Um cenário bom, por enquanto
22 de maio de 2022 | 03h05
O anúncio da inflação de 9% no Reino Unido, a maior em 40 anos, é apenas o sinal mais recente dos problemas que a economia mundial enfrenta por causa da pandemia e, mais recentemente, da guerra na Ucrânia. No Brasil, a alta média anual dos preços já passa de 12%. Preços em alta afetam a renda de consumidores, exigem medidas restritivas das autoridades monetárias e, assim, ameaçam a recuperação da atividade econômica. É nesse cenário de desafios e riscos que, surpreendentemente, as contas públicas brasileiras mostram sinais de melhora e dão indicações de que continuarão a melhorar por algum tempo.
A arrecadação tributária mostra crescimento vigoroso, mudanças nas regras do teto de gastos assegurarão sua preservação nos próximos anos, o déficit público federal de 2022 será bem menor do que o estimado há alguns meses e a dívida bruta do governo central deve ficar abaixo de 80% do Produto Interno Bruto (PIB), bem menos do que se previa na fase crítica da pandemia. É o que mostra o Relatório de Acompanhamento Fiscal da Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado Federal.
Pelo menos quanto a alguns importantes indicadores fiscais, o governo Bolsonaro não deverá deixar uma herança tão desastrosa quanto decerto deixará na educação, no meio ambiente, na política externa e na administração pública em geral.
No plano externo, algumas projeções pioraram. A inflação está sendo mais alta do que a projetada no fim do ano passado e a atividade econômica está perdendo aceleração. O Brasil vem contando com estímulos que têm impulsionado a economia, como a liberação de recursos do FGTS para aumentar a capacidade de consumo das famílias. Assim, as projeções para o crescimento do PIB neste ano passaram de cerca de 0,5% para 1%. É, ainda assim, um desempenho fraco, que retoma a tendência de baixo crescimento observada há anos. E a inflação, já alta, segue persistente.
A combinação de alguma melhora na atividade econômica e alta generalizada dos preços, que faz crescer as projeções do PIB nominal, vem propiciando crescimento acentuado da receita. A alta das commodities igualmente ajuda.
São todos, porém, fatores conjunturais. A alta da taxa básica de juros decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central destina-se a inibir a atividade econômica e esse efeito começará a ser sentido em algum momento. Os preços das commodities podem ter alcançado seu pico, o que deve conter o movimento de alta e até ser seguido de quedas. E a atividade econômica, revisada para cima em 2022, está sendo revista para baixo em 2023.
Além disso, benefícios tributários concedidos pelo governo Bolsonaro a alguns grupos de contribuintes implicarão perda permanente de receita, enquanto do lado das despesas alguns itens continuarão a crescer automaticamente em valores reais.
O cenário otimista observado hoje não terá vida longa, pois problemas antigos não foram resolvidos. Sem reformas profundas na estrutura de gastos, sua deterioração começará em dois ou três anos.
Bolsonaro irá a Caruaru para São João que vai censurar artistas, diz prefeito
O São João de Caruaru, que vai censurar manifestações políticas dos artistas contratados, deve receber a visita do presidente da República, Jair Bolsonaro.
O anúncio foi feito pelo prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro, do PSDB, em entrevista à Rádio Cultura do Nordeste. A conversa, que ocorreu na última sexta-feira (13), foi transmitida pelas páginas da emissora nas redes sociais.
Pinheiro afirmou que faria o convite oficial a Bolsonaro nesta semana, mas que a presença do presidente já havia sido confirmada.
"Verbalmente, a notícia que a gente tem é que o presidente Bolsonaro vai vir, sim. Coincidentemente ou não, vai ser no dia que a Brucelose, a banda do ex-ministro Gilson Machato Neto, vai tocar. Tenho certeza que ele vem. Ele vinha para a Paixão de Cristo, não conseguiu vir, mas seus apoiadores estão esperando a visita em Pernambuco."
Machado Neto, que já foi ministro de Turismo de Bolsonaro, está sendo cogitado por aliados do presidente para o cargo de vice.
O governo federal informou à reportagem que a agenda de compromissos do presidente para junho ainda não está disponível.
A Prefeitura de Caruaru, cidade a 136 quilômetros do Recife, afirmou no edital de contratação de seus artistas que qualquer atração "que expresse conteúdo político de qualquer natureza" não seria contratada.
O edital afirma que o descumprimento da cláusula pode levar à rejeição da prestação de contas e, por consequência, à suspensão do cachê da apresentação.
