Trump culpa retórica da ‘esquerda radical’ pelo assassinato de Charlie Kirk
Por Redação / ESTADÃO DE SP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou a retórica da “esquerda radical” de ter contribuído para o assassinato a tiros nesta quarta-feira, 10, de um de seus aliados políticos, o influenciador Charlie Kirk, a quem classificou de “mártir da verdade”.
Kirk, de 31 anos e figura de renome da juventude de direita, morreu após ser atingido por um disparo durante um evento na Utah Valley University, no oeste do país.
Segundo o FBI, um suspeito foi detido e liberado mais tarde, na noite de quarta-feira. A busca pelo atirador continua e os motivos do atentado ainda não foram esclarecidos.
“Durante anos, os da esquerda radical têm comparado americanos maravilhosos como Charlie com nazistas e os piores assassinos em massa e criminosos do mundo”, disse Trump em um vídeo publicado horas depois do ataque nas redes sociais.
“Esse tipo de retórica é diretamente responsável pelo terrorismo que estamos vendo em nosso país hoje, e deve parar agora”, afirmou. O mandatário prometeu que seu governo “encontrará cada um dos que contribuíram para esta atrocidade e para outras violências políticas, incluindo as organizações que os financiam e apoiam”.
Assim como Trump, vários nomes da direita americana se referiram a Kirk como um “mártir” caído em defesa dos valores conservadores e cristãos. A tragédia foi captada por vários vídeos que, em segundos, inundaram as redes sociais. Neles, Kirk aparece falando sob uma tenda diante de milhares de pessoas, quando se ouve o som de um único disparo. Na gravação, vê-se Kirk caindo de sua cadeira e escutam-se gritos de pânico entre o público.
“O Grande, e até mesmo lendário Charlie Kirk, morreu”, escreveu Trump em sua rede Truth Social. “Ninguém compreendia ou conquistava o coração da juventude dos Estados Unidos melhor do que Charlie”, acrescentou. /AFP

Correios rumo ao precipício
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
O extraordinário rombo dos Correios no primeiro semestre deste ano, mais do que o triplo do prejuízo bilionário do mesmo período do ano passado, dirimiu qualquer dúvida – se é que ainda restava alguma – sobre a viabilidade de manter a empresa sob controle estatal.
O saldo deficitário de janeiro a julho, de R$ 4,37 bilhões, não apenas escancarou a piora em relação à primeira metade de 2024 (R$ 1,35 bilhão negativo) como já representa aumento de quase 70% em relação ao prejuízo de todo o ano passado, de R$ 2,6 bilhões.
Trata-se de uma derrocada espantosa, que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, candidamente atribuiu à permissão para que outras empresas ingressassem no mercado de entrega de encomendas, deixando aos Correios o “passivo de ter de entregar cartas nas regiões mais remotas do País”. Se o ministro realmente crê nessa tese não se sabe, mas foi a desculpa que usou, em entrevista à Rede Bandeirantes, ao alegar que os Correios ficam “com o osso” enquanto outras empresas dividem “o filé mignon e a picanha”.
Ora, “entregar cartas em regiões mais remotas” não justifica um prejuízo equivalente a mais da metade do faturamento dos Correios, da ordem de R$ 8,2 bilhões. Ademais, a rigor, não havia monopólio sobre a entrega de encomendas, razão pela qual empresas privadas do setor há décadas atuam livremente no País.
O que o ministro Haddad não pode admitir, porque é petista, é que o rombo dos Correios é resultado da submissão da empresa a interesses político-partidários, como sói acontecer com quase todas as estatais, especialmente quando estão sob comando do PT ou de seus associados.
O fato é que sob a gestão Lula a companhia vive o pior momento de sua história, na situação incomum de permanecer há mais de dois meses sob uma presidência demissionária. No início de julho, Fabiano Silva dos Santos entregou a Lula sua carta de demissão, mas está sendo mantido até a escolha do sucessor, cargo disputado entre o PT e o União Brasil, do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Eis aí o retrato da situação que desembocou no balanço deficitário dos Correios, que o advogado Fabiano dos Santos por certo esperava sanar com seu MBA em Gestão Estratégica de Empresas. O loteamento de cargos, a disputa política, a gestão de negócios submetida a interesses do governo de ocasião são problemas que atingem não apenas a empresa, mas também seu fundo de pensão – basta lembrar que o Postalis já foi e ainda é investigado por malversação de recursos, tendo ex-diretores já condenados pelo Tribunal de Contas da União.
