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Discutir Amazônia sem agentes locais é inconcebível, diz governador

GOVERNADOR DO AMAPA

O governador do Amapá Waldez Góes (PDT) criticou o governo federal, nesta quarta-feira, 12, por, segundo ele, querer discutir políticas de ações nacionais ou internacionais para a Amazônia sem ouvir agentes que fazem parte da Amazônia. “É inconcebível, um retrocesso, imaginar que no Brasil, a partir de Brasilia, se tome a iniciativa de monitorar atos ilícitos, medidas de governança ou alternativas econômicas para a região sem a participação daqueles que aqui vivem”, disse a VEJA.

Na terça-feira 11, o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto para transferir o Conselho Nacional da Amazônia Legal do Ministério do Meio Ambiente para a Vice-Presidência. O conselho será integrado pelo vice-presidente Hamilton Mourão e por 14 ministros do governo federal. A composição original incluía os governadores da Amazônia Legal, área que engloba a totalidade dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins e parte do estado do Maranhão.

“Foi montado um conselho com dezenas de órgãos federais, 14, para atuar na Amazônia. [Nós, governadores] Não fomos ouvidos para constituir essa iniciativa. Depois, houve um chamado feito em cima da hora para que participássemos do evento. É mais Brasília e menos Brasil, menos Amazônia”, afirmou. Góes é o presidente do consórcio dos estados da Amazônia Legal.

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Sergio Moro é chamado de ‘capanga da milícia’ por deputado do PSOL

MORO EM AUDIENCIA NA CF

O ministro da Justiça, Sergio Moro, foi alvo de ataques que geraram bate boca entre deputados durante participação em audiência pública na Câmara dos Deputados que analisou a PEC da segunda instância, na tarde desta quarta-feira (12). 

Durante a sessão, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) chamou o ministro de “capanga de milicianos” ao se pronunciar contra a medida que estabelece o trânsito em julgado da ação penal após o julgamento em segunda instância, extinguindo os recursos aos tribunais superiores.

“O senhor é um capanga da milícia e do governo Bolsonaro”, disse Braga. “O senhor Sergio se apresenta de maneira muito polida, mas mente descaradamente. Toda vez que questionado sobre o caso Carlos Bolsonaro, ele diz que é uma responsabilidade do Ministério Público do Rio de Janeiro e da polícia. Trabalha como blindador da família Bolsonaro e, consequentemente, da milícia”, disse o deputado, ao citar relatório da Polícia Federal que inocentou Flavio Bolsonaro em relação às acusações de lavagem de dinheiro.

Moro reagiu e disse que o deputado era desqualificado para o cargo.

A fala do deputado provocou fortes reações e houve ameaças de agressão. O deputado Eder Mauro (PSD-PA) discutiu com o parlamentar do Psol, disse que a mãe do deputado era “uma bandida” e houve ameaça de empurra-empurra. Moro saiu escoltado por parlamentares bolsonaristas.COM VEJA

Dólar alto é bom, diz Guedes: ‘Todo mundo estava indo para a Disney’

A valorização do dólar, que nesta quarta-feira, 12, superou R$ 4,35 e voltou a bater recorde, decorre da combinação de juros baixos e contenção do gasto público, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes. Segundo ele, a alta na moeda norte-americana indica que Brasil está entrando num novo modelo, que estimula a recuperação da indústria, mesmo desagradando a rentistas e a turistas brasileiros no exterior.

“Durante muito tempo, tivemos dólar a R$ 1,80 e juros básicos a 14% [ao ano]. Hoje temos dólar a R$ 4 e juros também a 4%”, declarou o ministro, no discurso de encerramento de evento promovido por uma revista especializada em política e economia que discutiu a agenda legislativa para 2020.

Na avaliação de Guedes, os juros mais baixos beneficiam os empreendedores, por meio do barateamento do crédito. Ele também disse que o dólar mais alto ajuda a reverter o processo de desindustrialização do Brasil, cujas fábricas enfrentaram, por muitos anos, a competição desleal com produtos manufaturados de países que manipulam a taxa de câmbio. “O Brasil era o paraíso dos rentistas. O câmbio baixo desindustrializava o Brasil, que estava pendurado num modelo rentista”, disse.

