Relator diz que projeto aprovado prevê gradação justa e correta nas penas de inelegibilidade Fonte: Agência Câmara de Notícias
O deputado Enrico Misasi (PV-SP) afirmou que o Plenário da Câmara dos Deputados deu “coerência sistêmica” à legislação eleitoral ao aprovar proposta que garante a candidatura de gestores que tiveram contas rejeitadas pelos tribunais de contas, mas foram punidos apenas com multa.
O Projeto de Lei Complementar PLP 9/21, do deputado Lúcio Mosquini (MDB-RO), foi aprovado nesta quinta-feira (24) com 345 votos favoráveis e 48 contrários e agora segue para o Senado Federal.
Misasi destacou que haverá uma “gradação justa e correta” nas penas de inelegibilidade: não poderá se candidatar quem tenha causado danos ao erário, mas fica autorizada a candidatura daquele que for multado por erros formais ou divergências de interpretação que não geraram prejuízo aos cofres públicos.
“Permanece intocada a elegibilidade nos casos em que não houve dano ao erário, portanto não há imputação de débito a ser pago pelo gestor, apenas multa para desestimular aquela conduta. Nesses casos, a pena tem que ser um pouco menor porque o ato é menos grave, então paga-se a multa e ele não é punido com a pena capital do ponto de vista político que é a inelegibilidade”, disse.
Exceção
Atualmente, a lei torna inelegível por oito anos o gestor que tiver contas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário.
A proposta aprovada determina que a pena não cabe aos responsáveis que tenham tido suas contas julgadas irregulares, sem imputação de débito, e sancionados exclusivamente com o pagamento de multa.
Jurisprudência
Misasi destacou que a proposta está em consonância com a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Os tribunais foram aos poucos mitigando a letra fria da lei e nós agora estamos cristalizando o entendimento adotado nesse sentido e estabelecendo uma gradação mais justa”, disse.
Reportagem - Carol Siqueira
Edição - Wilson Silveira
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Governo entregará projeto que muda o Imposto de Renda nesta quinta, afirma Lira
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que o governo vai entregar nesta quinta-feira (24) o projeto que muda o Imposto de Renda para pessoas físicas e jurídicas e que trata da taxação de dividendos, uma das fases da reforma tributária da equipe econômica.
A informação foi dada durante entrevista ao portal Jota, ao comentar propostas de reforma tributária. Inicialmente, Lira esperava que o governo entregasse o texto na semana passada. Depois, disse que o envio havia sido adiado para esta quarta (23). Agora, segundo o deputado, o projeto será encaminhado nesta quinta.
“Nós esperamos para hoje o envio de um PL [projeto de lei] que vai tratar de Imposto de Renda Pessoa Física, Imposto de Renda Pessoa Jurídica e taxação de dividendos. Encontra-se na Casa o PL da CBS [Contribuição sobre Bens e Serviços, fusão de PIS e Cofins]. Há uma discussão ainda se vai ter ou não o IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados] Seletivo”, afirmou.
O passaporte tributário, que inclui o Refis [programa de refinanciamento de dívidas] e outra parte infraconstitucional da reforma tributária da renda, já está sob relatoria do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).
“Nós também estaremos conversando hoje [quinta] com o senador para que a Câmara já possa ter acesso ao texto dele, que deve ser votado na semana que vem já no Senado. E nós possamos, com o nosso relator, já ir discutindo quais são os pilares básicos desse projeto, para que não haja nenhum tipo de distorção entre uma Casa e outra”, disse.
Ele afirmou ainda que as mudanças envolvendo consumo, que eram discutidas na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) relatada pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), devem ficar sob relatoria do senador Roberto Rocha (PSDB-MA). Com isso, a discussão constitucional teria início pelo Senado.
Na avaliação de Lira, dentre os temas debatidos, a CBS vai causar mais discussão, pois impacta alguns setores de maneira mais efetiva, principalmente os que são baseados em folha de pagamento e em contratação de serviços de pessoal.
“Nós estamos com toda atenção para que a gente consiga fazer o que nós estamos querendo há muito tempo, que é simplificar, desburocratizar, dar segurança jurídica, diminuir essa quantidade de emaranhado de legislações, de resoluções, de regulamentações, tanto legislativas como avanços de algumas entidades e algumas autarquias alguns órgãos de controle com relação a legislações”, afirmou.