A diretoria dos Correios é dividida entre ungidos pelo PT e pelo União Brasil e a expectativa é de que saia desse grupo o nome do novo presidente da empresa. Não é preciso ser profeta para prever que a mudança na direção nada representará – a não ser, talvez, para os principais interessados no controle da empresa. A transferência à iniciativa privada, em modelo que preserve a universalidade do serviço postal ou até mesmo a fragmentação dos serviços, como cogitado no programa que vinha sendo desenhado no BNDES, é o único caminho possível para recuperar a empresa.
Ao invés disso, as soluções buscadas são de mais endividamento, como o empréstimo de R$ 4 bilhões que está sendo negociado com o Banco do Brics – presidido pela petista Dilma Rousseff – e/ou aporte de valor semelhante pelo governo, que já não tem de onde tirar recursos para as próprias necessidades.
Disputando mercado com empresas que investiram pesado em tecnologia para concorrer na entrega de encomendas, aproveitando a explosão do comércio digital, os Correios marcham celeremente para a obsolescência, ditada pela ideologia de um governo incapaz de acompanhar a evolução da sociedade. A situação da estatal de fato “inspira cuidados”, para usar a expressão do ministro Haddad, mas não apenas isso. Exige dos agentes públicos a responsabilidade de propor a única solução possível para manter seu funcionamento.
Fux vota pela condenação de Cid por abolição violenta do Estado Democrático de Direito
Juliano Galisi, Karina Ferreira, Weslley Galzo, Gustavo Côrtes, Carolina Brígido, Guilherme Caetano, Adriana Victorino, Rayanderson Guerra, Hugo Henud, Pedro Augusto Figueiredo e Zeca Ferreira / O ESTADÃO DE SP
SÃO PAULO E BRASÍLIA – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, terceiro a se manifestar na ação penal da trama golpista, votou nesta quarta-feira, 10, pela condenação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid pelo crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Destaques
Em sessão que já dura mais de seis horas, Fux divergiu dos ministros Alexandre de Moraes, relator do caso, e Flávio Dino e afastou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os outros sete réus pelo crime de organização criminosa. Agora, ele analisa o caso de cada réu.
Segundo Fux, na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), não se “preenche a tipicidade à luz de tudo quanto aqui afirmei e por não se verificar presente os elementos do tipo penal”. “Não permite outro caminho, senão o de julgar improcedente a acusação no que tange a imputação.”
Ao longo da semana, ainda vão se manifestar Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, presidente da Turma. O resultado do julgamento deve ser proclamado na sexta-feira, dia 12. A avaliação na Corte é que o julgamento do “núcleo crucial” da trama golpista termine antes do previsto, sem a necessidade da sessão agendada para a tarde.
Bolsonaro e os outros réus são acusados por organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União. A PGR pediu a condenação do ex-presidente por todos os crimes listados que, somados, podem ultrapassar 40 anos de prisão. A dosimetria da pena ainda será definida pelos ministros, em caso de condenação.
Acompanhe ao vivo
Fux vota para absolver Garnier por organização criminosa
Assim como no caso de Cid, Fux vota pela absolvição de Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, pelo crime de integrar organização criminosa armada. O ministro voltou a afirmar que não houve formação de organização criminosa nem emprego de arma de fogo.
“Não há qualquer evidência de que o réu Almir Garnier tenha aderido a uma tal organização criminosa. Como prova desse crime, a denúncia sustenta que o réu participou de duas reuniões, em 7 e 14 de dezembro de 2022, ocasião em que tenha aderido à suposta organização criminosa, que não é organização criminosa”, diz Fux.
Fux absolve Cid de crimes contra o patrimônio
Fux aceita argumento da defesa de Cid sobre crimes contra o patrimônio, afastando do militar a prática dos crimes de dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. Em seu voto, o ministro diz que Cid não estava presente nos ataques de 8 de Janeiro.
“A gravidade do ocorrido não justifica uma acusação de responsabilidade genérica, sem a devida análise individual da conduta de cada um, especialmente daqueles que nem estavam presentes nos dias dos eventos”, afirma Fux.
Mais adiante, ele afirma que “Cid não pode ser responsabilizado criminalmente pelos crimes de dano qualificado e dano a bem tombado. Não há quaisquer provas nos autos de que o réu Mauro Cesar Barbosa Cid tenha determinado a destruição dos bens”.
