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Missias Dias destaca IV Feira Nacional da Reforma Agrária

Por Pedro Emmanuel Goes / ALECE

 

 

A IV Feira Nacional da Reforma Agrária dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que acontece de 11 a 14 de maio no Parque Água Branca, no bairro Perdizes, em São Paulo, foi anunciada pelo deputado Missias Dias (PT) durante o primeiro expediente da sessão plenária desta terça-feira (09/05). O parlamentar salientou ser o principal evento do País para comercialização de produtos da reforma agrária.

“É uma oportunidade para população de São Paulo e visitantes que estiverem por ali  nesse período, que são contra a reforma agrária, contra a distribuição de terras, verem in loco esse trabalho e a qualidade do alimento produzido”, disse.

Com 500 toneladas de alimentos oriundos de assentamentos e acampamentos do MST espalhados pelo País, o evento vai oferecer mais de 1.500 itens para serem vendidos, vindos de mais de 1.200 cidades brasileiras. Além de palestras, debates sobre agricultura familiar e alimentação, o evento conta com atividades culturais e a participação de mais de 200 artistas nacionais, entre eles, Jorge Aragão, Chico César, Zeca Baleiro e outros. 

Conforme Missias Dias, no último dia de evento, 25 toneladas de alimentos serão distribuídos entre as comunidades carentes de São Paulo. 

O parlamentar também informou sobre reunião com a presidência do Banco do Nordeste, realizada na última segunda-feira (08/05), quando pôde debater pautas voltadas para o desenvolvimento da agricultura familiar nos estados do Nordeste. 

Entre as principais demandas, destacou a desburocratização do Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), a renegociação de dívidas, a instituição de um programa voltado para a distribuição de energia solar no campo, entre outros pontos.

“Um Banco do Nordeste é um banco para desenvolvimento do Nordeste, e não deve deixar de olhar para o povo do campo, os pequenos agricultores e empreendedores”, observou. Segundo ele, uma nova reunião será realizada ainda este mês para definir encaminhamentos para essas sugestões. 

Missias Dias também destacou a regularização dos imóveis de 2.085 famílias cearenses. A entrega dos títulos aconteceu no último sábado (06/05), no Centro de Eventos do Estado. “Foi um sonho que o governador Elmano de Freitas realizou para todas essas famílias, que serão ainda beneficiadas com as isenções e remissões de créditos tributários pelos municípios, referentes ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e redução em 70% dos custos cartorários, conforme estabelece a lei de iniciativa do Tribunal de Justiça (TJCE)”, disse. 

Em aparte, a deputada Larissa Gaspar (PT) e o deputado De Assis Diniz (PT) reforçaram a importância do MST e da agricultura familiar na produção de alimentos do Brasil. 

Larissa Gaspar lembrou que o MST exerceu um papel “fundamental” durante a pandemia ao fornecer alimentos para pessoas em situação de extrema pobreza e insegurança alimentar. De Assis também salientou o “enorme potencial de produção de alimentos saudáveis dos trabalhadores rurais a preços acessíveis para toda a população”. 

Edição: Adriana Thomasi

Romeu Aldigueri destaca mensagem sobre reajuste geral de servidores

Por Pedro Emmanuel Goes / ALECE

 

Deputado Romeu Aldigueri (PDT) - Foto: Junior Pio

 

A mensagem que trata do reajuste geral dos servidores civis e militares do estado do Ceará foi destacada pelo deputado Romeu Aldigueri (PDT), em pronunciamento no primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) desta terça-feira (09/05). O líder do Governo na Casa salientou o “fortalecimento institucional” que representa, ao instituir mesas permanentes de diálogo entre o Governo do Estado e os servidores públicos.

“Quero parabenizar especialmente os servidores que negociaram conosco aqui na Alece e com o próprio governador Elmano de Freitas na tarde de segunda-feira (08/05), frente às dificuldades que o Estado enfrenta este ano para atender a integralidade de suas demandas”, disse.

O acordado entre Governo do Estado e servidores foi o reajuste de 5,8% parcelado em duas vezes, sendo a primeira parcela para junho e a segunda para outubro, além do pagamento retroativo de 3% referente aos meses de janeiro a junho de 2023 a ser pago em dezembro.

