Esposas e filhas de políticos são apostas de partidos cearenses para as eleições de 2022 2
Patricia, inclusive, foi eleita deputada estadual em 2018 – cargo hoje almejado pela filha – e só renunciou à vaga para ocupar o comando do Executivo no berço político da família.
Para Domingos Filho, o interesse familiar, seja de homens ou de mulheres, é natural na política. Ele ressalta que, atualmente, há mais oportunidades para candidaturas femininas, o que historicamente não era comum.
“Política é vocação e paixão. Por isso, é comum que a convivência estimule parentes de políticos a se encaminharem, tradicionalmente, para a vida pública. As novas regras eleitorais privilegiam a inserção das mulheres nas disputas eleitorais e o PSD incentiva essa tendência”, argumenta.
EXPERIÊNCIA FAMILIAR
A primeira-dama de Horizonte, Jô Farias, diz ser uma prova de como a convivência estimula a participação política. Ela conta que há 30 anos está, ao lado do esposo, Nezinho Farias (PDT), na vida pública. Em 2005, viu nascer o interesse de atuar na Câmara Municipal, onde exerceu um mandato. Agora, planeja um voo mais alto, rumo à Assembleia Legislativa, onde o marido foi eleito em 2018 – e renunciou para ocupar o cargo de prefeito.
“Tenho interesse em ser candidata por estar preparada para contribuir com as políticas públicas do meu Estado, além de encorajar outras mulheres através da minha experiência. Acredito que nós, mulheres, precisamos ocupar espaços de tomada de decisão, gerando representatividade para que possamos inspirar mais mulheres a participar”, afirma.
Com vida pública mais curta, mas igualmente influenciada pela trajetória familiar, a advogada Juliana Lucena também tem pretensões por uma vaga no Legislativo estadual. “Minha mãe, Arivan Lucena, foi a primeira prefeita de Limoeiro do Norte, em 2001. Ela e meu pai, José Maria Lucena – atual prefeito de Limoeiro –, foram e são as grandes inspirações para o surgimento desse meu desejo de ser candidata”, conta.
CAMINHO DAS PEDRAS
A ideia das pré-candidatas é repetir o feito de outras mulheres parlamentares cearenses, que também chegaram à vida pública através da família, conseguiram vagas no Legislativo e, agora, planejam disputar a reeleição.
As cinco deputadas estaduais do Ceará integram famílias com histórico político. Em seus perfis de apresentação na Assembleia Legislativa, Aderlânia Noronha (SD), Dra. Silvana (PL), Érika Amorim (PSD) e Fernanda Pessoa (PSDB) ressaltam a importância que os respectivos maridos e o pai – no caso da tucana – tiveram para inspirar na trajetória política.
Completa a lista a deputada Augusta Brito (PCdoB), casada com o ex-prefeito de São Benedito, Gadyel Gonçalves, político influente na região de Ibiapaba. Augusta e as colegas parlamentares, no entanto, ressaltam o papel que desempenham para inspirar que outras mulheres também se engajem na política.
OBSTÁCULOS CULTURAIS
Historicamente, a ligação familiar de novas lideranças com políticos mais tradicionais gera debates, seja nos parlamentos, seja entre os eleitores. Porém, a cientista política Monalisa Soares, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenadora do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia (Lepem), ressalta que essas discussões são mais frequentes quando envolvem mulheres iniciando a trajetória política.
“Isso tem a ver com a incursão delas nesses espaços e o que homens e mulheres representam no espaço público. Os homens, mesmo quando surgem da herança política familiar, encontram no espaço público um ambiente mais socialmente reconhecido pela presença masculina. Já quando é uma mulher que é eleita, sob a égide do pai, do avô ou do marido, ela terá a autonomia, a imagem e o capital político questionados”, avalia.
A socióloga Paula Vieira, também pesquisadora do Lepem, aponta que o foco dos questionamentos deveria ser o porquê de algumas famílias terem tanto poder concentrado por várias gerações. “Isso faz parte da formação sócio-histórica brasileira, que tem a permanência de poder na mão de uma elite predominante”, analisa.
