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Governo decide elevar para R$ 144,9 mil limite de faturamento do MEI. Proposta vai ao Congresso

Por Manoel Ventura — Brasília / O GLOBO

 

O governo trabalha em uma proposta que amplia o limite anual de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) para R$ 144,9 mil, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), comandando pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. A pasta também prevê criar uma "rampa de transição" gradual para que os negócios que ampliarem o faturamento possam se adaptar às regras na mudança de MEI para Microempresa (ME).

 

O texto foi avaliado e aprovado nesta quinta-feira em reunião do Comitê Técnico MEI, do Fórum Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (FPMPE). O MDIC avalia agora o formato a ser adotado para envio da proposta ao Congresso Nacional, onde já tramitam projetos nesse sentido.

 

Com o aumento do limite de faturamento, a proposta cria uma nova faixa de alíquota do Simples Nacional para o MEI. Seguindo a regra atual, o microempreendedor com faturamento até R$ 81 mil, teto atual, continuará pagando um valor fixo de 5% do salário mínimo.

O texto propõe a criação de uma faixa para MEIs que faturam de R$ 81 mil a R$ 144.912, que terá uma valor fixo de R$ 181,14. Este valor representa 1,5% de R$ 12.076,00, que corresponde ao teto mensal de faturamento proposto para os MEIs (R$ 144.912/12 meses).

Com o aumento do teto do faturamento, há 470 mil empresas com potencial para se transformarem em MEI, de acordo com nota técnica do MDIC. Atualmente, há 15,4 milhões de registros de MEIs.

Rampa de transição

Além da nova faixa de faturamento, o MDIC também propõe a criação da chamada "rampa de transição”, para o empreendedor ter tempo de se adaptar às mudanças tributárias e operacionais quando passam de MEI para ME. O microempresário que exceder o teto do faturamento em até 20% terá um prazo de 180 dias para fazer os ajustes necessários.

 

Nesse período, o empresário não precisa de emitir nota fiscal para todas as vendas, contratar contador e realizar ajustes na Junta Comercial.

No caso de faturamento acima de 20% do limite, continua a regra que determina que o empresário deve se desenquadrar do MEI. Mas não haverá retroatividade na transição do regime tributário.

 

Resta o mais difícil

Com atraso temerário, a Câmara dos Deputados concluiu em definitivo a votação da nova regra de controle dos gastos federais e da dívida pública. O texto seguiu para a sanção presidencial a pouco mais de uma semana do prazo final para a apresentação do Orçamento de 2024, que terá de seguir as metas e limites recém-estabelecidos.

A demora da aprovação não se deveu a uma discussão mais aprofundada acerca do projeto, mas principalmente a querelas entre o governo e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) —que, se deseja maior protagonismo na agenda nacional, deve assumir também maior responsabilidade.

Depois de quatro meses de tramitação legislativa, são bem conhecidos os méritos e as fragilidades do novo mecanismo, o terceiro instituído ao longo de 24 anos para conter a propensão das administrações brasileiras ao aumento contínuo das despesas.

A regra mais duradoura foi a meta de resultado primário (receitas menos despesas, excluindo juros), adotada a partir de 1999 e nunca de todo abandonada, embora tenha sido desmoralizada ao final da gestão Dilma Rousseff (PT).

Seguiu-se o teto de gastos inscrito na Constituição em 2016, que sofreu o impacto da pandemia —um evento extraordinário que exigia alta urgente e substancial de desembolsos— e da ofensiva eleitoreira de Jair Bolsonaro (PL).

A regra que passa a vigorar agora reúne algo das antecessoras. Há um limite para a expansão da despesa, entre 0,6% e 2,5% ao ano, a depender da receita, e metas de resultado primário. De melhor, afasta-se o risco de descontrole; de pior, os saldos prometidos dependem de um salto improvável e indevido de uma carga tributária já exagerada.

Podem-se notar no dispositivo, a depender do ponto de vista, tanto engenhosidade na formulação quanto um excesso de brechas para a imprudência fiscal. A partir de agora, entretanto, o debate teórico dará lugar à execução prática.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá a sua disposição ou poderá criar mais meios para driblar os limites de gastos e o cumprimento das metas. A prova dos noves da seriedade de sua política será a evolução da dívida pública, que não pode ser maquiada.

O passivo governamental equivale hoje a 73,6% do PIB, um patamar excessivo para um país emergente. Pelas expectativas mais consensuais entre analistas, que já levam em conta a regra orçamentária, o percentual subirá continuamente nos próximos anos —o que ameaçará o crescimento da economia e o combate à pobreza.

Tais projeções indicam que as metas fixadas pelo governo petista carecem de credibilidade, e os resultados observados até agora reforçam o ceticismo. Muito pior será se Brasília recorrer a artifícios de contabilidade criativa como abrir exceções para investimentos do PAC ou reclassificar precatórios.

Já deveria estar claro que o controle efetivo da despesa é o caminho viável para o reequilíbrio do Orçamento. Resta, pois, o mais importante e o mais difícil.

