Ceará tem risco de ‘chuvas intensas’ e ‘acumuladas’ em 92 cidades até quarta (6)
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) publicou neste domingo (3) um aviso de perigo potencial de chuvas intensas e acumuladas para 92 cidades do Ceará. O aviso segue até quarta-feira (6). Serão afetados noroeste e sertões cearenses.
Segundo a entidade, há risco de chuva entre 20 e 30 mm/h ou até 50 mm/dia, ventos intensos (40-60 km/h). Há também um baixo risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas.
Além disso, há também um aviso de ‘acumulado de chuva’ que se estende até a terça-feira (5). Há perigo potencial, ainda que baixo, segundo o Inmet, de alagamentos e pequenos deslizamentos, em cidades com tais áreas de risco. Esse se estende também, além das duas regiões citadas, ao norte cearense.
CUIDADOS
- Em caso de rajadas de vento: não se abrigue debaixo de árvores, pois há leve risco de queda e descargas elétricas e não estacione veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.
- Evite enfrentar o mau tempo.
- Observe alteração nas encostas.
- Evite usar aparelhos eletrônicos ligados à tomada.
- Obtenha mais informações junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (telefone 193).
CIDADES COM PERIGO DE CHUVAS FORTES
- Barroquinha
- Camocim
- Carnaubal
- Chaval
- Crateús
- Croatá
- Granja
- Guaraciaba do Norte
- Ibiapina
- Ipaporanga
- Ipueiras
- Poranga
- São Benedito
- Tianguá
- Ubajara
- Viçosa do Ceará
CIDADES COM PERIGO DE ACUMULADO DE CHUVA
- Acarape
- Acaraú
- Alcântaras
- Alto Santo
- Amontada
- Apuiarés
- Aquiraz
- Aracati
- Aracoiaba
- Aratuba
- Barreira
- Baturité
- Beberibe
- Bela Cruz
- Camocim
- Canindé
- Capistrano
- Caridade
- Cariré
- Cascavel
- Caucaia
- Choró
- Chorozinho
- Coreaú
- Cruz
- Eusébio
- Forquilha
- Fortaleza
- Fortim
- Frecheirinha
- General Sampaio
- Granja
- Groaíras
- Guaiúba
- Guaramiranga
- Horizonte
- Ibaretama
- Ibicuitinga
- Icapuí
- Irauçuba
- Itaiçaba
- Itaitinga
- Itapajé
- Itapipoca
- Itapiúna
- Itarema
- Itatira
- Jaguaruana
- Jijoca de Jericoacoara
- Limoeiro do Norte
- Maracanaú
- Maranguape
- Marco
- Martinópole
- Massapê
- Meruoca
- Miraíma
- Morada Nova
- Moraújo
- Morrinhos
- Mulungu
- Ocara
- Pacajus
- Pacatuba
- Pacoti
- Palhano
- Palmácia
- Paracuru
- Paraipaba
- Paramoti
- Pentecoste
- Pindoretama
- Quixadá
- Quixeré
- Redenção
- Russas
- Santana do Acaraú
- Santa Quitéria
- São Gonçalo do Amarante
- São João do Jaguaribe
- São Luís do Curu
- Senador Sá
- Sobral
- Tabuleiro do Norte
- Tejuçuoca
- Tianguá
- Trairi
- Tururu
- Umirim
- Uruburetama
- Uruoca
- Viçosa do Ceará

Morre o ex-deputado federal cearense Régis Barroso, aos 84 anos
O ex-deputado federal, empresário e advogado Francisco Régis Monte Barroso morreu neste domingo (3), aos 84 anos. O cearense teve vasta atuação na vida pública e deixa um legado marcado por atuação nos bastidores do poder público com diálogo e discrição.
O velório será realizado nesta segunda-feira (4), às 8h, na funerária Eternus. Em seguida, haverá a missa de corpo presente, às 10h, antes da cremação do corpo.
Régis deixa dois filhos, Igor Queiroz Barroso, do casamento com Myra Eliane Vidal Queiroz, e Fabiana Nóbrega Barroso, da união com Heloísa Nóbrega.
"Neste momento de saudade, Igor Queiroz Barroso e família agradecem o apoio recebido e pedem orações ao Pai do Céu para que receba Francisco Regis Monte Barroso em sua morada eterna", declarou a família, em nota de pesar.
Quem foi Régis Barroso?
