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Paraíba será o primeiro estado a pagar o piso nacional da enfermagem

A Paraíba vai ser o primeiro estado do país a pagar o piso salarial nacional da enfermagem. Os valores serão creditados nesta quinta-feira (2), referentes à folha de pagamento do mês de janeiro. O governador da Paraíba, João Azevêdo, destacou que o piso será garantido a toda a categoria. 

"Todos os servidores efetivos do estado, deste grupo de trabalhadores, os aposentados, os pensionistas, os enfermeiros da PBSÁUDE, eles possam receber na quinta-feira os valores já com o piso devidamente atualizado. Estamos fazendo o cadastramento dos prestadores de serviço para que na segunda etapa possamos implantar o pagamento também do piso para estes profissionais", disse.

O Piso Nacional da Enfermagem foi aprovado em 2022 e estabelece o salário de R$ 4.750 por 40 horas trabalhadas para os enfermeiros; 70% desse valor: R$ 3.325 para os técnicos em enfermagem, e 50% para os auxiliares de enfermagem e parteiras, o que equivale a um salário de R$ 2.375.

O pagamento do piso em todo o Brasil ainda está sendo discutido pelo Ministério da Saúde para definir a fonte dos recursos. Em setembro do ano passado, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a lei que criou o piso salarial nacional da enfermagem. Ele deu prazo de 60 dias para os entes públicos e privados da área da saúde esclarecerem o impacto financeiro da norma e os riscos de demissões no setor e redução na qualidade dos serviços.

Nesta semana, o Ministério da Saúde acelerou as reuniões do grupo de trabalho criado pela pasta para apresentar os termos da minuta da medida provisória que ordena os pagamentos dos novos valores do piso da enfermagem. Várias entidades trabalhistas ligadas ao tema do piso da enfermagem, representantes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, estão contribuindo com o texto da minuta.

A presidente da Federação Nacional dos Enfermeiros, Solange Castro, está otimista com o resultado das reuniões do grupo de trabalho. 

"Foram debatidos quais seriam os pontos prioritários para serem incluídos na medida provisória, e ficou de amanhã, quinta-feira, o ministério apresentar já a minuta preparada com os pontos debatidos, escrita, para ver se tem acordo com os deputados e com as entidades sindicais. E se tiver algum ajuste, já fazer, e imediatamente já encaminhar pra Casa Civil." 

Também já está pronto para ser votado na Câmara dos Deputados um projeto de lei com objetivo de garantir a desoneração da folha de pagamento da rede privada, para viabilizar o piso salarial da enfermagem. 

Bruno Sobral, secretário executivo da Confederação Nacional de Saúde, Hospitais, Estabelecimentos e Serviços, entidade que representa o setor privado e filantrópico, informou que outras propostas estão sendo preparadas para serem apresentadas aos deputados.

"A gente tem feito propostas para pegar, além da desoneração da folha para pequenos e médios hospitais e clínicas, alguma coisa de desonerar também o imposto de renda, e também alguma desoneração do Simples. Porque muitas clínicas são pequenas e estão no regime do Simples. E temos aí pela frente a reforma tributária também, que muito nos impacta".

Esta semana, o Fórum Nacional da Enfermagem, por meio das redes sociais, convocou uma paralisação nacional da categoria para o próximo dia 14 de fevereiro. A entidade também marcou greve geral para o dia 10 de março, caso a questão da fonte pagadora do piso não seja resolvida até esta data.

AGÊNCIA BRASIL

O Brasil cria 2 milhões de empregos formais em 2022, 26,6% a menos que em 2021

Por Bernardo Caram / ISTOÉ

BRASÍLIA (Reuters) – O Brasil encerrou 2022 com um saldo positivo de 2,038 milhões de empregos formais, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado nesta terça-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego, número 26,6% menor do que o observado no ano anterior.

Em 2021, ano marcado pela retomada da atividade após o período mais agudo de impacto da pandemia de Covid-19 sobre a economia, haviam sido abertos 2,777 milhões de postos em termos líquidos, conforme série ajustada.