Segundo Lira, o debate sobre o IR deve ser menos controverso por contemplar benefícios, como o aumento da isenção da taxa para pessoa física e também a redução para pessoas jurídicas.
“É preciso ali só que a gente equalize o delta, para que não penalizemos microempresas, pequenas empresas, com relação a dividendos, mas sim aquela pejotização excessiva que todos nós sabemos que é injusta no Brasil. A pejotização paga menos imposto quem ganha mais dinheiro. Foi uma maneira suave de burlar ou de facilitar essa legislação.”
O envio do projeto que muda o Imposto de Renda tem sofrido atrasos por resistência do Palácio do Planalto, que ainda pressionava por alterações que inviabilizariam a conta da reforma. Entre os pontos de discordância, auxiliares do presidente estariam pressionando contra a taxação de investimentos hoje isentos.
Durante a campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro afirmou que seu até então assessor econômico Paulo Guedes havia formulado proposta de reforma do IR com isenção para rendas de até cinco salários mínimos (R$ 4.770 em valor da época, ou R$ 5.500 hoje) e cobrança de 20% sobre todas as outras rendas.
A proposta finalizada agora, com Guedes no posto de ministro da Economia, pode não chegar à metade do valor prometido pelo presidente. Os cálculos mais recentes do time do ministro apontavam para um aumento da faixa de isenção dos atuais R$ 1.903,98 para R$ 2.400 — o presidente ainda tentava uma ampliação desse valor.
O plano de Guedes para o IR da pessoa física deve mudar apenas a faixa de isenção, sem alteração nas alíquotas existentes hoje, que variam de 7,5% a 27,5%.
Além disso, Guedes quer reduzir e unificar em 15% cobranças sobre investimentos em renda fixa, hoje regidos por uma tabela regressiva que vai de 22,5% a 15%, a depender do tempo de aplicação. Os detalhes da reestruturação já haviam sido antecipados à Folha pelo ministro.
Para ampliar a arrecadação, a ideia é acabar com a isenção de produtos financeiros como LCI (Letra de Crédito Imobiliário), LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis Agrícolas). Este seria um dos pontos de pressão contrária vinda do Planalto.
O pacote do ministro também prevê a criação de tributação sobre a distribuição de dividendos, hoje isenta e que passaria a ser taxada em 20%. Nesse ponto, também houve pressão da ala política e o governo avalia criar uma faixa de isenção para ganhos de até R$ 20 mil por mês com dividendos.
Ainda na tributação sobre empresas, o plano prevê um corte de cinco pontos percentuais na taxação de IR de pessoas jurídicas. O patamar cairia de 25% para 20% em um período de dois anos.
Lira também falou sobre a reforma administrativa e disse que, na próxima segunda (28), vai se reunir com o relator do texto na comissão especial, deputado Arthur Maia (DEM-BA), e com o presidente do colegiado, Fernando Monteiro (PP-PE), para montar um cronograma de trabalho.
“Não há nenhuma mudança no quadro do estado, com relação à sua administração até a promulgação da PEC”, afirmou Lira, que estimou que a Câmara deve enviar o texto ao Senado entre o final de agosto e início de setembro, para que os senadores votem a reforma até o fim do ano.
Desafeto de Bolsonaro, Luis Miranda tinha certeza de que relataria reforma tributária
24 de junho de 2021 | 04h00
Em reunião virtual com empresários da Fiesp, o ministro da Economia, Paulo Guedes, fez um aceno estratégico para a indústria. Adiantou que a alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo que o governo propôs ao Congresso para substituir o PIS e a Cofins na reforma tributária, pode cair dos 12% inicialmente previstos para 10%.
A fala do ministro aos industriais tem como alvo atrair o setor para apoiar a reforma da CBS. Proposta que, na prática, não pode ser considerada uma reforma tributária com “T” maiúsculo, mas que o presidente da Câmara, Arthur Lira, quer aprovar a todo custo junto com o projeto do Imposto de Renda (IR) que segue em breve para o Congresso.