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Estados e municípios poderão se endividar em mais R$ 12 bi após esgotar R$ 16 bi

Idiana Tomazelli / FOLHA DE SP

 

O CMN (Conselho Monetário Nacional) decidiu nesta quinta-feira (24) ampliar em R$ 12 bilhões o limite para estados e municípios contratarem novas operações de crédito ainda em 2023 —o que proporciona um aumento de 75% no limite atual, que é de R$ 16 bilhões e já está esgotado.

A medida significa que governadores e prefeitos poderão ter acesso a dinheiro novo nos próximos quatro meses. A medida vale a partir de 1º de setembro. Desse valor, R$ 9 bilhões poderão ter a União como fiadora, enquanto outros R$ 3 bilhões serão operações sem garantia do governo federal em caso de inadimplência.

A decisão ocorre num momento em que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) costura uma série de medidas para facilitar o acesso desses entes a fontes de financiamento. Os créditos podem ser usados para custear obras e outros investimentos, o que está em sintonia com o desejo do governo federal de induzir maior crescimento econômico do país.

A medida também é anunciada em um contexto de penúria das prefeituras. Como mostrou a Folha, o aumento no número de municípios com as contas no vermelho no primeiro semestre de 2023, a um ano das eleições municipais, mobiliza centenas de prefeitos em busca de nova ajuda financeira da União.

Segundo levantamento da CNM (Confederação Nacional dos Municípios), 2.362 cidades registraram déficit primário nos primeiros seis meses de 2023 —ou seja, gastaram mais do que arrecadaram. O número é quase sete vezes o registrado em igual período do ano passado (342).

A pauta prioritária dos prefeitos é ampla e inclui reivindicações como a ampliação permanente dos repasses para o FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Mas a concessão de novos empréstimos pode garantir algum fôlego de curto prazo, como fonte alternativa para financiar investimentos já contratados.

Por outro lado, a cada R$ 1 de empréstimo usado para um gasto novo, haverá uma piora adicional de R$ 1 nas contas dos estados e municípios, impactando a dívida pública que o próprio Ministério da Fazenda almeja controlar.

O CMN, colegiado que tomou a decisão, é formado pelos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) e pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

"A orientação para a ampliação do volume de operações com garantia da União foi motivada pelo custo significativamente menor dessas operações para os entes subnacionais, bem como pelo novos instrumentos de garantias às Parcerias Público Privadas (PPPs) ofertados pelo Tesouro Nacional", diz a Fazenda em nota.

A ampliação dos limites é uma forma de o governo antecipar o efeito prático de medidas anunciadas há um mês pelo Ministério da Fazenda e que buscam justamente flexibilizar a concessão de financiamentos a estados e municípios.

Uma das medidas anunciadas mudar as regras de avaliação da saúde financeira de estados e municípios, sintetizadas em uma nota conhecida como Capag (capacidade de pagamento).

O Tesouro calcula a nota de classificação de risco com base em três indicadores (endividamento, poupança corrente e liquidez). Pelas regras atuais, apenas estados e municípios com notas "A" e "B" têm acesso a crédito com aval da União, numa escala que vai até "D".

A proposta do governo é introduzir um critério alternativo para que mais estados e municípios alcancem a nota máxima. A intenção é avaliar a chamada resiliência financeira: se o saldo de caixa livre for maior que 7,5% da RCL (receita corrente líquida), o ente com nota "B" poderá ser reclassificado com Capag "A".

De acordo com o governo, a mudança beneficiaria estados como Ceará, Bahia, São Paulo e Paraná e mais de 400 municípios, incluindo as capitais Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Curitiba e outras.

Além de flexibilizar os critérios para obter nota "A", o governo quer isentar essa categoria dos limites hoje definidos pelo CMN para a concessão de operações de crédito —e agora ampliados para o ano de 2023. Na prática, estados e municípios com nota máxima poderiam contratar operações sem precisar observar o teto definido pelo colegiado.

As medidas foram submetidas pelo Tesouro Nacional a uma consulta pública, ainda em curso. Ex-secretários, especialistas e até mesmo técnicos dos estados ouvidos sob reserva pela Folha receberam as propostas com preocupação, dada a intenção do governo de afrouxar a concessão de um tipo de crédito que já contribuiu para desequilíbrios no passado.

Além da consulta pública, outra parcela das medidas ainda depende de envio de projeto ao Congresso Nacional e apreciação pelos parlamentares, o que leva tempo. A resolução do CMN garante fôlego novo para governadores e prefeitos ainda este ano.

A medida também demonstra maior disposição da União em atuar como fiadora dos estados e municípios. Até então, a maior parte do limite (R$ 10 bilhões) estava alocada em operações sem garantia, enquanto uma fatia menor (R$ 6 bilhões) era destinada a financiamentos com aval da União.

Com os novos valores, o governo passa a conceder garantias de até R$ 15 bilhões neste ano, contra R$ 13 bilhões em operações sem ter o Tesouro como fiador.

