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Intimidade entre Flávio e Vorcaro é de estarrecer

São estarrecedoras as conversas em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra do fraudador Daniel Vorcaro valores milionários supostamente para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Começa com essa bomba a campanha de alguém que já reunia escassas credenciais para pleitear o Planalto.

Os diálogos divulgados na quarta-feira (13) pelo site Intercept não deixam dúvida da proximidade entre o senador e o delinquente. "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente", escreveu o senador a Vorcaro, em 16 de novembro último, véspera da prisão do banqueiro por tentativa de fuga.

No afago fraterno, Flávio apelava ao então dono do Master para que saldasse os R$ 134 milhões prometidos para o filme "Dark Horse" (azarão), cinebiografia hagiográfica de Jair feita nos Estados Unidos. Com a prisão do "irmão" e a derrocada do banco, o repasse ficou em R$ 61 milhões.

O dinheiro do Master não era de Vorcaro —daí sua desenvoltura em celebrar contratos vultosos para se aproximar de agentes públicos. Era produto do maior roubo da história do sistema financeiro nacional, que custará à sociedade ao menos R$ 60 bilhões.

Policiais desconfiam de que a iniciativa artística dos Bolsonaros seja fachada para financiar o ex-deputado fujão Eduardo nos EUA. A hipótese é plausível dada a fortuna do alegado orçamento, cujo custo rivalizaria com grandes realizações de Holywood.

A reação do pré-candidato do PL foi desastrosa. Primeiro negou relação com o ex-banqueiro. Depois, diante do fato, disse não ter feito nada de errado ao pedir dinheiro para uma ação privada, sem envolver verba pública. O argumento perde o sentido quando se leva em conta a fonte pagadora. Vorcaro tentou comprar a República com o seu dinheiro sujo.

Fechou contrato de R$ 129 milhões com o escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes, repassou R$ 35 milhões à família Dias Toffoli por resort. Pagou R$ 6,1 milhões à banca de parentes de Ricardo Lewandowski, da qual o ex-ministro se licenciou para assumir a pasta da Justiça.

Com a consultoria do ex-ministro Guido Mantega, que levou Vorcaro a audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Master gastou R$ 14 milhões. Desembolsos milionários também houve com empresas de parentes do governador pessedista Ratinho Júnior (R$ 21 milhões) e do senador petista Jaques Wagner (R$ 12 milhões). Oponente de Wagner na Bahia, o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) recebeu R$ 5,5 milhões em consultoria.

O escritório advocatício do presidente do partido de Neto, Antônio Rueda, obteve R$ 6,4 milhões do banco. Ao homólogo de Rueda no PP, Ciro Nogueira, a Polícia Federal afirma que Vorcaro pagava mesada de até R$ 500 mil.

Esse era o padrão rapace e inescrupuloso do "irmão" de Flávio Bolsonaro. Por isso o pré-candidato do PL deve explicações sobre a intimidade com o mafioso.

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Master: Sicário buscou contato com pai de Vorcaro antes de se enforcar em cela da PF

PorMalu Gaspar Johanns Eller / O GLOBO

 

Os episódios revelados na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que determinou a prisão de Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco Master, não são os únicos que demonstram o papel dele na coordenação dos núcleos formados por Daniel Vorcaro para ameaçar e intimidar pessoas e hackear sistemas. De acordo com a investigação, o pai de Vorcaro foi a pessoa a quem Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, mandou que a mãe e a irmã procurassem logo que foi preso.

 

Capturado em 4 de março, na mesma etapa da Operação Compliance Zero em que Daniel Vorcaro também foi preso pela segunda vez, Mourão se enforcou na cela que ocupava na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Minas Gerais logo após ser encarcerado. Ele teve a morte cerebral confirmada dois dias depois.

A informação consta dos depoimentos que Denise, mãe de Mourão, e uma irmã dele deram à PF no inquérito ainda sigiloso sobre a morte dele. Foi para elas que Sicário fez as duas ligações que lhe foram permitidas assim que foi preso. Às duas, deu a mesma orientação: que procurassem Henrique Vorcaro, porque ele saberia ajudá-las e orientá-las.

