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Não há segurança sem combate à corrupção policial

Não existe política séria em segurança pública quando parte de sua estrutura se converte em sócia ou protetora das organizações criminosas que deveria combater. Nas situações mais graves, a corrupção policial conecta-se a esquemas que alcançam setores dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Trata-se de um problema histórico do país, que o noticiário recente evidencia com o estopim de novos casos. Mesmo assim, a PEC da Segurança e o projeto Antifacção, recém-aprovados, passam ao largo da corrupção policial.

Em São Paulo, a Operação Bazaar, deflagrada no início de março pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, revelou um esquema de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos para proteger uma organização criminosa ligada à lavagem de dinheiro, com manipulação de procedimentos, fraude processual e destruição de provas.

Entre os investigados, estão dois investigadores, um delegado e um escrivão da Polícia Civil do estado. Mais grave, relatórios sigilosos de inteligência financeira do Coaf teriam sido desviados de sua finalidade legal para constranger pessoas, pressionar alvos e sustentar extorsões.

No Rio de Janeiro, ainda neste mês, a Operação Anomalia expôs policiais civis e militares utilizando a estrutura do Estado para extorquir integrantes da facção criminosa Comando Vermelho, além de corrupção e lavagem de capitais. Há indícios de facilitação logística para o tráfico e milícias, blindagem de criminosos e ocultação de patrimônio ilícito.

Diante desse cenário, insistir exclusivamente no endurecimento penal é não compreender —ou não querer enfrentar— um dos principais fatores que impulsionam a atividade criminosa. Elevar penas sem desmontar redes de corrupção é mero punitivismo que não produz efeito estrutural.

A prioridade precisa mudar. Corregedorias não podem continuar burocráticas, frágeis e subordinadas. Devem atuar com autonomia, inteligência, controle de conflitos de interesse e capacidade efetiva de interromper ciclos de contaminação do aparato institucional.

É necessário rastrear enriquecimento incompatível e garantir independência funcional para investigar e punir desvios dentro das próprias corporações.

Segurança pública não se faz apenas com polícia na rua e punições mais duras. Sobretudo, faz-se com polícia íntegra. Quando a proteção ao crime se instala no Estado, não é só a ordem pública que entra em colapso. A democracia, os direitos e as garantias também passam a correr risco.

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Não se deve politizar o preço do diesel

Após zerar impostos federais sobre o diesel, adotar uma subvenção para o preço do produto e reforçar a fiscalização do frete mínimo para evitar uma paralisação dos caminhoneiros, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propôs que os estados suspendam temporariamente o ICMS sobre a importação do óleo até o fim de maio.

Metade do custo, estimado em R$ 3 bilhões, seria bancada pela União. A intenção do Planalto é viabilizar algum alinhamento dos preços domésticos às cotações internacionais, catapultadas pela guerra entre Estados Unidos e Irã, sem que haja necessidade de repasses na bomba que castiguem o consumidor.

Até agora, a proposta não foi atendida de forma coletiva pelos governadores, que apontam —corretamente— dificuldades técnicas e riscos fiscais.

O problema básico é que o Brasil precisa importar cerca de 30% do diesel consumido internamente. As medidas podem conter preços por algum tempo, mas não são sustentáveis se a defasagem ante as cotações globais persistir. Importadores privados simplesmente param de comprar no exterior nesse caso.

Nos primeiros 17 dias de março, as importações despencaram quase 60% em relação ao mesmo período de 2025. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) e entidades do setor veem risco de desabastecimento a partir de abril.

A subvenção e a isenção federal não substituem o ajuste necessário de paridade. Prova disso é que, mesmo antes de qualquer aumento para as distribuidoras por parte da Petrobras, o diesel já subiu 20,4% nos postos desde o início do conflito (de R$ 6,03 para R$ 7,26 por litro).

A pressão federal sobre os estados, incluída em discursos recentes de Lula, é um remendo temerário. As finanças públicas já estão combalidas —o resultado orçamentário estadual vem piorando desde o ano passado.