Foi definido ainda o reajuste de 5,8% no valor do vale-alimentação, a manutenção da data-base dos servidores, que continua em janeiro, além da instituição de mesas, central e setoriais, para diálogo permanente entre o governador Elmano de Freitas e as representações dos servidores.

Romeu Aldigueri exaltou a disponibilidade de Elmano de Freitas frente às demandas dos servidores. “Sua fala ontem foi incisiva ao afirmar que, não só realizaria a reposição das perdas salariais acumuladas nos últimos governos mas também ao firmar o compromisso de viabilizar ganhos reais aos servidores a partir do próximo ano”, pontuou.

Em aparte, os deputados Guilherme Sampaio (PT), Renato Roseno (Psol), De Assis Diniz (PT) e a deputada Larissa Gaspar (PT) também manifestaram apoio à aprovação da mensagem.

Guilherme Sampaio avaliou que essa disposição ao diálogo com os servidores sinaliza “um novo patamar de qualidade na interlocução entre governo e servidores”. Já Renato Roseno também salientou que, mesmo que as demandas não sendo atendidas de forma integral neste primeiro momento, há um ganho político muito importante ao se estabelecer essa comunicação permanente e a promessa de ganho real para os servidores nos próximos anos. 

Já o deputado De Assis Diniz ressaltou o papel do líder Romeu Aldigueri, que articulou o acordo entre servidores e Governo do Estado. “Foi o grande responsável pela vitória de hoje”, disse.

MINUTO DE SILÊNCIO

Romeu Aldigueri também solicitou a realização de minuto de silêncio em virtude do falecimento da cantora Rita Lee, comunicado na manhã desta terça-feira. Segundo ele, Rita Lee foi uma das maiores artistas do Brasil e “revolucionou a música popular brasileira”. A cantora foi diagnosticada com câncer de pulmão em 2021 e vinha fazendo tratamentos contra a doença.

Edição: Adriana Thomasi

A hora do Senado

Câmara dos Deputados deu o primeiro passo para proteger o marco legal do saneamento básico; agora, cabe ao Senado Federal ratificar o gesto e impedir o retrocesso que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende impor a essa política social aprovada em 2020.

Foi no começo de abril que Lula deslanchou sua iniciativa. Embotado pela ideologia e de olho nos interesses imediatos de políticos paroquianos, baixou decretos para modificar o marco legal em favor de empresas estatais ineficientes no campo do saneamento.

Nada justifica as medidas do petista, salvo o preconceito contra o setor privado. Num país em que cerca de 100 milhões de pessoas ainda se encontram ao largo da coleta de esgoto, deveria ser óbvio que os esforços precisam mirar mais eficiência, não menos.

Daí por que fizeram bem os deputados ao encaminhar um projeto de decreto legislativo que, se aprovado também pelo Senado, derruba trechos de dois dos decretos lulistas e resguarda, com isso, alguns dispositivos essenciais da lei.

Por exemplo, Lula reabriu prazos e facilitou condições para que empresas estaduais de saneamento apresentem garantias de capacidade técnica e financeira para cumprir a meta de universalização da coleta de esgoto até 2033.

O presidente também inseriu uma permissão para que companhias estaduais possam prestar serviços sem licitação em regiões metropolitanas, aglomerações urbanas ou microrregiões.

Os dois itens foram atacados na Câmara, e com bons motivos: eles premiam a baixa produtividade e reduzem os estímulos à qualidade daquilo que a população recebe.

Esses argumentos ajudam a explicar por que o debate entre os deputados terminou num dilatado placar de 295 a 136, com o governo amealhando a parcela minoritária dos votos em sua primeira derrota expressiva no Congresso.

Ao lado deles, enfileiram-se razões distantes do projeto em si, mas em tudo ligadas à dificuldade que Lula tem de montar uma base de apoio neste seu terceiro mandato.

Exemplo eloquente é a situação de MDB, União Brasil e PSD. A despeito de somarem nove ministérios, votaram em peso pela derrocada dos decretos de Lula.

Há, como sempre, reclamações sobre demora na distribuição de cargos e verbas —o que até pode ter contribuído para a retirada de pauta do projeto das fake news, outro tema de interesse do Planalto.

No presidencialismo de coalizão, porém, a afinidade ideológica e de projetos também cobra o seu quinhão. Se Lula quiser melhorar o diálogo no Congresso, não bastará sacar moedas de troca rasteiras; precisará incluir na negociação o direcionamento das pautas para o centro —sobretudo na economia, onde o PT tem muito a aprender.