Cid estava diretamente envolvido em atos criminosos, diz Fux
Em sua justificativa para condenar Cid pelo crime de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Fux diz que o militar “estava diretamente envolvido no financiamento de atos para manutenção de pessoas nos acampamentos e para prática de atos violentos criminosos destinado a inviabilizar o funcionamento regular dos Poderes e do Estado de Direito”.
Antes, Fux havia indicado que crime de golpe de Estado absorveria o crime de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. Contudo, ao analisar o caso de Cid, afirmou que defende o inverso. Por isso, o voto pela condenação por abolição e não tentativa de golpe.
Ministro diz que Cid estava envolvido na operação Copa 2022
Segundo Fux, a prova nos autos demonstra com clareza que Cid conhecia e estava diretamente envolvido com a Operação Copa 2022, mesmo não estando no grupo de mensagens. A operação tinha como objetivo assassinar Moraes.
“Tanto é verdade que o colaborador esteve na reunião com o coronel De Oliveira e o general Braga Netto em que os R$ 100 mil foram disponibilizados fisicamente ao colaborador. No Palácio da Alvorada, que foi a última versão, mas pouco importa. Isso é um fato inequívoco”, diz Fux.
“A execução de um ministro do Supremo, operação violenta que teve início material com o monitoramento realizado, certamente geraria esse resultado criminoso pretendido de abolir o Estado Democrático de Direito”, continua ele.
Fux vota pela condenação de Cid por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
Ministro cita mensagem de Cid no final de dezembro de 2022 no qual réu reconhece que cabeça está a prêmio, mas que estava agindo pelo Brasil.
“O réu Mauro Cid deve ser responsabilizado criminalmente pelo crime de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito”, diz Fux.
“Os fundamentos que me levam a essa conclusão são os seguintes: ao trocar mensagem em seu celular com Rafael Oliveira, o réu colaborador conversa sobre financiamento de manifestações para iniciar ou incentivar atos para abolir violentamente o Estado Democrático de Direito”, acrescenta o ministro.
Fux diz Mauro Cid não pode ser condenado por organização criminosa armada
O ministro Luiz Fux analisa os cinco crimes atribuídos a Mauro Cid, tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, são eles: golpe de Estado; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; organização criminosa armada; dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da união e com considerável prejuízo para a vítima; e deterioração de patrimônio tombado.
Para Fux, “não há qualquer prova nos autos de que o réu se uniu com mais de quatro pessoas em unidade de desígnios para de forma duradoura praticar número indeterminado de crimes destinados à tomada do poder do Brasil”. Assim, ele não pode ser condenado pelo crime de organização criminosa armada.
“Eu julgo improcedente o pedido de condenação de Mauro Cesar Barbosa Cid pelo crime de organização criminosa”, afirma.
Julgamento é retomado
Fux diz que vai fazer aplicação das premissas teóricas aos réus. Previsão é que voto ainda dure mais de uma hora.
Fux critica associação de atos de 2022 com 8 de Janeiro e analisará as condutas individuais de cada réu
Ministro diz que na volta da sessão analisará se as condutas dos acusados se enquadram nos crimes descritos pela acusação. Ele encerrou essa parte do voto indicando concordar com uma coluna recente do jornalista Elio Gaspari.
“Colocando-se a trama golpista de 2022 no mesmo processo do 8 Janeiro de 2023 esticaram-se as pernas e o pescoço do bicho, encolhendo-se a cabeça. Ficou bonito, até elegante, mas é uma girafa”, afirma Fux ao ler trecho do texto de Gaspari.
Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia conversam no intervalo do julgamento
Definido o intervalo pelo presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin, os ministros Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia conversaram por cerca de três minutos.
O voto do ministro Luiz Fux surpreendeu nesta quarta-feira, tanto pela extensão quando pelo conteúdo. Nos momentos que antecederam o intervalo, Moraes passou alguns segundos olhando para o teto enquanto o colega lia o voto.