A garantia ajuda a baratear o custo do financiamento para os estados e municípios, mas também traz um risco para a União, que precisa honrar os pagamentos em caso de calote. Os contratos preveem que o governo federal pode se ressarcir posteriormente, bloqueando repasses dos fundos de participação, mas isso não vem ocorrendo na prática.

Relatório do Tesouro com dados de julho mostra que o governo já honrou, desde 2016, R$ 59 bilhões em empréstimos de estados e municípios, mas só recuperou R$ 5,47 bilhões, seja porque os estados estão no RRF (Regime de Recuperação Fiscal), seja porque há decisões judiciais impedindo a execução das chamadas contragarantias.

Lula quer tirar dinheiro de ministério do MDB para inflar órgãos dados ao centrão

Thiago ResendeMateus Vargas / FOLHA DE SP

 

O governo Lula (PT) quer retirar dinheiro do Ministério das Cidades, ocupado pelo MDB, e inflar o orçamento de órgãos comandados pelo centrão.

A proposta é transferir mais R$ 602 milhões para a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) e o Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), que foram loteados para o grupo liderado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

O Ministério das Cidades entrou na mira do centrão por críticas de demora na liberação de recursos usados por parlamentares para irrigar suas bases eleitorais e obter ganho político com projetos e obras públicas.

O cargo do ministro Jader Filho (Cidades) não foi colocado na mesa de negociação para a dança de cadeiras da Esplanada para que o PP e o Republicanos entrem no primeiro escalão do governo Lula.

No entanto, o centrão tem cobrado mais celeridade na distribuição de emendas. A desidratação da pasta de Cidades surgiu como uma solução para dar mais verba a dois órgãos com engrenagem azeitada para atender aos pedidos de parlamentares.

O pedido de remanejamento partiu de integrantes da Câmara dos Deputados e foi acolhido pelo governo. A proposta foi enviada em despacho da Presidência no dia 2 de agosto.

Segundo lideranças do governo, a pasta das Cidades ainda tem dificuldade para executar emendas pois conta com uma equipe insuficiente. Ela foi criada no começo do governo com o desmembramento do Ministério do Desenvolvimento Regional, movimento que também retirou recursos da Codevasf.

Para interlocutores do centrão, o dinheiro deveria ter ficado na companhia desde o início do mandato de Lula. A pasta está sob guarda-chuva do ministério comandado por Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional), indicado pela União Brasil.

A Codevasf cresceu no governo de Jair Bolsonaro (PL), com recursos de emendas parlamentares depois do aumento do loteamento de cargos no órgão. Essa prática tem sido mantida por Lula como forma de conseguir governabilidade.

A presidência do órgão, por exemplo, continuou com Marcelo Andrade Moreira Pinto –indicado pelo deputado Elmar Nascimento (BA), líder da União Brasil na Câmara e um dos mais próximos de Lira.

No ano passado, a Folha revelou indícios de fraudes na estatal, que foi alvo de operação da Polícia Federal. Em março, o governo Lula assinou contratos herdados de Bolsonaro envolvendo empreiteiras e condutas suspeitas de cartel em obras de pavimentação. A Codevasf nega irregularidades e diz colaborar com órgãos de fiscalização e controle.

A verba a ser perdida pelo Ministério das Cidades é justamente na área de qualificação viária, ou seja, responsável por pavimentação. Essa não era uma tarefa comumente executada pela Codevasf. A estatal ganhou força nesse setor principalmente no governo passado, quando foi tomada pelo centrão.

A Codevasf informou que já "tem realizado levantamento de necessidades, para emprego eficiente dos recursos em caso de aprovação do [projeto de] remanejamento". A proposta do governo, se aprovada, cria dentro do orçamento da estatal uma nova rubrica com foco em pavimentação.

No caso do Dnocs, as negociações políticas do centrão mantiveram Fernando Marcondes de Araújo Leão na diretoria-geral. Ele foi nomeado na gestão Bolsonaro e foi indicado pelo deputado Luis Tibé (Avante-MG), que é um dos mais próximos de Lira.

A principal linha de atuação do Dnocs é a construção de poços, que também tem histórico de suspeita de irregularidades.

A movimentação financeira para dar mais recursos às estatais do centrão foi apresentada ao Congresso Nacional, que ainda precisa aprovar o projeto.

O texto foi enviado pela Presidência da República, mas teve o aval também do ministro Rui Costa (Casa Civil).

O dinheiro a ser perdido por Jader Filho faz parte da verba das antigas emendas de relator, principal moeda de troca com o Congresso na gestão Bolsonaro e que foi derrubada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no fim do ano passado.

Na época, Lula e articuladores políticos entraram em campo e negociaram com a cúpula do Congresso uma divisão da verba dessas emendas extintas. Uma parte continuou nas mãos dos parlamentares.

O presidente Lula, então, herdou cerca de R$ 9,9 bilhões, que foram colocados no caixa de ministérios, mas, como vem mostrando a Folha, têm sido usados para atender a pedidos de parlamentares e destinados a bases eleitorais sem transparência e sem critérios técnicos.