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Fuaspec e parlamentares definem pagamento de reajuste de servidores em reunião na Alece

Por Pedro Emmanuel Goes / ALECE

 

Em mais uma rodada de negociações com deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) realizada na manhã desta segunda-feira (08/05), os representantes do Fórum Unificado das Associações e Sindicatos dos Servidores Públicos Estaduais do Ceará (Fuaspec) acataram proposta do Governo Estadual que estabelece, entre outras deliberações, 5,8 % de reajuste parcelado em duas vezes, sendo a primeira para junho e a segunda para outubro, além do pagamento retroativo de 3% referente aos meses de janeiro a junho de 2023 a ser pago em dezembro.

Na reunião, conduzida pelo líder do governo na Alece, deputado Romeu Aldigueri (PDT), foi acordado ainda o reajuste de 5,8% no valor do vale-alimentação, a segurança da data-base dos servidores, que continua em janeiro, além da abertura de um diálogo oficial entre o governador Elmano de Freitas e as representações nomeadas pela Fuaspec. 

Uma reunião entre as entidades do setor público e o governador foi marcada para acontecer hoje, às 16h, quando serão levadas as propostas que deverão nortear novas negociações a partir de janeiro de 2024.

Conforme a coordenadora geral da Fuaspec, Ravena Guimarães, os avanços conquistados hoje ainda são tímidos e não representam a integralidade de necessidades da categoria. “Reconhecemos esse avanço, mas a proposta não foi acatada de forma unânime e não foi o que a categoria tentou pactuar inicialmente. Tivemos algumas abstenções, mas compreendemos que essa margem que foi aberta para a negociação indica um novo caminho que está por vir”, frisou.

Para a categoria, o reconhecimento dos 37,09% em perdas salariais acumuladas desde 2015 precisa ser feito pelo Governo do Estado. “Esse passivo não pode ser ignorado, e com essa oportunidade de diálogo, levaremos essa demanda e acreditamos que seremos ouvidos”, disse Ravena.

Romeu Aldigueri salientou que o governador Elmano de Freitas tomou as reivindicações do serviço público estadual como pessoal e que deve iniciar negociações para viabilizar ganho real para a categoria em janeiro de 2024. 

“Infelizmente, ainda estamos em um estágio muito inicial desse novo governo, lidando com a perda arrecadatória ocasionada pelas mudanças no ICMS feitas no Governo Federal anterior, mas vamos encerrar alguns pontos, como a questão do pagamento dos retroativos, ainda este ano, para que próximo ano possamos iniciar uma nova rodada de negociações”, disse.

Ele frisou ainda que Elmano de Freitas é um governador “do diálogo e da concórdia, transparente e que a melhoria da qualidade do serviço público, assim como a valorização de seus servidores é um dos compromissos firmados para seus quatro anos de governo”. 

A mensagem que trata do reajuste dos servidores públicos do Estado e os demais pontos citados devem chegar à Alece ainda hoje, com previsão de ser debatida e votada já nesta terça-feira (09/05).

A deputada Larissa Gaspar (PT) e os deputados Renato Roseno (Psol) e De Assis Diniz (PT) também estiveram presentes na reunião, assim como 15 representações do serviço público alinhadas à Fuaspec, tais como sindicatos das Assistentes Sociais do Estado, dos Servidores da Justiça Estadual, dos Servidores da Superintendência de Obras Públicas, dos Policiais Penais e outros. 

Edição: Clara Guimarães

Comissão debate financiamento do Hospital Regional de Iguatu nesta terça

Por Lindalva Montezuma / ALECE

 

A Comissão de Previdências Social e Saúde da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) promove, nesta terça-feira (09/05), a partir das 14h, audiência pública para propor soluções ao custeio do Hospital Regional de Iguatu, assim como a construção do Hospital Regional do Centro-Sul. De iniciativa do deputado Marcos Sobreira (PDT), o debate ocorre no Complexo de Comissões Técnicas da Casa. 

O parlamentar observa no requerimento de solicitação que o Hospital Regional de Iguatu é a maior unidade de saúde da região Centro-Sul do Ceará e atende exclusivamente pacientes do SUS, oferecendo serviços de urgência e emergência, traumatologia, ginecologia, obstetrícia, neonatologia, clínica médica e pediátrica.

