SONHA DE Tarcísio se cacifa à Presidência
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Toda eleição com um incumbente é, em algum grau, um referendo. A vitória robusta do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no primeiro turno, com mais de 60% dos votos contra o petista Fernando Haddad, dá a medida do veredicto sobre o conjunto de sua administração. Mais do que isso: com esse resultado, fica claro que Tarcísio é nome fortíssimo à sucessão presidencial em 2030.
A rejeição ao PT continua a pesar num eleitorado que, mesmo nos momentos de maior popularidade do lulismo, jamais lhe franqueou as portas do Palácio dos Bandeirantes. Mas a continuidade paulista já não depende do PSDB, que durante décadas a encarnou. Tarcísio consolidou uma base política e uma identidade administrativa próprias, inclusive em relação a seu padrinho político, Jair Bolsonaro. O governador paulista caminha com as próprias pernas – o que vale ouro na eventual disputa pelo Palácio do Planalto.
A qualidade do governo de Tarcísio, reconhecida pelo eleitor, centra-se sobretudo na manutenção do patrimônio administrativo que São Paulo acumulou por décadas – desde Mário Covas, por quase 30 anos os governos do PSDB consolidaram uma tradição de concessões e parcerias com o setor privado. Tarcísio recebeu esse repertório pronto. Seu mérito deve ser avaliado pelo uso que fez dele.
A desestatização da Sabesp foi escolha própria e mudou a estrutura de um serviço essencial. Já a Tabela SUS Paulista ampliou os atendimentos na saúde. Esses exemplos mostram um governo com direção reconhecível e afastam a imagem de um mero administrador de um patrimônio recebido. A aceleração das contratualizações e a expansão do ensino técnico reforçam essa marca, embora seja cedo para medir plenamente seu desempenho.
Os paulistas referendaram essas escolhas, e convertê-las em resultados duradouros será o grande teste do novo mandato. Um Estado que amplia concessões precisa ampliar, com a mesma seriedade, sua capacidade de regular, medir e punir. O Tribunal de Contas advertiu para a necessidade de modernizar os controles diante da expansão das parcerias privadas. A disciplina fiscal pede atenção: São Paulo continua longe de uma crise financeira, mas tem menos folga hoje do que há quatro anos.
Longe de ser um cheque em branco, portanto, a aprovação do primeiro mandato vem acompanhada de exigências em relação ao segundo. Os paulistas entregam muito a seu governo, sabem que São Paulo pode mais, e votaram por isso. Projetos anunciados terão de funcionar, contratos precisarão entregar o que prometem, serviços ampliados serão julgados pela qualidade e escolhas fiscais terão efeitos cada vez menos atribuíveis aos antecessores.
Tarcísio continuará governando um Estado rico, institucionalmente denso, favorecido por uma longa tradição administrativa – e hostil ao petismo. A diferença é que, daqui para a frente, uma parcela crescente dessa realidade terá sido moldada pelo próprio governador. Se Tarcísio tem pretensões presidenciais, como certamente tem, precisa manter o rumo e deixar como marca um Estado de São Paulo condizente com sua pujança.
Tarcísio se cacifa à Presidência
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Toda eleição com um incumbente é, em algum grau, um referendo. A vitória robusta do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no primeiro turno, com mais de 60% dos votos contra o petista Fernando Haddad, dá a medida do veredicto sobre o conjunto de sua administração. Mais do que isso: com esse resultado, fica claro que Tarcísio é nome fortíssimo à sucessão presidencial em 2030.
A rejeição ao PT continua a pesar num eleitorado que, mesmo nos momentos de maior popularidade do lulismo, jamais lhe franqueou as portas do Palácio dos Bandeirantes. Mas a continuidade paulista já não depende do PSDB, que durante décadas a encarnou. Tarcísio consolidou uma base política e uma identidade administrativa próprias, inclusive em relação a seu padrinho político, Jair Bolsonaro. O governador paulista caminha com as próprias pernas – o que vale ouro na eventual disputa pelo Palácio do Planalto.
A qualidade do governo de Tarcísio, reconhecida pelo eleitor, centra-se sobretudo na manutenção do patrimônio administrativo que São Paulo acumulou por décadas – desde Mário Covas, por quase 30 anos os governos do PSDB consolidaram uma tradição de concessões e parcerias com o setor privado. Tarcísio recebeu esse repertório pronto. Seu mérito deve ser avaliado pelo uso que fez dele.
