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Mais fuzis do que pás na Venezuela

Demétrio Magnoli/ Sociólogo e doutor em geografia humana / O GLOBO
Não faltou ajuda internacional. No socorro às vítimas dos terremotos na Venezuela, engajaram-se 17 países com equipes de resgatistas, especialistas, equipamentos, hospitais de campanha. Mas, diante de tragédias naturais de grandes proporções, nenhuma operação humanitária externa substitui eficientemente os recursos internos. À medida que passavam as horas e os dias, ficou patente o colapso estatal venezuelano.
O regime chavista dilapidou sistematicamente os bens públicos ao longo de anos. Na hora da catástrofe, as vítimas foram deixadas à própria sorte por uma camarilha habituada apenas a roubar e reprimir. Faltou tudo, inclusive combustível, num país que se jacta de possuir as maiores reservas petrolíferas do planeta.
 
 

Em Los Corales, no litoral caribenho, a menos de 40 quilômetros de Caracas, o operador de uma retroescavadeira governamental não apareceu na cena, de modo que os residentes fizeram uma vaquinha para remunerar um substituto.

— Havia pessoas respondendo sob as ruínas quando as chamamos, mas agora estão mortas — testemunhou Rosalia Bustamante, moradora local.

 

Lá, mais de uma dúzia de cadáveres foram recuperados de um edifício destroçado. Na ausência de sacos apropriados, terminaram embrulhados em plásticos de lixo e começaram a se decompor sob o sol dos trópicos. Centenas de voluntários deslocaram-se em motos de Caracas a Cátia La Mar, em La Guaira, para auxiliar os resgates. Uma barreira policial tentou bloquear-lhes o trajeto.

 

— Aqui, há mais fuzis que pás, irmão! — gritou um deles aos homens armados. O general reformado Antonio Rivero registrou que o governo poderia ter convocado as Forças Armadas com seus caminhões, geradores e sensores, mas não convocou. Ángel Rangel, ex-chefe da agência de defesa civil, explicou: — Eles estão preparados para distúrbios sociais, não desastres naturais. 

 

Terremotos implodem ditaduras cleptocráticas. Na Nicarágua, depois da catástrofe de dezembro de 1972, o roubo descarado da ajuda internacional pelo tirano Anastasio Somoza impulsionou a guerrilha sandinista que acabaria por derrubá-lo sete anos mais tarde.

Na Venezuela, do desespero, tristeza e desalento brotou uma indignação sólida. Autoridades foram vaiadas nas ruas e insultadas nas redes. O terremoto abalou as fundações do plano da Casa Branca de reforma da ditadura venezuelana.

 

A extração de Nicolás Maduro e sua substituição por Delcy Rodríguez (na prática, pelo novo homem forte, o ministro do Interior Diosdado Cabello) assinalaram uma brusca reorientação geopolítica. Os Estados Unidos converteram a Venezuela em protetorado informal, trocando acordos petrolíferos e minerais pela sustentação do regime falido. A ideia era deflagrar um ciclo de recuperação econômica, por meio da reativação da indústria do petróleo, a fim de estabilizar a ditadura reinventada como governo títere. Mas as ramificações políticas da tragédia ameaçam demolir o plano.

 

María Corina Machado, a líder opositora que concentrou as esperanças do povo, ganha nova oportunidade. Em janeiro, ao apoiar o sequestro de Maduro, imolou o princípio da soberania nacional na expectativa frustrada de um retorno triunfal patrocinado pelos Estados Unidos. Depois, acomodou-se às conveniências do governo Trump, curvando-se à vaga promessa de uma transição adiada. A crise aberta pelo desastre natural a coloca numa encruzilhada.

Dias atrás, uma dura advertência americana barrou seu ensaio de voltar clandestinamente ao país, via Curaçao. Segundo alega a Casa Branca, seria preciso evitar tensões políticas no pós-terremoto. Delcy Rodríguez invocou o mesmo álibi para impor a exigência de autorização oficial à chegada de voos internacionais a Caracas. Fuzis, em lugar de pás. A segurança da camarilha no poder, não o auxílio às vítimas, é a prioridade absoluta do governo.

 

Há indícios de que o terremoto servirá como pretexto, tanto em Caracas como em Washington, para enterrar a perspectiva de eleições livres. Corina Machado encara uma escolha decisiva: permanecer alinhada a Trump, à custa de sua liderança popular, ou empunhar a bandeira da democracia, correndo os riscos do retorno.

