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Poder de polícia a torto e a direto

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

O Estatuto Social da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), em seu artigo 3.º, é bastante claro: a finalidade da empresa é organizar o sistema viário em suas diversas necessidades, desde o planejamento até sua exploração econômica, passando por fiscalização e educação. Em nenhuma linha ali ou em qualquer lugar está escrito que os agentes da CET podem exercer poder de polícia.

 

Mas isso não é mais um problema. O Senado, no embalo da aflição popular em relação à segurança pública, acaba de aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para incluir as guardas municipais e os agentes de trânsito no sistema de segurança pública. Se o texto passar na Câmara, os guardas municipais e os agentes de trânsito entrarão na lista dos integrantes das corporações responsáveis pela “preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”.

 

Eis aí a solução do Congresso para resolver o problema da sensação de insegurança nas grandes cidades: distribuir poder de polícia a torto e a direito. É evidente que este jornal não se opõe, de maneira nenhuma, ao aumento da capacidade do Estado de policiar. Mas não se pode promover esse aumento de maneira indiscriminada, sem levar em conta necessidades óbvias como treinamento adequado e demarcação clara de competências.

 

Isso demandará formação teórica, respeito ao protocolos, uso de câmeras corporais, capacidade de diálogo e atuação conjunta com outras corporações, de modo a não haver embates como ocorrem entre polícias civis e militares, além de forte controle externo, por meio da supervisão do Ministério Público, de corregedorias atuantes e de ouvidorias independentes. Sem isso, o que teremos é um grande número de agentes do Estado autorizados a exercer o poder de polícia sem qualquer preparo técnico para isso e sem definição de limites de atuação, o que acarreta evidentes riscos para a sociedade.

 

A confusão já havia ganhado escala com a decisão do Supremo Tribunal Federal de dar às guardas municipais a possibilidade de atuar no policiamento ostensivo, o que não estava previsto na Constituição, que atribuía essa função à Polícia Militar, sob o comando dos governos estaduais. Às guardas municipais cabia apenas proteger os bens, serviços e instalações municipais. E o Congresso está prestes a ampliar esse ruído constitucional.

 

O relator da PEC, senador Efraim Filho (União Brasil-PB), comemorou o avanço da pauta. Num vídeo em que aparece ao lado de agentes de trânsito uniformizados, ele declara que agora esses agentes poderão “praticar um policiamento ostensivo”: “Ali, no momento em que estão naquela via, controlando e fiscalizando o trânsito, (vão) poder atuar num flagrante de roubo, de furto, em uma tentativa de sequestro, um estupro”.

 

Como disse ao Estadão a diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, “o que pauta o debate no Brasil sobre a segurança pública”, infelizmente, “é uma luta corporativista por ampliação de atribuição: todo mundo quer ser polícia” – entre outras razões, porque “ser polícia” dá acesso aos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública.

 

O desfecho no Senado podia ter sido até pior. Os senadores rejeitaram uma emenda que incluía o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) entre os órgãos de segurança pública. O argumento é de que criaria conflito de competência com a Polícia Rodoviária Federal. Mas não será surpresa se, na subsequente tramitação da matéria, alguma aberração como essa for aprovada.

 

Trata-se de um evidente empobrecimento do debate sobre segurança pública. Não faz muito tempo, o governo entregou à Câmara uma PEC para tratar do tema, e as discussões mal começaram. Essa PEC até inclui as guardas municipais no sistema de segurança pública, mas não os agentes de trânsito, e seu foco é o combate ao crime organizado – esse, sim, o cerne do problema da segurança pública no País.

Fachada do Plenário 13 de Maio ganha iluminação alusiva à doação de sangue

Por Guilherme de Andrade / ALECE

 

- Foto: Máximo Moura

 

Para apoiar o Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado em 14 de junho, a fachada do Plenário 13 de Maio, da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), ganha iluminação na cor vermelha. Essa é mais uma ação do Parlamento cearense em alusão a datas ou campanhas de conscientização, ressalta o diretor administrativo da Casa, Manuel Jucá.

