Lula dá de presente para Bolsonaro os sequestradores de Abílio Diniz..
O petismo tinha tudo para estar tranquilo. À frente nas pesquisas, Lula parece ter a eleição nas mãos. Seu índice de intenção de votos e a inépcia do principal adversário estimulam a crença de que o triunfo pode chegar no primeiro turno. Paradoxalmente, proliferam petistas aflitos ao redor do favorito. Deve-se o desassossego à percepção de que o sistema operacional de Lula dá pau com frequência incomum. Voltou a ferver na viagem a Alagoas, na sexta-feira. Do nada, Lula presenteou Bolsonaro com uma memória afetiva sobre os sequestradores de Abílio Diniz.
Lula atrasou o relógio em 24 anos para escorregar numa casca de banana de 1998. Discursando para uma plateia companheira, lembrou ter procurado o então ministro da Justiça Renan Calheiros, que assistia ao discurso, e o presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, para interceder em favor dos bandidos estrangeiros. Pediu para "mandar soltar" os "dez jovens que cometeram um erro."
Nesta segunda-feira, Bolsonaro fez para os seus devotos no cercadinho do Alvorada uma pergunta que os petistas fazem para os seus botões: "Por que o Lula tocou nesse assunto, alguém tem ideia?" Ao responder, o capitão demonstrou o quanto gostou do presente recebido do rival: "Ele deu um recado para todos os narcotraficantes e bandidos do Brasil: 'Estamos juntos'." Bolsonaro fez o dever de casa. Dividiu os sequestradores por nacionalidade: "...Eram cinco chilenos, dois argentinos, dois canadenses e um brasileiro." Realçou a reincidência: "Estavam no segundo sequestro. Havia um pedido de resgate de US$ 30 milhões pelo Abílio Diniz." Ironizou o fato de Lula ter rebatizado de "equívoco" o crime de sequestro..
Na ocasião em que mereceram a atenção de Lula, os bandidos faziam greve de fome na cadeia. Deixariam de ingerir também líquidos. "Aí é morte certa", constatou Lula. Aconselhado por Renan, procurou FHC. "Eu disse: Fernando, você tem a chance de passar para história como um democrata ou como o presidente que permitiu que dez jovens que cometeram um erro morressem na cadeia, e isso não vai apagar nunca". Os sequestradores foram extraditados para seus países. Antes, por exigência de FHC, Lula teve de visitá-los no cárcere, para certificar-se de que interromperiam a greve de fome. Um casal bem-nascido ganharia a liberdade pouco depois da extradição para o Canadá.
Não há notícia de nova visita que Lula tenha feito à cadeia ou a gabinetes de Brasília para interceder em favor de brasileiros pobres encarcerados sem sentença. Quatro em cada dez presos no Brasil ainda não foram sentenciados. Anos depois, em viagem a Cuba, Lula foi questionado sobre a situação de presos políticos que faziam greve de fome num cárcere de Havana. Comparou-os a bandidos comuns das cadeias brasileiras. Não lhe ocorreu pedir que Raúl Castro abrisse as celas dos cubanos que cometeram a ousadia de se opor..
Até os petistas têm dificuldades para compreender Lula. Em condições normais, o fornecimento de material para que Bolsonaro o acuse de estar do lado da criminalidade faria do líder máximo do PT um político precário. Num instante em que Bolsonaro vincula o assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips a uma "aventura" que dá aos homicídios a aparência de um duplo suicídio, o presente de Lula ao rival parece coisa de candidato amador.
Considerando-se que Lula tinha à sua disposição também o caso de Genivaldo de Jesus Santos, o defeito pode ser mais grave do que parece. Bolsonaro defendeu dias atrás que é preciso fazer no caso de Genivaldo, assassinado num camburão de gás por três policiais rodoviários federais, uma "justiça sem exageros", pois a mídia, quando pressiona, sempre escolhe "o lado da bandidagem". Com tanta matéria-prima nova para fustigar o adversário, Lula preferiu entrar na máquina do tempo para buscar no passado munição para fornecer a Bolsonaro. Seu defeito talvez não se restrinja ao sistema eleitoral. Pode ser necessário trocar o software de Lula.
Capitão Wagner lidera em todos os cenários em pesquisa eleitoral pelo Governo do Ceará
Segundo pesquisa da Real Time Big Data, encomendada pela Record TV, Capitão Wagner (União) lidera a disputa pelo Governo do Estado do Ceará. O levantamento aponta a liderança de Wagner em quatro cenários diferentes.