 

Um homem mostra fotos de pessoas desaparecidas em meio aos escombros na praia de Los Cocos, em Caraballeda, estado de La Guaira, Venezuela, em 1º de julho de 2026, após os dois terremotos ocorridos em 24 de junhoUm homem mostra fotos de pessoas desaparecidas em meio aos escombros na praia de Los Cocos, em Caraballeda, estado de La Guaira, Venezuela, em 1º de julho de 2026, após os dois terremotos ocorridos em 24 de junho — Foto: JUAN BARRETO / AFP

O alerta de André Mendonça ao governo Lula sobre remoção de delegados da PF

Por Rafael Moraes Moura — Brasília / O GLOBO

 

Contrariado com a ofensiva do Ministério da Justiça de determinar o retorno de mais de cem policiais que estavam cedidos a órgãos da administração pública, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça alertou o governo Lula nos bastidores de que, se a medida atingisse a Corte, poderia configurar tentativa de obstrução de Justiça e levar à abertura de uma nova frente de investigação.

 

Ex-ministro da Justiça no governo Bolsonaro, Mendonça é o relator das duas investigações mais delicadas em andamento na Corte: a do caso Master e a dos desvios bilionários em aposentadorias do INSS, que atingem parlamentares de diferentes matizes políticos e alguns de seus colegas no STF.

 

Os dois temas devem dominar o debate das próximas eleições, o que levanta preocupações tanto no entorno de Lula como no de Flávio Bolsonaro.

 

Atualmente, quatro delegados da PF auxiliam ministros do STF: dois no gabinete do próprio Mendonça, um com Luiz Fux e outro na equipe de Alexandre de Moraes, relator dos principais casos que fecharam o cerco contra o clã Bolsonaro, como o inquérito das fake news e a ação penal da trama golpista.

 

Mais de 50 órgãos da administração pública já foram notificados da ordem do Ministério da Justiça – mas o STF, até aqui, foi poupado da medida e não recebeu o ofício, o que permitiu que os delegados seguissem no exercício regular de suas atribuições no tribunal.

 

Copo d’água no Tietê

A versão oficial difundida pela administração petista é a de que o movimento seria necessário para reforçar os quadros de segurança no combate ao crime organizado. Mas no Supremo o argumento não colou. A leitura foi a de que a medida poderia abrir caminho para o Palácio do Planalto interferir no andamento das investigações a menos de três meses das eleições presidenciais.
 

“Esse motivo do governo não é verdadeiro. É como jogar um copo d’água no Rio Tietê e dizer que isso vai melhorar a qualidade de água”, ironizou um integrante da Polícia Federal ouvido reservadamente pela equipe do blog. Durante café da manhã com jornalistas na última sexta-feira (3), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que o Ministério da Justiça ainda vai avaliar a necessidade do retorno dos delegados cedidos pela corporação ao Supremo.

 

“É uma avaliação que o ministério está fazendo ainda. Por enquanto não há essa definição, até porque há uma necessidade de fazer uma análise da posição estratégica”, afirmou Rodrigues na ocasião.

Procurado, o gabinete de Mendonça não se manifestou.

Lulinha

Conforme informou o blog, o governo Lula pressiona pelo arquivamento de investigação contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva no caso INSS – filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a ex-primeira-dama Marisa Letícia.

 

A peça-chave do caso Lulinha é a empresária Roberta Luchsinger, que se tornou alvo de busca e apreensão no âmbito da investigação das fraudes no INSS. Roberta também teve a quebra de sigilo determinada por decisão do ministro André Mendonça.

Amiga de Lulinha e herdeira de um ex-acionista do banco Credit Suisse, ela disputou na eleição de 2018 uma vaga de deputado estadual por São Paulo pelo PT, mas teve apenas 14,1 mil votos e não foi eleita. À época, declarou à Justiça Eleitoral um único bem, um apartamento de R$ 1,5 milhão.

Uma das linhas de investigação da PF é se Roberta serviu como intermediária entre o filho do presidente da República e Antônio Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”. No fim do ano passado, a PF informou ao Supremo que apurava citações a Lulinha no inquérito. Na representação, os investigadores diziam que ele “em tese, poderia atuar como sócio oculto” do “Careca do INSS”, o que o filho do presidente nega.