A homenagem acontece em junho justamente por este ser o mês de incentivo à doação de sangue. A iniciativa tem como objetivo conscientizar e incentivar a população cearense a realizar doações voluntárias. A iluminação vermelha é acesa a partir das 17h30 e permanecerá até o final do mês, com exceção do dia 5, data em que é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente. 

Anteriormente, o Plenário 13 de Maio já havia sido iluminado com a cor laranja, em alusão ao Maio Laranja, iniciativa que busca conscientizar sobre o enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil, e também na cor verde, para celebrar o Dia Nacional da Defensoria Pública e o Dia da Defensora e do Defensor Público. 

Edição: Clara Guimarães

Alece levanta sessão desta terça-feira pela morte do ex-deputado Leorne Menescal

Por Giovanna Munhoz / ALECE

 

Em posição de respeito, os deputados prestam homenagem ao ex-deputado Leorne Belém - Foto: Júnior Pio

 

A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) levantou a sessão plenária desta terça-feira (03/06) e prestou um minuto de silêncio em homenagem póstuma ao ex-deputado Leorne Menescal Belém de Holanda, que morreu na última quinta-feira (29/05), aos 87 anos. A solicitação atendeu a pedido do deputado De Assis Diniz (PT).

 

Nascido em Quixeramobim, o político cearense se destacou como deputado estadual entre 1971-1974 e 1975-1978 pela Aliança Renovadora Nacional (Arena). Foi 1° secretário da Mesa Diretora no biênio 1975/1976 e vice-líder da sua bancada, além de membro da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Casa.

Foi eleito deputado federal por duas legislaturas, entre 1979-1982 e 1983-1986 e foi o único parlamentar cearense, até o presente, a presidir, em caráter efetivo, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, pertencendo, também, às Comissões de Finanças, Educação e Relações Exteriores.

Representou seu partido na Comissão Mista que examinou e aprovou o Projeto da Anistia e foi vice-líder do Partido Democrático Social (PDS) e da oposição, durante o Governo de José Sarney. O político participou de várias missões parlamentares no exterior, tais como na República do Líbano, Síria, Iraque, Jordânia, Egito, Turquia, Portugal, Espanha, Cuba, México e União Soviética.

 

O ex-deputado era formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e foi presidente do Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua da Faculdade de Direito da UFC.

 

Edição: Vandecy Dourado

Câmara recomeça mal o debate da reforma administrativa

Em Brasília se diz que, quando não há intenção de resolver um problema, é criado um grupo de trabalho. Parece ser esse o caso do grupo de trabalho criado pela Câmara dos Deputados para debater a reforma administrativa, que começou —mal— nesta quinta-feira (29).

De saída, o coordenador do colegiado, o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) já deixou claro o que não pretende fazer. A reforma, disse, não promoverá um ajuste fiscal nem tocará na estabilidade do funcionalismo. "A ideia agora não é demitir ou maltratar o servidor, como se ele fosse o culpado pela ineficiência do Estado."

Vá lá que o objetivo principal não seja mesmo cortar gastos públicos de forma imediata e em grande escala. Ainda assim, há providências que poderiam contribuir para o reequilíbrio do Orçamento, como a redução dos salários iniciais das carreiras, de modo a distanciá-los do topo, e a regulamentação do teto remuneratório, hoje desmoralizado por penduricalhos de todo tipo.

Mas pior mesmo é descartar a revisão da estabilidade, a anomalia mais evidente do serviço público brasileiro. Conforme a Folha reportou em novembro do ano passado, 65% dos servidores de União, estados e municípios gozam de tal privilégio, proporção que não encontra paralelo entre os principais países.

A garantia contra demissões só faz sentido para carreiras típicas de Estado —juízes, procuradores, policiais, militares, auditores e outros profissionais que precisam de autonomia para exercer suas funções. Essa condição compreende pouco mais de 10% do quadro de servidores hoje.

Não se trata de culpar os funcionários pela ineficiência do Estado, mas de constatar que essa cultura de complacência a agrava. Como noticiou este jornal, um ínfimo 0,19% dos profissionais que ingressaram na administração federal entre 2014 e 2024 foram reprovados no estágio probatório a que são submetidos nos primeiros três anos, quando ainda não são formalmente estáveis.

