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Você precisa definir, até a eleição do ano que vem, qual é o mal maior

REINALDO AZEVEDO / FOLHA DE SP

O, por assim dizer, presidente Jair Bolsonaro voltou a ameaçar o país nesta quinta. Acusou um complô entre Lula e ministros do STF para fraudar eleições. Ou se aprova o voto impresso, ou ele anuncia que não vai reconhecer o resultado. E aí prevê “problemas”. O rato que ruge ameaça com a versão nativa da invasão do Capitólio. Mais um crime de responsabilidade. Depois foi à missa.

Escrevi na semana passada que tenho procurado, neste espaço, fugir às questões contingentes. Quando se tenta cobrar propina até de picareta que não tem vacina a vender, todas as musas silenciam à espera do próximo absurdo. Relatá-los e comentá-los tem sido nossa triste e necessária rotina. Tentemos avançar um pouco.

Se não há apelo à razão que possa fazer frutos nos bolsões da extrema direita, falo então àqueles que estão do lado de cá da delinquência, apesar e por causa de suas —ou das nossas— diferenças, que são imensas. Li, dia desses, um juízo torto, oriundo de quem está sinceramente interessado em que surja uma terceira via.

Confesso, diga-se, que minha utopia de curto prazo é ver Bolsonaro fora da disputa do segundo turno —ainda que eu não aconselhe ninguém a apostar a sua grana nisso. Assim, viva a terceira via, mas não escoltada pelo mau pensamento! E também não a qualquer preço.

Segundo aquele juízo torto, o maior mal que Bolsonaro fez ao Brasil foi ressuscitar um Lula elegível e hoje favorito para a disputa presidencial de 2022. Dizer o quê? Isso não está apenas historicamente errado, uma vez que despreza os fatos. Há também aí deformações morais e éticas, que precisam ser apontadas.

Mais: além de essa consideração não contribuir em nada para tornar viável um terceiro nome na disputa, traz um prejuízo adicional: normaliza uma eventual adesão a Bolsonaro no segundo turno de forças hoje a ele refratárias porque, então, o petista seria um mal oposto, mas, de algum modo, proporcional à aberração que aí está.

Deixo virtudes e defeitos de Lula para o exercício político de petistas e antipetistas. Debatam à vontade. Atribuo-me a tarefa de lembrar que o ex-presidente não ressuscitou porque nunca morreu.

Quando preso, liderava as pesquisas de opinião para a eleição de 2018. Foi condenado sem provas —isso, sustentamos eu e qualquer pessoa que tenha realmente lido a sentença— por um juiz que a mais alta corte do país considerou incompetente e suspeito.

Mantido na cadeia à revelia do que dispõe o inciso LVII do artigo 5º da Constituição,indicou um candidato, Fernando Haddad, que esteve muito longe da humilhação eleitoral. Chegou a figurar na frente ou em empate técnico com Bolsonaro em algumas pesquisas. Os fatos, não o Reinaldo Azevedo, desautorizam a tese da ressurreição.

O governo Bolsonaro não trouxe ninguém à vida. As políticas públicas e as pregações delinquentes na área de saúde mataram milhares de pessoas. Ou nos damos conta da enormidade que é estarmos narota dos 600 mil mortos por Covid-19 ou, então, admitamos que somos também nós os degradados. Ou bem consideramos inaceitável a sua pregação golpista, ou nos tornemos servis às suas tentações
autocráticas. Eis aí a combinação de dois “males maiores”.

“Ah, Reinaldo, não posso medir a eficiência de um governo só pelo número de mortos que ele produz ou por seu apreço à democracia”. Então eu nada tenho a lhe dizer. Perdeu seu tempo. Nem chegue ao fim do texto. Não quero ficar a seu lado na praia. Não trocaremos impressões dessa vida besta nem falaremos sobre ser sequestrado por serafins nos botecos da vida —cito Drummond. Não quero papo com você. “E quem disse que eu quero, articulista?” Não brigaremos por isso.