O centrão, portanto, também tenta manter o controle sobre essa fatia das antigas emendas.

A pasta de Cidades ficou com R$ 2,5 bilhões. Até hoje, liberou somente R$ 147 milhões.

Procurado, o Ministério das Cidades disse que foi informado pelo Planalto sobre a perda de recursos e disse que "a orientação para retirada dos recursos foi realizada pela Secretaria de Relações Institucionais (SRI)", comandada por Alexandre Padilha, responsável pela gestão de emendas parlamentares. Ou seja, isso revela que a verba herdada por Lula ainda funciona como uma emenda, apesar de não ter esse carimbo oficial.

O Ministério da Integração e Desenvolvimento Regionais (que cuida dos órgãos do centrão) não respondeu sobre o assunto. A Casa Civil disse que o texto é assinado pelo Planejamento.

O Ministério do Planejamento, de Simone Tebet, que é do MDB, disse que a proposta de remanejamento foi encaminhada pelas pastas. Porém, não respondeu qual foi o critério e justificativa para a transferência do dinheiro.

A proposta do governo é acrescentar R$ 422 milhões ao orçamento da Codevasf, e enviar outros R$ 180 milhões ao Dnocs.

A companhia tem R$ 1,87 bilhão disponíveis, enquanto o orçamento atual do Dnocs é de R$ 936,5 milhões.

 

Parecer da AGU contraria Marina e dá sinal verde para exploração de petróleo na Foz do Amazonas

Por Rafael Moraes Moura e Johanns Eller — Brasília e Rio / O GLOBO

 

Em uma vitória para a Petrobras, a Advocacia-Geral da União (AGU) finalizou um parecer para ajudar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a liberar a exploração de petróleo em alto mar na região da Bacia da Foz do rio Amazonas, que foi negada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) em maio passado, desencadeando uma crise no governo.

 

A conclusão do parecer, aguardado com muita expectativa na Petrobras, no Ministério de Minas e Energia e no Palácio do Planalto, foi antecipada pela equipe da coluna– e marca uma derrota política para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Para a AGU, a Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS) não é indispensável nem pode atrapalhar o licenciamento ambiental de empreendimentos de exploração e produção de petróleo e gás natural no território brasileiro.

O Ibama já negou a licença de perfuração do bloco FMZ-59 à Petrobras duas vezes, mas Lula e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, vêm fazendo pressão para que ela seja concedida. Uma das razões consideradas pelo Ibama é a falta de uma AAAS, que analisa se a região, e não apenas o bloco a ser perfurado, está apta para ser explorada. Esse tipo de avaliação leva de um a dois anos para ser concluída.

O parecer da AGU recorreu a uma portaria interministerial de 2012 para dizer que essa avaliação não é obrigatória. "A AAAS é acima de tudo um instrumento de auxílio, de apoio ao licenciamento ambiental, e não um fim em si mesma", diz o documento.

"Da integral leitura da portaria interministerial, de nenhum artigo é possível extrair que a AAAS seria conditio sine qua non, seja para a outorga, seja para o licenciamento ambiental, seja do ponto de vista estritamente jurídico, seja do ponto de vista fático (como está exigindo o Ibama no presente caso)."

 

Toda a área em questão está localizada na margem equatorial brasileira - que vai do litoral do Amapá ao litoral do Rio Grande do Norte. O poço que a Petrobras quer perfurar fica em alto mar, a 175 km da costa do Amapá e a 500 km da Foz do Rio Amazonas.

Além de defender no parecer a dispensabilidade da AAAS para o licenciamento ambiental, a AGU decidiu encaminhar para a Câmara de Mediação e de Conciliação da Administração Pública Federal (CCAF) outros pontos em torno da exploração de petróleo na Foz do Amazonas.

De acordo com o órgão, a ideia é buscar uma “resolução consensual” para outras questões apontadas pelo Ibama, como o plano de proteção à fauna e os impactos de sobrevoos para as comunidades indígenas da região.

Segundo a AGU, serão chamados consultores jurídicos e representantes dos ministérios de Minas e Energia, do Meio Ambiente, “além dos demais órgãos públicos e empresas públicas ou privadas envolvidas com o assunto, para conversas com o objetivo de realizar as primeiras análises de risco relativas ao caso”.

No dia 17 de maio, o Ibama negou pela segunda vez a licença para perfuração do poço, desencadeando uma batalha interna no governo e com políticos da base aliada.

Conforme revelamos em maio, logo depois que a licença de perfuração foi negada pelo Ibama, o presidente da Petrobras, Jean Paul Pratesdisse a conselheiros da companhia que a autorização sairia "em seis meses".

 

No início deste mês, Lula afirmou em entrevista a emissoras de rádio da região amazônica que a posição do Ibama não é definitiva e que o Amapá pode "continuar sonhando" com a exploração de petróleo em seu litoral.

