Verba de emendas deve seguir critérios técnicos
O governo federal estima que vá desembolsar R$ 2,18 trilhões neste ano, excluídos os gastos com juros. Mais de 90% desses recursos vão para despesas obrigatórias, como aposentadorias, salários e os pisos constitucionais da saúde e da educação. Resta algo em torno de R$ 200 bilhões para custear a máquina, prestar serviços e investir.
Por meio de emendas ao Orçamento, deputados e senadores podem definir o destino de cerca de 23% desse montante, mas reclamam da execução de tais dotações, da liberação e do gasto efetivo. Na verdade, pressionam o governo com agressividade.
Chegam a pedir a saída de ministros, como Nísia Trindade (Saúde), de quem cobram relatórios sobre o uso do dinheiro —o que seria correto, se o objetivo fosse meritório.
Demandar e obter as verbas aprovadas não resulta, necessariamente, em corrupção, embora haja casos investigados pela Polícia Federal. O fato de que parcela do Orçamento seja destinada a municípios tampouco é motivo, por si só, de condenação. O conjunto da obra é que está em questão.
O investimento federal não passou de R$ 60 bilhões em 2023. Parte relevante é pulverizada em despesas paroquiais, de compra de caixas d’água a capacetes para a polícia, que bem podem ser necessidades, mas não são consideradas do ponto de vista do uso mais eficiente dos recursos federais.
Não há plano geral de avaliação do mérito das emendas e de uso alternativo do dinheiro a elas destinado. Ademais, a pulverização dificulta a reunião de recursos para investimentos maiores, que resolvam problemas de infraestrutura, sejam eles sanitários, de transporte, de pesquisa científica ou de comunicações, por exemplo.
A distribuição política de verbas também prejudica a conclusão de obras, já que é preciso agradar a mais currais eleitorais, em vez de seguir a ordem de prioridade da execução de trabalhos.
O problema é histórico. Nos últimos cinco anos, contudo, se agravou, dado o fortalecimento do Parlamento, que empareda o Executivo por meio de pressão política e barganhas para aprovação de medidas. Atualmente, o Congresso controla ao menos 30% da verba de sete ministérios de Lula.
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), um dos grandes artífices dessa ofensiva, alega com ligeireza que, pela Constituição, o Congresso tem o poder da emenda.
Por óbvio não se pretende cassar o direito do Legislativo de manejar parte do Orçamento e monitorar sua execução. Trata-se tão somente de fazer com que os recursos sejam distribuídos e fiscalizados de modo republicano e eficaz.
Especialistas apontam em CPI sinais de desabamento em Maceió desde 2008
Especialistas ouvidos nesta terça-feira (5) pela CPI da Braskem explicaram aos senadores as peculiaridades geológicas e falhas da empresa petroquímica Braskem que levaram aos danos ambientais causados em Maceió pela extração de mineral. Os depoentes afirmam que os riscos de afundamento nas minas de sal-gema eram conhecidos desde os anos 1970 e que as rachaduras nas casas das regiões começaram a surgir em 2008.
Em 2019, os moradores de alguns bairros localizados sobre as cavidades subterrâneas passaram a ser evacuados sob risco de desabamento do solo.
As convocações atenderam a requerimentos do relator da CPI, senador Rogério Carvalho (PT-SE). Ele afirmou que, de acordo com o que ouviu, considera a Braskem responsável pelos danos.
— Ficou claro que a empresa não seguiu as boas práticas [de engenharia]. (...) Quando as rachaduras começaram a aparecer, o movimento [da empresa] foi de negação de que tivesse algo a ver com a exploração do minério sal-gema. Está claro que não foi feito nada objetivamente no início das rachaduras.
Monitoramento
Engenheiro civil e professor aposentado da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Abel Galindo Marques afirmou que a Braskem não tomou as devidas precauções com relação aos riscos particulares da abertura de minas nas camadas de sal-gema no subsolo. Para ele, a empresa não observou a distância de segurança de 100 metros entre as minas e não utilizou devidamente a tecnologia de sondagem e de sonares (equipamentos de medição do tamanho das cavidades) para monitorar riscos de afundamentos.