“No Ceará, por exemplo, temos algumas famílias que já têm essa inserção política e vão reproduzindo ao longo de gerações, indicando seus familiares. Se pensarmos em famílias que não são dessa tradição política, quem é que se propõe a ir para essa vida? É como se fosse um caminho natural para esses grupos e seus integrantes, que herdam a profissão política”, diz Paula.
ESTRATÉGIAS ELEITORAIS
As pesquisadoras acrescentam ainda que a motivação política para se chegar a um nome que disputará as eleições envolve uma série de estratégias. Segundo Monalisa Soares, as análises partidárias incluem a efetividade e as chances de vitória, o que favorece nomes que carregam consigo uma longa tradição política na família.
Paula Vieira enumera também a agenda política do País e como alguns nomes podem trazer ganhos em certas discussões. “As candidaturas femininas, por exemplo, vêm sendo pauta há alguns anos, e a população vem cada vez mais aderindo, então é natural utilizá-las como um recurso estratégico para maximizar as chances na competição”, afirma.
“Além disso, ainda têm os estímulos das regras eleitorais, como as cotas. Então existe essa primeira ideia de se ter candidaturas competitivas, depois tem esses desdobramentos”, conclui. Pelas regras eleitorais vigentes, os partidos precisam formar chapas para o Poder Legislativo com ao menos 30% de mulheres.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também estabeleceu que as agremiações devem destinar ao menos 30% dos recursos do Fundo Partidário para financiar as campanhas de candidatas.
ESTÍMULO À PARTICIPAÇÃO
No Congresso, tramitam propostas que tentam ampliar esse estímulo à participação feminina. No texto-base do Novo Código Eleitoral, os deputados estabeleceram que, para fins de distribuição de recursos do Fundo Partidário, os votos destinados a candidaturas femininas devem ser contabilizados em dobro.
Em julho deste ano, o Senado aprovou um projeto determinando uma porcentagem mínima de 30% das cadeiras legislativas (em todas as instâncias) para ser preenchida por mulheres, convocando-se as suplentes caso não sejam eleitas em número suficiente para cumprir esse percentual.
Em outra frente, a Justiça Eleitoral tem intensificado a punição contra partidos que tentam burlar as regras de estímulo às candidaturas femininas. No Ceará, chapas inteiras de vereadores em 2020 foram cassadas em Croatá, Nova Russas, Pacatuba, Barbalha e Potengi.
O OUTRO LADO DA DISPUTA
Diante desse cenário, a pesquisadora Monalisa Soares aponta ainda a dificuldade que mulheres sem tradição familiar na política encontram para chegar aos espaços de poder.
“Evidentemente, tudo isso coloca em questão esse debate sobre a participação das mulheres na política e o papel dos partidos na formação de novas lideranças, no sentido de que as legendas buscam candidaturas que são muito oportunas e, portanto, são dessas mulheres que naturalmente já têm mais chances de serem competitivas”, argumenta.
“Temos que nos perguntar sobre as outras mulheres, aquelas que não têm esse capital familiar, em que medida os partidos vão ou não estimular essas candidaturas? Estudos mostram que é mais difícil para todo esse universo de outras mulheres”, conclui a cientista política. COM DIARIONORDESTE
Esposas e filhas de políticos são apostas de partidos cearenses para as eleições de 2022
A quase um ano das eleições, os acenos de parlamentares a suas bases ganham corpo no Ceará. Nessas comitivas que buscam reforçar alianças, a presença de esposas e filhas de políticos se tornaram comuns. No entanto, para além do apoio familiar, elas estão lá porque planejam disputar vagas no Legislativo. As pré-candidatas são apostas de partidos políticos para o pleito do próximo ano. Segundo elas, a proximidade com a vida pública aflorou o interesse de participar ativamente das eleições.
Para analistas políticas, essas articulações indicam que o incentivo à participação feminina na política têm dado resultado. No entanto, ponderam que a presença de mulheres ainda é limitada àquelas que têm a benção de grandes grupos políticos.
