Secretaria estadual do Ceará é alvo de busca e apreensão após denúncia do PDT
Por Camila Zarur — Brasília / O GLOBO
A Superintendência de Obras Públicas (SOP) do governo do Ceará foi alvo, nesta terça-feira, de um mandado de busca e apreensão de documentos referentes aos contratos e convênios do estado com os municípios cearenses. A ação da Polícia Federal foi feita a pedido do Tribunal Regional do Ceará (TRE-CE) no âmbito da investigação que apura suposto favorecimento de prefeituras aliadas à candidatura do petista Elmano de Freitas ao Executivo cearense.
A investigação foi aberta após uma ação do PDT no tribunal. O partido alega que o governo estadual teria usado repasses às prefeituras como moeda de troca para o apoio à campanha de Elmano. No documento, a sigla cita que isso teria acontecido com ao menos cinco municípios: Coreaú, Acopiara, Maranguape, Aracoiaba e Itapipoca. Os prefeitos dessas cidades, segundo diz o pedido para a suspensão das transferências, teriam recebido recursos para realização de obras públicas após anunciarem o apoio ao candidato petista.
Na semana passada, o TRE-CE determinou a suspensão dos repasses de verba pública do governo estadual para os munícipios até o final das eleições. A decisão foi tomada após a campanha do PDT entrar com um processo de abuso de poder econômico contra contra três autoridades: a ex-aliada e atual governadora, Izolda Cela (Sem partido), e o ex-governador Camilo Santana (PT), além de Elmano, que é deputado estadual. Eles negam que exista tal esquema.
Na decisão, o tribunal dava um prazo de 48 horas para que o governo enviasse às autoridades documentos sobre os convênios que tem com os municípios. Em nota, a gestão de Izolda informou que já havia enviado o material à Justiça e afirmou que seus contratos estão “dentro da mais absoluta legalidade, de forma que não se absteve em prontamente prestar esclarecimentos e acesso aos documentos solicitados à Superintendência de Obras Públicas (SOP) por meio de ação judicial”.
O superintende da SOP é Quintino Vieira, aliado próximo de Izolda e que já foi próximo do presidenciável Ciro Gomes (PDT) no estado. Ele, porém, não é citado na ação.
Na nota enviada pela gestão de Izolda, o governo diz ainda que a operação policial “causa estranheza”, inclusive pela presença dos agentes da PF, e afirma que as denúncias do suposto esquema de favorecimento não passam de “acusações infundadas de campanhas eleitorais”.
PDT e PT eram aliados no estado por quase duas décadas, mas romperam neste ano, após os pedetistas escolherem o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (PDT), aliado próximo de Ciro Gomes, como candidato ao governo. Os petistas apoiavam o nome de Izolda, que se desfiliou do PDT depois da definição do postulante ao Palácio da Abolição, sede administrativa do Executivo estadual.
Leia a nota do governo do Ceará na íntegra:
“O Governo do Estado do Ceará informa que todos os seus convênios e contratos são realizados dentro da mais absoluta legalidade, de forma que não se absteve em prontamente prestar esclarecimentos e acesso aos documentos solicitados à Superintendência de Obras Públicas (SOP) por meio de ação judicial. Aliás, os mesmos documentos já haviam sido solicitados e enviados à Justiça pela SOP no prazo estipulado, causando estranheza nova solicitação, e mediante presença policial. O Governo do Estado rechaça as acusações infundadas de campanhas eleitorais e segue cumprindo todas as suas competências para promover o desenvolvimento dos 184 municípios cearenses”. O GLOBO.
Bolsonaro usa gafe de Lula sobre mulheres na TV e dá novo destaque a Michelle

Em nova propaganda na TV para tentar conquistar o voto do eleitorado feminino, o presidente Jair Bolsonaro (PL) explorou nesta terça-feira (13) uma gafe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre violência doméstica e voltou a exaltar a primeira-dama Michelle.
A peça publicitária inicia com o petista afirmando que, em seu governo, as mulheres eram tratadas com respeito. A cena seguinte mostra trecho de um discurso recente no qual o ex-presidente afirma: "Quer bater em mulher? Vá bater em outro lugar, mas não dentro da sua casa".
