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Lira instala comissão especial para analisar PEC do voto impresso

Por Estadão Conteúdo / EXAME

 

PRESIDENTE DA CAMARA LIRA

 

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressitas-AL), instalou no início da madrugada desta quinta-feira (13) a comissão especial para analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso.

 

Se aprovada, a PEC de autoria da deputada Bia Kicis (PSL-DF) tornaria obrigatória a impressão de cédulas de papel após votos depositados na urna eletrônica. A parlamentar comemorou a decisão da Lira. "Não importa sua coloração política. Todos queremos que nossos votos cheguem aos nossos candidatos. Só um sistema auditável nos garante isso", postou Bia Kicis no Twitter.

A instalação da comissão foi anunciada por Lira, que estava ao lado de deputados da base aliada ao governo Jair Bolsonaro, logo após a aprovação do texto-base do licenciamento ambiental e minutos antes do encerramento de uma sessão arrastada.

A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) foi ao Twitter dizer que a decisão foi tomada "na calada da noite". "Pra quem achava que não dava para terminar o dia pior, o trator do autoritarismo mostrou que é possível, sim", publicou, na rede social.

EXAME/IDEIA: 46% não sabem em quem votar para o primeiro turno em 2022

Por Gilson Garrett Jr / EXAME

 

Caso a eleição presidencial fosse hoje, 46% dos brasileiros não saberiam em quem votar no primeiro turno, considerando a pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são apresentados previamente aos eleitores. A soma de intenção de votos de todos os candidatos citados é de 47%. Brancos e nulos são 7%.

 

Os dados são da mais recente pesquisa EXAME/IDEIA, projeto que une Exame Invest PRO, braço de análise de investimentos da EXAME, e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública. O levantamento ouviu 1.200 pessoas entre os dias 19 e 20 de maio. As entrevistas foram feitas por telefone, com ligações tanto para fixos residenciais quanto para celulares. Confira a pesquisa completa.

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 (Arte/Exame)

As pesquisas espontâneas trazem informações valiosas aos postulantes à corrida eleitoral presidencial. Se por um lado esse tipo de levantamento mostra a parcela de eleitores órfãos, ele também indica os votos mais fiéis e que, dificilmente, devem mudar ao longo do tempo. Nessa rodada da pesquisa espontânea, o ex-presidente Lula tem 19% do eleitorado, enquanto o atual presidente Jair Bolsonaro soma 17% das intenções de vooto.

Na avaliação de Mauricio Moura, fundador do IDEIA, o panorama de 46% da população sem um candidato quebra a série histórica, porque geralmente a um ano da eleição cerca de dois terços do eleitorado não sabe em quem votar. Ainda segundo Moura, há claramente dois campos muito bem delimitados politicamente: Jair Bolsonaro (sem partido) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“A gente tem um cenário muito único em 2022, com um presidente em exercício, que naturalmente é protagonista, e uma figura política de peso, da musculatura do Luiz Inácio Lula da Silva”, diz.

O índice de pessoas que ainda não escolheram um candidato é maior na região Sudeste, com 51%, e nas classes A e B, com 52%. A região Centro-Oeste é a que está menos indecisa, com 34% dos eleitores que ainda não sabem em quem votar, e entre aqueles que são praticantes de religiões não cristãs, com 36%.

Lula vence segundo turno

O ex-presidente Lula tem 45% das intenções de voto contra 37% do presidente Bolsonaro em um eventual segundo turno na disputa pela presidência do Brasil, caso as eleições fossem hoje. O petista ampliou a vantagem desde a última sondagem, realizada há um mês, e consolidou o favoritismo ao Palácio do Planalto.

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 (Arte/Exame)

“O grande destaque é que a gente percebe a irritação da classe média com o governo Bolsonaro. Ele perdeu popularidade nas classes A e B, com reflexo nas intenções de voto. Com isso, fica sempre a lição quando se trata de intenção de voto: quem está em reeleição segue como protagonista, mas a variável principal para uma queda ou uma retomada de preferência é a popularidade do presidente”, analisa Mauricio Moura.

Por região, Lula vence Bolsonaro no Sudeste (47% X 38%), e no Nordeste (50% X 35%). A situação se inverte, com o atual presidente em primeiro lugar, no Norte (64% X 25%), no Sul (45% X 26%), e no Centro-Oeste (42% X 34%). Vale destacar que o Sudeste concentra a maior parte do eleitorado brasileiro, por isso Lula tem uma vantagem no total de votos.

Francamente, Fernando Henrique - Carlos Graieb

lula fhc

 

Concordo plenamente com Roberto Freire, o presidente nacional do Cidadania, quando ele diz que o encontro entre Fernando Henrique Cardoso e Lula foi um grave erro político. 

Não para Lula, é claro, que nesta semana se declarou candidato às eleições de 2022 (como se precisasse). O capital político do petista aumenta cada vez que ele recebe o aperto de mão – ou soquinho, ou cotovelada, ou seja lá o que as pessoas fazem para se cumprimentar no meio da pandemia – de alguma figura representativa.

