TRE-CE determina retirada de vídeo de Elmano em canteiro de obras do Hospital da UFCA
Escrito por Redação DIARIONORDESTE
Um vídeo do governador Elmano de Freitas (PT) gravado dentro do canteiro de obras do Hospital Universitário da Universidade Federal do Cariri (UFCA) deve ser retirado do ar após decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará.
Após ação ajuizada pela Coligação “Unir para Mudar”, do candidato ao governo do Estado Ciro Gomes (PSDB), a Justiça Eleitoral compreendeu “uso privilegiado de um espaço de acesso restrito para fins eleitorais”.
“O que se tutela é a isonomia eleitoral, impedindo que determinado concorrente se valha de uma vantagem material decorrente do acesso privilegiado a espaço integrante da Administração Pública”, diz o desembargador Magno Gomes de Oliveira na decisão.
No registro, publicado nas redes sociais na sexta (28), Elmano aparece no local respondendo críticas feitas por Ciro no debate ocorrido no dia anterior (27), promovido pelo Grupo de Comunicação O Povo.
Na ocasião, o candidato do PSDB questionou o andamento das obras do hospital. Em resposta, Elmano afirma no vídeo que “Ciro mente” e apresenta o andamento dos trabalhos no local.
A determinação de retirada do ar da publicações com o vídeo atinge Elmano, a candidata a vice-governadora Gabriella Aguiar (PSD), o senador Camilo Santana (PT) e o candidato à suplência do Senado Chagas Vieira (PDT).
Caso a ordem seja descumprida ou, ainda, se novas peças de propaganda usarem as imagens gravadas no canteiro de obras, a Justiça Eleitoral definiu multa de R$ 10 mil.
Brasília debate 6x1 enquanto juros ameaçam empregos
Nas últimas semanas, grandes e conhecidas empresas brasileiras passaram a frequentar uma lista que nenhum país gostaria de ver crescer.
A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. A Braskem aprovou um plano de recuperação extrajudicial diante de um endividamento estimado em R$ 56 bilhões. Raízen, GPA, Tok&Stok, Habib’s e outras companhias também recorreram a mecanismos de reestruturação financeira ao longo deste 2026.
Os problemas específicos variam, mas há um fator que aparece de forma comum a todos os casos —um ambiente de juros muito elevados por um longo período, encarecendo o custo financeiro de todas as empresas e os orçamentos das famílias.
Enquanto o endividamento se alastra, Brasília concentra sua energia política na pauta eleitoreira do fim da escala de seis dias de trabalho por semana.
A proposta é apresentada como avanço social e ganho para a qualidade de vida dos trabalhadores. São objetivos obviamente meritórios, mas nem mesmo se debateram a contento efetividade, impactos e prazos.
Em princípio, tal mudança ocorre em economias que apresentam grandes aumentos de produtividade e juros baixos, pois assim as empresas têm capacidade de absorver os novos custos. Essa não é, nem de longe, a fotografia do Brasil de hoje.
Há décadas o país tem produtividade estagnada, e o custo do dinheiro se mantém em nível sufocante nos últimos anos, sem perspectivas de redução relevante.
O principal desafio do trabalhador brasileiro neste momento é, em alguns casos, ter apenas um dia de folga por semana ou estar empregado em uma empresa que talvez não sobreviva aos próximos anos? Essa é uma questão completamente ausente do debate sobre a 6x1, que parece desconectado da realidade do país.
A pauta da jornada de trabalho, que inexistia até a aproximação das eleições, ocupa espaço que deveria estar sendo dedicado à questão mais fundamental: qual será a agenda para reduzir de modo duradouro as taxas de juros.
A resposta passa pelo ajuste das contas públicas, sobretudo por meio de controle de despesas em proporção suficiente para estabilizar o endividamento do governo —hoje descontrolado e subestimado pela administração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Enquanto persistirem dúvidas sobre a trajetória da dívida pública e a disposição do mundo político de enfrentar o problema, os juros continuarão elevados para famílias e empresas.
Os atuais níveis recordes de emprego, também associados à alta das despesas do Tesouro, podem dar a impressão enganosa de tranquilidade. Entretanto a atividade econômica já está em desaceleração, e essa tendência agravará as dificuldades enfrentadas pela população. Uma crise financeira afetará principalmente os trabalhadores mais pobres.
