Medindo a piora das contas públicas em ano eleitoral
É inglória a tarefa assumida pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, de defender a política orçamentária do governo e prometer responsabilidade no caso de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Diante da trajetória alarmante de endividamento público, visível a qualquer observador, o Executivo começa mal o debate quando se recusa a reconhecer a gravidade dos números.
Não há, além disso, um ajuste sério pelo lado das despesas. A aparente melhora do saldo primário (excluindo juros) oficial nos últimos anos resultou sobretudo de aumento de arrecadação e de exclusões crescentes de gastos das metas fiscais, artifício que mascara o desequilíbrio real.
Os dados da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, mostram a continuidade de uma trajetória de piora. Neste ano, as receitas primárias do governo federal avançaram 5,6% acima da inflação, enquanto as despesas cresceram 6,3%, ampliando o déficit efetivo para R$ 81,2 bilhões —R$ 10,9 bilhões a mais que no mesmo período de 2025.
Para o ano, a IFI projeta déficit efetivo de 0,4% do PIB (cerca de R$ 52 bilhões), ao passo que a meta fixada pela Lei de Diretrizes Orçamentárias é um superávit de 0,25% do produto. O cumprimento formal só será possível graças a exclusões de R$ 62,8 bilhões em gastos, além do uso do intervalo de tolerância.
Tais resultados, contudo, não revelam com clareza se a política fiscal é expansionista ou contracionista. Para isso, a IFI calcula o saldo primário estrutural: o resultado convencional descontado dos efeitos do ciclo econômico, de eventos não recorrentes e das flutuações do preço do petróleo sobre royalties.
Sob Lula 3, o déficit estrutural, que havia recuado para 0,7% do PIB nos quatro trimestres encerrados em junho de 2025, saltou para 1,4% do PIB no período correspondente deste 2026 —o rombo duplicou, portanto.
O resultado convencional, na mesma base de comparação, passou de superávit de 0,1% para déficit de 1,1% do PIB, com o componente estrutural respondendo pela maior parte da piora.
Também é possível estimar o impacto na economia por meio da medida de impulso fiscal. Em relação à demanda total, a política passou de levemente contracionista em 2025 para expansionista em 0,6 a 0,9 ponto do PIB neste ano eleitoral, impulsionada pela maior execução discricionária no período. Novos programas de crédito subsidiado também contribuem para o estímulo.
A tese de Durigan de que o recente aumento da dívida se deve aos juros, não ao déficit primário, é incompleta, para dizer o mínimo. A dinâmica dos juros é influenciada pelos gastos que avançam a ritmo próximo de 6% ao ano em termos reais, pressionam a inflação e impedem o afrouxamento da política monetária.
Ao não reconhecer os problemas, ademais, o governo alimenta a incerteza quanto a um ajuste, o que também pesa nos juros.
Decon notifica 64 postos de combustível e cobra explicações por aumento de preços em Fortaleza
Escrito por Redação / DIARIONORDESTE
Os recentes reajustes nos preços da gasolina comum e do óleo diesel levaram à notificação de 64 postos de gasolina em Fortaleza, entre terça (18) e esta quarta-feira (19) pelo Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), do Ministério Público do Ceará (MPCE).
A medida foi adotada após a identificação de aumentos nos valores cobrados por diversos estabelecimentos. Segundo o órgão, objetivo da ação é "verificar se os preços praticados estão de acordo com a legislação consumerista".
Documentação será analisada
Os estabelecimentos notificados terão que apresentar, em até cinco dias, documentos que permitam analisar os reajustes, como as três últimas notas fiscais de compra de gasolina comum e óleo diesel.
Essa documentação será checada pela equipe técnica do órgão e servirá de base para apurar quais critérios foram adotados pelos postos na precificação do combustível.
Ainda conforme o Decon, as notificações buscam verificar "eventual ocorrência de elevação de preços sem justa causa ou de outras condutas que possam estar em desacordo com o Código de Defesa do Consumidor".
