País terá 2º turno em 57 cidades; PT disputa em 15 deles, e PSL foca interior de SP
As duas legendas com as maiores fatias do fundo eleitoral, PT e PSL, não conseguiram eleger candidatos em primeiro turno no municípios com mais de 200 mil eleitores, mas chegam ao segundo com perspectivas diferentes.
Para o segundo turno, os petistas estão em uma situação mais confortável. Concorre em duas capitais (Vitória e Recife) e em outras 13 cidades nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Pará, Goiás e Espírito Santo.
Já o PSL estará em apenas duas cidades no segundo turno, ambas no interior de São Paulo, e em nenhuma delas o partido liderou o primeiro turno.
Neste ano, o PT ainda tenta se recuperar do baque que sofreu após a onda antipolítica dos últimos anos e de, em 2016, só ter vencido em Rio Branco entre as cidades aptas a ter segundo turno.
O PSL tem outro objetivo: o de se firmar no campo da direita após ter saído de legenda nanica a gigante no Congresso ao filiar Jair Bolsonaro em 2018 —e, depois, ter visto o presidente e aliados debandarem do partido.
A Justiça Eleitoral apontou 95 municípios como aptos a ter segundo turno em 2020. Fora Macapá, cuja eleição foi adiada por causa do apagão e onde a situação está indefinida, 57 deles terão uma nova rodada de votação para prefeito no dia 29 de novembro. Esse número pode aumentar, a depender de decisões da Justiça Eleitoral.
Embora tenham histórias diferentes e estejam em lados ideológicos opostos, PT e PSL tiveram direito a recursos do fundo eleitoral similares neste ano: o PT levou R$ 201 milhões, e o PSL, R$ 199 milhões.
Ambos lançaram candidaturas fracassadas nas duas maiores capitais do país, São Paulo e Rio de Janeiro.
O PT ainda tenta se reerguer depois dos escândalos que estouraram a partir da Operação Lava Jato, que foram seguidos pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e pela prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Do outro lado, o PSL passa por uma crise desde que Bolsonaro se desfiliou da legenda em 2019, depois do escândalo das candidaturas laranjas. A direção nacional do partido tenta fazer ele voltar para se candidatar às eleições de 2022.
Agora, o partido de Lula e Dilma tenta, além de eleger Marília Arraes no Recife e João Coser em Vitória, recuperar cidades da Grande São Paulo, onde havia formado o chamado "cinturão vermelho" que perdeu em 2016.
Tem como principais apostas os ex-prefeitos Elói Pietá em Guarulhos e José de Filippi Júnior em Diadema.
Na Bahia, seus candidatos disputam as prefeituras de Feira de Santana e Vitória da Conquista, respectivamente segunda e terceira maiores cidades do estado.
Em Minas Gerais lidera em Contagem, na Grande Belo Horizonte, e Juiz de Fora, na Zona da Mata.
Uma aposta do partido em cidade importante é o médico Dimas Gadelha, que concorre em São Gonçalo, segundo município mais populoso do Rio de Janeiro.
Do outro lado, o PSL tem sua disputa mais importante em Sorocaba (SP), onde a atual prefeita Jaqueline Coutinho enfrentará o candidato do Republicanos, o vereador Rodrigo Manga. Ela teve 16,6% dos votos válidos, e ele, 39,4%.
Em Praia Grande, no litoral sul de São Paulo, o candidato do PSL Danilo Morgado irá às urnas contra Raquel Chini (PSDB), apoiada pelo prefeito tucano Antônio Mourão.
O PSL também tem possibilidade de chegar à Prefeitura de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, com o deputado estadual e policial militar Marcelo Dino.
A cidade deu votos suficientes para eleger Washington Reis (MDB) em primeiro turno, mas a candidatura do emedebista foi anulada pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) e depende de decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Entre as cidades de médio porte que não têm segundo turno nas quais o PSL conseguiu prefeituras, estão São Carlos (SP), com a reeleição do prefeito Airton Garcia (ex-PSB), e Ipatinga (MG), que elegeu o vereador Gustavo Nunes como prefeito. Já o PT reelegeu o prefeito Edinho Silva em Araraquara (SP).
Nas capitais, o representante do bolsonarismo que melhor se saiu nas eleições foi o Delegado Federal Eguchi, que já foi filiado ao PSL e atuamente está no Patriota. Ele disputará o segundo turno em Belém contra Edmilson Rodrigues (PSOL).