Nos últimos quatro meses de 2022, com base em dados da Secretaria de Saúde, o hospital prestou cerca de 30 mil atendimentos, realizou 2.009 internações, 27.376 exames, 315 cirurgias e 436 partos. Para o deputado, é crucial garantir o financiamento adequado para manter a qualidade dos serviços prestados pelo hospital. 

“Mesmo com o aporte financeiro através do custeio da saúde, é visível e notório que a população do Centro-Sul necessita e precisa urgentemente da implantação e construção de um Hospital Regional do Centro-Sul”, defende.

Além disso, conforme acrescenta, a região Centro-Sul precisa “urgentemente” de um novo hospital regional, que poderá beneficiar, segundo o parlamentar, cerca de 500 mil pessoas e oferecer serviços de emergência e urgência, centro de imagem e diagnóstico, centro de parto, centro cirúrgico, enfermarias clínicas, cirúrgica, traumatológica e pediátrica, 30 leitos, unidades de cuidados intermediários neonatais e UTIs neonatal, pediátrica e adulto, além de espaço para ensino e pesquisa, com uma equipe multidisciplinar de 31 especialidades médicas.

Foram convidados para o debate representantes da Secretaria da Saúde do Estado, Superintendência Estadual de Saúde, Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems), União dos Vereadores e Câmaras do Ceará (UVC), Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece) e Ministério Público de Iguatu.

Edição: Adriana Thomasi

CPMI dos Atos Golpistas: Pacheco enfraquece oposição e abre caminho para maioria governista

Por Caio Spechoto / O ESTADÃO

 

BRASÍLIA - O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), rejeitou pedidos da oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e garantiu maioria dos governistas na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que deve ser instalada para investigar os ataques às sedes dos Poderes em 8 de Janeiro. A decisão de Pacheco deixou mais enfraquecida a oposição na comissão.

 

A CPMI projeta ser o principal palco de embate entre governo e oposição no ano inicial do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Palácio do Planalto, que antes era contra a abertura da comissão parlamentar e se viu obrigado a mudar de posição após a divulgação de imagens do agora ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) general Gonçalves Dias dentro do Palácio do Planalto durante os ataques.

 

As decisões sobre o cálculo de proporcionalidade e a indefinição em relação ao nome que vai ocupar a relatoria, a CPMI, que teria início nesta semana, foi adiada, com previsão de início ou na próxima semana ou na segunda quinzena deste mês. O governo projeta ter cerca de 20 das 32 cadeiras titulares que comporão a comissão. São 16 vagas da Câmara e 16 do Senado.

 

Caso a apelação fosse atendida por Pacheco, os opositores de Lula poderiam ter duas vagas a mais, uma na cota de cada Casa. As cadeiras são divididas de acordo com o tamanho dos blocos partidários.

 

No Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder do governo no Congresso e único representante da Rede, trocou o partido de bloco. Isso levou a um recálculo do número de vagas que cada grupo teria na Casa. Aliados de Lula ganharam uma nova vaga à custa de uma que seria do bloco liderado pelo PL, partido de Jair Bolsonaro.

 

Na Câmara, pesou contra a oposição o entendimento de que partidos sem estrutura de liderança não podem ter representação. Isso excluiu da conta o Novo, cuja bancada é pequena demais para ter acesso a essa estrutura. Em ofício, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), não incluiu o partido no cálculo de proporcionalidade. “O presidente Arthur Lira não pode encaminhar à Casa ao lado um documento rasgando o regimento”, protestou o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), que seria o indicado do partido.

 

As queixas da oposição começaram no dia 26 de abril, quando foi lido o requerimento de criação da CPMI. Havia expectativa de Pacheco resolver as questões na terça-feira passada, o que não ocorreu. No mesmo dia, governistas começaram a dizer que a comissão poderia demorar duas semanas para ser instaurada.

 

A decisão de Pacheco era considerada imprescindível para o andamento da CPMI porque só após resolvida a distribuição de vagas entre os blocos os partidos poderão indicar os integrantes da comissão.

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Ministros defendem reforma agrária, mas criticam invasões do MST

Os ministros da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, defenderam nesta quinta-feira (4) a retomada do programa de reforma agrária. Eles criticaram, no entanto, invasões de terra promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Fávaro e Teixeira participaram de audiência pública da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA).