Governadores apontam riscos de inconstitucionalidade (benefício seletivo ao diesel importado), a necessidade de compensações exigida pela Lei de Responsabilidade Fiscal, prejuízos para outras políticas públicas e dificuldade de fiscalização, com possibilidade de fraude (declarar produto nacional como importado).

O ano eleitoral intensifica a ansiedade do governo, que ensaia emular o populismo de Jair Bolsonaro (PL) em 2022. Manter o diesel artificialmente mais barato é tentador politicamente.

Algumas ações paliativas como as já adotadas para adiar o impacto na economia até fazem sentido no curto prazo, diante da própria incerteza sobre a duração do conflito. Mas uma continuidade da guerra no Oriente Médio tornará inevitável, em algum momento, o realinhamento dos preços domésticos. Cotações globais não se curvam a decretos de Brasília.

A transparência com a população é o melhor caminho. Transformar o tema em objeto de disputa política resultará em demagogia e heranças fiscais amargas.

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Brasil perde 37% das agências bancárias em dez anos

Júlia Moura / FOLHA DE SP

 

 

O número de agências bancárias caiu 37% em dez anos no Brasil, indo para pouco mais de 14 mil, em meio ao avanço da tecnologia para realizar transações e à decisão dos bancos de cortar custos, muitas vezes deixando uma parcela da população sem atendimento.

Desde 2015, 638 municípios ficaram sem agência AGENCIA DA CEF EM BELEMbancária, o que desassistiu 6,9 milhões de pessoas, segundo cálculos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), com base em dados do Banco Central. São 2.649 municípios sem agências, o equivalente a 48% do total, ante 36% dez anos atrás. Em termos populacionais, isso afeta 9% dos brasileiros (19,7 milhões) atualmente, ante 3,4% na década passada.

O fechamento se intensificou com a pandemia e o lançamento do Pix, e quase 6.000 agências tradicionais foram encerradas. Enquanto isso, os bancos investiram mais no atendimento remoto de gerentes e na criação de agências-conceito, com serviços como consultoria de investimentos.

Veja as estratégias de cada banco

  • BRADESCO

  • SANTANDER

  • BANCO DO BRASIL

  • ITAÚ UNIBANCO

  • CAIXA

"Funcionários são desligados e a população é impactada. Sabemos que a tendência é digital, mas até chegar ao ponto de todas as pessoas serem digitais, é preciso dar condições de atendimento a quem não tem afinidade", diz Edilson Julian, presidente do Sindicato dos Bancários de Marília e Região, no interior de São Paulo.

O sindicalista diz que, no início de cada mês, há filas antes da abertura das agências da região. Marília, que chegou a ter 50 unidades, hoje conta com 20. A entidade cita o exemplo da rural Oscar Bressane (SP), com 2.470 habitantes, que ficou sem ponto de atendimento físico e seus moradores precisam viajar cerca de 40 km até Marília para encontrar um banco.

"Os bancos estão ganhando cada vez mais dinheiro e deixando a população desassistida. Não é como se eles estivessem em dificuldade financeira" afirma Julian.

No Ceará, o fechamento está acelerado. Foram encerrados 117 locais desde 2022, aponta o Sindicato dos Bancários do estado. Só em 2025 foram 62.

De acordo com o presidente do sindicato, José Eduardo Rodrigues, há moradores que, além da falta de aptidão digital, carecem de um pacote de dados de internet que dê conta das transações pelo aplicativo.

"As economias locais sucumbem com a inexistência de um posto de atendimento bancário", diz.

Para Tiago Couto, sócio-diretor da Peers Consulting + Technology, o fechamento de agências não é simplesmente uma redução de gastos dos bancos em tempos de juros e inadimplência em alta e competição com fintechs, cuja operação é mais rentável.

DIGITALIZAÇÃO

Segundo a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), as instituições estão adequando suas estruturas à nova realidade do mercado, em que os canais digitais são preferidos pelo novo perfil do consumidor. "Atualmente, praticamente todas as operações bancárias podem ser feitas de forma eletrônica", diz a entidade.