Cada um dos cenários traz um possível candidado do PDT ao Abolição. Em um dos cenários, há um empate técnico entre Capitão Wagner e o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT). O deputado aparece 40% contra 35% do pedetista. Contudo, levando em consideração a margem de erro, há um empate técnico.
A pesquisa quantitativa foi realizada por telefone com 1.500 entrevistados, entre os dias 18 e 20 de junho. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança do levantamento é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número CE-02057/2022.
Liderança folgada no Senado
Na disputa pelo Senado Federal, o ex-governador Camilo Santana (PT) aparece liderando com folga. Em dois cenários diferentes, o petista supera os 65% das intenções de votos. Confira logo abaixo!
Confira como estão os cenários na disputa pelo Governo do Ceará:
Cenário 1
Capitão Wagner (União): 49%
Evandro Leitão (PDT): 11%
Adelita Monteiro (PSOL): 3%
Serley Leal (UP): 0%
Branco/Nulo: 17%
Não Sabe/Não Respondeu: 20%
Cenário 2
Capitão Wagner (União): 44%
Izolda Cela (PDT): 29%
Adelita Monteiro (PSOL): 2%
Serley Leal (UP): 0%
Branco/Nulo: 15%
Não Sabe/Não Respondeu: 10%
Cenário 3
Capitão Wagner (União): 40%
Roberto Cláudio (PDT): 35%
Adelita Monteiro (PSOL): 2%
Serley Leal (UP): 0%
Branco/Nulo: 13%
Não Sabe/Não Respondeu: 10%
Cenário 4
Capitão Wagner (União): 45%
Mauro Filho (PDT): 19%
Adelita Monteiro (PSOL): 3%
Serley Leal (UP): 0%
Branco/Nulo: 16%
Não Sabe/Não Respondeu: 17%
Confira como estão os cenários na disputa pelo Senado:
Cenário 1
Camilo Santana (PT): 67%
Marcelo Mendes (Avante): 3%
Pastor Paixão (PTB): 3%
Bardawil (PL): 1%
Branco/Nulo: 16%
Não Sabe/Não Respondeu: 10%
Cenário 2
Camilo Santana (PT): 66%
Raimundo Matos (PL): 6%
Marcelo Mendes (Avante): 2%
Pastor Paixão (PTB): 2%
Branco/Nulo: 14%
Não Sabe/Não Respondeu: 10%
Evento com Lula tem invasão de bolsonaristas e queixa pública de Suplicy
O ato de lançamento das diretrizes do programa de governo da chapa Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB), nesta terça-feira (21), em São Paulo, foi marcado pelo protesto de bolsonaristas que entraram no local e por uma queixa pública do vereador da capital Eduardo Suplicy (PT).
Um dos manifestantes entrou no evento, em um hotel nos Jardins (região central), durante os minutos finais da fala de Lula e chamou o ex-presidente de corrupto. O petista foi surpreendido, mas não deu resposta.
O homem também gritou em direção a Alckmin uma frase sobre "voltar para a cena do crime", em alusão a uma fala do ex-governador sobre o PT quando ainda era adversário.
Além dele, o grupo era formado por outros dois detratores do petista. Eles foram encaminhados para a delegacia. O homem que andou pelo salão e gritou contra os dois políticos foi identificado pelo ex-deputado federal Floriano Pesaro, que estava no local, como Caíque Mafra, ex-filiado do PSDB.
Mafra é ativista conservador, é pré-candidato a deputado estadual em São Paulo pelo Republicanos, apoiador do pré-candidato a governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e defensor da família Bolsonaro nas redes sociais.
Após o protesto, os manifestantes foram retirados por assessores e seguranças. Em seguida, a polícia foi chamada. Lula chegou a interromper sua fala e abreviou seu discurso. Alckmin ficou em silêncio, com o semblante sério. "Eu nem sei o que...", disse o petista sobre a situação, virando-se para o vice.
A plateia, formada por membros da campanha e simpatizantes, buscou abafar a confusão com palmas e um coro de "olê, olê, olá, Lula, Lula".
O evento foi marcado também por uma manifestação pública de Suplicy, que se levantou da plateia e foi até a mesa onde estava Aloizio Mercadante (PT), coordenador do programa de governo, reclamar da abordagem sobre renda básica de cidadania, sua bandeira de vida.