Além dos artistas locais, boa parte deles inscritos por meio do edital, devem se apresentar na festa Luan Santana, Mari Fernandez, Felipe Amorim, Dorgival Dantas e Bell Marques.
O evento começa em 4 de junho e vai até 2 de julho. As apresentações principais serão divididas em matinês nos dias 11, 23, 24, 25 e 26.
A proibição surge cerca de um mês e meio após Pabllo Vittar ter mostrado uma toalha com o rosto do ex-presidente Lula e feito um sinal de "L" com a mão no palco do Lollapalooza, festival de música que ocorreu no último fim de semana de março em São Paulo.
A equipe do presidente Jair Bolsonaro questionou a organização do festival. Seu partido, o PL, acionou o TSE por suposta propaganda eleitoral irregular no evento, alegando que a legislação só permite campanha política a partir de 16 de agosto.
O tribunal acatou parcialmente o pedido e determinou multa de R$ 50 mil para o festival se houvesse outras manifestações a favor ou contra qualquer candidato ou partido no Lollapalooza. A produtora do evento, T4F, entrou com recurso e manteve a liberdade de expressão dos artistas.
Governo repassa R$ 7,7 bilhões do pré-sal para estados e municípios
O governo federal, por meio do Banco do Brasil, vai repassar R$ 7,7 bilhões para todos os estados, para o Distrito Federal e 5.569 municípios do valor relativo à arrecadação dos bônus de assinatura do leilão dos excedentes para exploração de petróleo e gás natural da cessão onerosa dos campos de Sépia e Atapu, no pré-Sal, de acordo com informações do Ministério de Minas e Energia.

O valor será pago desta sexta-feira (20) até a próxima terça-feira (24).
O leilão foi realizado pela Agência Nacional de Pétróleo (ANP) em dezembro de 2021 e rendeu bônus de assinatura total de R$ 11,1 bilhões. Segundo o ministério, os investimentos previstos são de R$ 204 bilhões.
Desde 2019, oito leilões de petróleo e gás natural garantiram investimentos de R$ 800 bilhões, com expectativa de criação de mais de 500 mil empregos.
Edição: Maria Claudia / AGÊNCIA BRASIL
Bolsonaro chama Elon Musk de ‘mito da liberdade’ e diz que compra do Twitter é ‘sopro de esperança’
Por José Maria Tomazela, Eduardo Gayer e Circe Bonatelli / O ESTADÃO
Covid-19: em 24 horas, Brasil teve 10,4 mil casos e 114 mortes
O Ministério da Saúde divulgou hoje (19) novos números sobre a pandemia de covid-19 no país. Segundo o levantamento diário feito pela pasta, o Brasil tem, no acumulado, 30,7 milhões de casos confirmados da doença e 665,4 mil mortes registradas. Os casos de pacientes recuperados somam 29,7 milhões (96,9% dos casos).

Nas últimas 24 horas, o ministério registrou 10,4 mil novos casos e 114 mortes.
O estado de São Paulo tem o maior número de casos acumulados desde o início da pandemia, com 5,4 milhões de casos e 168,8 mil óbitos.
Em seguida, aparecem os estados de Minas Gerais (3,3 milhões de casos e 61,4 mil óbitos); do Paraná (2,5 milhões de casos e 43,2 mil óbitos) e do Rio Grande do Sul (2,3 milhões de casos e 39,4 mil óbitos).
Vacinação
Conforme o vacinômetro do Ministério da Saúde, 429 milhões de doses de vacinas contra contra a covid-19 já foram aplicadas no país.
Receberam a primeira dose da vacina 176,5 milhões de pessoas. A segunda dose já foi aplicada em 158 milhões e 82,9 milhões tomaram a dose de reforço. A segunda de reforço foi aplicada em 3 milhões de pessoas.
Edição: Nádia Franco / AGÊNCIA BRASIL
Safra de café 2022 pode chegar a 53,4 milhões de sacas
A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a produção de café é de 53,4 milhões de sacas, na safra deste ano. O volume representa acréscimo de cerca de 5,7 milhões de sacas em relação ao ciclo anterior.

Se comparado com a colheita de 2020, último ano de bienalidade positiva, a produção esperada para este ano é 15,3% inferior, o que representa 9,65 milhões de sacas. O ciclo bienal é uma característica da cultura e consiste na alternância de um ano com grande florada seguido por outro com florada menos intensa.
