PF investiga Organização social no Rio que já recebeu R$ 1,6 bilhão de recursos públicos
Por Jéssica Marques e Walter Farias — Rio de Janeiro / o globo
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (10), a Operação Antracito para investigar um esquema de desvio de verbas públicas destinadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) no estado do Rio de Janeiro. A ação, realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), apura crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Ao todo, estão sendo cumpridos 16 mandados de busca e apreensão em sete cidades do estado: Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Saquarema, Rio Bonito, Santa Maria Madalena e Cachoeiras de Macacu.
A investigação, iniciada pela Delegacia da Polícia Federal em Macaé, tem como foco na organização social Prima Qualitá Saúde, contratada por diferentes prefeituras entre 2022 e 2024. Somente nesse período, os contratos somaram R$ 1,6 bilhão, sendo que R$ 91 milhões são de recursos federais.
Municípios como Duque de Caxias, São Gonçalo, Arraial do Cabo, Saquarema, Cachoeiras de Macacu, Santa Maria Madalena, Cordeiro e Quissamã aparecem entre os que firmaram acordos com a entidade.
Segundo auditorias da CGU e do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), foram encontradas graves irregularidades nas contratações, incluindo ausência de critérios objetivos de seleção, falta de comprovação de prestação dos serviços e direcionamento de contratos para empresas recém-criadas.
— Foi possível constatar a contratação de empresas recém-criadas para atuar junto a OS, contratação de empresas pertencentes a ex-dirigentes ou dirigentes da OS, contratação de empresas de amigos do presidente da Organização (seja por vínculo associativo ou partidário), além da falta seleção objetiva de pessoal e ausência de comprovação de despesas recebidas — afirmou Adriano Espindula Soares, Chefe da Delegacia da PF em Macaé.
"De acordo com Adriano, também foi possível verificar que valores que deveriam ser destinados à saúde foram aplicados em despesas diversas, como consultorias e serviços jurídicos de pessoas ligadas aos dirigentes da organização social. Os investigados poderão responder por peculato, associação criminosa e lavagem de capitais.
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