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Lula quer mudar regras para participar de próximos debates

Gustavo Côrtes / O ESTADÃO

29 de agosto de 2022 | 15h10

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, sinalizou que Luiz Inácio Lula da Silva irá ao debate da TV Globo, previsto para o dia 29 de setembro, mas deseja discutir as regras.

Foto: André Dusek/Estadão.

Na avaliação de Gleisi, o formato do primeiro debate desfavorece o líder nas pesquisas por dificultar respostas a ataques de adversários, já que as perguntas devem ser feitas a todos os candidatos. Essa norma, na visão da petista, impediu Lula de responder às críticas de Bolsonaro e o tornou alvo preferencial dos candidatos.

Segundo o coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues, o petista está sendo aconselhado a evitar respostas sobre corrupção e preferir temas sensíveis a Bolsonaro, como a fome e a crise econômica.

Mesmo com as fragilidades de Bolsonaro na seara da corrupção, com casos do orçamento secreto e do balcão de negócios de pastores no Ministério da Educação, aliados de Lula veem o tema como espinhoso.

O entorno do presidenciável considera que faltou realizar acenos à própria base, a exemplo do que fez Bolsonaro ao levar a agenda de costumes ao debate.

Bastidor: Campanha de Lula se frustra com desempenho do petista e vê bom momento da 3ª via

Por Eduardo Gayer e Beatriz Bulla / O ESTADÃO

 

A cúpula do Partido dos Trabalhadores ficou insatisfeita com o desempenho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro debate dos candidatos à Presidência, realizado na noite deste domingo, 28. Líder nas pesquisas de intenção de voto, Lula decidiu adotar a estratégia defendida por parte de seu entorno de não entrar em embates com o adversário, Jair Bolsonaro.

 

A ideia defendida por alguns aliados era de que Lula mostraria um estilo mais “presidenciável” do que Bolsonaro, ao preferir falar de assuntos nacionais a entrar nos ataques diretos. O diagnóstico interno no PT é o de que a população está cansada da radicalização política e que a imagem pacificadora é uma forma de tentar aglutinar os votos anti-Bolsonaro ainda em disputa.

 

Na prática, no entanto, aliados do ex-presidente consideraram a estratégia mal sucedida, com Lula na retranca e a imagem de que o petista fugiu de perguntas do adversário como a primeira, sobre corrupção. Aliados reclamam que Lula deveria ter sido mais enfático ao ser confrontado sobre os escândalos de corrupção na era petista, assim como fez no Jornal Nacional.

 

A expectativa da campanha é de que o horário eleitoral gratuito ajude a dissipar essa impressão; a disputa presidencial volta ao rádio e à TV nesta terça-feira, 30. Caciques da campanha petista entraram a madrugada avaliando o debate. Por um lado, entendem que o presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição, acabou se prejudicando ao atacar a jornalista Vera Magalhães e ao adotar tom agressivo com a senadora e candidata pelo MDB, Simone Tebet. Mas viram Lula excessivamente comedido nas intervenções - ainda que a estratégia do PT seja, realmente, não colocar o candidato líder nas pesquisas de intenção de voto em enfrentamentos duros, ao menos no primeiro turno.

 

Integrantes da campanha do PT afirmam que quem perdeu foi Bolsonaro, mas não graças a Lula e sim a Tebet. A avaliação interna é de que o desempenho de Lula não mexe na disposição de indecisos - de votarem ou não nele -, mas que Bolsonaro saiu perdendo ao atacar as mulheres. Ao fim do debate, um dos aliados de Lula admitiu nos bastidores, no entanto, receio de que além de arranhar o apoio de mulheres a Bolsonaro, Simone ainda atraia alguns votos femininos que poderiam ser destinados ao ex-presidente.

 

Logo na abertura do debate, promovido pela Band em parceria com TV Cultura, Folha de S. Paulo e UOL, Bolsonaro citou a delação do ex-ministro Antônio Palocci para trazer à tona a corrupção na Petrobras. Lula respondeu com conquistas de seu governo - mas de maneira “pouco emocionada”, na avaliação de um correligionário - e só tentou “enquadrar” o candidato à reeleição ao final do debate, ao destacar o sigilo de 100 anos aplicado pelo presidente em documentos de Estado.