“Vocês podem continuar sonhando. E eu também quero continuar sonhando. Esse estudo do Ibama não é definitivo. Eles apontam falhas técnicas que a Petrobras tem o direito de corrigir”, disse o presidente.

A manifestação da AGU não soluciona a controvérsia por si só. Ainda assim, espera-se no governo que o parecer sirva como “reforço argumentativo” para Lula arbitrar o conflito e tomar uma decisão sobre o caso, a favor da Petrobras e contra os interesses de Marina Silva.

A AGU foi chamada para opinar sobre a controvérsia porque entre as competências do órgão “fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos, a ser uniformemente seguida pelos órgãos e entidades da Administração Federal”.

A Foz do Amazonas faz parte da Margem Equatorial, área considerada nova fronteira exploratória que vai do litoral do Amapá ao Rio Grande do Norte. A Petrobras pretende realizar investimentos da ordem de US$ 2 bilhões para as atividades exploratórias nessa região, considerando o plano de negócios até 2026.

Durante a turbulência na Esplanada, Marina Silva e o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, defenderam enfaticamente o parecer técnico do instituto contra a exploração de petróleo na região.

O principal defensor na ocasião foi o titular de Minas e Energia, Alexandre de Silveira, que criticou duramente o trabalho do Ibama e chegou a classificar o documento como "absurdo". O líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (AP), também divergiu publicamente da posição de Marina, sua então correligionária, e se desfiliou da Rede Sustentabilidade.

 

 

 

 

Toda a área em questão está localizada na margem equatorial brasileira - que vai do litoral do Amapá ao litoral do Rio Grande do Norte. O poço que a Petrobras quer perfurar fica em alto mar, a 175 km da costa do Amapá e a 500 km da Foz do Rio Amazonas.

Além de defender no parecer a dispensabilidade da AAAS para o licenciamento

 

 

 

ambiental, a AGU decidiu encaminhar para a Câmara de Mediação e de Conciliação da Administração Pública Federal (CCAF) outros pontos em torno da exploração de petróleo na Foz do Amazonas.

De acordo com o órgão, a ideia é buscar uma “resolução consensual” para outras questões apontadas pelo Ibama, como o plano de proteção à fauna e os impactos de sobrevoos para as comunidades indígenas da região.

Segundo a AGU, serão chamados consultores jurídicos e representantes dos ministérios de Minas e Energia, do Meio Ambiente, “além dos demais órgãos públicos e empresas públicas ou privadas envolvidas com o assunto, para conversas com o objetivo de realizar as primeiras análises de risco relativas ao caso”.

No dia 17 de maio, o Ibama negou pela segunda vez a licença para perfuração do poço, desencadeando uma batalha interna no governo e com políticos da base aliada.

Conforme revelamos em maio, logo depois que a licença de perfuração foi negada pelo Ibama, o presidente da Petrobras, Jean Paul Pratesdisse a conselheiros da companhia que a autorização sairia "em seis meses".

 

 

Lula dará pausa de dois meses em viagens internacionais

Com uma intensa agenda de viagens internacionais desde o começo do ano, Lula dará uma pausa de cerca de dois meses em agendas fora do Brasil. O presidente permanecerá no país durante outubro e novembro. Integrantes do governo relataram que Lula também vai usar esse período para cuidar da saúde, já que as viagens demandam agendas intensas.

 

Em setembro, o presidente irá para a reunião da cúpula do G20 na Índia e para a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, com possíveis passagens por Cuba e pelo México antes de chegar aos Estados Unidos.

 

A previsão é que Lula retome as viagens internacionais só na 8ª Conferência das Partes na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP28, nos Emirados Árabes, que começa em 30 de novembro. O presidente passará na Alemanha durante a viagem de retorno ao Brasil. O GLOBO

 

Lula gasta R$ 3 milhões com desfile de 7 de Setembro para desvincular feriado de Bolsonaro

Por Weslley Galzo / O ESTADÃO DE SP

 

BRASÍLIA - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já desembolsou R$ 3 milhões na contratação da empresa que vai fazer a montagem e organização do desfile do 7 de Setembro, valor mais que o dobro do gasto por Jair Bolsonaro (PL) em seu primeiro ano de mandato.

 

A vencedora da licitação foi a mesma que realizou o primeiro desfile cívico-militar de Bolsonaro, em 2019, mas, neste ano, ela embolsará R$ 1,8 milhão a mais do que quatro anos atrás. Não é possível comparar os gastos deste ano com os eventos promovidos em 2021 e 2022, pois os contratos não estão disponíveis na plataforma da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) - em 2020, não houve desfile por causa da pandemia do covid-19. Os dois últimos feriados da gestão Bolsonaro foram os de maior repercussão política por causa dos enfrentamentos do ex-presidente às instituições democráticas.

 

Neste ano, a empresa M.M Faleiros Montagens e Eventos receberá R$3,1 milhões pela organização do feriado de 7 de Setembro. Em 2019, a licitante venceu o pregão organizado pelo governo por R$ 971.500 mil, que, corrigidos pelo índice IPCA, equivalem a R$1,2 milhão atualmente.

