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SUS: ministro anuncia incorporação de tecnologia para tratar AVC

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou hoje (10) a inclusão da trombectomia nos procedimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Altamente especializado e usado na fase aguda do AVC, o tratamento consiste na inserção de um cateter no vaso sanguíneo do paciente para remover o bloqueio e restaurar o fluxo sanguíneo para a área afetada. A tecnologia deve estar completamente implantada até o final do ano

O anúncio foi feito na abertura do Global Stroke Alliance – for Stroke without Frontiers, um congresso médico destinado a debater o Acidente Vascular Cerebral (AVC), na capital paulista. 

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, participa da abertura do Global Stroke Alliance 2022 no Sheraton World Trade Center São Paulo.
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, participa da abertura do Global Stroke Alliance 2022 no Sheraton World Trade Center São Paulo. - Rovena Rosa/Agência Brasil

Segundo Queiroga, a logística da trombectomia é complexa, mas já há experiência nacional para realizar esse procedimento. Antes de ser aprovada para inserção no SUS, a tecnologia foi avaliada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). A portaria foi publicada pela Secretaria de Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE), do Ministério da Saúde, faltando concluir a terceira fase que é a disponibilização dos hospitais especializados.

"São 88 centros do Brasil que realizam o tratamento especializado no AVC, mas não são todos esses que terão essa tecnologia em um primeiro momento. Isso é feito degrau por degrau. Só pode estar disponível naqueles centros onde há qualificação técnica de equipes de profissionais habilitados”.

O ministro explicou que o critério de escolha dos locais onde a tecnologia será implantada serão os indicadores de cada um dos hospitais, como dados de mortalidade por AVC, tempo de internação no hospital, reinternações, pacientes que são tratados com trombolíticos e a experiência dos médicos.

Segundo Queiroga, o desafio de cuidar do AVC é tão amplo que não abrange só a atenção especializada, porque começa na atenção primária, com controle da hipertensão arterial, do diabetes, com o combate ao tabagismo, sedentarismo, entre outros. O ministro reforçou que o AVC é a primeira causa de morte no mundo, atingindo 18 milhões de pessoas por ano.

"Essa é a maneira mais eficaz de reduzir óbitos por AVC, mas aqueles que têm precisam de terapia para reperfundir a artéria que está obstruída levando ao AVC. Isso se faz com trombolíticos, que são os medicamentos que dissolvem o coágulo, ou então com a trombectomia. É como acontece no infarto, mas a logística do AVC é mais complexa porque temos menos tempo".

Queiroga reforçou que todas as terapias inovadoras acarretam custos que podem ser incrementais ou a eficácia dessa terapia é muito superior ao que já existe, sendo um custo decremental. "No caso da trombectomia, foi avaliado, e a razão de custo e efetividade incremental está dentro do patamar de limiar que o sistema brasileiro suporta financiar. Essa questão dos custos não é a preocupação maior em relação a essa terapia. A nossa maior atenção é garantir que os resultados dos ensaios clínicos se repliquem na prática".

O que é o AVC

O AVC acontece quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, provocando a paralisia da área cerebral que ficou sem circulação sanguínea. É uma doença que acomete mais os homens e é uma das principais causas de morte, incapacitação e internações em todo o mundo. Existem dois tipos de AVC, que ocorrem por motivos diferentes: AVC hemorrágico e AVC isquêmico.

O AVC isquêmico ocorre quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de oxigênio para células cerebrais, que acabam morrendo. Essa obstrução pode acontecer devido a um trombo (trombose) ou a um êmbolo (embolia). O AVC isquêmico é o mais comum e representa 85% de todos os casos.

O AVC hemorrágico ocorre quando há rompimento de um vaso cerebral, provocando hemorragia. Esta hemorragia pode acontecer dentro do tecido cerebral ou na superfície entre o cérebro e a meninge. É o responsável por 15% de todos os casos de AVC, mas pode causar a morte com mais frequência do que o AVC isquêmico.

Segundo informações do Ministério da Saúde, os principais sinais de alerta para qualquer tipo de AVC são fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo; confusão mental; alteração da fala ou compreensão; alteração na visão (em um ou ambos os olhos); alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar; dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente.

Os fatores que aumentam o risco de AVC são a hipertensão, o diabetes tipo 2, colesterol alto, sobrepeso; obesidade; tabagismo; uso excessivo de álcool; idade avançada; sedentarismo; uso de drogas ilícitas; histórico familiar; ser do sexo masculino. Para prevenir, o ideal é manter uma vida saudável, sem fumar, consumir álcool ou drogas ilícitas, além de manter alimentação equilibrada, peso ideal, beber bastante água, praticar atividades físicas regularmente e manter a pressão e a glicose sob controle.

Edição: Aline Leal / AGÊNCIA BRASIL

Mercado vê superávit primário no governo central em 2022 pela primeira vez, mostra Prisma

O mercado financeiro melhorou a projeção para o resultado primário do governo em 2022 e passou a ver um saldo positivo nas contas federais neste ano pela primeira vez, mostrou relatório Prisma Fiscal divulgado nesta quarta-feira (10) pelo Ministério da Economia, indicando também uma melhora na previsão para a dívida bruta.