Suplicy, em pé diante do ex-ministro, interrompeu o ex-ministro para dizer que a proposta "não foi considerada" entre os itens principais do documento e que sempre está nos planos do partido, mas não sai do papel.
O ex-senador disse, em tom exaltado, que não foi convidado para os debates sobre o documento. "Não me convidou para essa reunião", disse, estendendo os braços para Mercadante em protesto. "E continuarei trabalhando muito para que Lula e Alckmin instituam a renda básica de cidadania."
Mercadante disse que ele cometia uma injustiça ao dizer que o tema não estava no texto e leu o trecho sobre a proposta, reforçando a menção genérica por se tratar de uma lista de diretrizes, cuja discussão está na fase inicial para definir "as linhas gerais do programa".
"Você poderia olhar com mais cuidado", respondeu o coordenador. A questão aparece no tópico sobre o Bolsa Família, que prega uma reformulação profunda do programa, "por etapas, no rumo de um sistema universal e uma renda básica de cidadania".
O ex-ministro disse que o colega de partido será chamado para as próximas conversas e minimizou o embaraço, não sem antes recordar que "está acostumado" ao comportamento do correligionário, de quem já foi líder na bancada do Senado. Suplicy já fez desabafos públicos em outras ocasiões.
Lula, em gesto para apaziguar os ânimos, afirmou que Suplicy está correto ao fazer a reclamação e disse que, se pudesse, já teria dado um prêmio Nobel ao vereador pela longa dedicação à renda básica.
O ex-presidente fez um desagravo ao correligionário e elogiou sua pauta. "Se Deus quiser, nós haveremos de implantá-la um dia no país", afirmou, observando que o tema se tornou ainda mais relevante diante da crise econômica agravada pela pandemia de Covid-19 e pela crescente mecanização.
TRE mantém domicílio eleitoral de Tarcísio em SP e rejeita questionamento do PSOL
O TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) rejeitou, nesta terça-feira (21), questionamento da direção do PSOL a respeito do domicílio eleitoral de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
Com isso, o pré-candidato ao governo de São Paulo apoiado por Jair Bolsonaro (PL) segue apto a concorrer ao cargo.
O presidente da sigla, Juliano Medeiros, havia protocolado na corregedoria do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) um pedido para que o órgão apure "irregularidades nas operações do cadastro eleitoral do ex-ministro da Infraestrutura".
Em sessão do TRE-SP nesta terça, relator do caso, desembargador Silmar Fernandes, apontou "intempestividade", pois não foi cumprido o prazo para a reclamação.
Além disso, de acordo com a argumentação do magistrado, não foi apresentada nenhuma irregularidade no pedido. O posicionamento foi seguido pelos demais membros do TRE-SP.
Para transferência do título de eleitor, a legislação exige a residência mínima de três meses no novo domicílio (no caso de Tarcísio, o estado). O contrato de aluguel apresentado por Tarcísio foi firmado em setembro do ano passado, e a transferência do documento, anteriormente registrado em Brasília, ocorreu em janeiro deste ano.
Com isso, Tarcísio, que nasceu no Rio de Janeiro e vivia em Brasília, ficou apto a concorrer ao governo paulista. A ligação dele com o estado, porém, tem sido questionada por rivais.
O assuntou ganhou novo fôlego após o TRE decidir que o ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) não poderia concorrer pelo estado, por considerar irregular a transferência do título de eleitor do também ex-ministro de Bolsonaro.
Na avaliação dos desembargadores, porém, não se tratava de caso similar ao de Moro.
Tarcísio indicou à Justiça Eleitoral um apartamento em um bairro nobre de São José dos Campos, no interior de SP, que, segundo os papéis, foi alugado diretamente de seu cunhado.
Conforme a Folha mostrou, o pré-candidato não mora no endereço que declarou como seu domicílio no estado de São Paulo.
A reportagem esteve no local e ouviu do porteiro que o apartamento está desocupado, em reforma. Questionado pela reportagem, Tarcísio afirmou que tem mantido base na capital paulista e que seus vínculos com o estado já foram comprovados à Justiça Eleitoral.
"Tarcísio de Freitas tem residência reconhecida pela Justiça Eleitoral em São José dos Campos, onde familiares residem há mais de 20 anos. Em razão dos diversos compromissos profissionais e de pré-campanha, Tarcísio tem mantido base na capital, pois precisa se deslocar constantemente por todo estado de São Paulo", diz a nota da assessoria do pré-candidato.
