Flávio Bolsonaro diz ter sido intimado a entregar passaportes à PF após ordem de Moraes
Escrito por Mirla Nobre / DIARIONORDESTE
O senador Flávio Bolsonaro afirmou ter sido intimado pela Polícia Federal (PF), nesta segunda-feira (26), a entregar seus passaportes. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar disse que a ordem teria partido do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na publicação, o candidato do PL derrotado nas eleições presidenciais relatou ter sido abordado por agentes da Polícia Federal após sair do condomínio onde mora, em Brasília, para visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
De acordo com o senador, os agentes estavam em frente à residência do pai dele e, em seguida, teria o abordado na rua. "A Polícia Federal do Lula tava na porta da casa dele e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também tô proibido de deixar o país', afirmou.
Ainda segundo Flávio, a intimação teria sido ordenada por Moraes após uma fala do irmão dele, Eduardo Bolsonaro, no último dia 23 de outubro. No conteúdo, também compartilhado em vídeo nas redes sociais, o irmão dele afirmou que ele deveria deixar o país caso perdesse a eleição. A decisão, ainda segundo o parlamentar, teria ocorrido após o resultado do 2º turno das eleições.
Investigação por lavagem de dinheiro
De acordo com o STF, a decisão está relacionada a uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. O caso envolve um suposto esquema que teria utilizado uma empresa ligada a Tomaz e bets.
Além da entrega dos passaportes, a decisão estabeleceu outras determinações:
- Proibição de contato entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz;
- Cancelamento de todos os passaportes brasileiros de Flávio, incluindo o diplomático;
- Entrega em até 24 horas de passaportes que Flávio Bolsonaro tenha de outras nacionalidades.
Resultado das Eleições 2026
Flávio foi derrotado com 48,25% dos votos contra 51,7% dos votos válidos contabilizado para Lula (PT), que iniciará o seu quarto mandato em 1º de janeiro de 2027.
Com a reeleição, este deve ser seu último mandato à frente do cargo, uma vez que não poderá se candidatar em 2030.
Após o resultado das urnas, o candidato derrotado no segundo turno do pleito declarou que "é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como as coisas aconteceram". Ele afirmou ainda que sua campanha pedirá a anulação do sufrágio.
O candidato do PL criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que prorrogou em duas horas o horário de encerramento da votação no país. Nesta segunda-feira (26), o parlamentar afirmou que irá pedir a cassação da chapa do Lula. "A lei tem que valer para todo mundo, a competição tem que ser justa e igual, o que não aconteceu", afirma.

Flávio Bolsonaro age bem ao desistir de atacar o pleito
Agiu bem o senador Flávio Bolsonaro (PL) ao desistir de pleitear a anulação da eleição deste domingo (25). A insistência no jogo bruto prejudicaria a normalização das relações políticas no país e seria um exemplo de comportamento desviante a reverberar para o futuro.
O desafiante declarara na noite da apuração que não poderia considerar legítima a sua derrota por causa da extensão em duas horas do horário de votação, determinada monocraticamente pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, em atendimento a petição do PT.
Zanin, pela imprudência de interferir na undécima hora num ritual sagrado da democracia, e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, pela omissão diante de solicitações mais tempestivas de estender a votação, foram corresponsáveis por essa lambança.
Vale lembrar que a chapa de Flávio também pediu ao TSE a prorrogação da votação em redutos da direita, sob alegação de transtornos com o mau tempo. Ao estender a decisão para todo o país, embora sem se preocupar com operacionalidade e impacto, Zanin satisfez desejos de PT e PL.
O choro de perdedor poderia até fazer algum sentido se a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tivesse ficado por um fio. Não faz nenhum sentido quando 4,4 milhões de sufrágios, ou 3,6% dos votantes, distanciaram o vencedor do perdedor.
Antes de propagar teorias conspiratórias para deslegitimar o processo eleitoral, Flávio Bolsonaro poderia ter verificado quantas pessoas no país registraram o voto após as 17h, final do horário regulamentar, até as 19h, limite ordenado pela decisão judicial estapafúrdia. Teria constatado um resíduo inferior a 35 mil, incapaz de alterar o resultado diante do total de 124 milhões de votos.
A democracia e a paz social se beneficiam da rápida revisão da disposição do senador fluminense para a rebeldia. O passo seguinte deveria ser o reconhecimento público do resultado. Não é fácil admitir a derrota e cumprimentar o adversário, mas essa atitude civiliza a política e reforça no lado derrotado a condição para competir de novo no pleito seguinte.
A regra tácita da boa convivência também recomenda ao grupo vitorioso que não se ponha a perseguir a oposição. É descabida, a propósito, a notícia de que o ministro Alexandre de Moraes mandou recolher o passaporte de Flávio por declarações sugerindo que ele deixe o Brasil feitas pelo irmão exilado Eduardo.