É ilusório, ademais, imaginar que se possa manter por conveniência essa norma insustentável. Apurou-se recentemente que, entre 2013 e 2023, o número de funcionários temporários nas prefeituras —o nível de governo em que há mais demanda por novos servidores— cresceu 52,5%, ante uma taxa de apenas 4% dos concursados no período.

Deputados e senadores preferem manter boas relações com o poderoso lobby do funcionalismo —mesmo porque muitos de seus auxiliares, aliados e familiares estão instalados na máquina do Estado. Ademais, rejeitam mexer nos penduricalhos extrassalariais que beneficiam em especial a elite do Judiciário.

Mais cômodo é aprovar outro reajuste salarial para os civis do Executivo, como fizeram nesta semana, a um custo de R$ 18 bilhões neste 2025 e R$ 73 bilhões em três anos. Para questões minimamente mais complexas, como a progressão nas carreiras, cria-se um grupo de trabalho.

 
 
 

Simão Pedro cobra mudanças no Garantia-Safra e anuncia novas ações da Unipace

Por Narla Lopes / ALECE

 

Deputado Simão Pedro (PSD) - Foto: Júnior Pio

 

O deputado Simão Pedro (PSD) destacou, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) nesta terça-feira (28/05), ações em apoio à agricultura familiar e iniciativas da Escola Superior do Parlamento Cearense (Unipace), da qual é presidente. 

O parlamentar informou que, na manhã desta terça-feira (27/05), participou de reunião na Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) com o grupo de trabalho responsável por revisar e propor alterações no programa Garantia-Safra. Segundo ele, as mudanças são urgentes, diante da exclusão de 106 municípios cearenses do programa neste ano.

“Temos 184 municípios no Ceará e comprovamos que muitos dos que ficaram de fora deveriam estar incluídos. Isso representa uma perda de renda para o Estado, para os municípios e, principalmente, para o agricultor familiar, que investe e trabalha, mas não colhe, devido ao nosso clima irregular”, afirmou.

Simão também lembrou a audiência pública realizada na semana passada na Alece, por iniciativa sua e de outros parlamentares, com a participação de mais de 100 municípios representados por prefeitos, vereadores, secretários e entidades como Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Ceará (Fetraece) e a Comissão de Agropecuária da Alece.

“Foi uma audiência muito representativa. Discutimos encaminhamentos concretos e estamos finalizando um documento com propostas de alteração no programa, que será entregue ao ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, no dia 06 de junho. Agradeço a todos os envolvidos. Seguimos trabalhando por estratégias que melhorem a vida do homem e da mulher do campo”, destacou.

Além disso, o deputado ressaltou as ações da Unipace e anunciou o lançamento do 1º Seminário Estadual das Escolas Legislativas Municipais, que ocorrerá no dia 02 de julho, em parceria com a União dos Vereadores do Ceará (UVC). “Convido todos os deputados, deputadas e lideranças municipais. Estamos preparando seminários regionais com módulos e painéis sobre educação, saúde, sustentabilidade e governança legislativa”, explicou.

Simão Pedro também informou que, no dia 03 de junho, participará de um café da manhã com presidentes de câmaras municipais, a convite da UVC, para apresentar o portfólio da Unipace e firmar novas parcerias. “Queremos que as câmaras conheçam a Unipace e levem esse serviço para seus municípios. Temos cursos que fortalecem o serviço público e o exercício da cidadania”, reforçou.

O deputado destacou ainda o lançamento do Programa Aprova+ Alece, iniciativa da Unipace apoiada pela Mesa Diretora que oferece cursos preparatórios gratuitos para concursos públicos. “O programa foi lançado no dia 23 de maio e, em apenas quatro dias, recebeu mais de 500 inscrições. A primeira turma, com 300 vagas, será voltada exclusivamente para o concurso da Polícia Militar”, anunciou.

A aula inaugural está marcada para o dia 03 de junho, às 19h, no auditório Murilo Aguiar. Simão Pedro também reafirmou o compromisso da Alece com a abertura de novas turmas para futuros concursos públicos, ampliando o acesso à educação de qualidade e oportunidades no serviço público.

