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Integrante do CV é preso em SP suspeito de cobrar pedágios de políticos no Ceará

Escrito por Redação / DIARIONORDESTE

 

Um jovem de 21 anos, integrante da organização criminosa Comando Vermelho, com atuação no município de Forquilha, região norte do Ceará, foi preso na cidade de São Paulo na manhã de terça-feira (25) suspeito de cobrar pedágios a políticos cearenses para atividades de campanha eleitoral. 

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS),  o indivíduo utilizava-se de perfis em redes sociais para realizar os atos criminosos, que seriam ordenados por um outro integrante do grupo criminoso que está no Rio de Janeiro.

 

A operação foi liderada pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), por meio do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), da Delegacia de Repressão às Ações Criminosa Organizadas do Interior Norte (Draco Norte), do Departamento de Polícia do Interior Norte (DPI) e do Departamento de Inteligência (DIP). A diligência teve apoio da Polícia Civil de São Paulo.

 

O homem foi localizado no interior de uma residência, na cidade de São Paulo. Em seguida, conduzido à delegacia, onde foi autuado em flagrante por integrar organização criminosa. O suspeito permanece à disposição do Poder Judiciário. 

Prisões por pedágio eleitoral

Há cerca de 10 dias, o prefeito de Forquilha, Edinardo Rodrigues Filho, publicou um vídeo nas redes sociais em que cita ameaças feitas contra ele. Desde a denúncia, este é o terceiro preso suspeito de envolvimento com a extorsão eleitoral. 

 

No dia 20 de agosto,  dois homens, de 19 e 28 anos, foram presos em flagrante suspeitos do mesmo crime na Zona Norte do interior do Ceará. 

Conforme informações obtidas pelos investigadores, os suspeitos estariam recebendo ordens de um integrante da organização criminosa que estaria no Rio de Janeiro.

Com a prisão desta terça-feira, conforme a SSPDS, sobe para oito o número de suspeitos capturados envolvidos em crimes no contexto eleitoral referente às eleições de 2026.

 

capa da noticia

Legenda: Suspeito foi preso nesta terça-feira em São Paulo após ameaçar políticos do Ceará pelas redes sociais.

Trump desmoraliza a negociação

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

Sob a ameaça de um novo tarifaço de 50% sobre US$ 20 bilhões em exportações para os EUA, o Canadá passou semanas negociando de boa-fé com a gestão do presidente Donald Trump. Era uma tentativa de mitigar o renovado ímpeto protecionista do republicano, que busca novos meios de reerguer seu muro tarifário desde que a Suprema Corte dos EUA deliberou, em fevereiro deste ano, que as bases para os impostos de importação anunciadas por Trump em 2025 eram ilegais. Mas se o Canadá estava disposto a negociar, o que Trump realmente queria era humilhar o parceiro e vizinho – há anos, o republicano refere-se jocosamente ao Canadá como um “Estado” americano. De acordo com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, de última hora a gestão Trump apareceu com exigências “inaceitáveis”.

 

Uma delas limitaria a capacidade do Canadá de negociar de forma independente acordos comerciais com outros países. Outras buscavam limitar a produção de conteúdo em regiões do Canadá nas quais o idioma francês, e não o inglês, é majoritariamente utilizado.

 

Tal tipo de demanda em nada favorece a arte da negociação e o fechamento de um acordo. Muito pelo contrário. Se realmente apresentou tais exigências, Trump quis obter dos canadenses uma capitulação, não um entendimento.

 

Diante de tamanho despropósito, o Canadá resolveu retirar-se da mesa de negociações. O tarifaço de 50% sobre as exportações para os EUA, que Trump chegou a suspender por três dias, já vigora. Em resposta, Carney mandou retaliar “dólar por dólar” as ações americanas a partir de 8 de setembro.

 

Trump, por sua vez, sem negar as demandas de última hora que tanto ofenderam os canadenses, agiu como dele se espera, afirmando que os EUA não precisam do Canadá, e que, a partir de janeiro de 2027, produtos e carros canadenses exportados para os EUA, hoje penalizados com uma tarifa de 25%, passarão a pagar pedágio maior, de 50%.

 

Embora muito possa acontecer até 8 de setembro, quando terá início a retaliação canadense, e mesmo diante das perdas vultosas para o Canadá, que exporta mais de 70% do que produz para os EUA, o sentimento vigente hoje no país é de união contra Trump.

 

De acordo com o instituto Angus Reid, 76% dos canadenses entendem que encerrar as negociações com os EUA foi a medida correta. A repulsa a Trump não vem de hoje.