As agendas da depreciação do processo eleitoral e da vingança deveriam ser abandonadas.
Virada dá a Lula lugar inédito na História do Brasil
Por Editorial / o globo
Em virada surpreendente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno por uma diferença de 3,6 pontos percentuais (51,8% a 48,2%), ou 4,4 milhões de votos, mais que o dobro da diferença sobre Jair Bolsonaro em 2022 — e governará o país pelo quarto mandato. No primeiro turno, Lula fora derrotado por 2,2 milhões de votos. Em três semanas, numa reação determinada, tida como improvável depois da onda bolsonarista que varreu o país em 4 de outubro, reverteu a vantagem de Flávio, fato inédito em quase quatro décadas de eleições presidenciais. Seu lugar na História da República estará garantido como o líder brasileiro a ficar mais tempo no poder pelo voto popular.
A queda na abstenção desempenhou papel fundamental para a vitória de Lula. Eleitores que não compareceram no primeiro turno decidiram votar no segundo, ampliando suas chances num pleito equilibrado. A abstenção ficou em 19,2%, inferior à do primeiro turno, 21,1%. No Nordeste, onde Lula historicamente obtém desempenho melhor, ela caiu de 18,4% para 16,4%. No Sudeste, de 22,7% para 20,2%.
Não foi uma vitória sem transtornos. Foi lamentável a falta de ônibus, relatada por eleitores em diversos estados. O transporte gratuito no dia do pleito é um direito do eleitor. A campanha de Lula acionou a Justiça Eleitoral pedindo extensão da votação, que se encerraria às 17h. No meio da tarde, a campanha de Flávio também solicitou prorrogação, em razão das chuvas no Sul. Mas a Justiça foi lenta. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, não tomou decisão até o fechamento das urnas. Pouco depois das 17h, com algumas já fechadas, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou a votação até as 19h. O transtorno poderia ter sido evitado se autoridades agissem com maior presteza. As suspeitas de crime eleitoral precisam ser investigadas com rigor, e os eventuais responsáveis punidos, mas não prejudicaram a apuração final, como mostram os números.
E nenhum transtorno deve servir de pretexto para questionar o resultado. A eleição acabou, e a voz das urnas precisa ser respeitada. Depois da derrota, Flávio qualificou o resultado de “inaceitável” e insinuou que não aceitaria a prorrogação do horário, solicitada pelo seu próprio partido. Ora, ele obteve desempenho notável e deve entender que derrotas fazem parte da democracia. Espera-se que reaja de forma serena e respeite a escolha dos brasileiros. Quanto a Lula, seus desafios no próximo governo serão proporcionais ao feito histórico.
O mais evidente será governar com um Parlamento hostil. O Congresso que emergiu das urnas tem perfil nitidamente conservador. Com 121 deputados e 28 senadores, o PL de Flávio será o maior partido nas duas Casas do Parlamento, com musculatura suficiente para atrapalhar qualquer iniciativa de Lula. Lideranças centristas aliadas do PT no atual mandato perderam espaço ou foram derrotadas nas urnas. Será preciso maturidade de todos para deixar de lado desavenças eleitorais improdutivas e trabalhar pelo Brasil.
É natural que, numa disputa eleitoral, o discurso por vezes agressivo deixe feridas. Mas é preciso cicatrizá-las. Lula deve ter a compreensão de que precisa trabalhar para unir o país que se dividiu nas urnas, sem soberba nem revanchismo. “Este país tem uma Constituição. Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos, com base com o que está escrito na Constituição da relação com o Congresso”, afirmou em seu primeiro discurso depois de reeleito. Foi um sinal positivo. Será preciso que, desta vez, Lula honre suas palavras, em vez de repetir o que fez em 2022, quando foi eleito por uma frente ampla, mas, uma vez no governo, desprezou seus aliados — atitude que quase lhe custou a reeleição.
Na véspera de completar 81 anos, Lula não pode manchar sua biografia extraordinária com ressentimentos. Ele já comandou greves históricas em plena ditadura militar, participou da elaboração da Constituição de 1988, disputou a primeira eleição para presidente em 1989, voltou a concorrer e perdeu em 1994 e 1998, até ser eleito em 2002 e governar por dois mandatos. Depois de condenado e preso na Operação Lava-Jato, os processos foram anulados pela suspeição do juiz — e ele voltou ao poder em 2022. Tornou-se símbolo da democracia ao derrotar Jair Bolsonaro, condenado e hoje preso por tentativa de golpe de Estado.