“Que intolerância! Tá vendo?” Sou intolerante com quem comete 33 crimes de responsabilidade em dois anos e meio de mandato. E tira máscara do rosto de criancinhas. Temos de nos perguntar qual é o nosso limite. Que barbaridade da ora meus colegas, repórteres diligentes, informarão na mesma edição
em que sai esta coluna?

Ah, sim: Bolsonaro comungou nesta quinta. O que tem com o “Corpo de Cristo” quem faz da ameaça e da administração da morte o seu modo de fazer política? Qual é o nosso limite?

Choque entre Lula e Ciro por 2022 afasta PT e PDT nos estados

Bernardo Mello e Marcelo Remigio / O GLOBO

 

RIO — Com o acirramento da rivalidade entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Ciro Gomes, ambos pré-candidatos à Presidência, PT e PDT entraram em choque por alianças locais a pouco mais de um ano para as eleições de 2022. Em estados como São Paulo e Pernambuco, o foco da disputa é o PSB, aliado pedetista nas disputas municipais de 2020 que passou a ser cortejado pelo PT. No Rio, a aproximação entre o PSB e Lula, após a filiação do deputado federal Marcelo Freixo, levou o PDT a acelerar a pré-candidatura de Rodrigo Neves ao governo.

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Ex-prefeito de Niterói, Neves foi filiado ao PT até 2016 e mantém boa relação com lideranças locais do partido, como o vice-presidente nacional petista, Washington Quaquá. Ao lançá-lo como candidato, além de garantir um palanque fluminense para Ciro Gomes, o PDT busca também atrair apoio de nomes de centro como o deputado Rodrigo Maia (sem partido) e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que vêm sendo cortejados por Freixo, que deixou o PSOL para viabilizar sua candidatura ao governo, e por Lula.

Está previsto, ainda nesta semana, um encontro entre Neves e caciques petistas no Rio, numa tentativa de aproximação inspirada nas alianças entre PDT e PT em 2020 que renderam vitórias em municípios como Niterói, Maricá, Itaboraí e Saquarema. Não está descartado um palanque duplo para Lula e Ciro, mas o arranjo nacional é um obstáculo.

— Rodrigo Neves é um bom nome, com pouca rejeição. Mas o problema todo é o Ciro Gomes, que ainda não entendeu que a disputa para o governo federal será polarizada. E isso tem dificultado a aproximação (com o PDT) nos estados — afirma Quaquá.

No Maranhão, onde há impasse semelhante, Lula conversou com o senador Weverton da Rocha (PDT-MA), pré-candidato ao governo. Weverton é aliado de Ciro e também do governador Flávio Dino (PSB), que apoia Lula.

Em São Paulo, o PT tenta abrir caminho para uma candidatura de Fernando Haddad ao governo e, para isso, fez acenos ao ex-governador Márcio França (PSB). A sondagem petista para lançá-lo ao Senado numa chapa com Haddad esbarra na vontade do próprio França, que tende a apoiar uma candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) ao governo. De olho nos movimentos do PT e tentando manter-se aliado ao PSB paulista, o PDT passou a incentivar nos bastidores um apoio a Alckmin, que deve sair do PSDB e poderia ter França como vice, repetindo o arranjo que foi vitorioso em 2014.

Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, PT e PDT disputam a melhor posição numa chapa do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), ao governo. Kalil ainda não sinalizou apoio nem a Lula, nem a Ciro. Alguns dos nomes que orbitam a provável candidatura de Kalil, como o presidente da assembleia legislativa, Agostinho Patrus (PV), têm boa relação com lideranças petistas. Uma alternativa costurada pelo PDT para garantir palanque a Ciro é trazer de volta à política o ex-prefeito Márcio Lacerda (PSB), rival do PT local.

