Faltar a debate viola direito do eleitor a informação
Por Editorial / O GLOBO
Foi frustrante o primeiro debate presidencial desta eleição. Estavam presentes no estúdio da Band apenas três dos seis candidatos que tinham o dever de comparecer: Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Juntos, os três não somam 10% das intenções de voto, segundo o último Datafolha. Não foram debater nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem seu principal oponente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — os dois primeiros colocados nas pesquisas. Romeu Zema (Novo) também se negou a ir.
Faltar a um debate é um desrespeito ao eleitor. É uma afronta a seu direito a informação. Eventos televisionados, em que as propostas são apresentadas, criticadas e discutidas, permitem ao cidadão avaliar melhor os candidatos antes de decidir seu voto. Confrontos de ideias num embate ao vivo são essenciais na democracia e não podem ser ignorados.
O mesmo vale para entrevistas feitas por jornalistas profissionais, cujo preparo e cuja experiência lhes permitem inquirir os candidatos com mais profundidade e pertinência do que os influencers, podcasters e youtubers a que eles têm acorrido em busca de tratamento benevolente. É por isso lamentável que Lula e Flávio também tenham se recusado a comparecer a sabatinas da imprensa profissional, como a organizada pelos veículos da Editora Globo, entre eles O GLOBO (ao menos ambos confirmaram presença na entrevista que a TV Globo realiza a partir desta segunda-feira com os principais candidatos).
Não faltam temas sobre os quais o eleitor ainda não foi devidamente informado. O nível de detalhamento a respeito do que cada um pretende fazer para desarmar a bomba fiscal é ínfimo. Na área da segurança, um sem-número de promessas parece inviável. Em educação, falta explicar o que será feito para cobrar e incentivar governadores e prefeitos responsáveis pelos resultados vexatórios nos níveis de aprendizado. Há pontos de interrogação também na saúde e em outras áreas cruciais para o futuro do Brasil. Apenas o questionamento firme num ambiente jornalístico profissional é capaz de elucidá-los com respostas satisfatórias.
Infelizmente, a prática de evitar confronto de ideias tem larga história. A decisão sobre ir a debates costuma ser baseada em cálculo meramente eleitoral. Quem está na frente tende a fugir. Em 1989, na primeira eleição direta depois da redemocratização, Fernando Collor não foi a nenhum dos quatro realizados antes do primeiro turno. Em 1994, Fernando Henrique Cardoso foi a apenas um dos três. Em 2006, Lula não foi aos três anteriores ao primeiro turno. É verdade que já houve eleições melhores, como 2002, quando Lula e José Serra compareceram aos principais debates, ou 2022, que também contou com participação expressiva. Essa deveria ser a regra. Mas não é.
O futuro do Brasil não é um produto em busca da melhor vitrine. A distribuição de conteúdo por redes sociais e aplicativos de mensagens não informa o eleitor. Sem debates e sem o jornalismo profissional, ele fica à deriva e pode ser facilmente influenciado por discursos tão sedutores quanto mentirosos. Quando a intenção é manter controle total sobre o que os candidatos podem dizer, quem mais perde é a democracia.
Lula e Flávio Bolsonaro faltaram ao debate presidencial da Band — Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo
Lula e Flávio Bolsonaro faltaram ao debate presidencial da Band — Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo
Na mira da PF, 'Dark Horse' tem registro concedido pela Ancine
Por Rafael Moraes Moura — Brasília / O GLOBO
A dois meses das eleições presidenciais, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) aceitou no último dia 7 o registro de obra estrangeira de "Dark Horse", polêmico longa-metragem sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Este é o primeiro passo para o lançamento do filme, que ainda precisa cumprir outras etapas burocráticas para ser exibido nos cinemas, como obter aval da Ancine para exploração comercial e ainda ganhar uma classificação indicativa do Ministério da Justiça.
Na mira do Supremo Tribunal Federal (STF), “Dark Horse” abriu uma crise na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República após virem à tona mensagens do senador cobrando dinheiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, supostamente para o financiamento da produção.