 

 

Os ministros do STF, André Mendonça e Alexandre de MoraesOs ministros do STF, André Mendonça e Alexandre de Moraes — Foto: Victor Piemonte/STF

 

Caridade não solucionará a fome no mundo, diz Nobel da Paz e ex-diretor do Programa Mundial de Alimentos

Victor Lacombe / FOLHA DE SP

 

Anos antes de se envolver diretamente na política partidária americana, o trilionário Elon Musk causou polêmica ao responder publicamente a uma provocação de David Beasley, então diretor do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU, ex-governador da Carolina do Sul e agraciado com o prêmio Nobel da Paz em 2020 em nome do órgão das Nações Unidas.

Em outubro de 2021, Beasley disse à imprensa que, se Musk doasse apenas 2% de sua riqueza (na época, US$ 6 bilhões), poderia salvar 42 milhões de pessoas da inanição.

Em um post no X, o fundador da SpaceX escreveu: "Se o PMA conseguir me dizer, neste post, exatamente como US$ 6 bilhões resolveriam a fome no mundo, venderei ações da Tesla nesse exato momento e as doarei".

Quando Beasley respondeu que essa quantidade de dinheiro não "resolveria a fome no mundo", mas teria um impacto incrivelmente positivo, Musk retrucou acusando soldados das forças de paz da ONU de abusar sexualmente de crianças famintas na República Centro-Africana.

 

Anos depois, o ex-diretor do PMA não se arrepende do episódio. "O aumento de patrimônio líquido médio dos bilionários no auge da pandemia foi US$ 5,2 bilhões. Eu disse que só precisava de um dia do seu lucro para ajudar os milhões de pessoas no mundo todo que estão sofrendo. Será que é pedir demais?"

Beasley, 69, conversou com a Folha às margens da 75ª Reunião do Prêmio Nobel de Lindau, na Alemanha, sobre o combate à fome no mundo, os cortes ao auxílio humanitário feitos pelo governo Donald Trump e a polarização na sociedade americana hoje.

Quais são os principais obstáculos na eliminação da fome e pobreza extrema no mundo hoje?
A guerra e os conflitos são o principal problema. Hoje produzimos comida o bastante para alimentar o mundo, e com a tecnologia, a IA e a pesquisa moderna, isso provavelmente não vai mudar, mesmo com a população do planeta aumentando nos próximos 50 a cem anos.

O problema é a falta de acesso causada pela guerra. A isso se somam choques climáticos e corrupção, de maneira que, pela primeira vez em muito tempo, a insegurança alimentar grave está aumentando.

Há 200 anos, quando a população global era de 1,1 bilhão, 85 a 95% das pessoas viviam em pobreza extrema. Hoje, com 8 bilhões de pessoas, esse número é de 9%. Ou seja, aumentamos significativamente a qualidade de vida de todos os seres humanos. Agora estamos retrocedendo.

Tornou-se um clichê dizer que não há falta de recursos, mas sim de vontade política para erradicar a fome. Por que não há vontade política?
A política é o problema, e não digo isso apenas a nível geral, mas também a nível local, porque a maior parte da política é local. Quando temos conflitos tribais entre pastores e agricultores, geralmente é por falta de recursos.

Prestamos atenção [na guerra] Irã e Estados Unidos, mas não no que acontece no Mali, Burkina Fasso, Chade, Níger, Equador, Colômbia, Venezuela. E quase toda a fome no mundo hoje é evitável.

 

O senhor acredita que o capitalismo é capaz de erradicar a fome?
Sem dúvida alguma. O setor privado é essencial. Foi assim que obtivemos o sucesso dos últimos 200 anos na minha opinião. Mas, com mais riqueza, vem mais responsabilidade.

Por isso, no auge da pandemia, fiz aquele famoso tuíte. O que quis dizer foi: ok, bilionários, não sou contra você ganharem dinheiro, mas se há pessoas no mundo morrendo por não ter acesso a comida ou remédios que estão disponíveis, mas não podem pagar por eles... Fala sério.

O aumento de patrimônio líquido médio dos bilionários no auge da pandemia foi US$ 5,2 bilhões. Eu disse que só precisava de um dia do seu lucro para ajudar os milhões de pessoas no mundo todo que estão sofrendo. Será que é pedir demais?