Para Carlos Fávaro, é papel do Estado promover a reforma agrária para "quem tem vocação e deseja ter um pedaço de terra para produzir". Ele defendeu a presença do líder do MST, João Pedro Stédile, na comitiva do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em viagem à China, em abril passado. Segundo o ministro, as críticas à participação de Stédile são fruto de preconceito.

— Engraçado como são as coisas, o preconceito neste país. Ninguém fala dos mais de 100 empresários que acompanharam a comitiva. Por que não pode um líder social ir lá também para buscar oportunidades em causas sociais? Por que não pode um sindicalista fazer parte da comitiva presidencial? Mas não tem posicionamento dúbio: invasão de terras não é legítimo. Não devemos apoiar. (...) Não é concebível apoiar invasão de terra. Da minha parte nunca o farei — afirmou.

Para Paulo Teixeira, o governo federal não tem "qualquer leniência" com a invasão de terras. Segundo o ministro, a condição que o Poder Executivo impõe para negociar o assentamento de famílias é a liberação de áreas ocupadas.

— Isso é uma exigência do governo: com áreas ocupadas, não negociamos. Não há desse governo qualquer leniência com esse tipo de problema. Agora, faz seis anos que nenhum centímetro de terra é entregue para o povo brasileiro. O programa de reforma agraria acabou. O presidente Lula pretende anunciar em maio um programa de reforma agrária para 2023. Um programa que possa trazer não só a terra, mas infraestrutura, crédito e assistência técnica — disse.

Oposição

Durante a audiência pública, parlamentares manifestaram preocupação com a invasão de áreas produtivas. Para o senador Sergio Moro (União-PR), o governo federal dá "sinais contraditórios" sobre o tema.

— Não se trata de demonizar movimento social, o MST. Agora, invasão de propriedade, não. A gente não vê esse posicionamento do presidente Lula. O que vemos na verdade são sinais contraditórios. Ao mesmo tempo que se faz invasão de terra aqui no país, o presidente leva o líder do MST numa viagem internacional, dando àquela liderança uma posição de prestígio. Falta do presidente da República uma palavra de reprovação — disse Moro.

Para o senador Jaime Bagattoli (PL-RO), as invasões de terra provocam uma "situação caótica", que deve ser evitada.

— Nós podemos ter um conflito muito grande. Podemos ter uma revolução no campo. Se isso não tiver uma providência urgente, podemos ter conflitos, talvez até de mortes no campo. Não é isso o que o produtor brasileiro quer — afirmou.

O senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) comparou as invasões de terra promovidas pelo MST aos atos golpistas de 8 de janeiro.

— Invasões arbitrárias. Não sei quem nesses dias comparou as ações do MST ao 8 de janeiro. É mais ou menos igual o que eles estão fazendo. Precisa de uma ação enérgica e que o presidente da República fale. Se ele é contra, que chegue para a imprensa e diga: 'Eu sou contra essas invasões arbitrárias que estão acontecendo'. O governo precisa se posicionar e coibir — declarou.

Plano Safra

O ministro da Agricultura e Pecuária anunciou uma novidade para o Plano Safra 2023/2024, que deve ser divulgado em junho. De acordo com Carlos Fávaro, o programa deve incluir mecanismos de estímulo à produção sustentável de alimentos previstos no Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC).

— Estamos planejando um Plano Safra inovador, ancorado no Plano ABC. As pessoas vão falar: 'Nossa! Qual obrigação vão colocar no ombro dos produtores para que eles possam acessar crédito?' Nenhuma. É o contrario. Não será punitivo ou criador de obrigações. É um Plano Safra de reconhecimento, de premiação pelas boas práticas dos produtores. E quais seriam esses prêmios? Aumento de limite? Diminuição de taxa de juros? Ao fazermos esse reconhecimento, tenho certeza que essa retórica negativa começa a mudar — afirmou.

O ministro Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar também destacou a mudança no Plano Safra. Sem dar detalhes, Paulo Teixeira antecipou algumas diretrizes que devem orientar o novo programa.