Atualmente, as mulheres ocupam 10% das vagas na Assembleia Legislativa no Ceará. Das 46 cadeiras, apenas cinco são de parlamentares do sexo feminino. Na bancada federal, esse índice cai para 4%. Das 22 vagas destinadas ao Ceará na Câmara dos Deputados, apenas uma é ocupada por mulher, a deputada Luizianne Lins (PT).
PRIMEIRO PASSO
Mesmo diante da baixa representatividade das mulheres nas duas Casas, as pré-candidatas avaliam que o Legislativo estadual é um terreno mais fértil para mudar essa realidade.
Diante dessa conjuntura, Dayany Bittencourt, por exemplo, se filiou ao Republicanos em junho deste ano. O plano dela é fazer uma dobradinha com o marido, Capitão Wagner (Pros), que é pré-candidato ao Governo do Estado. A esposa buscará iniciar a trajetória política na Câmara dos Deputados, onde o parlamentar exerce mandato.
“O interesse não iniciou agora. Desde quando meu esposo iniciou na vida pública, esse é o ar que respiramos. Viajamos por todo o Estado, conhecendo de perto a realidade do nosso povo, sempre tive a vontade de ir além, fazer mais”, aponta.
Dayany acompanhou Wagner nas seis eleições em que ele se candidatou, mas, segundo ela, pretende traçar a própria história na política. “Só uma mulher para entender as necessidades das mulheres. E a política precisa do nosso olhar, mais sensível, mais humano. Quanto mais mulheres de coragem, de iniciativa, de voz altiva e ativa, mais ganha a política e a sociedade”, afirma.
EM BUSCA DE ESPAÇO
O interesse em levar esse olhar para a Assembleia Legislativa do Ceará também é compartilhado pela Bispa Vanessa, que recentemente se filiou ao PSD. Ela acompanhou o marido e deputado estadual apóstolo Luiz Henrique (PP) em disputas eleitorais, mas agora pretende assumir um espaço na política.
Outro nome feminino do PSD para o pleito do próximo ano será Gabriella Aguiar, filha do presidente da sigla, o ex-vice-governador Domingos Filho. Se eleita, Gabriella deve expandir a influência familiar na política local. No grupo, o irmão dela, Domingos Neto (PSD), é deputado federal, e a mãe, Patrícia Aguiar (PSD), é prefeita de Tauá.
Dissolver diferenças eleitorais é desafio de frente ampla contra Bolsonaro
Sonia Racy / O ESTADÃO
15 de setembro de 2021 | 00h50
BOLSONARO – FOTO EVARISTO SÁ/AFP
Uma das lideranças do fórum que reunirá frente ampla de políticos hoje para discutir ações contra Bolsonaro e a favor da democracia, Antonio Neto, presidente do PDT da capital, disse à coluna que clama aos comensais por unidade para “dissolver as diferenças eleitorais e pensar por ora no inimigo principal”.
Entre os participantes do Direitos Já estão Luiz Henrique Mandetta (Dem), José Aníbal (PSDB), Gleisi Hoffmann (PT), Alessandro Molon (PSB).
Novo pico de consultas por divórcio no escritório Galvão & Silva, o que pode significar uma segunda onda de… rompimentos em meio à pandemia. “Reflete o grau do conflitos e consequências”, destaca o advogado Daniel Silva.
End is near
Depois de 10 anos do empenho de ativistas ambientais, a Universidade de Harvard decidiu “desinvestir” e colocar um fim no seu endowment de combustíveis… fósseis. Hoje, o fundo tem US$ 42 bilhões.
Isto é incrível
Os bombeiros do Estado do Rio perderam literalmente o processo de regularização do certificado de medidas segurança contra incêndio do Palácio da Cidade – sede da prefeitura. A secretaria estadual de Defesa Civil confirmou que os documentos não foram encontrados.
O local pertencia à embaixada britânica e em 1968 hospedou a rainha Elizabeth II e o príncipe Philip.
