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Acelerar concessões ajudará a reduzir acidentes e mortes nas estradas

Por  Editorial / O GLOBO

 

Apesar de as mortes nas rodovias federais terem caído em 2025, há pouco a comemorar. As estatísticas ainda são assustadoras. De janeiro a dezembro de 2025 houve 53.435 acidentes, com 15.098 feridos graves e 4.799 vítimas fatais. Nas três categorias, os números são superiores aos registrados antes da pandemia, segundo a última edição de estudo da Plataforma de Infraestrutura em Logística de Transporte, da Fundação Dom Cabral (FDC). De mudança significativa, apenas a constatação de que a BR-116 ultrapassou a BR-101 como rodovia mais perigosa do Brasil. É evidente que a situação exige mais atenção das autoridades.

 

Estudos aqui e no exterior confirmam que estradas duplicadas, com traçados apropriados, sinalização visível dia e noite e controle eficaz de velocidade reduzem acidentes e mortes. Incapaz de investir para garantir tais condições, o governo não tem alternativa a não ser conceder as rodovias à iniciativa privada. Depois de anos de resistência à privatização, enfim o governo petista entendeu isso. O criticável é o ritmo. Como os dados da FDC mostram, é preciso acelerar as concessões. Rodovias concedidas apresentam taxas de acidentes e níveis de gravidade inferiores aos das congêneres públicas. Nas estradas já concedidas em que as estatísticas permanecem ruins, é preciso exigir celeridade nas obras. Os pontos mais perigosos são de conhecimento de todos.

 

Para comparar rodovias e trechos com intensidade de tráfego distintas, os pesquisadores da FDC usam um indicador que considera volume e gravidade dos acidentes. No ranking da severidade, a BR-116 está em primeiro lugar, seguida por BR-101, BR-153 (no Tocantins) e BR-364 (no Acre). Em 2025, os trechos mais perigosos da BR-101 ficaram concentrados na divisa do Rio com o Espírito Santo. Na BR-116, as áreas mais letais foram registradas do Rio à Bahia, passando por Minas Gerais. “Quanto maior a extensão da pista simples, maior a tendência de colisões frontais. E esse é um dos tipos de acidente com maior taxa de severidade”, disse ao GLOBO Paulo Resende, responsável pela pesquisa. “No Norte de Minas e em áreas baianas de pista simples, a combinação de pavimento irregular, ausência de acostamento e retas longas tem sido especialmente letal.”

 

O que acontece nas estradas e nas ruas brasileiras não é normal. Aqui a taxa de mortes por 100 mil habitantes é superior à de países como Argentina, Chile, Colômbia, México ou Uruguai. Para melhorar, o Brasil poderia se inspirar na Bulgária. O país ainda apresenta indicadores ruins, mas entre 2017 e 2019 houve queda de 25% nas mortes — e, em 2024, de 9% em relação a 2023.

 

Isso é prova de que, com investimentos e exigências certas, se obtêm bons resultados. As medidas necessárias para acabar com a carnificina nas estradas não são segredo. Se o Estado não tem condição de implementá-las, é preciso deixar a tarefa a cargo da iniciativa privada — e cobrar com afinco.

 

 

Regras para uso de IA nas eleições são bem-vindas

Por  Editorial / O GLOBO

 

 

São sensatas as normas aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para uso de inteligência artificial (IA) na propaganda eleitoral deste ano. O objetivo é combater a desinformação que costuma contaminar as redes sociais, onde nem tudo é o que parece. Com a facilidade de acesso às ferramentas de IA, capazes de conferir verossimilhança incrível a vídeos e áudios sem nenhuma conexão com a realidade (chamados deepfakes), o eleitor se torna presa fácil de manipuladores.

 

Serão proibidos, nas 72 horas que antecedem o pleito e nas 24 horas posteriores, publicação, republicação ou impulsionamento de novos conteúdos produzidos ou modificados por IA. Nas situações em que for permitida, qualquer propaganda que use imagem, voz ou conteúdo manipulado por IA precisará informar de forma “explícita, destacada e acessível” a tecnologia empregada. Essa regra, que também vale para material impresso, já vigorou nas eleições municipais de 2024.