“A recuperação é limitada, uma vez que a estiagem e as geadas ocorridas ainda no ano passado, principalmente em Minas Gerais, no Paraná e em São Paulo, debilitaram as plantas, influenciando no desempenho produtivo das lavouras de café”, diz o presidente da Conab, Guilherme Ribeiro, em nota.
Café arábica
De acordo com a companhia, o café do tipo arábica é aquele que mais deve ser influenciado pelo clima adverso, pois a sua concentração ocorre nas regiões mais impactadas pelas baixas temperaturas e pela escassez hídrica. Mas a expectativa ainda é de recuperação na produção em relação à safra passada, podendo chegar a 35,7 milhões de sacas do produto beneficiado. “Porém, era esperado um potencial produtivo maior, por se tratar de um ciclo de bienalidade positiva. Se comparado com a safra 2020, a sinalização é de diminuição de 23,6% do volume total estimado”, acrescenta a Conab.
Segundo a companhia, para a produtividade média, o último ano de bienalidade positiva alcançou cerca de 32,21 sacas por hectare para o mesmo café arábica. Já na atual safra, a estimativa é de um rendimento médio de 24,6 sacas por hectare. Minas Gerais continua como o maior produtor de café do Brasil com 24,7 milhões de sacas produzidas, destas 24,4 milhões são de arábica.
Café Conilon
Em movimento oposto ao arábica, a produção de café conilon deve atingir novo recorde, com colheita de 17,7 milhões de sacas beneficiadas – um aumento de 8,7% em relação à safra anterior, puxado pelo incremento de produtividade que tem sido recorrente a cada ano.
No Espírito Santo, principal estado produtor de conilon, a produção tende a ultrapassar as 12 milhões de sacas. “Não houve registro de extremos climáticos no estado capixaba. Pelo contrário, o volume de chuvas e as temperaturas foram favoráveis para a cultura. O mesmo cenário foi verificado na Bahia. Em Rondônia, além das boas condições climáticas, os produtores seguem investindo em melhorias nos pacotes tecnológicos. Já os estados de Mato Grosso e Amazonas apresentam grande potencial para ampliar a produtividade e consequentemente a produção”, ressalta o diretor de Informações Agropecuárias e Políticas Agrícolas da Conab, Sergio De Zen, em nota.
Área
Segundo o levantamento da Conab, a área destinada para o café está estimada em 2,2 milhões de hectares, aumento de 1,9% em relação a 2021. A elevação é esperada tanto para o espaço destinado para as plantas em formação como para aquelas em produção. Para a área em formação, que contempla plantios novos e áreas esqueletadas ou recepadas, a Conab estima cerca de 401,2 mil hectares, enquanto as lavouras em produção devem se estender por 1,84 milhão de hectares, alta de 2,5% e 1,8% respectivamente.
Mercado externo
Nos quatro primeiros meses deste ano, o Brasil exportou 14,1 milhões de sacas de 60 quilos de café. O volume é 10,8% menor do que o exportado em igual período do ano passado, resultado influenciado pela queda na produção de café em 2021 e redução dos estoques internos nos primeiros meses de 2022.
“Atualmente, a oferta restrita do produto continua influenciando os preços. Por outro lado, a pressão baixista sobre o consumo aumenta as incertezas e a tendência atual é de muita volatilidade. Porém a recuperação limitada da produção brasileira impede quedas mais expressivas nas cotações de café e sustenta os valores praticados no mercado em patamares elevados”, pondera o superintendente de Estudos de Mercado e Gestão da Oferta da Conab, Allan Silveira.
Edição: Lílian Beraldo / AGÊNCIA BRASIL
'Estatais de energia não fazem mais sentido no Brasil', diz ex-diretor da Aneel
19 de maio de 2022 | 13h16
Na avaliação do ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Edvaldo Santana, todo o setor elétrico brasileiro deveria ser privado. No início, havia um propósito de ter estatais para desenvolver o mercado e fazer os investimentos necessários. Mas hoje, diz, não faz sentido manter uma estatal como a Eletrobras, que não tem mais poder de investimento no setor. “É só mais empresas para o uso político. E os políticos não sabem usar as estatais no Brasil.”
Santana, que é professor titular na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), afirma que o modelo que será usado para privatizar a companhia (uma capitalização via emissão de ações) não é o melhor do ponto de arrecadação, mas é o melhor em termos de velocidade do processo. “E o governo tem pressa.” Segundo ele, mais importante que vender a empresa é encontrar saídas para reduzir o valor das tarifas. A privatização vai injetar ao longo do tempo R$ 32 bilhões na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), o que reduziria a pressão sobre as tarifas ao consumidor. Veja a seguir os principais trechos da entrevista.
