Derrota no Senado serve para tirar Lula da zona de conforto
Próximo delator do caso Master, ex-presidente do BRB não vai para a mesma prisão de Vorcaro
Por Malu Gaspar e Rafael Moraes Moura — Rio e Brasília / o globo
A expectativa da equipe de investigadores que acompanha as tratativas para um acordo de colaboração premiada com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa é de que o pedido dele para deixar Papuda seja atendido nos próximos dias pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master. Nesse caso, porém, ele não iria para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde já está Daniel Vorcaro, mas para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como “Papudinha”.
A transferência de Costa para uma prisão especial em “sala de estado maior” foi pedida na semana passada por seus advogados, Eugênio Aragão e Davi Tangerino, ao sinalizar “interesse em cooperar com as autoridades competentes, possivelmente por meio de colaboração premiada”. Eles alegam que as instalações da Papuda não garantem o sigilo das conversas.
A Papudinha é uma prisão reservada a militares, e por isso mesmo os advogados apontaram no pedido que Costa é oficial da reserva das Forças Armadas, para a qual passou como segundo tenente. Mendonça pediu à PGR e à PF que se manifestem, mas a tendência é a que tanto os procuradores como a PF concordem com a medida, segundo fontes a par das discussões nos bastidores.
Além de Costa ser reservista, também deve pesar na decisão a posição da PF, que afirma não ter condições de receber mais nenhum preso nas mesmas condições de Vorcaro.
O superintendente da corporação no DF, Alfredo Junqueira, informou ao ministro Mendonça que não há celas na unidade que ele administra, e que a própria a sala onde está o dono do Master já foi adaptada para servir de cela. Foi nessa sala que o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou, antes de também ser transferido para a Papudinha. Além de as instalações não serem adequadas, se ampliariam também as dificuldades logísticas e de pessoal que hoje já existem para manter Vorcaro lá.
Uma terceira razão para levar o ex-presidente do BRB para a Papudinha é não permitir que os dois potenciais delatores fiquem presos no mesmo local, já que o ideal é que não se comuniquem.
Medo de escuta
Na petição enviada a Mendonça na semana passada pedindo a transferência do cliente, os advogados de Costa afirmam que, na penitenciária da Papuda, onde ele está hoje, não é possível “discutir eventuais fatos delitivos de forma eficiente”, nem “manusear fontes de prova”, o que prejudicaria a negociação do acordo.
A petição não diz, mas o entorno de Costa teme que haja escutas ambientais para monitorar as conversas dos presos na Papuda, o que é um risco muito grande já que se trata de uma instalação sob a responsabilidade do governo local e o mais provável delatado pelo ex-presidente do BRB é o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB). Sua sucessora no Palácio do Buriti, Celina Leão (PP), também é um alvo em potencial.
Apesar de geograficamente localizada na área da Papuda, a Papudinha é administrada pela Polícia Militar. O local já abrigou militares e autoridades, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpriu por lá os últimos dias antes de ser mandado para a prisão domiciliar por sua condenação no processo da trama golpista.
Ainda estão presos lá o ex-ministro da JustiçaAnderson Torres e o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques – ambos condenados a 24 anos de prisão pela articulação num golpe de Estado para impedir a posse de Lula.
O batalhão oferece aos detentos condições melhores do que o resto do complexo prisional, com chuveiro quente, cozinha com possibilidade de preparo e armazenamento de alimentos, geladeira, armários, cama de casal e TV. E são cinco refeições diárias (café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia), enquanto na superintendência da PF são apenas três (café da manhã, almoço e jantar). Lá também é possível os presos tomarem banho de sol na área externa da própria cela sempre que quiserem.
‘Peça essencial’
Em sua decisão de 16 de abril que mandou prender Costa, Mendonça apontou que o ex-presidente do BRB é considerado pelos investigadores “peça essencial” para viabilizar a compra de carteiras fraudulentas do Master, recebendo, em contrapartida, seis imóveis de alto padrão – quatro em São Paulo e dois em Brasília.
O relator do caso Banco Master concluiu que Costa deveria ser preso para afastar o risco de interferir na coleta de provas, além de impedi-lo de ocultar o patrimônio e rearticular “a engrenagem financeira e jurídica do esquema”.