O Ministério Público paulista já havia arquivado questionamento sobre a falta de vínculos do candidato com o estado. Em nota, afirma que a documentação apresentada já havia sido julgada satisfatória pela Justiça Eleitoral, entendimento que reiterou desta vez à reportagem.
"Vale ressaltar que Tarcísio de Freitas comprovou a existência de parentes na cidade, comprovou locação de imóvel em prazo hábil, promoveu a juntada de título de cidadão joseense, outorgado pela Câmara Municipal, lembrando que o artigo 23 da Resolução TSE 23.659/2021 exige apenas a comprovação alternativa, não cumulativa de quaisquer dos vínculos", diz nota do Ministério Público.
Na manifestação feita ao Ministério Público, para justificar seu vínculo com São Paulo, Tarcísio elenca que foi aluno da Escola de Cadetes [em Campinas, a 170 km de São José dos Campos) e que, na época em que estudava no Instituto Militar de Engenharia, no Rio, frequentava São José dos Campos porque seus familiares trabalhavam lá.
Ele ainda chamou a cidade de "segunda casa" e afirmou que, enquanto ministro de Bolsonaro, viajava ao município para visitar "sobrinhos, cunhados, familiares e amigos de longa data".
"A estreita relação com este estado, especialmente com a cidade de São José dos Campos, fez com que, em 2021, estabelecesse residência na cidade, junto à minha família que aqui vive há mais de 20 anos, para nela fixar-me após o ministério", afirma Tarcísio.
Representante das Forças Armadas fica em silêncio e com câmera fechada em reunião sobre eleições com o TSE
Por Mariana Muniz — Brasília / O GLOBO
Após uma extensa troca de ofícios entre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Ministério da Defesa nas últimas semanas, o representante das Forças Armadas na Comissão de Transparência Eleitoral, general Heber Portella, participou de uma reunião realizada pela Corte nesta segunda-feira, mas permaneceu em silêncio. A informação foi confirmada ao GLOBO por dois participantes do encontro.
De acordo com relatos feitos à reportagem, o general teria permanecido, ao longo de todo o encontro, com a câmera desligada, e não fez qualquer intervenção ou perguntas. O clima na reunião, também segundo interlocutores, foi de "cordialidade". Na última sexta-feira, o presidente do TSE, ministro Edson Fachin, reiterou o convite para as Forças Armadas participarem da reunião da Comissão em um ofício ao ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.
No documento, Fachin destacou o trabalho técnico da comissão e disse contar com militares sobretudo para o suporte logístico das votações. As Forças Armadas foram convidadas em 2021 pelo ex-presidente da Corte Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, a integrar o Comitê de Transparência das Eleições (CTE). Isso ocorreu diante da insistência do presidente da República Jair Bolsonaro questionar, sem provas, a confiabilidade das urnas eletrônicas, usadas há mais de 20 anos nas eleições do país sem qualquer caso de fraude comprovado.
No ofício, o presidente do TSE reforça que a comissão formada por técnicos da Corte e por instituições, mesmo na reta final dos preparativos da realização das eleições, “têm dado relevante contribuição para que as eleições sejam realizadas de forma segura e transparente.” O ministro da Defesa e o presidente da Corte Eleitoral têm trocado uma série ofícios. O general Paulo Sérgio Nogueira Oliveira tem cobrado que o TSE acate as sugestões feitas por militares. Em um documento enviado no dia 10 de junho, o ministro disse que as Forças Armadas, convidadas a participar da comissão, não se sentiam prestigiadas e cobrou medidas para eliminar divergências.
“Como é do conhecimento de vossa excelência, a grande maioria das sugestões apresentadas no âmbito da comissão de transparência foram acolhidas, a indicar o compromisso público desta Justiça Eleitoral com a concretização de diálogo plural não apenas com os parceiros institucionais, mas também com a sociedade civil”, disse Fachin.
Reunião
Em nota divulgada após a reunião, o TSE disse que inspeção do sistema eletrônico de votação, transparência do processo eleitoral e combate à desinformação foram os temas abordados pelos participantes. Ainda de acordo com o TSE, fizeram exposições o professor André Luís de Medeiros Santos, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a coordenadora-geral da Transparência Eleitoral Brasil, Ana Claudia Santano e a pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade da escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV/RJ), Ana Carolina da Hora.