Na direção contrária estão os Estados Unidos, cujos maiores bancos seguem em expansão física dada a falta de tração das transações digitais. Em fevereiro, o JPMorgan Chase anunciou planos para abrir mais de 160 agências em mais de 30 estados, além de reformar outras 600 unidades neste ano. O objetivo é ir a novos mercados, "incluindo comunidades rurais e de baixa a moderada renda".

Já no Brasil, com o Pix, ir ao banco pode parecer obsoleto. Porém, muitas transações e contratações ainda são feitas presencialmente. Em 2024, 27% dos pagamentos de contas, 14das contratações de investimento e 5% das transações foram feitos por canais físicos, aponta levantamento da Deloitte em parceria com a Febraban.

Todo mês, Célia Moura, 60, leva seu pai de 89 anos ao banco para sacar a aposentadoria. "Ele prefere gastar em dinheiro porque não tem cartão de crédito, não tem Pix, nada dessas coisas de celular, internet, computador. É só na agência física."

Há ainda serviços cujo volume aumentou nas agências em relação ao ano anterior. A contratação de crédito subiu 11%, indo a 45 milhões de operações, e a de seguros teve alta de 6%, para 55,5 milhões.

Segundo a Deloitte, a procura pelo atendimento presencial se deve à complexidade de alguns produtos, o que reforça o papel consultivo das agências. "Para muitos clientes, a possibilidade de esclarecer dúvidas, obter orientações claras e estabelecer uma relação mais próxima com um especialista permanece como algo essencial."

Outro fator é o medo de golpes e fraudes, especialmente envolvendo altos valores, e a dificuldade com a tecnologia.

"Não sei lidar muito bem com aplicativos, internet. Na agência, retiro dinheiro no caixa, pago algum boleto que não posso deixar em débito automático e faço a prova de vida da pensão que recebo", diz Débora Bordoni, 80. A professora aposentada conta que resolve muitas pendências via WhatsApp, conversando com sua gerente.

Apesar disso, a maior parte das operações migra para os canais digitais. Em 2024, 75% das transações bancárias foram via celular.

Essa demanda pelo aplicativo e fuga das agências levaram os bancos a aumentar o investimento em tecnologia e acelerar o fechamento dos postos físicos. Somando aluguel, segurança, funcionários e manutenção, a maioria das agências não se paga.

"Transportar dinheiro custa uma fortuna. Tínhamos receita com conta-corrente e anuidade de cartão [de crédito], que hoje caiu. Na hora de fazer todo esse processo, você deixa de pagar a conta. Por isso que tem de afunilar no digital, não tem alternativa. E tem tecnologia para isso", disse Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, à Folha em fevereiro. Segundo Noronha, é difícil uma agência ser rentável em cidades abaixo de 20 mil habitantes.

"É inegável que o fechamento de agências é um dos componentes mais interessantes para a redução de custo dos bancos. Não é algo que deve desacelerar, mas é preciso ter cuidado na velocidade para não desatender", diz Eduardo Carlier, codiretor da Azimut Brasil, gestora de patrimônio, que avalia ativos, como ações de bancos, para investimento.

Para Rosângela Vieira, economista do Dieese que atua no Sindicato dos Bancários de São Paulo, a política de fechamento de agências afeta sobretudo a população idosa e periférica, "ao ampliar dificuldades de acesso ao crédito e potencialmente aumentar a exposição a golpes e fraudes em ambientes digitais".

Os bancos têm preferido abrir pontos de atendimento mais especializados, para atrair a parcela da população que tem investimentos e faz negócios rentáveis.

"Mais do que gestão de custo, é uma mudança que reflete o hábito dos consumidores. Grandes bancos já estão na transformação digital há um tempo e têm agência mais como ambiente de construção de negócios e menos de transação, com pagamento de conta e saque. Fechar agência não é necessariamente a alavanca para competir com banco digital, e sim ter a jornada centralizada no cliente", afirma Tiago Couto.

IMÓVEIS FICAM VAZIOS

O mercado imobiliário é impactado, pois geralmente são imóveis comerciais grandes, de baixa demanda. Fechados por meses e até anos, podem ser alvos de vandalismo e invasões.