 

A cifra destinada à empresa poderia ser ainda maior, já que o Palácio do Planalto chegou a estimar o gasto de R$ 6,8 milhões somente com a contratação do serviço de montagem de arquibancadas, instalação de banheiros químicos e demais instalações para o evento.

 

Além do pagamento pela estrutura, a cifra total gasta ainda incluíra outros repasses, já que a realização do evento envolve o Ministério da Defesa, que costuma repassar milhões de reais a seus soldados a título de diárias. No 7 de Setembro do ano passado, somente a Defesa gastou R$ 8,4 milhões. Além de ser o bicentenário da Independência, o governo Bolsonaro turbinou o evento num contexto de politização das festividades pelo Planalto em meio à disputa eleitoral.

 

Bolsonaro chegou a ser investigado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por suspeita de abuso de poder na maneira como o evento foi realizado. O então presidente fez um discurso a milhares de apoiadores na Esplanada dos Ministérios que foi acusado de ser de cunho eleitoral.

A data de 7 de Setembro ficou atrelada ao bolsonarismo, sobretudo após a celebração do feriado da Independência de 2021, quando o então presidente Bolsonaro inflamou seus apoiadores com discursos de ataque ao Poder Judiciário e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Na ocasião, Bolsonaro disse que não iria mais cumprir decisões judiciais que o atingissem. Depois, voltou atrás.

 

Neste ano, assessores de Lula afirmam que o presidente quer ressignificar a data. A organização do desfile cívico-militar deste ano está sob a coordenação do ministro da Secom, Paulo Pimenta, que montou uma força-tarefa para dar conta da missão passada pelo presidente. O governo estima que 30 mil pessoas vão comparecer à Esplanada para ver a passagem de efetivos militares, blindados e o voo da esquadrilha da fumaça.

 

A ordem que circula no Palácio do Planalto é de transformar o 7 de Setembro deste ano em um “ato de resgate das cores da bandeira e dos símbolos patrióticos” que ficaram associados a Bolsonaro e seus apoiadores. Em seu discurso de vitória, em 30 de outubro do ano passado, o atual presidente sinalizou essa intenção: “Esse verde-amarelo e essa bandeira pertencem ao povo brasileiro”, afirmou na Paulista.

Dentre as mudanças preparadas para este ano, o governo realizará uma exposição em homenagem às Forças Armadas na área externa do Museu Nacional. A data e o cortejo aos militares também são apontados como uma oportunidade de Lula se aproximar da categoria e diminuir a tensão dentro do governo diante do avanço das investigações da Polícia Federal (PF) que miram oficiais envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.

“O 7 de Setembro vai ser uma boa oportunidade para Lula verificar em que pé está sua relação com os militares brasileiros de modo mais geral”, avaliou o professor de ciência política na Fundação Getúlio Vargas (FGV) Sérgio Praça. “Nos anos sob Bolsonaro, o feriado foi uma oportunidade para oficiais adesistas ao governo demonstrarem boa vontade e lealdade com o presidente”, completou.

 

O cientista político e professor do Insper Leandro Consentino, por sua vez, destacou o aspecto negativo e “desaconselhável” da “disputa política em torno de uma data de Estado e cívica para o País”. “A data tem a ver com valores da República e não com valores de determinada facção ou partido estabelecidos. Os símbolos nacionais, tal qual a bandeira e a data da Independência do País precisam ser, de fato, resgatados pelo Estado brasileiros e não pertencentes a um candidato ou outro”, afirmou.

 

Para Consentino, a data pode, sim, vir a ser usada para melhorar a relação do governo com as Forças Armadas, mas que essa iniciativa não pode redundar em “dispêndio de recursos”. “É preciso tomar muito cuidado com o que é resgate dos símbolos nacionais e dessa boa relação entre os militares e o presidente da República; e o que é simplesmente um gasto perdulário que não precisaríamos ter”, concluiu.

Cesta básica custa R$ 34,7 bi à União com itens como salmão e picanha

Idiana Tomazelli / FOLHA DE SP

 

Idealizada como uma política para baratear alimentos e itens essenciais para famílias de baixa renda, a desoneração de tributos federais sobre a cesta básica proporciona uma redução média de 5% nos preços dos produtos, a um custo de R$ 34,7 bilhões para a União, em valores atuais.

Embora seu impacto seja relevante no bolso da população mais vulnerável, o diagnóstico do governo é que a medida pode ser mais focalizada, afirma o secretário de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas do Ministério do Planejamento, Sergio Firpo.

Os dados compõem um dos boletins que serão lançados pelo órgão nesta terça-feira (22), durante o 1º Seminário de Avaliação e Melhoria do Gasto Público, promovido em parceria com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). O documento foi antecipado à Folha.

O foco desta edição é a primeira fase da Reforma Tributária, que trata da tributação sobre o consumo. A PEC (proposta de emenda à Constituição) aprovada na Câmara dos Deputados prevê a criação de uma cesta básica nacional, que terá isenção integral dos novos tributos. O texto ainda está em tramitação no Senado.