O resultado do ano passado é reflexo de 22,6 milhões de admissões, 8,1% acima do observado no ano anterior, e 20,6 milhões de desligamentos, alta de 13,4%.

“A gente teve mais admissões e mais desligamentos, um saldo menor que significa também um aumento da rotatividade no mercado de trabalho no ano”, disse o subsecretário de Estudos e Estatísticas do Trabalho, Felipe Pateo.

Em dezembro, mês que normalmente tem elevado volume de desligamentos de trabalhadores contratados temporariamente para as festas de fim de ano, foram fechados 431.011 postos.

O resultado do mês passado veio pior do que o fechamento líquido de 371,5 mil vagas de trabalho projetado por analistas em pesquisa Reuters, e foi resultado de 1.382.923 admissões contra 1.813.934 desligamentos.

O estoque de empregos formais do Brasil subiu 5,01% no ano passado em relação a 2021, a 42,7 milhões de trabalhadores. Em dezembro de 2021, o patamar estava em 40,7 milhões.

Todos os grupamentos de atividades econômicas do Caged tiveram saldo positivo no ano passado. O destaque ficou com o setor de serviços, que abriu 1,177 milhão de vagas. Em seguida, aparecem comércio (+350 mil), indústria (+252 mil), construção (+194 mil) e agropecuária (+65 mil).

No recorte regional, foram criados 979 mil empregos no Sudeste e 385 mil no Nordeste. A lista segue com 309 mil postos no Sul, 232 mil no Centro-Oeste e 119 mil na região Norte.

O ministério agora passou a fazer um recorte entre o que chamou de postos de trabalho “típicos” e “não típicos”, este último grupo dizendo respeito a trabalhadores como aprendizes, intermitentes, temporários e com carga horária de até 30 horas.

De acordo com Pateo, cerca de 14% das vagas líquidas criadas no ano passado dizem respeito a trabalhadores considerados não típicos.

O ministério também apresentou esse recorte em relação ao estoque de trabalhadores no país, iniciando a medição em dezembro de 2018, imediatamente antes do início do governo Jair Bolsonaro.

Nos quatro anos, segundo os dados, o crescimento do estoque de postos típicos foi de 11,1%, enquanto o aumento das vagas não típicas foi de 32,6%.

Com relação aos níveis de salário, os valores médios de contratação tiveram ligeira alta no ano, passando de 1.897,30 reais em dezembro de 2021 para 1.915,16 reais no fechamento do ano passado.

No entanto, os salários médios de desligamento ficaram mais altos que os de contratação, passando de 1.989,86 reais no fim de 2021 para 2.038,70 reais agora.

Na entrevista, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse que o governo vai intensificar a fiscalização para combater contratações precárias, argumentando que o mercado tem hoje muitos trabalhadores contratados irregularmente na classificação de Pessoa Jurídica ou de Microempreendedor Individual (MEI). Para ele, essa ação pode gerar um aumento da formalização de trabalhadores.

 
 

Brasil cria 2 milhões de empregos formais em 2022, 26,6% a menos que em 2021

Por Bernardo Caram / ISTOÉ

BRASÍLIA (Reuters) – O Brasil encerrou 2022 com um saldo positivo de 2,038 milhões de empregos formais, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado nesta terça-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego, número 26,6% menor do que o observado no ano anterior.

Em 2021, ano marcado pela retomada da atividade após o período mais agudo de impacto da pandemia de Covid-19 sobre a economia, haviam sido abertos 2,777 milhões de postos em termos líquidos, conforme série ajustada.

 

Padilha fala em ampliar base de Lula e acena com cargos a centrão ligado a Bolsonaro

Julia ChaibThiago Resende / FOLHA DE SP

 

Responsável pela articulação política, o ministro Alexandre Padilha (Secretaria de Relações Institucionais) diz que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) espera ampliar as alianças partidárias e, para isso, está aberto ao diálogo e não descarta indicações de cargos por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Já temos dez partidos e federações que indicaram pessoas, quadros, para compor esses ministérios. Acredito que nos próximos passos nós vamos ampliar o número de partidos", afirmou o ministro em entrevista à Folha.