O ministro admitiu que o dólar mais alto desestimula a viagem de brasileiros ao exterior. Ele aconselhou os turistas que deixem de ir para outros países todos os anos e conheçam mais o Brasil. “Antes, o câmbio estava tão barato que todo mundo estava indo para a Disney, inclusive as classes mais baixas. Vocês podem passear pelo Brasil, conhecer o Brasil. Vai conhecer as Cataratas do Iguaçu, passear no Nordeste, conhecer Cachoeiro de Itaperimirim, onde Roberto Carlos nasceu”, disse Guedes.

O ministro também recomendou a Chapada Diamantina e a Floresta Amazônica como destinos turísticos para os brasileiros. “Vocês podem continuar indo para a Disney, mas não todos os anos ou várias vezes no mesmo ano, como era quando o câmbio estava a R$ 1,80”, acrescentou.

Reformas

Em relação às reformas em tramitação no Congresso, Guedes disse que o Brasil terá um “ano belíssimo do ponto de vista político” após a aprovação da reforma da Previdência em 2019. Ele citou como prioridades a reforma tributária, que será acoplada a propostas em tramitação no Congresso, e as três propostas de emenda à Constituição (PEC) que reformulam o pacto federativo.

Dizendo ter boas relações com os relatores das PECs do pacto federativo, o ministro informou ter ficado agradavelmente surpreso com a proposta do senador Márcio Bittar (MDB-AC), relator da PEC principal do pacto, de eliminar os pisos de gastos públicos em saúde e educação.

Servidores

Guedes defendeu ainda a proposta que consta em duas PECs do pacto federativo de reduzir temporariamente os salários dos servidores em 25% em momentos de crise, tanto na União, quando estourar a regra de ouro, como nos estados e nos municípios com dificuldades financeiras. O ministro considerou o corte temporário de 25% no salário dos servidores como a “versão tupiniquim” do shutdown, bem mais suave que o sistema norte-americano.

“Nos Estados Unidos, o governo para de pagar tudo [em momentos de impasse no Orçamento]. Nunca vamos fazer isso aqui. Vamos apenas dar uma travadinha nos aumentos, dar uma descansadinha. Os salários [dos servidores] subiram 50% acima da inflação [nos últimos anos]. Eles têm estabilidade e Previdência”, justificou.

Reforma administrativa

Guedes reiterou que a reforma administrativa, ainda não enviada ao Congresso, pretende reduzir o número de cargos e cortar privilégios, mas apenas para os futuros servidores. “Desenhamos uma reforma administrativa que não atinge direitos adquiridos. Os futuros servidores ficam de cinco a oito anos sendo avaliados e lá na frente conquista a estabilidade numa carreira típica de Estado, como em qualquer lugar no mundo. Estamos projetando um Estado futuro com meritocracia. Em vez de 300 carreiras, vamos ter de 20 a 30”, explicou.

Sobre a declaração na semana passada em que comparou servidores públicos a parasitas, o ministro repetiu que a fala foi tirada de contexto. Ele disse que o Estado se torna parasitário quando tem mais de 95% do orçamento comprometido com o pagamento de salários. “Não estava me referindo a pessoas, que são sérias. Estava falando do ente público”. COM VEJA.

Jornalistas fazem manifestos de repúdio a ataques a repórter da 'Folha'

RIO — O ataque à reputação da jornalista Patrícia Campos Mello, na CPMI das Fake News e no Twitter do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), levou mulheres, de veículos de norte a sul do país, a assinar manifestos em repúdio às difamações contra a repórter. Hans River do Nascimento, um ex-funcionário da empresa Yacows, afirmou, em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito, que a jornalista se “insinuou sexualmente”a ele em troca de uma reportagem, de outubro de 2018, sobre disparos em massa via Whatsapp, durante a campanha de Jair Bolsonaro à Presidência. Hoje as redações do país são compostas por mais de 60% de profissionais mulheres.