 

Para outro aliado, Lula estava nervoso e passou a imagem de quem se esquivou dos questionamentos sobre corrupção, um ponto nevrálgico para o eleitor de centro de classe média, segmento importante para consolidar o favoritismo do ex-presidente nas eleições. Esse mesmo interlocutor avalia que o petista deveria ter citado o caso das rachadinhas, que pesa contra Flávio Bolsonaro e outros familiares

 

Na tentativa de minimizar o desconforto de correligionários, um outro petista afirmou que o horário eleitoral será decisivo para garantir a Lula espaço para consolidar os acenos ao centro e à classe média, o que não teria conseguido ao longo do debate.

Lula e Bolsonaro no debate Band deste domingo, 28 de agosto de 2022.

 

 

 

Volta da Venezuela à campanha eleitoral do Brasil era inevitável

No calor da campanha, os momentos mais importantes passam às vezes despercebidos. Dias antes da sua passagem no Jornal Nacional, Lula anunciou uma nova agenda diplomática ao defender que as "eleições sejam mais livres" na Venezuela. Uma mudança em relação ao posicionamento tradicional do seu partido de pregar o respeito das regras democráticas pelos governos venezuelanos.

 

Os dois eventos não podiam estar mais interligados. Em 2018, a acusação de tolerância do PT com o regime de Maduro serviu de argumento para muitos eleitores moderados anularem o voto quando precisaram escolher entre um apologista de Carlos Brilhante Ustra e um democrata. Lula optou por neutralizar um assunto que estava condenado a voltar nas últimas semanas da campanha.

 

Além do imperativo eleitoral, a mudança de posição sobre a Venezuela se articula em torno de duas premissas estratégicas. A primeira é a oportunidade proporcionada pelo fracasso da direita continental na gestão da crise na Venezuela na última meia década.

 

A tentativa de provocar uma queda de regime por meio de uma impostura, o reconhecimento internacional de Juan Guaidó, já entrou na história como a Baía dos Porcos do pós-Guerra Fria. A esquerda tem agora legitimidade para iniciar uma nova abordagem que privilegie uma solução regional para a crise venezuelana.

 

A segunda premissa é o evidente esgotamento do regime de Nicolás Maduro. A sua resistência às pressões externas e as mudanças geopolíticas provocadas pela Guerra da Ucrânia preservaram a sua autoridade. Mas ninguém acredita que ele tem condições de tirar sozinho a Venezuela da ruína em que se encontra depois um dos mais importantes êxodos da história latino-americana.

 

O candidato Lula também envia um sinal claro a futuros aliados. Ele se aproxima do posicionamento da nova esquerda chilena que se afastou do chavismo durante a campanha presidencial de Gabriel Boric. Ele abre o caminho para uma colaboração com Gustavo Petro na retomada das relações diplomáticas entre Bogotá e Caracas. Na relação com os Estados Unidos, o ex-presidente volta a se posicionar como um interlocutor útil na América Latina, num momento em que o governo Biden busca restaurar as suas alianças com países produtores de petróleo.

 

Por fim, Lula se impõe um primeiro teste de autoridade. Num eventual governo, a sua competência para levar o Brasil de novo para os grandes debates globais também será julgada pela sua capacidade de resolver os problemas imediatos na sua região. O avanço da diplomacia na Venezuela vai também legitimar o regresso de instituições emblemáticas do seu governo como a Unasul.

 

O debate sobre a Venezuela podia ser postergado, mas nunca ignorado. O país é uma potência da América Latina, e Hugo Chávez, uma referência difícil, mas incontornável da história global da esquerda neste século. A sua tragédia social assombra debates eleitorais na Espanha, França e Reino Unido e Estados Unidos. Todo projeto credível de união na América Latina e de sua reinserção no sistema internacional tem de começar pelo seu ponto mais sensível: dar um novo rumo à Venezuela.

 

Mathias Alencastro

Pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, ensina relações internacionais na UFABC / FOLHA DE SP

Pesquisa Ipec de hoje vai medir influência da religião dos candidatos a presidente e adesão ao consignado do Auxílio Brasil

Por Nicolas Iory — São Paulo O GLOBO

 

A nova rodada da pesquisa do Ipec contratada pela TV Globo e “Folha de S.Paulo” trará novos elementos para a disputa dos candidatos a presidente pelos votos de segmentos religiosos do eleitorado. O questionário do instituto fundado por ex-executivos do Ibope inclui pergunta sobre a influência da religião do candidato na hora do eleitor decidir o voto.