Tabelamento do vale-refeição deu errado, como era previsível
Por Editorial / O GLOBO
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse que o governo notificou as quatro maiores fornecedoras de vale-refeição e vale-alimentação para explicar as taxas cobradas de estabelecimentos comerciais em desacordo com o teto imposto pelo Planalto. Desde fevereiro, o máximo, determinado por decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao regulamentar o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), é de 3,6%. Mas a taxa média subiu de 5,19% em abril para 6,18% no levantamento feito entre junho e julho pelo Ipsos-Ipec, ficando bem acima do estipulado no decreto.
Marinho ameaçou descredenciar quem não cumprir as normas: “As empresas estão fraudando o entendimento do decreto e terão problemas. Elas terão de cumprir o teto e o prazo de 15 dias [para repasse dos valores]”. As empresas alegam cumprir a legislação e dizem que prestarão os esclarecimentos ao governo.
Por mais que Marinho esbraveje, o imbróglio segue o roteiro esperado. Em 14 de novembro passado, depois da assinatura do decreto, O GLOBO publicou editorial com o título: “Tabelamento de taxas de vale-refeição e alimentação tem tudo para fracassar”. Não deu outra. É verdade que as taxas cobradas dos estabelecimentos são altas na comparação com as exigidas por cartões de crédito e débito. Mas boas intenções não bastam para reduzi-las, especialmente quando o caminho escolhido é equivocado.
O governo deveria saber que tabelar é sempre a pior solução nesses casos. O teto cria uma distorção na formação dos preços. Como as operadoras não podem cobrar taxas maiores de estabelecimentos que geram pouco negócio, acabam aumentando as de quem costuma vender mais. Na prática, sobra para o consumidor, que paga mais para comer nos lugares mais populares. Mesmo nos casos em que há redução das taxas, dificilmente os estabelecimentos repassam a diferença ao preço, como demonstram estudos.
Criado em 1976, o PAT é um programa meritório, com números robustos e apelo popular. Atende a mais de 300 mil empresas que fornecem tíquetes alimentação ou refeição a empregados em troca de benefícios fiscais. Reúne cerca de 800 mil restaurantes e supermercados credenciados, contemplando mais de 22 milhões de funcionários.
Apesar de o decreto trazer também medidas positivas, como a fixação do prazo de 15 dias corridos para o repasse dos valores a restaurantes e supermercados, o tabelamento contaminou a iniciativa — uma das muitas “bondades” concedidas pelo governo Lula em busca do aumento de popularidade. Se a intenção era reduzir o preço da refeição num momento de pressão inflacionária, o resultado foi frustrante. As taxas continuaram nas alturas. Descredenciar as maiores empresas do setor, como ameaça Marinho, agravará a situação e respingará nos consumidores (ou eleitores). O governo se vê desorientado, em busca de solução para um problema que ele próprio criou.
Taxas cobradas de estabelecimentos por empresas de vale-refeição e alimentação continuam altas — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
Brasil garante o hambúrguer subsidiado às vésperas da eleição nos EUA
“Vá se danar”, foi o recado de Doug Ford, primeiro-ministro da província de Ontário, ao presidente americano. Na verdade, Ford usou palavra ligeiramente diferente, antes de concluir: — Trump nos subestima. Eis o grande erro.
Percorrendo trajetória oposta, o Brasil caiu de joelhos. Lula obteve, em longo telefonema a Trump, a reabertura de negociações, com a meta minimalista de alargar a lista de exceções esculpida pelas conveniências da Casa Branca. Trata-se de atender aos interesses imediatos de setores exportadores, como se representassem o interesse nacional. É a nação definida como coleção de grupos empresariais. Nada de retaliação assimétrica via exportações de nióbio, aviões regionais ou carnes.
A carne ilumina a servidão voluntária brasileira. Confrontado com inflação de alimentos, Trump abriu uma importação extraordinária de 300 mil toneladas de carne para hambúrguer, sem cotas ou tarifas, mas exigindo desconto de 25% dos exportadores. Único país capaz de fornecer imediatamente tal quantidade, o Brasil prontificou-se a exportar. As celebrações unem a Casa Branca à trindade JBS, Marfrig e Minerva Foods. Os Estados Unidos tarifam o conjunto da economia brasileira; em troca, o Brasil garante o hambúrguer subsidiado às vésperas das eleições americanas.