A indústria patrocinou com unhas e dentes a PEC 45, do emedebista Baleia Rossi (SP), e foi atropelada por Lira e pelo próprio ministro. Depois da derrota da PEC 45, com o fatiamento da reforma, as críticas dos representantes da indústria de transformação subiram de tom e a artilharia se voltou para a CBS e sua alíquota de 12%, considerada muito alta também. O que o setor quer é algo entre 8% e 9%.
Guedes não disse qual seria a alíquota para as empresas de serviços, mas, há poucos dias, em encontro com a Frente Parlamentar de Serviços, havia sinalizado que optará por duas alíquotas diferenciadas: uma para bens e outra, menor, para serviços. Em reuniões reservadas, o ministro fala em uma alíquota entre 7% e 8% para serviços.
Muitas empresas do setor de serviços brigam para ter duas alíquotas (6% e 10%) diante do quadro altamente diferenciado das empresas do setor, boa parte pagando atualmente o PIS/Cofins pelo sistema cumulativo (em cascata) com alíquota de 3,65%.
O aceno foi o estopim para acirrar a disputa histórica entre os dois setores. Cada um dizendo que paga mais do que outro, como mostrou reportagem do Estadão desta semana.
A promessa de Guedes de uma alíquota mais baixa, primeiro para o setor de serviços e depois para a indústria, revela que o porcentual (12%) no projeto enviado no passado estava com “gordura”: embutia um aumento da carga tributária com a mudança.
A grande questão na parte da alíquota da CBS sobre os bens produzidos pela indústria é saber se o governo vai querer buscar uma alíquota neutra que recomponha a arrecadação perdida com a decisão do Supremo Tribunal Federal, que retirou o ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, ou se estabelecerá uma alíquota neutra para bens já considerando a base de cálculo reduzida pela decisão. A alíquota neutra é a que não aumenta nem reduz a carga total que existia antes da mudança.
No caso dos serviços, praticamente não existe esse problema, já que a retirada ou não do ISS (a ser decidida pelo STF) pouco impacta o cálculo – a redução da base de tributação é pequena.
A recuperação da arrecadação em 2021 ajuda na promessa do ministro. Mas ele está de olho também no apoio empresarial ao programa que cria o Bônus de Inclusão Produtiva (BIP) e o Bônus de Incentivo à Qualificação (BIQ), que prevê R$ 600 por mês a jovens e trabalhadores informais.
Guedes quer que metade desse valor seja financiada pelas empresas. A outra metade, quer pagar em conjunto com o Sistema “S” para treinar dois milhões de trabalhadores. Com parte do dinheiro canalizada diretamente dos cofres do Sistema “S”, o governo teria uma folga no Orçamento.
O foco na reforma tributária na Câmara tem um motivo por trás. A reforma administrativa está fazendo água. A mobilização dos servidores é forte contra a reforma e tem angariado apoio até mesmo de pessoas que antes defendiam a proposta.
A intervenção do presidente Bolsonaro em órgãos públicos de Estado, com ocupação de militares, perseguição e demissão de servidores críticos, puxa esse cordão numa bem articulada mobilização permanente das lideranças do funcionalismo público no Congresso.
Um ponto de atenção que não pode ser esquecido: os projetos da reforma tributária da CBS e do Imposto de Renda ainda não têm relatores indicados. Lira está tendo de fazer muitas acomodações de acordos políticos selados quando em campanha para a presidência da Casa.
Um desses acordos previa a relatoria da reforma para Luis Miranda, justamente o deputado do DEM do DF que denunciou fraude na compra de milhões de doses da Covaxin e agora é desafeto máximo do presidente. Miranda tinha como certa sua indicação. Tem caroço nesse angu com a quebra desse acordo.
*É REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA
Antônio Granja destaca projetos voltados para cuidados com idosos e animais
O primeiro projeto é o 257/2021, que institui a campanha Junho Violeta, em alusão ao Dia Mundial da Conscientização da Violência contra a pessoa idosa, celebrado mundialmente em 15 de junho. “É uma data que passa quase despercebida para nós, e o objetivo aqui é tornar ela mais visível e promover ações, durante todo o mês de junho, de modo a promover a reflexão e conscientizar as pessoas quanto à violência e abandono de pessoas idosas”, defendeu.