Uma das linhas de investigação da Polícia Federal é saber se os milhões de reais despejados por Vorcaro foram usados para bancar as despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) durante autoexílio nos Estados Unidos.
Em 22 de junho, a Europa Filmes apresentou o pedido de Registro de Obra Estrangeira (ROE) para “Dark Horse”, já esclarecendo, portanto, que não se trata de um filme nacional. A notícia veio à tona após uma proposta para lançar o filme no Brasil ter sido recusada pela Paris Filmes, uma das maiores distribuidoras nacionais, com um catálogo que inclui as franquias “Crepúsculo” e “Jogos Vorazes”.
Conforme informou o blog, a Europa Filmes planeja um lançamento de grande porte para o filme sobre o atentado à faca contra Bolsonaro em 2018. A ideia é que "Dark Horse" seja exibido em pelo menos 650 salas – no patamar do fenômeno de bilheteria “Tropa de Elite 2” – e com cópias dubladas espalhadas por todo o país. Mas isso apenas depois das eleições, a partir de novembro.
Agora, a distribuidora de "Dark Horse" vai atrás do Certificado de Registro de Título (CRT), documento emitido pela própria Ancine que dá aval à comercialização de uma obra audiovisual no Brasil. A Ancine é responsável pela regulação e fiscalização do mercado audiovisual brasileiro e, por isso mesmo, desempenha um papel-chave ao autorizar o lançamento de um filme no circuito nacional.
De acordo com a agência, para a emissão do CRT, "deve ser demonstrada a detenção dos direitos de exploração comercial da obra no Brasil e para o segmento pretendido, mediante a apresentação do contrato de cessão, licenciamento ou transferência desses direitos". Em média, essa segunda etapa dura 30 dias.
PF cobrou informações
Conforme informou o blog, a Polícia Federal deu um prazo de 10 dias para a Ancine apresentar informações sobre "Dark Horse".No ofício assinado na última terça-feira (18), a PF pediu informações sobre o registro de “Dark Horse”, além de “comunicação de produção, certificação ou qualquer outro procedimento administrativo relacionado à obra cinematográfica”.
Outro ponto que a PF quer elucidar é quais são as pessoas físicas e jurídicas vinculadas ao filme, além de produtores, coprodutores, distribuidoras, representantes legais e demais participantes do projeto que constam no banco de dados da Ancine.
A PF também quer que a Ancine esclareça se o filme recebeu incentivos fiscais, recursos públicos federais ou “quaisquer benefícios vinculados às políticas públicas de financiamento do setor”.
Filmagem irregular
Em 28 de julho, a Ancine abriu um processo administrativo e autuou a produtora Go Up Entertainment por irregularidades na gravação de "Dark Horse", o que deve constar na resposta que está sendo elaborada para a PF. O auto de infração, emitido pela Superintendência de Fiscalização e Combate à Pirataria, informa a conduta que levou à intervenção da agência: “produzir no Brasil a obra cinematográfica estrangeira DARK HORSE sem comunicar o fato à ANCINE.”
Segundo as regras da agência, a filmagem de uma produção internacional no Brasil deve ser feita sob a responsabilidade de empresa registrada na própria Ancine, que além de comunicar sobre a obra tem que apresentar uma série de documentos, como cópia do contrato, plano de filmagem e passaporte de cada profissional estrangeiro contratado. Nada disso, no entanto, foi feito pela produtora no caso de “Dark Horse”. Na prática, com a autuação da Go Up, a Ancine sinaliza a aplicação futura de uma multa que varia entre R$ 2 mil e R$ 100 mil.
Proprietária da Go Up Entertainment, a jornalista Karina Ferreira da Gama nunca lançou nenhum filme no Brasil. Além da Go Up, as outras duas empresas que constam no sistema da Ancine no nome de Karina – a Go7 Assessoria e a ONG Instituto Conhecer Brasil – também nunca registraram nem lançaram nenhuma produção em território nacional, seja em cinema, TV aberta ou fechada.