Na ocasião, em comício no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, Lula condenava a violência doméstica.
A frase completa, que não aparece na propaganda de Bolsonaro, é a seguinte: "Vá bater em outro lugar, mas não dentro da sua casa ou no Brasil, porque nós não podemos mais aceitar isso".
No vídeo do PL, o equívoco de Lula é exibido a três eleitoras, que criticam a fala. "Imagina se fosse a mãe dele, a irmã dele", diz uma mulher. "Acho que Lula nem deveria ter saído da cadeia", afirma outra.
Em seguida, a locutora da propaganda diz que Bolsonaro protagonizou "uma das mais belas cenas de valorização da mulher, quebrando todos os protocolos" ao ceder espaço a Michelle na posse presidencial.
Na ocasião, a primeira-dama fez um discurso em Libras (Língua Brasileira de Sinais), e o grande destaque dado a ela gerou a expectativa de que Michelle seria politicamente atuante no mandato. Ela, porém, só voltou a aparecer na campanha neste ano, em meio a alta rejeição feminina ao candidato à reeleição.
Entre as mulheres, Bolsonaro tem 29% das intenções de voto, contra 46% de Lula, e é visto por 51% dos eleitores como o presidenciável que mais ataca as mulheres, de acordo com a última pesquisa Datafolha.
As eleitoras têm sido centrais nas disputas presidenciais e estaduais. Assim, os candidatos passaram a apostar na exposição de suas esposas, que aparecem nas propagandas de televisão e em atos públicos.
A campanha de Bolsonaro tenta minimizar a imagem machista do presidente dando voz a Michelle, que desde a convenção para oficializar a candidatura à reeleição faz discursos com apelo religioso e troca demonstrações de carinho com o marido. A socióloga Rosângela da Silva, a Janja, casada com Lula, também é personagem frequente em eventos políticos e aparece na propaganda televisiva do PT.
"Sabemos das dificuldades que nós mulheres enfrentamos atualmente. São milhões de mulheres endividadas para poder levar alimentos para suas famílias", disse Janja em uma das peças.
Para Bolsonaro, a dificuldade para atrair o voto de eleitoras cresceu após o primeiro debate, no qual atacou a jornalista Vera Magalhães e a candidata do MDB, a senadora Simone Tebet. Depois, o presidente também insultou a jornalista Amanda Klein, em sabatina na Jovem Pan, e capturou o momento da celebração do Bicentenário da Independência para puxar o coro de que é "imbrochável".
Já Lula cometeu gafes ao tentar abraçar a linguagem inclusiva para conversar com minorias. Um dos problemas para um conjunto de mulheres é o uso do termo com conotação sexual no bordão de ter 76 anos, mas "tesão de 20". Ele seria depreciativo por perpetuar estigmas como a submissão feminina.
Na peça desta terça, o PL elenca feitos de Bolsonaro às mulheres em seu mandato, como a sanção das leis Mariana Ferrer e da violência psicológica –iniciativas que partiram do Legislativo–, além do registro de títulos de terra em nome de mulheres.
"Se para alguns parece estranho que Jair tenha feito tanta coisa pela proteção das mulheres é porque não conhecem o presidente", diz Michelle na propaganda. A locutora tenta suavizar sua imagem ao dizer que "não é com discurso que o Jair demonstra respeito com as mulheres, é com realizações".
Lupa: Veja os erros e acertos de Lula, Ciro e Tebet nas sabatinas da CNN
Desde o dia 29 de agosto, a CNN está sabatinando os principais candidatos à Presidência. No dia 29, a entrevistada foi a candidata Simone Tebet (MDB) e, no dia 1º de setembro, foi a vez de Ciro Gomes.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve sua sabatina adiada e concedeu entrevista ao vivo na noite desta segunda-feira (12). O presidente Jair Bolsonaro (PL) foi convidado, mas não respondeu.