Edição: Vandecy Dourado

Bruno Pedrosa comenta atividades realizadas em municípios cearenses

Por Ricardo Garcia / ALECE

 

Deputado Bruno Pedrosa (PT) - Foto: Júnior Pio

 

O deputado Bruno Pedrosa (PT) destacou, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) desta quarta-feira (28/05), a agenda de atividades do seu mandato nos últimos dias.

O parlamentar relatou que, no último fim de semana, esteve presente nos municípios de Guaiúba, onde visitou uma associação comunitária, e Morada Nova, onde participou da inauguração de um empreendimento particular e do campeonato de motociclismo Hardstone.

“O Hardstone é uma modalidade de motocross no sertão cearense, e temos a intenção de incluí-lo no Calendário Oficial de Eventos do Estado”, comentou Bruno Pedrosa.

Ele comunicou ainda que, nessa segunda-feira (26/05), visitou mais três municípios cearenses. “Estivemos entregando 100 kits para pescadores de colônias nas cidades de Santa Quitéria, Ipu e Nova Russas”, anunciou.

Bruno Pedrosa também elogiou a Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Lula que reforma o setor elétrico nacional, ao criar a nova tarifa social de energia, zerando a conta de luz da população mais vulnerável.

“É uma ação que vai alcançar 115 milhões de pessoas no nosso País. A partir do dia 10 de junho, essa população terá a isenção completa de suas contas de energia. É uma medida extremamente acertada do nosso Governo Federal”, assinalou o deputado.

Edição: Vandecy Dourado

Senadores pressionam governo e pedem para TCU e CGU investigarem contrato para limpar terra yanomami

Por Maria Magnabosco Vinícius Valfré / O ESTADÃO DE SP

 

 

O senador Jorge Seif (PL-SC) solicitou nesta terça-feira, 27, ao Tribunal de Contas da União (TCU) uma investigação sobre um contrato no valor de R$ 15,8 milhões, firmado entre o Ministério do Trabalho e uma ONG ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, sediado em São Bernardo do Campo (SP). O acordo prevê a remoção de lixo da terra indígena yanomami, em Roraima.

 

O pedido do senador ao órgão ocorre após reportagem publicada pelo Estadão no domingo, 25, que mostrou que o convênio foi firmado por meio da Secretaria de Economia Popular e Solidária, comandada pelo ex-ministro Gilberto Carvalho, um dos mais importantes conselheiros do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

A ONG Unisol (Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Brasil) funciona em uma sala alugada, de 40 metros quadrados, no subsolo do prédio do sindicato e tem entre seus diretores Carlos José Caramelo Duarte, que ao mesmo tempo é vice-presidente do sindicato. O presidente da ONG é Arildo Mota Lopes, um ex-diretor da entidade sindical. Os dois são filiados ao PT.

 

O montante já está no caixa da ONG do sindicato, mas as atividades em campo só devem começar no segundo semestre. Segundo o Ministério do Trabalho, nos três primeiros meses houve “reuniões de planejamento técnico da operação”, e, no segundo trimestre, “iniciaram os estudos técnicos”.

 

A direção da entidade não atendeu aos pedidos de comentário do Estadão. Seif pede “tramitação emergencial” à representação “em face da gravidade dos atos narrados e amplamente comprovados”. No documento, o senador solicita a “suspensão dos atos administrativos narrados, e respectivas repercussões financeiras, e das atividades relacionadas ao convênio até a conclusão da análise pelo Tribunal”.

 

O parlamentar requer bloqueio cautelar dos valores já repassados para a ONG e das contas bancárias vinculadas ao convênio, além do afastamento de Gilberto Carvalho da Secretaria de Economia Popular e Solidária. Além de Seif, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também questionou o acordo. A parlamentar solicitou nesta quarta-feira, 28, que a Controladoria-Geral da União (CGU) investigue o contrato com urgência.

 

Damares já havia protocolado no Senado requerimentos solicitando explicações do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, da ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, e do ministro da Casa Civil, Rui Costa, para apurar as suspeitas de irregularidade no contrato.

 

“Todavia, tendo em vista o trâmite ainda a ser percorrido no âmbito deste Senado Federal, em detrimento da urgência que o assunto requer, não só pela necessidade de estancar irregularidades, caso comprovadas, mas pelo apelo público frente à notória situação de alta vulnerabilidade naquela comunidade indígena, venho, solicitar a especial atenção para que o nobre órgão de controle e fiscalização antecipe, em caráter prioritário, as apurações que couberem, diante dos instrumentos e ferramentas de posse da CGU”, diz a senadora no ofício.