Núcleo duro da campanha de Flávio Bolsonaro já viu o filme
Segundo a equipe da coluna apurou, integrantes do núcleo duro da campanha de Flávio fizeram questão de assistir a “Dark Horse” antes da estreia nos cinemas para avaliar os riscos de judicialização e de eventuais novos desgastes, já que o filme virou foco de crise no clã Bolsonaro, respingando nas intenções de voto.
Após conferir o filme, a avaliação do QG da campanha de Flávio é a de que “Dark Horse” está mais para um thriller policial sobre a facada em Jair Bolsonaro em 2018 do que para uma cinebiografia propriamente dita. O personagem de Flávio tem participação discreta na trama, o que na tese de seus assessores deveria esvaziar os argumentos da campanha lulista de que o filme pode ser usado para promover a sua candidatura.
O filme recria cenas como um debate presidencial, mas sem usar os nomes dos adversários que enfrentaram Bolsonaro naquele pleito. O autor do atentado em Juiz de Fora (MG) é retratado como um militante de esquerda, mas não se chama Adélio Bispo.
Em outra cena, os personagens de Michelle, Flávio e Eduardo Bolsonaro conversam com o “doutor Tavares” nos corredores de um hospital após o atentado. “Deus está com ele, doutor”, afirma Michelle ao médico.
Um rascunho do roteiro explora a relação de Bolsonaro e Michelle, com cenas do casamento dos dois, o parto da filha Laura e o apoio da mulher durante a campanha eleitoral de 2018. “As coisas que dizem sobre você... Isso me assusta. Estão tentando provocar alguém para te machucar”, afirma a personagem da ex-primeira-dama, em tom premonitório. “Nossa filha precisa de você. Eu preciso de você.”
O elenco de "Dark Horse" é predominantemente estrangeiro, capitaneado pelo ator Jim Caviezel, célebre por interpretar Jesus Cristo em “A paixão de Cristo” e estrelar “O conde de Monte Cristo”. Já Michelle Bolsonaro é vivida por Camille Guaty, que já fez participação no seriado "The Good Doctor: O bom doutor”. Os diálogos são em inglês, em uma estratégia para ampliar as chances comerciais do filme no exterior.
Três cenários
Em meio à polarização política que pode invadir os cinemas, o diretor-geral da Europa Filmes, Wilson Feitosa, traça três cenários possíveis para a performance comercial de “Dark Horse”, que vai ser lançado no Brasil com o mesmo título original em inglês. O filme tem 100 minutos de duração, incluindo os créditos finais.
Na pessimista, o filme sobre Bolsonaro repete o fraco desempenho de “Lula, o Filho do Brasil” e atrai 800 mil espectadores. Na realista, faz entre 1,5 milhão e 2 milhões de espectadores. Na otimista, supera os 2 milhões – um patamar alcançado por poucos filmes nacionais lançados no pós-pandemia, especialmente os voltados para o público adulto.
É uma meta ambiciosa. Para efeito de comparação, “O agente secreto” atraiu 2,4 milhões de espectadores ao longo de quatro meses em cartaz, turbinado pelo mar de premiações e as quatro indicações ao Oscar – algo que “Dark Horse” não deve ter a seu favor, como admite o próprio Feitosa.
“Não é filme que vai ser indicado para o Oscar, não vai concorrer para indicação, mas tem esse selo hollywoodiano de qualidade”, afirma Feitosa, que tem no currículo o lançamento de produções nacionais como “O menino maluquinho” e “Lula, o filho do Brasil”, além de sucessos americanos, como o terror “A bruxa de Blair”.
Problemas de Cuba vão além do embargo
A entrevista concedida com exclusividade à Folha por Miguel Díaz-Canel, líder da ditadura socialista cubana, é reveladora da situação na ilha caribenha, cuja população sofre os efeitos de uma política econômica anacrônica, agravados pela intensificação do embargo comercial dos Estados Unidos.