1248088A privatização da Eletrobras vai reduzir a tarifa de energia? Tem gente que acha que terá um efeito contrário.
Nem uma coisa nem outra tem como antecipar agora. Mas acredito que o efeito imediato é reduzir a tarifa, pois o valor da privatização vai compor a CDE. São R$ 32 bilhões que irão para essa conta de forma parcelada anualmente. Por outro lado, há a questão das cotas das usinas da Eletrobras, cujo preço da energia é mais barato. Ao privatizar a empresa, esse valor passaria a seguir o valor de mercado. Mas nem isso garante que, de fato, a tarifa vai aumentar. Isso porque o preço da energia está caindo muito por causa das eólicas e solares, e não se tem certeza do que vai ocorrer lá na frente. Mas o efeito imediato seria a redução.
Então só saberemos no futuro o efeito?
Sim. A descotização da energia das usinas da Eletrobras vai ocorrer em 5 anos. A cada ano 20% da energia deixará de ser cota (um sistema pelo qual a energia é vendida a preço mais baixo) e vai para o mercado. Só ao final desse processo saberemos o efeito. Mas, se continuar como está hoje, com o preço da energia caindo, pode não haver pressão sobre a tarifa.
O modelo que será usado é o melhor para privatizar a Eletrobras?
É um bom modelo, por ser rápido. Se fosse o modelo tradicional, com um único comprador, seria mais demorado - mas, por outro lado, arrecada-se mais. Na Bolsa, é o valor da ação. Não se arrecada tanto. Mas, para quem tem pressa, é o modelo ideal.
Por que essa pressa?
O governo tem pressa. O processo de privatização começou na administração do Temer (ex-presidente Michel Temer). O governo Bolsonaro só transformou um projeto de lei numa medida provisória. Mas o governo tem pressa porque acha que vai reduzir a tarifa com a arrecadação que vai para a CDE. O Tesouro também está precisando de dinheiro. A privatização vai colocar na mão do Tesouro R$ 25 bilhões. Mas, hoje, o que interessa mais não é a privatização da Eletrobras, mas a redução da tarifa.
Para o sr. a privatização da Eletrobras é um bom negócio?
Sim. Para mim, todo o setor elétrico deveria ser privado, independentemente de aumentar ou não a tarifa. A Eletrobras não tem participado de leilão de transmissão, por exemplo, porque não tem dinheiro para investir. A transmissão da Eletrobras terá de ser reposta em menos de 10 anos. E ela não teria condições de fazer isso. Com capital privado, isso será possível. No início, havia um propósito de ter uma estatal de energia. Agora isso não faz mais sentido. É só mais empresas para o uso político. E os políticos não sabem usar as estatais no Brasil.
É natural esse vaivém do processo que aconteceu no TCU ou os estudos tinham mesmo fragilidades?
É um jogo político. O TCU é um órgão técnico, mas também tem jogo político. Todo estudo tem alguma fragilidade, mas não acredito que, neste caso, tinha desonestidade. Isso não. O Benjamin Zymler (ministro do TCU) rebateu ponto a ponto tudo. Um processo desse, de capitalização com venda de ações na Bolsa, nem precisaria desse cálculo de valor mínimo. Quem vai dizer o valor mínimo é o mercado. Não se pode afastar muito do valor na Bolsa. Se for um valor muito maior, ninguém vai comprar. Se for menor, vai ter um ágio enorme. O processo teve isonomia e transparência. A privatização da Eletrobras vinha sendo esperada há muito tempo. Será um marco e um dos maiores do mundo.
Covid-19: Brasil registra 13,5 mil casos e 103 mortes em 24 horas
O Ministério da Saúde divulgou hoje (18) dados atualizados sobre a pandemia de covid-19 no país. De acordo com levantamento diário feito pela pasta, o Brasil acumula, desde o início da pandemia, 30,7 milhões de casos confirmados da doença e 665,3 mil mortes registradas. Os casos de recuperados somam 29,7 milhões (96,9% dos casos).

Nas últimas 24 horas, o ministério registrou 13,5 mil novos casos e 103 mortes.