A desestatização da Sabesp foi escolha própria e mudou a estrutura de um serviço essencial. Já a Tabela SUS Paulista ampliou os atendimentos na saúde. Esses exemplos mostram um governo com direção reconhecível e afastam a imagem de um mero administrador de um patrimônio recebido. A aceleração das contratualizações e a expansão do ensino técnico reforçam essa marca, embora seja cedo para medir plenamente seu desempenho.
Os paulistas referendaram essas escolhas, e convertê-las em resultados duradouros será o grande teste do novo mandato. Um Estado que amplia concessões precisa ampliar, com a mesma seriedade, sua capacidade de regular, medir e punir. O Tribunal de Contas advertiu para a necessidade de modernizar os controles diante da expansão das parcerias privadas. A disciplina fiscal pede atenção: São Paulo continua longe de uma crise financeira, mas tem menos folga hoje do que há quatro anos.
Longe de ser um cheque em branco, portanto, a aprovação do primeiro mandato vem acompanhada de exigências em relação ao segundo. Os paulistas entregam muito a seu governo, sabem que São Paulo pode mais, e votaram por isso. Projetos anunciados terão de funcionar, contratos precisarão entregar o que prometem, serviços ampliados serão julgados pela qualidade e escolhas fiscais terão efeitos cada vez menos atribuíveis aos antecessores.
Tarcísio continuará governando um Estado rico, institucionalmente denso, favorecido por uma longa tradição administrativa – e hostil ao petismo. A diferença é que, daqui para a frente, uma parcela crescente dessa realidade terá sido moldada pelo próprio governador. Se Tarcísio tem pretensões presidenciais, como certamente tem, precisa manter o rumo e deixar como marca um Estado de São Paulo condizente com sua pujança.
Flávio na frente é recado claro do eleitor
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Como esperado, haverá segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial, mas as urnas já deram um recado claríssimo no primeiro turno: com Flávio na frente de Lula, e com vitórias expressivas de partidos da oposição ao presidente – sobretudo o PL, partido dos Bolsonaros – na disputa pelo Senado e pelos governos estaduais, os brasileiros deixaram evidente que estão cada vez mais cansados do lulopetismo. Já se pode dizer que o eleitorado deseja mudanças.
O que se espera de Flávio e de Lula, agora, é que se disponham a debater suas ideias para que o eleitor possa saber qual dos dois é mais capaz de fazer essas mudanças. A campanha do primeiro turno, entretanto, não autoriza otimismo.
Ao longo das últimas semanas, o País assistiu a uma sucessão de ataques, insinuações e acusações recíprocas entre as campanhas de Lula e Flávio. Quase nada se ouviu sobre o que cada um deles pretende fazer a partir de janeiro. Ambos apostaram mais no medo de uma eventual vitória do adversário do que na confiança em suas próprias propostas, como se bastasse ao vitorioso ser menos detestado do que o derrotado para se qualificar como bom governante. O resultado é um eleitorado que foi às urnas mais por dever do que por esperança, e que decerto optou pelo que considerou o mal menor.
Lamentar a indigência do debate, contudo, não basta. O País é este. E, desde agora, os candidatos a governá-lo são Lula e Flávio Bolsonaro. É com um deles que a sociedade terá de lidar nos próximos quatro anos. Diante disso, o pior que o eleitor pode fazer por si mesmo e pelo Brasil é se entregar ao desalento, à indiferença ou à raiva. Sua decisão daqui a três semanas pesará muito no futuro. O próximo presidente da República terá pouca margem de erro para tratar de questões dificílimas de resolver.
As contas públicas estão em frangalhos. O crime organizado provoca medo nas ruas e avança sobre a economia formal, a política e até as instituições de Estado. A preservação do meio ambiente, ativo inestimável do Brasil, terá de ser conciliada com a exploração de petróleo e minerais raros. O Brasil precisa definir seu lugar em um mundo em convulsão após o colapso da ordem global do pós-guerra, notadamente marcado pela disputa geopolítica entre os Estados Unidos e a China, seus maiores parceiros comerciais. Como se nada disso bastasse, persistem os problemas domésticos nas áreas de saúde, educação e infraestrutura que, há décadas, frustram o potencial de desenvolvimento do Brasil.