Díaz-Canel explica a pobreza e a decadência da atividade no país, sem negá-las, somente a partir das sanções americanas.
O embargo merece ser criticado por ser uma medida de força incompatível com a diplomacia pragmática, além de funcionar como desculpa perene do regime para debilidades da gestão pública e infrações de direitos políticos. Mas ele está longe de ser a única causa dos problemas.
No início, as restrições eram basicamente americanas. A partir de 1990, novas regras passaram a incluir operações envolvendo outras nações e Cuba. Mas isso nunca significou isolamento total. Diversos países mantiveram comércio e outras relações econômicas com a ilha.
A queda da URSS nos anos 1990 fez colapsar a economia cubana, altamente dependente de subsídios dos soviéticos —evidenciando o caráter insustentável do modelo econômico socialista.
Mais recentemente, Donald Trump entrou na equação. Em 2025, invadiu a Venezuela, o maior exportador de petróleo para Cuba, interrompendo o fornecimento e agravando uma profunda crise energética. Neste ano, ampliou o alcance do embargo.
Segundo Díaz-Canel, o bloqueio dos EUA é o pecado original: "Sem ele, teríamos combustível e não teríamos apagões".
O país, entretanto, convive com apagões e déficit crescente de geração de energia desde 2021. Em 2024, houve cortes cotidianos de até 20 horas, em meio a usinas obsoletas, deterioração da infraestrutura e falta de combustível.
A interrupção brusca de fornecimento por óbvio impacta o cenário, mas instituições econômicas e política doméstica também importam. Uma sanção externa reduz o conjunto de oportunidades de uma economia, mas não determina como os recursos disponíveis serão utilizados.
Na crise dos anos 1990 e, mais recentemente, em 2021, reformas liberalizantes trouxeram algum alívio. Em junho deste ano, foi aprovado um pacote com mudanças radicais para o padrão cubano, como autorização para grandes empresas e bancos privados.
Após décadas de economia estatizada e infrações de direitos, são enormes as incertezas e os desafios causados por um regime que produziu miséria e não tem mais razão de ser.
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Lula e Flávio dão tapa na cara do eleitor
O primeiro debate presidencial da eleição de 2026 ficou marcado antes pelas faltas do que pelas presenças. Com três candidatos no palco, o evento registrou o menor número de participantes em um confronto inaugural desde 1989, quando o país retomou o voto direto para o Executivo federal.
O baixo número de postulantes não é um problema em si. A experiência acumulada ao longo das décadas atesta que a multiplicidade de nomes sem expressão pouco contribui para o propósito do encontro —isso quando não o transforma em um campeonato de bufonaria e vulgaridades.
Ocorre que, desta vez, entre os ausentes estavam os dois líderes das pesquisas de intenção de voto: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que chegou a 39% das preferências na mais recente rodada do Datafolha, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 33% no mesmo levantamento.
Com a decisão de não comparecer ao evento promovido pelo Grupo Bandeirantes, pelo jornal O Estado de S. Paulo, pela TV Cultura, pela Gazeta e pela Jovem Pan, tanto Lula quanto Flávio deixaram claro que põem as estratégias de campanha acima de rituais básicos em uma democracia.
Debates cumprem uma função importante no contexto eleitoral: estimulam o confronto direto entre as ideias dos principais candidatos a um determinado cargo público. Permitem, dessa forma, que as pessoas analisem as propostas sob a perspectiva privilegiada do contraditório.
Verdade que o resultado nem sempre é satisfatório. Regras rígidas impostas pelas próprias campanhas não raro esterilizam o confronto, permitindo que os postulantes lancem mão de muitas evasivas e prestem poucos esclarecimentos acerca do que pretendem fazer caso sejam eleitos.
Ainda assim, são um momento único no pleito. Palanques, propagandas e vídeos nas redes sociais constituem o domínio do marketing, enquanto entrevistas não se prestam ao cotejamento de diversas candidaturas.
Quando Lula e Flávio dão as costas ao debate —para nada dizer do nanico Romeu Zema (Novo), que também faltou ao evento—, eles estão afirmando que não pretendem discutir o país longe de suas zonas de conforto.