Padilha reforça que "acabou essa época de metralhar oposição" –em referência a frases do ex-presidente Bolsonaro. Segundo o ministro, Lula vai dialogar com grupos políticos que estiveram ao lado do antecessor, como PP, Republicanos e até o PL.

"E eventualmente esses partidos têm quadros que fazem parte do governo e que podem ser aproveitados, têm quadros que já compõem estruturas do governo e, se bem avaliados, podem continuar", acenou.

Às vésperas da eleição da cúpula do Congresso, o ministro garantiu que o PT, com apoio de Lula, irá apoiar as permanências de Arthur Lira (PP-AL) na presidência da Câmara e de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) no comando do Senado. Eles são os favoritos na disputa.

Como o governo vai agir diante dos atos de 8 de janeiro? Houve consequências, mas há expectativa de novas mudanças? A decisão do presidente Lula de fazer uma intervenção federal restrita à segurança pública do Governo do Distrito Federal para que a gente pudesse tomar o controle sobre a PM, as tropas de segurança do DF, foi decisiva e cirúrgica para estancar um golpe que estava sendo orquestrado.

Eu acho que nós vivemos no 8 de janeiro, de um lado, um ato terrorista, um risco orquestrado de um golpe e, ao mesmo tempo, uma demonstração de que, quando estamos unidos e colocamos as instituições para funcionar, é possível fortalecer a democracia no país. Recuperarmos a estabilidade institucional.

O presidente Lula disse que não foi decretado a GLO [Garantia da Lei e da Ordem] porque havia um temor de que se efetivasse o golpe. Esse risco ainda se mantém, mesmo com as trocas no Exército? Se necessário, ela será usada? A decisão de um ato extremo, que é a intervenção federal restrita à área de segurança, foi feita porque era o melhor instrumento para conter o desmonte da atuação da Segurança Pública do DF. Foram descumpridos protocolos que estão pré-definidos. A GLO, que está prevista na Constituição, não era o mecanismo correto para aquele momento, mas pode ser o melhor instrumento para outras realidades.

Hoje, o presidente Lula confia no Exército e em militares que estavam aqui, GSI, toda a segurança do Planalto? Nunca teve, por parte do presidente Lula, desconfiança generalizada em relação às Forças Armadas, uma desconfiança em relação ao Exército. O que nós temos é um diagnóstico claro que um conjunto de instituições, sejam militares ou sejam civis, infelizmente, foram contaminadas pela lógica golpista antidemocrática do que nós vivemos nos últimos quatro anos. Então, você tem indivíduos que foram contaminados por isso. E cabe às instituições brasileiras apurar e punir aqueles que foram negligentes na defesa da democracia.

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Setor público registra superávit primário de R$ 126 bilhões em 2022

As contas do setor público consolidado, formado por governo federal, estados, municípios e empresas estatais, registraram superavit primário de R$ 126 bilhões em 2022. As informações, divulgadas hoje (30) pelo Banco Central (BC), mostram que, em dezembro, o setor público consolidado teve déficit primário de R$11,8 bilhões, ante superavit de R$123 milhões em dezembro de 2021.

No mês, o Governo Central e as empresas estatais foram superavitários em R$ 6,2 bilhões e R$ 637 milhões, respectivamente, enquanto os governos regionais tiveram déficit de R$18,6 bilhões.

O resultado primário é formado pelas receitas menos as despesas, sem considerar o pagamento de juros da dívida pública. Assim, quando as receitas superam as despesas, há superavit primário.

Segundo o relatório de Estatísticas Fiscais do BC, em 2022, os juros nominais do setor público consolidado, apropriados pelo critério de competência, alcançaram R$ 586,4 bilhões, o que representa 5,96% do Produto Interno Bruto (PIB), ante R$ 448,4 bilhões (5,04% do PIB) em 2021. Em dezembro, os juros nominais ficaram em R$ 59 bilhões, comparativamente a R$ 54,4 bilhões em dezembro de 2021.

