Crédito consignado para beneficiários de programas sociais segue para sanção
O Senado aprovou nesta quinta-feira (7) a MPV 1.106/2022, que aumenta o limite de crédito consignado para a maioria dos assalariados, e autoriza essa modalidade de empréstimo também aos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), a Renda Mensal Vitalícia (RMC) e o Auxílio Brasil. Aprovada na forma do projeto de lei de conversão (PLV) 18/2022, a matéria segue para sanção do presidente da República, Jair Bolsonaro. A medida provisória contou com relatório favorável do senador Davi Alcolumbre (União-MP).
Aumento de margem
A MP define em 40% a margem consignável de empregados celetistas, servidores públicos ativos e inativos, pensionistas, militares e empregados públicos. Aposentados do Regime Geral de Previdência (RGPS) terão a margem ampliada de 40% para 45%, mesmo valor aplicado a quem recebe BPC ou RMV. Em todos esses casos, 5% é reservado exclusivamente pra operações com cartões de crédito consignado.
Beneficiários de programas sociais
Para quem recebe o Auxílio Brasil, a margem consignável por empréstimos determinada pela medida provisória é de 40% do valor do benefício. Empréstimo consignado é aquele concedido com desconto automático das parcelas em folha de pagamento ou benefício. A margem consignada é o limite máximo da remuneração que poderá ser comprometida pelo desconto em folha. Já o cartão de crédito consignado funciona como um cartão de crédito na hora da compra, mas a dívida é descontada automaticamente do salário. Geralmente os juros das duas modalidades são diferentes.
Vantagens da ampliação
Davi Alcolumbre afirmou que um aumento moderado da margem de consignação para obter recursos na linha de crédito consignado é vantajoso por ser a opção que representa menores riscos pras instituições financeiras e que menos onera os beneficiários do RGPS e dos programas de transferência de renda.
Ele observou que as taxas de juros mais baixas, no caso dos consignados, decorrem da baixa probabilidade de inadimplência dos beneficiários do INSS, já que a a aposentadoria ou a pensão são descontados automaticamente, pela própria autarquia.
O senador mencionou dados do Banco Central dando conta que a inadimplência da modalidade está entre as mais baixas nas opções de crédito disponíveis pra pessoas físicas. E apontou vantagens para o cidadão de acessar essa linha de crédito.
— A taxa média de juros do sistema financeiro em todas as linhas de crédito está girando em torno de 25,7% ao ano. Já a taxa média de juros do rotativo do cartão de crédito está em 355,2% ao ano. Do cheque especial pras pessoas físicas, em 132,6% ao ano. E do crédito pessoal não-consignado está em 83,4% ao ano. Já a taxa média de juros do crédito consignado é de 36,2% ao ano para trabalhadores do setor privado, 24,8% ao ano pra beneficiários do INSS e 20,4% ao ano pra servidores públicos — disse Davi Alcolumbre.
Ainda com base nos dados do BC, o senador afirmou ser melhor financeiramente, para os que se endividam além da margem máxima recomendável de 30%, obter recursos emergenciais com a garantia da margem consignável, em vez de obtê-los sem garantia em linha de crédito do rotativo do cartão de crédito ou do cheque especial.
Fonte: Agência Senado
Girão comemora criação da CPI do Narcotráfico
O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) lembrou, em pronunciamento nesta quinta-feira (7), ter protocolado em abril o pedido de instalação da CPI do Narcotráfico. O objetivo da comissão é investigar o crime organizado e o narcotráfico e apurar a relação entre o aumento de homicídios de jovens e adolescentes no Brasil entre 2016 e 2020 e essa atividade criminosa.
— Eu protocolei há mais de dois meses e o senhor ontem [quarta-feira] fez a leitura, senhor presidente [do Senado, Rodrigo Pacheco], uma CPI assinada por 34 colegas, que alguns chamam de CPI do crime organizado ou das facções criminosas. Mas o fato é que essa comissão parlamentar de Inquérito vai investigar a expansão do narcotráfico, principalmente nas regiões do país onde os índices de violência explodiram nos últimos quatro anos.
Girão destacou números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, segundo os quais os 14 estados mais violentos do país são das regiões Norte e Nordeste. E a campeã da violência é a cidade de São João do Jaguaribe (CE), com o índice de 224 mortes por 100 mil habitantes.