Leia também: 'Folha' desmente depoimento de testemunha que ofendeu jornalista na CPMI das Fake News

Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República, reproduziu as declarações de Nascimento em seu Twittter, e, mais tarde, no plenário da Câmara.

— Fiquei aqui perplexo em ver, mas não duvido, que a senhora Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha, possa ter se insinuado sexualmente, como disse o senhor Hans (River, ex-funcionário da Yacows), em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do presidente Jair Bolsonaro — disse Eduardo.

A repercussão do episódio chegou até o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que divulgou uma nota na qual não se refere diretamente ao caso de Hans River do Nascimento, mas afirma que prestar falso testemunho em uma CPI é crime.

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Com estragos, fake news seguem a lógica do me engana que eu gosto

Vera Iaconelli / FOLHA DE SP

Se Otelo, o mouro, tivesse se dado ao trabalho de averiguar a veracidade da prova forjada por Iago do adultério da esposa, a tragédia supostamente atribuída a Shakespeare (Otelo, O Mouro de Veneza, 1603) não teria razão de ser.

É claro de que a ideia misógina de Otelo, de que Desdêmona lhe pertencia e não poderia ser de outro homem, também é condição para o desfecho da tragédia. Otelo sucumbe à fake news, Desdêmona ao feminicídio —mais atual impossível.

O ato desesperado do herói emerge da infeliz conjunção entre: as intenções de Iago de obter vingança e poder a qualquer custo, o uso deliberado de fake news para esse fim, as inseguranças do enganado e o caldo de cultura racista e misógino que fragilizava a figura do casal.

Como a maldade humana não têm limites, não chega a ser inusitado que o alferes Iago fizesse de tudo para destruir Otelo, que promoveu o soldado Cássio a tenente, preterindo-o. Não há novidade aqui, mas coube ao bardo inglês o mérito de criar um dos personagens mais ricos de sua vasta coleção ao exemplificar um fato humano estrutural: a inveja é uma merda.

Se da inveja e da maldade não escapamos, pois dos afetos nunca nos livramos totalmente, por outro lado, somos inteiramente responsáveis pelo que fazemos com eles. Daí a punição exemplar do personagem —punição essa que parece, cada vez mais, só existir na ficção. Otelo, por sua vez, se suicida por remorso e tristeza.

Embora Iago tenha levado a pior no final, saímos penalizados pela morte do casal que tinha tudo para viver a juventude, o amor e o prestígio que a vida lhe ofertava.

Quanto tempo desperdiçado, quanto estrago —por vezes irreparável— se dá quando nos deixamos levar pela emoção sem a mínima reflexão.

O que pode estar em jogo aí?

A má-fé do vilão que planta a fake news não prescinde de uma conjunção favorável. 

Iago já havia tentado queimar o filme de Otelo com o sogro, espalhando que Desdêmona teria sido enfeitiçada para aceitar casar com ele.

Nesse momento, o herói consegue convencer a todos de seu amor pela jovem, dissipando as suspeitas.

Do seu amor por ela, ele tinha certeza, mas do amor dela por ele, não. Afinal, ele era mouro, ela veneziana; ele era negro, ela branca; ele era estrangeiro, ela nativa. 

O sujeito que se deixa levar pela mentira plantada tem sua parcela de culpa, paga o preço de seu auto-engano e causa terríveis estragos ao seu redor. 

As fake news têm seus efeitos mais deletérios no terreno fértil dos medos inconfessáveis e das crenças arraigadas, ainda que inconscientes.

É a fantasia subliminar de que mulheres sempre seduzem e sempre traem, de que negros são necessariamente pobres, de que roubam, de que pobres são preguiçosos, de que homossexuais são pedófilos e tarados, que serve de lastro para a mentira ardilosa se infiltrar com facilidade no tecido social.

Além dos nossos preconceitos mais estruturais —o outro é sempre visto como uma ameaça—, vivemos também a permanente busca por garantias absolutas que nos levam a decepções catastróficas. 

Foi assim que a crença religiosa, que era a resposta para toda a angústia humana, deu lugar à fé na ciência, panaceia do homem moderno. Foi assim que o mito lulista —fadado à derrocada— deu lugar ao mito bolsonarista —indo para o mesmo ralo, com resultados catastróficos.