O resultado nominal do setor público consolidado, formado pelo resultado primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$ 460,4 bilhões (4,68% do PIB) em 2022, ante R$ 383,7 bilhões (4,31% do PIB) em 2021. Em dezembro, o déficit nominal atingiu R$ 70,8 bilhões, comparativamente a R$ 54,2 bilhões em dezembro do ano anterior.

Dívida Pública

A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), que corresponde ao balanço entre o total de créditos e débitos dos governos federal, estaduais e municipais, fechou em 2022 em R$ 5,7 trilhões, o que corresponde a 57,5% do PIB, com elevação de 1,7 ponto percentual.

“Esse aumento decorreu, sobretudo, dos juros nominais apropriados (+6 pontos percentuais), da variação da paridade da cesta de moedas que integram a dívida externa líquida (+1,4 ponto percentual) e do efeito da valorização cambial de 6,5% no ano (+1 ponto percentual), parcialmente contrabalançados pelo crescimento do PIB nominal (-5,3 pontos percentuais) e pelo superávit primário (-1,3 ponto percentual)”, informou o BC.

Edição: Nádia Franco / AGÊNCIA BRASIL

Dívida pública fica em 73,5% do PIB em dezembro, menor patamar desde 2017

Por Fernanda Trisotto — Brasília / o globo

 

O Banco Central informou nesta segunda-feira que a dívida bruta do país fechou 2022 representando 73,5% do PIB. Esse resultado de dezembro é a menor proporção desde julho de 2017, quando a relação entre dívida pública e o PIB era de 73,18%.

 

O dado também indica que o governo de Jair Bolsonaro conseguiu cumprir a promessa de entregar o país com um endividamento menor que o encontrou. Em dezembro de 2018 a dívida bruta era o equivalente a 75,27% do PIB. O desafio foi ainda maior por causa dos gastos extras com a pandemia da Covid-19, que levou a dívida pública ao pico de 87,57% do PIB em outubro de 2020.

 

De acordo com o BC, a dívida bruta – que compreende o governo federal, INSS, governos estaduais e municipais – equivale a R$ 7,2 trilhões. Ao longo de 2022, esse montante caiu 4,8 pontos percentuais (p.p.), reflexo do avanço do PIB nominal, de resgates líquidos de dúvida e da incorporação de juros.

 

Devolução de empréstimos feitos ao BNDES

No ano passado o governo também pressionou o BNDES a devolver empréstimos à União, o que pode ter contribuído para a redução do endividamento relativo do país no ano passado.

Ainda de acordo com o BC, o governo central fechou 2022 com superávit de R$ 54,9 bilhões. Ao considerar o resultado do setor público consolidado – que compreende o governo federal, estados e municípios e INSS – o resultado foi de um superávit de R$ 126 bilhões, ante um resultado positivo de R$ 64,7 bilhões em 2021.

Governo do Ceará vai cumprir reajuste do piso dos professores de 2023, garante Elmano

Felipe Azevedo, Luana Barros / DIARIONORDESTE

 

O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), disse que irá cumprir o reajuste do piso dos profissionais do magistério em 2023. Com o aumento de 14,95%, o salário básico da categoria passa de R$ 3.845,63 para R$ 4.420,55.

" A Secretária de Educação já deve, nos próximos dias, ter uma reunião com o sindicato Apeoc, onde nós vamos conversar. Mas, evidentemente, vamos seguir o cumprimento do piso dos professores", disse o governador nesta quinta-feira (26).

O anúncio do reajuste em até 15% foi feito no dia 16 de janeiro pelo Ministro da Educação Camilo Santana (PT). O valor é a base do vencimento inicial das carreiras do magistério público da educação básica para a formação em nível médio, na modalidade normal, com jornada de 40 horas semanais.

POLÊMICA 

O anúncio do reajuste chegou a gerar polêmica, colocando de um lado o Governo Federal e os professores e de outro  os gestores municipais. O impasse está no impacto financeiro do aumento salarial da categoria, que pode custar R$ 19,4 bilhões aos cofres municipais no Brasil.

Só no Ceará, esse reajuste deve representar um aumento de despesas para as prefeituras de R$ 1,2 bilhão.

