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Vitória da esquerda no Peru é sinal do que está por vir em 2022 no Brasil?

Christopher Garman, da Eurasia Group e GZERO Media

 

Olá, meu nome é Christopher Garman, da Eurasia Group, para falar sobre o Brasil e um pouco do mundo em 60 segundos. Vamos lá para a pergunta da semana:

A vitória da esquerda na eleição presidencial do Peru é um sinal do que está por vir em 2022 no Brasil?

A resposta é sim, e não. De um lado, a disputa no Peru certamente é emblemática do ambiente de revolta social que nós estamos vendo na América Latina como um todo. A disputa foi entre uma candidatura radical de esquerda, de Pedro Castillo, contra uma candidatura radical de direita, Keiko Fujimori, e os eleitores certamente foram às urnas com uma revolta contra a classe política como um todo, mas também em meio de uma crise sanitária que favoreceu os extremos políticos.

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Isso também deve acontecer no Brasil em 2022, onde tudo indica que devemos ter uma disputa muito polarizada entre o presidente Bolsonaro de um lado, e o ex-presidente Lula do outro. Mas seria muito precipitado concluir que a vitória de Castillo indica uma onda de vitórias de candidaturas da esquerda na região como um todo. Muito vai depender, evidentemente, do ritmo de recuperação da economia no Brasil no segundo semestre desse ano, e também no primeiro semestre do ano que vem.

A grande maioria da população brasileira vai estar vacinada quando as eleições presidenciais ocorrerem em 2022, mas, ao mesmo tempo, as cicatrizes sociais e econômicas da crise sanitária ainda vão perdurar. Logo, também devemos ter uma disputa muito apertada, em que vai ser bem difícil cravar quem é favorito.

Ficamos por aqui, e até a próxima semana. EXAME

O grande confronto que vem por aí entre Bolsonaro e Lula

O Brasil se encaminha para um confronto político brutal que chegará ao auge na eleição presidencial de 2022, a mais acirrada (e mais interessante) do país. Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva estão em rota de colisão.

Nos últimos anos, os brasileiros sofreram a pior recessão da história nacional, um dos maiores totais de mortos por Covid no mundo, o aumento da criminalidade violenta e uma controvérsia global sobre a destruição em larga escala da Amazônia. O presidente Bolsonaro encara um futuro incerto.

Apelidado por alguns de “Trump dos trópicos”, Bolsonaro foi eleito presidente em outubro de 2018 com mais de 55% dos votos de uma nação profundamente polarizada.

Ecoando a corrida presidencial de Donald Trump em 2016, Bolsonaro prometeu “drenar o pântano”, combatendo o crime e a corrupção, manifestou posições chocantes sobre questões sociais e expressou apoio profundo aos militares brasileiros.

Mas desde sua posse, em 2019, ele vem encarando e em alguns casos provocando uma tempestade política após outra. Quando era candidato, Bolsonaro prometeu promover um novo arranque numa economia que estava atolada numa recessão desde 2014, mas o crescimento econômico permanece baixo, e o desemprego, em alto patamar.

Isso se deve em parte à pandemia, é claro, mas o tratamento desastroso dado pelo presidente à maior crise de saúde pública dos últimos cem anos levou a situação a se agravar muito mais do que seria necessário. Bolsonaro minimizou a gravidade da Covid, negou-se a apoiar o uso de máscaras e complicou a distribuição das vacinas.

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Quando a pandemia se espalhou, Bolsonaro ofereceu à população uma assistência emergencial que ajudou temporariamente os cidadãos mais pobres, mas em 2020 55% dos brasileiros enfrentaram a insegurança alimentar. Dezenas de milhões deles ainda dormem com fome todos os dias.

Quanto às queimadas na Amazônia, o desmatamento acelerado na região foi responsável por um terço da destruição das florestas tropicais do mundo em 2019. O presidente Trump, cético em relação à mudança climática, se dispôs a ignorar as consequências ambientais dessa devastação toda, mas a administração Biden se uniu a líderes europeus para combinar ofertas de assistência financeira ao Brasil com pressão sobre Bolsonaro para inverter o rumo de sua política para a Amazônia.