 

Os resultados que serão divulgados pelo Jornal Nacional nesta segunda-feira importam especialmente às campanhas dos dois líderes da corrida presidencial: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). Os dois candidatos têm a preferência de praticamente três quartos do eleitorado (44% do petista e 32% do atual presidente) e vêm acenando aos eleitores que praticam alguma crença, com destaque para os evangélicos, um dos poucos segmentos da população em que Bolsonaro tem larga vantagem sobre Lula.

 

Os pesquisadores do Ipec ouviram 2.000 pessoas presencialmente em todas as regiões do país entre 23 e 29 de agosto. O período engloba os dias seguintes às entrevistas dos quatro candidatos mais bem colocados nas pesquisas ao Jornal Nacional. Além de Lula Bolsonaro, também foram aos estúdios do telejornal Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB).

 

A nova medição de intenções de voto dará pistas sobre a efetividade das primeiras semanas de campanha oficial, e também se já houve reação do eleitorado às primeiras propagandas veiculadas na TV e no rádio.

 

Uma parte menor dos eleitores entrevistados pelo Ipec pôde ainda acompanhar o primeiro debate entre os presidenciáveis, realizado no domingo pela TV Band em conjunto com a TV Cultura, a “Folha de S.Paulo” e UOL. Os resultados não servirão para indicar o saldo dos candidatos após o programa. Isso porque mesmo aqueles que conseguiram assistir ao debate tendem a demorar alguns dias para formar opinião a respeito, num processo que também é influenciado por vídeos e comentários que circulam nas redes sociais, além de familiares e amigos.

 

Um dos temas recorrentes nas perguntas e respostas dos participantes do debate foi a política de transferência de renda. Em disputa estão os votos da população que ganha menos, grupo que inclui os mais de 20 milhões de beneficiários do Auxílio Brasil, programa do governo Bolsonaro. O valor médio do benefício aumentou R$ 200 no início deste mês, mas as pesquisas feitas desde então indicaram que não houve neste primeiro momento retorno eleitoral para o presidente.

 

O reajuste e prorrogação dos pagamentos do Auxílio Brasil até dezembro são a principal cartada de Bolsonaro em busca da reeleição. Outra ação para seduzir o eleitorado de baixa renda é a regulamentação de crédito consignado para quem recebe auxílios do governo. A nova pesquisa do Ipec mostrará o quanto os beneficiários dos programas federais estão informados sobre a liberação desse crédito, e quantos estão dispostos a pegar os empréstimos de instituições financeiras.

 

A divulgação dos resultados será feita no Jornal Nacional. A margem de erro da pesquisa do Ipec é estimada em dois pontos percentuais para mais ou menos, para um intervalo de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01979/2022.

Ciro rebate Lula e diz que petista não foi a Paris porque estava preso

Guilherme Seto / FOLHA DE SP
SÃO PAULO

Durante o primeiro debate presidencial na TV, Ciro Gomes (PDT) reagiu à fala de Lula (PT) segundo a qual ele teria viajado para Paris no segundo turno das eleições de 2018 para não votar em Fernando Haddad (PT) e disse que o ex-presidente não fez o mesmo porque estava preso.

A resposta de Ciro foi feita fora do microfone, durante a fala de Lula, por isso foi ouvida por poucos telespectadores. No entanto, no estúdio, foi possível escutar com nitidez a intervenção do pedetista.

O petista dizia que Ciro estava errado em colocar em sua conta a responsabilidade da vitória de Bolsonaro.

 

"Quando o Ciro joga nas minhas costas a responsabilidade da escolha do cidadão [Bolsonaro], eu queria dizer que eu não fui para Paris. Eu não saí do Brasil para não votar no Haddad", disse Lula.

O pedetista, então, interrompeu e disse duas vezes "porque você estava preso", o que fez com que gargalhassem Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados que estavam na plateia —casos de Fábio Faria, ministro da Comunicação, e Fabio Wajngarten, ex-titular da mesma pasta.

O pedetista já disse em diversas ocasiões que voltou de Paris a tempo de votar no petista no segundo turno de 2018. No entanto, ele não fez campanha por Haddad na época.

Lula ainda retrucou Ciro e disse que foi preso porque sabiam que ele iria ganhar as eleições em 2018. "E você sabe que eu fui absolvido em todos os 26 processos", afirmou o petista, o que também foi contestado fora do microfone por Ciro, que falou "não foi absolvido".

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