"São agências com mais de 1.000 metros quadrados desativadas, especialmente de bancos privados, no centro histórico. Dificilmente há empresas que ocupam espaços tão grandes", afirma Adriano Leocadio, secretário de Finanças e Gestão de Santos, um dos municípios que mais perdeu postos em 2025, com 14 fechamentos.

Agora, são 80 agências e postos de atendimentos em Santos, que tem a maior concentração de idosos entre as grandes cidades. "Há reclamação por parte considerável dos idosos, mas eles estão se adequando a essa nova realidade", diz Leocadio.

Em São José do Rio Preto (SP), que perdeu 11 agências no ano passado, a prefeitura trabalha em um plano de revitalização do centro, com isenção de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) para proprietários que reformarem e derem destinação a imóveis fechados ou abandonados.

"No geral, somando as duas principais avenidas da área central da cidade, temos mais de cem imóveis fechados, entre agências bancárias e comércios em geral", afirma Mario Welber, secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de São José do Rio Preto.

BANCOS INVESTEM EM AGÊNCIA-CONCEITO, E CAIXA NÃO TEM REDUÇÃO

BRADESCO

Muitos gerentes de agências que fecham são realocados e recapacitados para seguir atendendo clientes, mas de forma remota. O Bradesco investe para transformar pontos estratégicos em unidades do Principal, nova linha voltada à alta renda, com atendimento semelhante ao de uma butique de investimentos. Esse cliente paga anuidade no cartão de crédito e taxas sobre investimentos.

SANTANDER

No Santander, há dois anos, alguns funcionários que atendem pequenas empresas foram deslocados para ir atrás dos clientes, o que, segundo o banco, tem gerado melhores resultados e mais receita.

"Essa turma não tem mesinha e cadeirinha na agência. Essa turma tem um laptop, um iPad e fica o dia inteiro fazendo visita. Com isso, eu tenho o banco que sai do banco e está na rua, na casa do cliente, que tem uma potência muito maior", disse Mario Leão, CEO do Santander, ao comentar o balanço do banco de 2025.

Dos grandes bancos, a instituição é a que tem menos presença física: 17 das agências mantidas são WorkCafé, coworking misturado com escritório de investimento, em que clientes e não clientes podem trabalhar e aproveitar a cafeteria.

BANCO DO BRASIL

Banco do Brasil tem estratégia semelhante com o .BB (Ponto BB). Em 2024, transformou a agência Marco Zero do Recife (PE). Com robô como recepcionista, tablets, atendentes presenciais e online, caixas eletrônicos, loja e área para palestras e eventos, o local perdeu a cara de agência. O BB é a instituição com mais agências físicas (3.955) e prepara um Ponto BB em Belém (PA).

"Só em 2025 foram 504 obras, melhorando a ambiência e o conforto da rede de agências naquelas praças em que o cliente ainda vai muito ao banco", disse Tarciana Medeiros, CEO do BB, ao comentar o resultado da instituição.

ITAÚ UNIBANCO

Itaú Unibanco inaugurou neste ano o Espaço Uniclass, voltado a clientes do varejo, na avenida Paulista, em São Paulo. Aberto ao público em geral, há atendimento especializado e orientação financeira, espaço para eventos, loja com produtos Itaú, Stanley e Decolar, além de um café da Biscoitê.

Diferente das agências tradicionais, que funcionam das 10h às 16h, os serviços bancários da unidade vão até 19h. Já a loja também funciona aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h.

"O varejo bancário está passando por uma grande transformação, em que as pessoas buscam por mais simplificação, autonomia digital e orientação qualificada com apoio humano para decisões complexas", afirma Beatriz Couto, diretora do Itaú Uniclass.

CAIXA

Caixa Econômica Federal teve a menor redução dentre os grandes bancos. Desde 2019, a rede de atendimento caiu 5%. Com programas governamentais para a baixa renda e financiamento imobiliário, o banco não fala em reduzir a presença física.