 

Nos requerimentos protocolados no Senado, Damares solicitou ao Ministério do Trabalho “informações detalhadas sobre processo de efetivação, execução e acompanhamento de parceria por contrato, convênio ou outros instrumentos congêneres” com a ONG. Ao Ministério dos Povos Indígenas, a senadora solicitou informações detalhadas sobre a participação da pasta no contrato.

 

Já para a Casa Civil, Damares questionou “informações detalhadas sobre a coordenação e o acompanhamento das ações realizadas no âmbito da ‘Casa de Governo’ estruturada em Boa Vista (RR), pelo governo federal para ‘coordenar e monitorar presencialmente a execução do Plano de Desintrusão e de Enfrentamento da Crise Humanitária na Terra Indígena Yanomami’, com especial enfoque para a gestão de resíduos, o planejamento estratégico das intervenções e a fiscalização dos convênios e contratos”, de acordo com ofício.

 

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC afirma que a Unisol tem “total autonomia administrativa, política e financeira, com governança própria” e que a entidade “reúne centenas de cooperativas e empreendimentos de economia solidária em todo o País”.

 

Em nota, destacou que a ONG “surgiu, sim, de uma iniciativa do sindicato”, mas não pertence a ele. “Temos orgulho de ter colaborado para a criação da Unisol, que nasceu como um símbolo da resistência, da solidariedade e da luta por alternativas dignas para os trabalhadores e trabalhadoras”, disse.

Sem compensação para estados e municípios, isenção do IR não passa, diz Lira

Fernanda Brigatti / FOLHA DE SP

 

O projeto de lei que eleva a faixa de isenção do Imposto de Renda para R$ 5.000 precisa prever compensação às perdas de estados e municípios ou o texto dificilmente passaria pelos plenários da Câmara e do Senado, avalia o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), relator da proposta.

Lira esteve reunido nesta quarta (28) com o ministro Fernando Haddad, da Fazenda, para tratar do projeto de lei, que cria também um imposto mínimo para rendas mais altas e que servirá para cobrir a renúncia de arrecadação com a isenção maior do Imposto de Renda.

Os estados e municípios perderão com a elevação da faixa de isenção porque cabe a eles a retenção do Imposto de Renda cobrado sobre os salários de servidores públicos da ativa e aposentados. "Penso que não teria apoio mínimo do plenário da Câmara, quanto mais do Senado, se houver perspectiva ou a ilação de que os estados e municípios estariam perdendo recursos e receitas", afirmou.

Ao deixar o Ministério da Fazenda, Lira defendeu que os entes tenham uma compensação por suas perdas de receita no mesmo molde do que a União fará com os valores. "Não é justo que estados e municípios banquem [a renúncia] com suas receitas, suas programações."

Desde a primeira reunião da comissão especial que discute o projeto de lei, o relator aponta as perdas como um tema de preocupação.

Na terça (27), o presidente da CNM (Confederação Nacional dos Municípios), Paulo Ziulkoski, esteve em uma audiência da comissão e voltou a dizer que os municípios podem perder até R$ 9,5 bilhões com o aumento da faixa de isenção.

Lira considera que os números exatos do quanto deixaria de entrar no caixa de governos estaduais e municipais ainda não foram apresentados.

Em material encaminhado à comissão especial, a Receita Federal calculou um impacto de R$ 3 bilhões para os municípios e de R$ 1,5 bilhão para os estados, apenas nas perdas com o imposto que deixaria de ser retido com o aumento da isenção.

O fisco diz, porém, que os entes terão ganhos porque são "sócios" da arrecadação do Imposto de Renda, por meio dos fundos de participação, FPE, para os estados, FPM, para os municípios, que passarão a ser abastecidos pelo imposto mínimo das rendas maiores.

