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Ministro ataca parecer do Ibama sobre extração de petróleo na foz do Amazonas

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, classificou como "uma incoerência e um absurdo" a exigência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a realização de novos estudos sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial, no litoral norte do país. Ele participou de audiência pública da Comissão de Infraestrutura nesta terça-feira (24).

Para o Alexandre Silveira, documentos apresentados por um grupo de trabalho do Ministério do Meio Ambiente em 2012, antes da licitação dos blocos pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), seriam suficientes para a prospecção de reservas no poço de Foz do Amazonas.

Durante a audiência pública, Silveira sugeriu que o Ibama indique exigências ambientais que possam resultar na liberação da área. Mas o órgão condiciona a exploração à apresentação de uma Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS).

— O parecer do Ibama não tem questões intransponíveis. Só vai se tornar intransponível se se discutir a AAAS. Será uma incoerência e um absurdo com brasileiros que precisam do desenvolvimento econômico com frutos sociais e equilíbrio ambiental. Podemos até discutir que nenhum outro bloco deve ir a leilão antes da AAAS. Mas para aquilo que já foi leiloado, se formos recomeçar esse licenciamento, vamos estar descumprindo contratos. Outras petroleiras no mundo ganharam blocos de petróleo ali e vão discutir com a União ressarcimento de recursos investidos, inclusive de outorga — disse Alexandre Silveira.

O ministro de Minas e Energia defendeu mais "sinergia política" entre os diversos setores do governo federal envolvidos na liberação ambiental e na exploração de petróleo. Ele se disse "surpreendido" com a decisão do Ibama, tornada pública há três semanas sem "um debate mais profundo" sobre o tema.

— Não temos e não devemos ter dois, três ou quatro governos. Devemos ter um único governo. E, na minha opinião, só temos um: um governo liderado pelo presidente Lula. Tomei a liberdade de ligar para o presidente do Ibama e dizer da importância de ele 'sinergizar' a decisão final dele. Estudar a possibilidade de o caminho ser, em vez da negativa, as condicionantes ambientais que superassem esta questão. É inadmissível que não possamos conhecer das nossas potencialidade minerais no país — afirmou.

"Calo"

Durante a audiência pública, senadores criticaram a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, no debate sobre a exploração da Margem Equatorial. Segundo a ministra, o Ibama tomou uma decisão técnica, o que em um "governo democrático e republicano" deve ser "cumprida e respeitada". Para o senador Omar Aziz (PSD-AM), "existem dois governos no Brasil".

— Tem o governo do presidente Lula e o governo da Marina. A gente não sabe mais com quem tratar os assuntos. Eu apoio o presidente Lula, mas não vamos aceitar. Ele já teve um calo no primeiro governo com a senhora Marina Silva. Mas esse calo não tinha bolha. Agora, esse calo vai ter bolha. Se estourar, vai arder. Um governo precisa conversar entre si. Parece que Ibama e Meio Ambiente são um governo, e Petrobras e Minas e Energia são outro — afirmou.

Os senadores Chico Rodrigues (PSB-RR) e Lucas Barreto (PSD-AP) também desaprovaram o posicionamento da ministra do Meio Ambiente.

— Todos os estados da Margem Equatorial podem explorar petróleo. O Amapá, não. Tenho recebido o apoio da maioria dos senadores. Todos estão solidários. Não com a bancada do Amapá, mas com o povo do Amapá. As riquezas naturais do Brasil devem e precisam ser exploradas. Quando a ministra Marina Silva me provar que alguém na Amazônia pode viver de clorofila ou fotossíntese, eu me calo e passo para o lado dela. Enquanto isso, não — afirmou Barreto.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM), ex-ministro de Minas e Energia, disse que a possibilidade de exploração de petróleo na Margem Equatorial "não é uma matéria nova". Para ele, os eventuais impactos ambientais "precisam ser analisados de forma sustentável".

— Se analisarmos apenas pelo aspecto ambiental, vamos transformar nosso país num santuário. Se analisarmos sob os aspectos ambientais, sociais e econômicos, vamos analisar a sustentabilidade dos projetos. É claro que vamos ter avanços. Não dá para entender como a Guiana Francesa, a fronteira europeia dentro da Amazônia, explora o petróleo a 50 quilômetros de onde queremos estudar, e nós não temos sequer o direito de estudar nossas reservas de petróleo. A Petrobras tem tecnologia e responsabilidade para fazê-lo de forma correta — defendeu.

Os senadores Jorge Seif (PL-SC), Tereza Cristina (PP-MS) e Vanderlan Cardoso (PSD-GO) também criticaram o parecer do Ibama. A parlamentar sul-mato-grossense defendeu a definição de "condicionantes ambientais que liberem a prospecção de petróleo na Margem Equatorial".