Paraisópolis sob o jugo diário do PCC
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Em maio de 2006, uma onda de ataques perpetrados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) contra as forças de segurança do estado de São Paulo deixou o saldo macabro de 564 mortos, sendo 59 agentes e 505 civis. Passados 20 anos, a facção só fez expandir seu raio de ação, e o mesmo se deu com outros grupos como o Comando Vermelho, no Rio de Janeiro.
Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais, em 2024, PCC e CV já atuavam em mais de 20 estados e em prisões de 24 estados e do Distrito Federal. Estenderam, ainda, suas atividades ilícitas a vizinhos sul-americanos.
Além da expansão territorial, verificam-se a diversificação dos negócios, não mais restritos ao narcotráfico, e o recrudescimento do controle sobre as comunidades, solapando direitos fundamentais dos cidadãos.
Sinais deste último fenômeno, já bastante conhecido no Rio de Janeiro, foram captados pela Folha, que visitou a favela Paraisópolis —a maior de São Paulo e 3ª maior do país, com 58,5 mil habitantes— e ouviu seus moradores.
De acordo com os relatos, incluídos os de promotores de Justiça e de policiais, o PCC impõe cobrança de taxas a comerciantes, bloqueio de vias de acesso e fiscalização das atividades das organizações sociais. Com auxílio de um drone, foi filmado um desses bloqueios, feito com grade de ferro e vigiado por dois homens.
Paraisópolis também se tornou uma espécie de última instância do chamado tribunal do crime. Lá, integrantes e lideranças do bando são "julgados", com punições que chegam à morte.
O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) negou a existência desse cenário de controle rígido pelo PCC. Contudo, no domingo (3), menos de 24 horas após a publicação da reportagem, agentes da Polícia Militar realizaram operação para retirar bloqueios de ruas em Paraisópolis.
O fortalecimento do PCC e de outras facções está relacionado ao erro central de tratar o crime organizado como um problema episódico de polícia, não como um fenômeno de convergência entre domínio dos presídios, política, mercado e economia.
Mais do que o necessário policiamento ostensivo, é preciso inteligência na investigação de redes de financiamento ilegais e de corrupção de agentes públicos.
Ademais, a situação em Paraisópolis e em outras comunidades do país mostra como a ausência do Estado —em urbanismo, educação, lazer, saúde— facilita o controle violento exercido pelas facções. Agora, é preciso trabalho redobrado para livrar essa população do jugo diário do crime.
Algo vai mal quando há 2 programas Desenrola em 3 anos
Algo vai mal quando um governo lança dois programas de renegociação de dívidas pessoais em apenas três anos, sem que tenha havido uma recessão ou outro grande revés inesperado entre um e outro.
Não se trata apenas de erro de cálculo da política econômica. Iniciativas do gênero não podem se banalizar, sob o risco de incentivar mais endividamentos imprudentes —na expectativa de que novos socorros virão.
Quanto ao erro de cálculo, ele foi explicitado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante o anúncio do Desenrola 2 nesta segunda-feira (4). Quando foi lançado o Desenrola 1 em 2023, relatou, esperava-se que os juros do Banco Central fossem entrar em tendência de queda, aliviando os orçamentos das famílias. "A expectativa de uma redução de juros no país se frustrou."
De fato, a taxa básica do BC viria a cair de 13,75% para 10,5% ao ano entre junho de 2023 e maio de 2024. No setembro seguinte, porém, voltou a subir, chegando ao pico de 15% em junho do ano passado. Hoje, são 14,5%.
Esse, porém, não pode ser considerado um fenômeno inesperado. Foi consequência natural da expansão desmesurada dos gastos do Tesouro Nacional sob Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pressionou a demanda e a inflação, e do afrouxamento prematuro das metas fiscais, que elevou a desconfiança quanto à perspectiva de controle da dívida pública.
O sufoco financeiro das famílias é mais grave do que sugere a taxa do BC, que serve de mera referência para os juros de mercado. Como noticiou a Folha, o spread bancário —a diferença entre o que os bancos pagam aos depositantes e o que cobram dos tomadores de crédito— chegou aos maiores patamares da série histórica iniciada em 2013.
Os dados mostram que os juros médios cobrados em novos financiamentos e empréstimos a pessoas físicas atingiram 38,4% ao ano em março deste 2026 (spread de 27,7 pontos percentuais). Se considerado apenas o crédito com recursos livres, isto é, não sujeito a regulação oficial, a taxa é de astronômicos 61,5%.