Francisco Régis Monte Barroso teve uma trajetória em diversos campos de atuação, desde cargos públicos a gerências do setor privado.
No Governo do Ceará, Régis foi oficial do Gabinete Estadual entre 1959 e 1960, e Chefe da Casa Civil do Estado, onde ficou de 1961 a 1963, durante a gestão do pai, Parsifal Barroso, em "função estratégica na coordenação administrativa e na articulação política".
Seguindo os passos do pai na política, Régis teve mandato de deputado federal entre 1967 e 1971, pelo extinto partido Arena. Segundo a família do cearense, disse na nota de falecimento, ele foi o mais jovem deputado federal eleito no Brasil, à época.
Em seu currículo, Régis também já foi procurador, presidente da Bolsa de Valores do Ceará, diretor de Crédito do Banco de Desenvolvimento do Estado, vice-presidente da Federação das Indústrias, e vice-presidente da Fundação Edson Queiroz.
O advogado ainda possuía o título de doutor em Direito Público pela Universidade Federal do Ceará (UFC), obtido em 1965.
Leia a nota de pesar completa
Faleceu neste domingo (03), Francisco Régis Monte Barroso, figura pública cearense que integrou uma das mais tradicionais famílias políticas do Estado do Ceará, marcada por gerações de atuação na vida pública.
Filho de Parsifal Barroso e de Olga Monte Barroso, Régis cresceu em um ambiente profundamente ligado à política e à administração pública. Seu pai, Parsifal Barroso, teve destacada trajetória nacional e estadual, tendo sido deputado federal, senador, governador do Ceará (1959–1963) e ministro do Trabalho, Indústria e Comércio no governo de Juscelino Kubitschek, entre 1956 e 1958. Já sua Mãe, Olga, foi pioneira na concepção de atuação de mulher na política, sobretudo em projetos sociais e intelectuais.
Seguindo essa tradição, Francisco Régis ingressou precocemente na vida pública, sendo eleito deputado federal, o mais jovem eleito no Brasil à época.
Antes disso, exerceu papel de grande relevância ao atuar como chefe da Casa Civil do Governo do Ceará durante a gestão de seu pai, Parsifal Barroso (1959–1963), função estratégica na coordenação administrativa e na articulação política do governo estadual.
Ao longo de sua trajetória, destacou-se pela discrição, habilidade de diálogo e atuação nos bastidores da gestão pública, contribuindo para a condução de temas relevantes para o Ceará.
No campo pessoal, Francisco Régis Monte Barroso foi casado com Myra Eliane Vidal Queiroz, filha de Edson e Yolanda Queiroz, com quem teve um filho, o empresário Igor Queiroz Barroso. Também foi casado com Heloísa Nóbrega, com quem teve uma filha, Fabiana Nóbrega Barroso.
No âmbito familiar, era reconhecido como um homem reservado, profundamente ligado à família e às suas origens, mantendo vivos os valores herdados de sua linhagem.
Sua trajetória pública permanece associada à continuidade de uma importante linhagem política do Ceará, contribuindo para a vida institucional do estado tanto no exercício de mandatos quanto em funções estratégicas de governo. Sua atuação discreta e eficaz consolidou sua presença como um articulador relevante na administração pública cearense.
Vitória da ciência brasileira
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
A ciência brasileira está em festa: nasceu em Piracicaba, no interior paulista, após quase quatro meses de gestação, saudável e com 1,7 quilo, o primeiro porco clonado na América Latina criado para fornecer órgãos e tecidos aos seres humanos. Trata-se de um feito sem precedentes na área do chamado xenotransplante, a técnica de transplantes entre espécies.
Os porcos são os animais ideais para isso: são domesticados, reproduzem-se bem em cativeiro, têm ninhadas grandes e o tamanho e funcionamento dos seus órgãos e tecidos são semelhantes aos dos humanos. Promissora, a ideia é ter um plantel para atender às demandas do SUS por rim, córnea, coração e pele.Programar geneticamente um porco não é uma tarefa fácil. Mas cientistas da Universidade de São Paulo (USP), liderados pelo cirurgião Silvano Raia (pioneiro dos transplantes de órgãos no País, falecido no dia 28 passado), pela geneticista Mayana Zatz e pelo imunologista Jorge Kalil, superaram esse obstáculo. Foram necessários, para isso, quase seis anos de muita dedicação, com frustrações no meio do caminho.