Weslley Galzo
Fux vota por condenação de Cid por apenas um dos 5 crimes dos quais o ex-ajudante de ordens é acusado
Fux refuta argumento da PGR de que Bolsonaro deveria garantir ordem no 8 de Janeiro
Fux refuta acusações feitas pela PGR contra Jair Bolsonaro. Para o ministro, diferentemente do que a PGR afirmou na acusação, o ex-presidente não tinha a responsabilidade de manter a ordem durante os ataques de 8 de janeiro de 2023, visto que ele não ocupava mais a Presidência da República. “O denunciado não ocupava mais a posição de chefe de Estado em 8 de janeiro de 2023”, diz.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)Luiz Fux, terceiro a se manifestar na ação penal da trama golpista, votou nesta quarta-feira, 10, pela condenação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid pelo crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Em sessão que já dura mais de seis horas, Fux divergiu dos ministros Alexandre de Moraes, relator do caso, e Flávio Dino e afastou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os outros sete réus pelo crime de organização criminosa. Agora, ele analisa o caso de cada réu.
Segundo Fux, na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), não se “preenche a tipicidade à luz de tudo quanto aqui afirmei e por não se verificar presente os elementos do tipo penal”. “Não permite outro caminho, senão o de julgar improcedente a acusação no que tange a imputação.”
Ao longo da semana, ainda vão se manifestar Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, presidente da Turma. O resultado do julgamento deve ser proclamado na sexta-feira, dia 12. A avaliação na Corte é que o julgamento do “núcleo crucial” da trama golpista termine antes do previsto, sem a necessidade da sessão agendada para a tarde.
Bolsonaro e os outros réus são acusados por organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União. A PGR pediu a condenação do ex-presidente por todos os crimes listados que, somados, podem ultrapassar 40 anos de prisão. A dosimetria da pena ainda será definida pelos ministros, em caso de condenação.
Fux vota para absolver Garnier por organização criminosa
Assim como no caso de Cid, Fux vota pela absolvição de Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, pelo crime de integrar organização criminosa armada. O ministro voltou a afirmar que não houve formação de organização criminosa nem emprego de arma de fogo.
“Não há qualquer evidência de que o réu Almir Garnier tenha aderido a uma tal organização criminosa. Como prova desse crime, a denúncia sustenta que o réu participou de duas reuniões, em 7 e 14 de dezembro de 2022, ocasião em que tenha aderido à suposta organização criminosa, que não é organização criminosa”, diz Fux.
Fux absolve Cid de crimes contra o patrimônio
Fux aceita argumento da defesa de Cid sobre crimes contra o patrimônio, afastando do militar a prática dos crimes de dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. Em seu voto, o ministro diz que Cid não estava presente nos ataques de 8 de Janeiro.
“A gravidade do ocorrido não justifica uma acusação de responsabilidade genérica, sem a devida análise individual da conduta de cada um, especialmente daqueles que nem estavam presentes nos dias dos eventos”, afirma Fux.
Mais adiante, ele afirma que “Cid não pode ser responsabilizado criminalmente pelos crimes de dano qualificado e dano a bem tombado. Não há quaisquer provas nos autos de que o réu Mauro Cesar Barbosa Cid tenha determinado a destruição dos bens”.
Cid estava diretamente envolvido em atos criminosos, diz Fux
Em sua justificativa para condenar Cid pelo crime de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Fux diz que o militar “estava diretamente envolvido no financiamento de atos para manutenção de pessoas nos acampamentos e para prática de atos violentos criminosos destinado a inviabilizar o funcionamento regular dos Poderes e do Estado de Direito”.
Antes, Fux havia indicado que crime de golpe de Estado absorveria o crime de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. Contudo, ao analisar o caso de Cid, afirmou que defende o inverso. Por isso, o voto pela condenação por abolição e não tentativa de golpe.
17h0810/09/2025
Ministro diz que Cid estava envolvido na operação Copa 2022
Segundo Fux, a prova nos autos demonstra com clareza que Cid conhecia e estava diretamente envolvido com a Operação Copa 2022, mesmo não estando no grupo de mensagens. A operação tinha como objetivo assassinar Moraes.
“Tanto é verdade que o colaborador esteve na reunião com o coronel De Oliveira e o general Braga Netto em que os R$ 100 mil foram disponibilizados fisicamente ao colaborador. No Palácio da Alvorada, que foi a última versão, mas pouco importa. Isso é um fato inequívoco”, diz Fux.
“A execução de um ministro do Supremo, operação violenta que teve início material com o monitoramento realizado, certamente geraria esse resultado criminoso pretendido de abolir o Estado Democrático de Direito”, continua ele.
17h0010/09/2025
Fux vota pela condenação de Cid por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
Ministro cita mensagem de Cid no final de dezembro de 2022 no qual réu reconhece que cabeça está a prêmio, mas que estava agindo pelo Brasil.