A instituição diz investir no digital e em modelos de atendimento especializado. Para este ano, o foco é estruturar a Plataforma Empresas, unidades para pessoas jurídicas. "A Caixa atua continuamente na otimização da rede de atendimento, tendo como foco adequar a estrutura à demanda dos clientes, assegurando atendimento presencial onde é essencial, mantendo a capilaridade em todas as regiões do país."

 

Em novo aumento, gasolina comum em Fortaleza chega a R$ 6,99

Escrito por Luana Barros / DIARIONORDESTE
 

Os motoristas devem se deparar com um novo preço da gasolina em Fortaleza. O Diário do Nordeste registrou o aumento no preço do combustível em postos da Capital, alguns inclusive realizando a mudança do preço nesta quinta-feira (19).  

 

Os preços variam de R$ 6,70 e chegam a R$ 6,99, um aumento expressivo no valor de venda do combustível segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

 

Entre os dias 8 e 14 de março, a ANP registrou que o preço médio de revenda da gasolina comum em Fortaleza era de R$ 6,47. O que significa que, em apenas quatro dias, houve um aumento de até 8% em alguns postos.  

 

Mesmo se for tomado como referência o maior preço registrado pela ANP no dia 14 de março, que foi de R$ 6,69, o aumento pode chegar R$ 0,30 por litro de combustível vendido a depender do posto. 

 

Já quando se pega o menor preço registrado, que foi de R$ 6,19, a diferença pode ser ainda maior: um aumento de R$ 0,80 – equivalente a 12% de aumento. 

O Sindpostos Ceará foi acionado para saber se o aumento no preço da gasolina em Fortaleza deve atingir todos os postos da capital e também o motivo para isso. Quando houver resposta, a matéria será atualizada. 

 

Aumento da gasolina no Ceará

O Diário do Nordeste já havia mostrado o crescimento no preço da gasolina e do diesel no Ceará. Em uma semana, o litro da gasolina comum ficou R$ 0,11 mais caro, e o diesel, R$ 0,51. Os dados compararam os preços entre as duas primeiras semanas de março, segundo a ANP.  Barbalha, Crato e Juazeiro do Norte registraram aumentos expressivos no litro do combustível, próximo de R$ 1 em uma só semana.

 

Em Fortaleza, o preço da gasolina tinha se mantido estável nas duas primeiras semanas de março. 

Na primeira semana do mês, o combustível foi vendido a R$ 6,48. Entre os dias 8 e 14 de março, houve uma mínima redução, com valor médio do litro da gasolina comum comercializado a R$ 6,47.

Veja os preços da gasolina em alguns postos de Fortaleza:

Posto de gasolina à beira da rua com placa de limite de 50 km/h e painel mostrando preços de combustível.
Legenda: Tabela de preços de posto de combustível localizado na avenida José Bastos.Foto: Ismael Soares.
Placa de preços de combustíveis em posto com bandeira BR, exibindo valores de gasolina, etanol e diesel, com carros passando na via e prédios ao fundo.
Legenda: Preço em posto localizado no bairro Montese é de R$ 6,98.Foto: Ismael Soares.
Placa de preços de combustíveis em posto às margens de avenida, com valores de gasolina, etanol, diesel e GNV, palmeira ao fundo e carros circulando.
Legenda: Preços em posto de combustível localizado na Via Expressa, em Fortaleza.Foto: Ismael Soares.
Posto de gasolina da marca Ipiranga com placa exibindo preços dos combustíveis, visto da rua com árvores ao redor.
Legenda: Tabela de preços em posto localizado na avenida Barão de Studart.Foto: Ismael Soares
Posto de combustíveis da rede Petro+ com placa mostrando preços de gasolina, etanol e diesel, carros estacionados e pedestres ao redor.
Legenda: Posto de combustível localizado na avenida Barão de Studart teve o preço mais baixo registrado pelo Diário do Nordeste, no valor de R$ 6,70.Foto: Ismael Soares

Aumento da gasolina no Ceará

Diário do Nordeste já havia mostrado o crescimento no preço da gasolina e do diesel no Ceará. Em uma semana, o litro da gasolina comum ficou R$ 0,11 mais caro, e o diesel, R$ 0,51.