De acordo com o documento, que capta projeções de agentes de mercado para as contas públicas, a expectativa para o resultado primário do governo central ficou em superávit de R$ 4,6 bilhões, ante rombo de R$ 20 bilhões projetado em julho, no que poderia ser o primeiro resultado no azul em nove anos.

A previsão positiva, após 19 meses consecutivos de estimativas de rombo, se aproxima de análise interna do governo, que já aponta para um superávit de R$ 6 bilhões neste ano, com impulso adicional do pagamento de superdividendos por estatais. A meta fiscal para 2022 é de déficit de R$ 170,5 bilhões.

As estimativas do mercado para o resultado primário refletem uma elevação na projeção da receita líquida do governo, de R$ 1,775 trilhão para R$ 1,818 trilhão. Houve um aumento menos intenso nas expectativas para a despesa total, passando de R$ 1,793 trilhão no relatório anterior para R$ 1,804 trilhão na pesquisa deste mês.

Com a melhora nos dados, os analistas consultados pela pasta reduziram a previsão para a dívida bruta do governo geral em 2022 para 79% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 79,5% na pesquisa de julho.

Adriano Machado/Reuters
Notas de 200 reais
Notas de 200 reais

O governo vem registrando recordes de arrecadação, sob impulso da retomada da atividade econômica, alta da inflação e elevação das cotações de commodities no mercado internacional.

A revisão positiva das projeções ocorre mesmo diante da estratégia do governo de converter esses ganhos de receitas em cortes de tributos e ampliação de benefícios sociais neste ano eleitoral.

Nos últimos meses, foram liberados cortes de PIS/Cofins de combustíveis, redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e cortes de tarifas de importação, além de repasses a caminhoneiros, taxistas e beneficiários do Auxílio Brasil.

2023 NO VERMELHO

Para 2023, as projeções de mercado indicam um retorno ao déficit primário, com rombo de R$ 30 bilhões no governo central, mesmo patamar da estimativa trazida pelo relatório anterior.

A estimativa é que a dívida bruta fique em 82,30% do PIB no ano, ante 82,50% previstos no mês passado.

No relatório deste mês, o Ministério da Economia anunciou a inclusão de novos indicadores ao levantamento. Agora, a consulta a analistas de mercado traz também previsões para variação do PIB, índice de desemprego e INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

O mercado espera, por exemplo, que o INPC, usado para a correção do salário mínimo e uma série de despesas do governo, encerrará 2022 em 7,6%, passando a 5,4% em 2023.

(Reuters)

Brasil contabiliza em julho fluxo cambial positivo de US$ 1,83 bi, mostra BC

O fluxo cambial ao Brasil ficou positivo em US$ 1,834 bilhão em julho, com novamente a conta comercial mais do que compensando saídas nas operações financeiras, mostraram dados do Banco Central nesta quarta-feira (10).

O saldo entre o câmbio contratado para exportação e o para importação foi superavitário em US$ 2,974 bilhões, enquanto a conta financeira –em que são registradas trocas de dinheiro referentes a empréstimos externos, remessas de lucros e dividendos e fluxos de portfólio, por exemplo– teve resultado negativo de US$ 1,14 bilhão.

Nos sete primeiros meses de 2022, o fluxo cambial mostrou sobra de US$ 20,968 bilhões, acima do ingresso líquido de US$ 16,172 bilhões do mesmo período no ano passado.

Antonio Molina/Folhapress
Fachada do prédio do Banco Central em Brasília
Fachada do prédio do Banco Central em Brasília

O BC segue atualizando os números do fluxo cambial depois de semanas sem divulgar os dados devido a paralisações de servidores, mas o atraso caiu para uma semana.

Outros indicadores, porém, já estão em seus cronogramas usuais de atualização. Em agosto até dia 5, por exemplo, o BC registrou perda contábil de US$ 2,676 bilhões em seu estoque de contratos de swap cambial no mercado. No acumulado do ano, porém, há superávit de US$ 76,816 bilhões.

(Reuters)

Brasil registra 365 mortes e 30,2 mil casos de covid-19 em 24 horas

As secretarias estaduais e municipais de Saúde registraram 30.220 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas em todo o país. De acordo com os órgãos, foram confirmadas também 365 mortes por complicações associadas à doença no mesmo período.

Os dados estão na atualização do Ministério da Saúde divulgada nesta terça-feira (9), com exceção do dado relativo a óbitos em Mato Grosso do Sul, que não foi informado, de acordo com a pasta.

Com as novas informações, o total de pessoas infectadas pelo novo coronavírus desde o início da pandemia já soma 34.066.000.

O número de casos em acompanhamento da doença está em 531.128. O termo é dado para designar casos notificados nos últimos 14 dias que não tiveram alta e nem resultaram em óbito.

Com os números de hoje, o total de óbitos desde o início da pandemia alcançou 680.531. Ainda há 3.241 mortes em investigação. As ocorrências envolvem casos em que o paciente faleceu, mas a investigação sobre a ainda demanda exames e procedimentos complementares.

Até agora, 32.854.341 pessoas se recuperaram da covid-19. O número corresponde a pouco mais de 96% dos infectados desde o início da pandemia.