Na esquerda, além de Edmilson, Guilherme Boulos (PSOL) chegou ao segundo turno em São Paulo contra o prefeito Bruno Covas (PSDB).
Veja a lista das cidades que terão segundo turno e seus candidatos:
- Anápolis (GO) - Roberto Naves (PP) x Antonio Gomide (PT)
- Aracaju (SE) - Edvaldo Nogueira (PDT) x Delegada Danielle (Cidadania)
- Bauru (SP) - Suéllen Rosim (Patriota) x Dr. Raul (DEM)
- Belém (PA) - Edmilson Rodrigues (PSOL) x Delegado Federal Eguchi (Patriota)
- Blumenau (SC) - Mário Hildebrandt (Podemos) x João Paulo Kleinubing (DEM)
- Boa Vista (RR) - Arthur Henrique (MDB) x Ottaci (SD)
- Campinas (SP) - Dario Saadi (Republicanos) x Rafa Zimbaldi (PL)
- Campos dos Goytacazes (RJ) - Wladimir Garotinho (PSD) x Caio Vianna (PDT)
- Canoas (RS) - Jairo Jorge (PSD) x Luiz Carlos Busato (PTB)
- Cariacica (ES) - Euclério Sampaio (DEM) x Celia Alves (PT)
- Caucaia (CE) - Naumi Amorim (PSD) x Vitor Valim (Pros)
- Caxias do Sul (RS) - Pepe Vargas (PT) x Adiló (PSDB)
- Contagem (MG) - Marília Campos (PT) x Felipe Saliba (DEM)
- Cuiabá (MT) - Abílio Júnior (Podemos) x Emanuel Pinheiro (MDB)
- Diadema (SP) - José de Filippi Júnior (PT) x Taka Yamauchi
- Feira de Santana (BA) - Zé Neto (PT) x Colbert Martins (MDB)
- Fortaleza (CE) - Sarto (PDT) x Capitão Wagner (Pros)
- Franca (SP) - Flávia Lancha (PSD) x Alexandre Ferreira (MDB)
- Goiânia (GO) - Maguito Vilela (MDB) x Vanderlan Cardoso (PSD)
- Governador Valadares (MG) - André Merlo (PSDB) x Dr. Luciano (PSC)
- Guarulhos (SP) - Guti (PSD) x Elói Pietá (PT)
- João Pessoa (PB) - Cícero Lucena (PP) x Nilvan Ferreira (MDB)
- Joinville (SC) - Darci de Matos (PSD) x Adriano Silva (Novo)
- Juiz de Fora (MG) - Margarida Salomão (PT) x Wilson Rezato (PSB)
- Limeira (SP) - Mario Botion (PSD) x Murilo Felix (Podemos)
- Maceió (AL) - Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB) x JHC (PSB)
- Manaus (AM) - Amazonino Mendes (Podemos) x David Almeida (Avante)
- Mauá (SP) - Átila (PSB) x Marcelo Oliveira (PT)
- Mogi das Cruzes (SP) - Marcus Melo (PSDB) x Caio Cunha (Podemos)
- Paulista (PE) - Yves Ribeiro (MDB) x Francisco Padilha (PSB)
- Pelotas (RS) - Paula Mascarenhas (PSDB) x Ivan Duarte (PT)
- Petrópolis (RJ) - Rubens Bomtempo (PSB) x Bernardo Rossi (PL)
- Piracicaba (SP) - Barjas Negri (PSDB) x Luciano Almeida (DEM)
- Ponta Grossa (PR) - Mabel Canto (PSC) x Professora Elizabeth (PSD)
- Porto Alegre (RS) - Sebastião Melo (MDB) x Manuela D'Ávila (PC do B)
- Porto Velho (RO) - Hildon Chaves (PSDB) x Cristiane Lopes (PP)
- Praia Grande (SP) - Raquel Chini (PSDB) x Danilo Morgado (PSL)
- Recife (PE) - João Campos (PSB) x Marília Arraes (PT)
- Ribeirão Preto (SP) - Duarte Nogueira (PSDB) x Suely Vilela (PSB)
- Rio Branco (AC) - Tião Bocalom (PP) x Socorro Neri (PSB)
- Rio de Janeiro (RJ) - Eduardo Paes (DEM) x Marcelo Crivella (Republicanos)
- Santa Maria (RS) - Sergio Cecchin (PP) x Pozzobom (PSDB)
- Santarém (PA) - Nélio Aguiar (DEM) x Maria do Carmo (PT)
- São Gonçalo (RJ) - Dimas Gadelha (PT) x Capitão Nelson (Avante)
- São João de Meriti (RJ) - Dr. João (DEM) x Leo Vieira (PSC)
- São Luís (MA) - Eduardo Braide (Podemos) x Duarte (Republicanos)
- São Paulo (SP) - Bruno Covas (PSDB) x Guilherme Boulos (PSOL)
- São Vicente (SP) - Solange Freitas (PSDB) x Kayo Amado (Podemos)