— A OMS [Organização Mundial da Saúde] considera como limite aceitável um índice de 10 mortes por 100 mil habitantes. Nos últimos 10 anos, foram assassinados 600 mil brasileiros, um número maior do que todos os mortos na guerra da Síria, que já dura 10 anos.
O senador destacou ainda reportagem da revista Veja sobre uma delação de Marcos Valério à Polícia Federal. Condenado à prisão por ter sido operador do esquema do mensalão, o publicitário relatou à PF que haveria ligação entre o Partido dos Trabalhadores (PT), o assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, em 2002, e o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores facções criminosas do país.
— Em 2005, o senhor Marcos Valério entregou R$ 6 milhões a um empresário de Santo André que estaria chantageando o ex-presidente Lula, ameaçando contar detalhes sobre a ligação do PCC com o assassinato de Celso Daniel. Isso é muito grave! A nação precisa de uma resposta — disse Girão.
Fonte: Agência Senado
Comissão aprova projeto que abre renegociação de dívidas de empresas com Pronampe
A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados aprovou projeto que estabelece que a União promoverá a renegociação dos empréstimos contratados por empresas até outubro de 2021 no âmbito do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).
Conforme o Projeto de Lei 4415/21, os créditos concedidos terão prazo de pagamento estendido em até 48 meses, a critério do tomador, e taxa de juros anual máxima de 6% ao ano, a ser aplicada sobre o saldo devedor apurado pela instituição financeira quando da renegociação.
O texto aprovado é de autoria do deputado Efraim Filho (União-PB) e altera a lei que criou o programa de crédito (13.999/20).
Juros
Efraim Filho alega que a elevação recente da taxa de juros oficial da economia (Selic) afetou as empresas de pequeno porte, que perderam vendas. O relator do projeto, deputado Josivaldo JP (PSD-MA), concordou o argumento.
“De fato, houve uma substancial elevação das taxas básicas de juros após a instituição do Pronampe, ocorrida em maio de 2020. Àquela época a meta estipulada para a taxa Selic era de 3% ao ano, sendo que, em junho deste ano essa taxa passou a ser de 12,75% ao ano”, disse Josivaldo Jp.
Iniciativa do Congresso Nacional, o Pronampe é uma linha de crédito subsidiada para microempresas e empresas de pequeno porte. As operações podem ser utilizadas para investimento e capital de giro.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).
Reportagem - Janary Júnior
Edição - Marcia Becker
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Comissão debate desabastecimento de medicamentos em hospitais e farmácias
A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados promove audiência pública na terça-feira (12) para discutir o desabastecimento de diversos medicamentos nas redes pública e privada de saúde.
A deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), autora do requerimento para a realização da audiência, disse que hospitais e farmácias de vários estados têm relatado falta de medicamentos, sendo alguns básicos, como dipirona, antibióticos, soro fisiológico e também remédios de alto custo, para doenças como lúpus, Guillain-Barré e Crohn.
"A Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplantes (ABCDT) teria notificado o Ministério da Saúde sobre a falta de frascos de soro fisiológico, insumo necessário para o tratamento de diálise", disse a deputada.
Entre os motivos para o desabastecimento, segundo ela, estariam os problemas no fornecimento pelo Ministério da Saúde e dificuldades de importação de insumos por causa da guerra na Ucrânia, do lockdown na China e movimentos de protesto de funcionários em portos e aeroportos.
Debatedores
Confirmaram presença na audiência:
- o secretário-executivo da Câmara de Regulação de Mercado de Medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Romilson de Almeida Volotão;
- o presidente da Associação dos Centros de Nefrologia de Santa Catarina, Tarcísio Steffen; e
- o presidente da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplantes, Yussif Ali Mere Junior.
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Alece levanta sessão em homenagem póstuma pela morte do ex-deputado Iranildo Pereira
Minuto de silêncio em homenagem póstuma ao ex-deputado Iranildo PereiraFoto: Júnio Pio
O vice-presidente da Alece, deputado Fernando Santana (PT), que presidiu a sessão, solicitou minuto de silêncio em homenagem póstuma ao ex-parlamentar. Em nome do Legislativo Cearense e dos demais deputados e servidores, Fernando Santana lamentou o ocorrido e solidarizou com a família pela perda.