- Foto: Editoria de Arte
- Foto: Editoria de Arte

Nordeste em disputa

No Ceará, Lula tem se empenhado em lançar o governador Camilo Santana (PT) ao Senado e pode costurar um apoio do PT ao ex-senador Eunício Oliveira (MDB) para a sucessão estadual. Eunício vem defendendo publicamente a candidatura de Lula contra Ciro, de quem é rival. Já a chapa pedetista ao governo deve ser encabeçada pelo ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, aliado de Camilo. Recentemente, Eunício alfinetou Cláudio nas redes sociais, insinuando que o adversário teria dado apoio a Eduardo Girão (Podemos), hoje aliado do governo Bolsonaro no Senado, para deixá-lo sem mandato em 2019.

Com a candidatura de Camilo, o PT busca ampliar sua base no Congresso e retirá-lo de palanques do PDT, ou ao menos dividir seu apoio.

— Não creio que Lula vá querer comprar essa briga no Ceará. Camilo vai ter uma certa dificuldade para se equilibrar, mas acredito que, sendo candidato ao Senado, apoiará o PDT ao governo — afirmou o presidente do PDT, Carlos Lupi.

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Ainda no Nordeste, PT e PDT estão decididos a ficar em lados opostos em Pernambuco. Após uma disputa familiar tensa em Recife entre os primos João Campos (PSB), eleito em segundo turno, e Marília Arraes (PT), lideranças petistas acenaram com um apoio ao PSB em 2022 para a sucessão do governador Paulo Câmara, que tem mostrado simpatia à candidatura de Lula. Campos, por sua vez, encabeça a ala do PSB que prega uma terceira via, mas não defende publicamente, por ora, a candidatura de Ciro, que o apoiou em 2020. Para diminuir as resistências à aliança, o PT tem sinalizado ao PSB que Marília perdeu espaço e tenta agendar um encontro entre Lula e Campos.

O movimento desagradou o PDT, que passou a conversar com nomes de oposição ao PSB, como o ex-senador Armando Monteiro (PSDB) e o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (MDB), filho do líder do governo Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE).

— Nada contra o Lula, que está no seu direito, mas esse assédio ao PSB ligou o sinal amarelo para nosso plano de ter palanque para o Ciro. Conversamos com nomes da oposição e podemos buscar outras siglas, como o DEM, com as quais temos boa relação em outros estados — disse o deputado Wolney Queiroz (PDT-PE).

No Piauí, como o governador Wellington Dias (PT) deve reunir sua base em torno de Lula, o PDT já abriu conversas com o Ciro Nogueira (PP-PI), aliado de Bolsonaro e pré-candidato ao governo.

Lula mantém vantagem e venceria Bolsonaro em 2022 com 44%, diz EXAME/IDEIA

Por Gilson Garrett Jr / EXAME

 

SITE PESQUISA 23 JUNHO 4

 

Caso as eleições fossem hoje, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria Jair Bolsonaro (sem partido) no segundo turno. Lula aparece com 44% das intenções de voto, e o atual presidente com 39%. Em relação à última pesquisa, os números oscilaram dentro da margem de erro, que é de três pontos percentuais para mais ou para menos, mas o petista mantém a vantagem sobre Bolsonaro há três meses.

 

Os dados são da mais recente pesquisa EXAME/IDEIA, projeto que une EXAME e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública. O levantamento ouviu 1.200 pessoas entre os dias 22 e 24 de junho. As entrevistas foram feitas por telefone, com ligações tanto para fixos residenciais quanto para celulares.

 

Ao analisar os dados por região, Lula vence Bolsonaro no Nordeste (51% X 35%), Sudeste (47% X 37%), e no Norte (41% X 34%). A situação se inverte em favor do atual presidente no Centro-Oeste (64% X 25%), e no Sul (40% X 33%). Por faixa etária, Bolsonaro só vence entre aqueles com idade entre 30 e 39 anos (44% a 40%).