Aos sábados, domingos e segundas-feiras, o número de registros diário tende a ser menor pela dificuldade de alimentar os bancos de dados das secretarias municipais e estaduais de Saúde. Às terças-feiras, o quantitativo, em geral, é maior pela atualização dos casos acumulados nos fins de semana.

boletim epidemiológico 09.08.2022
Fonte: Ministério da Saúde

Estados

Segundo o balanço do Ministério da Saúde, no topo do ranking de estados com mais mortes por covid-19 estão São Paulo (173.418), Rio de Janeiro (75.089), Minas Gerais (63.167), Paraná (44.685) e Rio Grande do Sul (40.570).

Já os estados com menos óbitos são Acre (2.021), Amapá (2.153), Roraima (2.161), Tocantins (4.189) e Sergipe (6.420).

Vacinação

Até esta terça-feira, o vacinômetro do Ministério da Saúde apontava que um total de 469.951.837 doses de vacinas contra covid-19 foram aplicadas no país, desde o início da campanha de imunização.

Deste total, 178,6 milhões como primeira dose, 159,6 milhões como segunda e 4,9 milhões como dose única. A dose de reforço já foi aplicada em mais de 103,7 milhões de pessoas e a segunda dose extra ou quarta dose, em pouco mais de 18 milhões.

O painel registra ainda 4,7 milhões de doses como "adicionais", que são aquelas aplicadas em quem tinha recebido o imunizante da Janssen, de dose única.

Edição: Denise Griesinger / AGÊNCIA BRASIL

TCU condena Deltan, Janot e Romão a devolver R$ 2,8 milhões gastos na Lava Jato

Pepita Ortega / O ESTADÃO

09 de agosto de 2022 | 13h01

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O ex-chefe da Lava Jato Deltan Dallagnol. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

Os ministros da 2ª Câmara Ordinária do Tribunal de Contas da União, em votação unânime, condenaram nesta terça-feira, 9, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, o ex-chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba Deltan Dallagnol – hoje pré-candidato à Câmara dos Deputados – e o ex-procurador-chefe do Ministério Público no Paraná João Vicente Beraldo Romão a ressarcirem, solidariamente, dano de R$ 2,831,808,17 aos cofres públicos em razão de ‘ato de gestão ilegítimo e antieconômico’ ilegais com o aval para pagamento de diárias e passagens a integrantes da extinta força-tarefa. Além disso, os caciques da falecida operação terão de pagar multa individual de R$ 200 mil cada. Cabe recurso.

No julgamento realizado nesta manhã, os ministros acompanharam o entendimento do relator, Bruno Dantas, e julgaram irregulares as contas especiais de Janot, Deltan e Romão. Em seu voto, Dantas ainda sugeriu uma apuração à parte, ‘em ação própria e por órgãos competentes’, de questões que, em tese, podem configurar ato doloso de improbidade administrativa.

 

Após a decisão da corte de contas, Deltan afirmou que a 2ª Câmara da corte de contas ‘entra para a história como órgão que perseguiu os investigadores do maior esquema de corrupção já descoberto na história do Brasil’ (leia a íntegra da nota ao final da matéria).

O ex-procurador tem atribuído parcialidade ao ministro do TCU, ressaltando que Dantas ‘esteve presente no jantar de lançamento da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à presidência e tem vínculos próximos com o senador Renan Calheiros’, que foi alvo da Lava Jato.

Apesar da condenação no TCU, uma eventual decisão sobre inelegibilidade de Deltan cabe à Justiça Eleitoral. Quando o ex-procurador registrar sua candidatura, ela até poderá ser questionada, mas o entendimento final vai partir do juízo eleitoral, sendo cabíveis recursos até o Tribunal Superior Eleitoral.

Em todo ano de eleição, o TCU encaminha à corte eleitoral uma lista de condenados, mas nela entram apenas nomes que tiveram declaradas as contas irregulares com trânsito em julgado – ou seja, quando a condenação é definitiva. A decisão que atingiu o ex-chefe da Lava Jato ainda pode ser impugnada.

A Lava Jato foi a maior operação já deflagrada no País contra a corrupção. Aberta em março de 2014, foi extinta em fevereiro de 2021, após a execução de 80 fases ostensivas que levaram à prisão e condenação de doleiros, empreiteiros, lobistas e políticos.

“O modelo impugnado pelo MP de contas nessa tomada de contas especial envolveu a escolha de procuradores e o pagamento reiterado e desmedido de diárias e passagens àqueles que por ventura não tinham domicílio em Curitiba. Esse padrão viabilizou uma indústria de pagamento de diárias e passagens a certos procuradores escolhidos a dedo, o que é absolutamente incompatível com as regras que disciplinam o serviço público brasileiro”, afirmou o relator.

Já com relação a outros ex-integrantes da força-tarefa, beneficiados pelos pagamentos de diárias e passagens, o entendimento da corte foi o de que não houve ‘prática de ato de gestão, tampouco erro grosseiro’. Segundo Dantas, os procuradores ‘atuavam na atividade fim, designados e autorizados’ pelos responsáveis pela força-tarefa. Assim, foram julgadas regulares com ressalva as contas de Antonio Carlos Welter, Carlos Fernando dos Santos Lima, Diogo Castor de Mattos, Isabel
Cristina Groba Vieira, Januário Paludo, Jerusa Burmann Viecili e Orlando Martello Júnior , dando-lhes quitação.