Com as famílias comprometendo 29,7% de sua renda com o pagamento de dívidas a poucos meses da eleição presidencial, Lula se viu premido a lançar seu novo programa de refinanciamento —cujo alvo principal são pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105 mensais).
O Desenrola 2 dará descontos de até 90% nos débitos, limpará o nome de quem deve até R$ 100 e permitirá o uso de até 20% do saldo do FGTS. Os custos terão teto de 1,99% mensais, equivalentes a 26,7% ao ano. Calcula-se um impacto fiscal modesto.
Pela experiência do Desenrola 1, tudo isso poderá não passar de paliativo efêmero se não forem promovidas condições para a queda sustentável dos juros. Hoje há o empecilho conjuntural da alta do petróleo decorrente da guerra no Irã, mas o fundamental será reequilibrar o Orçamento e conter a dívida pública.
Ceará tem risco de ‘chuvas intensas’ e ‘acumuladas’ em 92 cidades até quarta (6)
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou neste domingo (3) um aviso de perigo potencial de chuvas intensas e acumuladas para 92 cidades do Ceará. O aviso segue até quarta-feira (6). Serão afetados noroeste e sertões cearenses.
Segundo a entidade, há risco de chuva entre 20 e 30 mm/h ou até 50 mm/dia, ventos intensos (40-60 km/h). Há também um baixo risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas.
Além disso, há também um aviso de ‘acumulado de chuva’ que se estende até a terça-feira (5). Há perigo potencial, ainda que baixo, segundo o Inmet, de alagamentos e pequenos deslizamentos, em cidades com tais áreas de risco. Esse se estende também, além das duas regiões citadas, ao norte cearense.
CUIDADOS
- Em caso de rajadas de vento: não se abrigue debaixo de árvores, pois há leve risco de queda e descargas elétricas e não estacione veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.
- Evite enfrentar o mau tempo.
- Observe alteração nas encostas.
- Evite usar aparelhos eletrônicos ligados à tomada.
- Obtenha mais informações junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (telefone 193).
CIDADES COM PERIGO DE CHUVAS FORTES
- Barroquinha
- Camocim
- Carnaubal
- Chaval
- Crateús
- Croatá
- Granja
- Guaraciaba do Norte
- Ibiapina
- Ipaporanga
- Ipueiras
- Poranga
- São Benedito
- Tianguá
- Ubajara
- Viçosa do Ceará
CIDADES COM PERIGO DE ACUMULADO DE CHUVA
- Acarape
- Acaraú
- Alcântaras
- Alto Santo
- Amontada
- Apuiarés
- Aquiraz
- Aracati
- Aracoiaba
- Aratuba
- Barreira
- Baturité
- Beberibe
- Bela Cruz
- Camocim
- Canindé
- Capistrano
- Caridade
- Cariré
- Cascavel
- Caucaia
- Choró
- Chorozinho
- Coreaú
- Cruz
- Eusébio
- Forquilha
- Fortaleza
- Fortim
- Frecheirinha
- General Sampaio
- Granja
- Groaíras
- Guaiúba
- Guaramiranga
- Horizonte
- Ibaretama
- Ibicuitinga
- Icapuí
- Irauçuba
- Itaiçaba
- Itaitinga
- Itapajé
- Itapipoca
- Itapiúna
- Itarema
- Itatira
- Jaguaruana
- Jijoca de Jericoacoara
- Limoeiro do Norte
- Maracanaú
- Maranguape
- Marco
- Martinópole
- Massapê
- Meruoca
- Miraíma
- Morada Nova
- Moraújo
- Morrinhos
- Mulungu
- Ocara
- Pacajus
- Pacatuba
- Pacoti
- Palhano
- Palmácia
- Paracuru
- Paraipaba
- Paramoti
- Pentecoste
- Pindoretama
- Quixadá
- Quixeré
- Redenção
- Russas
- Santana do Acaraú
- Santa Quitéria
- São Gonçalo do Amarante
- São João do Jaguaribe
- São Luís do Curu
- Senador Sá
- Sobral
- Tabuleiro do Norte
- Tejuçuoca
- Tianguá
- Trairi
- Tururu
- Umirim
- Uruburetama
- Uruoca
- Viçosa do Ceará

Morre o ex-deputado federal cearense Régis Barroso, aos 84 anos
O ex-deputado federal, empresário e advogado Francisco Régis Monte Barroso morreu neste domingo (3), aos 84 anos. O cearense teve vasta atuação na vida pública e deixa um legado marcado por atuação nos bastidores do poder público com diálogo e discrição.