— [O uso do sonar] foi feito, em partes, deixou muito a desejar — disse Abel Galindo, respondendo ao presidente do colegiado, senador Omar Aziz (PSD-AM).
Mas, para Galindo, as situações em que a empresa realizou o monitoramento eram suficientes para conhecer os riscos. A resposta do convocado foi a um questionamento do senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL).
— A Braskem já sabia disso? E quando soube, ela parou? Foi realmente algo que ela não tinha condições de saber o tamanho dessas minas embaixo? — indagou o senador.
Problema antigo
Galindo ainda afirmou que os primeiros sinais de desestruturação das cavidades de exploração de sal-gema apareceram em 2008. Até o ano de 2020, a área principal da mineração afundou dois metros. As informações, segundo ele, são de estudo de 2021 da revista britânica Nature, que faz publicações científicas. Mas, no início das primeiras rachaduras, o engenheiro não tinha certeza da relação com a Braskem.
— O terreno era bom. Por que estava rachando? Tínhamos desconfiança que era a mineração, mas não tinha, ainda, certeza absoluta.

Em 2019, a então Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM — atual Serviço Geológico do Brasil) concluiu relatório pela responsabilização da Braskem, que assumiu as atividades em 1996, segundo Rogério.
Galindo foi coautor do livro Rasgando a Cortina de Silêncios: O lado B da exploração do sal-gema de Maceió, de 2022. A obra também foi escrita pelo pós-doutor em meio ambiente José Geraldo Marques. Ele disse que, quando coordenava os trabalhos ambientais no Governo de Alagoas, de 1976 a 1978, sabia que as empresas responsáveis pelas explorações deixavam de observar a segurança. Segundo ele, as primeiras minas foram feitas nas restingas das cidades, áreas costeiras consideradas por ele impróprias para esse tipo de escavação.
— [O sal-gema] era cavado nas minas fora das recomendações técnicas, várias delas, e levadas para a indústria. Um dos diretores da DuPont [multinacional farmacêutica que tinha participação na exploração, à época, antes da Braskem] veio a Maceió e disse “eu só quero aqui, ou implantamos ali na restinga ou vamos embora”. Eu comecei a exigir o que a lei mandava, que era monitoramento contínuo do que acontecia com as minas e a imediata cobertura — disse.
Indenizações
José Geraldo Marques, que era morador do bairro Pinheiro — o primeiro a ser evacuado —, criticou a indenização oferecida por termo apresentado pela empresa aos atingidos. Ele considerou o acordo um “roubo consentido” em razão de trecho que transferiu os imóveis dos bairros afetados à Braskem.
As indenizações também foram objeto de pesquisa da professora da Ufal Natallya de Almeida Levino. Segundo ela, levantamento de opiniões dos afetados revelam que, em um primeiro momento, as vítimas estavam satisfeitas com as compensações financeiras sobre os danos materiais, mas “muito insatisfeitas pela forma com que os danos morais foram construídos”. Com o passar do tempo, a insatisfação aumentou entre os novos evacuados.
Natallya ainda explicou que a tragédia não se restringiu aos moradores que perderam as casas. Segundo ela, diversos impactos econômicos e urbanísticos foram sentidos na cidade, como o encarecimento dos imóveis após o aumento da demanda.
— O número de ofertas [de imóveis] quase dobrou entre 2017 e 2019 (...). Você causa uma mudança de hábito daquela população [evacuada], que muitas vezes tentava morar próximo ao trabalho e agora vai ter que pegar ônibus, vai ter que dirigir… Isso impacta o custo do padrão de vida.
Afundamento
Segundo Abel Galindo, o sal-gema, que é utilizada na fabricação de PVC e outros produtos, é bastante rígida no subsolo. Mas as perfurações nesse minério sofrem consequências diferentes de outras rochas. Ele usou o exemplo da Mina 7, uma das 35 cavidades de exploração na camada rochosa, que tem cedido aos poucos e se aproxima do solo.