 

A ameaça de recriar o controle de preços

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

É antiga e notória a intenção do governo de Luiz Inácio Lula da Silva de fazer a Petrobras voltar ao mercado de distribuição de combustíveis, de onde se afastou desde que foi concluída a privatização da antiga BR Distribuidora (atual Vibra), em 2021, num processo que se estendeu por dois anos. Lula, de fato, às vezes parece tentado a anular a venda da ex-subsidiária na canetada, embora isso não esteja ao seu alcance. Por isso não causaram surpresa as declarações de ministros, no dia do recente anúncio do pacote para evitar o aumento do preço do diesel, dando como certa a volta da estatal ao segmento.

 

Ou melhor, o conteúdo não surpreendeu, já que a própria empresa anunciara, em agosto do ano passado, ter aprovado proposta de retomada da atividade. Mais recentemente, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que o retorno está previsto no plano de negócios 2026-2030. A forma como o tema foi tratado pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, porém, deixou às claras o motivo da insistência do governo em voltar a incluir a distribuição no portfólio de negócios da Petrobras: o controle de preços.

 

Ao dizer que, quando a subsidiária da estatal atuava no segmento, “tínhamos uma referência (de preço)” e que, depois da privatização, o governo percebe “abuso na prática de preços”, Costa praticamente admitiu que a interferência governamental nos combustíveis se estendia do refino à distribuição. Ou seja, o que antes ficava implícito nas gestões lulopetistas é agora admitido como prática normal.

O ministro também argumenta que a fatia da estatal era pequena, o que é pura balela. De fato, a participação da BR Distribuidora era de pouco mais de 30%, mas num mercado onde atuavam mais de 200 empresas, dos mais diversos portes, e no qual a Petrobras era líder absoluta, com uma rede de mais de 8 mil postos de bandeira BR pelo País. Não era uma participação modesta. Ao contrário, era relevante o suficiente para ditar a formação de preços.

 

Preços que, saliente-se, deixaram de ser legalmente controlados pelo governo em 2002, depois de um processo gradual de abertura que durou cinco anos até o livre comércio de gasolina, diesel e GLP nas refinarias e nos postos de combustíveis – uma liberação que funciona mais em teoria do que na prática, já que a Petrobras, por deter quase toda a capacidade de refino nacional, exerce influência inquestionável na formação de preços.

 

Como se trata de uma empresa de economia mista, isto é, com a maior parte do capital privado, mas sob o controle da União, a interferência estatal nos preços é mais ou menos intensa, de acordo com o governo de plantão. No caso do lulopetismo, a forte ingerência é preocupação constante entre os acionistas privados. O congelamento de preços de combustíveis por um período prolongado na desastrosa gestão da petista Dilma Rousseff deflagrou a pior crise financeira da Petrobras. Dilma gostava de congelamentos: depois de baratear os combustíveis na marra, segurou também os preços das contas de luz por cerca de dois anos. O resultado de tudo, como se sabe, foi recessão e uma conta ainda mais salgada para o contribuinte.

A deterioração do caixa e os casos de corrupção fizeram a Petrobras passar por uma completa reformulação. Por um curto período de tempo, a blindagem funcionou, mas, a partir de 2023, de novo sob Lula, mudanças no estatuto afrouxaram regras importantes de governança. Agora, numa campanha eleitoral antecipada, a Petrobras volta à berlinda.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, chegou a chamar de “crime de lesa-pátria” a venda da BR Distribuidora. Não fosse o acordo de não concorrência assinado pela Petrobras à época da venda da distribuidora, que deu à empresa privatizada o direito de usar a marca até 2029, a gestão lulopetista já teria iniciado a retomada do controle.

 

Ainda que as incertezas da guerra de Estados Unidos e Israel no Irã justifiquem medidas extraordinárias para garantir o suprimento de combustíveis, ultrapassar o limite da emergência para instalar um controle populista de preços é aposta obviamente perigosa, como mostram os inúmeros desastres do passado – que Lula, obviamente, prefere ignorar.