Crista da onda
Time de influenciadores digitais participa do festival de conversas – O Rock in Rio Humanorama. Entre eles: Paula Pfeifer, criadora do Crônicas da Surdez, Rebeca Costa, do Look Little e Ivan Baron, diagnosticado quando criança com paralisia cerebral e hoje conhecido como o “influenciador da inclusão”.
Reforço
Fabio Szwarcwald, do MAM carioca, passa a integrar o conselho consultivo da Fundação Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, composto por nomes como o de Eduardo Gianetti e Leandro Karnal.
Pedro Parente, presidente do conselho da OSESP, defende a pluralidade “para que a governança tenha contato mais direto com as comunidades”.
Datafolha: Avaliação de Bolsonaro piora, e reprovação de 53% é novo recorde do presidente
Após a semana mais tensa de seu mandato, na qual pregou golpismo para multidões no 7 de Setembro, o presidente Jair Bolsonaro segue com sua reprovação em tendência de alta. Ela chegou a 53%, pior índice de seu mandato.
Foi o que aferiu o Datafolha nos dias 13 a 15 de setembro, quando o instituto ouviu presencialmente 3.667 pessoas com mais de 16 anos, em 190 municípios de todo o país. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.
A oscilação positiva dentro da margem de erro em relação ao recorde apontado em levantamento feito em julho, de 51% de reprovação, dá sequência à curva ascendente desde dezembro do ano passado.
O presidente é avaliado como bom ou ótimo por 22%, oscilação negativa dos 24% da pesquisa anterior, que já indicava o pior índice de seu mandato. O consideram regular 24%, mesmo índice de julho.
Isso sugere que as cenas do 7 de Setembro, com a avenida Paulista cheia por exemplo, reproduzem uma fotografia do nicho decrescente do bolsonarismo entre a população. Se queria fazer algo além de magnetizar fiéis, Bolsonaro fracassou.
Por outro lado, o recuo do presidente após a pressão institucional contra sua retórica golpista mirando o Supremo Tribunal Federal, também não trouxe impacto perceptível na forma de uma queda abrupta de apoio ao presidente na sua base —como havia sido aferido nas interações de rede social.
Essa tendência de rejeição segue constante neste ano, após um 2019 marcado pelo racha em três partes iguais da opinião da população sobre o presidente e um 2020 que o viu se recuperar da resposta errática à pandemia da Covid-19 com a primeira fase do auxílio emergencial aos afetados pela crise.
Neste ano, com a ajuda menor, não houve reação. A agudização da crise política após a cooptação final do centrão como um seguro contra impeachment, por opção exclusiva de Bolsonaro, se mostra uma aposta insuficiente em termos do conjunto da população.
Também não houve uma mudança que possa ser atribuída aos esvaziado atos convocados por entidades de direita no domingo passado (12).
Não faltaram crises desde o mais recente levantamento do Datafolha. Bolsonaro fez desfilar tanques e blindados em Brasília, sem sucesso na tentativa de intimidar o Congresso que não aceitou a volta do voto impresso.
A economia registra problemas em série, a começar pela alta da inflação e da ameaça de crise energética no horizonte próximo.
O estouro do teto de gastos é uma hipótese cada vez mais comentada, e há pouca margem de manobra orçamentária para apostar numa recuperação de popularidade amparada em pacotes populistas.
Isso tem levado ao desembarque de setores usualmente simpáticos ao Planalto, como parte do agronegócio e do mercado financeiro. Fora a contínua crise sanitária que já levou quase 590 mil vidas no país e a percepção de corrupção federal evidenciada na CPI da Covid.
Nesta rodada, o Datafolha identificou um aumento mais expressivo de rejeição ao presidente entre quem ganha de 5 a 10 salários mínimos (41% para 50%, de julho para cá) e entre as pessoas com mais de 60 anos (de 45% para 51%).
Significativamente, Bolsonaro passou a ser mais rejeitado no agregado das regiões Norte e Centro-Oeste (16% da amostra), onde costuma ter mais apoio e de onde saíram muitos dos caminhoneiros que ameaçaram invadir o Supremo na esteira do 7 de Setembro. Sob muitos protestos, eles depois foram demovidos pelo pressionado presidente.