O economista Sergio Gobetti, do Ipea, ex-secretário-adjunto de Política Fiscal e Tributária do Ministério da Fazenda, que vem analisando o projeto do governo Lula e as primeiras propostas de alteração, diz que as estimativas de perdas são imprecisas. O motivo é que os cálculos consideram somente as rendas de servidores, excluindo aposentados e militares, pois esses não aparecem como funcionários públicas nas bases de dados da Receita Federal.

O relator do projeto na Câmara defendeu que qualquer que seja a compensação, isso precisará estar no texto final.

Nesta quarta, ele disse que "tudo ainda é muito embrionário" e que teve uma "conversa muito franca" com Haddad, que teria se colocado à disposição da comissão para avançar no texto.

Uma das propostas de alteração do texto já apresentadas vem do partido do ex-presidente da Câmara dos Deputados, o PP, que quer elevar a renda mensal sujeita ao imposto mínimo de R$ 50 mil para R$ 150 mil,

Lira disse que todas as sugestões estão sendo compiladas. Ele voltou a falar, porém, da possibilidade de, a partir desse projeto, rever linearmente as desonerações e incentivos fiscais, medida prevista na proposta do PP.

O plano de trabalho apresentado pelo parlamentar prevê que o relatório final do projeto de lei seja apresentado até o dia 27 de junho.

 

Motta chama decreto do IOF de infeliz, e Alcolumbre acusa governo de tentar usurpar poder

Marianna HolandaThaísa Oliveira / FOLHA DE SP

 

O presidente da Câmara dos DeputadosHugo Motta (Republicanos-PB), classificou nesta quarta-feira (28) o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) como infeliz, enquanto o presidente do SenadoDavi Alcolumbre (União Brasil-AP), acusou o governo de usurpar poderes com a medida.

Motta e Alcolumbre se reúnem na noite desta quarta com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, diante da ofensiva de parlamentares para sustar o aumento anunciado pelo governo na semana passada.

Apesar da crítica, Motta disse que a derrubada da medida não seria boa para o país. O deputado acrescentou que a posição sobre o PDL (Projeto de Decreto Legislativo) que cancela os efeitos será tomada após a conversa com Haddad.

 

Motta defendeu, ainda, um debate "mais estrutural", como com o grupo de trabalho da reforma administrativa, oficialmente criado nesta quarta.

"Ontem eu conversava com lideranças da oposição e dizia que não é só pontual, na minha avaliação, bom para o país discutirmos a derrubada dessa medida. Precisamos avançar num debate estrutural, ter aqui uma ampla discussão sobre questões necessárias para o país e parecem não terem sido colocadas como prioridade nessa casa", disse Motta, pouco antes de deixar o plenário para a reunião.

"Essa presidência tem se esforçado em conseguir avançar em pautas positivas para o país, como o grupo de trabalho da eficiência da máquina pública, reforma administrativa. Essa é uma medida que penso ser urgente para o país, como tantas outras que penso que podem vir em substituição a essa infeliz medida que o governo adotou", completou.

Motta ponderou que a construção de uma solução deve ser feita com o Senado Federal, e por isso a participação de Alcolumbre na reunião. O presidente também manteve a reunião de líderes para a manhã de quinta-feira (29).

Após reunião com a oposição na terça, ele disse que levará a discussão sobre pautar o PDL para a reunião de líderes.

Alcolumbre disse estar conversando com Motta sobre o caso, mas fez um ameaça indireta ao governo no final da sessão plenária desta quarta. O senador disse esperar que o aumento do IOF seja o "último" ato do governo que usurpa funções do Legislativo.

Alcolumbre acrescentou que houve falta de diálogo e disse que, se o governo federal pode tomar uma decisão de forma unilateral, o Congresso pode fazer o mesmo, sustando os efeitos.

"Que este exemplo do IOF, dado pelo governo federal, seja o último daqueles e daquelas decisões tomadas pelo governo tentando, de certo modo, usurpar as atribuições legislativas do poder Legislativo", disse.

"E esse caso concreto levantou toda essa polêmica, poderiam ter buscado o diálogo, a conciliação, a pacificação e o entendimento. Fizeram e tomaram uma decisão unilateral, o que dá direito do Parlamento tomar uma decisão unilateral de colocar em votação um projeto de decreto legislativo", completou.