 

Enquanto o canadense comum se vinga do republicano boicotando produtos americanos e evitando ir ao país vizinho – as viagens de lazer de canadenses aos EUA caíram mais de 20% no ano passado –, o governo do país se aproxima da China e explora parcerias comerciais com outros países, inclusive com o Mercosul.

 

Ao tratar o Canadá como uma colônia de exploração tal como vem fazendo, Trump apenas consolida a visão de que os EUA já não são mais o parceiro confiável que costumavam ser.

 

Já para os canadenses, e também para o mundo, fica a lição de que não se pode depender excessivamente de ninguém, mesmo de parceiros que um dia pareciam confiáveis. Diversificar relações e manter múltiplos destinos para as exportações é cada vez mais um imperativo.

A página que Flávio não virou

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

Na semana passada, em São Paulo, o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) disse que o caso de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista do maior escândalo financeiro da história brasileira, é “página virada”. Não é. Em maio passado, o sr. Flávio prometeu mostrar “em 30 dias” como foi usada a dinheirama que ele recebeu do sr. Vorcaro a título de financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do candidato. Passados mais de três meses, o sr. Flávio ainda não cumpriu a promessa, razão pela qual a imprensa, fazendo o que dela se espera, decidiu voltar ao tema – o que irritou bastante o candidato, que se acha dispensado de dar explicações.

 

“Vocês vão parar no tempo?”, reagiu Flávio quando os jornalistas tocaram no assunto depois de um evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O candidato, que tenta aparentar uma imagem de moderado em contraste com a notória truculência do pai, em particular com os jornalistas, não consegue superar a natureza quando se sente sob pressão. Na mesma resposta, Flávio, bem ao estilo de Jair, mandou que os jornalistas fossem ao Google procurar por reportagens que, segundo ele, diziam que a prestação de contas sobre o filme já havia sido feita. O que há, na verdade, é a menção ao inquérito policial sobre um contrato da produtora do filme com a Prefeitura de São Paulo, e nesse inquérito a tal empresa menciona os gastos com a produção cinematográfica, mas não apresenta notas fiscais nem explica a origem dos recursos. Ou seja, não há esclarecimento nenhum.

 

Portanto, a página não está virada, pois isso depende das explicações do sr. Flávio. E elas são necessárias, porque quem pretende presidir a República não pode ter em sua biografia uma relação obscura com um banqueiro preso por fraudar em bilhões o sistema financeiro – a quem, recorde-se enfaticamente, o candidato chamava de “irmão”.

 

Quem aspira à liderança da Nação deve satisfações claras, inclusive documentais, sobre fatos de sua vida que são de interesse público. Flávio insiste que o dinheiro foi dado por Vorcaro numa “relação privada”, sem envolver recursos públicos, razão pela qual não haveria crime. Ora, isso é ofender a inteligência alheia. O dinheiro que Vorcaro distribuía a mancheias a seus “irmãos” Brasil afora, como Flávio, era fruto de fraudes bilionárias – e o candidato a presidente certamente sabia disso. Se há crime ou não, a Justiça decidirá a seu tempo. Mas é absolutamente imoral – e se o sr. Flávio não consegue perceber isso, então não está moralmente qualificado para ser presidente da República.

 

A intimidade fraternal – desde maio tornada pública – entre Flávio e um notório fraudador é o escândalo público por definição, ainda mais envolvendo um aspirante ao principal cargo executivo do País.

 

Cabe à Polícia Federal esclarecer o que foi feito do dinheiro dado a Flávio por Vorcaro – e a troco de quê. Há indícios de que parte dos recursos pode ter sido direcionada ao “caixa dois” da campanha do candidato e outra parte ao sustento da dolce vita do deputado cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Insistimos, porém, que, no que concerne ao interesse público, a questão vital continua sendo a obscuridade das razões que levaram Flávio e um escroque como Vorcaro a construir uma relação tão íntima e financeiramente proveitosa.

 

Goste Flávio ou não, no curso da campanha a imprensa cumprirá o seu dever de lhe fazer as perguntas incômodas, tanto sobre o caso Master, como sobre quaisquer outras suspeitas que ainda pairam sobre ele sem explicação – caso das “rachadinhas”, do envolvimento com milícias do Rio de Janeiro e da aquisição de imóveis em dinheiro vivo, entre outras. O País precisa saber o motivo pelo qual um postulante à Presidência da República manteve uma relação afetuosa – e generosamente financiada – com o responsável pela maior fraude bancária já apurada no Brasil.