 

É acertado também responsabilizar nas esferas civil e administrativa as plataformas que deixarem de retirar do ar de forma imediata conteúdos considerados irregulares pela Justiça Eleitoral. Elas deverão remover postagens “idênticas” ou “substancialmente equivalentes”, mesmo sem expedição de nova ordem judicial. A remoção de perfis ficará restrita a casos comprovadamente falsos, apócrifos ou automatizados que pratiquem reiteradamente crime eleitoral. A Justiça precisará ter cautela para que a legítima preocupação com a integridade do processo eleitoral não resulte em censura.

 

Fica vedado, ainda, que sistemas de IA ranqueiem, priorizem ou recomendem candidaturas, partidos ou campanhas, que se use IA para criar ou modificar imagens que envolvam cenas de sexo, nudez e pornografia com candidatos ou candidatas ou para disseminar violência política contra as mulheres.

 

O TSE acerta ao exigir transparência no uso da IA e ao barrar a utilização mal-intencionada da tecnologia. Da mesma forma que a ferramenta pode ser útil para simular um projeto prometido pelo candidato, pode ter efeito devastador ao gerar imagens fraudulentas de candidatos ou candidatas, como infelizmente já acontece em situações do dia a dia. Com a tecnologia disponível, é fácil fraudar discursos ou criar imagens falsas. Eleições em todo o mundo têm sido assombradas por propagandas forjando declarações de candidatos que jamais existiram.

 

Mas não se deve ter a ilusão de que as regras fixadas pelo TSE bastam para conter as ameaças. O período sem uso de IA às vésperas do pleito tem efeito discutível, uma vez que as campanhas mudaram. Com o uso das redes sociais, elas se tornaram permanentes — e já estão a todo vapor, embora oficialmente nem tenham começado. Os efeitos dos conteúdos costumam ser duradouros. As usinas de desinformação também não ficam restritas aos núcleos das campanhas. Em tese, qualquer cidadão pode recorrer à IA para produzir conteúdo fraudulento que se disseminará rapidamente pelas redes com potencial deletério inimaginável.

 

Evidentemente, as normas do TSE são bem-vindas. Mas cabe às próprias campanhas zelar para que a eleição se paute pelos fatos e propostas, e não por mentiras capazes de, num clique, aniquilar reputações.

 

 

Ao liberar quebra de sigilo de Lulinha, Alcolumbre sinalizou ao Planalto fim de CPI

COLUNA DA MALU GASPAR / Por Rafael Moraes Moura— Brasília / O GLOBO

 

Ao manter a quebra do sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, pela CPI do INSSDavi Alcolumbre (União Brasil-AP) deu uma no cravo e outra na ferradura. Por um lado, agradou a oposição e abriu brecha para o surgimento de uma crise com considerável potencial de estrago sobre a candidatura de Lula à reeleição em outubro. Ao mesmo tempo, prometeu ao governo que não vai permitir a prorrogação da CPI do INSS, que pelo prazo atual deve terminar em 28 de março.

 

“Ele quis fazer concessões para os dois lados”, diz um interlocutor de Alcolumbre. Segundo esse aliado, o movimento foi comunicado tanto a lideranças governistas no Congresso como a assessores do próprio presidente da República.

 

Os aliados de Lula teriam se conformado com a decisão, uma vez que Lulinha já teve o sigilo quebrado por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STFAndré Mendonça, relator do caso do INSS na Corte, ainda em janeiro, durante o recesso do tribunal, a pedido da Polícia Federal (PF).

 

Na semana passada, a CPI também quebrou o sigilo de Lulinha, em uma tumultuada sessão que teve o resultado da votação simbólica contestada por parlamentares da base governista.

 

O recurso do governo, porém, foi rejeitado com base em um parecer da Advocacia do Senado, segundo o qual a intervenção do presidente do Senado para anular votações dos colegiados deve ocorrer em “caráter excepcionalíssimo” e quando há “dúvida razoável quanto à lisura do processo de deliberação e resultado apurado”, o que não seria o caso. Ao chancelar o parecer, Alcolumbre extinguiu a reclamação dos governistas.