— Estamos trabalhando a transição para uma agricultura ecológica de baixo carbono. Queremos lançar o Plano Safra com duas variáveis de estímulo: diminuição de juros para produção de alimentos e práticas de agricultura restaurativa. Entendemos que as agriculturas empresarial e familiar são complementares. Não têm contradições entre si — disse.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), que foi ministra da Agricultura de Pecuária no governo anterior, classificou a mudança no Plano Safra como "muito interessante". Ela, no entanto, cobrou informações objetivas sobre a formatação do programa.

— A ideia de colocar toda essa parte de sustentabilidade é muito interessante, mas eu queria saber o seguinte: qual a taxa de juros? Como será essa equalização? Já tem uma ideia de faixa de juros para pequenos, médios e grandes produtores? — questionou.

Agronegócio

Tereza Cristina cobrou ainda "uma fala única" do governo sobre agricultura e preservação ambiental.

— O Brasil é uma potencia ambiental e na agricultura. Mas nossos competidores lá fora exaltam mais os nossos problemas, porque a competição do Brasil é temida. Temos que achar um discurso sério, coerente, com números. Todo mundo precisa falar na mesma página para que lá fora se conheça a verdade do que é o agro brasileiro — afirmou.

O senador Jorge Seif (PL-SC) foi além e disse que o agronegócio no Brasil "passa por uma demonização".

— Falam que nós derrubamos tudo, que não respeitamos a natureza e tantas outras falácias para impedir que o agro brasileiro avance e alcance mais mercados. Somos uma ameaça a muitos desses países. Que tenhamos uma voz única para defender o agro brasileiro — disse.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, observou que a "há uma crise de imagem contra a agropecuária brasileira". Mas lembrou que o país não pode "querer tampar o sol com a peneira" e precisa reconhecer que, nos últimos anos, enfrentou altas nos indicadores de desmatamentos e queimadas.

— Existe uma retórica de que os produtores brasileiros não respeitam o meio ambiente, que vão destruir a Amazônia, que não dão atenção à qualidade de sustentabilidade. O que não é verdade. A imensa maioria dos nossos produtores são ordeiros, legalistas e comprem a legislação. Mas não adianta a gente querer tampar o sol com a peneira. Há sim um aumento do desmatamento e de queimadas ilegais no Brasil nos últimos anos. Não adianta chegar em qualquer lugar no mundo só com discurso. Isso se torna o que eles chamam de greenwashing: uma mentira verde. Dizer que tem boas praticas, e não tem. Mas nós temos boas práticas — afirmou.

A audiência pública contou ainda com a participação dos senadores Beto Faro (PT-PA), Jayme Campos (União-MT), Luis Carlos Heinze (PP-RS), Margareth Buzetti (PSD-MT) e Sérgio Petecão (PSD-AC). A presidente da CRA, senadora Soraya Thronicke (União-MS), foi a autora dos requerimentos para a realização da audiência pública.

Fonte: Agência Senado

CDH debaterá situação da saúde no Ceará

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) fará na sexta-feira (5) audiência pública para debater a situação da saúde no estado do Ceará. De acordo com o senador Eduardo Girão (Novo-CE), autor do requerimento para o debate, o estado enfrenta desafios na área da saúde, com o fechamento de diversos hospitais públicos. A audiência está marcada para as 9 horas.

No requerimento, Girão cita vários hospitais que teriam sido total ou parcialmente fechados, alguns deles para reformas, e afirma que a população está tendo dificuldade no atendimento, com longas filas de espera. Ele também mencionou atraso nos salários de médicos.

"Além das situações narradas, concentradas majoritamente na cidade de Fortaleza, observa-se um grau de problema sistêmico no qual hospitais de grande porte localizados em cidade polo no interior do Estado não estão funcionando na sua plenitude, fato que acarreta um deslocamento em massa das populações das cidades do interior para a capital, colapsando assim as unidades de atendimento ali instaladas”, afirma ao justificar o pedido de audiência pública.

Para o senador, os fechamentos, interdições e paralisações de obras dos hospitais no estado são obstáculo ao pleno exercício do direito humano à saúde. Na audiência pública, ele diz esperar encontrar soluções e propor melhorias ao sistema de saúde.

Já confirmaram presença o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado do Ceará, Leonardo José de Alcântara; a secretária executiva de Atenção à Saúde e Desenvolvimento Regional do Ceará, Joana Holanda; o diretor-presidente do Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), Flávio Deulefeu; e o presidente da Comissão de Saúde da OAB/CE, Ricardo Madeiro.