— Se fizer um buraco no granito, vai ficar ali mesmo. Agora o sal-gema não. Se você não tiver uma pressão interna, capaz de manter a pressão que existia antes de você fazer o buraco, (...) ela começa a ficar mole e vai se arrastando para dentro da mina. E as camadas de rocha que estão em cima, mil metros de camadas de rocha, acompanham também. Aí racha tudo o que está em cima. Em 1989, [a Mina 7] estava dentro da camada de sal gema. Já em 2019, ela tinha subido 200 metros fora da camada de sal. Isso não pode, de jeito nenhum.
O processo continua em outras minas e pode afetar novos bairros. Segundo Abel Galindo, estudos da empresa holandesa Well Engineering Partners estimam que a região deve afundar de dois a quatro metros no próximo século.
Danos em Maceió
Mais de 14 mil imóveis nos bairros Pinheiro, Mutange, Bom Parto, entre outros, foram afetados e cerca de 60 mil pessoas foram diretamente prejudicadas com os danos ambientais em Maceió.
Em 2019, a Braskem paralisou suas atividades de extração de sal-gema. Agora, diversos órgãos públicos buscam a responsabilização da empresa por diferentes tipos de danos, como ao meio ambiente, à urbanização, à economia, além dos danos morais aos atingidos pelos acidentes. Alguns acordos foram assinados com a Braskem como resultados desses processos judiciais, a fim de dar mais rapidez na reparação dos danos e evitar continuação das ilegalidades.
Segundo a empresa informa em página na internet dedicada ao tem, foram provisionados R$ 14,4 bilhões, dos quais R$ 9,2 bilhões já foram desembolsados para reparar, compensar ou mitigar os danos.
CPI
A CPI foi criada pelo requerimento do senador Renan Calheiros (MDB-AL) para investigar os efeitos da responsabilidade jurídica e socioambiental da mineradora Braskem no afundamento do solo em Maceió. Com 11 membros titulares e sete suplentes, a comissão tem até o dia 22 de maio para funcionar e limite de gastos de R$ 120 mil.
Fonte: Agência Senado
Câmara discute propostas para regulamentar o trabalho de motoristas de aplicativos
O governo anunciou nesta semana que vai enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei complementar para estabelecer uma remuneração mínima para motoristas de aplicativos, entre outros direitos.
Já há na Câmara dos Deputados mais de 100 projetos em tramitação sobre o assunto. O governo deve pedir urgna análise da nova proposta para que o texto possa vigorar três meses após a sanção.
Segundo o governo, os motoristas – cerca de 1,5 milhão – terão direito a receber, no mínimo, R$ 32,90 por hora de trabalho, sendo que R$ 24,07 serão para pagar custos com celular, combustível, manutenção do veículo, seguro, impostos e outras despesas. Ou seja, essa parcela não fará parte da remuneração mínima de R$ 1.412, que é o salário mínimo.
A ideia é manter a categoria como trabalhadores autônomos, mas garantir alguns direitos, como os benefícios do INSS.
“As pessoas vão envelhecendo, às vezes têm um problema de doença. Ou a pessoa morre e a família fica na insegurança. Agora, de cada hora trabalhada se desconta 7,5% para o INSS e o patronal vai pagar 20%”, detalhou o presidente da Comissão de Trabalho, deputado Airton Faleiro (PT-PA), em entrevista à Rádio Câmara.
O novo texto do governo também deve determinar que a jornada de trabalho será de oito horas diárias com um máximo de 12 horas. O motorista, que será chamado de “trabalhador autônomo por plataforma”, poderá trabalhar para quantas empresas quiser.
Motocicletas
Airton Faleiro disse que a negociação do projeto continua no Congresso para incluir os aplicativos de entregas. “Nós não vamos ceder à resistência do iFood. Não vamos aceitar que os trabalhadores dos aplicativos de duas rodas não estejam incluídos com a sua situação regulamentada”, avisou o deputado.