Agora Lula volta a entrar em cena. O ex-presidente, incendiário de esquerda ainda popular, saiu da prisão e se prepara para enfrentar Bolsonaro na eleição presidencial do próximo ano. Quando isso acontecer, o mundo assistirá a um enfrentamento amargamente contencioso de um tipo novo.

Nos últimos anos, o mundo se acostumou a ver candidatos populistas enfrentando políticos do establishment. Mas a disputa presidencial no Brasil colocará em confronto direto dois populistas altamente talentosos, um de direita e o outro de esquerda.

Lula representa os brasileiros mais pobres, aqueles que sentem que ninguém mais no poder se importa com eles. Sua experiência formadora como líder sindical forte e sagaz e a popularidade que conquistou como presidente ao investir grandes quantias de dinheiro público para criar oportunidades para as famílias mais pobres do Brasil lhe conferiram uma estatura e uma chance de vencer que nenhum dos outros rivais de Bolsonaro consegue igualar.

O presidente Bolsonaro está mais vinculado à classe média brasileira, farta da criminalidade e corrupção do período em que o país foi governado pelo PT, primeiro por Lula e depois por sua sucessora escolhida a dedo, Dilma Rousseff.

Embora Lula se apresente como vítima de perseguição política, seu governo acabou envolvido na maior investigação de corrupção criminosa da história do país. Como parte do escândalo da Lava Jato, uma investigação começou com acusações de propinas envolvendo licitações na Petrobrás, mas se expandiu em múltiplas direções e atravessou fronteiras.

De acordo com a força-tarefa que investigou os crimes relacionados à Lava Jato, a investigação levou à devolução de mais de US$ 800 milhões ao Tesouro brasileiro e à condenação de 278 pessoas. Ex-presidentes do Peru, Panamá e El Salvador foram para a prisão. O mesmo aconteceu com Lula.

Mas Lula jamais admitiu responsabilidade pelos crimes cometidos, apesar de dever sua libertação da prisão a uma questão técnica legal. Ele insiste que é vítima de perseguição política. Isso constitui um excelente indício da espécie de campanha amarga e cáustica que o Brasil pode prever nos próximos 16 meses.

Apesar de todos os revezes e fracassos sofridos pelos dois pesos pesados políticos brasileiros, as pesquisas de opinião indicam que cada um deles conseguiu conservar o apoio de seus seguidores ferrenhos. E não há eleitores prováveis suficientes no país para que qualquer outro candidato possa emergir das duas dúzias de partidos políticos brasileiros para contestar um ou outro deles.

Enquanto isso, a Covid continua a devastar o país, a economia está mal das pernas, e ataques propagados nas redes sociais já estão inflamando as tensões políticas. Será um ano quente no Brasil.

Ian Bremmer

Fundador e presidente do Eurasia Group, consultoria de risco político dos EUA, e colunista da revista Time.

Tradução de Clara Allain / folha de sp

Novidade nas ruas - FOLHA DE SP

Os protestos contra o presidente Jair Bolsonaro neste sábado (29) são uma bem-vinda lufada de ar na atmosfera política brasileira.

Após quase um ano de domínio exclusivo das ruas por alguns parcos, mas barulhentos, manifestantes bolsonaristas, milhares de opositores se aventuraram no asfalto de diversas capitais.

Havia uma clara preocupação dos organizadores de diferenciação, com o estímulo ao distanciamento social possível e ao uso de máscaras —em contraste com as irresponsáveis aglomerações estimuladas pelo presidente.

Isso dito, houve cenas condenáveis do ponto de vista sanitário, além dos deploráveis confrontos envolvendo forças policiais, como o ocorrido em Recife.

Ao mesmo tempo em que se mostram como novidade no panorama, contudo, os atos não encobrem as limitações da agenda da esquerda que se rearranja após ter sido trucidada nas urnas a partir de 2016.

Animado com o reaparecimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança de pesquisas eleitorais, o campo tem desafios mais complexos à frente.