Após a análise dos documentos, o órgão poderá adotar as medidas cabíveis caso sejam constatadas irregularidades.
Canais de Denúncia
Consumidores que identificarem situações semelhantes podem realizar denúncias ao Decon através do telefone (85) 3106-5164, no WhatsApp (85) 9.8685-6748 ou pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .
Ciro cumpre agenda com Sarto e defende gestão do ex-prefeito: 'Será cada vez melhor compreendido'
Escrito por Bruno Leite e Ingrid Campos / DIARIONORDESTE
O candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), participou na noite desta quinta-feira (20) do lançamento da candidatura do ex-prefeito de Fortaleza, José Sarto (PSDB), à Câmara dos Deputados.
Em um ato realizado no comitê do postulante ao Legislativo federal, na Praia de Iracema, o ex-ministro destacou a participação do aliado em sua campanha e defendeu a necessidade da eleição dele, caso chege chegue novamente ao comando do Executivo estadual.
"Sarto já foi presidente da Assembleia [Legislativa], já foi presidente da Câmara Municipal [de Fortaleza], tendo sido, portanto, vereador e deputado estadual e liderou líderes", frisou o político em conversa com o PontoPoder.
Elogios ao ex-gestor
Ao que afirmou Ciro Gomes, o aliado, derrotado na corrida eleitoral de 2024, quando tentou ser reeleito, "foi um prefeito que será cada vez melhor compreendido na proporção em que as pessoas vão começando a perceber, pela negação, que enquanto ele fez 24 postos de saúde a atual administração não fez nenhum".
Ele também ressaltou as qualidades do ex-gestor de Fortaleza. "Eu, especialmente, tenho um prazer muito grande de apoiar o Sarto, porque ele é decente, competente, ama o povo com sinceridade e verdade porque é da própria vocação pessoal", salientou.
"Por todos os argumentos, Sarto é um deputado que merece o voto e eu preciso muito dele para bem governar o Ceará", finalizou o postulante ao Palácio da Abolição.

Elmano rebate Ciro sobre leitos funcionando no HUC: 'Tenha vergonha, tu não anda o Ceará'
Escrito por Milenna Murta* DIARIONORDESTE
O governador e candidato à reeleição Elmano de Freitas (PT) rebateu Ciro Gomes (PSDB), principal adversário nesta eleição, sobre o funcionamento do Hospital Universitário do Ceará (HUC), e afirmou que o tucano "não anda o Ceará". A declaração foi feita nesta quinta-feira (20), durante a participação do candidato na sabatina do PontoPoder.
Ao ser questionado quanto à falta de leitos e às propostas para a Saúde no Ceará, Elmano afirmou ser o governador "que mais fez" leitos para a população do Estado, além de pontuar que o tucano teria feito "zero" e, por isso, "não tem moral para falar".
A contestação decorreu de uma fala proferida pelo candidato Ciro Gomes na quarta-feira (19), durante a sabatina do PontoPoder. Na ocasião, ele afirmou que o funcionamento da entidade hospitalar era parcial e criticou o sistema de saúde cearense.
Além do HUC, Elmano enumerou a inauguração de outras unidades da saúde em cidades do interior, como Acaraú e Itapipoca. Ainda se direcionando ao tucano, ele relembrou que os projetos aconteceram "graças a esse governador e ao presidente Lula, que você (Ciro) critica".
Elmano de Freitas, candidato ao Governo do Ceará pelo Partido dos Trabalhadores (PT), é o segundo entrevistado da série de sabatinas promovida pelo Sistema Verdes Mares (SVM) para as eleições de 2026, com transmissão pelo Diário do Nordeste, Verdinha FM 92.5 e TV Diário.
Elas foram realizadas com os postulantes com representatividade partidária ou que tenham mais de 5% das intenções de voto na pesquisa estipulada mais recente do instituto Quaest Ceará. A ordem dos sabatinados foi previamente definida mediante sorteio realizado com representantes das candidaturas.
*Estagiária sob supervisão da jornalista Jéssica Welma.