Lá, sua rejeição subiu de 41% para 48%, ainda que esteja marginalmente abaixo da média nacional.
O perfil de quem rejeita o presidente segue semelhante ao já registrado antes. Péssima notícia eleitoral, já que perfazem 51% da população na amostra, 56% daqueles que ganham até 2 salários mínimos o acham ruim ou péssimo, assim como 61% dos que têm curso superior (21% da amostra).
Aqui, nas camadas menos ricas e escolarizadas, há um lento espraiamento das visões negativas sobre o presidente. Na já citada camada de quem ganha até 2 mínimos, em julho eram 54% os que o rejeitavam. Na daqueles que recebem de 2 a 5 mínimos, a rejeição foi de 47% para 51%, oscilação positiva no limite da margem de erro.
Ambos os grupos somam 86% da população na amostragem do Datafolha. Outro grupo importante, o daqueles com ensino fundamental (33% da amostra) viu uma subida ainda maior, de 49% para 55%, enquanto houve estabilidade (49% para 48%) entre quem cursou o nível médio (46% dos brasileiros).
Em nichos, há rejeições bastante expressivas entre gays e bissexuais (6% dos ouvidos), de 73%, e entre estudantes (4%): 63%.
Na mão contrária, os mais ricos são o grupo em que a reprovação do presidente mais caiu de julho para cá, de 58% para 46%, retomando pontualmente uma correlação que remonta à campanha que levou o capitão reformado à Presidência.
Entre eles, 36% o consideram ótimo e bom. Integram esse contingente 3% da população pesquisada. O Sul (15% da amostra), bastião do presidente desde a disputa de 2018, segue avaliando ele melhor do que outras regiões: 28% dos ouvidos lá o aprovam.
Pormenorizando, os empresários (2% dos ouvidos) permanecem com os mais fiéis bolsonaristas, com 47% de aprovação. É o único grupo em que o ótimo e bom supera o ruim e péssimo (34%).
No segmento evangélico, outra base do bolsonarismo, as notícias não são boas para o presidente. Desde janeiro, a reprovação ao presidente já subiu 11 pontos, e hoje está superior (41%) à sua aprovação (29%). Na rodada anterior, havia empate técnico (34% a 37%, respectivamente).
Isso ocorre em meio à campanha por ora frustrada de emplacar o ex-advogado-geral da União André Mendonça, que é pastor, para uma vaga no Supremo.
A tensão institucional deste julho para cá foi das maiores de um governo já acostumado a bater recordes no setor. Igualmente, Bolsonaro só perde para Fernando Collor de Mello (então no PRN) em impopularidade a esta altura do mandato, contando aqui apenas presidentes eleitos para um primeiro mandato.
O hoje senador alagoano tinha neste ponto de seu governo 68% de rejeição, ante 21% de avaliação regular e só 9% de aprovação. Acabaria sofrendo a abertura de um processo impeachment na sequência, em 1992, renunciando para evitar a perda de direitos políticos.
Fernando Henrique Cardoso (PSDB), por sua vez, registrava 16% de ruim e péssimo, 42% de regular e 39% de aprovação. O petista Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, marcava 23%, 40% e 35%, respectivamente, e sua sucessora Dilma Rousseff (PT), semelhantes 22%, 42% e 36%.
Fusão PSL-DEM cria maior força de direita na Câmara em 20 anos
14 de setembro de 2021 | 16h30
Atualizado 14 de setembro de 2021 | 18h48
BRASÍLIA – Prestes a ser oficializada, a fusão entre DEM e PSL deve criar uma megapotência partidária. A nova legenda deve nascer com 81 deputados federais e conquistar o posto de maior bancada na Câmara, com força para decidir votações importantes e ter peso significativo num eventual processo de impeachment de Jair Bolsonaro. Será a primeira vez em vinte anos que a direita reúne tantos parlamentares em uma única agremiação. A última vez foi no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, quando o PFL (atual DEM) elegeu 105 representantes.