O deputado Leonardo Pinheiro (PP) também lamentou a morte do ex-parlamentar e destacou a trajetória política e as contribuições de Iranildo Pereira para o estado do Ceará. “Hoje, essa Casa e todo o meio político está enlutado pela perda desse cearense, que foi um grande e verdadeiro lutador pelo povo do Ceará e pelas causas sociais. Enviamos aos familiares do nosso amigo os nossos mais sinceros sentimentos”, disse.
Nascido em 1937, em Santana do Cariri, Iranildo Pereira de Oliveira casou-se com Maria do Carmo Melo de Oliveira, com quem teve dois filhos. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Ceará (UFC), quando assumiu a direção do Departamento de Proteção ao Menor, em 1965.
Na Assembleia Legislativa do Ceará, Iranildo Pereira assumiu mandatos entre 1967 a 1975. Em sua passagem pela Alece, ficou conhecido como deputado que tinha coragem de citar os nomes dos acusados em seus discursos, identificando-se com os “autênticos” do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), grupo do partido que se opunha de forma mais incisiva ao regime militar.
Na Câmara dos Deputados, assumiu como parlamentar federal em 1979, quando atuou na Comissão de Segurança Nacional. Entre 1980 e 1981, participou das comissões de Redação, como vice-presidente; de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas; tornando-se vice-líder do PMDB na Câmara, em 1982.
GS/AT
Informações adicionais
CCJ aprova saneamento básico como direito social na Constituição
O saneamento básico poderá ser reconhecido como um direito constitucional. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (6), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 2/2016, que modifica o artigo 6º da Constituição para tornar o serviço um direito social, assim como educação, saúde, trabalho, moradia, lazer, alimentação, previdência social e segurança. Agora a PEC segue ao Plenário do Senado, onde será submetida a dois turnos de discussão e votação.
A PEC 2/2016, que tem como primeiro signatário o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), recebeu total apoio do relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE).
Levantamento do Instituto Trata Brasil, com base em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), mostrou que 100 milhões de cidadãos não têm acesso ao serviço de coleta de esgotos e 35 milhões não são abastecidos com água tratada. Ainda segundo o Trata Brasil, cada real investido em saneamento gera uma economia de R$ 4 na área de saúde.
Já o site Portal Saneamento Básico lista uma série de doenças decorrentes do não tratamento de água e esgoto. Entre elas estão febre amarela, hepatite, leptospirose e febre tifoide, além de infecções na pele e nos olhos. Embora esteja ligado ao direito à saúde, Randolfe observa que o saneamento costuma ser esquecido, daí a necessidade de ser tratado como um direito social próprio.
“As consequências têm sido muito graves para a qualidade de vida da população, principalmente da parcela mais empobrecida. Nas periferias, nas regiões interioranas e nos grandes centros populacionais, a falta de saneamento básico é problema central para a falta de saúde”, destacou Randolfe.
— O direito social ao saneamento básico relaciona-se diretamente com o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana e com os direitos fundamentais à vida, à saúde, à alimentação e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. A ‘sadia qualidade de vida’ prevista no art. 225 da Carta Magna depende da implementação e adequada gestão dos serviços de saneamento básico — afirmou o relator Rogério Carvalho.
Fonte: Agência Senado
Feminicídio: aprovado projeto que proíbe tese da 'legítima defesa da honra'
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou nesta quarta-feira (6) o projeto de lei da senadora Zenaide Maia (Pros-RN) que proíbe o uso da tese da "legítima defesa da honra" como argumento para a absolvição de acusados de feminicídio. O texto também exclui os atenuantes e redutores de pena relacionados à "forte emoção" no caso de crimes contra as mulheres. A proposta, relatada pelo senador Alexandre Silveira (PSD-MG), segue para a Câmara dos Deputados, se não houver recurso para votação em Plenário.
O PL 2.325/2021 altera o Código Penal (Decreto-Lei 2.848, de 1940) para excluir os atenuantes e redutores de pena relacionados à violenta emoção e à defesa de valor moral ou social nos crimes de violência doméstica e familiar. Em outra mudança, dessa vez no Código de Processo Penal (Decreto-Lei 3.689 de 1941), a proposta proíbe o uso da tese de legítima defesa da honra como argumento pela absolvição no julgamento de acusados de feminicídio pelo tribunal do júri.