Fiscalização falha de ônibus fretados contribui para tragédias nas rodovias
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É evidente que o transporte clandestino de passageiros traz mais riscos. Ainda que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informe que, nos últimos 12 meses, 22.644 ônibus tenham sido abordados no Rio e em Minas, os mecanismos de inspeção têm sido insuficientes para coibir as ilegalidades. “A fiscalização é majoritariamente reativa e pontual, não é preventiva. Muitas vezes, a irregularidade só é identificada durante a viagem ou depois de um acidente”, diz Letícia Pineschi, diretora-geral da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros.
Cabe à ANTT a fiscalização das empresas de transporte. Toda empresa que faz fretamento de ônibus precisa de autorização da ANTT. Para cada viagem, é necessária uma licença específica, com a relação dos passageiros — algo que não havia no ônibus acidentado. Nenhuma das empresas a que ele estava associado tem autorização para transporte interestadual.
Não há, contudo, cooperação eficaz com os policiais rodoviários. Quando para um ônibus na estrada, a PRF apenas verifica se o veículo está em condições de trafegar, analisa os documentos, confere se o motorista respeita as regras de conduta no trânsito e inspeciona para ver se transporta armas ou drogas. Mas a PRF não impede a viagem de seguir se o veículo não cumpre as normas da ANTT — um estímulo às viagens clandestinas. Uma fiscalização mais rigorosa, com a cooperação da PRF, certamente contribuiria para poupar vidas.
Rediscutir diploma de jornalismo não tem cabimento
Atualizado
Diante da repercussão do caso, Moraes e Dino defenderam rever o entendimento sobre a obrigatoriedade do diploma, insinuando que um blogueiro como Pablo não deveria usufruir as mesmas garantias constitucionais que um jornalista profissional. O ministro Gilmar Mendes apoiou a ideia: “Podemos discutir sim, se de fato se entender que há aí algum comprometimento na qualidade da informação”. Paradoxalmente, o próprio Gilmar foi o relator do caso que acabou com a exigência do diploma. Na época, afirmou no voto vencedor que o diploma não funciona como “vacina contra mau jornalismo”.
Gilmar estava certo em 2009 e está errado agora. Exigir diploma não impediria eventuais práticas criminosas — longe de comprovadas no caso de Pablo, por sinal. As liberdades de informação e expressão não são prerrogativas exclusivas dos jornalistas. A Constituição as assegura a todos. Ainda que não fosse assim, qualquer influenciador ou blogueiro poderia facilmente obter um diploma. O noticiário do dia a dia está repleto de médicos, advogados, economistas ou juízes devidamente diplomados que cometem crimes. E os jornalistas, com ou sem diploma, não estão imunes aos rigores da lei. É preciso aperfeiçoar o combate ao crime, e não se meter na formação profissional desviando o foco da questão.
Nada justifica a quebra do sigilo da fonte, uma garantia para a sociedade de que os jornalistas terão proteção e liberdade para investigar e de que as fontes continuarão a procurá-los para denunciar os poderosos, sem medo de ser identificadas e perseguidas. É possível que Pablo tenha cometido crime, mas a PF tem condições de investigá-lo pelos meios regulares, sem avançar sobre direitos constitucionais. É uma afronta à liberdade de imprensa a apreensão de instrumentos de trabalho, como celulares e computador, para descobrir suas fontes. Tão grave quanto é insistir no erro, usando o caso do Maranhão como pretexto para ressuscitar um despropósito dos tempos da ditadura.
É verdade que as redes sociais, onde a maioria não segue os princípios do jornalismo profissional, estão inundadas de desinformação ou crimes. Mas há regras — algumas fixadas pelo próprio STF — para coibi-los. Exigir diplomas certamente não resolverá nada e criará outros problemas. É extremamente preocupante que ministros tentem criar obstáculos para o livre exercício do jornalismo num momento em que a imprensa tem revelado notícias incômodas para o Supremo sobre as quais alguns ainda devem explicações.
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