Caso a nova sigla seja concretizada, vai desbancar o PT, que desde 2010 lidera o ranking de maiores bancadas na Câmara. Em 2018, foram 54 petistas eleitos. Hoje, o partido tem 53 deputados, empatado com o PSL. Mesmo que com a fusão parlamentares bolsonaristas deixem o novo partido, como esperado, a sigla ainda sem nome seguirá com o maior número de deputados.
A ideia dos dirigentes de PSL e DEM é usar esta megaestrutura que está sendo formada para atrair uma candidatura à Presidência em 2022 capaz de rivalizar com Bolsonaro e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Além de maior partido da Câmara, a nova legenda deve controlar três Estados, favorecendo a formação de palanques regionais nas disputas eleitorais. Hoje, o PSL governa Tocantins, com Mauro Carlesse, e o DEM administra Goiás, com Ronaldo Caiado, e Mato Grosso, com Mauro Mendes. Até recentemente, o PSL também administrava Santa Catarina, com Carlos Moisés, mas o governador, eleito com apoio de Bolsonaro, saiu da legenda e segue sem partido. Hoje, a sigla com maior número de governadores é o PT, com quatro representantes (BA, CE, PI e RN).
O novo partido, que ainda não tem nome definido, também deve ser o mais rico de todos. Terá perto de R$ 158 milhões por ano de fundo partidário, dinheiro público que abastece as legendas para gastos que vão de aluguel de sede, pagamento de salários, aluguel de jatinhos, entre outros. Em comparação, o PT ganhou R$ 94 milhões dessa verba pública este ano.
A sigla que sairá da fusão DEM-PSL receberá ainda, no que ano vem, a maior fatia do fundo eleitoral, cujo valor ainda deve ser fixado pelo Congresso, mas, provavelmente, será superior a R$ 2,1 bilhões. Se considerada a soma dos valores de 2020 dos fundos eleitoral e partidário, o novo partido teria R$ 478,2 milhões, à frente do PT, que ficou com R$ 295,7 milhões somando as duas fontes de dinheiro público.
A união é vantajosa para o DEM por causa do aumento do fundo partidário. Para o PSL, os principais atrativos são a capilaridade regional e estrutura que a outra sigla pode oferecer.
No Senado, a alteração não seria significativa, pois o PSL acrescentaria apenas mais uma parlamentar – a senadora Soraya Thronicke (MS) – à bancada de seis senadores do DEM.
O partido resultante da fusão terá ainda 554 prefeitos, 130 deputados estaduais e 5.546 vereadores, segundo o número de eleitos nos últimos pleitos para os respectivos cargos.
Seguidores de Bolsonaro vão desembarcar
Apesar da perspectiva de crescimento e de ser o maior partido do País, os articuladores da fusão já esperam dissidências. Pela legislação, o político pode sair de uma legenda sem perder o mandato em caso de fusão. A previsão é de que 25 dos atuais 53 deputados do PSL, ligados ao presidente Jair Bolsonaro, devem desembarcar na nova legenda. Também são esperadas as saídas de aliados de Bolsonaro no DEM. É o caso do ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni.
O processo que pode levar à fusão dos dois partidos tem avançado. Dentro do PSL a união já é dada como certa e esperam anunciá-la em 21 de setembro. Mas a possibilidade de fusão desagrada uma parte do DEM.
Na primeira demonstração pública de atuação conjunta, os dois partidos divulgaram uma nota com críticas a Bolsonaro. Após os ataques do presidente ao Supremo Tribunal Federal (STF) nos atos governistas de 7 de Setembro, DEM e PSL afirmaram que repudiam "com veemência" o discurso de Bolsonaro "ao insurgir-se contra as instituições de nosso País".
O texto gerou insatisfação em parte do DEM. Onyx, que é deputado licenciado pelo DEM do Rio Grande do Sul, afirmou, por meio de vídeo divulgado nas redes sociais, que a nota não o representa. Disse ainda que a nova legenda "talvez nasça grande", mas, "ao final do ano que vem, se não mudarem seu comportamento, serão um partido nanico".