O iFood divulgou nota dizendo que participou das discussões com o governo e que está disposto a continuar negociando uma proposta de regulamentação.
Contra a urgência
O coordenador da Frente Parlamentar dos Motoristas de Aplicativos, deputado Daniel Agrobom (PL-GO), disse em suas redes sociais que vai analisar o projeto, mas que é contrário à urgência na análise.
“Eles [o governo] gastaram um ano para analisar o projeto, discutir. E nós, parlamentares, não podemos ter somente 45 dias para analisar, discutir e aprovar”, argumentou o parlamentar.
Daniel Agrobom é autor de um projeto que regulamenta a profissão e estabelece outra metodologia de remuneração mínima (PL 536/24). Pelo texto, enquanto esse cálculo não for aprovado localmente, o motorista teria que receber R$ 1,80 por quilômetro rodado e R$ 0,40 por minuto.
A proposta do governo é resultado de um grupo de trabalho do qual participaram representantes dos trabalhadores e das empresas. A discussão também foi acompanhada pela Organização Internacional do Trabalho e Ministério Público do Trabalho.
Reportagem - Silvia Mugnatto
Edição - Natalia Doederlein
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Após reunião com Lira e líderes, governo vai encaminhar novo projeto de auxílio ao setor de eventos
Durante reunião entre o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), os líderes partidários e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ficou acertado que o governo vai encaminhar um novo projeto com urgência constitucional de auxílio ao setor de eventos. O Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) foi criado com objetivo de auxiliar o setor a reduzir perdas em razão da pandemia do coronavírus.
O prazo do programa se encerrou em 2023. No final do ano, o Poder Executivo chegou a encaminhar uma medida provisória que prorrogava o prazo de socorro ao setor até 2025, mas decidiu encaminhar um novo projeto sobre o tema para tramitar no Congresso (MP 1202/23).
Segundo o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), o texto da MP tinha algumas imperfeições e, por essa razão, está sendo reformulado. A ideia, segundo Guimarães, é aprovar o novo texto até o final de março.
O deputado Felipe Carreras (PSB-PE) afirmou que será um texto mais enxuto. Ele disse ainda que todas as empresas que usaram os recursos do Perse indevidamente ou cometeram qualquer tipo de fraude, serão punidas. “Vai sair um texto em consenso e um programa que respeita quem realmente tem direito (ao benefício)”, disse Carreras.
“Foi falado sobre a duração (do benefício), talvez pelo Perse tenha uma progressão de redução nos próximos anos, mas foram sugestões. Por isso, foi importante ter um novo projeto de lei com urgência constitucional, validado pelos líderes, pelo presidente da Casa e pelo ministério da Fazenda”, reforçou.
MP 1202
Guimarães afirmou que Fernando Haddad reforçou a importância da votação da medida provisória que também limita a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia para garantir uma maior arrecadação de recursos do governo. Segundo Guimarães, a MP é “central” para o governo.
A MP estipula também limite para compensação de créditos tributários ganhos na Justiça pelas empresas contra a administração pública, e, também, revoga a alíquota reduzida da contribuição previdenciária aplicável a determinados municípios.
“O ministro Haddad apresentou uma visão geral da importância da MP. O ministro disse que está quase dobrando a curva para concluir a etapa de concluir as medidas arrecadatórias e saneadoras da economia”, afirmou.
Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Wilson Silveira
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Emilia Pessoa sugere união para combate à violência
Por Lincoln Vieira / ALECE
Deputada Emilia Pessoa (PSDB) - Foto: Junior Pio
A deputada Emilia Pessoa (PSDB) sugeriu, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta terça-feira (05/03), a discussão de dois projetos de sua autoria para fortalecer a segurança pública no Ceará.
A parlamentar disse que apresentou dois projetos para discutir o tema. O primeiro é um de lei, de 2023, que institui o Programa de Formação e Participação Política da Juventude nas Instâncias do Poder. O outro de indicação, de 2024, cria o Programa Estadual de Prevenção à Violência e Fortalecimento da Segurança Pública e Cidadania no Ceará.