O parlamentar informou que o Brasil já possui mais de 30 milhões de pessoas acima dos 60 anos de idade. Somente em 2017, o Disque 100 recebeu 33.133 denúncias de violência contra idosos, com 68.870 violações. Segundo ele, os dados mostram que, seja imposta pelos próprios familiares (76,3% dos casos), por empregados domésticos, cuidadores ou por funcionários de instituições de saúde, os idosos não têm como se defender diante de maus tratos, negligência (76,84%), abandono, abuso financeiro (42,82%), e violência física ou psicológica (56,47%).
O outro projeto é o PL 296/2021, que institui a Campanha Dezembro Verde, dedicada ao combate aos maus tratos e abandono de animais, e promoção da adoção e/ou posse responsável. Para ele, “é necessária a conscientização da população sobre as consequências do abandono, a necessidade de castração, os princípios da guarda responsável, e o papel de cada um em denunciar maus-tratos, criadores clandestinos e outras crueldades contra os animais”.
O abandono e os maus-tratos aos animais são crimes no Brasil, tipificados na Lei Federal nº 9.605 de 1998, em seu artigo 32, mas ainda assim, ocorrem diariamente em todos os Estados. “Também é considerado crime manter animais em lugares anti-higiênicos, que lhes restrinjam os movimentos ou prive de ar e luz; deixá-los sem água ou comida; não oferecer assistência veterinária digna”, explicou.
Granja também destacou a criação do Pacto contra o Coronavírus, iniciativa da Assembleia Legislativa e que reúne órgãos e instituições como Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio), Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (CDL), Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJ-CE), Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual (MP-CE), Defensoria Pública do Estado do Ceará, Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE-CE), Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Ceará (OAB-CE), Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza (SMS), Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), Universidade Estadual do Ceará (Uece) e Universidade Federal do Ceará (UFC).
“Trata-se de mais uma iniciativa para ajudar o povo do Ceará, seja elaborando meios de facilitar o acesso do povo à vacina, por meio do cadastramento daqueles que não tem acesso a internet, seja na divulgação de informações que podem ajudar na prevenção da doença”, disse.
Ele também elogiou os esforços do governador Camilo Santana na condução do Estado durante a pandemia. “Se não fosse sua administração responsável, poderíamos estar numa situação muito pior”, ponderou.
PE/CG
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Diego Barreto ressalta esforço do Governo Estadual para equipar a Polícia
Dep. Diego Barreto ( PTB )Foto: Paulo Rocha
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Arthur Lira interpela deputada Talíria Petrone após ser chamado de racista
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), encaminhou uma interpelação extrajudicial à deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) e deu cinco dias para que a parlamentar explique por que ofendeu sua honra ao chamá-lo de racista na terça (22), durante uma sessão da Casa.
Lira comentava o confronto ocorrido na terça entre forças policiais e indígenas, que tentaram barrar a apreciação pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) de um projeto que muda o Estatuto do Índio.
O ato foi reprimido pela Polícia Militar com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, segundo organizadores da manifestação.
"Não acho que seja coerente, por parte de qualquer parlamentar ou de qualquer cidadão, impedir trabalhos e pautas legislativas desta Casa", disse Lira, em referência ao projeto de lei.
Ele ainda afirmou que o texto "está longe de vir a plenário" e que a Presidência jamais interferiu na apreciação de qualquer pauta, à esquerda ou à direita.
"Na semana passada, só para ser fiel, existiram e chegaram aqui alguns representantes dos índios. Invadiram o Congresso Nacional, subiram ao teto das cúpulas e ficaram usando algum tipo de droga, fumando e dançando aqui em cima", seguiu o presidente da Câmara.
Petrone, ao tomar a palavra, respondeu ao comentário. "É lamentável que ele chame os rituais —que são parte das culturas indígenas, e do alto do seu racismo ele não deve conhecer— de uso de drogas, de dança, de sei lá o quê", disse a deputada.
"Infelizmente, esta Casa tem sido placo de ataque aos povos indígenas, de ataque à natureza. E, lamentavamente, nós ouvimos palavras de cunho racista proferidas na Presidência da Câmara", afirmou pouco antes de encerrar sua falar.