Se a rejeição ao petista aferida pelo Datafolha não é tão grande quanto a do atual presidente (36% ante 54%), é importante entender as circunstâncias da fotografia.

Bolsonaro está no seu pior momento, com a CPI da Covid recontando a tragédia criminosa de sua gestão, efeitos sociais das fragilidades econômicas em curso e até uma ameaça de crise energética.

Mas o que a esquerda, a começar pelo PT, oferece além da adversativa? Se o que Lula tem a ofertar se reflete na embolorada crítica às privatizações, como fez no caso da Eletrobras, as perspectivas de um eventual novo governo petista são decepcionantes.

A crítica nas ruas do sábado a Bolsonaro é justa e até tardia. Porém seu potencial de mobilização, até pelos sentimentos contraditórios despertados em pessoas que se preocupam com os protocolos sanitários, ainda não é claro.

Além disso, convém lembrar que o antipetismo segue sendo uma força orgânica em centros urbanos, o que delimita o escopo das bandeiras que se veem agitadas.

Furar essa bolha, para usar um clichê, é a tarefa colocada à esquerda. Apresentar propostas concretas e viáveis, que vão além do embate ideológico, é um imperativo para qualquer força política que queira fazer frente a Bolsonaro em 2022.

Seja nas ruas, seja na arena parlamentar, a oposição à esquerda ainda carece de consistência programática. Mas será erro descartar esse movimento inicial como algo sem potencial de frutificar, dada a anomia em que estamos inseridos.

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O centro já venceu em 2022

Ciro Nogueira

Senador da República (PI), é presidente nacional do PP / FOLHA DE SP

Todos os dias sou questionado sobre a polarização na campanha presidencial e, obviamente, quem vai vencer a eleição: Lula ou Bolsonaro são os dois nomes mais fortes; penso que este confronto final é praticamente inevitável. Ouso dizer, porém, que a eleição do ano que vem já está definida, e o ganhador não será nenhum dos dois extremos —nem a extrema esquerda, nem a extrema direita. Será o centro.

Sendo assim, a grande questão de 2022 não é quem vai ganhar, mas qual candidato será capaz de ampliar mais o seu espectro de alianças, avançando mais em direção ao centro do que seu contendor. Longe das paixões políticas e dos cenários atuais, entendo que Bolsonaro continua sendo o favorito em atrair mais apoios do centro quando a hora decisiva chegar.

Como vimos nas eleições municipais de 2020, os partidos de centro foram os grandes vitoriosos, com a conquista do maior número de prefeituras em todo o país. Foi um recado em alto e bom som de que o eleitor rejeita os extremismos e prefere o caminho do meio. Um centro forte é bom para a democracia: é sinal de previsibilidade, sem solavancos e incertezas. A influência silenciosa do centro em 2022 significa a garantia de que o país já contratou um tipo de cláusula de estabilidade, pois somente aquele que se aproximar e efetivamente incorporar posturas longe dos extremos será capaz de conquistar votos para além dos seus guetos.

 

Então, a questão que logo se colocou foi: se o centro representa esse vetor tão forte, por que não oferecer um de seus representantes para comandar a nação? A rigor, o debate político atual se divide sobre qual deve ser a participação do centro na campanha presidencial: como protagonista ou como centro de gravidade (para usar aqui uma deliberada redundância)?

Na primeira hipótese, o centro lançaria um candidato próprio, capaz de arrebatar essa pulsão moderadora que o eleitorado aparenta preferir no comando do poder. O problema do “candidato de centro” é que não se fabrica candidatos. O centro não tem um candidato que se represente. E tentativas de protótipos, a essa altura, são artificiais. Líderes não são projetados em uma linha de produção. Ao contrário, são atores políticos raros, curtidos num processo misterioso chamado história e, por esse elemento abstrato, conhecido como apelo popular. Para todos os efeitos práticos, só existem dois à disposição das circunstâncias: Lula e Bolsonaro.