- Serra (ES) - Sérgio Vidigal (PDT) x Fábio Duarte (Rede)
- Sorocaba (SP) - Rodrigo Manga (Republicanos) x Jaqueline Coutinho (PSL)
- Taboão da Serra (SP) - Engenheiro Daniel (PSDB) x Aprigio (Podemos)
- Taubaté (SP) - Saud (MDB) x Loreny (Cidadania)
- Teresina (PI) - Dr. Pessoa (MDB) x Kleber Montezuma (PSDB)
- Uberaba (MG) - Elisa Araújo (SD) x Tony Carlos (PTB)
- Vila Velha (ES) - Arnaldinho Borgo (Podemos) x Max Filho (PSDB)
- Vitória (ES) - Delegado Pazolini (Republicanos) x João Coser (PT)
- Vitória da Conquista (BA) - Zé Raimundo (PT) x Herzem Gusmão (MDB)
Recado de Lula na hora do voto deixa aberta ferida no PT
Ao jogar no colo do petista Jilmar Tatto toda a responsabilidade na falta de apoio a Guilherme Boulos (PSOL) na reta final da campanha, o ex-presidente Lula não só reitera a esperança quase zero de ter o partido de volta ao comando da prefeitura de São Paulo como dá um sinal político evidente. Lula não quer colada à sua figura uma derrota que se desenha fragorosa na maior cidade do país.
Guia da eleição:confira o que levar, horário, local de votação e os cuidados com o coronavírus
Ainda que o líder petista não tenha se empenhado já na escolha de Tatto como candidato — ele tentou emplacar Alexandre Padilha — a declaração feita por Lula nesta manhã em São Bernardo do Campo, no ABC, reitera a omissão velada do principal cabo eleitoral do PT na campanha paulistana. O posicionamento do ex-presidente certamente já abriu e deixará aberta por algum tempo uma nova ferida no Partido dos Trabalhadores.
Local de votação:Confira aqui seu local de votação, zona e seção eleitorais
Se desde o início da semana passada Lula vinha atuando para colocar em prática uma estratégia política bem ao sabor das conveniências eleitorais — ao apoiar Boulos, o PT se tornaria uma espécie de avalista de eventual gestão do candidato do PSOL e ainda amenizaria a possível derrota — o ex-presidente agora sabe que é hora de ser pragmático. Com a esquerda fragmentada pelo país, o petista parece não pretender deixar escapar o seu principal capital político: sua própria figura, custe o que custar. / O GLOBO / Por
Revés em São Paulo deve reforçar apoio de Bolsonaro a Crivella no Rio
O prefeito Marcelo Crivella, que ontem de manhã já divulgava a agenda que iria cumprir como candidato nesta segunda-feira, se revigorou com o recomeço da batalha por ter passado para o segundo turno com um resultado melhor do que o previsto. Na primeira fase, Crivella entrou com aparente desânimo e um acanhado aval do presidente Jair Bolsonaro. A popularidade dos dois capengava. Mas o revés sofrido pelo nome de Bolsonaro em São Paulo ajuda o projeto de reeleição do prefeito do Rio.
Entenda a eleição 2020:Freio na antipolítica, fracasso de Bolsonaro, atraso na apuração
A esquerda está fora do jogo no segundo turno do Rio de Janeiro. E Bolsonaro vai ficar de fora do segundo turno em São Paulo, onde seu candidato Celso Russomanno ficou em quarto lugar, depois de, como nas vezes anteriores, ter iniciado a disputa com os melhores índices de popularidade. Sem poder de fogo na escolha do prefeito da maior cidade da América Latina, o Rio ganha importância em um eventual projeto de poder bolsonarista para 2022.