Nenhum desses desafios é trivial. Por isso, os dois candidatos têm a obrigação de comparecer a todos os debates, entrevistas e sabatinas para dizer à Nação, com clareza e objetividade, o que pretendem fazer para resolvê-los. Fugir do debate, sob qualquer pretexto, ou recorrer a promessas vagas e ataques pessoais é não só um desrespeito ao eleitor, como um atentado contra um Brasil mais próspero para todos os seus cidadãos, tanto das atuais quanto das futuras gerações. Ademais, a sociedade merece saber como Lula e Flávio pretendem financiar suas políticas públicas. Não há futuro que não comece pela revalorização da responsabilidade fiscal, um princípio elementar da gestão pública que passou a ser tratado como xingamento.
Há ainda uma responsabilidade moral do futuro presidente perante a Nação. Quem vencer a eleição governará um país cindido, vale dizer, será o líder político também de milhões de cidadãos que não o escolheram para desempenhar esse papel. Não se superam desafios daquela envergadura sem a união do País em torno de objetivos comuns. O tom adotado por ambas as campanhas de agora até o dia 25 de outubro dirá muito sobre a disposição de Lula e de Flávio para curar as feridas abertas por uma disputa tão acirrada.
O segundo turno abre uma nova oportunidade para a qualificação do debate sobre os rumos do País. Os candidatos devem aproveitá-la para, enfim, falar de futuro. Se os problemas do Brasil são enormes, grandíssima também é a disposição de seu povo para resolvê-los – desde que bem liderado, como registra a História.
Desânimo toma conta da campanha de Lula, abre crise no PT e Flávio aproveita onda da direita
Por Vera Rosa e Guilherme Caetano / O ESTADÃO DE SP
BRASÍLIA – A passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno da disputa ao Palácio do Planalto na frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu uma crise no PT. A partir de agora, a principal estratégia da campanha de Lula à reeleição será explorar o medo contra um possível retorno da família Bolsonaro ao poder. Flávio, por sua vez, vai jogar parado, aproveitando a vantagem obtida com a onda da direita no País.
No QG do presidente, a avaliação é de que será difícil virar votos porque há um clima antipetista no País. Pega de surpresa com o rápido avanço de Flávio, a cúpula do PT vai ampliar o ataque ao senador e buscar o apoio de eleitores dos candidatos derrotados na primeira etapa da disputa.
Flávio também tentará convencer Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) a declarar voto para ele. O senador avalia que pode se beneficiar da migração desse eleitorado, à direita do espectro político. Em 2022, porém, o Movimento Brasil Livre (MBL), de Renan Santos, pregou voto nulo no segundo turno entre o PT e o PL.
Vice na chapa de Caiado, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, disse neste domingo que, diante da “diversidade de cenários eleitorais” nos Estados, os diretórios e líderes do partido estão liberados para definir quem querem apoiar para o Palácio do Planalto.
O crescimento de Flávio na reta final desestabilizou a equipe de Lula, que fará uma reunião nesta segunda-feira, 5, para definir os próximos passos.
Em São Paulo, a apuração dos votos foi marcada por momentos de muita tensão no hotel onde estavam o presidente e dirigentes de sua campanha. A portas fechadas, houve críticas internas à condução da campanha e à comunicação do governo, que não conseguiu se sobrepor ao discurso da oposição.
Antes mesmo da abertura das urnas, o PT já temia que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro virasse na frente. Pelos cálculos do comitê petista, Lula precisaria contar com uma diferença de quatro pontos porcentuais sobre Flávio para não ter sobressaltos no segundo turno. Terminou, porém, com 45% dos votos válidos e Flávio, com 47%.
A derrota do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), na primeira rodada, para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aumentou o cenário de dificuldades para Lula. Além disso, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) ficaram fora do Senado. Lula também não terá mais palanque em Minas, já que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito para o governo.
“Tudo como previsto”, afirmou o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do senador, ao chegar à casa onde o PL comemorou o resultado das urnas, em Brasília. O esforço do PL será concentrado agora nas articulações políticas, mantendo o foco das agendas no Sudeste.
A equipe bolsonarista deve repetir a estratégia de concentrar os atos de campanha em São Paulo, Minas e Rio, os três maiores colégios eleitorais do País, que reúnem 40% dos votos no País.
A eleição de governadores do PL, como Sérgio Moro, no Paraná; Luciano Zucco, no Rio Grande do Sul; e Jorginho Mello, em Santa Catarina, favorece Flávio, que também conta com o apoio de Tarcísio, em São Paulo.