E essa conquista não se limita a uma jornada que começou em 2019 e acabou em março de 2026, com o nascimento do porco: a programação genética do animal, com a inativação de três genes que causam rejeição, e a inserção de sete genes humanos que facilitam a compatibilidade, decorre do conhecimento científico produzido e acumulado ao longo de décadas em pesquisas genômicas no Brasil.Essa clonagem, aliás, é um bom exemplo de como as mentes brilhantes brasileiras podem ir muito longe, sobretudo quando o setor público e a iniciativa privada juntam esforços na busca de soluções para o bem comum.
Isso porque a pesquisa da USP contou com uma bem-sucedida cooperação entre a instituição e uma indústria farmacêutica, promovida pelo Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (Pite), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A EMS patrocinou o projeto a fundo perdido. E o resultado alcançado prova que vale muito a pena investir em ciência no Brasil.
Tudo isso projeta o País no cenário internacional como um player científico de peso. A programação genética de um porco para torná-lo compatível com transplante em humanos representa o desenvolvimento e o domínio de uma tecnologia estratégica em solo nacional que até então avançava a passos largos nos EUA e na China. Detentor dessa tecnologia, o Brasil não dependerá desses países, o que lhe dará, além da autossuficiência, uma incontestável liderança regional, com a ambição de projetar São Paulo como a capital latino-americana do xenotransplante.
E, não menos importante, dominar essa técnica de clonagem trará ganhos às contas do SUS, responsável pelo maior programa público de transplantes do mundo, que não dependerá de importações. Como se vê, é a ciência brasileira a serviço da saúde pública e, mais importante, a serviço da vida. Num futuro não muito distante, esse avanço representará mais do que tecnologia: significará esperança a milhares de pacientes da fila do transplante de órgãos e tecidos no Brasil.
Para o PT, o futuro é o passado
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Aprovado no 8.º Congresso Nacional do PT, sob aplausos de sua ao mesmo tempo assustada e tinhosa militância, o manifesto do partido foi apresentado como uma bússola para o País. Nada mais petista do que o que se viu naquele encontro, realizado em Brasília. O documento tem título curioso – “Construindo o futuro” –, ao projetar-se para adiante enquanto revisita longamente o passado sob domínio da legenda. Combina, de forma previsível, o triunfalismo em torno do que Lula teria realizado com o alerta de tom sombrio sobre o que pode nos acontecer caso ocorra o que, para a companheirada, seria impensável: sua derrota em outubro. Fala em longo prazo com retórica inflamada, mas permanece preso ao curtíssimo prazo – a reeleição do presidente. O futuro, aqui, não passa de um nome elegante dado a uma necessidade imediata.
A leitura do manifesto não tarda a revelar o roteiro conhecido. Logo de saída, o PT se entrega ao que sabe fazer como poucos: um longo, minucioso e quase obsessivo arrazoado comparativo entre o terceiro mandato de Lula e a gestão de Jair Bolsonaro. Páginas e páginas são dedicadas a reiterar a velha cantilena de que o País foi entregue em frangalhos, devastado, destruído, uma terra arrasada que só agora estaria sendo reconstruída sob a liderança iluminada do lulopetismo. Há, evidentemente, fatos que não podem ser ignorados. O governo Bolsonaro promoveu desmontes relevantes, sobretudo em educação, ciência e meio ambiente, com custos reais. Também é justo reconhecer resultados pontuais do atual governo. Mas nada disso autoriza o exagero de pintar o Brasil pré-2023 como cenário apocalíptico.
É nesse ponto que emerge o velho vício petista, cultivado desde 2003 como tradição: a “herança maldita”. A lógica é simples. Se o governo vai bem, o mérito é do PT; se vai mal, a culpa é sempre do antecessor. Foi Fernando Henrique Cardoso ontem, é Jair Bolsonaro hoje, será qualquer outro amanhã. Trata-se de um expediente tão repetido que já não convence além dos convertidos. Ao recorrer mais uma vez a essa muleta retórica, o partido revela menos sobre o passado que critica e mais sobre o presente que tenta justificar.
Esse padrão se completa com o maniqueísmo de sempre. Na cosmologia petista, o mundo segue dividido entre o bem (o próprio partido) e o mal, ocupado por qualquer adversário. Não há nuances nem autocrítica, apenas a reafirmação de uma superioridade moral que, de tanto repetida, já perdeu eficácia. O problema é que o tempo passou. Lula está em seu terceiro mandato, o PT acumula décadas no centro do poder, e a insistência em se apresentar como vítima de heranças alheias soa cada vez mais deslocada. Um governo que ainda precisa se explicar pelo passado revela, por contraste, a dificuldade de sustentar um legado próprio.