— É claro que para o desenvolvimento chegar a determinadas áreas, o meio ambiente vai ter que sofrer algumas coisas. Para isso, temos estudos para fazer a compensação, a mitigação do risco que se tem quando vem um novo projeto de desenvolvimento importante para a economia e para o povo brasileiro. Pelas desigualdades que temos, não podemos deixar alguns estados na pobreza e na miséria. O ministério do Meio Ambiente tem que decidir o que é bom, mas não sozinho — disse Tereza Cristina.

Preço dos combustíveis

Senadores questionaram o ministro Alexandre Silveira sobre a nova política de preços adotada pela Petrobras. Na semana passada, a companhia anunciou o fim da Paridade de Preços de Importação (PPI), em vigor desde 2016. Para o senador Veneziano Vital do Rego (MDB-PB), a nova estratégia "não coloca a Petrobras sob risco".

— Ela precisa ser também uma empresa voltada aos interesses nacionais, dos seus cidadãos. E não tão-somente uma empresa que gera lucros e dividendos estratosféricos para um contingente bem menor — afirmou o senador.

O senador Alessandro Vieira (PSDB-SE) perguntou ao ministro de Minas e Energia quais garantias de que a nova estratégia não será usada como "ferramenta política".

— Qual a garantia objetiva de que não teremos a repetição da intervenção política para a redução artificial de preços, com aqueles prejuízos severos do patrimônio brasileiro que verificamos no passado? Essa é a maior dúvida: como evitar a tentação populista de tentar rebaixar preços artificialmente? — questionou.

Para Alexandre Silveira, "o PPI era uma abstração que escorchava o povo brasileiro".

— Todos reconhecemos a natureza jurídica da Petrobras, com capital aberto, governança e independência. Mas o governo brasileiro não pode se negar a ter a coragem de explicitamente dizer para a sociedade brasileira que é a controladora da empresa. A União tem que cobrar. A maior petroleira do Brasil tem que ser indutora de competitividade. A Petrobras quer trazer o mercado de petróleo para uma política de competição interna. Ela tem que disputar o mercado aqui como qualquer empresa — afirmou.

Itaipu

A audiência pública foi sugerida pelo presidente da CI, senador Confúcio Moura (MDB-RO), e pelos senadores Lucas Barreto e Esperidião Amin (PP-SC). O senador catarinense criticou a forma de composição de preços das hidrelétrica de Itaipu, que impacta nas tarifas cobradas por outras usinas no Brasil.

— O que é e o que não é custo operacional de Itaipu? O que vai para a tarifa que afeta todos nós? A execução de programas chamados de responsabilidade sócioambiental monta para este ano mais R$ 1,5 bilhão. Isso não é custo operacional. É uma coisa expressiva, que fica ao talante da diretoria do Conselho de Itaipu. Acho que nem no Kuwait, que tinha energia barata, isso aconteceria — criticou.

Segundo Alexandre Silveira, os critérios para a composição de preços de Itaipu serão redefinidos neste ano. Após 50 anos de exploração, Brasil e Paraguai vão negociar em agosto os termos de um novo contrato.

— Há uma diferença entre a arrecadação da usina e o custo operacional. Esse recurso é utilizado no custeio do Centro Tecnológico do Paraná e em outras obras de infraestrutura. Haverá uma nova decisão política, e os dois países vão decidir se vamos ter apenas o custo operacional considerado nessa negociação ou se continuaremos tendo uma margem de investimentos e a aplicação desses recursos — afirmou o ministro.

A audiência pública contou ainda com a participação dos senadores Cid Gomes (PDT-CE), Cleitinho (Republicanos-MG), Dr. Hiran (PP-RR), Luis Carlos Heinze (PP-RS), Marcelo Castro (MDB-PI) e Wellington Fagundes (PL-MT). Para o presidente da CI, senador Confúcio Moura (MDB-RO), nenhuma área da economia deve experimentar mudanças tão intensas quanto o setor energético.

— Experimentamos a transição a pleno vapor para um modelo energético baseado em fontes renováveis, ainda que seja impossível estimar com precisão em quanto tempo ela se dará. O Brasil está no meio dessa encruzilhada. Enquanto muitos países imaginam estratégias para enfrentar os desafios do fornecimento de energia, por aqui vivenciamos o problema oposto: excesso de alterativas — disse.

Fonte: Agência Senado

Relator afirma que reforma tributária deve ser votada até o final de junho na Câmara

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, disse, nesta quarta-feira (24), aos governadores reunidos em Brasília para o Fórum Nacional de Governadores, que sempre existem divergências em torno de uma reforma tributária (PECs 45/19 e 110/19), mas que o espírito que deve estar presente é o de ceder em benefício de todos. O relator da reforma, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), confirmou que apresentará o parecer no dia 6 de junho e que a votação no Plenário da Câmara será até o final do mês.