O velório será realizado nesta segunda-feira (4), às 8h, na funerária Eternus. Em seguida, haverá a missa de corpo presente, às 10h, antes da cremação do corpo.
Régis deixa dois filhos, Igor Queiroz Barroso, do casamento com Myra Eliane Vidal Queiroz, e Fabiana Nóbrega Barroso, da união com Heloísa Nóbrega.
"Neste momento de saudade, Igor Queiroz Barroso e família agradecem o apoio recebido e pedem orações ao Pai do Céu para que receba Francisco Regis Monte Barroso em sua morada eterna", declarou a família, em nota de pesar.
Quem foi Régis Barroso?
Francisco Régis Monte Barroso teve uma trajetória em diversos campos de atuação, desde cargos públicos a gerências do setor privado.
No Governo do Ceará, Régis foi oficial do Gabinete Estadual entre 1959 e 1960, e Chefe da Casa Civil do Estado, onde ficou de 1961 a 1963, durante a gestão do pai, Parsifal Barroso, em "função estratégica na coordenação administrativa e na articulação política".
Seguindo os passos do pai na política, Régis teve mandato de deputado federal entre 1967 e 1971, pelo extinto partido Arena. Segundo a família do cearense, disse na nota de falecimento, ele foi o mais jovem deputado federal eleito no Brasil, à época.
Em seu currículo, Régis também já foi procurador, presidente da Bolsa de Valores do Ceará, diretor de Crédito do Banco de Desenvolvimento do Estado, vice-presidente da Federação das Indústrias, e vice-presidente da Fundação Edson Queiroz.
O advogado ainda possuía o título de doutor em Direito Público pela Universidade Federal do Ceará (UFC), obtido em 1965.
Leia a nota de pesar completa
Faleceu neste domingo (03), Francisco Régis Monte Barroso, figura pública cearense que integrou uma das mais tradicionais famílias políticas do Estado do Ceará, marcada por gerações de atuação na vida pública.
Filho de Parsifal Barroso e de Olga Monte Barroso, Régis cresceu em um ambiente profundamente ligado à política e à administração pública. Seu pai, Parsifal Barroso, teve destacada trajetória nacional e estadual, tendo sido deputado federal, senador, governador do Ceará (1959–1963) e ministro do Trabalho, Indústria e Comércio no governo de Juscelino Kubitschek, entre 1956 e 1958. Já sua Mãe, Olga, foi pioneira na concepção de atuação de mulher na política, sobretudo em projetos sociais e intelectuais.
Seguindo essa tradição, Francisco Régis ingressou precocemente na vida pública, sendo eleito deputado federal, o mais jovem eleito no Brasil à época.
Antes disso, exerceu papel de grande relevância ao atuar como chefe da Casa Civil do Governo do Ceará durante a gestão de seu pai, Parsifal Barroso (1959–1963), função estratégica na coordenação administrativa e na articulação política do governo estadual.
Ao longo de sua trajetória, destacou-se pela discrição, habilidade de diálogo e atuação nos bastidores da gestão pública, contribuindo para a condução de temas relevantes para o Ceará.
No campo pessoal, Francisco Régis Monte Barroso foi casado com Myra Eliane Vidal Queiroz, filha de Edson e Yolanda Queiroz, com quem teve um filho, o empresário Igor Queiroz Barroso. Também foi casado com Heloísa Nóbrega, com quem teve uma filha, Fabiana Nóbrega Barroso.
No âmbito familiar, era reconhecido como um homem reservado, profundamente ligado à família e às suas origens, mantendo vivos os valores herdados de sua linhagem.
Sua trajetória pública permanece associada à continuidade de uma importante linhagem política do Ceará, contribuindo para a vida institucional do estado tanto no exercício de mandatos quanto em funções estratégicas de governo. Sua atuação discreta e eficaz consolidou sua presença como um articulador relevante na administração pública cearense.