Ainda não conformaram presença a defensora pública geral do Ceará, Elizabeth Chagas; a secretária de Saúde do estado, Tânia Coelho; e o secretário de Saúde de Fortaleza, Galeno Taumaturgo Lopes. Também devem participar deputados estaduais do Ceará.

Como participar

O evento será interativo: os cidadãos podem enviar perguntas e comentários pelo telefone da Ouvidoria do Senado (0800 061 2211) ou pelo Portal e‑Cidadania, que podem ser lidos e respondidos pelos senadores e debatedores ao vivo. O Senado oferece uma declaração de participação, que pode ser usada como hora de atividade complementar em curso universitário, por exemplo. O Portal e‑Cidadania também recebe a opinião dos cidadãos sobre os projetos em tramitação no Senado, além de sugestões para novas leis.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Câmara aprova projeto que prevê salários iguais para homens e mulheres

A Câmara dos Deputados aprovou na sessão deliberativa desta quinta-feira (4) proposta que institui medidas para tentar garantir a igualdade salarial e remuneratória entre mulheres e homens na realização de trabalho de igual valor ou no exercício da mesma função. O texto segue agora para análise do Senado.

Foi aprovado o substitutivo elaborado pela relatora, deputada Jack Rocha (PT-ES), ao Projeto de Lei 1085/23, do Poder Executivo. “Este será mais um passo para avançarmos no enfrentamento à desigualdade no ambiente de trabalho, que se aprofundou durante a pandemia de Covid-19”, afirmou a relatora.

Foram 325 votos favoráveis e 36 contrários ao parecer final de Jack Rocha, definido após negociação entre os líderes partidários. Em razão de um acordo, não foram apresentados destaques que poderiam alterar a versão da relatora.

“Falar de igualdade salarial é falar sobre a emancipação das mulheres", disse a relatora ao defender a proposta na sessão dessa quarta-feira. "A luta das mulheres é a promoção da implementação de programas de diversidade no ambiente de trabalho, que incluam capacitação de gestores, lideranças, empregadores”, concluiu.

Apesar do acordo, o texto não agradou a todos. “O que vocês acham que o empregador vai fazer? Subir o salário do homem ou reduzir o salário da mulher? É óbvio: infelizmente vai ser nivelado por baixo, em prejuízo da mulher", criticou o deputado Gilson Marques (Novo-SC) durante a discussão da proposta na quarta. "Esse projeto bota nas costas do empreendedor uma série de responsabilizações e multas que vão inibir a contratação das mulheres”, alertou.

O texto aprovado altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para definir que a igualdade salarial será obrigatória. Para isso, estabelece mecanismos de transparência e de remuneração a serem seguidos pelas empresas, determina o aumento da fiscalização e prevê a aplicação de sanções administrativas.

Fiscalização e multa
Ato do Poder Executivo definirá protocolo de fiscalização contra a discriminação salarial e remuneratória entre homens e mulheres. Em caso de discriminação por motivo de sexo, raça, etnia, origem ou idade, além das diferenças salariais o empregador deverá pagar multa administrativa equivalente a dez vezes o valor do novo salário devido ao empregado discriminado – será o dobro na reincidência.

Conforme o substitutivo aprovado, a quitação da multa e das diferenças salariais não impedirá a possibilidade de indenização por danos morais à empregada, consideradas as especificidades do caso concreto.

Atualmente, em razão da reforma trabalhista do governo Temer, a CLT prevê multa fixada pelo juiz em “comprovada” discriminação por motivo de sexo ou etnia, em favor do empregado prejudicado, de 50% do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social (R$ 3.753,74 atualmente).

Regras
Embora o texto aprovado inove ao criar a obrigatoriedade de equiparação salarial a ser verificada por meio documental, as demais regras que definem as situações em que a desigualdade poderá ser reclamada pelo trabalhador continuam as mesmas definidas pela reforma trabalhista do governo Temer.

A única mudança feita pela proposta prevê a não aplicação dessas regras apenas quando o empregador adotar, por meio de negociação coletiva, plano de cargos e salários. Hoje isso é possível também quando o empregador tiver pessoal organizado em quadro de carreira por meio de norma interna.