Pacheco pediu aos governadores que atuem pela aprovação da reforma. “Se há essa constatação nacional de que o nosso sistema tributário não serve, ele precisa ser substituído. Será muito ruim para nós, da política, parlamentares e chefes de Executivo, se não conseguirmos fazer uma mudança neste sistema tributário nacional através de uma reforma”, disse.

Aguinaldo Ribeiro explicou que existem pontos que ainda precisam ser detalhados, como o funcionamento do novo Fundo de Desenvolvimento Regional, que será criado para compensar o fim da guerra fiscal entre os estados em torno da atração de investimentos por meio de benefícios tributários. Também é necessário definir, segundo ele, se o novo Imposto sobre Bens e Serviços será nacional ou se terá uma versão de estados e municípios:

“Nós estamos abertos para essa construção, para essa finalização de articulação de construção; mantendo a autonomia das administrações tributárias, que é o que estamos construindo, numa federação cooperativa.”

Como Pacheco, Ribeiro citou a reunião feita na terça-feira (23) entre os presidentes da Câmara e do Senado, além de representantes do governo e do setor privado.

Ganhos da reforma
Segundo Aguinaldo Ribeiro, um dos pontos de ganho imediato da reforma - e na reunião de terça-feira isso foi reforçado pelo presidente do Banco Central - é que "vamos ter, independente do crescimento econômico, que é o que aconteceu nos outros países, o próprio mercado valorizando a reforma tributária no momento presente, mesmo que os ganhos venham a longo prazo".

O presidente do Grupo de Trabalho da Reforma Tributária na Câmara, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), disse aos governadores que não é “normal” ter quase o valor de um PIB, ou toda a riqueza que o país produz em um ano, de contencioso tributário. O novo sistema, segundo ele, ao eliminar cinco tributos e transferir a cobrança para o local de consumo do bem ou serviço, simplificará a vida das empresas.

Vários governadores afirmaram que precisam analisar o texto do relator para se posicionarem de forma mais clara sobre a reforma.

 

Reportagem – Sílvia Mugnatto
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Comissão mista aprova MP e altera atribuições de parte dos ministérios

A comissão mista sobre a Medida Provisória 1154/23 aprovou nesta quarta-feira (24), por 15 votos a 3, o projeto de lei de conversão do relator, deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL). O texto aprovado altera a organização dos ministérios definida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva logo após a posse, em janeiro.

Parlamentares tentaram sem sucesso evitar a votação do parecer final de Isnaldo Bulhões Jr., que seguirá agora para os Plenários da Câmara dos Deputados e do Senado. O Legislativo precisará concluir a análise até o dia 1° de junho – quinta-feira da próxima semana –, quando a medida provisória perderá validade.

A MP trata de 31 ministérios, ante os 17 da gestão Bolsonaro, e seis órgãos com status de ministério ligados à Presidência da República. Desses 37 atuais, 13 já existiam; 19 surgiram de desmembramentos; 2 foram renomeados; e 3, criados. Segundo o governo Lula, a reestruturação não gerou aumento nas despesas.

“Eu ouvi os deputados, os senadores e as lideranças partidárias e, mesmo não saindo o texto ideal, acho que foi o melhor possível”, disse Isnaldo Bulhões Jr. ao final da reunião. O deputado Alencar Santana (PT-SP) concordou com o relator, mas avaliou também que os parlamentares tentarão fazer ajustes no texto.

 

Mudanças realizadas
Conforme o texto aprovado, o Ministério da Justiça e Segurança Pública voltará a responder pelo reconhecimento e pela demarcação de terras indígenas. A gestão Lula havia alocado essas atribuições no Ministério dos Povos Indígenas, criado em janeiro e ao qual caberá sugerir novas áreas destinadas a povos tradicionais.

A deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) protestou contra essa alteração. “Acredito que toda discussão no Ministério dos Povos Indígenas é uma pauta humanitária”, analisou. “Não existirá possibilidade de barrarmos as mudanças climáticas se não respaldarmos, como democracia, a demarcação dos territórios indígenas”, disse.

A versão final do parecer determina ainda a redistribuição de algumas atribuições relacionadas à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada pela MP ao Ministério do Desenvolvimento Agrário. Parte das responsabilidades passará ao Ministério da Agricultura e Pecuária, ao qual a Conab pertencia antes.

Serão atribuições do Ministério da Agricultura a garantia de preços mínimos, à exceção dos produtos da sociobiodiversidade, as ações sobre comercialização, abastecimento e armazenagem, bem como as informações dos sistemas agrícolas e pecuários – entre elas, os preços de mercado do boi gordo e das sacas de grãos.