Mais uma vez, demonstrou força ao derrotar seu filho Flávio, contra as previsões. O revés no primeiro turno forçou mudanças na campanha petista, com ação intensa nas redes sociais, comícios e manifestações de rua. Ao mesmo tempo, os estrategistas corrigiram um dos maiores equívocos do primeiro turno, ao incentivar Lula a participar de debates.
Ao longo da campanha, o confronto entre os dois foi marcado pela discussão superficial de questões essenciais. Nada é mais preocupante que a deterioração das contas públicas, agravada pela profusão de programas populistas no ano eleitoral, ao custo de centenas de bilhões de reais. Desde já, Lula precisa passar a tratar a questão fiscal com seriedade, e não com o desdém manifestado durante a campanha. O Estado brasileiro exige um ajuste urgente e robusto, que acabe com o déficit crônico e reduza a trajetória explosiva da dívida pública, enquanto o programa de governo petista sugere outro, tímido e gradual. Lula precisa enfrentar o problema com determinação.
Também tem o dever de assumir a liderança no enfrentamento às facções criminosas, milícias e gangues que infernizam o país. Aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança e recriar o Ministério da Segurança Pública são iniciativas bem-vindas, mas não bastam. É fundamental que o governo atue de forma coordenada com os estados, de modo a somar esforços. A população brasileira não tem mais condição de conviver com tanta violência e criminalidade.
Por fim, ele não pode ignorar as denúncias que pesam sobre seu círculo mais próximo. Apurações em curso verificam se seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, cometeu tráfico de influência para favorecer empresários em contratos com o governo. Outras suspeitas pesam sobre seu ex-chefe de gabinete, acusado pela Polícia Federal (PF) de receber repasse de uma lobista próxima a Lulinha. É fundamental que, no novo mandato, a PF continue a ter a independência necessária para apurar esses casos a fundo e, se comprovados crimes, que os responsáveis sejam julgados e punidos.
Lula acaba de receber do eleitor mais uma chance, muito provavelmente sua última. Mais uma vez, elegeu-se brandindo a bandeira da democracia. Por isso precisa, acima de tudo, entender o papel essencial do jornalismo em qualquer democracia que se preze. Deve ter claro que a imprensa profissional continuará vigilante sobre tudo o que fizer no poder. Crítica quando necessário, propositiva como sempre. É nossa missão — e continuaremos a cumpri-la em seu novo mandato.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa após ser reeleito para o quarto mandato — Foto: NELSON ALMEIDA/AFP
Apesar de tudo, deu Lula
Por
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu a proeza de se reeleger para um quarto mandato, a despeito de ter feito o pior governo de sua trajetória política desde que chegou à Presidência pela primeira vez, no longínquo ano de 2002. As pesquisas mostraram, ao longo dos quatro anos deste mandato, uma consistente rejeição dos brasileiros a seu modo de governar – uma reação natural a um presidente sem projeto para o País, sem responsabilidade fiscal, sem reverência pelo dinheiro do contribuinte e sem a menor ideia de como lidar com um mundo em profunda transformação. Logo, Lula só venceu porque do outro lado do ringue estava um dos Bolsonaros, cuja rejeição provou-se ligeiramente maior que a sua própria. Resta torcer para que o petista tenha consciência disso e faça um governo muito diferente deste que está no fim.
No entanto, não temos muitos motivos para otimismo. Recorde-se que, na eleição anterior, em 2022, Lula derrotou o então presidente Jair Bolsonaro porque prometeu ser o líder de uma “frente ampla” em defesa dos valores democráticos, mas entregou o governo mais petista da história, desprezando os não petistas que, diante das circunstâncias, haviam decidido apoiá-lo e foram cruciais para sua eleição. Portanto, a “frente ampla” foi, no jargão político, um estelionato eleitoral.
Agora, nem de estelionato se pode falar, porque nesta campanha Lula jamais prometeu fazer um governo minimamente responsável. Pelo contrário, a corrida eleitoral mostrou que Lula está no zênite da demagogia, distribuindo dinheiro e fazendo promessas desvairadas para tentar seduzir um eleitorado que lhe tem sido crescentemente hostil. É difícil imaginar que em seu quarto mandato, que se presume seja o último, Lula haverá de se emendar.
Para piorar, será grande a tentação de se julgar dispensado de tarefas mundanas, como governar o Brasil, negociar com o Congresso e enfrentar o dia a dia de um país em crise. Afinal, Lula tornou-se o primeiro brasileiro eleito quatro vezes presidente da República pelo voto direto e, ao fim do novo mandato, terá governado o País por 16 anos, mais do que qualquer outro presidente, à exceção de Getúlio Vargas. O retirante que virou líder sindical, fundou um partido de massas, foi preso e voltou ao Palácio do Planalto é um dos personagens centrais da história brasileira. Com essa trajetória, Lula, que nunca foi exatamente modesto, pode achar que se tornou um totem, que deve ser adorado e sobre o qual não cabem questionamentos.