“São Paulo vai ser decisivo para eleger Flávio no segundo turno”, disse o governador paulista, após ser reeleito. “Nós não vamos abaixar nossos acampamentos nem nossas bandeiras. Nós vamos derrotar o PT”.
A cúpula do PT identificou o cansaço da população “com tudo o que está aí”, o desgaste do governo e o desejo de mudança por parte do eleitorado como fatores que tornaram a disputa mais apertada do que o esperado.
Além disso, no diagnóstico dos petistas, a aliança de Lula com o Supremo Tribunal Federal (STF) pesou contra o candidato à reeleição neste momento em que a Corte enfrenta uma crise atrás da outra.
Até agora, nem o presidente nem o PT conseguiram renovar o discurso. A portas fechadas, dirigentes do partido admitem ser por isso que Flávio tem audiência quando se apresenta ao eleitorado como o antissistema.
O desafio de Lula, neste segundo turno, será superar o desgaste de sua própria imagem e vender esperança, nas três semanas que restam da campanha, com medidas que representem mudanças na vida da população.
Não foi à toa que, nas últimas propagandas na TV, Lula e Flávio vestiram o figurino da mudança. “Mudar não é voltar para trás. Mudança não é tirar o que você já conquistou. Não é armar o País nem entregar as nossas riquezas”, argumentou Lula, numa estocada em Flávio. “Desrespeitar mulher não é mudança; é passado”.
A frase traz embutida uma ameaça velada do que pode aparecer neste segundo turno. Há dossiês contra o senador com acusações da participação dele em orgias e negócios suspeitos. A exibição de imagens com esse teor, no entanto, divide a campanha. De qualquer forma, a propaganda eleitoral de Lula na TV vai destacar mais escândalos protagonizados por Flávio, como o da rachadinha, além de tentar associá-lo a milicianos.
“Nós vamos mostrar as ligações que Flávio Bolsonaro tem com as milícias e o legado do pai, que ele carrega, com 714 mil covas abertas na pandemia”, afirmou o presidente do PT, Edinho Silva, coordenador da campanha de Lula. “Tudo isso será confrontado com o projeto representado pelo presidente”.
Fim da escala 6x1 é visto como ativo, mas oposição promete barrar proposta
A aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 é vista como essencial pelo comando do PT para mostrar que o governo trabalha para melhorar a vida da população.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), marcou para terça-feira, 6, uma sessão para analisar a proposta, que já foi aprovada pela Câmara. Alcolumbre tentará acelerar a votação, mas a oposição promete barrar a iniciativa, ainda mais agora que a direita saiu fortalecida das urnas, e não só na disputa presidencial. Bolsonaristas ampliaram suas bancadas na Câmara, no Senado e nos governos estaduais.
No diagnóstico da campanha de Lula, medidas como o fim da taxa das blusinhas e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil não surtiram o efeito esperado. O discurso da soberania também não provocou impacto e, na visão do PT, será necessário um ajuste de rota para mostrar como os Estados Unidos de Donald Trump poderão interferir no Brasil, se Flávio vencer a disputa.
Ao menos 31 senadores eleitos defendem impeachment de ministros do STF
Por Danielle Brant, Pedro Augusto Figueiredo, Gabriel Serpa, Lucas Allabi, Lara Schweitzer e William Brizola / o estadão de sp
BRASÍLIA E SÃO PAULO -BRASÍLIA - A maioria dos eleitos para o Senado neste domingo, 4, defende a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e também uma limitação aos mandatos dos integrantes da Corte.
O resultado foi compilado a partir de respostas a levantamento do Estadão com os candidatos que registravam, nas últimas semanas, melhor desempenho numérico em pesquisas. Evair de Melo (Republicanos), eleito ao Senado pelo Espírito Santo, foi o único que não foi consultado.
Foram enviadas cinco perguntas aos então candidatos. Dos 53 eleitos ouvidos, o número de respostas variou de 31 a 35 senadores, a depender da pergunta.
Um dos principais argumentos usados é que os ministros não estão acima da lei e devem responder por eventuais crimes de responsabilidade. Eles defendem ainda que o Senado precisa exercer sua prerrogativa de processar integrantes da Corte e que o impeachment poderia ajudar a preservar o equilíbrio entre os Poderes e resgatar a credibilidade do Supremo.
O ministro Alexandre de Moraes é citado explicitamente, com críticas ao que é visto como abuso de autoridade por parte do magistrado. Outros destacam as suspeitas que cercam a relação do ministro com Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o contrato do banco com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, sua mulher. Nas respostas, o caso é usado para defender investigação, afastamento ou impeachment do ministro.