Em razão dessa mudança, o texto aprovado acabou alterando responsabilidades do Desenvolvimento Agrário associadas ao desenvolvimento e à sustentabilidade da agricultura familiar. Caberá ao ministério, por exemplo, a garantia dos preços mínimos da produção das famílias no campo e o apoio ao cultivo de orgânicos.

Já o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, pelo texto aprovado, deixará de ter algumas atribuições. O Cadastro Ambiental Rural (CAR), que no governo Bolsonaro saiu do Meio Ambiente e passou para a Agricultura, agora estará vinculado ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

Os sistemas de saneamento básico, resíduos sólidos e recursos hídricos, hoje no Meio Ambiente, vão para o Ministério das Cidades, que, no saneamento, atuará inclusive em terras indígenas. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) será integrada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

O deputado Kim Kataguiri (União-SP) declarou voto contrário ao parecer do relator por causa das alterações no Ministério do Meio Ambiente. “Esvaziar o ministério é uma questão institucional, e as mudanças serão prejudiciais ao meio ambiente, mesmo que eu discorde veementemente da ministra Marina Silva”, disse.

O Ministério das Comunicações assumirá a política nacional de conectividade e de inclusão digital e a rede nacional de comunicações. Por sua vez, o Ministério do Desenvolvimento Social e Assistência Social, Família e Combate à Fome deverá responder por inciativas para redução no uso abusivo de álcool e outras drogas.

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Discussão e votação de propostas legislativas. Dep. Kim Kataguiri (UNIÃO - SP)
Kim Kataguiri: mudanças serão prejudiciais ao meio ambiente

MPs aproveitadas
Outra alteração na MP incluída pelo relator autoriza o Poder Executivo a tomar medidas para a extinção da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), já prevista na MP 1156/23, cuja validade expira no dia 1º de junho. As medidas decorrentes do fim da Funasa caberão aos ministérios das Cidades; da Gestão; e da Saúde.

O texto aprovado incorpora a MP 1161/23, pela qual o presidente da República poderá definir, por decreto, a composição do conselho do Programa de Parceira de Investimentos (PPI). Hoje, a definição deve ser feita por meio de lei. Segundo Isnaldo Bulhões Jr., a MP não será votada e perderá a validade em 9 de junho.

Por outro lado, o relator deixou de fora a MP 1158/23, que transferiu o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Banco Central para a Fazenda. A MP perderá a validade em 1º de junho, e então o Coaf, unidade de inteligência para prevenção e combate à lavagem de dinheiro e à corrupção, retornará ao BC.

Reportagem – Ralph Machado
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Comissão aprova mudanças no governo Lula que fortalecem centrão e retiram poder de Marina

Victoria AzevedoJoão Gabriel / FOLHA DE SP

 

A comissão mista formada por deputados e senadores que analisa a MP (medida provisória) da reorganização da Esplanada dos Ministérios aprovou em sessão nesta quarta-feira (24) mudanças no governo Lula (PT) que fortalecem o centrão e retiram poder da ministra Marina Silva (Rede).

O texto, de autoria do líder do MDB na Câmara, Isnaldo Bulhões Jr. (AL), desidratou a política ambiental do governo —competências de órgãos que atualmente estão com o Meio Ambiente e os Povos Indígenas serão transferidas para outras pastas. O texto foi aprovado por 15 votos a 3.

O novo relatório restabeleceu ainda texto original da MP, como foi enviada por Lula, devolvendo a competência de coordenação das atividades de inteligência federal para a estrutura do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) —pavimentando a volta da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para o órgão militar.

 

Em seu primeiro relatório, Isnaldo havia transferido essa competência para a estrutura da Casa Civil, seguindo decreto enviado pelo governo Lula em fevereiro.

Segundo membros do Executivo ouvidos pela Folha, essa mudança no texto da MP reforça que a agência deverá retornar para o GSI.

 

A MP agora deverá ser votada nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Há uma pressão pela celeridade da apreciação da matéria, uma vez que ela perderá a validade no próximo dia 1º.

Membros do Executivo atuavam junto à lideranças da Câmara para tentar levar a MP ao plenário da Casa ainda nesta quarta.

Segundo o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, o Executivo tentou ao longo da manhã um acordo com o relator para tentar reverter pontos relativos à pauta ambiental --sem obter sucesso.

"Nós, o governo, não conseguimos avançar embora tenhamos advogado, mas nenhum dos aspectos da questão ambiental conseguimos ter avanços", afirmou.

Randolfe disse, porém, que o governo sai vitorioso, por ter conseguido manter 90% da medida provisória enviada ao Congresso.