Por favor, mostrem que se importam, mostrem que o capitalismo funciona. E ele funciona, mas vem com uma responsabilidade de ajudar os mais pobres. E caridade não é uma solução a longo prazo, embora seja bem-vinda. A solução a longo prazo é desenvolver sistemas que deem a todos emprego e estabilidade.

O senhor teve uma discussão com Elon Musk que terminou com acusações de abuso sexual contra funcionários da ONU. Por que o senhor acha que ele e o governo Trump se opõem de tal maneira à ajuda humanitária?
Quando Trump foi eleito em 2016, ele falava muito sobre cortar ajuda humanitária. Quando fui indicado [ao PMA, em 2017], não quis aceitar, mas um grupo de senadores democratas e republicanos me convenceram.

 

Então eu sentei na mesa com Trump e sua equipe de governo na Casa Branca e expliquei como a ajuda externa estratégica não apenas salva vidas e estabiliza populações, mas também economiza dinheiro dos americanos. E eu ganhei aquela discussão. Trump e seu governo fizeram literalmente tudo que eu pedi que fizessem. Chamamos isso de o milagre da avenida Pensilvânia [endereço da Casa Branca].

O que mudou?
Bem, na época eu estava nos jornais todos os dias batendo o bumbo, soando o alarme, falando com o Congresso, aparecendo na TV, no rádio, no jornal, nas redes sociais, tudo pra aumentar a conscientização. Isso porque eu descobri que, se o povo americano souber que há pessoas em necessidade, eles reagem e pressionam seus líderes a ajudar. Mas, se eles não sabem o que está acontecendo, estão ocupados com seu dia a dia.

Anos depois, quando Trump foi reeleito, não estou mais no cargo e, por alguma razão, ninguém está tentando conscientizar as pessoas. E aí esse governo cortou a ajuda externa de maneira significativa, e isso foi terrível.

Lógico que alguma ajuda precisa ser cortada, especialmente aquela que não é estratégica ou é motivada politicamente pela extrema esquerda ou extrema direita. O povo americano precisa entender que, se você não quer salvar uma criança passando fome por amor ao próximo, faça por interesse de segurança nacional.

O que mudou?
Bem, na época eu estava nos jornais todos os dias batendo o bumbo, soando o alarme, falando com o Congresso, aparecendo na TV, no rádio, no jornal, nas redes sociais, tudo pra aumentar a conscientização. Isso porque eu descobri que, se o povo americano souber que há pessoas em necessidade, eles reagem e pressionam seus líderes a ajudar. Mas, se eles não sabem o que está acontecendo, estão ocupados com seu dia a dia.

Anos depois, quando Trump foi reeleito, não estou mais no cargo e, por alguma razão, ninguém está tentando conscientizar as pessoas. E aí esse governo cortou a ajuda externa de maneira significativa, e isso foi terrível.

Lógico que alguma ajuda precisa ser cortada, especialmente aquela que não é estratégica ou é motivada politicamente pela extrema esquerda ou extrema direita. O povo americano precisa entender que, se você não quer salvar uma criança passando fome por amor ao próximo, faça por interesse de segurança nacional.

O senhor ainda é republicano?
Sou americano [risos]. Eu ganhei sete eleições como democrata e uma como republicano. E estou muito desapontado com os dois partidos. Tenho bons amigos nos dois, gente que eu admiro muito, mas parece que os extremos estão dominando o processo político nos EUA hoje em dia.

O americano médio, 80% deles, está no centro. Mas, com a proliferação das redes sociais, da desinformação, os extremos falam mais alto, e isso está destruindo os dois partidos e a democracia.

Como o senhor acha que os americanos sentirão o impacto dos cortes na ajuda externa?
Sabe, muitos políticos nos EUA, na Alemanha, no Canadá, em muitos lugares, de esquerda e de direita, me perguntam: por que eu deveria mandar dinheiro dos meus contribuintes para Guatemala, Honduras e El Salvador se as pessoas aqui no meu país precisam de educação, saúde, infraestrutura? Uma excelente pergunta.

Minha resposta era a seguinte: o Estado Islâmico e a Al Qaeda estão recrutando crianças porque essas crianças têm fome. Isso gera morte, instabilidade, migração em massa. Os europeus deram uma de João-sem-braço e não quiseram lidar com o que estava acontecendo na Síria.