Já a situação de Deltan, Janot e Romão é diversa, segundo Dantas, em razão da ‘adoção do formato de força-tarefa desprovido da devida fundamentação, com a consequente prática de modelo antieconômico de custeio’. O ministro do TCU entendeu que o trio é responsável pela ‘concepção, solicitação, aprovação e gestão do modelo antieconômico’ adotado pela Lava Jato.

“Fica evidente que o modelo construído atenta contra o princípio da impessoalidade, tanto por privilegiar os agentes administrativos em detrimento do interesse público, quanto por não adotar critério imparcial, objetivo e transparente para a escolha desses mesmos agentes”, ponderou.

Em seu voto, o relator da tomada de contas detalhou as condutas atribuídas a Janot, Romão e Deltan. Com relação ao ex-PGR, Dantas afirmou que o então chefe do Ministério Público Federal autorizou a constituição da força-tarefa da Lava Jato ‘adotando modelo antieconômico que permitia pagamento irrestrito de diárias e passagens a procuradores escolhidos sem critérios objetivos’.

Já Romão ‘é responsável por ter solicitado a constituição da força-tarefa sem qualquer análise de custos que seriam incorridos durante os trabalhos, sem a proposição de qualquer limite para os valores a serem auferidos e sem a indicação de qualquer critério objetivo e transparente para fundamentar a escolha dos procuradores beneficiados’.

“Apesar do rápido agigantamento e perpetuação da Operação Lava Jato e da complexidade cada vez maior dos trabalhos, em nenhum momento seu líder e coordenador ou o gestor máximo da PGR atentaram-se para a necessidade de reavaliar o modelo de custeio eminentemente temporário da força-tarefa, que seguiu sua lógica de designação imotivada de membros e pagamento continuado de altos valores em diárias e passagens a procuradores que declaravam residência em outras cidades”, registrou Dantas em seu voto.

Segundo o relator, ‘faltaram estudos mínimos que avaliassem alternativas e demonstrassem tecnicamente que o modelo de gestão adotado era o que melhor atendia ao interesse público, quando considerados tanto a finalidade que se pretendia alcançar quanto o elevado dispêndio de recursos envolvido’.

Quanto a Deltan, o ministro do TCU diz que o ex-procurador, na condição de líder da força-tarefa desde sua origem, participou ‘notória e ativamente de sua concepção no modelo escolhido, escolheu seus integrantes e demandou, à cúpula da Procuradoria-Geral da República, recursos materiais e humanos para realização dos trabalhos’.

“A atuação de Deltan Martinazzo Dallagnol, portanto, contribuiu inequivocamente para o resultado danoso aos cofres públicos. Foi sob sua liderança que foi levado ao conhecimento da alta administração do Ministério Público Federal a extensão que os feitos relacionados às operações em andamento estavam tomando e que a unidade regional necessitaria de recursos adicionais para
continuar as investigações”, registra trecho do voto de Dantas.

O ministro do TCU ainda fez ponderações sobre questionamentos acerca dos ‘reflexos
institucionais’ dos temas tratados no caso em questão no âmbito do Ministério Público Federal. Dantas anotou que o processo relativo à Lava Jato em Curitiba ‘não pretende abordar
questões estruturais de constituição e economicidade do modelo de gestão por meio de forças-tarefa’ no âmbito do MPF do Ministério Público Federal. Segundo ele, tal questão, ‘de natureza transversal e organizacional’, é objeto de uma outra tomada de contas.

“Não é tarefa desta Corte de Contas e nem se pretende definir e fundamentar o melhor modo de atuação do Ministério Público Federal. O debate se delonga, porém, justamente em razão da ausência de fundamentação sobre a não adoção de opções disponíveis aos gestores e coordenadores da força-tarefa. Fossem esses e outros modelos considerados e refutados ao tempo certo, sob fundamentos
adequados, não haveria campo para discussão a respeito”, ponderou.

“No entanto, tenho dúvidas se um adequado exame dos fatos, na época certa, não teria
imediatamente afastado o modelo que possibilitou o pagamento de cerca de mais de R$ 4 milhões em
diárias e passagens para procuradores que, em muitos casos, fixaram residência em Curitiba. É dizer,
tudo está a indicar que a ausência de fundamentação foi estratégica, exatamente para eximir os
proponentes da força-tarefa do ônus argumentativo de justificar o desvirtuamento de figuras jurídicas
idealizadas para indenizar despesas transitórias e eventuais por interesse do serviço”, afirmou ainda Dantas.

COM A PALAVRA, DELTAN DALLAGNOL

A respeito do julgamento pela 2ª Câmara do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as diárias da operação Lava Jato, o ex-procurador Deltan Dallagnol esclarece o seguinte:

1. A 2.ª Câmara do Tribunal de Contas da União (TCU) entra para a história como órgão que perseguiu os investigadores do maior esquema de corrupção já descoberto na história do Brasil. O órgão se junta àqueles que, ao invés de condenar o desvio de bilhões de reais de recursos públicos, decidem condenar aqueles que se dedicaram arduamente ao combate à corrupção. Trata-se de uma
absurda inversão de valores que não encontra eco na opinião pública.