"Pressionado por uma circunstância que não foi do governo —o impasse entre Câmara e Senado [pela tramitação das MPs]—, o objetivo final e central do governo, de aprovação em tempo hábil, [...] esse objetivo está sendo alcançado", completou.

Houve, inclusive, uma reunião na noite de terça (23) na qual foram apresentadas algumas demandas, como uma que alteraria a redação do trecho que retira a demarcação de terras do ministério de Sônia Guajajara e coloca na Justiça, mas sequer isso foi acatado.

Segundo integrantes do governo, o relatório apresentado por Bulhões foi além do que havia sido acordado previamente com o governo, sobretudo na questão das demarcações e também da Agência Nacional de Águas (ANA), que deixará o Meio Ambiente para o Desenvolvimento Regional —pasta comandada por Waldez Góes (PDT), indicado por parlamentares da União Brasil para o cargo.

Também foi aprovada a transferência do CAR (Cadastro Ambiental Rural), instrumento para controlar terras privadas e conflitos em áreas de preservação, do ministério chefiado por Marina para o da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.

O órgão é considerado importante por gerenciar a fiscalização de crimes ambientais em propriedades rurais, como grilagem e desmatamento.

O relatório aprovado consolida uma manobra da bancada ruralista, que, como antecipou a Folha, atuou para esvaziar o ministério de Marina Silva.

Parlamentares ligados à bancada ruralista apresentaram emendas que, na prática, retomavam o organograma ministerial da gestão de Jair Bolsonaro (PL) —inclusive com a extinção do ministério dos Povos Indígenas.

A intenção dos ruralistas era que a política ambiental fosse esvaziada. Apesar da pasta indígena não ter sido extinta, ela perdeu uma de suas principais atribuições, a de aprovar ou não estudos de demarcação de terra.

Já o CAR, por mais que não tenha ido para a Agricultura, como era no governo Bolsonaro —foi para a Gestão—, deixou as mãos de Marina Silva, que nos últimos dias deu diversas declarações defendendo que o instrumento ficasse sob sua tutela.

Ainda, o Ministério das Cidades, comandado por Jader Filho (MDB-PA), passará a ficar responsável por sistemas de informações que, pela MP de Lula, estavam na alçada de Marina.

São eles: Sinisa (Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico), Sinir (Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos) e Singreh (Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos).

Como a Folha mostrou, o Planalto agiu para tentar evitar derrotas em áreas prioritárias para Lula na MP. Com o aval do petista, a articulação política do governo cedeu à pressão do centrão, principalmente dos ruralistas, para blindar a Casa Civil, responsável pela execução dos projetos mais importantes para o presidente, como o PPI (Programa de Parceria de Investimentos).

Por outro lado, algumas competências da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) que inicialmente seriam retiradas do Ministério do Desenvolvimento Social para o Ministério da Agricultura, se mantém em sua pasta original.

Esse movimento pode ser considerado uma vitória para o ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) que tentava desde terça-feira (24) o reestabelecimento dessas atribuições.

Lira diz que aprovação de regra fiscal na Câmara foi sinal de 'amadurecimento'

Por Alice Cravo — Brasília / O GLOBO

 

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). afirmou nesta quarta-feira que a aprovação do texto arcabouço fiscal em plenário na noite de ontem foi uma demonstração de "amadurecimento do parlamento". Lira ressaltou que tem defendido que pautas como a Reforma Tributária e o marco fiscal sejam "desconectadas" da relação governo e oposição. Placar na Câmara foi de 372 votos a favor e 108 contra.

 

– A Câmara ontem deu mais uma vez uma demonstração de amadurecimento do parlamento, como nós sempre defendemos, que o arcabouço, como a reforma tributária, elas sejam desconectadas dessa relação de governo e oposição. São matérias de país, são matérias de estado, de organização política-administrativa-econômica.

 

Lira afirmou que o debate sobre o marco fiscal foi "bastante amadurecido" e que o texto estava equilibrado. O presidente da Câmara pontuou que somente os "extremos" não participaram da votação do projeto.

 

– A votação expressiva da urgência e do mérito dão a esse texto a condição de amadurecido, um texto equilibrado, onde só os extremos não participaram da votação. Então, gente entende que a contribuição que o parlamento deu como sempre foi de muita valia para o aprimoramento do texto

 

Passada a votação do novo marco fiscal, Lira afirmou que a Casa irá direcionar a atenção a aprovação da Reforma Tributária.

 

– Após o arcabouço, iremos focar nossas atenções, lógico, a uma reforma tributária para todos, justa, simplificada, mas próspera.

 

O presidente da Câmara também sinalizou que o Congresso não irá rever pautas já aprovadas pela Câmara e pelo Senado, como o a privatização da Eletrobras.