Com a ausência dos três, Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) não conseguiram empolgar quem assistiu ao encontro. Mais do que isso, desperdiçaram boa parte do tempo com ataques a Lula e Flávio, em vez de aproveitarem para expor suas propostas.
Renan, em particular, pareceu se espelhar no péssimo exemplo de Pablo Marçal (PRTB), que, em 2024, comportou-se como arruaceiro juvenil na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Na época, José Luiz Datena, nome do PSDB, interrompeu as ofensas com uma abominável agressão física.
No domingo (23), não houve nada parecido com isso. Mas, quando decidiram faltar ao debate, Lula e Flávio deram um simbólico tapa na cara dos eleitores.
Lobista recebeu 'significativas' quantias em espécie e pagou em dinheiro passagens de Lulinha, diz PF
José Marques / FOLHA DE SP
Investigação da Polícia Federal afirma que a lobista Roberta Luchsinger fazia "significativas movimentações de dinheiro em espécie" e que usou uma parte desses valores para pagar uma agência de turismo que bancou viagem de Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do presidente Lula (PT).
Em documento que fundamentou a abertura de um inquérito contra Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, a PF destaca que em 25 de junho do ano passado o motorista de Roberta fez "duas coletas em espécie com terceiro desconhecido" nos valores de R$ 100 mil e R$ 200 mil.
Desse total, diz o órgão no texto ao qual a Folha teve acesso, R$ 50 mil foram repassados a uma agência de viagens que havia emitido passagens para Lulinha e Roberta —nesse mesmo dia, o serviço da agência foi usado para pagar passagens no valor de R$ 2.000 para os dois, de Brasília ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Em agosto do mesmo ano, Roberta afirmou em um diálogo transcrito pela PF que não iria mais poder gastar com passagens, porque já estava gastando R$ 100 mil por mês em uma casa usada por Lulinha. Essa conversa de agosto foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.
Procurada, a defesa de Lulinha disse que "setores da PF instrumentalizados por interesses políticos-eleitorais seguem tentando interferir nas eleições de 2026" e diz que não é provado nos autos que esse dinheiro foi usado para pagar as passagens.
"É um verdadeiro quebra-cabeça de ilações fruto da irresponsabilidade daqueles que não têm um verdadeiro projeto ou programa para o país. Isso nos remete ao pior que ocorria durante a época da finada Operação Lava Jato", afirma o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho.
Também procurada, a defesa de Roberta Luchsinger disse que não iria comentar "conversas que supostamente são retiradas de um relatório que está sob sigilo".
Em representação que trata de investigação sobre Lulinha por suspeita de tráfico de influência, a PF afirma que Roberta usava seu motorista, Ulisses Barbosa Viana Júnior, "para realizar significativas movimentações de dinheiro em espécie".
A polícia destaca o recebimento dos R$ 300 mil em 2025. Na ocasião, Roberta diz a Ulisses: "Quando você pegar o dinheiro me avisa".
Ele responde: "Acabei de pegar tudo, tô levando pra sua residência. Não contei... pq está em pacotes lacrados". "Chegando na residência eu passo o valor total. Uns 20 min", diz o motorista, que, em seguida, afirma que são "100 + 200".
Roberta pede para ele depositar R$ 50 mil na conta da consultoria dela e R$ 50 mil na conta da agência de viagens. Também pede para tirar outros valores e dar a pessoas não identificadas pela PF.
Ulisses responde "ok", depois manda uma foto de um armário e diz: "Restante tá atrás das roupas".
A lobista também manda ao motorista uma captura de tela com o bilhete eletrônico do voo que fará com Lulinha. Ela diz que chegará com ele pela entrada das autoridades às 16h30, e avisa: "cê esteja lá, por favor".
A PF não menciona a qual casa se refere Roberta no diálogo de agosto, mas ela alugava uma em Brasília que também era usada por Lulinha, segundo um processo trabalhista apresentado contra a lobista.