Omissão eleitoreira do Senado

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

Em nome das urnas, o Senado resolveu abrir mão de sua própria razão de ser. Nesta semana, os relatores de duas das mais importantes Propostas de Emenda à Constituição (PEC) em tramitação no Congresso Nacional anunciaram que pretendem colocar para votação os textos tal como vieram da Câmara dos Deputados. Omar Aziz (PSD-AM), relator da PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1, e Rogério Carvalho (PT-SE), relator da PEC da Segurança Pública, não escondem o motivo. Mudar os textos significaria devolvê-los à Câmara e reduzir as chances de que sejam aprovados antes das eleições.

 

A PEC da Segurança chegou ao Senado em março e só foi enviada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em agosto. A do fim da escala 6x1, aprovada pela Câmara em maio, esperou quase três meses pelo mesmo despacho. Nesse intervalo, o Congresso foi esvaziando à medida que deputados e senadores se ocupavam de campanhas, alianças, palanques e disputas locais. Agora, acertados os principais conchavos eleitorais, eles voltam a Brasília e descobrem, subitamente, que estão sem tempo.

 

Durante o recesso parlamentar, este jornal criticou a decisão do Congresso de praticamente reduzir seu segundo semestre a algumas semanas do chamado “esforço concentrado”. E citou justamente as duas PECs, então paradas, entre as matérias que os próprios líderes diziam considerar prioritárias. O risco era óbvio: meses de pouca atividade seguidos por votações a toque de caixa, com menos tempo para análise e escrutínio público. Sem contar que situações como essa são o palco perfeito para a proliferação de “jabutis” – mudanças inseridas em projetos sem qualquer relação com o tema original do texto. Pois bem, eis o “esforço concentrado” em ação.

 

Poucos assuntos têm hoje tanto apelo eleitoral quanto a redução da jornada de trabalho e a segurança pública. E problemas nos textos eram conhecidos havia meses. Ficaram esquecidos junto com as PECs e, agora que as urnas se aproximam, não serão enfrentados.

 

Na PEC do fim da escala 6x1, por exemplo, a Câmara estabeleceu uma transição de apenas 14 meses para a redução da jornada. O prazo foi criticado pelo setor produtivo diante dos possíveis efeitos sobre empresas, empregos e preços. O Senado poderia discutir se 14 meses são suficientes, mas Omar Aziz já avisou que pretende evitar mudanças para que a PEC não volte aos deputados.

 

Com a PEC da Segurança ocorre algo ainda mais curioso. A proposta pretende reorganizar atribuições, competências e instrumentos numa área em que o País acumula problemas há décadas e que, aliás, deveria estar no centro da campanha eleitoral deste ano. O projeto enviado pelo Executivo foi bastante alterado pela Câmara, que reduziu o papel da União originalmente imaginado pelo governo. O PT não gostou. Houve críticas, resistência e negociação. Cinco meses depois, o relator petista no Senado acha melhor não mexer em nada. Uma alteração, afinal, mandaria a PEC de volta à Câmara.

 

É para situações como essa que existe uma Casa revisora. Afinal, o sistema é bicameral. O Senado não é obrigado a mudar uma vírgula das duas PECs, mas não pode chegar a essa conclusão antes de fazer o próprio trabalho, apenas porque revisar de verdade pode atrapalhar os planos eleitorais.

 

A situação é ainda mais difícil de engolir porque a urgência foi fabricada pelo próprio Congresso. Ninguém os impediu de discutir a redução da jornada nos quase três meses em que a proposta esperou despacho. Preferiram cuidar de outras coisas. Agora, a demora virou argumento para a pressa.

 

Eventuais correções nas duas PECs podem adiar sua promulgação. Paciência. Os senadores tiveram meses para examiná-las e escolheram não fazê-lo. Não cabe agora sacrificar a revisão dos textos para recuperar o tempo desperdiçado e ainda entregar duas medidas populares antes das eleições.

 

O Senado não pode escolher quando será Casa revisora e quando será apenas o carimbador da Câmara conforme a conveniência eleitoral. Se revisar dá trabalho, custa tempo ou ameaça votos, azar dos senadores. É preciso fazer esse trabalho, pois é assim que funciona uma democracia.

Pacto entre Lula, Motta e Alcolumbre tem eleições no radar, promessas de apoio e união contra Flávio

Por Vera Rosa e Wilton Junior / O ESTADÃO DE SP

 

BRASÍLIA – O pacto político firmado nesta quarta-feira entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), teve como pano de fundo as eleições de outubro. Na tentativa de ajudar Lula a ter uma agenda positiva na campanha, tanto Alcolumbre como Motta vão instalar comissões e pôr na pauta de votação da próxima semana temas com apelo popular, como o fim da escala de trabalho 6X1 e a Medida Provisória que trata do fim da chamada “taxa das blusinhas”.