 

Segundo a decisão de André Mendonça, relator do inquérito no STF, Vorcaro era o responsável pela coordenação dos dois grupos usados pelo dono do Master para cumprir as missões de seu interesse: “A Turma” e “Os Meninos”.

O objetivo do segundo grupo seria, de acordo com o magistrado e a PF, “atender comandos emanados do núcleo central da organização criminosa” com atuação “eminentemente tecnológica” por meio de ataques hackers, derrubada de perfis críticos ao banco de Vorcaro nas redes sociais e monitoramento ilegal de alvos dos líderes do esquema.

 

Como mostramos no blog, o líder do grupo hacker, David Henrique Alves, recebia de Sicário pagamentos mensais de cerca de R$ 35 mil para executar a ofensiva cibernética.

O conteúdo dos celulares dos investigados apreendidos pela Polícia Federal demonstra também que Sicário manteve contato frequente com Henrique Vorcaro e outros integrantes do núcleo do esquema às vésperas da sua prisão.

 

Sicário e Vorcaro se conheceram na juventude em Belo Horizonte. Como informamos no blog em março, o aliado do dono do Master era conhecido em Minas Gerais por sua extensa ficha criminal, que incluía furto qualificado, estelionato, associação criminosa e falsificação de documentos, além de veículos para desmanche, golpes na internet e clonagem de cartões de crédito, entre outras atividades ilícitas.

Pai de Vorcaro é preso pela PF por seguir cometendo crimes mesmo depois de prisão do filho

Mônica Bergamo / Mônica Bergamo é jornalista e colunista / FOLHA DE SP

 

Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso pela PF (Polícia Federal) na manhã desta quinta (14), em Belo Horizonte (MG), na 6ª fase da Operação Compliance Zero.

Ele está sendo investigado por participar do grupo conhecido como "A Turma", usado pelo dono do Banco Master para ameaçar adversários e definida pela PF como "organização criminosa suspeita de praticar condutas de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos".

Henrique Vorcaro, segundo investigação da PF, fazia demandas, efetuava pagamentos e também pedia serviços a um outro grupo, "Os Meninos", que reunia hackers que tentariam derrubar do ar reportagens para o grupo Master, publicando conteúdos positivos para Vorcaro.

Uma delegada da PF foi afastada e um agente da instituição foi preso na mesma operação. Eles são investigados sob a suspeita de integrarem o grupo de Vorcaro vazando informações sigilosas à organização.

 

Além deles, mais dois policiais federais aposentados foram alvos de mandado de busca e apreensão —e um deles também de detenção.

Foram cumpridos sete mandados de prisão, e mais 17 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Em seu despacho, o magistrado afirma que dados extraídos dos telefones celulares dos investigados "indicam que Henrique permaneceu solicitando serviços ilícitos e providenciando recursos para a manutenção do grupo ['A Turma'] mesmo após as primeiras fases da Operação Compliance Zero, inclusive com menções a repasses vultosos, necessidade de pagamentos para viabilizar o atendimento das demandas, uso de número estrangeiro e troca frequente de terminais, o que reforça a contemporaneidade e a sofisticação do agir investigado".

Afirmou ainda que o pai de Vorcaro exercia a "função de operador financeiro dos pagamentos efetuados ao núcleo criminoso".

Em mensagens enviadas a Henrique e incluídas por Mendonça na decisão, Marilson Roseno, coordenador de "A Turma", pede para que Henrique não o deixe "à deriva", afirmando estar "segurando uma manada de búfalo". Por isso, precisaria do "pagamento ajustado".

Segundo ainda Mendonça, "Henrique responde que receberia recursos na quinta ou na sexta-feira e que, assim que isso ocorresse, 'imediatamente' enviaria '400', ao que Marilson contrapõe que o ideal seria o envio de "800k".

"A Turma", como o grupo se identificava em material apreendido pela Polícia Federal em março, conversou sobre "quebrar todos os dentes" do jornalista Lauro Jardim, de O Globo. A sugestão da sova foi dada pelo chefe e então dono do Master, Daniel Vorcaro, a Luiz Mourão, o "Sicário", apelido que remete a matadores de aluguel.