 

– O Congresso Nacional foi eleito na eleição do ano passado um Congresso, como todos sabem, com perfil liberal e conservador. Ele destoa da realidade da eleição do segundo turno, e nós sempre frisamos isso com muito cuidado. [..] Não será o presidente Pacheco ou o presidente Arthur Lira que vai ter voto nos plenários para rever temas que foram aprovados há um ano, dois anos com muita discussão. Capitalização da Eletrobras, Banco Central independente, marco do saneamento.

Cláudio Pinho defende-se de acusações sobre obra não concluída

Por Luciana Meneses / ALECE

 

Deputado Cláudio Pinho (PDT) - Foto: José Leomar

 

O deputado Cláudio Pinho (PDT) defendeu-se, no primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Ceará desta terça-feira (23/05), de acusações feitas pelo gestor de São Gonçalo do Amarante a respeito de irregularidades nas obras de uma escola. 

Conforme relatou o parlamentar, o prefeito do município usou as redes sociais para acusá-lo de não deixar recursos suficientes para concluir as obras da Escola Poetisa Abigail Sampaio enquanto era gestor de São Gonçalo do Amarante. “Deixei essa escola com 70% da sua obra feita e recursos para sua total conclusão. Mas o prefeito disse que não, que encontrou pagamentos para assuntos divergentes e por isso a obra continuava parada. Mas então qual o motivo dessa obra ainda estar parada se esse mesmo prefeito pediu um aditivo no valor de R$ 223.700 mil para conclusão em maio de 2021?”, questionou. 

O deputado salientou ainda que o próprio Tribunal de Contas do Estado (TCE) por duas vezes declarou que aquela obra parada causa um prejuízo ainda mais caro que a conclusão da obra, uma vez que está se deteriorando toda a estrutura concluída. “Em 2021 eu não era mais gestor. Então que o prefeito assuma a responsabilidade e conclua essa obra, em vez de culpar os outros pelo atraso”, declarou. 

Outro assunto abordado pelo deputado em seu pronunciamento foi a visita feita nesta segunda-feira (23/05) por ele e os colegas deputados Carmelo Neto (PL), Dra. Silvana (PL) e Sargento Reginauro (União) a uma escola estadual de Fortaleza que supostamente realizava as aulas de uma turma nos corredores da instituição por conta da precariedade da sala de aula. 

“Vimos uma reportagem sobre uma escola estadual daqui onde os alunos estavam tendo aula nos corredores por medo do teto desabar e pelo calor insuportável. Fomos lá e constatamos que a sala de aula realmente apresenta esses problemas, mas a diretora explicou que a Secretaria de Educação já liberou a licitação para resolver o problema da rede elétrica e resolver o problema dos aparelhos de ar condicionado, pois quando são ligados, cai a energia toda do local. Ou seja, estamos fazendo nosso papel de fiscalizar e buscar soluções”, frisou. 

Em aparte, o deputado Antônio Henrique (PDT) afirmou que o colega tem propriedade para falar do município de São Gonçalo do Amarante. “O senhor sabe exatamente o que foi feito e o que falta fazer. Tenho certeza que o povo sente falta da sua administração, pois devem se sentir abandonados. E agora o senhor mostra seu trabalho enquanto fiscal, visitando essa escola de perto, apontando as falhar e cobrando melhorias", afirmou.

Edição: Lusiana Freire

Missias Dias parabeniza Eudoro Santana por Medalha da Abolição

Por Giovanna Munhoz / ALECE

 

Deputado Missias Dias (PT) - Foto: José Leomar

 

O deputado Missias Dias (PT) parabenizou, durante a sessão plenária presencial e remota da Assembleia Legislativa desta terça-feira (23/05), as quatro personalidades cearenses que foram agraciadas com a Medalha da Abolição de 2023.

O parlamentar ressaltou que, além do arcebispo de Fortaleza, Dom José Aparecido Tosi; da ministra do Tribunal Superior do Trabalho, Kátia Magalhães Arruda; e do fundador do Grupo Aço Cearense, Vilmar Ferreira, outro agraciado foi o ex-deputado e engenheiro Eudoro Santana.

“Parabéns a todos e especialmente a Eudoro Santana que sempre foi um grande defensor do semiárido cearense. Filho de Quixeramobim e incansável na luta política democrática”, assinalou.

Missias Dias salientou que o ex-deputado contou com quatro mandatos dedicados à reforma agrária e defendendo a inovação tecnológica. “Foi presidente do Instituto de Pesquisa (Inesp) dando grande contribuição para a pesquisa. Participou do Pacto pela Vida, Pacto pela água e Pacto do Pecém sempre dando grandes contribuições”, apontou. 

Durante seu pronunciamento, o parlamentar também lembrou os 25 anos do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), programa direcionado a jovens e adultos moradores de assentamentos, quilombolas, professores e educadores que exerçam atividades educacionais voltadas às famílias beneficiárias, além de pessoas atendidas pelo Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF). 