Nenhum deles, entretanto, é capaz de alcançar êxito com suas próprias forças. Ambos terão, então, que estender seu raio de influência na direção do centro gravitacional da política brasileira: o centro. É por isso que acredito que ele será o vencedor da eleição, pois será o fator decisivo da disputa. É por isso, também, que não acredito em simulacros de polarizações ou caricaturas que tentem apresentar Lula ou Bolsonaro como candidatos dos extremos, por mais que a retórica eleitoral assim o queira.

 

Dito tudo isso, advém a questão final: qual dos dois teria maior capacidade de atrair as forças de centro? Lula, sem dúvida, já mostrou no passado ter habilidade política de ser um grande conciliador. Ocorre que as forças de centro, hoje, estão alinhadas com um conjunto de ideias e direcionamentos —sobretudo no campo econômico— de caráter reformista: as maiorias parlamentares no Congresso têm demonstrado uma ampla sustentação a projetos e reformas constitucionais, como a redução do custo do Estado, a privatização e a disciplina fiscal.

Nesse sentido, qual espectro político se sente mais à vontade para se alinhar com essa agenda reformista do centro? É aí que vejo a possibilidade concreta de Jair Bolsonaro dialogar, como já vem dialogando, com o centro e viabilizar sua vitória, malgrado toda a ressaca que seu governo atravesse agora, no pior momento da pandemia, algo que certamente vai passar gradualmente e será sucedido por safras de boas notícias e indicadores.

A extrema esquerda e mesmo a centro-esquerda têm nesses temas econômicos algumas de suas bandeiras históricas e mais caras de enfrentamento. Já a extrema direita e a centro-direita não têm nessas questões o seu principal ponto de atenção.

Suas pautas são outras, que, por sua vez, não empolgam o centro. Ou seja: ou a esquerda teria de se reposicionar e adotar uma série de valores que atualmente parecem improváveis —e ainda se o fizesse se tornará apenas irmã gêmea do candidato conservador—, ou se mantém coerente e não se expande para capturar o eleitor de centro.

É por tudo isso que, apesar de todas as pesquisas pouco alvissareiras da ocasião, ainda creio que a candidatura de Bolsonaro é a que tem maior capacidade orgânica de aglutinar o grande campo de batalha da eleição: o centro.

TENDÊNCIAS / DEBATES
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.​​

 

O 29M foi grande e importante: e agora, o que esperar?

ATO CONTRA O GOVERNO NA PAULISTA DIA 29 DE MAIO 21

Muitas dúvidas, de diversas naturezas, cercaram a organização dos atos deste 29 de maio, convocados por múltiplas organizações, diversos partidos e diferentes correntes políticas, pelo impeachment de Jair Bolsonaro e exigindo responsabilização do presidente e de seu governo pela decisão de não comprar vacinas contra o novo coronavírus, o que agravou a pandemia de covid-19 no Brasil.

Já na segunda-feira passada escrevi a esse respeito, apresentando os dilemas colocados para os cientistas, para os políticos que até então vinham apontando o negacionismo de Bolsonaro e as aglomerações por ele incentivadas, e para a imprensa. Mas a oposição acabou levando adiante a organização dos atos, fazendo questão de marcar importantes distinções com os eventos bolsonaristas, principalmente no incentivo ao uso de máscaras de alta proteção, como as PFF2, e a distribuição gratuita das mesmas em todas as cidades onde as manifestações ocorreram.

Leia também: Dilema na oposição: como reagir a atos de Bolsonaro sem agravar a pandemia?

Os debates acerca da oportunidade de realização de grandes atos, mesmo com esses cuidados, quando se avizinha uma terceira onda, vão continuar ao longo dos próximos dias. Jornalisticamente, há muitos enfoques a adotar nessa cobertura, que precisa ser feita.