O presidente da entidade, Paulo Ziulkoski,  criticou decisão do Ministério da Educação de anunciar o reajuste e cobrou mais diálogo entre a pasta federal e os gestores municipais.

Historicamente, a atualização no valor é aplicada automaticamente no dia 1º de janeiro de cada ano e é relacionado ao crescimento do valor anual mínimo por aluno referente aos anos iniciais do ensino fundamental urbano, definido nacionalmente pelo Fundeb.

ENCONTRO COM LULA E GOVERNADORES

Nesta sexta-feira (27), Elmano estará em Brasília para uma reunião com o presidente Lula (PT) e os demais governadores do País. O intuito é apresentar três programas prioritários de cada Estado ao Governo Federal. 

O governador cearense afirmou que irá buscar entender melhor qual vai ser a proposição do governo sobre a reforma tributária.

"É uma questão muita delicadeza para os estados no finao do governo passado. O estados tiveram uma perda de receita muito importante e nós queremos escutar do Governo Federal", disse o governador.

Elmano disse ainda que a intenção é de uma ação conjunta no que diz respeito à transição energética, possibilidade de energias renováveis "como um grande espaço de crescimento da economia do nordeste".

"Os governos do sul e do sudeteste que têm dívida são beneficiados. Os estados do nordeste que foram bem administrados, fizeram o dever de casa, e não têm dívida, não tem nenhum benefício", completou.

 

 

No Uruguai, Lula diz que herdou país semidestruído, defende acordo Mercosul-China e chama Temer de golpista

Por Jeniffer Gularte, O GLOBO — Buenos Aires, Argentina

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira ter herdado um país semidestruído e que isso o obriga a estabelecer metas para o Brasil. Em visita a Montevidéu, o presidente brasileiro ainda chamou o ex-presidente Michel Temer de golpista ao citar que todo o benefício social que os governos petistas fizeram no país foi destruído. Ao se pronunciar ao lado do presidente do Uruguai, Luis Alberto Lacalle Pou, que negocia um acordo bilateral com a China, Lula defendeu que o Mercosul negocie em bloco com Pequim.

 

— Hoje o Brasil tem 33 milhões pessoas passando fome. Significa que quase tudo que fizemos de benefício social no meu país, em 13 anos de governo, foi destruído em seis anos, ou em sete anos, nos três do golpista Michel Temer, e quatro, do governo Bolsonaro — afirmou Lula.

 

Apesar de tratar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff como golpe, Lula conta com o apoio do MDB de Temer a seu governo e entregou três ministérios à sigla — Planejamento, a Simone Tebet, Cidades, a Jader Filho, e Transportes, a Renan Filho.

 

Em Montevidéu, o presidente brasileiro tenta dissuadir Lacalle Pau de assinar o Tratado de Livre Comércio (TLC) com Pequim, que avalia poderá desequilibrar o Mercosul. Após participar da sétima cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em Buenos Aires, o uruguaio afirmou que é possível que o acordo do país com a China e o Mercosul convivam juntos.

 

No discurso, Lula também defendeu o acordo do bloco com os chineses. O brasileiro disse concordar com as ideias defendidas por Lacalle Pou de modernização do Mercosul. O presidente brasileiro disse que, primeiro, precisaria sentar a mesa com técnicos, depois com os ministros, e, finalmente com os presidentes, para que se possa renovar aquilo que se for necessário no bloco econômico. Lula disse ser "urgente e necessário que o Mercosul" faça acordo com União Europeia.

 

— Tenho dito aos meus ministros nós vamos intensificar as discussões com a União Europeia e vamos firmar esse acordo para que a gente possa discutir apenas em seguida um possível acordo entre China e o Mercosul. E acho que é possível, apesar do Brasil ter na China o seu maior parceiro comercial, o Brasil ter um grande superávit com a China, nós queremos sentar enquanto Mercosul, e discutir com nossos amigos chineses, um acordo Mercosul-China.