Segundo a deputada, o combate à violência deve ser com a promoção da paz com participação popular em todo o processo. “Vimos que ações isoladas não surtem efeito. É necessário estarmos juntos, de mãos dadas com as igrejas, associações, Estado, município, com uma grande força-tarefa para fortalecer as políticas públicas e prevenir a violência na origem”, sugeriu.
A deputada ressaltou que a violência será combatida através do investimento em educação, na prática de esportes, no lazer e no empreendedorismo. Para ela, é necessário “trazer a sociedade de volta a um ambiente saudável”. “Peço especialmente ao poder público que tome posse do problema e ofereça à sociedade políticas públicas que incentivem a prática de esportes, cultura e investimento nas escolas de tempo integral”, salientou.
Emilia Pessoa frisou ainda que a capacitação e formação de jovens é também estratégia primordial para erradicar a violência e reforçou o apoio do poder público, igrejas, associações e a sociedade como um todo. “Muitos deixam de contribuir por falta de incentivo. Não podemos mais perder tempo discutindo de quem é a responsabilidade da segurança pública. Os dados estão estampados no rosto das pessoas”, lamentou.
A parlamentar disse ainda que o acompanhamento psicológico dentro da escola também é importante e, se a sociedade não se unir, teremos muitos problemas pela frente. “Ninguém merece viver com medo”, ressaltou.
Edição: Adriana Thomasi
Guilherme Bismarck defende eleições gerais e prorrogação de mandato
Por Narla Lopes / ALECE
Deputado Guilherme Bismarck (PDT) - Foto: Junior Pio
No primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará realizada nesta terça-feira (05/03), o deputado Guilherme Bismarck (PDT) abordou a reforma política no Brasil, discussão que está em pauta no Congresso Nacional.
Durante seu pronunciamento, o deputado defendeu alongar mandatos para coincidirem as eleições para prefeitos, governadores, deputados, senadores, vereadores e presidente; acabar com a reeleição; rediscutir o financiamento público de campanhas e adotar o voto distrital.
“Temos eleição ano sim e ano não. Isso vai causando tensionamentos. Todo momento as bases, principalmente no interior, ficam tensionadas pela questão da eleição”, pontuou.
O deputado mencionou ainda que a situação que sempre ocorre em ano pré-eleitoral acaba gerando inúmeros problemas, como a cassação de prefeitos pelas câmaras municipais e ações judiciais “tentando derrubar o prefeito”.
“Diante desse problema, defendo emendar eleições ou fazer como nos Estados Unidos: em um ano se faz eleição geral e no outro já se elege o Parlamento, logo depois do presidente recém-eleito”, disse.
Em aparte, o deputado Moésio Loiola (Progressistas) citou o entra e sai de prefeitos que enfrentam processos na Justiça, o que para ele “prejudica qualquer município”.
Edição: Adriana Thomasi
Missias Dias aponta preocupação da população que vive em área de litígio
Por Gleydson Silva / ALECE
Deputado Missias Dias (PT) - Foto: Junior Pio
O deputado Missias Dias (PT) apontou, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta terça-feira (05/03), a preocupação da população que vive na área de litígio entre o Ceará e o Piauí e cobra que os moradores desses locais sejam ouvidos para auxiliar na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
O parlamentar ressaltou que esse processo se arrasta por muito tempo, já passou por diversas etapas e tem previsão de uma resolução até julho deste ano. Segundo ele, essa indefinição assusta a população local. “Durante todos esses anos, em nenhum momento, a população desses municípios foi ouvida. A pergunta que todos fazem é: nós corremos risco de deixar de ser cearenses para ser piauienses? Em algum momento seremos ouvidos?”
Missias Dias disse esperar que todo investimento que o Governo do Ceará fez na região seja mantido para o povo cearense. “Não se justifica corrermos o risco de que todo o patrimônio e todos os investimentos do Estado e das pessoas sejam passados para o Piauí”, enfatizou.
De acordo com o deputado, a movimentação em defesa do território para o Ceará não representa que os cearenses são contra o Piauí ou sua população, mas que reitera o direito sobre a região.