Na interpelação enviada à parlamentar do PSOL, Arthur Lira diz que a atribuição da prática do crime de racismo é uma acusação extremamente grave. "Desprovida de qualquer fundamento, a imputação tem a clara intenção de macular minha honra", afirma.
O PSOL diz não ter notícias da utilização de um mecanismo como esse contra seus quadros até então, e classifica o pedido de resposta como intimidatório.
“Parece que o presidente Arthur Lira não sabe o que é racismo. Racismo é quando um grupo pretende subjugar um outro grupo, seja por suas crenças, por seu modo de ser, por sua cor da pele", diz Talíria Petrone à coluna.
"No momento em que o presidente da Câmara diz que rituais indígenas são uso de droga, no momento em que ele caracteriza um conjunto de diferentes povos indígenas como violentos, ele, sem dúvida, está sendo explicitamente racista. Quando nos intimida e tenta nos responsabilizar juridicamente, reafirma o racista que é. Tomara que seu racismo seja só por desconhecimento."
No ofício, Lira adverte que a recusa em responder sua interpelação poderá ser interpretada "em eventuais ações cível e penal" como deliberação tácita de Talíria em ofender sua honra. O gabinete da deputada já prepara uma resposta oficial à solicitação.
Mônica Bergamo é jornalista e colunista. O GLOBO
Parceria com TV Senado leva ações da AL para todo o Brasil
De acordo com Suely Frota, chefe de redação da TV Assembleia, a parceria se estreitou de modo que a emissora cearense, a partir deste ano, tem a possibilidade de também reproduzir produções da TV do Senado Federal. Ainda segundo ela, semanalmente é enviado conteúdo local para o programa Parlamento Brasil, que reúne fatos importantes, projetos e ações de várias Casas Legislativas do País.
“Antes, enviávamos o conteúdo, mas não tínhamos o dele. Já, neste ano, aproximamos a parceria. Eles podem pegar e exibir nosso material, reportagens, documentários, e nós também podemos reproduzir o deles em nossa grade”, explica.
Suely Frota aponta que um dos maiores ganhos com essa cooperação é levar para todo o Brasil projetos e ações importantes do Parlamento cearense e dar alcance às produções da TV da Casa do Povo.
“Quando mandamos nossos documentários, reportagens especiais, estamos dando maior visibilidade para nosso conteúdo. A TV Senado consegue replicar isso para várias emissoras que também reproduzem em sua programação. Então, estamos mostrando o que está acontecendo de interessante aqui para todo o Brasil. Além disso, conseguimos preencher a grade com produções qualificadas, como são as da TV Senado”, pontua.
O envio de material é feito semanalmente, por ambas as partes, segundo Suely Frota. A TV Senado fica com o conteúdo disponível para exibir o que melhor se encaixa na programação. A TV do parlamento cearense começou neste mês de junho a veicular na sua grade os programas da emissora do Senado Federal.
O programa Parlamento Brasil, da TV Senado, já exibiu matérias sobre projetos de deputados cearenses em tramitação na AL. A mais recente foi sobre o PL n.º 02/21, do deputado André Fernandes (Republicanos). A reportagem trata sobre a responsabilização de condutores de veículos por danos materiais causados ao patrimônio público estadual, em casos de acidente provocado pelo consumo de álcool ou drogas.
Outra matéria reproduzida pela emissora, trata sobre projeto do deputado Leonardo Araújo (MDB) 51/21 que prevê a disposição de alimentos específicos na merenda escolar para alunos com doença celíaca ou com intolerância à lactose.
A TV Senado exibiu ainda uma série de reportagens da TV Assembleia com o tema “Mineração em Quiterianópolis: o progresso que escorreu pelo Rio”, que avorda os impactos socioambientais da contaminação por minério de ferro e outros materiais no município e região.
GS/CG
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AL e parceiros realizam primeira reunião do Pacto Contra o Coronavírus no Ceará
Participarão as instituições: Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio), Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (CDL), Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJ-CE), Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual (MP-CE), Defensoria Pública do Estado do Ceará, Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE-CE), Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Ceará (OAB-CE), Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza (SMS), Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), Universidade Estadual do Ceará (Uece) e Universidade Federal do Ceará (UFC).