AGU vai pedir exclusão de posts que considerar ‘desinformação’ e ameaça à democracia

Por Tácio Lorran / O ESTADÃO

 

BRASÍLIA - O procurador-geral da União, Marcelo Eugênio, confirmou hoje ao Estadão que a advocacia do governo vai atuar para pedir a exclusão de posts que considerar desinformação. O assunto tem causado polêmica sobre qual o conceito que o governo irá usar para definir o que é ou não desinformação e abriu discussão sobre risco de censura nas redes sociais.

 

O perfil oficial no Twitter da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República tem sido alvo de críticas devido ao compartilhamento de informações consideradas inverídicas. Nessa terça-feira (24/1) o governo publicou que não há risco de prejuízo nos financiamentos do BNDES. “Os acordos têm garantias, seguro e há um larga tradição de receber o que emprestou”, diz a imagem, cuja publicação principal tem mais de 170 mil visualizações às 17h desta quarta.

 

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também alegou que não é possível corrigir a tabela do Imposto de Renda já em 2023 por conta do chamado princípio da anterioridade. No entanto, isso não se aplicaria ao reajuste na faixa da isenção, desde que o governo reduza o imposto para todas as faixas, e não aumente para nenhuma. A página oficial do Palácio do Planalto também tratou de “golpe” o impeachment de Dilma Rousseff, o que é uma inverdade.

 

As ações contra o que o governo entender como desinformação serão elaboradas na recém criada Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia, vinculada à Advocacia-Geral da União (AGU). “Vamos atuar em qualquer ameaça à integridade da nação. Eventualmente, se houver algo dessa natureza, dentro, efetivamente, do conceito de desinformação, é possível [atuar na exclusão de publicações]”, afirmou ao Estadão o procurador-geral da União, Marcelo Eugênio.

 

Ele explicou que o conceito de desinformação ainda será definido e negou se tratar de censura. “O raio de ação da Procuradoria é garantir a liberdade de expressão. Quando se tem fluidez na desinformação, existe uma limitação da liberdade de expressão. Mas o nosso foco é a integridade da ação pública, risco da ação pública, do acesso aos serviços públicos, da deslegitimização dos poderes”, explicou, ao afirmar que extremismo não tem lado, nem direita nem esquerda.

 

O procurador vai coordenar o grupo de trabalho da Procuradoria. A equipe deve ouvir a sociedade civil e especialistas sobre o assunto. Representantes das plataformas digitais também foram convidados para o debate.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou a nova Procuradoria dentro da estrutura da AGU para atuar em nome do governo no combate à “desinformação sobre políticas públicas”. Não existe, no entanto, no ordenamento jurídico do País a definição do conceito de desinformação. Como mostrou o Estadão, críticos da iniciativa veem risco de avaliações arbitrárias no órgão ligado à AGU que atua na defesa do governo na esfera judicial.

 

Nesta manhã, o ministro-chefe da AGU, Jorge Messias, recebeu jornalistas para apresentar a nova gestão do órgão. Um dos principais desafios, segundo ele, é a atuação na defesa da democracia. “Nós não temos o direito de ser amador nesse tema. Nós sabemos que há um ecossistema de desinformação estritamente profissional, monetizado e colocado a serviço de desestabilização das instituições democráticas. É nosso dever constitucional zelar, guardar, pelas instituições democráticas. O Estado precisa estar preparado para responder esse desafio”, disse.

 

Messias ponderou, contudo, que a AGU não vai virar fiscal de redes sociais. “A desinformação corrói a confiança da sociedade nas instituições democráticas. A AGU vai virar fiscal de redes sociais? Jamais. Nós temos que ter uma visão estratégica de que a nossa atuação precisa ser certeira. Estamos falando aqui de que desinformação? A desinformação que coloca em risco o acesso aos serviços públicos e às políticas públicas, que compromete a ordem pública.”

Lula diz que BNDES vai voltar a financiar projetos para ‘ajudar’ países vizinhos a crescer

Por Eduardo Gayer e Giordanna Neves / O ESTADÃO

 

BUENOS AIRES - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 23, a empresários em Buenos Aires que o BNDES vai voltar a financiar projetos de engenharia para ajudar empresas brasileiras no exterior e ajudar “países vizinhos a crescer”.