O problema é que nem todos compartilham a mitologia lulopetista. O Congresso eleito no começo de outubro, por exemplo, será francamente hostil a Lula, que deve levantar as mãos aos céus se conseguir terminar o mandato. Ademais, metade do País o rejeitou nas urnas e mesmo uma parte substancial dos eleitores que votaram nele não o fizeram por considerá-lo um bom presidente, mas porque têm ojeriza aos Bolsonaros.
Tudo isso se dará num cenário desafiador para qualquer presidente. Em agosto, segundo o Banco Central, a dívida pública bruta chegou a R$ 11,1 trilhões, ou 82,9% do PIB, o maior patamar em cinco anos. A taxa básica de juros está em 13,75% ao ano, nível proibitivo para o crescimento econômico. Quem gasta mais do que arrecada paga caro para financiar seus gastos. E Lula não terá um antecessor para culpar, como sempre faz. O perdulário é ele.
Nossa obrigação, malgrado o pessimismo, é cobrar que haja um ajuste fiscal condizente com o tamanho da crise. O próprio governo previu que, a partir de 2028, faltará dinheiro para despesas discricionárias, com risco de paralisação da máquina pública.
Ademais, Lula também governará um país em crise institucional, em grande parte pelo esfacelamento da credibilidade do Supremo Tribunal Federal (STF). O petista terá ao menos quatro vagas a preencher no STF. Espera-se que o Senado faça a sua parte e obrigue Lula a nomear juristas respeitados, em vez dos integrantes da patota petista. Assim, por linhas tortas, pode ser que o STF comece a recuperar sua imagem.
Em resumo, o próximo mandato de Lula, a despeito de seus delírios solipsistas, terá o contorno que a realidade impuser. O Brasil certamente sairá lanhado, mas sobreviverá.
Lula ganha nova chance de corrigir seu governo
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), prestes a completar 81 anos de idade, deu mais uma mostra de vigor pessoal e político ao conseguir uma inédita virada em segundo turno e reeleger-se, neste domingo (25), para seu quarto mandato presidencial com 52% dos votos válidos.
Se o feito reforça sua condição de maior líder popular brasileiro deste século, urge que a soberba não o impeça de compreender o significado de sua vitória dada como improvável até o dia anterior.
Seu governo foi mal avaliado pela sociedade, o que quase lhe custou ser batido por um político de pouca expressão, nenhuma experiência no Executivo e ligações rumorosas —Flávio Bolsonaro (PL), como se não bastasse, seria também um risco para a normalidade democrática.
Para superar o rival, Lula recorreu, como nunca o fizera em disputas anteriores, ao uso descarado da máquina pública. Empilhou benesses e promessas casuísticas, conspurcou programas e tornou ainda mais pesada a herança de déficits e dívidas que deixará para si próprio.
Ainda que tenha preservado a alto custo sua cadeira no Planalto, não pôde impedir que forças à direita ampliassem, novamente, sua participação no Legislativo e nos estados —o que será outro grande obstáculo desde já.
Tudo isso deveria ser mais do que suficiente para inspirar autocrítica e correção de rumos. Há mais, porém: é tão grave a crise orçamentária semeada pelo petista que será preciso escolher entre um ajuste duro e potencialmente impopular, renegado na campanha, e a rota de um colapso econômico. Sem conter o déficit do governo, os juros permanecerão na estratosfera e levarão a uma recessão que elevará a pobreza e o desemprego.
A nova chance que Lula recebeu do eleitorado será também, muito provavelmente, a última. Sua impressionante trajetória política será enriquecida se encerrada com atitude de estadista, que busca o interesse público antes da popularidade.
Seu terceiro governo já deveria ter sido, como se prometera, de frente política ampla. No entanto as forças ao centro receberam não mais que postos subalternos no primeiro escalão, preenchido muito mais com critérios de afinidade partidária e ideológica que de competência técnica.
Relações de confiança também foram os parâmetros principais para as indicações para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Supremo Tribunal Federal (STF), o que contribuiu para o descrédito da corte, ora em crise inaudita.
A despeito dos esforços quixotescos de Fernando Haddad na Fazenda, a política econômica foi ditada ora pelas crendices, ora pelas conveniências eleitoreiras de Lula e do PT. Está hoje desacreditada por completo.
O mandatário preferiu reeditar políticas do passado a adaptar-se a um novo contexto doméstico e global, bem mais adverso que o de suas primeiras passagens por Brasília. Que mire o futuro agora e faça um bom quarto governo.
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