O presidente da Assembleia, Evandro Leitão, reforça que é preciso uma mobilização efetiva para evitar retrocessos no controle da pandemia no Ceará, com o objetivo de salvar vidas e pela retomada da economia o mais breve possível. "É importante entendermos que a pandemia ainda não passou, especialmente, agora, nas férias de julho, onde o nosso estado é visitado por muitos turistas. Então, nós temos que nos prevenir, e a mobilização passa por essa prevenção e a sensibilização de toda a população cearense", destaca.
SERVIÇO
Reunião Pacto Contra o Coronavírus no Ceará
Data: 23/06 - quarta-feira
hora: 15 horas
Local: Assembleia Legislativa do Ceará (entrada pela rua Barbosa de Freitas)
Da Redação/com Assessoria de Imprensa / DANIEL SAMPAIO
Reforma administrativa: relator vai retirar da proposta flexibilização de regras para contratar servidores sem concurso público
Fernanda Trisotto / O GLOBO
BRASÍLIA – O deputado Arthur Maia (DEM-BA), relator da reforma administrativa na Comissão Especial da Câmara, afirmou que vai modificar um ponto da proposta do governo em seu parecer para não promover alterações no sistema de preenchimento de cargos em comissão.
— O nosso relatório irá modificar esse ponto ou manter como é hoje: separando cargos de chefia de cargos em comissão, e deixando para aqueles que são da carreira, que são pessoas concursadas a elaboração de estratégias, de funções técnicas, e para os cargos em comissão apenas a possibilidade de assessoramento – declarou o deputado durante a primeira audiência pública da Comissão Especial, nesta terça-feira.
— Essa mudança eu posso antecipar, até para que nós possamos evoluir em outros pontos que são mais polêmicos – acrescentou.
A proposta de reforma administrativa do governo prevê a extinção dos atuais cargos comissionados e funções gratificadas, que seriam transformados em cargos de liderança e assessoramento. Parte desses cargos seria ocupada mediante processo de seleção simplificada e os demais teriam livre nomeação e exoneração. A regulamentação dos critérios mínimos de seleção seria definida posteriormente, via lei complementar, a cargo de cada Poder.
Esse ponto vem sendo alvo de críticas, e foi debatido ao longo da audiência. Maia reiterou sua posição a respeito da livre nomeação, e disse que esse ponto deve ser modificado.
— Não faz sentido, e eu acho que nisso há uma convergência de todos aqueles que participam deste debate, de que não há nenhuma razão para nós, com essa mudança, estarmos a favorecer o aumento da inserção, da intromissão indevida, da política na administração pública – argumentou.
Atualmente, o Executivo Federal tem seis mil cargos comissionados de livre nomeação, como mostrou a colunista do GLOBO Míriam Leitão. Quem explicou esses números foi Rudinei Marques, presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate).
De acordo com Marques, a União possui cerca de 90 mil cargos em comissão e funções de confiança em seu quadro de pessoal. Desses cargos, cerca de 70 mil correspondem a funções de confiança, que só podem ser exercidas pelos servidores de carreira. Dos 20 mil cargos em comissão restantes, também há uma reserva de cerca de 14 mil, que precisam ser ocupados por servidores. Os demais 6 mil são de livre nomeação.
— Os vínculos de liderança eliminam qualquer restrição a que todos esses cargos sejam de livre indicação política – criticou Marques à coluna de Míriam Leitão.
CPI pode denunciar Bolsonaro no Tribunal de Haia por crime contra a humanidade
Mário Scheffer é Professor do Departamento de Medicina Preventiva (DMP) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), na área de Políticas de Saúde.
Dez senadores que formam a maioria na CPI da Covid – em nota pública divulgada no último sábado, dia em que o Brasil ultrapassou a marca de meio milhão de mortos -, usaram o termo genocídio para lamentar as escolhas funestas do governo Bolsonaro.
Os parlamentares asseguram “que os responsáveis pagarão por seus erros, omissões, desprezos e deboches”.
Mas quem serão os acusados por quais crimes e que tribunais os julgarão?