A definição dos itens contemplados ainda dependerá de regulamentação, em uma etapa posterior à conclusão da votação PEC. Mesmo assim, o governo teme desde já que a lista de produtos fique muito grande, o que tornaria o benefício menos focalizado e poderia onerar os demais setores da economia com uma carga tributária mais elevada.

O desenho atual da desoneração da cesta básica está em vigor desde 2013. Na época, o então governo Dilma Rousseff (PT) zerou as alíquotas de PIS/Cofins e IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) incidentes sobre alimentos como carnes, peixes, café, açúcar, óleo de soja, manteiga e margarina, além de artigos de higiene como sabonete, papel higiênico e pasta de dente. Outros produtos, como pães, leite, arroz e feijão, já eram isentos.

O problema identificado ao longo dos anos é que, ao incluir na cesta básica a categoria "carnes", o governo estendeu o benefício tanto para carnes de segunda, consumidos pelas famílias de menor renda, quanto para cortes mais nobres, como filé-mignon e picanha, usualmente adquiridos por quem tem maiores salários.

No caso dos peixes, o código de registro daqueles mais populares e o que identifica ovas (uma iguaria) ou salmão começam com os mesmos dígitos. Por isso, não há como isolar um ou outro para aplicar a desoneração.

Governos passados cogitaram restringir o alcance da política, mas esbarraram no temor de aumento de preços nas gôndolas e na repercussão política negativa que uma decisão nesse sentido teria na população.

Na Reforma Tributária, a guerra de narrativas em torno do aumento ou não dos preços dos alimentos mobilizou entidades, parlamentares e criou um problema político para o governo. A solução do relator, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), foi prever no texto a isenção total da cesta básica.

O avanço na discussão da PEC é visto como uma oportunidade para retomar o debate em torno do tema, a partir do diagnóstico de possíveis melhorias na política.

"A desoneração não é ineficiente, ela tem impactos importantes sobre a população mais pobre, basicamente porque o consumo é decrescente com a renda, sobretudo com alimentos. Então, na hora em que desonera, privilegia o consumo dos mais pobres. Os ricos se beneficiam também, mas, no aspecto distributivo, ele [o benefício] é progressivo", diz Firpo.

Os dados mostram que os mais pobres gastam quase 30% de sua renda com alimentação, enquanto os mais ricos destinam um percentual menor, próximo a 10%.

Mesmo assim, o secretário afirma que a política pode ser aperfeiçoada em termos de focalização. Para isso, é preciso saber qual é seu objetivo central. Ele cita exemplos de metas e soluções que poderiam ser adotadas para cada uma delas.

Para atender aos mais pobres, o governo poderia desonerar menos produtos e concentrar recursos no "cashback", mecanismo de devolução de tributos pagos por famílias que cumprem determinados critérios (como ser de baixa renda). A PEC já prevê essa possibilidade, embora ainda não haja clareza suficiente de como o sistema seria colocado em prática.

Para fomentar uma alimentação mais saudável, independentemente da renda das famílias, o governo poderia isentar produtos com esse perfil e excluir da cesta básica alimentos ultraprocessados, prejudiciais à saúde.

Hoje, cinco categorias alcançadas pela desoneração incluem alimentos ultraprocessados, entre eles margarina e preparações compostas para bebidas não alcoólicas —por exemplo, refrigerantes.

"Tem uma série de discussões, depende muito do objetivo da política. Os ultraprocessados devem estar nessa cesta? O objetivo é reduzir insegurança alimentar? Uma desoneração total dos produtos não está focando aqueles mais propensos a terem insegurança alimentar", afirma Firpo.

Segundo ele, uma política mais focalizada gera, consequentemente, maior eficiência no uso dos recursos públicos. "Temos que entender por que vamos criar essa exceção [ao pagamento de tributos]", diz.

Simulações já realizadas por técnicos do Executivo mostram que o fim da desoneração, acompanhada de uma redução geral de 1,5 ponto percentual nas alíquotas de PIS/Cofins sobre todos os produtos, compensaria a perda de renda das famílias, sem impulsionar a inflação nem prejudicar a atividade econômica.

Eventuais impactos negativos sobre o poder de compra da população mais pobre também poderiam ser compensados por um aumento nas transferências de renda, focadas nas famílias mais vulneráveis.

"A combinação de redução de alíquotas de PIS/Confins para todos os produtos com aumento nas transferências de renda, portanto, poderia trazer ganhos de eficiência econômica e redução de desigualdades, além de dar mais transparência ao orçamento público ao explicitar quem são os principais beneficiados por essas medidas", diz o documento.

A iniciativa de lançar os boletins busca disseminar os resultados de estudos já realizados no âmbito do CMAP (Conselho de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas) nos últimos anos.

"Queremos contribuir para o debate conjuntural, que muitas vezes carece de informações sobre os benefícios que as políticas públicas geram", diz Firpo.