O mecanismo de apoio de Bolsonaro, que ungiu aliados Brasil afora em 2018, falhou dois anos depois, para a maioria dos candidatos apoiados. Mas teve potência para garantir Crivella no segundo turno. Sobretudo entre os evangélicos, para os quais o aval bolsonarista veio na reta final do primeiro turno. Em plena crise da pandemia, que foi responsável por uma votação atípica, o Rio se torna, mais do que nunca, cenário de uma queda de braço nacional. O GLOBO/
Resultados de 2020 terão impacto nas disputas para governador em 2022
Os resultados das eleições municipais podem até não dar um indicativo fiel do quadro para a corrida presidencial em 2022, mas em alguns estados o que acontece agora vai ter reflexos em 2022 na disputa pelos governos estaduais.
Apuração em tempo real: Acompanhe a apuração das eleições em todo o Brasil
O exemplo mais visível é em Salvador, onde ACM Neto (DEM) conseguiu fazer com que seu vice, Bruno Reis (DEM), disparasse para ter condições de vencer a eleição em primeiro turno. Assim, ACM Neto já é um nome forte para a disputa do governo do estado em 2022, ainda mais porque Rui Costa (PT), já reeleito, não poderá disputar um novo mandato.
No Paraná, Rafael Greca (DEM) tem um histórico próprio como prefeito de Curitiba, mas o apoio e a grande aliança montada pelo governador Ratinho Júnior (PSD) o transforma em fraco favorito para buscar a reeleição daqui dois anos.
Eleições 2020:Acompanhe ao vivo comentários de colunistas e editores do GLOBO
Em Belo Horizonte, a votação consagradora que deve lhe conceder um segundo mandato dá a Alexandre Kalil (PSD) também o status de candidato a governador de Minas, ainda que ele tenha tempo para decidir se abandonará o mandato de prefeito no meio.
Em Alagoas, há uma eleição no interior que impactará mais os rumos da política estadual para 2022 do que a da capital. Vice-governador, Luciano Barbosa (MDB) decidiu disputar a prefeitura de Arapiraca, segunda maior cidade do estado. O governador Renan Filho e seu pai, o senador Renan Calheiros, não concordaram e chegaram a expulsar Barbosa do MDB. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porém, entendeu que o registro do candidato está regular.
Se o vice for eleito, Renan Filho terá dificuldades caso queira deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado, pois terá de deixar o governo na mão do presidente da Assembleia, cargo hoje ocupado por Marcelo Victor (Solidariedade), aliado do deputado Arthur Lira (PP-AL), rival dos Calheiros. O GLOBO /
As perguntas que serão respondidas em 2021 e vão definir o futuro de Bolsonaro
Com o primeiro turno das eleições municipais passado, já vão sendo computadas algumas conclusões. A derrota do presidente Jair Bolsonaro é fragorosa — seu filho Carlos teve votação muito menor do que há quatro anos, outros candidatos com o sobrenome não se elegeram, seu apoio declarado em geral lembrou beijo da morte. O PT saiu menor e outros partidos de esquerda cresceram com lideranças jovens. Não custa lembrar que também PSDB e DEM se rejuvenesceram — a maioria de seus eleitos nas capitais está na casa dos 40 ou mal passam disso. As exceções são poucas. E que os dois, com o Centrão, saem mais fortes do que as esquerdas.
O cenário que se desenha é um no qual a maioria da população continua inclinada à direita, mas preferiu políticos tradicionais ao extremismo bolsonarista. E que, no flanco da esquerda, com as pautas do impeachment e da prisão do ex-presidente Lula caindo no passado, o eleitor se afasta do PT e ensaia uma busca por alternativas.
Ainda é cedo, porém, para tirar conclusões a respeito de 2022. Pois há variáveis importantes que ainda não conseguimos avaliar. A segunda onda da Covid-19, na Europa e EUA, está mais violenta do que a primeira. Será assim por aqui? Bolsonaro conseguirá manter o pagamento do auxílio emergencial, que sustenta sua popularidade? Ou conseguirá expandir o Bolsa Família? Que tipo de pressão o governo Joe Biden fará sobre o Brasil e qual o impacto na economia do país? Aliás — qual o tamanho da crise econômica que vem?
Teremos boa parte destas respostas ainda no primeiro semestre de 2021. E elas podem definir se Bolsonaro terá chances para se reeleger ou não. Se ele chegar inteiro a 2022, porém, o grande desafio de um adversário no segundo turno será roubar votos da direita. Eles ainda são maioria. O GLOBO /