Ainda é incerto o traçado das tramas que conduzirá a possíveis arquivamentos e eventuais condenações das 14 testemunhas que passaram a ser investigadas pela CPI.
Quanto às inações e atos diretos de Bolsonaro na pandemia, que o relatório da comissão de inquérito pretende escavar, não configuram hoje os únicos crimes de responsabilidade que podem em tese ser atribuídos ao presidente.
O “superpedido” de impeachment, artefato do recente consórcio entre siglas de oposição e ex-bolsonaristas, unifica argumentos – desde a interferência do presidente na Polícia Federal até seus ataques ao STF – que inundam 121 petições protocoladas na Câmara dos Deputados.
Não há de ser o relatório da CPI, isoladamente, capaz de trincar a muralha edificada por Arthur Lira, defensor do governo e presidente da Câmara.
Por tudo isso, pode ser que a menção da cúpula da CPI a “crimes contra a humanidade, morticínios e genocídios”, queira apontar para um enredado caminho, a ser trilhado pelo iminente relatório final.
Raphael Lemkin, advogado polonês de origem judaica, cunhou, durante a Segunda Guerra, o neologismo genocídio, para descrever a barbárie humana e vislumbrar a repressão do que é tido como o “crime dos crimes”.
Desde 1998, o Tribunal Penal Internacional (TPI), estabelecido em Haia (Holanda), tem a missão de investigar e julgar acusados de genocídio, crimes de guerra, de agressão e contra a humanidade, que abalam uma sociedade e chocam a comunidade internacional.
Contra Bolsonaro, já tramita no TPI um procedimento denominado “análise preliminar da jurisdição”, em resposta a processo iniciado antes da pandemia, em 2019, quando o Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos (CADHu) e a Comissão Arns denunciaram o presidente no tribunal de Haia por destruir o meio ambiente e atacar povos indígenas.
A CPI poderá encaminhar ao TPI provas de que Bolsonaro é diretamente responsável por centenas de milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas na pandemia.
Neste caso, a destruição imposta à população civil, causada por uma política de Estado sistemática, persistente e generalizada, seria uma agressão à humanidade. A natureza humana atacada revelaria também a humanidade que o presidente agressor totalmente perdeu, praticando o irreparável.
Pode-se questionar a ausência da intenção explícita de Bolsonaro em destruir determinado grupo étnico, uma das definições técnicas de genocídio da ONU. Mas as medidas boicotadas ou acionadas desde março de 2020 pelo governo federal ceifaram, indiscutivelmente, os mais vulneráveis. Os idosos e pessoas com comorbidades, com fatores de risco associados a um mau prognóstico, mas também as populações pobre, preta e indígena foram desigualmente expostas ao vírus, condenadas pelo não acesso a testes e diagnóstico, pela incapacidade de seguir em isolamento, pelas barreiras no uso de serviços de saúde.
Caberá ao TPI decidir, com a jurisprudência que possui, se decisões absolutamente contrárias à saúde pública e à ciência, que mataram em massa no Brasil, significam excepcional e contemporânea caracterização de crime contra a humanidade.
Esquecimento
Nas ruas, as vestes de luto já vêm sendo substituídas por figurinos de passeio, dos motoqueiros extremistas e dos manifestantes à esquerda. O esquecimento tomará a forma da vacinação e das reaberturas, da ilusória recuperação econômica e da beligerante eleição do ano que vem.
No seu livro “Politics and the English Language”, George Orwell, um dos autores injetados do passado para ajudar a entender o Brasil atual, escreveu que a linguagem política, necessariamente, consiste de eufemismos, petições de princípio e vaguidão enevoada.
“Antes da justiça Divina, eles se encontrarão com a justiça dos homens”, acrescentaram em nota os senadores da CPI. Fica a dúvida se a evocação do divino, das leis inflexíveis do mundo moral, mais antecipa o ceticismo do que sustenta a fé no Direito.
O desaparecimento coletivo de 500 mil vidas aconteceu sem flores, sem velório e sem despedida, mas não pode terminar sem justiça. Fazer justiça é resgatar a dignidade das vítimas, é manter viva a memória dos que desapareceram.