As fake news precisam ser combatidas com controles, condenações e punições de sujeitos, que —como podemos ver no exemplo de Iago— só têm interesses pessoais de ascender e se manter no poder a qualquer custo.

Mas também é necessário o diálogo com pessoas que se sentem profundamente ameaçadas diante das mudanças de costumes, das conquistas das minorias (que são a maioria da população) e decepcionadas por acreditarem em mitos —que sempre se revelam fake.

Apoio total à jornalista Patrícia Campos Mellodifamada na CPI das Fake News, que não serve de exemplo de vítima shakespeariana, pois levanta sua voz com e em nome de todos nós.

 

Greve dos petroleiros chega ao STF e Petrobras ameaça descontar salários

Nicola Pamplona / FOLHA DE SP
RIO DE JANEIRO

O embate entre petroleiros grevistas e a direção da Petrobras chegou nesta quarta (12) ao STF (Supremo Tribunal Federal). A greve da categoria completou 12 dias, e a estatal ameaça descontar salários dos empregados parados. 

Segundo a FUP (Federação Única dos Petroleiros), cerca de 20 mil empregados aderiram à greve e há mobilizações em 108 unidades da companhia, entre plataformas, refinarias e terminais.

A Petrobras obteve do presidente do STF, Dias Toffoli, decisão que confirma posicionamento do TST (Tribunal Superior do Trabalho) sobre aplicação de multas aos sindicatos que não garantirem 90% do efetivo nas unidades operacionais.

Na decisão Toffoli cita dados da Petrobras sobre o baixo comparecimento de trabalhadores nessas unidades. 

Na segunda-feira (10), diz a estatal, ninguém apareceu na Refinaria de Capuava e na unidade de processamento de xisto no Paraná, por exemplo. Na refinaria de Paulínia, a maior do país, apenas 7% do contingente previsto foi trabalhar.

As operações estão sendo feitas por equipes de contingência. Na semana passada, a estatal obteve autorização para contratar trabalhadores temporários. Segundo sindicatos, a empresa está buscando aposentados com a oferta de R$ 150 por hora.

Procurada, a empresa não respondeu quantos temporários pretende contratar nem qual o salário oferecido.

Toffoli confirmou liminar proferida pelo ministro do TST Ives Gandra, que impôs bloqueio nas contas dos sindicatos para o pagamento de multas pelo descumprimento dos contingentes mínimos de 50%.

A Petrobras diz que a decisão do presidente do STF "reconheceu a legitimidade de aplicação de multa, desconto de dias parados e 'outras medidas de caráter coercitivo necessárias ao restabelecimento das atividades essenciais'".

Segundo a FUP, a empresa já avisou que haverá descontos no pagamento do dia 21 de fevereiro. "Como a greve é legal, a medida e descabida", diz a entidade, que chamou os descontos de "retaliação".

A federação informou ainda que vai recorrer da decisão de Toffoli, como já havia feito no TST, alegando que já questionou a Petrobras quantos empregados são necessários para manter o contingente mínimo de 90% e que não há piquetes nas portas das unidades.

"A participação de trabalhadores na greve é espontânea", diz a FUP. A paralisação tem como objetivo reverter demissões com o fechamento da fábrica de fertilizantes Araucária Nitrogenados, no Paraná.

Os sindicatos dizem que se comprometeram a não prejudicar o abastecimento nacional de petróleo e derivados e acusam a empresa de fazer terrorismo com relação aos riscos de falta de produtos. 

"A Petrobras usa dois discursos para tratar da questão do desabastecimento da forma que melhor lhe convém. Nos autos dos processos, alega que há desabastecimento, e para a imprensa emite notas dizendo que a situação está normalizada."

Representantes do setor de combustíveis ouvidos ela Folha dizem que, até o momento, não tiveram problemas para retirar produtos nas instalações da estatal.

A companhia anunciou nesta quarta que obteve decisão do ministro do obteve decisão do ministro que preside a corte, Dias Toffoli,

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