O mandato fixo é outro tema em torno do qual a maioria dos senadores eleitos converge. Dos 34 que responderam à pergunta sobre se deveria haver uma limitação, 31 (91,2%) disseram que “sim”. Entre as justificativas estão a de que é preciso assegurar renovação e alternância na composição do STF, para evitar que ministros permaneçam por décadas no cargo.
Outro argumento é o peso das indicações presidenciais: como um ministro pode permanecer no STF por muitos anos, a escolha feita por um presidente produz efeitos sobre a composição do tribunal muito depois do fim de seu mandato no Palácio do Planalto. Há ainda a avaliação de que o prazo não comprometeria a independência dos ministros.
Os candidatos também haviam sido perguntados sobre idade mínima, forma de indicação dos ministros e restrição de decisões monocráticas.Segundo o levantamento, 27 de 31 que responderam à pergunta (71%) concordam com a definição de uma idade mínima para indicação ao STF. Hoje, a Constituição exige que o indicado tenha mais de 35 e menos de 70 anos.
Alguns sugerem aumento, enquanto outros concordam com os critérios atuais. Aqueles que citam a elevação da idade sugerem entre 40 e 60 anos.
A mudança na forma de indicação tem apoio de 22 dos 32 que responderam (68,8%). Entre as justificativas usadas estão a necessidade de reduzir o peso do presidente da República na nomeação e a adoção de critérios mais técnicos. Outros também afirmaram que é preciso ter uma sabatina mais rigorosa no Senado.
No que diz respeito às decisões monocráticas, o apoio à restrição é maior: 30 dos 32 que responderam defendem limitar esse tipo de decisão (93,8%). Predomina a avaliação de que um único ministro não deveria ter poder para suspender leis, atos de outros Poderes ou decisões tomadas pelo Congresso em temas de grande impacto.
Reportagem: Ana Xavier, Danielle Brant, Gabriel Serpa, Lara Schweitzer, Lucas Allabi e Pedro Augusto Figueiredo; Edição: Ricardo Corrêa; Desenvolvimento e Design multimídia: William Brizola; Editora de infografia multimídia: Regina Elisabeth Silva; Editores-assistentes de infografia multimídia: Adriano Araujo e William Mariotto; Editor Executivo em Brasília: Murilo Rodrigues Alves; Editor Executivo de Política: Renato Andrade.
Alcides defende Ciro e chama Cid de covarde: 'Seu irmão é macho'
Escrito por Igor Cavalcante / DIARIONORDESTE
O candidato ao Senado Alcides Fernandes (PL) fez críticas ao senador Cid Gomes (PSB) e saiu em defesa de Ciro Gomes (PSDB) durante o Debate PontoPoder, realizado nesta quinta-feira (1º). Ao comentar o combate às facções criminosas, o deputado estadual chamou Cid de “covarde” por não comparecer ao confronto e afirmou que o irmão dele é “macho” e “corajoso”.
Cid e a deputada federal Luizianne Lins (Rede), que disputam as duas vagas pela base governista, haviam confirmado presença, mas informaram, nesta quinta, que não participariam devido às alterações na agenda de campanha.
Ciro concorre ao Governo do Ceará e tem Alcides como um dos candidatos ao Senado ligados à sua chapa.
“Você não veio porque você é covarde. Era para você estar vindo para eu olhar para a sua cara e chamar você de traidor. Você está traindo, você é uma vergonha”, declarou Alcides
Na fala, o candidato do PL também acusou Cid de ser conivente com políticos supostamente envolvidos com organizações criminosas. "Agora você vai lacrar, fazer um videozinho dizendo: 'Estão me atingindo, estão me atacando'. Ninguém está mais com você, Cid. Camilo já te abandonou, o Lula não quis ir para Sobral porque você está lá embaixo, ninguém acredita mais em você, ninguém acredita", acrescentou.
Debate PontoPoder para o Senado
Os quatro políticos candidatos ao Senado foram convidados por atenderem aos critérios de representatividade para participação no debate e também somam mais de 5% de intenção de voto na pesquisa estimulada mais recente do Instituto Quaest, contratada pela TV Verdes Mares e publicada no dia 23 de setembro.
O Debate PontoPoder teve formato com quatro blocos, todos com confronto direto entre os candidatos. O primeiro e o penúltimo contarão com temas livres, enquanto o segundo e o quarto serão de temas determinados.