 

O Congresso terá os últimos dias de trabalho antes das eleições na semana que vai de 31 de agosto a 4 de setembro. Será neste período de esforço concentrado que a Câmara e o Senado darão andamento à agenda de interesse do governo. Na lista de temas que Alcolumbre concordou em tirar da gaveta estão também a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e o projeto que cria a política nacional de minerais críticos e estratégicos, além do que concede isenção de impostos federais para estimular a instalação de data centers no Brasil.

 

O freio de arrumação entre o Palácio do Planalto e o Congresso foi anunciado por Lula após um almoço com Motta e Alcolumbre, que durou duas horas e meia, no Palácio da Alvorada.

 

O presidente saiu do encontro chamando tanto o chefe da Câmara como o comandante do Senado – dois expoentes do Centrão – de “companheiros”. Ao posar para fotos de mãos dadas com os dois, Lula era só sorrisos. “Poderia dizer juntos para sempre”, afirmou ele.

 

Nenhum desses acenos, porém, foi feito sem contrapartida. O acordo passou pela promessa de Lula de, se reeleito, apoiar a recondução de Motta à presidência da Câmara e de Alcolumbre ao comando do Senado, em fevereiro de 2027. Na outra ponta, os dois se comprometeram a trabalhar por um novo mandato para Lula. Motta também disputa a reeleição como deputado federal.

 

Diante das dificuldades enfrentadas pelo presidente por causa de investigações da Polícia Federal envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha – suspeito de tráfico de influência –, há um movimento em curso na campanha petista para tentar garantir a vitória de Lula no primeiro turno.

 

Na prática, Alcolumbre e Motta tentarão dar agora um empurrão nessa ofensiva. Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto, o presidente viu sua vantagem diminuir no embate com o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, após a série de denúncias envolvendo Lulinha e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, seu ex-chefe de gabinete.

 

Flávio tenta mobilizar oposição contra fim da escala 6x1

O anúncio do acordo irritou Flávio, principal adversário de Lula. Com o intuito de não dar munição ao PT, o senador tenta mobilizar a oposição para impedir que o fim da escala 6x1 seja votado antes das eleições.

 

A proposta que muda a jornada de trabalho e concede mais dois dias de descanso aos trabalhadores é uma das principais bandeiras da campanha de Lula. Por ser uma emenda à Constituição, sua tramitação é mais demorada e pode não haver tempo hábil para que seja votada em plenário na semana que vem. Mesmo assim, o fato de Alcolumbre despachá-la para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) já é considerado um avanço pelo Palácio do Planalto.

 

Alcolumbre estava travando várias pautas de interesse do Planalto desde o fim de abril, quando o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Lula ficou inconformado com a derrota e passou mais de três meses sem falar com o presidente do Senado. A reaproximação entre os dois só foi feita depois de um jantar, no último dia 4, que teve como anfitrião o ministro do STF Alexandre de Moraes.

 

Enquanto Lula e Alcolumbre não se falavam, Motta aproveitou para estreitar os laços com o presidente. A Câmara votou várias pautas enviadas pelo governo e despachou tudo para o Senado. As propostas, porém, ficaram paradas na Casa de Salão Azul, a exemplo da PEC da Segurança, que prevê o uso de recursos de bets e do fundo social do pré-sal para o combate à criminalidade e o enfrentamento às facções.

 

“Na hora em que o Senado votar essa PEC, eu imediatamente vou criar o Ministério da Segurança Pública e discutir o orçamento, para que a gente possa definir com Estados e municípios o papel de cada um”, disse Lula. A PEC da Segurança será analisada pela CCJ na próxima quarta-feira, 2.

 

Antes no comando de uma operação para barrar todas as votações, Alcolumbre fez vários elogios ao presidente, sobretudo a decisões que classificou como “sensibilidade política do ser humano Lula”.

 

“O senhor está absolutamente certo quando pede a votação da Medida Provisória que vai caducar”, afirmou ele, numa referência à MP que trata do fim da “taxa das blusinhas” e perde a validade em 8 de setembro, se não for apreciada. “O senhor teve a coragem de, em um mesmo governo, colocar uma taxação e depois reconhecer a importância da isenção para a sociedade mais carente”.

 

O presidente do Senado foi além e destacou que faria ali uma inconfidência. “Em uma parte da conversa, o senhor disse para a gente que não é justo uma pessoa com condições de viajar para o exterior adquirir US$ 2 mil dólares de compras, e não pagar nada de imposto, enquanto um cidadão humilde tem de pagar taxa em cima de uma compra de US$ 50″, descreveu.