No fim, somente na Alemanha, 1 milhão de refugiados entraram no país em um período de cinco anos. Eles custaram ao Estado alemão 70 euros por dia. O PMA consegue alimentar um sírio na Síria por 50 centavos de euro por dia.

Esse dinheiro perdido poderia ter sido investido em infraestrutura e saúde na Alemanha, mas porque políticos alemães não fizeram nada, pagaram por isso.

A mesma coisa nos EUA. Há cinco anos, o governo gastava, em abrigos de refugiados, US$ 3.750 por criança por semana na fronteira com o México. Dá para fazer um programa de estabilização na Guatemala e em Honduras por US$ 2 por criança por semana. Então, sr. deputado, a escolha é: opção A, US$ 3.750, ou opção B, US$ 2. Não há opção C.

Mas e se a opção C for...
Não existe opção C. Se você não fizer nada, isso vai custar caro. Ou você pode financiar soluções. E elas talvez não vão erradicar a fome, erradicar a migração, mas com certeza vão reduzi-las significativamente.

 

Mas e se a reação for: não queremos fazer nada a respeito?
Nesse caso, estamos de volta ao cenário dos milhões de refugiados entrando na Alemanha.

Imagine que o senhor está de frente com um deputado Maga [Make America Great Again, slogan de Trump] e ele diz: eu prefiro fechar a fronteira e não quero saber o que acontece com as crianças que estão lá. O que responderia?
Eu diria que essa decisão vai custar caríssimo. A primeira coisa: a América é grande quando ela é boa. Quando a América deixar de ser boa, deixará de ser grande. Tornar a América grande de novo? Não se pode ser grande sem ser bom.

E a instabilidade custa muito mais ao contribuinte, porque quando a fome corre solta, isso gera guerra e conflito. E a guerra é 100 mil vezes mais cara do que a ajuda humanitária.

Qual o futuro do Partido Republicano na opinião do senhor?
Os dois partidos precisam de reflexão. Quando converso com republicanos e democratas, vejo que todos estão muito preocupados com o futuro de seus partidos.

Se o pêndulo político nos EUA for ainda mais ao extremo, vamos balcanizar nosso país. Se ele ficar onde está por muito tempo, vamos balcanizar nosso país. Como voltar o pêndulo para o centro? É difícil. A democracia funciona quando a população está bem informada, não desinformada de tal maneira que isso gera conflito.

 

A ONU precisa de reformas?
Com certeza. A ONU, assim como o Departamento de Estado americano, funciona assim: um terço faz um trabalho incrível, esplêndido. Um terço precisa ser jogado direto no lixo. E um terço precisa ser reformulado.

Dá pra falar a mesma coisa de várias instituições. Como deixá-las mais estratégicas? Essa é a questão. A ONU precisa ser mais estratégica e mais eficaz. Mas esse é um problema que não é causado pela ONU, mas pelos Estados-membros. A culpa é, em parte, dos EUA e da Europa. Mas essa é outra história.


Raio-X | David Beasley, 69

Nascido em 1957 na cidade de Lamar (EUA), David Muldrow Beasley foi eleito pelo Partido Democrata para a Câmara estadual da Carolina do Sul em 1978, com 21 anos de idade, onde permaneceu até 1993. Em 1991, se filiou ao Partido Republicano e, em 1995, foi eleito governador da Carolina do Sul. Em 2017, por recomendação da então embaixadora dos EUA à ONU, Nikki Haley, foi nomeado diretor do PMA pelo secretário-geral António Guterres. Recebeu o prêmio Nobel da Paz em 2020 em nome do PMA. Deixou o órgão em 2023.

Ataques da Ucrânia elevam pressão sobre Putin

Pensada para durar poucos dias, a invasão da Ucrânia já ultrapassou em duração a Grande Guerra Patriótica, como o segundo conflito mundial é chamado na Rússia. Após quase quatro anos e meio, a aventura militar de Vladimir Putin vive um ponto crítico.

Desde a desastrosa tentativa de ocupar a região meridional russa de Kursk, as forças de Kiev parecem ter logrado um sucesso estratégico em seu combate assimétrico contra Moscou com uma campanha de ataques ao sistema energético do vizinho.

Após semanas de ação, os efeitos são visíveis. A produção de refinarias russas caiu 25% de maio a junho, enquanto bombardeios a terminais derrubaram as exportações de petróleo cru em 15% no período.