“O réu Mauro Cid deve ser responsabilizado criminalmente pelo crime de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito”, diz Fux.
“Os fundamentos que me levam a essa conclusão são os seguintes: ao trocar mensagem em seu celular com Rafael Oliveira, o réu colaborador conversa sobre financiamento de manifestações para iniciar ou incentivar atos para abolir violentamente o Estado Democrático de Direito”, acrescenta o ministro.
16h5410/09/2025
Fux diz Mauro Cid não pode ser condenado por organização criminosa armada
O ministro Luiz Fux analisa os cinco crimes atribuídos a Mauro Cid, tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, são eles: golpe de Estado; tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; organização criminosa armada; dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da união e com considerável prejuízo para a vítima; e deterioração de patrimônio tombado.
Para Fux, “não há qualquer prova nos autos de que o réu se uniu com mais de quatro pessoas em unidade de desígnios para de forma duradoura praticar número indeterminado de crimes destinados à tomada do poder do Brasil”. Assim, ele não pode ser condenado pelo crime de organização criminosa armada.
“Eu julgo improcedente o pedido de condenação de Mauro Cesar Barbosa Cid pelo crime de organização criminosa”, afirma.
16h4910/09/2025
Julgamento é retomado
Fux diz que vai fazer aplicação das premissas teóricas aos réus. Previsão é que voto ainda dure mais de uma hora.
16h2510/09/2025
Fux critica associação de atos de 2022 com 8 de Janeiro e analisará as condutas individuais de cada réu
Ministro diz que na volta da sessão analisará se as condutas dos acusados se enquadram nos crimes descritos pela acusação. Ele encerrou essa parte do voto indicando concordar com uma coluna recente do jornalista Elio Gaspari.
“Colocando-se a trama golpista de 2022 no mesmo processo do 8 Janeiro de 2023 esticaram-se as pernas e o pescoço do bicho, encolhendo-se a cabeça. Ficou bonito, até elegante, mas é uma girafa”, afirma Fux ao ler trecho do texto de Gaspari.
16h2010/09/2025
Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia conversam no intervalo do julgamento
Definido o intervalo pelo presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin, os ministros Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia conversaram por cerca de três minutos.
O voto do ministro Luiz Fux surpreendeu nesta quarta-feira, tanto pela extensão quando pelo conteúdo. Nos momentos que antecederam o intervalo, Moraes passou alguns segundos olhando para o teto enquanto o colega lia o voto.
Weslley Galzo / O ESTADÃO DE SP











Juliano Galisi, Karina Ferreira, Weslley Galzo, Gustavo Côrtes, Carolina Brígido, Guilherme Caetano, Adriana Victorino, Rayanderson Guerra, Hugo Henud, Pedro Augusto Figueiredo e Zeca Ferreira
PF investiga Organização social no Rio que já recebeu R$ 1,6 bilhão de recursos públicos
Por Jéssica Marques e Walter Farias — Rio de Janeiro / o globo
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (10), a Operação Antracito para investigar um esquema de desvio de verbas públicas destinadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) no estado do Rio de Janeiro. A ação, realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), apura crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Ao todo, estão sendo cumpridos 16 mandados de busca e apreensão em sete cidades do estado: Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Saquarema, Rio Bonito, Santa Maria Madalena e Cachoeiras de Macacu.
A investigação, iniciada pela Delegacia da Polícia Federal em Macaé, tem como foco na organização social Prima Qualitá Saúde, contratada por diferentes prefeituras entre 2022 e 2024. Somente nesse período, os contratos somaram R$ 1,6 bilhão, sendo que R$ 91 milhões são de recursos federais.
Municípios como Duque de Caxias, São Gonçalo, Arraial do Cabo, Saquarema, Cachoeiras de Macacu, Santa Maria Madalena, Cordeiro e Quissamã aparecem entre os que firmaram acordos com a entidade.
Segundo auditorias da CGU e do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), foram encontradas graves irregularidades nas contratações, incluindo ausência de critérios objetivos de seleção, falta de comprovação de prestação dos serviços e direcionamento de contratos para empresas recém-criadas.
— Foi possível constatar a contratação de empresas recém-criadas para atuar junto a OS, contratação de empresas pertencentes a ex-dirigentes ou dirigentes da OS, contratação de empresas de amigos do presidente da Organização (seja por vínculo associativo ou partidário), além da falta seleção objetiva de pessoal e ausência de comprovação de despesas recebidas — afirmou Adriano Espindula Soares, Chefe da Delegacia da PF em Macaé.