Quando o manifesto se volta ao futuro, o quadro pouco muda. A lista de propostas é extensa, mas familiar. Passa por reindustrialização conduzida pelo Estado, protagonismo estatal em setores estratégicos, planejamento econômico robusto e soberania produtiva. Tudo embalado em linguagem atualizada, mas ancorado no repertório de sempre. É o desenvolvimentismo clássico reapresentado como novidade. Falta-lhe, sobretudo, concretude. Nesse vazio, cresce a impressão de que o governo Lula 3 ainda não encontrou suas próprias marcas. Administra, reage, ajusta, mas não imprime direção clara. Longe de dissipar essa percepção, o manifesto acaba por cristalizá-la.
Não por acaso, o texto surgiu “amaciado”, desidratado de temas espinhosos. Evitam-se conflitos, suavizam-se formulações, calibram-se palavras, de modo a conciliar a grita habitual da militância do partido enquanto seus morubixabas tentam compensar as agruras políticas do atual mandato à construção de alianças convenientes País afora. O objetivo é não criar ruídos desnecessários, para não comprometer o projeto central. Qual projeto? A reeleição, naturalmente.
No fim, o manifesto cumpre o papel involuntário de expor o esgotamento de uma fórmula e escancara a dificuldade do lulopetismo de sair de si mesmo. O futuro que anuncia não chega a ser uma promessa. É, quando muito, uma reprise, cuidadosamente empacotada, mas reconhecível desde as primeiras linhas.
Lei que redistribui royalties do petróleo é inconstitucional
O Supremo Tribunal Federal (STF) planeja julgar nesta semana a liminar da ministra Cármen Lúcia que suspendeu, em 2013, a Lei 12.734/2012, sobre a distribuição de royalties e participações especiais auferidos com a exploração de petróleo e gás natural. Trata-se de lei flagrantemente inconstitucional. Não tem cabimento estados que não produzem petróleo quererem confiscar parte dos royalties pagos aos produtores. O parágrafo primeiro do artigo 20 da Constituição é cristalino ao dizer que royalties são uma compensação financeira aos entes federativos pela exploração “no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona costeira exclusiva”. É inconcebível que a população dessas regiões arque com os riscos e danos intrínsecos à atividade sem ser devidamente compensada.
Tal entendimento deveria estar claro para todos, mas a demagogia e o oportunismo político, em meio à euforia pela exploração do pré-sal, levaram o Congresso a alterar os critérios de distribuição dos recursos em 2012, reduzindo o percentual de estados e municípios produtores e ampliando o de não produtores. Para corrigir o que alega ser uma distorção na distribuição, a lei usa critérios do Fundo de Participação dos Estados, já declarados inconstitucionais pelo próprio Supremo.
De pouco adianta seus defensores quererem dourar a proposta abdicando dos valores que deixaram de ser repassados entre 2013 e 2025, abrindo mão da inclusão da Margem Equatorial ou alegando que os novos percentuais seriam aplicados de forma escalonada. Trata-se tão somente de confisco de direito legítimo dos estados produtores. Se a lei for mantida, o impacto será colossal. No Rio, estado responsável por 88% da produção de óleo no Brasil, os royalties representam 22% da arrecadação. As perdas podem chegar a R$ 8 bilhões por ano para o estado e a R$ 13 bilhões para os municípios. A mudança afetará o pagamento de servidores públicos e os serviços à população, em especial a segurança.
Os efeitos da exploração não se limitam ao risco maior de acidentes ou poluição. A exploração na Bacia de Campos, ao mesmo tempo que gerou arrecadação maior no Norte Fluminense, provocou explosão populacional, favelização e aumento da violência. A população de Macaé saltou de 132.461 habitantes em 2000 para 246.391 em 2022. Como atender mais gente sem dispor de mais recursos?
A lei afronta dispositivos constitucionais, gera insegurança jurídica, conspira contra o equilíbrio federativo e pode gerar impactos gravíssimos — e irreparáveis. Ao se debruçar sobre o caso, o plenário do Supremo precisa reafirmar o entendimento mantido durante os anos em que permaneceu suspensa. O melhor a fazer é aproveitar a oportunidade para enterrá-la.