Alexandre Silveira afirma que a tese é “ultrapassada e não se concilia com os valores e direitos vigentes na nossa Constituição Federal”.
— É tese que contribui para a objetificação da mulher. Ou seja, reforça a ideia de que a mulher é um objeto que pertence ao seu cônjuge, companheiro — argumentou.
O relator lembra que, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2021, só em 2020 foram registrados 1.350 feminicídios e 230.160 casos de lesão corporal em contexto de violência doméstica e familiar. Nesse período foram concedidas pelos tribunais de justiça 294.440 medidas protetivas de urgência.
— Esse quadro revela, portanto, que a violência contra as mulheres é um problema atual e de enorme gravidade — afirmou Alexandre Silveira.
Para a Zenaide Maia, a tese da "legítima defesa da honra" faz com que a vítima seja apontada como a responsável pelas agressões sofridas e por sua própria morte, enquanto seu acusado é transformado em “heróico defensor de valores supostamente legítimos”. “Apesar do repúdio crescente da sociedade a essas práticas, ainda somos surpreendidos com a apresentação de teses obsoletas nos tribunais do país. Argumentos que buscam justificar a violência contra a mulher, inclusive o feminicídio, como atos relacionados à defesa de valores morais subjetivos”, justifica a autora.
A chamada "legítima defesa da honra" se tornou popular a partir do julgamento, em 1979, de Doca Street, que três anos antes havia assassinado a tiros sua namorada, Angela Diniz, em suas férias em Búzios (RJ). A tese da defesa de Street passou a ser muito usada em situações semelhantes pelo país. E, ainda que tal tese já não seja considerada válida pela Justiça, é comum que a defesa do acusado de feminicídio procure levar o tribunal do júri a desconsiderar a vítima, vilificando seu comportamento, e utilize o argumento da "violenta emoção" para diminuir a pena do assassino.
Fonte: Agência Senado
CCJ aprova PEC que proíbe bloqueio de verbas federais para educação
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição 96/19, da deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS), que estabelece a execução orçamentária obrigatória das programações relativas à manutenção e desenvolvimento do ensino. O objetivo da proposta é proibir o contingenciamento das verbas para as políticas educacionais do Executivo.
As ações de “Manutenção e Desenvolvimento do Ensino-MDE” são todas aquelas que visam alcançar os objetivos básicos da educação nacional com ações voltadas à obtenção dos objetivos das instituições educacionais de todos os níveis.
O relator, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), deu parecer favorável à matéria. Por acordo, ele apresentou uma complementação de voto para prever que a execução será obrigatória, salvo quando não se realizar a arrecadação orçamentária prevista, hipótese em que o ajuste deverá ser submetido ao Congresso Nacional, garantidos os mínimos constitucionais.
A votação foi acompanhada por representantes de movimentos estudantis, que pressionaram pela aprovação da matéria. Governo, União, PL e Novo orientaram contra a proposta.
Críticas
Segundo o deputado Gilson Marques (Novo-SC), vai faltar dinheiro em outras áreas. “Nós, desde 2014, estamos em déficit primário. Se não fizermos cortes, essa faixa enorme de vermelho precisa ser paga de alguma forma e vai ser paga pelos pagadores de impostos, a maioria, pobres. Se nós não permitimos o corte da educação, por que permitimos da saúde? Se nós não cortarmos da educação num momento de necessidade, que foi por exemplo 2020, vai faltar ainda mais na saúde. Porque o dinheiro não dá em árvore”, afirmou.
Orlando Silva, por outro lado, argumentou que é preciso garantir instrumentos para que a prioridade à educação seja efetivada. “A educação deve ser prioridade. Aqui, nós debatemos a educação no seu conjunto, da creche, do ensino fundamental à pós-graduação, e é muito importante que nós valorizemos a educação como instrumento para o desenvolvimento nacional. Não basta apenas anunciar o compromisso com a educação, é preciso efetivá-lo, e essa medida que impede o corte de verbas na educação é uma medida efetiva para que nós possamos de fato priorizar a educação no Brasil”, disse.