Mas não é possível ignorar que as manifestações ocorreram e, ao menos na praça mais emblemática de atos políticos nas últimas décadas, a avenida Paulista, no coração de São Paulo, ela foi robusta, não ficou restrita aos partidos de esquerda e mostrou a existência de uma oposição vigorosa, disposta a desafiar até as recomendações sanitárias que continuam em vigor, para expressar sua indignação e o sentimento de que uma boa parcela da sociedade não aceitará mais que o presidente siga tentando ocupar sozinho o espaço público, quase sempre zombando da pandemia, negando sua gravidade, ignorando o sofrimento das famílias enlutadas, promovendo desinformação a respeito da propagação da covid-19 e fazendo ameaças golpistas contra adversários e aqueles que não são seus seguidores.

As ruas mostraram, pela primeira vez desde que a pandemia começou, o que as pesquisas de opinião já mostravam sem fotos: que aqueles que rechaçam Bolsonaro e sua política negacionista são em maior número que aqueles que o apoiam. A pé, os oposicionistas foram às ruas em maior número que os motorizados e barulhentos motociclistas de Bolsonaro, um fim de semana antes.

E agora, o que esperar?

A forma acabrunhada com que os bolsonaristas reagiram, nas redes sociais, aos atos do 29M mostra que sentiram o golpe. Resta saber se vão dobrar a aposta, promovendo outras manifestações para tentar medir forças com os oposicionistas nas próximas semanas.

Isso nos leva ao dilema que havia antes dos atos deste sábado: por mais que se tomem cuidados como o uso de boas máscaras, manifestações desse tipo promovem aglomerações difíceis de controlar (dicas como "fique com os que moram com você" soam entre ingênuas e inócuas, se não forem apenas para inglês ver, mesmo).

A terceira onda de contágio da pandemia é uma realidade: como se portarão cientistas que até aqui têm defendido que a vida é mais importante que a política (e é, mesmo)? E os políticos que têm apontado negacionismo de Bolsonaro, mas neste fim de semana entoaram clichês negacionistas como "o governo mata mais que o vírus"? Vale o mesmo para nós, jornalistas, para artistas e todos os que até aqui se posicionaram do lado da Ciência. Esse compromisso não pode mudar em nome de um duelo infantil que, no fim, vai resultar no aumento de casos e, consequentemente, de mortes. Dos dois lados.

A resposta mais robusta precisa vir das instituições. O fato de as ruas antibolsonaristas terem falado em voz alta, desafiando a pandemia, serve de alerta para os mercados, que vinham numa euforia histérica, e para o Centrão, que fecha os olhos a tudo em nome de polpudas verbas de emendas, abertas ou secretas: não será possível esquecer só à base de 4% do PIB a escalada de morte, fome, miséria, retrocesso educacional e de liberdades e chegar a 2022 com o discurso irresponsável de que a economia terá voltado a crescer.

Além de tudo porque nada indica que esse crescimento será vertiginoso como cantam as patativas do mercado. Basta ver a crise de fornecimento de energia elétrica que começamos a observar, isso com a economia girando bem devagar.

Quanto tempo o Centrão ficará com o governo, agora que está evidente que ele é repudiado por grandes parcelas da sociedade, gente de toda cor partidária, gente que votou em Bolsonaro em 2018, gente que perdeu parentes e não aceita a falta de respeito e de providências diante da tragédia?

Saber se vai começar o desembarque dos políticos é o passo mais decisivo para concluir se o 29M terá consequências. E se existe alguma chance de impeachment, hipótese hoje bastante remota, para não dizer praticamente impossível. 

É preciso inteligência e responsabilidade da parte dos opositores do presidente. O silêncio de Lula diante dos atos de sábado não é à toa: ele ao mesmo tempo evitou a armadilha de ajudar a carimbar as manifestações como exclusivamente petistas, como se preservou para não ser acusado de negacionista.

A mesma discrição foi vista por opositores que também são governantes, e sabem que amanhã podem ter de adotar novas medidas restritivas de atividades econômicas, e não querem correr o risco de serem acusados de hipócritas ou incoerentes.

Não é simples guiar esse barco num mar que inclui icebergs e nevoeiro para todos os lados. Mas Bolsonaro está cada vez mais acuado pela CPI e, agora, pelas ruas.

Nesse sentido, o recado do 29M foi bem dado. E histórico. VERA MAGALHÃES DA FOLHA DE SP

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