“O BNDES vai voltar a financiar as relações comerciais do Brasil e vai voltar a financiar projetos de engenharia para ajudar empresas brasileiras no exterior. E para ajudar que países vizinhos possam crescer e até vender resultado desse enriquecimento para países como Brasil”, afirmou o petista. “O Brasil parou de compartilhar a possibilidade de crescimento com outros países”.

O papel do banco de fomento nos financiamentos de orbas em países da América Latina e da África durante as gestões petistas foi alvo de investigações da Operação Lava Jato e sempre foi criticada pela oposição e também pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que falava em “caixa preta”.

Para Lula, porém, há quatro anos o BNDES não empresta dinheiro para o desenvolvimento, o que teria ajudado na estagnação do crescimento brasileiro. “Todo o dinheiro do BNDES é voltado para o Tesouro que quer receber o empréstimo feito”, disse o presidente em referência aos recursos devolvidos pela instituição de fomento ao Tesouro em pagamento a dívida bilionária acumulada na gestão petista. Ainda faltam cerca de R$ 25 bilhões para serem devolvidos.

De 2008 a 2014, o banco recebeu cerca de R$ 440 bilhões, em valores nominais, como parte de “políticas anticíclicas” contra a crise financeira internacional. O Tribunal de Contas da União (TCU) considerou parte desses aportes irregular em março de 2021 e determinou que a dívida fosse quitada de forma antecipada, mas o BNDES e o governo entraram em um “cabo de guerra” em torno do ritmo do pagamento.

Apesar da resistência do empresariado brasileiro e do mercado financeiro à política de financiamento de bancos públicos a obras no exterior, Lula já tinha citado o BNDES ao falar em formas possíveis de financiar o gasoduto Néstor Kirchner, que pretende levar o gás de xisto da região de Vaca Muerta ao Brasil.

“Se há interesse dos empresários, se há interesse do governo e nós temos um banco de desenvolvimento para isso, eu quero dizer que nós vamos criar as condições para fazer o financiamento que a gente puder fazer para ajudar o gasoduto argentino”, declarou o presidente a jornalistas na Casa Rosada, durante a visita oficial à Argentina.

Em dezembro, já após a vitória de Lula nas eleições, autoridades argentinas chegaram a anunciar que o BNDES financiaria até US$ 689 milhões (o equivalente a R$ 3,5 bilhões em cotação atual) para a obra, uma das mais ambiciosas da Argentina. Ainda no governo Bolsonaro, o banco de fomento emitiu nota negando.

A ideia é construir um gasoduto para transportar gás natural produzido no campo de Vaca Muerta, localizado na Província de Neuquén, a oeste da região da Patagônia, até os principais mercados consumidores. Lula disse que os empresários brasileiros têm interesse no gasoduto Néstor Kirchner, assim como nos fertilizantes.

“De vez em quando nós somos criticados por pura ignorância, pessoas que acham que não pode haver financiamento para outros países. Eu acho não só que pode, como é necessário que o Brasil ajude a todos os seus parceiros. E é isso que nós vamos fazer dentro das possibilidades econômicas do nosso País. O BNDES é muito grande. Durante a crise de 2008, se não fosse o BNDES e os bancos públicos, a economia brasileira teria quebrado”, acrescentou.

Lula fala durante visita oficial à Argentina
Lula fala durante visita oficial à Argentina Foto: REUTERS/Agustin Marcarian

Para o petista, foi “graças ao financiamento de 500 bilhões de reais do BNDES” que o Brasil teria sido “o último país a entrar na crise [de 2008] e o primeiro a sair”. O petista disse ter “orgulho” de quando o BNDES tinha mais recursos para financiar do que o Banco Mundial.

No discurso, Lula destacou que tinha orgulho de quando o banco de desenvolvimento financiava obras na América do Sul e nos países africanos. “Porque é isso que os países maiores têm que fazer, tentando auxiliar os países que têm menos condição em determinado momento histórico”, afirmou.

 

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