A PEC ainda precisa passar pela análise de uma comissão especial e do Plenário, antes de seguir para o Senado.
Saiba mais sobre a tramitação de PECs
Reportagem – Paula Bittar
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Ministro da Defesa diz que tem planos de ação para todas as fases do processo eleitoral
O ministro da Defesa, general Paulo Sérgio de Oliveira, afirmou aos deputados da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional que tem planos e sugestões para todas as fases do processo eleitoral deste ano, inclusive para a fiscalização da votação. Mas afirmou que a última palavra sobre o tema será sempre do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Vários deputados da oposição afirmaram que as Forças Armadas extrapolam o seu papel e geram insegurança ao colocar em dúvida as urnas eletrônicas.
Paulo Sérgio de Oliveira disse que o ministério foi convidado para participar da comissão de transparência do TSE e que vai insistir nas propostas técnicas da pasta para dar “melhores condições de auditabilidade” ao processo. Segundo ele, não há sistema eletrônico imune a ataques.
“Estamos com um plano de ação para cada uma destas oito fases, para que, na hora da fase propriamente dita, por exemplo, lacração do sistema, estarmos presentes para perguntar, para verificar, questionar os procedimentos, propor alguma coisa. Por exemplo, um teste de integridade naquele momento da lacração do sistema. É um exemplo que eu estou dando”, observou.
O ministro da Defesa reclamou que está tendo dificuldade em conversar com o TSE sobre as propostas do ministério que não foram aceitas. “Não tenho tido êxito nessas reuniões técnicas para que a gente possa entender”, disse.
Críticas
A deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) disse que as Forças Armadas perdem prestígio junto à população ao questionar as urnas eletrônicas sem apoio em fatos. “Não cabe às Forças Armadas brasileiras ficar debatendo urnas eletrônicas, há instituições para isso. O TSE cuida do processo eleitoral. Urnas eletrônicas existem no Brasil há 25 anos. Nunca se comprovou absolutamente nada que pudesse mudar o resultado do processo eleitoral. Por que esse debate agora?”. disse.
Também o deputado Marcelo Calero (PSD-RJ) criticou o reiterado questionamento das urnas. “Espero que não aconteça, mas acho que vossa excelência vai ter uma decisão de vida pela frente. O senhor vai ter que decidir entre atender os caprichos e o voluntarismo do presidente ou servir aos verdadeiros interesses patrióticos e aos verdadeiros interesses nacionais. Está claro para mim que Bolsonaro vai tentar forçar obstáculos e uma ruptura para tumultuar e até mesmo inviabilizar as eleições de outubro”, afirmou Calero.
Orçamento da Defesa
Sobre orçamento, o ministro da Defesa pediu apoio aos parlamentares para aumentar os recursos para a Defesa do atual 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2%. Segundo ele, o Brasil está em sexto lugar no gasto com Defesa na América do Sul.
O deputado Sanderson (PL-RS), vice-líder do governo, defendeu o aumento dos recursos para as Forças Armadas. “Quando nós conseguirmos ter um percentual maior do Orçamento público brasileiro nas Forças Armadas, aí sim nós teremos soberania nacional. Hoje melhorou muito, é claro; mas nós temos ainda 1,2% do PIB para as Forças. É muito pouco”, disse.
De acordo com dados da Consultoria de Orçamento da Câmara, a Defesa lidera o total de investimentos no Orçamento de 2022 com R$ 8,7 bilhões de um total de R$ 42,3 bilhões. O valor é maior que o previsto para a soma dos investimentos em Saúde e Educação.
O ministro Paulo Sérgio Oliveira disse que o cenário mundial atual com guerras, crises de refugiados e avanço do crime organizado justifica os investimentos. O tenente-brigadeiro-do-ar Carlos de Almeida Baptista Junior, comandante da Aeronáutica, disse que mais de 80% da cocaína produzida em países vizinhos transita pelo Brasil. Somente o Exército participou de mais de 170 operações de combate ao narcotráfico em 2021.