O objetivo estratégico do tarifaço contra o Canadá é eliminar a indústria automobilística do país, transferindo-a para os Estados Unidos. A Casa Branca almeja, desse modo, enfrentar o avanço chinês no mercado global de veículos. Contudo o resultado provável será romper as cadeias produtivas integradas nos três países da América do Norte, cedendo o mercado canadense às empresas da China. Chrystia Freeland, antiga vice-chefe de governo do Canadá, acerta na mosca ao qualificar as tarifas punitivas como “mau negócio mesmo para os Estados Unidos”.
Mark Carney, primeiro-ministro canadense, conclamou sete meses atrás, em Davos, as potências médias democráticas a se unirem contra a guerra tarifária de Trump. A maioria delas preferiu o caminho do apaziguamento, o que só estimula a Casa Branca a multiplicar suas investidas. Mesmo quase sozinho, o Canadá decidiu quebrar o ferrolho da jaula americana em que a História e a geografia o trancaram.
O Brasil, que vive fora da jaula, tecendo redes de intercâmbios globais, escolhe a submissão na hora do aperto.
— Não há interesse em retaliar ninguém — assegurou o apaziguador Alckmin, deixando a Lula o papel farsesco de proferir bravatas dirigidas ao público interno.
Inexplicável? Nem tanto: os Joesleys nos governam.
Transferência de responsabilidade
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Empossado recentemente presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ministro Luis Felipe Salomão concedeu entrevistas em série a grandes veículos de imprensa para emplacar uma tese: a de que o Poder Judiciário vem sendo criticado não por causa de sua recalcitrância em aceitar alguns princípios republicanos elementares, mas porque atacá-lo rende votos a políticos radicais.
Para Salomão, não tem fundamento, em período eleitoral, “fazer uma pesquisa de opinião sobre se a pessoa confia ou não no Judiciário”, haja vista que “parte da classe política usa o desgaste do Judiciário como plataforma política”.
Esse desgaste, em suas palavras, é “completamente sazonal” – ou seja, temporário. Mas as pesquisas rechaçadas por Salomão apontam justamente o contrário: a crise de confiança não tem nada a ver com o período eleitoral e só cresce.
Sondagem do Datafolha de março passado mostrou que 43% dos entrevistados declararam não confiar no Supremo Tribunal Federal (STF), cinco pontos porcentuais acima do verificado em dezembro de 2024. A credibilidade do STF está no nível mais baixo desde 2012, conforme o histórico dessa pesquisa. Já a desconfiança no Judiciário como um todo saltou de 28% para 36%.
São números que resumem bem o sentimento de frustração da sociedade com um Poder que há décadas não é muito bem avaliado pelos brasileiros, seja em razão de sua morosidade, seja pela sensação de que foi capturado pelo poder político e econômico. Nada disso foi criado pela propaganda de candidatos que exploram a crise de credibilidade do Judiciário para angariar votos. É o contrário: esse discurso político só existe porque o Judiciário ajudou a ensejá-lo.
O que já era ruim piorou muito quando se consolidou a sensação, na opinião pública, de que integrantes do Judiciário se consideram parte de uma casta superior, dispensada de justificar privilégios salariais e comportamentos eticamente reprováveis. Para esses magistrados, as críticas que recebem são parte de um movimento político para desmoralizar o Judiciário e, no limite, minar a democracia – não à toa, o ministro Salomão declarou ao Estadão que o Judiciário é “aquele que garante a democracia”, donde se depreende que críticas a esse Poder seriam antidemocráticas.
De fato, não existe democracia sem juízes independentes, assim como não existe democracia sem o respeito ao princípio republicano segundo o qual ninguém está acima da lei. Para uma parcela significativa da população, o Judiciário acumulou poder excessivo e faz mau uso dele, seja para garantir privilégios a seus integrantes, seja para interferir no processo político democrático, não raro atropelando outros Poderes.