 

A equipe da coluna apurou que, apesar da contrariedade com a decisão do presidente do Senado, os aliados de Lula aceitaram resignados uma vez que o sigilo de Lulinha já havia sido quebrado e o risco de os detalhes se tornarem públicos já existe de qualquer maneira.

 

Mesada de R$ 300 mil

Lulinha é suspeito de receber mesada de R$ 300 mil reais do Careca do INSS, considerado o maior operador do esquema ilegal de descontos que drenou cerca de R$ 3,7 bilhões dos rendimentos dos aposentados brasileiros, segundo a estimativa do Dataprev. Durante as investigações, foram encontradas conversas do Careca com seus funcionários e com uma empresária filiada ao PT que é amiga próxima de Lulinha, Roberta Luchsinger.

 

Roberta também teve a quebra de sigilo aprovada pela CPI – e decidiu acionar o Supremo nesta terça-feira (3) para derrubar a medida. O caso está com o ministro Flávio Dino.

 

Num dos diálogos, Antunes fala com um de seus diretores sobre o pagamento a uma empresa de propriedade de Luchsinger, a RL Consultoria. Questionado sobre quem seria o beneficiário do repasse, Antunes respondeu que era "o filho do rapaz", sem citar nomes.

 

Segundo a PF, a empresa de Luchsinger recebeu um total de cinco pagamentos de R$ 300 mil, totalizando R$ 1,5 milhão. A investigação apontou que os contratos firmados entre o Careca do INSS e Roberta Luchsinger fugiam das atividades das empresas.

 

A PF diz que Roberta faria parte do "núcleo político" da organização criminosa. Em uma das trocas de mensagens, ela alerta sobre as apreensões e pede que ele se livre de aparelhos celulares. “E só para você saber, acharam um envelope com nome do nosso amigo no dia da busca e apreensão”, escreveu ela.

 

Antunes reage com preocupação, e Luchsinger responde apenas que o Careca "suma" com os telefones. "Joga fora", escreveu a empresária. Segundo a investigação, os dois formaram uma sociedade que tinha interesses em decisões da Anvisa e do Ministério da Saúde.

Incêndios se avolumam, e Lula só assiste

Vera Magalhães / Os principais fatos da política, do Judiciário e da economia.O GLOBO

A maré definitivamente não é boa para a largada da campanha de Lula à reeleição, e o entorno do petista demora além da conta para reconhecer a conjunção de fatores negativos e agir de forma coesa, no governo e na política. Na verdade, esse time carece de coordenador e de quem tenha ascendência sobre Lula. O que mais se ouve entre auxiliares e aliados do petista é: ele tomará todas as decisões relevantes, e no seu tempo.

 

Enquanto isso, a CPMI do INSS vai se transformando na CPMI do Lulinha, a interlocução com o Congresso, já ruim, se deteriora, e a definição sobre quem fica e quem sai do governo e quais serão os candidatos apoiados pelo presidente em cada estado acontece em ritmo intermitente, sem direção clara.

 

Ontem Lula se reuniu com os personagens que devem compor seu palanque em São Paulo, o estado-chave da sucessão. Tudo caminha para que Fernando Haddad dispute o governo. Simone Tebet deverá mesmo ser a candidata de Lula ao Senado. E o vice-presidente Geraldo Alckmin, que deverá ser confirmado na chapa à reeleição, poderá atuar como coordenador, oficial ou informal, da campanha de Lula e de Haddad no estado que governou em quatro ocasiões, atuando como principal contraponto à gestão de Tarcísio de Freitas, também no interior.

 

A confirmar esse arranjo, Lula terá dado, a pouco menos de um mês do prazo final de renúncias e desincompatibilizações para quem disputará eleições, o pontapé inicial da montagem de seu quadro de candidatos país afora, variável da maior importância num quadro de eleição polarizada, que tende a ser disputada cabeça a cabeça.

 

A oposição já está mais adiantada na costura, como ficou patente diante do mapa esboçado por Flávio Bolsonaro na semana passada. Ainda restam muitas arestas na direita, é verdade, mas as conversas começaram há mais tempo e envolvem uma gama de partidos, mesmo os aboletados em cargos no governo federal até hoje.