De acordo com as ordens de prisão decretadas naquele mês pelo ministro André Mendonça, "Sicário" e um ex-policial também invadiam sistemas de órgãos federais, monitoravam e espionavam alvos do dono do banco e agiam para limpar a imagem pública da empresa financeira e de Vorcaro, por meio de pedidos forjados a plataformas digitais e pagamentos a editores por veiculações amistosas.

"Sicário" morreu logo depois de ser preso. A PF afirma que ele cometeu suicídio.

Em março também foi preso preventivamente Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro suspeito de organizar pagamentos de "A Turma".

Henrique Vorcaro era um participante ativo da rede de movimentações financeiras do Master e do filho. Eles participavam juntos de empresas que, segundo as investigações, teriam sido usadas para ocultar patrimônio do esquema.

A Folha revelou, por exemplo, que uma empresa da família chamada Multipar movimentou mais de R$ 1 bilhão em cinco anos exclusivamente entre contas ligadas ao dono do Banco Master. O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificou que a movimentação sugere uma tentativa de esconder o patrimônio.

Em nota, a PF afirma que "a Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (14/5), a 6ª fase da Operação Compliance Zero, com o objetivo de aprofundar as investigações em face de organização criminosa suspeita de praticar condutas de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos".

Policiais federais cumprem sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e de sequestro e bloqueio de bens.

Estão sendo investigados os crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional".

Chagas Vieira deve se abster de comentários ligando Capitão Wagner a motins, decide Justiça

Escrito por Redação / DIARIONORDESTE
 

Em medida cautelar, a 2ª Vara Criminal da Comarca de Fortaleza determinou que o ex-secretário da Casa Civil do Estado, Chagas Vieira (PDT), se abstenha de fazer comentários ligando o ex-deputado Capitão Wagner (União) a motins no Ceará. A decisão foi tomada no último dia 8, no âmbito de ação movida por Wagner com acusações de crimes de difamação e injúria.

O presidente da federação União Progressista alegou que, em janeiro deste ano, Chagas publicou e patrocinou um vídeo no Instagram imputando-lhe falsamente a prática de "motins que aterrorizaram o Estado do Ceará", em um contexto de rivalidade político-partidária.

Nesse sentido, o juiz Cesar Morel Alcantara também determinou que a Meta Platforms, gestora do Instagram, preserve dados técnicos e forneça métricas sobre os anúncios impulsionados relacionados ao caso. Ao deferir parcialmente pedidos de medida cautelar, o magistrado também aplicou multa diária de R$ 1 mil a Chagas Vieira, em caso de descumprimento da decisão.

O PontoPoder buscou o ex-secretário da Casa Civil para pronunciamentos. Ele respondeu que ainda não foi notificado, que recorrerá da decisão e reiterou críticas a Wagner. 

"Interessante: e esse fato não é público? Tem centenas de imagens por aí. Basta dar um Google. Capitão Wagner inclusive fez um livro de como fez o motim de 2011. Teve participação direta à frente do movimento. E apareceu em várias imagens com mascarados, estimulando o movimento de 2020, quando mais de 300 pessoas foram assassinadas no Ceará num período de 12 dias", declarou.

Montagem com fotos lado a lado de dois homens em ambiente interno. À esquerda, um homem de cabelo curto escuro usa camisa azul de mangas compridas e faz gesto com a mão enquanto fala, sentado à mesa com um copo de água à frente. À direita, outro homem de cabelo curto escuro usa camisa social branca e aparece de perfil, olhando para frente durante uma fala em evento. O fundo das duas imagens é desfocado e em tons escuros.

Legenda: Chagas Vieira e Capitão Wagner.