“O Pronera foi fundamental para o avanço da reforma agrária popular fortalecendo o senso de pertencimento e emancipação da classe trabalhadora. Paralisado no Governo Bolsonaro, mas continuamos na luta por essa política pública para que ela seja retomada e ampliada no atual governo do PT”, assinalou.

Em aparte, os deputados De Assis Diniz (PT) e Leonardo Pinheiro (Progressistas) parabenizaram os homenageados com a medalha e comemoraram as contribuições do ex-deputado Eudoro Santana.

Já a deputada Jô Farias, também em aparte, parabenizou a cidade de Pacajús pelos 88 anos de emancipação.

Edição: Lusiana Freire

CPI do MST se torna palco de brigas com troca de insultos entre apoiadores de Lula e Bolsonaro

Por Levy Teles / O ESTADÃO

 

BRASÍLIA — A Câmara dos Deputados registrou, na tarde desta terça-feira, 23, mais um episódio de ataques, discussões e insultos trocados entre apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

 

Parlamentares governistas fizeram acusações tanto ao presidente e ao relator da CPI — Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS) e Ricardo Salles (PL-SP), respectivamente — enquanto oposicionistas mantiveram a ofensiva contra o próprio MST, chamando o grupo de “marginais”, “bandidos” e “terroristas” e até classificaram os estudantes que assistiam à sessão de “doutrinados”. Apenas nesta sessão foram mais de meia dúzia de questões de ordem, quando os parlamentares questionam sobre possível descumprimento regimental.

 

A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ), por exemplo fez acusações a Salles. “Cresceu mais de 70% a violência no campo. Tem a ver com grilagem, com madeireiros, com garimpo ilegal. Aliás, crimes que tem o envolvimento do próprio relator, hoje investigado pela Polícia Federal”, disse a parlamentar. Em seguida, Salles, que permaneceu calado durante a maior parte da sessão pediu a extração das falas para fazer representação no Conselho de Ética.

 

“Alguns parlamentares da esquerda utilizam o discurso da democracia, mas quando se comprovam dessa forma, acham que tem uma licença poética para dizer barbaridades”, afirmou Salles.

 

A comissão parlamentar também será espaço para o próprio Salles, que pretende lançar candidatura à prefeitura de São Paulo e ser o nome apoiado por Bolsonaro na capital paulista.

 

Sâmia Bomfim (PSOL-SP) leu uma notícia que dizia que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou que a Polícia Federal investigue o deputado Tenente Coronel Zucco em atos antidemocráticos.

 

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul indicou o deputado como incentivador de protestos bolsonaristas contra o resultado das eleições presidenciais no ano passado. A deputada teve a fala interrompida por Zucco. Foi um dos vários episódios de confusão generalizada ao longo da sessão. “Não tem como não politizar a CPI”, disse Zucco.

 

Delegado Éder Mauro (PL-PA) fez novamente um discurso com gritos, chamando integrantes do MST de “marginais” e “bandidos”, retrucado por Sâmia Bomfim (PSOL-SP), que afirmou que “marginal é quem defende torturador”.

 

“Eu não admito isso. Eu não sou marginal”, disse Valmir Assunção (PT-BA), que começou a bater na mesa em protesto.

 

Caroline de Toni (PL-SC) fez ataques pessoalizados a parlamentares ao apontar uma suposta hipocrisia em deputados favoráveis ao MST “terem bolsas da Louis Vuitton” e não doarem recursos aos mais pobres. Ela ainda chamou os jovens que acompanhavam a sessão de “doutrinados”.

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Placar do Arcabouço Fiscal: Governo tem 150 dos 257 votos necessários na Câmara para aprovação

Apesar de o governo prometer um placar expressivo na votação do arcabouço fiscal na Câmara, prevista para esta semana, apenas 150 deputados declaram abertamente que votarão a favor da nova regra fiscal para controle das contas públicas, segundo levantamento feito pelo Estadão. Por ser um projeto de lei complementar, o novo marco fiscal precisa de maioria absoluta para ser aprovado, ou seja, 257 votos.

 

No Placar do Arcabouço Fiscal, dos 457 deputados abordados pela reportagem até o momento (56 não foram encontrados), 111 se mostraram totalmente favoráveis à proposta, 39 declararam ser a favor com ressalvas ao texto e 51 são contrários. A maioria, porém – 256 deputados –, não quis responder.

 

A maior parte dos deputados contrários é das bancadas do PL e do PSOL. Já entre os favoráveis está em peso a bancada do PT, além de deputados do MDB, PSD, PCdoB, PP, PV, Podemos, Solidariedade e União Brasil.