O estado de São Paulo tem o maior número de casos acumulados desde o início da pandemia, com 5,4 milhões de casos e 168,8 mil óbitos. Em seguida estão Minas Gerais (3,3 milhões de casos e 61,4 mil óbitos); Paraná (2,4 milhões de casos e 43,2 mil óbitos) e Rio Grande do Sul (2,3 milhões de casos e 39,4 mil óbitos).
Vacinação
Até ontem, o vacinômetro do Ministério da Saúde contabilizava 428,9 milhões de doses de vacinas aplicadas contra contra a covid-19, sendo 176,5 milhões da primeira dose; 157,9 milhões da segunda dose, além de 82,9 milhões de doses de reforço e 3 milhões da segunda dose de reforço.
Edição: Denise Griesinger / AGÊNCIA BRASIL
Auxílio Brasil permanente de R$ 400 é sancionado por Bolsonaro
O Auxílio Brasil no valor de R$ 400 se tornou um benefício permanente, segundo Medida Provisória (MP) sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta quarta-feira (18), junto ao ministro da Justiça, Anderson Torres, e da Casa Civil, Ciro Nogueira.
O documento havia sido aprovado pelo Senado Federal no último dia 4 por meio do projeto de lei de conversão 6/2022. O texto é proveniente da Medida Provisória (MP) 1.076/2021.
Antes da medida, o valor médio do benefício era de R$ 70 a R$ 80 de piso e valor máximo de R$ 175 a R$ 180.
A permanência do benefício no valor de R$ 400 foi possível após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios que abriu espaço no teto de gastos em dezembro de 2021.
DIARIONORDESTE
Eletrobras: TCU aprova processo de privatização da estatal
18 de maio de 2022 | 09h57
Atualizado 18 de maio de 2022 | 19h25
BRASÍLIA - Por sete votos a um, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o processo de privatização da Eletrobras, estatal com foco na geração e transmissão de energia. O governo aguardava o desfecho do julgamento para dar prosseguimento na operação, que diluirá o controle acionário da União na companhia. A intenção da equipe de Jair Bolsonaro é concluir a desestatização ainda no primeiro semestre deste ano, para evitar a proximidade com o calendário eleitoral e com as férias de verão no Hemisfério Norte, período de movimento menor de investidores na Bolsa.
Nos últimos dias, o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, fez uma ofensiva nos gabinetes de seis ministros do TCU para garantir apoio para autorização da privatização da empresa e sanar possíveis dúvidas existentes. Conforme mostrou o Estadão, Sachsida afirmou a um ministro da Corte que, se o processo passasse, a oferta de ações deveria ocorrer em 25 de maio - um prazo mais curto do que vinha sendo indicado nas últimas semanas- e a liquidação em 9 de junho.
Em julgamento ocorrido nesta quarta-feira, 18, seguiram o ministro-relator, Aroldo Cedraz, os ministros Benjamin Zymler, Walton Alencar Rodrigues, Augusto Nardes, Jorge Oliveira, Antonio Anastasia e Bruno Dantas.
Apenas o ministro Vital do Rêgo, que havia pedido vistas do processo em 20 de abril, apresentou voto divergente contra a privatização. Em seu voto-revisor, ele alegou que os dados e modelo da desestatização têm uma série de inconsistências e irregularidades. O ministro, no entanto, não conseguiu apoio dos demais integrantes do colegiado.
Após a maioria dos ministros declarar voto pela aprovação do processo, Vital do Rêgo afirmou que respeita a decisão. "Aceito a decisão da maioria, mesmo não entendendo o posicionamento dela. Aceito, mas não entendo, mas respeito acima de tudo."
O tribunal analisou a segunda etapa do processo de acompanhamento da privatização. A discussão se concentrou no modelo de venda, incluindo os valores das ações a serem ofertadas na bolsa de valores para que a União deixe o controle acionário da empresa. A União deve reduzir sua participação na estatal de mais de 60% para algo em torno de 45%.
Apesar do aval, o voto aprovado pelo TCU traz algumas determinações e recomendações para o Ministério de Minas e Energia (MME) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que auxiliam na modelagem da operação. Alguns pontos foram acatados por Cedraz, após ministros da Corte indicarem alguns ajustes a serem feitos.
Em fevereiro, os ministros já haviam aprovado uma primeira fase. A discussão envolveu os montantes a serem pagos como bônus de outorga para a União pela mudança no regime de operação das usinas da estatal. Atualmente, a empresa vende energia por preços mais baixos que os praticados no mercado. Com a mudança, a Eletrobras poderá vender a preço de mercado.