 

Motta, por sua vez, chamou de “falácia” o argumento de empresários que querem manter a taxação para compras online sob a justificativa de impedir a concorrência desleal. “Muitas indústrias brasileiras fornecem para essas plataformas”, observou ele.

 

Nos últimos dias, o presidente da Câmara tem procurado se aproximar ainda mais de Lula. Em 10 de agosto, por exemplo, declarou publicamente apoio à reeleição do petista. Agora, espera que o presidente ajude a eleger o seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), ex-prefeito de Patos (PB), a uma vaga ao Senado.

 

Para evitar atritos neste início de campanha, Lula tem evitado visitar Estados onde mais de um candidato disputa o seu aval. É justamente o caso da Paraíba de Hugo Motta. O presidente já gravou uma declaração de apoio ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que concorre à reeleição, embora o nome da aliança firmada pelo PT para o governo local seja Lucas Ribeiro (PP). Atual governador, Ribeiro tem na chapa Nabor Wanderley e João Azevedo (PSB) como postulantes ao Senado.

 

Sanções contra plataformas digitais merecem aplausos

Por Editorial / O GLOBO

 

 

Foi acertada a decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) de multar a ByteDance, controladora do TikTok, por falhar na proteção de dados de crianças e adolescentes. O valor da multa — R$ 153,7 milhões, maior sanção aplicada a uma empresa do setor no Brasil — comprova a seriedade com que a agência começa a tratar o tema, num momento em que o cerco contra as plataformas digitais se fecha no mundo todo. Nos Estados Unidos, a Justiça anunciou ontem um acordo pelo qual a Meta (dona de Instagram, Facebook e WhatsApp) comprometeu-se a pagar US$ 17 bilhões e a realizar modificações na arquitetura de suas redes — como acabar com a rolagem infinita — para escapar de um processo, movido por 47 estados, em que era acusada de tê-las projetado com a intenção de viciar crianças e adolescentes. Se perdesse, o prejuízo poderia chegar a US$ 1,4 trilhão.

 

A proteção infantil e o caráter viciante das redes sociais têm levado muitos a comparar o atual momento das plataformas ao vivido pela indústria tabagista no final dos anos 1990, quando seus principais executivos foram flagrados mentindo ao Congresso sobre o vício em nicotina — e houve acordos bilionários com os estados americanos pelos danos provocados à saúde. O próprio TikTok aceitou pagar US$ 400 milhões em multa nos Estados Unidos para encerrar um processo por violar a privacidade de crianças. Na Irlanda, também sofreu sanção de € 345 milhões por falhas na proteção de dados.

 

Essas últimas acusações são mais parecidas com as que motivaram a multa aplicada pela ANPD no Brasil. Por aqui, o TikTok terá de eliminar os dados coletados de forma irregular e implementar um plano de conformidade. Em contraste com a prática nos Estados Unidos e na União Europeia, a plataforma permitia acesso sem cadastro, tornando impossível saber se o usuário era menor ou maior. De acordo com a ANPD, mesmo quando havia cadastro, proliferavam problemas de identificação. Para completar, o TikTok é acusado de veicular anúncios personalizados a crianças, proibidos por lei. A empresa diz ter removido 7,7 milhões de contas com falhas na verificação de idade entre outubro de 2022 e setembro de 2023, o equivalente a 20% das crianças brasileiras até 14 anos.

 

Há duas semanas, a ANPD suspendeu transmissões ao vivo e compartilhamento de vídeos no Discord, em reação ao suicídio de uma menina de 13 anos em Mato Grosso do Sul, incitado e transmitido inicialmente na plataforma— mas também noutras, até agora impunes. A medida extrema, adotada depois de pressão da primeira-dama Janja Lula da Silva, deixou várias dúvidas no ar. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva qualificou o Discord como “cracolândia digital” e ordenou abertura de processo exigindo R$ 500 milhões em multa.

 

No caso do TikTok, não houve precipitação política. Em 2021, uma denúncia de coleta irregular de dados deu início à fiscalização da ANPD. A cooperação da empresa foi insuficiente. “A gente tinha de exigir mais de uma vez para que respondesse”, diz o superintendente de fiscalização, Fabrício Lopes. Somente quando o processo andou, o TikTok começou a mudar de postura. Espera-se que a multa tenha poder de persuasão e incentive as demais plataformas a cumprir as exigências da lei. Se a experiência internacional serve de exemplo, o idioma que as plataformas entendem melhor é a punição.

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