2. A decisão dos ministros desconsidera o parecer de 14 manifestações técnicas de 5 diferentes instituições (MPF, TCU, MP-TCU, ANPR e JF) que referendaram a atuação da Lava Jato e os pagamentos feitos. Tudo isso com o objetivo de perseguir o ex-procurador Deltan Dallagnol e enviar um claro recado a todos aqueles que lutam contra a corrupção e a impunidade de poderosos.

3. Discordando dos 4 ministros políticos do TCU que condenaram Deltan Dallagnol, todos delatados na Lava Jato, o ministro substituto André Luis, que veio da área técnica e não tem direito a voto, no fim do julgamento, pediu a palavra para elogiar ironicamente o ministro relator Bruno Dantas pela coragem de condenar quem combateu a corrupção, contra as manifestações técnicas, enquanto os tribunais estão livrando a cara de quem realmente praticou corrupção.

4. Este é mais um episódio que mostra o quão longe o sistema político quer ver a Lava Jato do Congresso Nacional e até onde o sistema é capaz de chegar para impedir que o combate à corrupção avance no país.

5. Deltan Dallagnol segue firme com o propósito de combater a corrupção, amparado no apoio de mais de 80% da população brasileira que apoia a Lava Jato e está indignada com a impunidade. Prova disso é que sua pré-campanha já arrecadou mais de R$ 230 mil por meio de uma vaquinha virtual, um dos maiores valores arrecadados por pré-candidatos por meio desta modalidade.

6. A decisão da 2.ª Câmara do TCU não torna o ex-procurador inelegível, já que a lei determina que se tornam inelegíveis apenas “os que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário” (art. 1º, inciso I, alínea “g”, da Lei Complementar 64/90).

7. A defesa do ex-procurador vai recorrer da decisão ao Plenário do TCU, o que tem efeito suspensivo, ou seja, suspende os efeitos da decisão.

8. Deltan reafirma seu compromisso com o Brasil e acredita que a resposta aos ataques do sistema, coordenados por políticos corruptos, virá das urnas em outubro.

COM A PALAVRA, A ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROCURADORES DA REPÚBLICA

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) lamenta a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que condenou membros do Ministério Público Federal (MPF) por supostas irregularidades no pagamento de diárias e passagens.

A ANPR reafirma o seu posicionamento de que não houve qualquer ilícito administrativo nem dano ao erário. A decisão do tribunal contraria pareceres da área técnica do próprio TCU e do Ministério Público junto ao TCU, que consideraram regulares as contas e pediram o arquivamento do processo.

O entendimento prevalecente não levou em conta as manifestações técnicas e valeu-se de linguagem bastante adjetivada para atacar as funções institucionais do MPF. A ANPR manifesta preocupação com a linha adotada e espera que o TCU possa, em julgamento técnico e isento, rever a decisão.

 

Grande Fortaleza tem pior cenário de pobreza em 10 anos; 1,5 milhão vive com até R$ 465 ao mês

Theyse Viana / DIARIONRDESTE

 

A cada esquina onde alguém ergue um cartaz anunciando a própria fome, o avanço da pobreza se concretiza. Os números também atestam: mais de 1,5 milhão de pessoas estão pobres ou extremamente pobres na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), o pior cenário dos últimos 10 anos.

 

Os dados são do Boletim Desigualdade nas Metrópoles, elaborado pelo Observatório das Metrópoles a partir de números da PNAD Contínua anual, do IBGE, sobre a renda domiciliar per capita total.

Para traçar as linhas de pobreza e extrema pobreza das famílias, o estudo considerou os valores delimitados pelo Banco Mundial: 

  • Pobreza: renda de até R$ 465 per capita, aproximadamente; 
  • Extrema pobreza: renda de até R$ 160 per capita, aproximadamente.

Em Fortaleza, para se ter ideia, a cesta básica atingiu o valor de R$ 641, em julho, o que compra apenas os 12 produtos essenciais à alimentação mensal: arroz, feijão, carne, leite, manteiga, pão, café, açúcar, farinha, óleo, banana e tomate.

Mais de um terço de quem vive na Grande Fortaleza, então, sequer consegue arcar com a comida, já que 37,6% da população amarga algum nível de pobreza – 5,8% dela vivendo no nível mais extremo, conforme o boletim do Observatório das Metrópoles.

 

FOME É EFEITO IMEDIATO

O avanço da pobreza reflete a diminuição drástica da renda dos cearenses. A renda média familiar em Fortaleza e na Região Metropolitana chegou a R$ 1.234, em 2021, valor menor do que 10 anos atrás. Em 2012, a média era R$ 1.263.

O rendimento médio dos 40% mais pobres na Grande Fortaleza também caiu: em 2012, eram R$ 345 mensais; em 2021, R$ 328. A defasagem impacta o poder de comprar o básico, como alimentação.

