Supremo. Nela, o colega Alessandro Vieira pede a apuração da suspeita de que Pacheco chegou à chefia do Senado impulsionado pela distribuição de verbas do orçamento secreto.
Lula assegura que, eleito, acabará com o rateio sigiloso de verbas federais em troca de apoio no Legislativo. Falta incluir nas mesas de almoço um programa qualquer que aponte para a correção de rumos. Esse programa pode ser mínimo, pode ter o tamanho de um biquini. Mas ele não fará sentido se não incluir coisas como a reestatização do Orçamento da União..
Lula ataca cachês da 'CPI do Sertanejo' milionária ao defender gasto com cultura
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, defendeu o incentivo do Estado à cultura e comentou a chamada "CPI do Sertanejo", isto é, a série de cancelamentos de shows de artistas pagos com cachês milionários por prefeituras de cidades de poucos milhares de habitantes.
"Prefeitos gastam uma fortuna com artistas que cobram R$ 1 milhão e não são capazes de gastar R$ 30 com um grupo de teatro local, de música local. Não são capazes, porque é uma sociedade formada por uma elite dirigente incompreensível. E tem razão de ser assim, porque a elite brasileira nunca quis que o povo tivesse acesso à cultura", afirmou o pré-candidato em evento com representantes do setor artístico nesta quarta-feira.
A chamada "CPI do Sertanejo", que não se converteu de fato em uma comissão parlamentar de inquérito, foi o nome dado ao movimento que critica o pagamento de cachês altos para artistas renomados. Ela teve início quando o cantor Zé Neto questionou a cantora Anitta, dizendo que ele não dependia de pagamentos da Lei Rouanet.
Ele foi endossado por outros cantores sertanejos, como Gusttavo Lima. Como resposta, uma série de usuários nas redes sociais começaram a levar ao escrutínio público os milhões de reais pagos por prefeituras Brasil afora pelas apresentações de cantores sertanejos.
O encontro de Lula com a classe artística acontece, inclusive, na semana em que a cantora Anitta declarou voto no petista, numa das principais movimentações de artistas a favor do ex-presidente.
O ex-presidente brincou que, agora que a Anitta o apoia, ele "vai ter que aprender uns passinhos" em postagem no Twitter após o evento. No encontro de Brasília, ele dançou no palco ao mencionar que a cantora saiu a seu favor.
Essa foi a primeira vez que a cantora declarou apoio a um candidato numa eleição —mas outros posicionamentos políticos da artista, assim como a movimentação nas redes sociais depois da publicação, sugerem que ela pode ter forte impacto sobre o jogo político.
"Com ajuda da Janja [sua mulher], que tem sido muito porreta nessa questão cultural, junto com o secretário de cultura do PT, eu resolvi que em cada estado que eu vou, eu me reúno com artista, não precisa ser famoso, não. Pode não estar nem em novela, pode estar no teatro popular. O que eu quero é que o artista venha e fale", afirmou ainda o ex-presidente.
Outros nomes, como Marisa Monte, Pabllo Vittar, Daniela Mercury, Gilberto Gil, Camila Pitanga e Ludmilla também já declararam votos em Lula e mobilizam essa rede de influência deles. Só esse grupo, por exemplo, soma quase 19 milhões de seguidores no Twitter —ainda que muitos deles possam ser os mesmos usuários.
Lula, que disse que a cultura é "vital" em sua gestão, relembrou também sua relação com Gilberto Gil, quando o artista foi ministro da Cultura em sua gestão. "Quando fui eleito presidente eu não tinha relação de amizade com Gil", disse.
"Eu apenas queria um cara que fosse importante na cultura, que tivesse credibilidade, uma pessoa que eu gostasse e uma pessoa que fosse negra, e o Gil representava tudo isso. O Gil era do PV, o partido nem tinha me apoiado nessa campanha. Mas eu não estava mais procurando voto, eu estava procurando quem me ajudasse a governar este país."
Lula se reuniu com um grupo de artistas, produtores culturais e parlamentares no último evento do pré-candidato na capital federal.
Artistas ligados a uma série de gêneros musicais, como samba, rap e rock, além de representantes de outras classes de trabalhadores da área ressaltaram a importância de a próxima gestão apoiar o fomento à cultura após uma série de desmontes na gestão de Jair Bolsonaro, que acabou com o Ministério da Cultura.
O PT articula chapa própria como alternativa caso reeleição de Izolda Cela seja preterida pelo PDT
Escrito por Igor Cavalcante, Alessandra Castro / DIARIONORDESTE
Enquanto a cúpula do PDT Ceará não decide quem irá liderar a chapa governista no pleito deste ano para o Governo do Ceará, integrantes do PT já articulam alternativas caso a reeleição da atual governadora Izolda Cela (PDT) seja preterida pelos pedetistas. Parlamentares do PT cogitam lançar chapa própria e até já encomendaram uma pesquisa de intenções de votos para avaliar os possíveis candidatos.