Em relação aos trabalhadores sem acesso a plano de cargos e salários, a CLT define que uma igual remuneração deverá ser paga no exercício de “idêntica função” por “todo trabalho de igual valor” no mesmo estabelecimento empresarial, sem distinção de sexo, etnia, nacionalidade ou idade.

Por “trabalho de igual valor”, a lei define aquele feito com “igual produtividade e com a mesma perfeição técnica” por pessoas cuja diferença de tempo de serviço para o mesmo empregador não seja superior a quatro anos. A diferença de tempo na função não poderá ser superior a dois anos.

Além disso, atualmente a CLT prevê que a equiparação salarial só será possível entre empregados contemporâneos no cargo ou na função, ou seja, não vale entre aqueles com diferença maior de tempo no cargo.

A lei proíbe ainda, para a reivindicação de igualdade salarial, a indicação de decisões proferidas em relação a empregados com diferença de tempo muito superior a dois anos, mesmo no âmbito de ação judicial própria do empregado mais recentemente contratado.

Relatórios
Para facilitar a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, o substitutivo aprovado determina às pessoas jurídicas de direito privado com cem ou mais empregados a publicação semestral de relatórios de transparência salarial e remuneratória.

Os relatórios deverão conter informações que permitam aos fiscais comparar os valores recebidos por mulheres e homens, observada a legislação de proteção de dados pessoais. Caso o relatório não seja apresentado, caberá multa de até 3% da folha de salários, limitada a cem salários mínimos (hoje, R$ 132 mil).

Com essa documentação, cujo formato será definido por regulamento, deverá ser possível verificar a proporção da ocupação de cargos de direção, gerência e chefia preenchidos por mulheres e homens. Poderão ser analisadas outras possíveis desigualdades, decorrentes de raça, etnia, nacionalidade e idade.

Segundo o texto aprovado, quando for identificada desigualdade na análise do relatório, independentemente do descumprimento da CLT, a empresa deverá apresentar e implementar plano para reduzir diferenças, com metas e prazos.

Na elaboração desse plano será garantida a participação de representantes das entidades sindicais e de representantes das trabalhadoras e dos trabalhadores nos locais de trabalho.

Divulgação
Na internet, o Poder Executivo deverá tornar públicos, além das informações dos relatórios, indicadores atualizados periodicamente sobre mercado de trabalho e renda desagregados por sexo.

Devem estar disponíveis indicadores de violência contra a mulher, de vagas em creches públicas, de acesso à formação técnica e superior e de serviços de saúde, bem como demais dados públicos que impactem o acesso ao emprego e à renda pelas mulheres e possam orientar a elaboração de políticas públicas.

Diversidade
O texto aponta também outras medidas para se atingir a igualdade salarial:
- disponibilização de canais específicos para denúncias;
- promoção e implementação de programas de diversidade e inclusão no ambiente de trabalho por meio da capacitação de gestores, lideranças e empregados(as) sobre a temática da equidade entre homens e mulheres no mercado de trabalho, com aferição de resultados; e
- fomento à capacitação e formação de mulheres para ingresso, permanência e ascensão no mercado de trabalho em igualdade de condições com os homens.

 

Reportagem - Eduardo Piovesan e Ralph Machado
Edição - Natalia Doederlein

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Câmara aprova inclusão de Padre Cícero no Livro dos Heróis da Pátria

A Câmara dos Deputados aprovou na sessão deliberativa desta quinta-feira (4) proposta (PL 10/20 e apensados) que inscreve o nome do Padre Cícero Romão Batista no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. O texto segue para o Senado.

A relatora em Plenário, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), recomendou a aprovação da proposta. “Padre Cícero é tido como santo por uma imensa legião de fiéis espalhados pelo Brasil”, disse o autor do projeto de lei, deputado José Guimarães (PT-CE). Em 2022, a Igreja Católica iniciou processo de beatificação.

Padre Cícero viveu no Ceará. Nasceu em Crato, em 1844. Ordenado padre em Fortaleza, em 1870, foi ainda prefeito de Juazeiro do Norte, onde morreu em 1934. A estátua em homenagem ao religioso, inaugurada em Juazeiro do Norte em 1969, recebe anualmente cerca de 2,5 milhões de romeiros e visitantes.

O Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria é um documento que preserva os nomes de figuras que marcaram a história do Brasil. O chamado Livro de Aço encontra-se no Panteão da Pátria, na praça dos Três Poderes, em Brasília.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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