Reportagem – Sílvia Mugnatto
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Comitiva da Unale visita Assembleia e conhece setores da Casa
Representantes da Unale visitam setores da AleceFoto: Leomar
A presidente interina da Unale, deputada Celise Laviola (Cidadania-MG), o diretor-geral da entidade, Evaldo Bazeggio, e a coordenadora de comunicação Camila Ferreira foram recebidos pelo presidente Evandro Leitão (PDT) e pelos deputados Sérgio Aguiar (PDT) e Augusta Brito (PT).
O presidente Evandro Leitão avaliou a visita da Unale à Alece como um momento de conversa, diálogo, troca de experiências e de compartilhar ações exitosas implementadas pelo Legislativo Cearense ao longo dos anos. Citou a Procuradoria Especial da Mulher, a Escola Superior do Parlamento Cearense (Unipace), Departamento de Saúde e Assistência Social (DSAS), e outros. “São experiências que estamos trocando, compartilhando, com a deputada Celise, de Minas Gerais, que também nos passou experiências exitosas feitas lá, que futuramente, quem sabe, podemos implementar aqui no Ceará”, pontuou.
De acordo com o deputado Sérgio Aguiar, a comitiva, além de conhecer os serviços da Alece, traz ao presidente Evandro demandas e projetos inovadores. “A grande proposta apresentada é que, em uma união conjunta das assembleias legislativas, possamos aprovar um projeto de resolução para que a Constituição Federal possa recepcionar dos deputados estaduais a apresentação de matérias que ampliem o Poder do Legislativo estadual”, disse. O parlamentar convidou também para a conferência nacional da Unale, em novembro próximo, para que a instituição “possa discutir os planos para os próximos anos da União Nacional e do Brasil”.
A presidente da Unale, deputada Celise Laviola, destacou que a missão da Instituição é valorizar o legislativo estadual. Segundo ela, o parlamentar dos estados tem dificuldade de se apresentar no cenário nacional como trabalha e de mostrar o valor que tem. “Por isso o fortalecimento da Unale se faz necessário, pois faz esse trabalho de reconhecimento. Fazemos um trabalho de união. Temos bancos de leis, escolas, informações, e vários convênios. Temos ainda nossa conferência nacional, que une todos os legislativos do Brasil e faz todas as suas apresentações e demonstra o seu trabalho ao longo de um ano”, explicou.
Posteriormente, em visita ao Plenário 13 de Maio, Celise Laviola, que já foi representante da Secretaria das Mulheres na Unale, ressaltou a participação feminina na política e almejou a ampliação de mandatos de mulheres nos legislativos em todo o Brasil. A parlamentar destacou ainda a necessidade de interação entre a Unale e o Legislativo cearense
“Essa troca entre todos os estados é uma das grandes missões da Unale. Essa união é necessária e só fortalece o Parlamento. É muito importante que o Legislativo seja forte e, independente de ideologias partidárias, segmentos políticos, a gente tenha união e seja uma instituição, um pelos outros”, defendeu Celise Laviola.
A deputada mineira convidou ainda a todos os parlamentares para participarem da Conferencia Nacional da Unale, que acontecerá entre 9 e 11 de novembro, em Recife, com o tema “Rumo ao Parlamento do Futuro”.
Além do Plenário 13 de Maio, a comitiva da Unale conheceu as instalações do Memorial Deputado Pontes Neto (Malce), a Presidência da Casa, as dependências da Unipace, Procuradoria da Mulher, Departamento de Saúde, Casa do Cidadão, o Centro Inclusivo para Atendimento e Desenvolvimento Infantil (Ciadi), entre outros.
ENTIDADE
A Unale, que completou 26 anos em maio último, é a única entidade com reconhecimento legítimo perante o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) de representação dos 1.059 deputados estaduais e das 27 Casas Legislativas do Brasil.
A instituição tem a missão de assumir a defesa dos interesses estaduais coletivos, divulgar as ações legislativas, buscar parcerias para seu aperfeiçoamento e qualificação junto a órgãos e entidades representativas nacionais e internacionais, difundir a importância do legislativo estadual no sistema democrático e promover o debate permanente de grandes temas de interesse do País. Busca ainda a qualificação dos parlamentares que a compõem, auxiliando o planejamento de políticas públicas estratégicas que beneficiam a população de cada estado, observando suas peculiaridades e demandas.
GS/AT