O PSL também está dividido em relação ao governo de Bolsonaro. A ala governista vai desembarcar do partido quando o presidente decidir por qual legenda concorrerá à reeleição em 2022. Bolsonaro está sem partido desde o fim de 2019, quando rompeu com o PSL.
Fusão enfrenta resistências no DEM do Rio e de Pernambuco
O Estadão apurou que há também conflitos no DEM do Rio. Lá, o deputado Sóstenes Cavalcante comanda provisoriamente o diretório estadual. Trabalha para ficar com o comando permanente.
O DEM resolveu fazer uma intervenção federal no Estado para retirar o ex-prefeito e vereador Cesar Maia da presidência estadual. O movimento aconteceu após a saída do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, filho de Cesar, da legenda. Se for concretizada a fusão, o controle do diretório do Rio ficará com quem hoje está no PSL. Isso atrapalhará os planos de Sóstenes Ele já avisou a aliados que não aceita a fusão.
Em Pernambuco, o ex-ministro da Educação e presidente do DEM no Estado, Mendonça Filho (DEM), também apresenta resistências.
"A minha preocupação é com a governança, como o partido vai se estabelecer, de que forma vai harmonizar os interesses regionais, nomes históricos do partido em posições regionais", disse Mendonça ao Estadão.
Na mesma linha do que disse Onyx, o ex-ministro de Michel Temer (MDB) afirmou que a união não necessariamente vai se traduzir em um partido grande.
"Não adianta você compatibilizar excluindo. Em política, muitas vezes a soma de um conjunto de forças significa subtração. O que eu entendo é que a gente tem de ter como objetivo uma soma que de fato adicione", declarou.
Conterrâneo do presidente nacional do PSL, deputado Luciano Bivar, Mendonça ressaltou que "respeita a figura de liderança" do dirigente partidário. Pregou, porém, que a discussão seja feita com calma. "Respeito todos os líderes que têm, com a melhor das intenções, tracionado uma maior celeridade nesse processo. Peço calma, paciência e que sejam cumpridas as etapas de uma discussão amadurecida", declarou.
Bivar, Rueda e ACM Neto dividirão comando
Detalhes como nome e número da nova sigla ainda não estão definidos. A operação tem como principais articuladores Luciano Bivar, o vice-presidente do PSL, Antonio Rueda, e o presidente do DEM, ACM Neto. Bivar deve ser o presidente do novo partido, Rueda deve ficar com a vice-presidência e Neto, com a secretaria-geral.
Mesmo com o desembarque da ala bolsonarista do PSL, o novo partido nasceria com o maior tempo de rádio e televisão e o maior Fundo Partidário. No entanto, críticos da fusão afirmam que o crescimento só poderia ser dimensionado de verdade após o resultado das eleições de 2022, quando novas bancadas serão eleitas para o Congresso. A composição do fundo pode mudar drasticamente caso o novo partido não consiga manter o tamanho resultante da fusão.
O presidente do DEM, ACM Neto, quer ajustar a união internamente na sigla até o fim deste mês. Aliado do presidente do partido, o deputado Elmar Nascimento (DEM-BA) avalia que a fusão deve mesmo acontecer.
"Grandes chances. Está bem avançado", declarou Nascimento.
Apesar das resistências no DEM, a fusão tem o apoio de Neto e também do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que diz que o processo "leva tempo", mas é "possível". Quando lhe foi perguntado sobre a data de 21 de setembro, citada por integrantes do PSL como anúncio da fusão, Mandetta disse: "Talvez um anúncio político, mas leva bem mais tempo (para definir totalmente a fusão)".
O ex-ministro tem articulado a sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. Pelo lado do PSL, o pré-candidato é o apresentador José Luiz Datena. Embora não fale sobre o assunto publicamente, outro nome que é citado como opção para 2022 é o do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). O senador é cobiçado pelo PSD, pode acabar saindo do DEM para ir para a legenda presidida por Gilberto Kassab.
A fusão também é usada como uma estratégia para manter Pacheco no DEM. O presidente do Senado participou de algumas reuniões para tratar da união dos partidos.