 

Operação do MP mira Vitor Valim por irregularidades em contratos na Prefeitura de Caucaia

Escrito por Ingrid Campos / DIARIO DO NORDESTE
 

Ex-prefeito de Caucaia, Vitor Valim (PSB) foi alvo da Operação “Sophismata”, do Ministério Público do Ceará (MPCE), nesta quarta-feira (13), por suspeita de crimes de responsabilidade em um suposto esquema iniciado em 2021 entre empresas públicas municipais e privadas. A Procuradoria de Justiça dos Crimes Contra a Administração Pública (Procap) cumpriu diligências em endereços ligados a ex-gestores públicos da cidade e sócios das empresas investigadas em Caucaia e Fortaleza, além de Belo Horizonte e Juiz de Fora, em Minas Gerais.

A operação contou com apoio de promotores de Justiça e da Polícia Civil do Estado para o cumprimento dos 18 mandados de busca e apreensão. Foram recolhidos documentos e aparelhos eletrônicos que irão subsidiar as investigações da Procap. 

O MPCE apura se a criação e operação de empresas públicas na sua gestão serviu de fachada para a terceirização irregular de serviços públicos essenciais e para burlar a obrigatoriedade de licitações. Ao todo, há 21 pessoas investigadas, entre físicas e jurídicas.

Sobre os demais suspeitos, recaem, ainda, acusações de fraude em licitação, modificação ou pagamento irregular em contrato administrativo e contratação direta ilegal, associação criminosa, lavagem de capitais, corrupção passiva e corrupção ativa.

O processo é sigiloso, mas o PontoPoder teve acesso à decisão que expediu os mandados, assinada pela desembargadora Vanja Fontenele, do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). Além de autorizar os trabalhos de campo desta quarta-feira, a magistrada determinou o cumprimento de medidas cautelares, como:

  • Quebra de sigilo telefônico, telemático (incluindo WhatsApp), bancário e fiscal dos investigados;
  • Afastamento de cargos e funções públicas pelo prazo de 180 dias;
  • Bloqueio de bens e valores no montante de R$ 6.943.100,99;
  • Proibição de acesso a repartições municipais de Caucaia e de manter contato entre os investigados por 180 dias.

Vitor Valim se pronuncia

Após a operação, Vitor Valim usou as redes sociais para se defender. Por meio de nota, ele sustentou que sua trajetória pública sempre foi pautada pela transparência e pelo respeito às instituições. 

Por isso, disse que a ação desta quarta-feira "possui natureza política, motivada por denúncias apresentadas por adversários". Ele se refere ao ex-vice-prefeito Deuzinho Filho (União), que rompeu com Valim ainda no mandato passado. Hoje, Deuzinho é secretário de Desenvolvimento Econômico em Caucaia. 

"Embora não tenha tido acesso ao teor dos autos e não tenha sido oficialmente chamado para prestar depoimento, coloco-me à inteira disposição da Justiça para quaisquer esclarecimentos necessários. Minha administração foi pautada pela honestidade e tem o reconhecimento do povo”, concluiu.

Cautelares se estendem à Prefeitura de Caucaia

O TJCE também impôs medidas emergenciais à Prefeitura de Caucaia, como a suspensão de atividades econômicas e de contratos por 180 dias com um grupo empresarial investigado.

A decisão também vetou a participação desses entes – de forma direta, por intermédio de terceiros, interpostas pessoais ou por meio de empresas constituídas em nome de seus titulares – em novos processos licitatórios e contratações públicas por igual período. 

Por meio de nota, a Prefeitura de Caucaia se colocou “à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações”, disponibilizando-se a encaminhar ao MPCE todos os documentos solicitados.

Entenda as suspeitas

A investigação começou em 2023, penúltimo ano do governo de Vitor Valim. Ele teria criado a empresa Soure Serviços Municipais S/A e suas subsidiárias, URBE Tecnologia da Informação (Urbe Digital) e Soure Ambiental S/A, com o propósito de viabilizar o escoamento de recursos públicos como intermediárias, segundo a Procap.

Assim, o município contratava a Urbe Digital (muitas vezes por meio de dispensas de licitação), que, por sua vez, subcontratava empresas privadas para realizar os serviços. 

Nessa espécie de “terceirização irregular de serviços públicos essenciais”, a Urbe Digital cobrava valores significativamente maiores do que os praticados pelas empresas que efetivamente executavam o serviço.