"Muitos têm discutido o valor das novas alíquotas, o impacto das exceções setoriais, mas tem se discutido pouco o impacto para além do fiscal. A gente tem uma noção do custo, mas não tem clareza sobre os benefícios, e queremos contribuir para esse debate mais específico", acrescenta.

O Governo escanteia técnicos e politiza apagão que atingiu 25 estados e DF

Nicola Pamplona / FOLHA DE SP

 

Embora ainda não haja comprovações de que o apagão desta terça-feira (15) tenha sido responsabilidade da Eletrobras, governo e aliados passaram o dia relacionando, direta ou indiretamente, a ocorrência com a privatização da maior empresa de energia do país.

O tema esteve em posts em redes sociais, por exemplo, da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e de influenciadores petistas. E foi reforçado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em entrevista a jornalistas para falar do apagão.

"É importante que uma empresa estratégica como a Eletrobras tenha uma sinergia muito grande com o poder público. Porque é do poder público que a sociedade pede respostas", disse o ministro. "Por isso sou crítico a um setor tão estratégico para o Brasil estar completamente privatizado."

A Eletrobras, porém, não costumava participar das primeiras entrevistas sobre apagões nem mesmo em gestões petistas anteriores, quando a empresa ainda era controlada pelo Estado brasileiro.

Essa missão era dada a técnicos responsáveis pela operação, regulação e planejamento do setor, como o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e a EPE (Empresa de Pesquisa Energética).

Nesta terça, eles até estavam ao lado de Silveira durante a entrevista, mas só o ministro falou. Falou pelo ONS quando especulou sobre as causas da ocorrência, falou pela Aneel quando prometeu punições a eventuais responsáveis pelo corte no fornecimento.

Se antecipou à investigação técnica ainda não concluída ao dizer que ao menos dois eventos causaram a queda de energia e, sem provas, sugeriu indícios de sabotagem na rede, como as verificadas no início do ano, em protesto contra a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022.

"O fato de o evento ter acontecido nesse horário da manhã, da forma em que aconteceu, nos incita a estarmos pormenorizadamente pedindo para que outros ministérios, mais especializados na apuração de eventuais práticas que não coadunam com o que é importante para o setor, participem conosco na apuração", afirmou.

A primeira grande crise do setor elétrico brasileiro no terceiro mandato de Lula mostrou que o governo preferiu politizar o apagão a deixar os técnicos trabalharem.

Um governo que, quando na oposição, fez justas críticas à politização da pandemia por seu antecessor, que desconsiderou pareceres técnicos e preferiu conselhos políticos para definir suas estratégias no enfrentamento da maior crise sanitária da história.

 

 
 

Governo escanteia técnicos e politiza apagão que atingiu 25 estados e DF

Nicola Pamplona / FOLHA DE SP

 

Embora ainda não haja comprovações de que o apagão desta terça-feira (15) tenha sido responsabilidade da Eletrobras, governo e aliados passaram o dia relacionando, direta ou indiretamente, a ocorrência com a privatização da maior empresa de energia do país.

O tema esteve em posts em redes sociais, por exemplo, da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e de influenciadores petistas. E foi reforçado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em entrevista a jornalistas para falar do apagão.

"É importante que uma empresa estratégica como a Eletrobras tenha uma sinergia muito grande com o poder público. Porque é do poder público que a sociedade pede respostas", disse o ministro. "Por isso sou crítico a um setor tão estratégico para o Brasil estar completamente privatizado."

A Eletrobras, porém, não costumava participar das primeiras entrevistas sobre apagões nem mesmo em gestões petistas anteriores, quando a empresa ainda era controlada pelo Estado brasileiro.

Essa missão era dada a técnicos responsáveis pela operação, regulação e planejamento do setor, como o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e a EPE (Empresa de Pesquisa Energética).

Nesta terça, eles até estavam ao lado de Silveira durante a entrevista, mas só o ministro falou. Falou pelo ONS quando especulou sobre as causas da ocorrência, falou pela Aneel quando prometeu punições a eventuais responsáveis pelo corte no fornecimento.

Se antecipou à investigação técnica ainda não concluída ao dizer que ao menos dois eventos causaram a queda de energia e, sem provas, sugeriu indícios de sabotagem na rede, como as verificadas no início do ano, em protesto contra a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022.

"O fato de o evento ter acontecido nesse horário da manhã, da forma em que aconteceu, nos incita a estarmos pormenorizadamente pedindo para que outros ministérios, mais especializados na apuração de eventuais práticas que não coadunam com o que é importante para o setor, participem conosco na apuração", afirmou.

A primeira grande crise do setor elétrico brasileiro no terceiro mandato de Lula mostrou que o governo preferiu politizar o apagão a deixar os técnicos trabalharem.

Um governo que, quando na oposição, fez justas críticas à politização da pandemia por seu antecessor, que desconsiderou pareceres técnicos e preferiu conselhos políticos para definir suas estratégias no enfrentamento da maior crise sanitária da história.

 

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