Na última quarta-feira, 23, o ex-presidente teve seus direitos políticos restabelecidos e pode se candidatar para um terceiro mandato em 2022. A decisão ocorreu após o Supremo Tribunal Federal (STF) concluir o julgamento sobre a suspeição do ex-juiz Sergio Moro ao condenar Lula no caso conhecido como Tríplex do Guarujá. Por sete votos a quatro, a corte entendeu que Moro foi parcial e anulou todo o processo.

Na sondagem do primeiro turno, Lula aparece à frente de Bolsonaro, mas com margem apertada (22% X 19%). Logo atrás deles está Ciro Gomes (PDT), com 6%, Sergio Moro (sem partido) e João Dória (PSDB), ambos com 2%, Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Tasso Jereissati (PSDB), ambos com 1% das intenções de voto. A testagem foi feita com abordagem espontânea, sem que os candidatos fossem apresentados previamente.

Para Maurício Moura, fundador do IDEIA, o que mais chama a atenção na pesquisa de primeiro turno é a parcela que ainda não sabe em quem votar. “42% não sabem em quem votar para presidente em uma pergunta espontânea. Isso dá a exata noção que essa ainda é uma disputa muito aberta e cheia de nuances daqui para diante”, diz.

Outro ponto destacado por Moura é que nesta semana a CPI da Pandemia no Senado investiga um possível superfaturamento na compra da vacina indiana contra a covid-19 Covaxin. “Percebemos, a julgar pelas últimas 24 horas, que houve uma recepção negativa por parte da opinião pública sobre o tema e que impacta Bolsonaro”, diz.

Esta é a primeira sondagem EXAME/IDEIA após Luciano Huck afirmar que não vai concorrer à presidência em 2022. O apresentador estava com 6% das intenções de voto em perguntas estimuladas (quando os candidatos são apresentados previamente). Em um eventual segundo turno, ele aparecia empatado tecnicamente, concorrendo tanto contra Bolsonaro quanto contra Lula.

Terceira via

Na avaliação de Maurício Moura, as eleições de 2022 devem ser muito polarizadas e ainda não está claro se haverá um candidato de terceira via capaz de se destacar. A pesquisa EXAME/IDEIA testou três possíveis candidatos do PSDB, Ciro Gomes, Luiz Henrique Mandetta, e Sergio Moro.

"O ex-presidente vence em todos os simulados de segundo turno. A diferença de potenciais candidatos à terceira via numa simulação contra Jair Bolsonaro diminuiu. O presidente continua numericamente à frente, mas alguns cenários estão estatisticamente empatados, como na simulação com Ciro Gomes”, diz.

A EXAME/IDEIA ainda testou a rejeição dos candidatos. Lula e Bolsonaro lideram o índice, com 37% e 40%, respectivamente. Os demais candidatos ficam na faixa dos 25%, o que indica um claro debate centrado nos dois nomes nas eleições em 2022, como destaca Maurício Moura.

“Os candidatos chamados de terceira via têm um grau de rejeição que não é desprezível, mas Lula e Bolsonaro lideram. Ou seja, além de terem um grau superior de intenção de voto no cenário tanto de primeiro quanto de segundo turno, eles carregam as maiores rejeições. No caso de Bolsonaro mais centrada na região Nordeste [50%], e o Lula sendo mais rejeitado no Centro-Oeste [51%]”, diz.


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4 em cada 10 brasileiros não sabem indicar em quem votaria para presidente

Por Gilson Garrett Jr / EXAME

 

A mais recente pesquisa EXAME/IDEIA mostra que a eleição presidencial de 2022 deve ser polarizada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (sem partido). Apesar disso, 42% dos brasileiros ainda não conseguem indicar em quem votariam no primeiro turno, em uma sondagem espontânea, sem que os nomes sejam apresentados previamente.

 

Quando os entrevistados são questionados com opções de candidatos de maneira prévia, este número de pessoas que não sabe cai para 7%. Maurício Moura, fundador do IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública, explica que a questão espontânea consegue capturar o imaginário do eleitor, aquele nome em que ele já está pensando em votar.

