Zema adianta que deverá anunciar apoio a Bolsonaro nas próximas 48 horas: 'PT é impossível'
Por Camila Zarur — Brasília / O GLOBO
O governador reeleito Romeu Zema, de Minas Gerais, afirmou que deve anunciar nos próximos dias apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto. Em entrevista ao Estúdio I, da GloboNews, o chefe do Executivo mineiro afirmou que as conversas com o PL, sigla do presidente, já estão avançadas e que deve formalizar a aliança nas próximas 48 horas.
Zema foi reeleito em primeiro turno, neste domingo, com 56% dos votos. Apesar de não ter dado palanque a Bolsonaro antes da votação de ontem, a reaproximação entre o governador e o presidente, que estiveram juntos em 2018, já era esperada no segundo turno.
Mais cedo, Zema também deu uma entrevista à TV Globo de Minas, onde também anunciou que as conversas com o PL estavam avançadas. Ele também afirmou que não apoiaria o PT nem o ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo tendo sito eleito com votos de apoiadores do ex-mandatário.
— Eu já adiantei que apoiar o PT é impossível . Minas Gerais teve problemas seríssimos. Uberlândia teve, Pouso Alegre teve e várias outras cidades que foram arrasadas por gestões desse partido. Então nós queremos deixar claro: "as nossas propostas são essas, o PL está de acordo? Vai caminhar conosco?" Eu vejo que tem tudo para dar certo e, em breve, isso será comunicado — disse Zema.
Diferentemente de 2018, quando se elegeu na onda bolsonarista, Zema não apoiou Bolsonaro no primeiro turno devido aos receios de que a rejeição do presidente no estado poderia afetá-lo e de que perderia o voto que dividiu com Lula. No estado, o bolsonarista teve 43% dos votos, enquanto o petista, 48%.
Entretanto, apesar de Bolsonaro ter ficado atrás de Lula, o resultado foi visto como positivo para o presidente e um facilitador para a adesão de Zema a seu palanque agora no segundo turno. Interlocutores do governador avaliavam que um desempenho fraco de Bolsonaro poderia fazer com que o apoio de Zema fosse mais tímido.
Candidatos no 2° turno podem retomar campanha na rua às 17h de hoje
As candidatas e os candidatos que passaram para o segundo turno das eleições gerais, em 30 de outubro, poderão retomar diversos atos de campanha em espaços públicos a partir das 17h de hoje (3), quando se completam 24 horas do fechamento das urnas no primeiro turno.

Está autorizado já nesta segunda-feira (3), por exemplo, o uso de alto-falantes e amplificadores de som, bem como realizar comícios, fazer caminhadas, carreatas ou passeatas, publicar anúncios em jornais (impresso ou internet) e distribuir material gráfico.
A regra consta na resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que trata da propaganda eleitoral e vale para todos os 24 candidatos a governador,de 12 estados (lista abaixo) que disputarão segundo turno.
Os dois candidatos que seguem na corrida presidencial - o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Jair Bolsonaro, que tenta a reeleição - também já podem retomar os atos de campanha.
Em Pernambuco, os eleitores elegerão pela primeira vez na história uma mulher como governadora - Marília Arraes (Solidariedade) ou Raquel Lyra (PSDB). Em 2019, Luciana Santos se tornou a primeira mulher a governar o estado, mas fora eleita como vice.
Confira abaixo a lista de candidatos aos governos estaduais que disputam o segundo turno.
Alagoas - Paulo Dantas (MDB) x Rodrigo Cunha (União)
Amazonas - Wilson Lima (União) x Eduardo Braga (MDB)
Bahia - Jerônimo Rodrigues (PT) x ACM Neto (União)
Espírito Santo - Renato Casagrande (PSB) x Marato (PL)
Mato Grosso do Sul - Capitão Contar (PRTB) x Eduardo Riedel (PSDB)
Paraíba - João Azevêdo (PSB) x Pedro Cunha Lima (PSDB)
Pernambuco - Marília Arraes (Solidariedade) x Raquel Lyra (PSDB)
Rio Grande do Sul - Onyx Lorenzoni (PL) x Eduardo Leite (PSDB)
Rondônia - Coronel Marcos Rocha (União) x Marcos Rogerio (PL)
Santa Catarina - Jorginho Mello (PL) x Décio Lima (PT)
Sergipe - Rogério Carvalho (PT) x Fábio (PSD)
São Paulo - Tarcísio de Freitas (Republicanos) x Fernando Haddad (PT)
Edição: Denise Griesinger / AGÊNCIA BRASIL
12 deputados estaduais do Ceará não foram reeleitos
Wagner Mendes / DIARIOONRDESTE
O Ceará decidiu renovar cerca de 26% das cadeiras da Assembleia Legislativa. Dos 46 assentos, 12 deles serão ocupados por novas lideranças do Estado.
Parlamentares com diversos mandatos na Casa ficaram de fora da próxima legislatura. Algumas mudanças na legislação eleitoral podem ter impactado no resultado deste ano.
CONFIRA A LISTA DOS NÃO REELEITOS
- Antonio Granja (PDT): 49.581 mil
- Audic Mota (MDB): 54.886 mil
- Bruno Pedrosa (PDT): 51.620 mil
- Heitor Férrer (União): 33.915 mil
- Leonardo Araújo (MDB): 46.777 mil
- Nizo (PT): 37.110 mil
- Tin Gomes (PDT): 35.075 mil
- Duquinha (Republicanos): 30.238 mil
- Tony Brito (União): 32.486 mil
- Acrisio Sena (PT): 30.653 mil
- Gordim Araujo (PSDB): 30.357 mil
- Walter Cavalcante (PV): 28.658
MUDANÇAS
Na disputa eleitoral deste ano, uma mudança crucial na concorrência pelas vagas foi implementada pelo Congresso nacional: o fim das coligações.
Em 2022, os partidos se lançaram sem alianças para concorrer pelas vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
A mudança no formato acabou exigindo um novo conjunto de estratégias partidárias para conquistar o maior número de cadeiras possíveis.
Bolsonaro tem mais palanque no Sudeste, mas empenho de Zema é dúvida
Por Míriam Leitao / O GLOBO
Os votos do Sudeste vão voltar a ser o foco total da disputa no segundo turno. Lula mira sua atenção para São Paulo, estado em que perdeu para o atual presidente. Já Bolsonaro apostará em Minas, em que o petista ganhou, mas por um percentual pequeno dos votos. Bolsonaro ganhou no Rio (51,09% x 40,68%) também contrariando as pesquisas, que indicavam empate técnico. O governador Cláudio Castro não fez uma campanha ligada a Bolsonaro, apesar de a vitória ser do bolsonarismo O êxito de Castro no primeiro turno também é uma vitória dele mesmo, porque era um desconhecido da política. Era vice de Wilson Witzel, que também era desconhecido. Depois de dois anos no governo, teve que se apresentar ao eleitor no início da campanha e fez um enorme trabalho nos municípios, tanto que ganhou em 91 municípios.
É mais um palanque para Bolsonaro no segundo turno, que agora tenta o apoio de Zema, governador reeleito de Minas. De direita, ele tende a apoiar ao atual presidente, com um discurso mais administrativo do que ideológico. Com isso, atrai uma parte do voto do Bolsonaro e não assusta o centro. Durante o governo, ele nunca se aliou totalmente a Bolsonaro e na campanha também, não. Pode dar palanque a Bolsonaro, mas, como já ganhou, nem precisa voltar a fazer campanha.