 

Na quarta-feira passada, o projeto teve o regime de urgência (tramitação acelerada) aprovado com ampla folga: 367 votos favoráveis e 102 contrários. Isso garante que o projeto “fure a fila” de votação e vá direto a plenário, sem passar por comissões.

 

Estadão começou a contatar os parlamentares desde que o texto elaborado pelo Ministério da Fazenda foi entregue ao Congresso, em 18 de abril. Inicialmente, a maioria dos deputados dizia que iria esperar o relatório do deputado Cláudio Cajado (PP-BA) antes de se manifestar, para analisar as eventuais mudanças na proposta.

 

No entanto, mesmo depois da apresentação do texto, na última segunda-feira, 15, a maioria expressiva dos parlamentares ainda não declara abertamente o apoio ao projeto, do qual depende toda a agenda econômica do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

 

O ministro tem se mostrado confiante. “Mais de 300 votos eu garanto”, afirmou Haddad na última quarta-feira, 17. Segundo ele, o objetivo do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), é conseguir quórum de emenda constitucional (308 votos) para votação da nova regra fiscal, para que o tema não precise ser discutido novamente em um futuro próximo.

 

Como mostrou o Estadão, aliados de Lula no Congresso trabalham para usar a votação do arcabouço como uma amostra de que o governo é capaz de aprovar a reforma tributária ainda neste ano, revertendo a imagem de base fraca deixada pela derrota na Câmara com os decretos do saneamento.

 

O relatório de Cajado endureceu o texto elaborado pela Fazenda ao incluir sanções caso o governo não cumpra a meta fiscal estipulada, tornando obrigatório que o gestor acione os mecanismos de contenção de despesas para corrigir a rota, como a proibição de reajuste acima da inflação e abertura de concursos públicos.

 

O relator também tirou da lista de exceções ao limite de controle de gastos medidas como o piso da enfermagem e a capitalização de estatais não financeiras. Por outro lado, foram incluídos dispositivos que permitem ao governo gastar mais na largada da nova regra, em 2024 e 2025, como mostrou o Estadão.

 

Cajado afirmou que qualquer mudança no texto só será acatada mediante “amplo acordo” das lideranças partidárias. “Chegar a esse texto não foi fácil. Então vou dividir isso com o colégio de líderes, com o governo e com o próprio Arthur Lira (PP-AL)”, afirmou em entrevista ao Estadão. Por enquanto, PSOL, Novo, PL e União Brasil já protocolaram emendas (pedidos de alteração) ao texto. •

ARTICULAÇÃO POLITICA DO GOVERNO FALHA E SETE MINISTROS SÃO CHAMADOS A DEPOR NO CONGRESSO

Por Vera Rosa / o estadão

 

BRASÍLIA -Uma romaria de ministros irá ao Congresso, nesta semana, para ser “sabatinada” em comissões. Em mais um capítulo da pressão sobre o Palácio do Planalto, deputados e senadores conseguiram aprovar requerimentos para que sete ministros compareçam à Câmara e ao Senado. O movimento expõe, mais uma vez, a fragilidade na articulação política do governo.

 

Sem maioria no Congresso, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda contam com a infidelidade de partidos que controlam ministérios, como o União Brasil e, em tese, deveriam barrar iniciativas propostas apenas para constranger o governo.

 

Na fila dos auxiliares de Lula chamados para ficar horas em comissões da Câmara, nesta semana, estão Marina Silva (Meio Ambiente), Paulo Pimenta (Secretaria de Comunicação Social da Presidência), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Silvio Almeida (Direitos Humanos) e o general Marcos Antonio Amaro (Gabinete de Segurança Institucional).

 

O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, participou nesta terça-feira, 23, de audiência no Senado sobre cobertura de telefonia celular e internet 5G no País. Juscelino passou a ser investigado pela Comissão de Ética Pública da Presidência por ter usado avião da Força Aérea Brasileira (FAB), em janeiro, para visitar leilões de cavalos, como revelou o Estadão. Já Alexandre Silveira (Minas e Energia), que enfrenta uma queda de braço com Marina sobre a exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas, comparecerá ao Senado nesta quarta, 24.

 

Chamadas sob pretexto de discutir os planos de cada ministério, essas audiências acabam se transformando na chance de ouro para a oposição fustigar Lula e o governo, além de virarem palanque digital para adversários do PT.

 

Muitos aliados do governo, porém, aderem ao movimento para passar um recado ao Planalto. Embora o presidente tenha mandado pagar R$ 10 bilhões em emendas parlamentares do antigo orçamento secreto de Jair Bolsonaro, deputados dizem que não estão recebendo nada. Além disso, a disputa por cargos nos Estados, principalmente com o PT, continua a todo vapor.

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