Missias Dias parabenizou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Ceará pela doação de doze toneladas de alimentos para famílias atingidas pelas enchentes no município de Santa Quitéria, na última semana. Ele lamentou também a situação das famílias que estão em situação de dificuldade.
O deputado Alysson Aguiar (PCdoB), em aparte, também ressaltou o trabalho da Alece, por meio do Comitê de Estudos de Limites e Divisas Territoriais do Ceará (Celditec), com a produção e o levantamento de pesquisas e documentos que são relevantes e que podem fortalecer a defesa do Ceará. Ele propôs ainda a criação de uma frente parlamentar em defesa da região em litígio.
O deputado Moisés Loiola (Progressistas) avaliou que a definição não é rápida e fácil e defendeu a realização de um plebiscito para ouvir os moradores envolvidos. “Eu não acredito que vai se resolver na base da canetada. Ou é conversando, se entendendo, ou não tem solução”, disse.
Edição: Lusiana Freire
Simão Pedro anuncia reuniões sobre a CPI da Enel no interior do Estado
Por Lincoln Vieira / ALECE
Deputado Simão Pedro (PSD) - Foto: Junior Pio
O deputado Simão Pedro (PSD) anunciou, no primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta terça-feira (05/03), que a comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investiga supostas irregularidades e abusos por parte da Enel Distribuidora de Energia vai promover reuniões regionais.
Segundo o deputado, as reuniões devem acontecer nas câmaras municipais dia 15 de março, com o objetivo de colher demandas da população sobre a empresa. “Será um dia D em cada região do Estado”, adiantou.
De acordo com Simão Pedro, a Enel se comporta como se não existisse uma CPI que a investiga. Para ele, o momento será para a população transmitir as demandas para os deputados se municiarem. “É importante participar. Levar as demandas para que possamos estar mais municiados e pedir punição da empresa que trouxe desastre ao Ceará”, ressaltou.
O deputado Simão Pedro abordou ainda novas iniciativas do programa Ceará Sem Fome. O parlamentar anunciou a conclusão das primeiras turmas de agentes multiplicadores para as padarias artesanais, no fim de fevereiro, no Centro de Formação Olímpica (CFO), em Fortaleza. De acordo com ele, “foram 48 pessoas de todas as regiões do Estado, que repassaram conhecimentos a outros homens e mulheres das próprias cozinhas do programa e a beneficiários em seus territórios de atuação”.
Simão Pedro lembrou ainda que o objetivo do programa é dar autonomia socioeconômica à população. “O programa conta com investimento de mais de R$ 300 mil para adquirir equipamentos de padaria artesanal, para dar suporte ao trabalho realizado pelos novos agentes multiplicadores”, explicou.
O programa vai realizar ainda curso de formação de operadores de caixa com 25 jovens beneficiários das cozinhas do programa no projeto ABC da Serrinha em parceria com a Secretaria da Proteção Social (SPS) e a Associação Cearense dos Supermercados (Acesu), informou o parlamentar. Segundo ele, serão 240 horas/aula à noite durante três meses. “Todos os participantes receberão uma bolsa no valor de R$ 100, e o objetivo é que atuem em supermercados. É importante capacitar os nossos jovens para que tenham acesso ao mercado de trabalho”, assinalou.
O deputado falou ainda sobre o crescimento da dengue no Estado. “Vamos ter cuidado e zelar, pois o nosso maior patrimônio é a nossa saúde”, sugeriu.
Em aparte, a deputada Gabriella Aguiar (PSD) convidou a população do Estado a participar da próxima reunião da CPI da Enel, no dia 15, na Câmara de Vereadores de Tauá. “Tenho certeza de que vai ser um dia para tomarmos providências reais sobre a Enel. Não podemos ficar somente questionando, mas realizarmos ações concretas”, ponderou.