 

“Vamos precisar acompanhar com muito afinco o resultado da pergunta espontânea de intenção de voto para eleição presidencial. Isso dá a exata noção que essa ainda é uma disputa muito aberta e bastante cheia de nuances daqui para diante”, diz.

A pesquisa EXAME/IDEIA, projeto que une EXAME e o IDEIA, ouviu 1.200 pessoas entre os dias 22 e 24 de junho. As entrevistas foram feitas por telefone, com ligações tanto para fixos residenciais quanto para celulares. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

A indecisão é menor entre os moradores do Centro-Oeste (20%). A região tem o voto definido em favor de Bolsonaro, que aparece com 46% das intenções de voto. Já Lula tem 19%. Por outro lado, o Sudeste concentra a maior parcela de pessoas que não sabe em quem votar, com 49%.

No recorte por escolaridade, o grupo de pessoas com ensino superior é o que concentra o maior número de eleitores sem um nome definido para votar na eleição presidencial de 2022 (45%).

Lula tem vantagem sobre Bolsonaro

Na sondagem de primeiro turno, Lula aparece à frente de Bolsonaro, ainda que dentro da margem de erro da pesquisa. Em um eventual segundo turno, o petista venceria o atual presidente por 44% a 39%. O ex-presidente mantém a vantagem há três meses.

Na avaliação de Maurício Moura, as eleições de 2022 devem ser muito polarizadas e ainda não está claro se haverá um candidato de terceira via capaz de se destacar. A pesquisa EXAME/IDEIA testou três possíveis candidatos do PSDB, Ciro Gomes, Luiz Henrique Mandetta, e Sergio Moro.

"O ex-presidente vence em todos os simulados de segundo turno. A diferença de potenciais candidatos à terceira via numa simulação contra Jair Bolsonaro diminuiu. O presidente continua numericamente à frente, mas alguns cenários estão estatisticamente empatados, como na simulação com Ciro Gomes”, diz.


O podcast EXAME Política vai ao ar todas as terças-feiras. Clique aqui para ver o canal no Spotify, ou siga em sua plataforma de áudio preferida, e não deixe de acompanhar os próximos programas.

‘Para cada cinco pancadas no Bolsonaro, uma no Lula’, diz Carlos Lupi

Bernardo Mello / O GLOBO

 

RIO - Para o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, as mudanças partidárias do governador do Maranhão, Flávio Dino, e do deputado Marcelo Freixo (RJ) indicam uma tentativa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “tomar o PSB por dentro”. Lupi diz que a pré-campanha de Ciro Gomes apostará em alternar críticas a Lula e ao presidente Jair Bolsonaro.

As idas de Freixo e Dino ao PSB colocam o partido no projeto presidencial de Lula?

Lula trabalha para tomar o PSB por dentro, fazer do PCdoB um satélite petista e tirar o PSOL. Isso faz parte da artimanha, da sabedoria política dele. Com o (Guilherme) Boulos, veio com a conversa que Papai Noel vai trazer um presente em 2024 se ele retirar a candidatura agora ao governo de São Paulo.

Depois da união nas eleições municipais, a relação entre PDT e PSB anda estremecida?

Eu diria que é uma DR de um lado só. Fizemos todas as declarações de amor possíveis, apoiamos o PSB em todos os lugares que nos pediram em 2020. Em Recife, numa eleição apertada, nosso apoio foi decisivo para a vitória do João Campos contra o PT. Continuo dialogando, mas é aquele amor complicado. Pisca para um, mas faz o outro acreditar que tem condição. Só que não posso prever como vai chocar o ovo da serpente, que se chama Lula. Não sei qual será a capacidade dele de convencer o PSB a comprar terreno no céu.

A força do lulismo no Nordeste atrapalha os planos de Ciro?