No caso específico da foto com Fernando Henrique, ela ajuda o petista a ocupar uma faixa no centro do espectro político. Sendo a política, em certa medida, uma briga por espaço, isso atrapalha o surgimento de uma terceira candidatura, moderada, para a disputa do ano que vem. Como FHC tende a ser um dos fiadores de uma candidatura desse tipo, caso ela (oxalá!) venha de fato a surgir, já fica posta desde já uma incômoda ambiguidade. Como se o tucano dissesse: “Eu vou apoiar esta figura aqui, mas o Lula também serve”.

É muito cedo, cedíssimo, para esse tipo de acomodação. Vou repetir palavras que escrevi anteriormente, em outro espaço: o centro moderado (não o Centrão oportunista) precisa ser radical. Ele só vai ter relevância se virar posição de combate no debate público e nas redes sociais. É preciso enfrentar sistematicamente os adversários à direita e à esquerda, inclusive empurrando-os mais e mais para os extremos, se necessário. 

Se for visto como inerte, o centro já era. Se for visto como um poodle abanando o rabinho no meio da guerra, o centro já era. Se parecer que está disposto a uma acomodação quando o jogo nem começou – bem, nem vou repetir. 

Até me atrapalhei com a digitação algumas vezes antes de conseguir escrever esta frase direito, mas quem está certo, neste momento, é Ciro Gomes. Ele vem batendo em Lula sem piedade, sem hesitação. Nem é preciso dizer que também bate em Bolsonaro. E porque haveria de ser diferente? 

A esta altura dos acontecimentos, em maio de 2020, só há motivos racionais para querer ver Bolsonaro longe do poder. Ele é tosco, incompetente, destrutivo, autoritário, perigoso. 

Da mesma forma, só a falta de imaginação explica que alguém deseje ver o PT de volta ao Planalto. O mensalão e o petrolão corromperam o partido até a medula dos ossos. A Lava Jato meteu os pés pelas mãos no afã de prender Lula, mas não fez nada de errado na hora de coletar as provas que flagraram o partido em ampla e irrestrita gatunagem . Essas provas podem ter perdido validade no mundo jurídico, mas continuam sólidas no mundo dos julgamentos políticos. 

Além das culpas do passado, o PT também está repleto de ressentimento (injustificado). E o ressentimento é um dos piores motores da ação política. Não acredito por um instante quando Lula faz aquela cara de quem está acima de buscar revanches. Gleisi Hoffmann nem procura disfarçar. 

Francamente, Fernando Henrique. Disseram que você era um sábio. Nesse caso, em vez de fazer fotos ao lado de Lula, você deveria estar por aí em busca de um bom candidato, como aquele filósofo da Antiguidade que andava pelas ruas com uma lanterna nas mãos, dizendo estar à procura de um homem honesto.  ISTOÉ

Centrão está prestes a ter o presidente do Brasil... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2021/05/21/bolsonaro-sera-um-presidente-da-cota-do-centrao.htm?cmpid=copiaecola

Josias de Souza
 

Colunista do UOL

21/05/2021 00h36

Não é que o presidente tem o centrão do seu lado. O centrão é que está prestes a ter o presidente. É sempre melhor a pessoa se arrepender do que experimentou do que não experimentou. Exceto, é claro, queda de avião e filiação ao PP. Mas Bolsonaro já passou por tantos partidos —oito em três décadas— que cogita repetir uma velha experiência. Ensaia um retorno aos quadros do PP. Rebatizada de Progressistas, a legenda é uma espécie de locomotiva do centrão.

De passagem pelo Piauí, Estado do presidente do PP, Bolsonaro flertou com o passado. "Agradeço ao Ciro Nogueira, meu velho colega de Parlamento. Fui do partido Progressistas dele por muito tempo. Ele não está apaixonado por mim não, pessoal, mas ele tá me namorando. Ele quer que eu retorne ao partido. Quem sabe? Se ele for bom de papo, quem sabe a gente volte para lá. Não estou me fazendo de difícil não, é um grande partido."

Por mal dos pecados, Bolsonaro troca afagos com Ciro Nogueira num instante em que a Polícia Federal pede ao Supremo Tribunal Federal autorização para interrogar o dirigente partidário num inquérito sobre corrupção. Ciro é acusado de receber propina de R$ 5 milhões da empresa JBS para levar o seu PP a apoiar a reeleição de Dilma Rousseff ao Planalto em 2014. O senador nega a acusação.

O namoro de Bolsonaro com o centrão obrigou o general Augusto Heleno, ministro palaciano do Gabinete de Segurança Institucional, a executar piruetas retóricas. Na campanha de 2018, Heleno cantava em encontro partidário que, "se gritar pega centrão, não fica um, meu irmão". Agora, o general diz que já não tem a mesma opinião. "Não reconheço hoje a existência desse centrão", ele declara. 

Quer dizer: em política, nada se cria, nada se transforma, tudo se corrompe. UOL

Reinventar, articular, reconstruir

Marco Aurélio Nogueira, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2021 | 03h00

O melhor seria passar um pano em tudo e começar de novo.