Gilmar pressiona Gonet para enquadrar Zema, mas enfrenta resistência na cúpula da PGR Por
COLUNA DA MALU GASPAR Por Rafael Moraes Moura— Brasília / O GLOBO
Após pedir a inclusão do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) no inquérito das fake news por conta da postagem de um vídeo satírico em que era retratado como fantoche, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes tem pressionado nos bastidores o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a dar aval à sua iniciativa. Mas a ofensiva do decano do Supremo de enquadrar o pré-candidato do Novo à Presidência da República enfrenta resistência na cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, Gilmar tem insistido para que Gonet atenda seu pedido, mas vem sendo aconselhado a não fazer nada e deixar o assunto morrer.
Ou, caso decida atender Gilmar, integrantes de sua equipe já sugeriram que ele deixe para algum subordinado o ônus de assinar o parecer favorável ao pedido do ministro, como uma forma de se distanciar do episódio e tentar se blindar das críticas que virão. Não há prazo para o procurador-geral da República escolher qual caminho vai seguir – e, por enquanto, Gonet empurra o encaminhamento do caso.
Gonet foi indicado ao posto de procurador-geral da República e reconduzido ao cargo pelo presidente Lula, com o lobby de Gilmar, de quem foi sócio no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), sediado em Brasília. Os dois são amigos de décadas.
Apreensão
O clima nos bastidores da PGR é de apreensão com o pedido de Gilmar, já que a maioria dos subprocuradores-gerais da República avalia que o Supremo já deveria ter encerrado o inquérito das fake news. O processo foi criado em março de 2019 por iniciativa do então presidente da Corte, Dias Toffoli, para apurar ameaças e ofensas contra integrantes da Corte e seus familiares.
Mas, apesar da pressão da opinião pública, de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de integrantes do próprio STF, o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, não tem dado sinais de que pretende concluir tão cedo as investigações, que se tornaram uma arma para a Corte se proteger de ataques – e perseguir opositores políticos. Em entrevistas recentes, Gilmar disse que o inquérito “vai acabar quando terminar” e afirmou que ele deveria ficar aberto pelo menos até as eleições de outubro.
“A grande maioria de nós acredita que o inquérito tem que ser arquivado porque já exauriu o escopo de investigação e não pode se transformar em algo permanente onde qualquer crítica ao STF seja incluída como fato para investigação”, afirmou ao blog um interlocutor de Gonet que pediu para não ser identificado.
Na opinião de outro integrante da cúpula da PGR, o inquérito se tornou um instrumento de coerção – e o pedido de Gilmar contra Zema vai servir como uma espécie de teste para o chefe do Ministério Público Federal (MPF). “Esse inquérito é um absurdo total e absoluto. Gonet vai ser mais leal ao Gilmar ou à Constituição?”, questionou. “O MPF não pode ser um órgão inerte e cúmplice. Se Gilmar acha que por algum motivo sua honra pessoal foi atingida, ele deveria entrar com uma ação de indenização por danos morais, como fazem os outros mortais quando se sentem lesados.”
Homofobia
Mesmo sem decidir o que fazer com o pedido de Gilmar, Gonet já agiu para blindar o colega. Na semana passada, a PGR arquivou um pedido para abrir uma ação civil pública contra Gilmar devido a declarações do ministro em que cita a homossexualidade como uma possível “acusação injuriosa” contra Zema. Ao analisar o caso, a PGR considerou que a declaração de Gilmar – que numa entrevista indagou aos repórteres do site Metrópoles se não seria ofensiva a fabricação de “bonecos do Zema como homossexual” – foi reconhecida pelo próprio Gilmar “como inadequada, havendo retratação espontânea e pública”.
“Assim, não se verifica, no contexto apresentado, conduta que configure lesão efetiva e atual a direitos coletivos da população LGBTQIA+”,concluiu o procurador da República e chefe de gabinete de Gonet Ubiratan Cazetta, ao determinar o arquivamento do pedido, apresentado pelo advogado e professor Enio Viterbo, que costuma usar as redes sociais para cobrar transparência e fazer críticas à atuação de integrantes do Supremo.
Na avaliação do procurador, não foram identificados no caso de Gilmar “elementos mínimos que indiquem violação relevante e atual a direitos transindividuais [que alcançam grupos, não se limitando a um indivíduo específico], ilícito penal, bem como a necessidade de atuação institucional”.