A redução de renda atinge a vida de modo geral, viver em grandes cidades requer renda pra ter acesso a bens. Os dados que divulgamos estão em compasso com o aumento da fome: as pessoas passam fome por não ter renda. O efeito imediato é o agravamento da fome e da população em situação de rua.
MARCELO RIBEIRO
Pesquisador do Observatório e professor da UFRJ

Marcelo destaca ainda que, a longo prazo, esse atravessamento de tantas pessoas pela pobreza compromete toda uma geração futura. “Nas famílias de baixa renda, as crianças e adolescentes estão sem condições de se alimentar do ponto de vista nutricional ideal, prejudicando toda uma geração.”

 

DESEMPREGO É CARRO-CHEFE DA POBREZA

No estudo do Observatório das Metrópoles, todos os indicadores de renda e desigualdade social na Região Metropolitana de Fortaleza pioraram, nos últimos anos. Alguns deles, como renda dos mais pobres, atingiram o pior resultado da década.

O abismo entre classes econômicas também cresceu: em 2021, os 10% mais ricos da Grande Fortaleza ganham, em média, 16,6 vezes mais do que os 40% mais pobres, que estão na base da distribuição de renda.

A situação de crise se arrasta desde 2015, segundo Marcelo Ribeiro, mas foi agravada pela pandemia de Covid, “porque as pessoas precisaram se isolar, a atividade econômica diminuiu e o desemprego cresceu”. É o mercado de trabalho, aliás, o carro-chefe dos problemas.

A situação da pobreza e da desigualdade foi muito amenizada pelo Auxílio Emergencial de R$ 600, mas ele acabou e tudo piorou de novo. Agora, temos o maior nível de pobreza já registrado desde 2012. E isso tem a ver com a baixa recuperação da economia e com o mercado de trabalho.
MARCELO RIBEIRO
Pesquisador do Observatório e professor da UFRJ

Outro fator “é a diminuição de políticas públicas sociais focalizadas nas famílias pobres e extremamente pobres, o que gera alta concentração de renda e aumenta a desigualdade”, como complementa Jair Araujo, professor e pesquisador de Economia da Universidade Federal do Ceará (UFC).

“Uma política de renda eficaz, focalizada e abrangente, diminui a pobreza. As famílias perderam emprego na pandemia, a inflação fez despencar o poder de compra e as políticas se esvaziaram. É preciso focar nas famílias mais carentes”, analisa Jair.

 

Além disso, pontua Marcelo, “é preciso, nesse processo, ir criando mecanismos pra que as pessoas tenham condições de sair dessa situação de pobreza”. 

Ele destaca três providências urgentes: inserção dos adultos no mercado de trabalho, políticas de formação e qualificação profissional, e manter crianças e adolescentes na escola

O QUE FAZER PARA REDUZIR A POBREZA

Para o pesquisador Marcelo Ribeiro, “uma política eficaz de transferência de renda teria o efeito de tentar reverter essa situação”. Além de garantir algum recurso financeiro às famílias, essa medida deveria impor “condicionalidades para reinserção das pessoas no mercado de trabalho de forma qualificada”.

“Mas não é o que estamos vendo. A política que se impõe não é eficaz, tem data pra acabar, como se a pobreza acabasse no final do ano. Pelo cenário econômico que estamos acompanhando, é insuficiente”, pondera Marcelo.

"É importante ter uma focalização de transferência de renda às pessoas que mais precisam: isso deve ser uma ação imediata, no presente. E não apenas pelos próximos meses, mas pelos próximos 2 anos, pelo menos", pontua.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Inflação para famílias de renda mais baixa cai 0,60%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com rendimentos até cinco salários mínimos, caiu 0,60% em julho. É a menor variação verificada desde o início da série histórica em abril de 1979. Em julho de 2021, a taxa apontou variação de 1,02%. No ano, o indicador acumula alta de 4,98% e, nos últimos 12 meses, de 10,12%. Este percentual representa um recuo em relação ao mesmo período imediatamente anterior, quando atingiu 11,92%.

Os produtos alimentícios subiram de 0,78% em junho para 1,31% em julho. Os não alimentícios saíram de 0,57% para queda de 1,21%. Os números foram divulgados hoje (9), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Regiões

O INPC mostrou ainda que todas as áreas tiveram queda em julho, com exceção de São Paulo, onde subiu 0,38%. O avanço na área foi provocado pela alta na energia elétrica (7,52%) e no preço do leite longa vida (21,95%). Já o menor resultado ficou com Goiânia, que teve queda de 1,81%, influenciada pelo recuo de 21,57% nos preços da gasolina e de 14,92% na energia elétrica.

Segundo o IBGE, para calcular o índice do mês, foram comparados os preços coletados no período de 30 de junho a 28 de julho de 2022, que é a referência, com os preços vigentes entre 28 de maio e 29 de junho de 2022, considerados a base.

Indicador

Desde 1979 que o INPC é calculado pelo IBGE. O indicador se refere às famílias com rendimento monetário de um a cinco salários mínimos, sendo o chefe assalariado. O INPC alcança dez regiões metropolitanas do país, além de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e de Brasília.