O próprio Putin, que costuma descrever o desenrolar da guerra com lentes róseas, admitiu que o país enfrenta desabastecimento. Em regiões como a Crimeia anexada, o preço da gasolina subiu 30% na última semana, e o governo local decretou estado de emergência.

Filas em postos de combustíveis são vistas da distante Khabarovsk, no Extremo Oriente, até o ponto mais ocidental da Rússia, o exclave europeu de Kaliningrado. O governo admite tanto comprar derivados de petróleo quanto suspender sua exportação. Isso afetaria o Brasil, que tem nos russos a maior fonte do diesel que importa.

A pressão sobre Putin é inédita e já afeta, ainda que marginalmente, sua popularidade. Com isso, o caminho para uma saída negociada para o conflito parece ainda mais distante, dado que ele não pode conversar numa posição percebida de fraqueza sem arriscar a própria cadeira.

Sobra a escalada da violência, como se viu no brutal bombardeio de Kiev na quinta-feira (2), e no anúncio de conquista de uma cidade-chave no leste ucraniano no dia seguinte. O cenário tem levado a especulações, entre membros da elite russa, acerca do próximo passo.

A linha dura advoga por uma mobilização geral por uma mobilização geral ou até o emprego de armas nucleares táticas, restritas a campos de batalha, para subjugar Kiev. Ambas as ideias podem soar tentadoras a Putin, mas encerram riscos severos.

Quando mobilizou 300 mil soldados no fim de 2022, o russo viu uma queda forte de popularidade e protestos generalizados. Dali em diante, passou primeiro a contar com mercenários e, depois, com militares sob contrato.

Repetir a dose seria impopular e de eficácia incerta, dado que não basta ter a mão de obra, é preciso treiná-la e equipá-la.

Já a hipótese nuclear soa delirante, pois poderia resultar numa resposta dura dos Estados Unidos, até aqui bastante lenientes com Putin sob Donald Trump. Seja como for, as opções russas são escassas, o que eleva o perigo de ações mais radicais.

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Após vídeo de André Fernandes, Elmano agradece oposição por denúncia em caso da plantação de maconha

Escrito por Milenna Murta* e Matheus Facundo / DIARIONRDESTE

 

 

elmano de freitas

 

O governador Elmano de Freitas (PT) agradeceu à oposição de seu governo por denunciar a preservação de uma plantação de maconha em Acopiara, no interior do Ceará, após uma megaoperação da Polícia Civil ter localizado a droga. A declaração ocorreu durante uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (2) em Fortaleza.

Na ocasião, sem citar nomes, Elmano reconheceu a contribuição da denúncia, que foi feita pelo deputado federal André Fernandes (PL), para a abertura de uma investigação pela Controladoria Geral de Disciplina do Ceará (CGD) e pela Polícia Civil do Ceará (PCCE).

É natural que, em algum momento, se tem uma situação ocorrida que a oposição tenha conhecimento, a oposição está no papel dela de denunciar, de falar. É assim. E eu quero dizer que eu agradeço, porque eu não saberia o que estava lá se não tivesse uma informação que foi apresentada como denúncia. 

A declaração do governador vem um dia depois de André Fernandes utilizar suas redes sociais para se manifestar e criticar a conduta de Elmano no caso. Por vídeo publicado no Instagram nesta quarta-feira (1º), o parlamentar pediu um agradecimento por parte do chefe do Executivo:

 
Elmano, antes de qualquer coisa, baixa o tom de voz e me agradece. Tu só foi no local do crime por causa da minha denúncia. Parece, Elmano, que tu está um pouco desnorteado. Todo mundo viu [...] e o mundo só soube disso por causa da minha denúncia. Aí agora, governador, tu vem dizer que eu tenho que dizer quem foi que interferiu? Além disso, o deputado voltou a acusar "a alta cúpula da segurança pública" de envolvimento na preservação da plantação de maconha. Durante a coletiva de imprensa, Elmano respondeu às acusações indiretamente, reforçando que, por ele, "apura tudo, responde quem tem que responder".  

Entenda o caso

Uma megaoperação da PCCE localizou uma plantação de maconha no município de Acopiara, no interior cearense, na última quinta-feira (25). O local seria equivalente a "quatro campos do Estádio Castelão".