 

O ano começou com desgaste na avaliação de Lula, já medido tanto em pesquisas públicas quanto nos levantamentos internos do PT e do governo. Não foi só o episódio do carnaval, como já disse aqui. Contribui para o repique da rejeição a Lula a impressão, tão difusa quanto imprecisa, de que os escândalos do INSS e do Master são da alçada do Executivo.

 

Eis outro incêndio que ele e seu estafe demoram a se mobilizar para apagar. É difícil compreender como Lula volta de viagem ao exterior, encontra as pontas todas soltas e não se reúne com os presidentes da Câmara e do Senado para tentar amarrá-las. De pouco ou nada adianta, para efeito da opinião pública, bater no peito em entrevista ao UOL e dizer que, se o filho tiver de dar explicações sobre o INSS, que dê.

 

A ideia de associação da sua família a escândalos passados está inoculada em amplas faixas do eleitorado. Episódios como esse ativam um vírus muitas vezes latente. Subestimar o efeito desse tipo de assunto é de um amadorismo inexplicável a esta altura do campeonato.

 

Davi Alcolumbre já enviou pelo menos dois recados de que está insatisfeito com o governo e quer ser chamado a conversar. Não se trata de acatar mais demandas do presidente do Congresso, que já conta com postos e benesses em abundância num governo de que nem é aliado formal. Mas não ter canal constante e direto de diálogo com o comando do Legislativo pode ser fatal para um governo que, desde o primeiro dia, sabe não ter nada nem próximo de maioria congressual.

 

Tudo isso resulta num quadro em que constantemente o Planalto é pego de surpresa com derrotas. Não controla nem a agenda dos projetos que pretende defender na campanha eleitoral, como o fim da jornada 6x1 e a PEC da Segurança, ambos muito mais dependentes do presidente da Câmara, Hugo Motta, que de Lula e seus ministros, alheios ao debate.

Fator Lulinha pesará na eleição

Elio Gaspari / Jornalista e escritor / O GLOBO

Os repórteres Luiz Vassallo e Aguirre Talento revelaram que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, de 51 anos, reconheceu em conversas particulares que viajou em 2024 para Portugal com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Juntos visitaram uma fábrica de Cannabis para fins medicinais. Lulinha decidiu revelar que fez essa viagem, cacifada pelo Careca, depois que a Polícia Federal pediu e o ministro André Mendonça, do STF, levantou o sigilo bancário de suas contas. O Careca do INSS está preso por causa de suas conexões com a quadrilha que roubava descontos nos contracheques de milhares de aposentados.

 

O filho mais velho do presidente aparentemente decidiu abandonar o silêncio que cultiva há mais de 20 anos. Beleza, poderá explicar por que se sentiu atraído pela Cannabis medicinal ou que critério o levou a acompanhar o Careca em sua prospecção portuguesa. Como a eleição presidencial será em outubro, nos próximos sete meses, se ele não fizer isso, será um personagem radioativo na campanha.

 

Lulinha padece na condição paradisíaca de filho do presidente. Registre-se que Lula tem cerca de 15 irmãos e meio-irmãos vivos. Poucas famílias de presidentes mantiveram-se tão longe do poder, mas coube a Lulinha o papel de para-raios.

 

Nos dois primeiros mandatos do pai, Lulinha conseguiu um financiamento benigno de uma telefônica. Nas fantasias da redes, ele era um milionário, dono de fazendas, vivendo numa mansão. Diplomado em biologia e tendo sido monitor do zoológico de São Paulo, diversificou suas atividades até que chegou à Cannabis medicinal e ao Careca do INSS. Isso no mundo dos fatos. Na feira de maledicências, ele seria nada menos que um sócio oculto da JBS, empresa campeã no mercado de carnes.

Um ex-funcionário do Careca contou à Polícia Federal que eles eram sócios, com Lulinha, o “filho do rapaz”, recebendo jabaculês de R$ 300 mil mensais. A defesa de Lulinha repete que suas relações com o Careca do INSS nada tinham a ver com as falcatruas contra os aposentados. Eram, segundo diz, restritas à prospecção de um negócio com Cannabis medicinal. Parece muito dinheiro.