Edição: Adriana Thomasi
Novo Código Eleitoral prevê fim da reeleição, com mandato de cinco anos
Hérica Christian | 29/02/2024, 15h36
Após reunião com os líderes partidários, o senador Marcelo Castro (MDB-PI) anunciou para os próximos dias a apresentação do relatório do novo Código Eleitoral (PLP 112/2021), que vai unificar toda a legislação e resoluções da Justiça Eleitoral. Ele destacou entre os pontos principais a inelegibilidade de oito anos para condenados pela Ficha Limpa e a quarentena de quatro anos antes das eleições para que integrantes do Ministério Público, magistrados, militares das Forças Armadas, policiais e guardas municipais sejam candidatos. Castro também vai apresentar três propostas de emenda à Constituição que acabam com a reeleição para os cargos de presidente da República, governadores e prefeitos, que passam a ter apenas um mandato de cinco anos. Ele antecipou que a divergência é quanto à coincidência das eleições gerais e municipais. Tanto o novo Código Eleitoral quanto as PECs serão votados pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pelo Plenário do Senado.
Fonte: Agência Senado
Projeto do Executivo limita a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia
O Projeto de Lei 493/24 limita a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia. A proposta repete partes da Medida Provisória 1202/23, alvo de críticas do Congresso Nacional desde a sua edição, em dezembro último.
A desoneração, que já existia desde o governo Dilma (2012) e acabaria em 2023, foi prorrogada pelo Congresso e vetada pelo governo Lula. O Congresso derrubou integralmente o veto, restabelecendo a desoneração por meio da Lei 14.784/23.
“Tendo em vista dificuldades inerentes à tramitação da MP 1202/23, propõe-se o encaminhamento deste projeto, em regime de urgência constitucional”, anotou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na justificativa que acompanha o texto.
Antes de enviar o projeto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou a Medida Provisória 1208/24, que revoga partes da MP 1202/23 e, na prática, mantém a desoneração para os 17 setores neste ano, como queriam vários parlamentares.
Quem é beneficiado
Os 17 setores beneficiados pela desoneração são:
- confecção e vestuário;
- calçados;
- construção civil;
- call center;
- comunicação;
- construção e obras de infraestrutura;
- couro;
- fabricação de veículos e carroçarias;
- máquinas e equipamentos;
- proteína animal;
- têxtil;
- tecnologia da informação (TI);
- tecnologia da informação e comunicação (TIC);
- projeto de circuitos integrados;
- transporte metroferroviário de passageiros;
- transporte rodoviário coletivo; e
- transporte rodoviário de cargas.
Alterações previstas
O Projeto de Lei 493/24 busca reduzir perdas de receita do governo, disse o ministro Fernando Haddad. Segundo ele, a aprovação do texto na íntegra ajudará a alcançar a meta de déficit zero nas contas públicas e colocar em ordem o Orçamento da União.
A ideia é alterar algumas regras da desoneração da folha hoje previstas em lei. As alíquotas menores para esses 17 setores da economia deverão valer até o limite de um salário mínimo por trabalhador (R$ 1.412 hoje) e subirão gradualmente até 2027.
Com isso, a contribuição previdenciária de um grupo de setores sobre a folha de pagamento passará de 10% em 2024 para 17,5% em 2027. Para outro, sairá de 15% em 2024 até atingir 18,75% em 2027. Depois disso, ambos pagarão 20%.
Atualmente, o benefício da desoneração da folha de pagamento permite que as empresas dos 17 setores recolham, como contribuição previdenciária, alíquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, em vez de 20%, como fazem todas as outras.
De acordo com a Receita Federal, a manutenção da desoneração para esses 17 setores representará para o governo uma renúncia fiscal de R$ 12 bilhões em 2024, R$ 12 bilhões em 2025, R$ 13 bilhões em 2026 e R$ 13 bilhões em 2027.
Tramitação
O projeto ainda será despachado para análise das comissões permanentes da Câmara dos Deputados. O texto tramitará em regime de urgência constitucional.
Da Reportagem/RM
Edição - Marcia Becker
Com informações da Agência Senado
Fonte: Agência Câmara de Notícias