Edição: Kleber Sampaio / AGÊNCIA BRASIL

O meio ambiente e a política externa

Rubens Barbosa, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2022 | 03h00

A partir da guerra na Ucrânia, a ameaça concreta de falta de energia, em especial do gás, agravada pela forte alta dos preços no mercado internacional, trouxe um retrocesso nos compromissos ambientais assumidos pelos países europeus. A reabertura de usinas a carvão na Alemanha e outras medidas em diversos países vão em sentido contrário às políticas de redução de emissões de gás carbônico. Os países que cobram uma atitude mais firme do Brasil na defesa do meio ambiente e nas políticas de mudança de clima, por circunstâncias internas, veem-se forçados a utilizar meios de geração de energia que condenam, por serem contrários às políticas ambientais que defendem.

Pela primeira vez na História o Brasil ocupa uma posição de grande visibilidade e influência na mais importante e estratégica questão global para o futuro da humanidade.

As novas preocupações globais com a preservação do meio ambiente e a mudança de clima colocaram o Brasil em situação de destaque no contexto internacional. O Brasil, como nunca antes, se encontra no centro das discussões sobre o tema global (não militar) mais relevante e que concentra a atenção de todos os países nas discussões multilaterais e mesmo bilaterais, com repercussão sobre a totalidade dos membros da comunidade internacional. Desde 1992, quando da realização da cúpula sobre meio ambiente, a Eco-92, o Brasil passou a desempenhar um papel de relevo nas negociações e envolveu-se fortemente em todos os acordos negociados até o Acordo de Paris, em 2015, mas nunca o tema da mudança de clima ganhou as dimensões atuais.

A preocupação com o aquecimento do planeta adquiriu proporções inusitadas, pela perspectiva real do aumento do nível dos oceanos, do desaparecimento de ilhas-países e de grande parte de países com litorais vulneráveis, além do impacto sobre a agricultura, que, no médio e no longo prazos, poderá vir a ser afetada pela desertificação ou por grandes inundações, como resultado da alteração dos regimes pluviais, com a destruição das florestas e a não redução do aquecimento planetário.

Nas últimas reuniões do G-20 e na COP-26 houve uma evolução da atitude e das posições políticas do governo em relação a essas discussões, apesar de tudo. O Brasil está de volta e se apresenta como parte da solução, com contribuições para a formação do mercado global de carbono, a redução do metano e a antecipação do fim do desmatamento da Amazônia. O Brasil poderá voltar a ter um papel especial nessas negociações e relevância global pela importância do bioma amazônico, pelo maior reservatório de água doce do mundo, pela importância da matriz energética limpa, pelo papel como potência agrícola e pelas soluções que já está produzindo para a redução das emissões de gás de efeito estufa.

Fontes inesgotáveis e diversificadas de energia renovável (solar e eólica), o potencial da biomassa e da biodiversidade, a produção de etanol, que reduz a poluição dos transportes, são contribuições do País para as discussões sobre o desenvolvimento sustentável, a preservação do meio ambiente e a mudança de clima. O desenvolvimento do mercado de carbono entre Estados e o voluntário entre empresas poderá trazer um grande volume de recursos para o País e ajudará a mitigar o problema de emissão de gás na atmosfera.

Com as necessárias mudanças de políticas ambientais, governo e sociedade em geral poderiam aproveitar essa grande oportunidade. A questão não se deve limitar às discussões ambientais, mas ampliar-se para o exame de como o meio ambiente pode trazer recursos externos, ajudar a fortalecer a projeção externa do País e como o Brasil, afinal, poderá encontrar um lugar no mundo que corresponda efetivamente ao seu potencial.

No momento em que as contradições nas posições ambientais dos países desenvolvidos se agravam, está sendo publicado o livro Diplomacia ambiental, que vai suprir a falta de uma completa e independente informação interna dos compromissos internacionais assumidos em 15 acordos pelos diferentes governos brasileiros nas últimas décadas e confirmar ou corrigir a crescente percepção externa negativa sobre as políticas ambientais atuais. O trabalho esclarece a evolução dos processos gerados pelo resultado das negociações e pela internalização dos acordos examinados, que se tornam parte da legislação nacional. O livro mostra os compromissos cumpridos ou em processo de cumprimento e os não cumpridos, e, por isso, poderá ser um instrumento valioso para o governo e para o setor privado na defesa do interesse nacional e no restabelecimento da credibilidade externa do País, substancialmente deteriorada.

Fica muito claro, contudo, que há muito a ser feito para colocar o Brasil novamente como um real protagonista nos entendimentos bilaterais e nos fóruns internacionais sobre meio ambiente. Em paralelo ao lançamento deste livro, o resultado do trabalho Diplomacia ambiental já pode ser acessado por meio do e-book no portal Interesse Nacional.

O trabalho oferece um roteiro para que, a partir de 2023, meio ambiente e mudança de clima possam estar no centro da política externa e serem definidos como a principal prioridade da ação oficial para a recuperação da credibilidade externa.