Juros sob a névoa da guerra

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

Em tempos de tanta incerteza, o Banco Central (BC) cumpriu o combinado e reduziu a taxa básica de juros, mas em uma dose menor do que imaginava há dois meses. Se em janeiro a perspectiva de queda da Selic se baseava na desaceleração da atividade econômica e da inflação no País, tudo mudou dois meses depois em razão da deflagração da guerra no Oriente Médio e a consequente disparada dos preços do petróleo.

 

Não há como prever quando o conflito deve acabar, de forma que tampouco é possível dizer o que o BC fará na próxima reunião, marcada para o fim de abril. Presume-se que os impactos do confronto no mercado interno, por ora, não foram tão grandes, do contrário o Comitê de Política Monetária (Copom) teria mantido os juros em 15% ao ano. Mas também não foram inócuos, haja vista que a Selic caiu apenas 0,25 ponto porcentual (p.p.), para 14,75% ao ano.

 

Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi pouco. Já em clima de campanha eleitoral, ele tinha a expectativa de que os juros caíssem ao menos 0,50 ponto porcentual. Sua tropa de choque se manifestou nas redes sociais. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que a decisão foi decepcionante. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) foi além: sugeriu que o País é refém do mercado, que projeta juros elevados e transforma suas apostas em uma profecia autorrealizável, quando nem mesmo países em guerra têm juros tão altos.

 

Mas a própria atuação do Tesouro Nacional no mercado nesta semana, com a maior intervenção da História no mercado de títulos públicos em valores nominais, evidencia que as turbulências não são desprezíveis. O volume de recompra dos papéis, de R$ 49 bilhões, socorreu justamente os investidores que apostavam numa queda maior da Selic, que tiveram de recalcular a rota em razão das incertezas sobre a guerra no Oriente Médio e sobre uma nova greve dos caminhoneiros.

 

O Fed, banco central norte-americano, sob intensa pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não surpreendeu e manteve os juros entre 3,5% e 3,75% nesta semana. Por lá, o presidente da instituição, Jerome Powell, deixou claro que os efeitos da guerra nos preços de petróleo e nas expectativas de inflação preocupam e serão monitorados com atenção, e ninguém vislumbra novos cortes tão cedo.

 

No Brasil, o comunicado divulgado após a reunião não foi taxativo, e há apostas para os dois lados. A maioria dos analistas viu indícios de que os juros podem cair mais no mês que vem, ou seja, 0,50 ponto porcentual. Outros acreditam que, a julgar pelo cenário e pelo tom do comunicado, a taxa nem sequer deveria ter sido reduzida nesta semana.

 

Para este ano, as projeções para a inflação subiram de 3,4% para 3,9%. No entanto, para o terceiro trimestre de 2027, o chamado horizonte relevante, que guia as decisões do Copom, a alta foi bem menor, de 3,2% para 3,3%, o que gerou certa perplexidade entre os economistas, que esperavam uma alta maior. Espera-se que a ata da reunião do Copom, a ser divulgada na próxima semana, possa trazer mais pistas, mas a verdade é que tudo vai depender da duração da guerra. Fato é que a Selic está em nível tão elevado, e há tanto tempo, que parecia haver espaço para cortá-la sem muito perigo.

 

Afinal, na economia real, a diferença entre juros em 15% ou 14,75% é praticamente imperceptível. O crédito continua caríssimo tanto para as famílias quanto para as empresas, como mostram os números de inadimplência e de recuperações judiciais e extrajudiciais.

 

Se o cenário é ruim para o setor produtivo, encontrar investimentos que rendam mais que os títulos atrelados à Selic sem agregar muito o risco é praticamente impossível. No contexto internacional, o País é um destino seguro para o capital estrangeiro, o que favorece o câmbio e, consequentemente, o Banco Central. Do governo, no entanto, o BC não deve esperar qualquer ajuda.

 

A guerra no Oriente Médio e as pesquisas que apontam para um empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixaram o Executivo apreensivo, ambiente perfeito para que germinem ideias populistas sem qualquer preocupação fiscal. Resta ao País torcer para o conflito acabar o quanto antes.

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