Como a Folha mostrou, a PF apontou que Lulinha atuava em "comunhão de interesses econômicos" e conduzia negócios em conjunto Roberta, que trabalhava para obter contratos com o governo federal.
O órgão indicou a suspeita de que Lulinha, Roberta e Fernando Bittar —empresário que era um dos donos do sítio de Atibaia (SP) investigado na Lava Jato— mantiveram uma "sociedade oculta" em negócios relacionados à Cannabis medicinal, que tentaram vender ao Ministério da Saúde.
O inquérito da PF trata de suspeitas dos crimes de corrupção e tráfico de influência nas tentativas de obter autorização para a comercialização com a pasta e está sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF. As investidas no Ministério da Saúde não prosperaram. Lulinha é alvo de outros dois inquéritos na corte.
A investigação da PF também aponta que a lobista Roberta Luchsinger pagou R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, financiamento de um veículo e outras despesas para Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.
Os pagamentos ocorreram em 2024, mesmo período em que, de acordo com a PF, ela trabalhava para obter contratos relacionados à Cannabis medicinal.
A defesa de Marcola disse que ele "jamais encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)", e que os valores são relativos a um empréstimo pessoal.
Em ato na Praia do Futuro, Ciro diz que investirá no 'turismo de evento' e em 'superar sazonalidade'
Escrito por Luana BarrosePaloma Vargas / DIARIONORDESTE
Ciro Gomes (PSDB), candidato ao Governo do Ceará, falou sobre medidas que quer adotar para desenvolver o Estado. Ele citou a necessidade de "descobrir o turismo de evento" e "superar a sazonalidade", além de reforçar a importância do investimento em segurança para ampliar o turismo.
O candidato participou de adesivaço na Praia do Futuro, em Fortaleza, na manhã deste domingo (23). Ele esteve ao lado do candidato a vice-governador Roberto Cláudio (União) e da esposa Gisele Bezerra, além de candidatos a deputado e apoiadores.
Indagado sobre as políticas para o turismo, Ciro fez questão de ressaltar as singularidades do Ceará. "A nossa culinária, a nossa cultura, enfim, a cordialidade do nosso povo. Isso é raro, porque litoral, praia tem no mundo inteiro, mas essa identidade cearense, só aqui", disse.
Segurança para a população e o turista
Ciro reforçou ainda que, para melhorar o turismo, uma das medidas necessárias é "restaurar a segurança". "O mundo inteiro está recebendo notícias de que nós somos um dos estados mais violentos do país", pontuou.
Ele fez críticas às políticas de segurança do Governo Elmano, especificamente sobre a resolução de crimes. "Enquanto as facções criminosas dão as cartas, a impunidade é o prêmio", criticou.
"Eu te dou um número oficial: apenas 27 de cada 100 homicídios são esclarecidos no estado do Ceará. Se a gente for para roubo, que é uma coisa que assusta muito as mulheres, as crianças, os turistas, que é o roubo, que é o assalto armado, de cada 100 assaltos registrados no Ceará, apenas cinco (são solucionados)".
O candidato também reforçou medidas adotadas quanto esteve como governador do Ceará. "Por exemplo, o aeroporto internacional, nós que fizemos. Toda a organização do turismo de litoral no Ceará, eu cheguei a promover uma novela no estado do Ceará, chamada Tropicaliente", disse.
Candidatos ao Senado Federal
O tucano também falou sobre o desempenho dos candidatos da chapa majoritária ao Senado, principalmente Alcides Fernandes (PL), que tem ficado na quarta colocação em diferentes pesquisas eleitorais.
Para Ciro, é "natural" que Capitão Wagner (União) esteja se saindo melhor, pelo histórico político e por ser "ligado ao tema mais exigido, mais demandado do nosso povo".
"O Alcides é um deputado estadual, e é um pastor e é um homem que tem uma origem absolutamente extraordinária", disse. "A hora que a gente contar isso, a onda azul vai trazer também o Alcides para a ponta".