"De acordo com Adriano, também foi possível verificar que valores que deveriam ser destinados à saúde foram aplicados em despesas diversas, como consultorias e serviços jurídicos de pessoas ligadas aos dirigentes da organização social. Os investigados poderão responder por peculato, associação criminosa e lavagem de capitais.
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Erro de estratégia
Por Merval Pereira / o globo
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, está errando na estratégia. O discurso virulento de domingo, diante da multidão de bolsonaristas na Avenida Paulista, pode ter o condão de garantir-lhe os votos da parcela radical do bolsonarismo e provavelmente a boa vontade futura do ex-presidente. Tarcísio tenta dar provas de fidelidade para garantir o apoio de Bolsonaro, que, ambos sabem, não será elegível para 2026. Faz tudo para que o ex-presidente o apoie quando se convencer de que não disputará. No entanto está errando a dose. Pode estar ganhando apoio do bolsonarismo mais radical, mas perdendo o do eleitorado centrista.
Tarcísio tem um problema adicional a pressioná-lo: prazo de desincompatibilização. Ele e os demais governadores devem deixar os cargos até abril de 2026 se quiserem se candidatar à Presidência. Precisa, portanto, de uma definição de Bolsonaro até esse limite para que decida seu futuro.
Foi o eleitor de centro-direita que decidiu a eleição passada a favor de Lula, acreditando que ele seria um presidente de conciliação. No ano que vem poderia defini-la a favor de um candidato antipetista moderado. A disputa entre Lula e Bolsonaro só interessa aos dois, e é preciso aparecer um candidato que introduza uma dúvida no eleitor, no sentido de haver alternativa à dupla.
Sempre que existe polarização, existe a possibilidade de uma terceira via. Foi assim quando os tucanos e os petistas disputaram durante anos a Presidência. A hoje ministra Marina Silva, o ex-governador Ciro Gomes, o falecido governador de Pernambuco Eduardo Campos, todos foram tentativas bem-sucedidas de oferecer alternativas ao eleitorado, mas nenhum conseguiu chegar ao segundo turno. No futebol, tivemos a predominância por anos de Cristiano Ronaldo e Messi. Só depois que os dois se aproximaram da aposentadoria abriu-se espaço a um tertius, que poderia ser Neymar se tivesse maturidade, Vini Jr., Rodri ou Mbappé. No tênis, surgiu Djokovic no meio do caminho entre Federer e Nadal, e existe a perspectiva de que o brasileiro João Fonseca possa vir, no futuro, a disputar com Alcaraz e Sinner.
Tarcísio erra ao enveredar pela retórica agressiva porque o bolsonarista radical não tem escolha: no segundo turno, votaria nele. Os governadores de direita que se apresentam como pré-candidatos — Ronaldo Caiado, de Goiás; Ratinho Jr., do Paraná; Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul; Romeu Zema, de Minas Gerais — se unirão ao que alcançar o segundo turno contra Lula. Caso Bolsonaro parta para a decisão absurda de criar uma chapa familiar, ou mesmo apenas encabeçada por alguém da família, entrará na eleição com apoio minoritário, porque a direita terá outras opções no primeiro turno.
Aparentemente, Tarcísio não disputaria contra Bolsonaro. Sem o apoio, deve preferir disputar a reeleição em São Paulo, onde está bem avaliado. Se a direita for para uma candidatura radical, e Lula vier para o centro, mais uma vez será eleito. É muito difícil que Bolsonaro ganhe na radicalização, ainda mais agora que a bandeira dos bolsonaristas, aquela que “jamais seria vermelha”, transformou-se na stars and stripes dos Estados Unidos.
Os antipetistas podem até se unir no segundo turno para derrotar Lula, mas esse movimento seria mais natural se houvesse um candidato como a direita moderada imagina que seria o Tarcísio verdadeiro, um conservador não radicalizado. Ele tinha valor — digo “tinha”, porque tem perdido essa importância — para trazer o centro para a direita, não permitir que mais uma vez Lula vença prometendo um governo de conciliação que não entrega. Do jeito que vai, pode perder o grande apoio que poderia ter do centro. Na retórica, vai muito para a radicalização e ficará preso numa bolha.
Governador de São Paulo Tarcisio de Freitas — Foto: Vanessa Carvalho/Valor