No sábado (27), entretanto, uma denúncia do deputado federal André Fernandes (PL) elucidou não ter havido preservação da cena do crime pelas autoridades. O parlamentar citou, ainda, a Lei das Drogas, número 11.343, de 2006, que determina a incineração de tais componentes.

O Governo do Ceará se pronunciou sobre o caso no domingo (28), afirmando que uma determinação direta do governador Elmano de Freitas (PT) fez a investigação ser instaurada. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou pelas redes sociais que um inquérito foi aberto.

 
André Fernandes
Deputado federal
 
 
Elmano de Freitas
Governador do Ceará

Em agendas pelo Ceará, Lula faz entregas e critica oposição ao lado de Camilo e Elmano

Escrito porIgor Cavalcante / DIARIONORDESTE

 

Lula escolheu o Ceará como destino para as últimas agendas de entregas e inaugurações antes da campanha eleitoral.

Legenda: Lula escolheu o Ceará como destino para as últimas agendas de entregas e inaugurações antes da campanha eleitoral.
Foto: Thiago Gadelha.

 

Em tom de despedida das agendas de inauguração de obras antes do período eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu compromissos em Quixeramobim e Juazeiro do Norte, nesta quinta-feira (2), ao l

ado do governador Elmano de Freitas (PT) e do senador Camilo Santana (PT). Nos dois eventos, o presidente fez críticas aos governos anteriores, enquanto Elmano e Camilo elevaram o tom contra a oposição no Ceará.

Em Quixeramobim, Lula participou da entrega de um novo trecho da Ferrovia Transnordestina. Já em Juazeiro do Norte, a agenda foi voltada para a entrega de ônibus escolares e unidades móveis de saúde.

Durante os discursos, o presidente voltou a afirmar que encontrou um país "destruído" ao assumir o terceiro mandato, citando ministérios desestruturados, políticas públicas interrompidas e falta de investimentos em áreas como educação e infraestrutura.

Sem citar diretamente o nome de seus antecessores, o petista pediu que a população compare os resultados das diferentes gestões.

"Vejam qual foi a que mais investiu em educação, em saúde, em institutos federais, em escolas de tempo integral, qual mais fez políticas de reforma agrária, mais assentou quilombolas, mais preservou reservas ambientais e qual é o mais respeitado no estrangeiro (...) Não briguem por mim, não me defendam. Se tiverem falando mal de mim, peçam apenas para fazerem uma comparação com tudo que fizeram antes de mim"
Lula (PT)
Presidente da República

Em Juazeiro do Norte, Lula também fez um aceno à disputa eleitoral deste ano ao pedir que Elmano mantenha o nível da campanha. O presidente orientou o aliado a evitar ataques aos adversários e afirmou que a resposta do grupo político deve ser baseada nas entregas do governo.

"Não faça jogo rasteiro. Não baixe o nível. Nossa resposta é mostrar o que está acontecendo", disse. Em seguida, acrescentou: "Governar é prática, é tomar decisão e é escolher lado".

Mais cedo, em Quixeramobim, o presidente já havia feito referência à eleição deste ano ao dizer que torce para continuar ao lado de Elmano a partir do próximo ano.

"Eu peço a Deus que eu e você estejamos juntos em janeiro do ano que vem porque vai ser muito bom para o Ceará e vai ser muito bom para mim. Primeiro, eu vou ter a certeza que tem um companheiro de verdade governando o Estado e, segundo, ele vai ter certeza que vai ter um companheiro governando o Brasil", disse.

 

Elmano e Camilo miram oposição

Assim como Lula, o governador Elmano de Freitas e o senador Camilo Santana fizeram críticas aos adversários durante os eventos. Elmano afirmou que parte da oposição transforma a política em um espaço permanente de confronto e ataques.

 

"Há pessoas que fazem da política um espaço só de briga, só de falar mal dos outros", disse.

Já Camilo concentrou as críticas mais diretas. Em Quixeramobim, afirmou que a oposição faz política baseada em ataques e chamou os adversários de "turma da mentira". Segundo ele, a resposta do grupo governista deve ser a entrega de obras e políticas públicas. "Tem uma turma do lado de lá que todo dia só sabe agredir, falar mal do Lula, falar mal do Elmano, falar mal do Camilo. Não vamos entrar no jogo baixo deles. A nossa resposta é entregar obras", finalizou.
 
 
 
 

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