Só que é impossível. Sociedades, Estados, sistemas políticos, instituições, acumulam pó e sujeira, mas não podem ser limpos com panos e detergentes comuns. Requerem recursos e ingredientes que não se encontram no mercado. E que, hoje, nesse Brasil que está deixando de ser tão brasileiro, fazem uma falta lancinante, que machuca e faz sofrer.

Falta-nos, antes de tudo, uma ideia de sociedade futura. Como queremos viver, para além da obviedade de que queremos todos ser felizes e bem tratados, ter um Estado eficiente e instituições que se façam respeitar e regulamentem a vida? Queremos justiça e igualdade (entre gêneros, etnias, orientações sexuais e classes), mas não há pistas de como isso poderá ser alcançado. Reivindicações e desejos saltam na vida cotidiana, mas os atores políticos não sabem como agarrá-los.

Com qual economia, para começo de conversa? Uma pujante, consciente de suas possibilidades, disposta a incluir o País no sistema de intercâmbios internacionais, capaz de gerar renda e empregos, de adotar a sustentabilidade como critério estratégico, de aceitar o Estado como regulador ativo? Ou uma perdulária, sem produtividade, voltada para si, sem tecnologia incorporada? Uma economia atenta aos imperativos categóricos do planeta, a começar da agenda climática e ambiental, ou caolha, dedicada à destruição da natureza, ao desmatamento predatório, à conquista da terra como bem a ser explorado sem cautela e sem interesse coletivo?

Não temos um projeto para revitalizar a Federação, equiparar minimamente Estados e municípios, dar a cada um deles as condições necessárias para progredir. O País está manco, caminha claudicando.

Não temos um plano para recuperar os sistemas vitais, a educação, a saúde, a assistência – a proteção social. Tudo nessas áreas é imperfeito, deixa a desejar, as carências estão expostas à luz do dia, sem que saibamos como abordá-las.

Falta-nos um projeto de Estado, um padrão de governança que tenha estabilidade e produza resultados, que valorize e blinde as instituições contra aventureiros autoritários, ideólogos reacionários, redes irresponsáveis, negacionistas contumazes, oportunistas, corjas de malfeitores que só pensam nas vantagens a obter, que são ignorantes da sociedade existente. Estamos sentindo na pele as consequências do desvario que nos acometeu em 2018 e possibilitou a eleição de uma cúpula de estroinas perversos.

É assustador constatar que estamos assim apesar de possuirmos recursos técnicos, intelectuais, culturais e políticos para reinventar o Brasil. Vivemos como se dependêssemos de um milagre celestial, de uma explosão popular ou das conclusões de uma CPI no Senado. Por que nossos políticos preferem se entregar ao jogo miúdo da pequena política, a lançar granadas de baixa potência e que não atingem o alvo, optando por privilegiar seus interesses partidários, regionais, ideológicos, em vez de oferecer algo consistente à sociedade?

Quero crer que isso se deva a alguns fatores.

Primeiro, nossos políticos não têm dimensão intelectual. Não falo de formação escolar ou de diplomas, que todos os exibem a mancheias. Falo de capacidade de compreender o mundo, a sociedade em que atuam, os cidadãos que os elegem. Nesse ponto, falta-lhes o fundamental. Ética pública democrática, domínio da linguagem, generosidade cívica, comunicação. Em muitos falta também honestidade.

Segundo, os partidos vivem em crises que se sucedem sem interrupção e os impedem de atuar como entes coletivos, que saibam disputar o poder sem virar as costas para a sociedade e com coesão suficiente para que sejam confiáveis para o eleitorado. Ora se estapeiam em brigas internas fratricidas, ora se arrastam para obter os apanágios e as prebendas do governo de plantão, ora se entregam aos mandachuvas de sempre, incapazes de confrontá-los ou ponderar sua imprescindibilidade. Gostam de polarizações simplificadoras, da posição confortável de repetir mantras surrados, como se servissem para todo o sempre.

Terceiro, a base do que mais nos falta: capacidade de articulação nacional e democrática. O provincianismo e o tribalismo político predominam. Hoje se admite que em 2022 se vai repor a polarização que nos atazana a vida desde 2018. Fala-se em “terceira via” como se fosse mágica, mas pouco se faz por ela. Não se reconhece que o polo Lula é superior em tudo ao polo Bolsonaro e que, portanto, não se deveria bater em Lula e nos petistas, mas, sim, forçá-los ao entendimento amplo. O PT poderá voltar ao governo, por que não? Tudo terá de ser processado para que o País renasça. Por todos, incluídos Lula e o PT. Sem isso será mais do mesmo.

Lula e o PT, afinal, não são os únicos jogadores e é muito fácil atribuir a eles a responsabilidade pela não existência do que poderia reconstruir o Brasil e unificar os brasileiros. É fácil, mas é um equívoco, que somente serve para ocultar a incompetência que grassa entre os demais jogadores.


PROFESSOR TITULAR DE TEORIA POLÍTICA DA UNESP

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