Ainda segundo a investigação, foi constatada majoração superior a 34,4% nos montantes dos contratos celebrados com as subcontratadas. Na plataforma online de multisserviços de comunicação, o sobrepreço chegava a 26%. 

Além disso, pesa o fato de a Urbe Digital não ter registrado qualquer receita operacional em 2021, evidenciando a inexistência de atividade econômica real. 

Com os indícios colhidos até o momento, a procuradoria entende que a participação do então prefeito Vítor Valim foi "direta e determinante" na constituição dessas empresas para a prática sistemática de crimes contra a administração pública.

Captura de tela de um story do Instagram publicado pelo perfil “vitorvalimtv”. A imagem mostra uma nota pública em fundo branco, com o título “NOTA” em azul no topo. O texto afirma que a trajetória pública de Vitor Valim sempre foi pautada pela transparência e respeito às instituições, e diz que uma ação ocorrida na quarta-feira, dia 13, teria natureza política, motivada por denúncias de adversários. Em seguida, ele declara que não teve acesso aos autos nem foi oficialmente chamado para depor, mas que se coloca à disposição da Justiça para esclarecimentos. Ao final, afirma que sua administração foi marcada pela honestidade e pelo reconhecimento do povo. A assinatura “VITOR VALIM” aparece centralizada na parte inferior da imagem.

 

NOVO Perigo à vista

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

Reportagem publicada recentemente pelo Estadão revelou que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria admitido a empresários que não conseguirá segurar por muito tempo a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1. O tema, uma das prioridades da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem sido discutido em uma comissão especial da Casa e deve ser pautado em plenário nas próximas semanas para que possa ser enviado ao Senado ainda neste semestre.

 

Entidades representativas da indústria, comércio e serviços já estimaram os impactos negativos da redução da jornada de trabalho sem diminuição dos salários em um país com baixa produtividade e crescimento econômico, mas, a cinco meses das eleições, pouquíssimos parlamentares ousarão posicionar-se contra uma medida de caráter tão populista, haja vista o risco de serem punidos nas urnas.

 

Tudo indica que o debate, se houver, será feito de maneira açodada e, diante da inevitabilidade desse cenário, o setor produtivo optou pelo pragmatismo e começou a trabalhar para convencer lideranças do Congresso a estabelecer medidas que diluam o custo da bondade para seus negócios.

 

Entre elas há propostas pertinentes e bastante razoáveis, como a vinculação da redução da jornada a acordos coletivos e o estabelecimento de um prazo de transição de dez anos para que os segmentos mais atingidos possam se adaptar à escala reduzida. Outras, no entanto, nada têm a ver com o cerne da questão e visam apenas a pegar carona no debate, como a atualização dos limites de enquadramento no Simples Nacional e no regime de microempreendedores individuais (MEIs).

 

O setor argumenta que o fim da escala 6x1 atingirá em cheio os pequenos negócios, que, em conjunto, são os maiores empregadores do País. Mas são inegáveis as distorções e ineficiências que esses regimes geram na economia, entre os quais a redução da produtividade, sem contar o impacto na arrecadação de impostos e, sobretudo, nos cofres da Previdência Social.

 

A proposta é ampliar o limite de faturamento anual de microempreendedores individuais de R$ 81 mil para R$ 145 mil, enquanto o de microempresas aumentaria de R$ 360 mil para R$ 870 mil e o de empresas de pequeno porte, de R$ 4,8 milhões para R$ 8,695 milhões. Não há país no mundo que pratique algo remotamente parecido e que tenha tetos tão generosos para esse tipo de regime.

 

Embora os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, sustentem que o governo não pretende indenizar os setores pelo fim da escala 6x1, até as pedras em Brasília sabem que o Congresso não aprovará a proposta sem que haja algum tipo de compensação para as empresas.

 

Se ela se der nos limites de enquadramento do Simples e do MEI, como parece ser o caso, sairá caro para o Executivo federal, para a economia brasileira e para a sociedade como um todo. Mas o governo, lamentavelmente, parece disposto a fazer qualquer negócio e arcar com todo tipo de consequência apenas para garantir uma bandeira eleitoral para Lula.

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