Há meses, integrantes do PT passaram a defender o nome de Izolda Cela como candidata governista. Eles ameaçam romper a aliança de mais de 15 anos se o escolhido pelo PDT for o do pré-candidato e ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT). Izolda e Roberto têm polarizado a disputa no grupo. Além deles, também são pré-candidatos o deputado federal Mauro Filho e o presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Evandro Leitão.
Um dos nomes que ganhou força nas últimas semanas, caso o PT lance chapa própria, é o do deputado estadual Elmano de Freitas (PT). Além dele, também são cotados, nos bastidores, o deputado estadual Fernando Santana e os deputados federais José Guimarães, Luizianne Lins e José Airton Cirilo.
PLANO B
Em entrevista ao Diário do Nordeste, Elmano disse que a prioridade da sigla, atualmente, é que Izolda seja a escolhida pelo PDT. Ele confirmou que Guimarães reforçou, na última terça-feira (12), em reunião com o ex-presidente Lula (PT), que está com o nome à disposição para comandar uma chapa própria do PT no Ceará.
“O nome dele já está colocado, temos outros nomes, então foi definido fazer uma pesquisa, temos que esperar, (o nome) vai ser discutido com o presidente Lula e Camilo. Guimarães está reafirmando que continua com o nome a disposição, acho bom… Mas acho que vai ser uma discussão, tem que esperar a pesquisa, conversar com o Camilo, ouvir os partidos, é importante a opinião do PT, mas também dos aliados”ELMANO DE FREITAS (PT)Deputado estadual
Na manhã desta quarta-feira (13), a bancada federal do PT participou de encontro com o ex-presidente Lula (PT), em Brasília. O deputado federal José Airton, que participou do evento e já manifestou interesse em ser candidato ao Governo, disse ter cobrado de Lula um maior empenho na definição de uma eventual candidatura própria dos petistas no Ceará.
“Eu cobrei dele um envolvimento da nacional para resolver esse impasse, falei que é um absurdo o PT ficar esperando posição do PDT. Ele (Lula) disse que vai conversar com Guimarães e Camilo, falou que vai marcar. Eu reforcei que não podemos ficar nessa posição subalterna, humilhante”JOSÉ AIRTON (PT)Deputado federal
PT-MDB
Ainda de acordo com o parlamentar, na próxima segunda-feira (18), horas antes da reunião do PDT que deve escolher o candidato para liderar a chapa governista, haverá uma reunião entre Lula e o ex-senador Eunício Oliveira (MDB). O emedebista tem adotado postura semelhante à do PT Ceará em defesa da candidatura de Izolda e de veto ao ex-prefeito Roberto Cláudio.
O ex-senador também já colocou o próprio nome à disposição para liberar uma chapa. Outra possibilidade levantada por petistas é de que Eunício integre uma chapa petista como candidato a vice-governador.
Reunião de Ciro Gomes com deputados teve murro na mesa, choro e pedidos para que Cid volte ao debate
Escrito por Inácio Aguiar / DIARIONORDESTE
A reunião entre os deputados estaduais e federais do PDT com Ciro Gomes e o presidente estadual André Figueiredo na última segunda-feira não poderia ter sido calma. O partido vive uma crise interna fruto das divergências entre correligionários sobre a definição do candidato ao governo do Estado.
O clima tenso resultou em um debate acalorado com murro na mesa e tudo mais. É bem verdade que foi acalmando, mas as pressões resultaram até em choro de um dos parlamentares.
No fim das contas, acabou sendo uma sessão desabafo em que os comandantes fizeram críticas aos liderados e ouviram as ponderações. Um dos assuntos mais criticados por Ciro foi uma reunião ocorrida na semana passada entre os deputados estaduais do partido e o ex-governador Camilo Santana. Houve críticas de Ciro à postura do ex-governador e ao presidente da Assembleia, deputado Evandro Leitão, que estava presente à reunião.
Como era de se esperar, a maioria externou apoio à governadora Izolda Cela, mas foi também consensual que houve erros de percurso dos dois lados, de apoiadores dela e do ex-prefeito Roberto Cláudio.
Todos os parlamentares puderam se manifestar e fizeram suas ponderações. Uma coisa foi unânime: o pedido para que o comando trouxesse Cid Gomes de volta às negociações.
Distante das articulações diretas no Estado para focar na candidatura nacional, Ciro ouviu de parlamentares que Cid era a liderança para resolver qualquer impasse entre os aliados.
Pelo menos ao que parece, os ânimos só vão acalmar quando o candidato for escolhido. E, com certeza, algumas feridas ficarão abertas.