Ao culpar os “líderes populistas extremistas” pela crise de credibilidade do Judiciário, o ministro Salomão se une a vários de seus pares na incapacidade de reconhecer a parcela de responsabilidade dos magistrados pelo atual estado de coisas. Isso mostra que, se depender de um exame de consciência no Judiciário, esse Poder jamais será reformado.
O melhor plano de saúde do Brasil
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Quantas vezes mais vale a vida de um senador da República do que a de um cidadão comum? A pergunta é capciosa e certamente não deveria ter resposta, mas, se formos avaliar pelos custos aos cofres públicos, há uma régua capaz de medir isso e dar uma resposta matemática: 46 vezes mais.
Levantamento feito pelo Ranking dos Políticos, a partir de dados do Congresso Nacional obtidos via Lei de Acesso à Informação, revela que a assistência à saúde de senadores e ex-senadores teve um custo de R$ 40 milhões no ano passado. Desse total, os beneficiários contribuíram com apenas 12,8%, deixando para os cofres públicos a conta de R$ 35,3 milhões.
O Programa de Assistência à Saúde do Senado oferece atendimento médico-hospitalar e odontológico. É uma benesse nada modesta para senadores em exercício, ex-parlamentares e seus dependentes, com um custo médio mensal de R$ 5.362 por beneficiário.
Se compararmos com outros planos, podemos considerar que esse seja de longe o melhor plano de saúde do Brasil, ao menos em termos de valores. O mesmo estudo mostra que o investimento público per capita no Sistema Único de Saúde (SUS) é de R$ 116,50 por mês.
A comparação com quem paga um plano privado também é desconcertante. O custo médio dos beneficiários no sistema particular, segundo o mesmo estudo, é estimado em pouco mais de R$ 500, uma fração do custo da assistência dos excelentíssimos senadores.
E estamos falando, convém lembrar, de próceres da República que recebem mais de R$ 46 mil por mês, fora a verba para despesas da atividade parlamentar, o apartamento funcional (ou auxílio-moradia de R$ 5,5 mil mensais) e o carro oficial com tanque cheio e motorista. Dinheiro para ajudar a pagar a própria assistência médica, portanto, não parece ser exatamente um problema.
Diante de tanta generosidade, não se estranha o esbanjamento com o plano de saúde. No entanto, nem sempre foi assim que um parlamentar enxergou a relação entre o mandato e o serviço público. Florestan Fernandes, deputado constituinte, por exemplo, recusava-se, segundo sua família, a procurar atendimento particular. Dizia que deveria ser solidário aos brasileiros que dependiam exclusivamente do SUS. Morreu em 1995 mantendo essa convicção. É óbvio que não é o caso de pedir aos senadores de hoje que façam o mesmo. Os parlamentares podem ter seu excelente plano de saúde e levar filhos ao médico sem experimentar uma fila do SUS. Mas não é justo que tudo isso seja bancado com o dinheiro dos contribuintes que, na maioria absoluta dos casos, penam para pagar seu plano de saúde, quando têm algum.
A questão se torna ainda mais incômoda porque são esses mesmos parlamentares que decidem sobre a saúde pública. Aprovam orçamento, alteram suas regras e destinam bilhões de reais à saúde por meio de emendas. Boa parte deles conhece o sistema público por planilhas, audiências, discursos e visitas oficiais. Para cuidar da própria saúde e da família, há uma alternativa bem mais confortável.
A prova de que não precisa ser assim está do outro lado do Congresso: na Câmara, os próprios beneficiários praticamente bancaram toda a assistência médica no ano passado e ainda sobrou dinheiro. O custo por beneficiário também foi dez vezes menor. Não consta que, por causa disso, deputados estejam desassistidos ou precisem peregrinar por hospitais em busca de atendimento.
O Senado preferiu ser generoso com seus beneficiários. A generosidade, claro, sobra para quem está do lado de fora pagar. Um trabalhador que contrata assistência privada tira a mensalidade do próprio salário. Quem não pode fazê-lo recorre ao SUS e enfrenta as limitações da rede pública. O senador, embora tenha renda suficiente para pagar, fica com a maior parte da conta subsidiada. É um privilégio difícil de defender e ainda mais difícil de explicar a quem o financia.
Vossas Excelências podem ficar com o melhor plano de saúde do Brasil. Só não há motivo para que quem jamais poderá usá-lo continue pagando – e muito caro – por ele.