Implementado na semana passada, o aumento do IOF vem sendo alvo de críticas de setores empresariais e de parlamentares. Na Câmara, até mesmo partidos que integram a base aliada do governo indicaram que poderiam votar favorável ao PDL —foram protocolados mais de 20 projetos desse tipo que miram sustar o decreto do Executivo.

A ideia do encontro entre as autoridades nesta quarta é que possam ser discutidas alternativas ao texto e, assim, evitar que os parlamentares aprovem um projeto que suste os efeitos da norma do Executivo, impondo uma nova derrota ao governo federal.

 

Agenor Neto celebra 100 anos de Dom José Mauro e homenageia instituições de ensino em Iguatu

Por Lincoln Vieira / ALECE

 

Deputado Agenor Neto (MDB) - Foto: Júnior Pio

 

O deputado Agenor Neto (MDB) fez um convite, no primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta terça-feira (27/05), aos parlamentares e à sociedade para participar de sessão solene, nesta quinta-feira (29/05), às 17h, em Iguatu, para celebrar o centenário do bispo católico Dom José Mauro Ramalho (in memoriam), assim como os 70 anos do Instituto Federal do Ceará (IFCE), os 50 anos da Universidade Estadual do Ceará (Uece), os 20 anos da Universidade Regional do Cariri (Urca) e os 10 anos do Campus Multi-Institucional Humberto Teixeira. 

Conforme o parlamentar, autor do requerimento, com coautoria do deputado Heitor Ferrer (União), o bispo emérito de Iguatu, Dom José Mauro Ramalho de Alarcón e Santiago, é um homem que está no coração da população da cidade. Para ele, o sacerdote acolheu o povo local em momentos difíceis com uma palavra de fraternidade e coragem para enfrentar os problemas, como secas e enchentes, e ainda é um dos responsáveis pela instalação da Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Iguatu (Fecli Uece) na cidade em 1979. 

“Ele era natural de Russas e escolheu Iguatu como sua casa por mais de 57 anos, acolhendo pessoas em sua residência, cuidando e celebrando a eucaristia todos os dias. Ele era um homem de oração que escutava o povo de Deus”, explicou. 

Agenor Neto também falou dos 70 anos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) em Iguatu, que serão celebrados nesta quinta-feira. Segundo ele, o instituto teve origem em 23 de março de 1955, com um curso de extensão de Economia Rural Doméstica, vinculado ao Ministério da Agricultura. 

“Em 1962, passou a se chamar Colégio de Economia Doméstica Rural Elza Barreto, com foco na formação de professores para o magistério. Em quatro de setembro de 1979, tornou-se a Escola Agrotécnica Federal de Iguatu (EAFI), nome mantido até 2008, quando o Governo Federal unificou as escolas agrotécnicas de Crato e Iguatu, o Centro Federal de Educação Tecnológica de Fortaleza e as unidades de ensino descentralizadas do Estado (Undes) criando o IFCE”, lembrou. 

Quanto à comemoração dos 20 anos da Universidade Regional do Cariri (Urca), o parlamentar ressaltou que a instituição gera inclusão social. Ele acentuou que a instituição oferece oportunidades a estudantes sem recursos para cursar o ensino superior. 

“Quando nós conseguimos levar a Urca para Iguatu, ela não veio como desejávamos, porque tinha uma mensalidade, entretanto, na nossa administração em Iguatu, nós criamos a “bolsa universitária municipal” para os filhos de quem tem menos posse. Ao passar no vestibular, os estudantes não pagariam a taxa de 200 reais, garantido pela nossa gestão”, salientou. 

Agenor Neto comentou ainda sobre 10 anos do Campus Multi-Institucional Humberto Teixeira em Iguatu. Conforme o parlamentar, “Humberto Teixeira era advogado, compositor e o coautor da canção ‘Asa Branca’, junto com o Rei do Baião, Luiz Gonzaga”. 

Em aparte, o deputado De Assis Diniz (PT) elogiou a iniciativa. Para ele, a solenidade é uma oportunidade de celebrar a realidade de Iguatu. “É um momento celebrativo porque, ao observar a realidade de Iguatu, o processo educacional, Iguatu é um centro que traduz na educação todas as vocações de nível superior e todas as competências”, enalteceu. 

Edição: Vandecy Dourado

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