Com o PSB, acho que Pernambuco vai ser crucial para decidir isto. O João Campos não tem sinalizado apoiar o Lula, por exemplo. Ninguém vai fechar nada este ano. Se a eleição fosse hoje, pelas pesquisas, eu estaria lutando para sobreviver. Como é só ano que vem, aposto que Lula, e Bolsonaro vão diminuir, e acredito num segundo turno entre Lula e Ciro. Acho que Lula já está no seu teto. Bolsonaro tem navegado nos efeitos do auxílio emergencial, mas porque ainda não caiu a ficha para a maioria da população sobre a responsabilidade dele nas mortes por Covid-19. E vai cair, é inevitável.

Ciro terá condições de driblar seu próprio teto?

Ciro tem uma largada boa. Sozinho, fez 12% em 2018. Acho improvável que fique abaixo desse patamar. Minha expectativa é chegar a 20% em março. Não temos plano A, nem plano B, mas sim um plano C, de Ciro Gomes. Ele será candidato independente de ter 30%, 20% ou 10%.

LeiaApós fala de Lula, Carlos Lupi diz que PDT está aberto a diálogo sem que haja imposição de nomes em disputas eleitorais

A expansão do Bolsa Família não dá fôlego a Bolsonaro?

Isso vai tirar votos do Lula, não nossos. A base popular que Bolsonaro tenta cativar, formada pelos mais dependentes de políticas públicas e por grupos mais religiosos, hoje está com o Lula. Bolsonaro vai dividir essa base, mas sempre haverá os mais lúcidos que podem sobrar para nós já no primeiro turno. Ciro tem se programado para buscar segmentos em que Bolsonaro e Lula não têm tanta entrada.

As desistências de Huck e Amoêdo indicam que o caminho “nem Lula, nem Bolsonaro” já se afunilou?

Romper essa falsa polarização é para os fortes. Bolsonaro vai ter muito mais dificuldade para atrair o antipetismo em 2022. O João Doria creio que conseguirá ser o candidato do PSDB, mas está fazendo movimentações ruins, inviabilizou uma aliança com o DEM ao tirar o vice Rodrigo Garcia do partido. Nós, por outro lado, temos boa relação com o DEM em vários estados.

O PDT lançará o ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, no Rio?

Ele será nosso candidato. Inclusive, na segunda-feira (21) estou levando ele para visitar o túmulo de Brizola em São Borja (RS). É o nosso batismo no Rio Jordão (risos). Hoje, entendo que o (prefeito do Rio) Eduardo Paes (PSD) se movimenta considerando uma candidatura do Lula, mas acho pouco provável, até pelo partido em que está, que apoie o Freixo ao governo.

O marqueteiro João Santana, que foi delator e preso pela Lava-Jato, ficou conhecido por ataques a Marina Silva na campanha de Dilma Rousseff. Por que o PDT foi buscá-lo para a campanha de Ciro?

Eu tinha tido apenas um breve contato com ele em 2010, antes da campanha da Dilma, e brinquei: “Você se acha tão bom que ninguém pode ser melhor, né?”. Foi ele que nos procurou agora. Não podemos culpar o funcionário pelas chibatadas. O conteúdo é responsabilidade do candidato. Deixamos claro ao João Santana que a forma cabe a ele, mas o conteúdo, a nós. Queremos mostrar um lado mais humano do Ciro, tirar um pouco a imagem do professor que fala um monte de números. Professor bom não é o que faz o aluno decorar, e sim questionar, porque é sinal de que se interessou.

Haverá artilharia pesada contra os adversários de Ciro?

O que temos feito são pancadas substantivas. Para cada cinco no Bolsonaro, uma no Lula. Eu não gosto disso, de artilharia pesada. Acho que precisamos usar a ironia, um pouco de humor. No último vídeo, o Ciro diz que o brasileiro não quer saber só de picanha e cerveja, e reclamaram que ele estava batendo no Lula. Ora, como chegaram a essa conclusão? Ele nem citou o nome do Lula...

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