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PRESIDENTE DO INSTITUTO RELAÇÕES INTERNACIONAIS E COMÉRCIO EXTERIOR (IRICE), É MEMBRO DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS

O que é deflação? Ela é boa ou ruim para a economia? Entenda

o estadão / redação

Em um País como o Brasil, que lutou por anos a fio contra a hiperinflação, pensar em deflação ainda pode soar meio estranho. Mas ela dá as caras de vez em quando. Acabou de acontecer em julho, pela 15ª vez desde o início do Plano Real - a queda foi de 0,68%. Essa também foi a maior queda desde o início da série histórica do IBGE, em janeiro de 1980. Mas, afinal, o que é deflação, e qual seu impacto para a economia?

A deflação se caracteriza pela queda generalizada dos preços durante um determinado período de tempo - é o oposto da inflação. Em geral, está associada a uma queda da demanda pelos produtos, seja porque a oferta de bens e serviços cresceu mais do que a procura, seja porque os consumidores ficaram mais retraídos em relação aos gastos (preferindo elevar o nível de poupança, por exemplo).

Não é o caso da deflação brasileira em julho. Segundo os especialistas, essa é uma queda de preços, de certa forma, “artificial”, uma vez que foi provocada principalmente pela redução de impostos incidentes sobre produtos como combustíveis e energia. Não há uma queda generalizada de preços, o que caracterizaria uma deflação “clássica”.

Para os consumidores, deflação pode parecer uma coisa boa, já que significa redução de gastos e mais dinheiro no bolso. Mas uma deflação persistente não é um bom sinal quando se pensa na economia como um todo. É um sinal de debilidade da atividade econômica.

Quando há excesso de oferta de bens, ou ausência de demanda, há um aumento da capacidade ociosa na produção, e investimentos em novas fábricas, ou ampliação de linhas, por exemplo, deixam de fazer sentido. Um dos efeitos disso acaba sendo o aumento do desemprego. O remédio para combater esse quadro costuma ser o aumento dos gastos públicos, que pode levar a um endividamento maior do Estado. Ou seja, torcer para uma deflação permanente pode não ser uma boa ideia.

Veja a seguir os meses em que o País registrou deflação desde o início do Real, segundo o IBGE:

Agosto/1997: -0,02%

Julho/1998: -0,12%

Agosto/1998: -0,51%

Setembro/1998: -0,22%

Novembro/1998: -0,12%

Junho/2003: -0,15%

Junho/2005: -0,02%

Junho/2006: -0,21%

Junho/2017: -0,23%

Agosto/2018: -0,09%

Novembro/2018: -0,21%

Setembro/2019: -0,04%

Abril/2020: -0,31%

Maio/2020: -0,38%

Julho/2022: -0,68%

Covid-19: Brasil registra 170 óbitos e 17,4 mil casos em 24 horas

As secretarias estaduais e municipais de Saúde registraram 17.409 novos casos de covid-19 em 24 horas e confirmaram 170 mortes por complicações associadas à doença em todo o país. Os dados estão na atualização divulgada nesta segunda-feira (8) pelo Ministério da Saúde. Com as novas informações, o total de pessoas infectadas pelo novo coronavírus durante a pandemia já soma 34.035.780.

O número de casos de covid-19 em acompanhamento está em 565.320. A expressão em acompanhamento é usada para designar casos notificados nos últimos 14 dias que não resultaram em alta, nem evoluíram para óbito.

Com os números de hoje, o total de óbitos chegou a 680.166 desde o início da pandemia. Ainda há 3.246 mortes em investigação. As ocorrências envolvem casos em que o paciente faleceu, mas a investigação sobre a causa do óbito ainda demanda exames e procedimentos complementares.

Até agora, 32.790.294 pessoas se recuperaram da covid-19 no Brasil. O número corresponde a 96% dos infectados desde o início da pandemia.

Aos sábados e domingos e nas segundas-feiras, o número diário de casos e mortes registrado tende a ser menor pela dificuldade de alimentação dos bancos de dados pelas secretarias municipais e estaduais de Saúde. Às terças-feiras, o quantitativo, em geral, é maior pela atualização dos casos acumulados nos fins de semana.

Boletim epidemiológico da covid-19
Boletim epidemiológico da covid-19 - Ministério da Saúde

Estados

Segundo o balanço do Ministério da Saúde, o estado que registra mais mortes por covid-19, até o momento, é São Paulo, com 173.346 óbitos. Em seguida, aparecem Rio de Janeiro, com 75.013; Minas Gerais, com 63.137; Paraná, com 44.645; e Rio Grande do Sul, com 40.549.

O estado com menor número de mortes em consequência da doença é o Acre, que registra 2.021 óbitos, seguido pelo Amapá, com 2.153; por Roraima, com 2.161; pelo Tocantins, com 4.189; e por Sergipe, com 6.419.

Vacinação

Até esta segunda-feira, o vacinômetro do Ministério da Saúde indicava que 469.551.995 doses de vacinas contra covid-19 tinham sido aplicadas no país, desde o início da campanha de imunização.
Destas, 178,5 milhões como primeira dose, 159,6 milhões como segunda e 4,9 milhões como dose única. A dose de reforço já foi aplicada em mais de 103,5 milhões de pessoas e a segunda dose extra, ou quarta dose, em 18 milhões.

O painel registra ainda 4,7 milhões de doses como "adicionais", que são aquelas aplicadas em quem tinha recebido o imunizante da Janssen, de do

Edição: Nádia Franco / AGÊNCIA BRASIL

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