 

Se Lulinha quer se livrar da condição de personalidade predileta para a disseminação de notícias falsas, o melhor que tem a fazer é livrar-se de todos os seus sigilos. Lula já disse, referindo-se às roubalheiras do INSS, que, “se tiver filho meu metido nisso, será investigado”.

 

Lulinha admite então que o Careca pagou as contas da viagem a Lisboa. Só? Março mal começou, e esse ectoplasma acompanhará Lulinha e Lulão com intensidade cada vez maior. Recorrer contra as decisões que determinaram a quebra de sigilo terá um efeito anestésico para çábios metidos na campanha e tóxico para o eleitorado.

 

Olhando pelo retrovisor, Lulinha teria feito muito melhor negócio falando no final do ano passado, quando a oposição queria ouvi-lo na CPI do INSS. Àquela altura, sua radioatividade parecia baixa.

 

VEJAMOS : Com as próprias pernas

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

A Azul foi a última das três maiores companhias aéreas nacionais a recorrer ao Chapter 11 – equivalente, nos EUA, à recuperação judicial no Brasil – para reequilibrar sua estrutura financeira. Foi também a que atravessou mais rapidamente o processo, concluído em menos de um ano. A Gol, que passou por processo semelhante, levou quase um ano e meio para sair dele, no ano passado, e a Latam, a primeira a recorrer ao mecanismo da Lei de Falências dos EUA, mais de dois anos, entre 2020 e 2022.

O retorno das três empresas a uma condição mais estável no mercado de transporte aéreo comprova que o socorro governamental com uso de dinheiro público pode ser o caminho mais fácil, mas não o mais eficiente, e tampouco o mais justo, para reorganizar o mercado. Os três casos mostram que as companhias privadas têm condições de buscar suas próprias alternativas para vencer crises.

 

A despeito disso, o crédito especial de R$ 4 bilhões para acudir aéreas em dificuldades financeiras deve ser liberado pelo BNDES neste ano. O montante foi fixado em projeto de lei enviado em outubro de 2024 pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso, com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), que não serão contabilizados no Orçamento, prática irritantemente comum no lulopetismo.

 

O contrato que permite a liberação dos recursos foi assinado em dezembro do ano passado, e o atraso foi o principal motivo destacado pela Azul para recorrer ao processo judicial nos EUA. Entraves burocráticos à parte, passa da hora de o governo repensar a amplitude e imprescindibilidade do socorro a setores em apuros. Note-se que nem liberou o montante aprovado e o governo Lula já fala em financiar mais R$ 1,5 bilhão com juros mais baixos. Um dos objetivos do governo é ampliar a participação de aviões da Embraer no mercado doméstico.

 

A interferência do governo na solução de crises setoriais é uma questão complexa que tende a se legitimar quando adotada como recurso limite para manutenção da estabilidade econômica ou para impedir o desemprego em massa. Mas o “Estado-hospital”, que ganhou destaque nas gestões petistas, traz mais prejuízos do que benefícios, em especial se a ineficiência estiver na base da crise.

 

Em 2025, antes mesmo do fechamento das estatísticas do ano, o próprio governo divulgou que o número de passageiros do transporte aéreo iria chegar ao recorde de 130 milhões de pessoas, ultrapassando pela primeira vez os números pré-pandemia. Nas rotas internacionais, o dado acumulado até novembro foi de 25,8 milhões de passageiros, superando o resultado de 2024, até então o melhor da série histórica.

 

O setor aéreo se recompõe via mercado. Nos EUA, buscou renegociar contratos de arrendamento das aeronaves e atrair novos sócios. O uso maciço de dinheiro público para pintar um quadro de retomada é estratégia ultrapassada e ineficiente e, quando escamoteada do Orçamento, traz desvantagem ainda maior. Afinal, o resgate de empresas financiado com dinheiro público, além de não atingir o objetivo, ajuda a arrebentar as combalidas contas públicas.

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