A Lupa checou algumas das principais declarações dos três candidatos mais bem colocados nas pesquisas que participaram da sabatina. Suas assessorias foram procuradas e esta reportagem será atualizada caso haja resposta.
Confira:
LULA (PT)
"Nós transformamos a CGU [Controladoria Geral da União] em ministério"
FALSO
A CGU, órgão de controle interno do governo federal, foi criada em 2001, no governo Fernando Henrique Cardoso, como Corregedoria-Geral da União e foi transformada em Controladoria-Geral da União em 2003, no governo Lula. A mudança de nome significou a ampliação de sua atuação para combater a fraude, corrupção e promover a defesa do patrimônio.
Contudo, a conversão da CGU em Ministério da Fiscalização, Transparência e Controle foi feita em maio de 2016, como um dos primeiros atos de Michel Temer (MDB) como presidente interino. Com a Medida Provisória nº 870, de 1º de janeiro de 2019, o órgão voltou a se chamar Controladoria-Geral da União.
"Nós conseguimos aumentar o salário mínimo em 74%"
EXAGERADO
O aumento real do salário mínimo —ou seja, acima da inflação— foi de 59,21% entre abril de 2003, primeiro ano de governo de Lula, até janeiro de 2016, quando Dilma Rousseff (PT) deixou o cargo. O levantamento é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) (página 4) e considera a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
"Quando ganhei eleições em 2002, a inflação estava em 12%"
VERDADEIRO
Em 2002, ano em que Lula foi eleito pela primeira vez, a inflação no Brasil chegou a 12,5%. Foi a maior taxa dos últimos 20 anos. Em 2003, primeiro ano do petista como presidente, o índice baixou para 9,3%. Em 2010, último ano do segundo mandato, a inflação no país fechou em 5,9%.
CIRO GOMES (PDT)
"Eu fui do PPS. Quando eu entrei tinha dois deputados (...)"
VERDADEIRO
Ciro foi filiado ao PPS —hoje chamado Cidadania— entre 1997 e 2005, e disputou duas eleições presidenciais pelo partido, em 1998 e 2002. Em 1994, última eleição antes de Ciro entrar no partido, o PPS elegeu dois deputados federais: Sérgio Arouca, pelo Rio de Janeiro, e Augusto Carvalho, pelo Distrito Federal. Os dados são do TSE.
"(...) Quando eu deixei, [o PPS] fez dois governadores e 23 deputados"
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Datafolha: Apenas 6% rejeitam tanto Lula quanto Bolsonaro
A rejeição múltipla aos dois principais candidatos à Presidência atinge 6% dos eleitores, de acordo com pesquisa divulgada na última sexta-feira (9) pelo Datafolha.
Apesar de terem índices de rejeição relativamente altos, o presidente Jair Bolsonaro (PL), com 51%, e o ex-presidente Lula (PT), com 39%, compartilham poucos eleitores resistentes aos nomes de ambos.
A taxa inclui os entrevistados que escolheram os dois candidatos dentre aqueles em quem não votariam de jeito nenhum (5%), bem como aqueles que declararam rejeitar todos os presidenciáveis (1%).
O índice explica o fracasso, até agora, da estratégia da chamada "terceira via", que busca eleitores contrários à polarização.
Lula e Bolsonaro também são as principais opções de quem não escolhe a dupla como primeira alternativa de voto. Ambos têm taxa de 25% nesse grupo, contra 12% de Ciro Gomes (PDT) —a margem de erro nessa fatia é de quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.
Entre os que não querem o atual ou o ex-presidente, Bolsonaro tem a maior rejeição: 57%, contra 45% de Lula. Esse grupo também opta mais pelo petista (38%) do que pelo atual mandatário (24%) num eventual segundo turno. A taxa dos que pretendem anular o voto, porém, é alta: 32%. Outros 6% dizem não saber.
No quadro geral da disputa, a mais recente pesquisa do Datafolha mostrou um cenário estável, com Lula liderando a corrida de primeiro turno com 45%, ante 34% de Bolsonaro.
O presidente, contudo, oscilou positivamente dois pontos, dentro da margem de erro, e nominalmente esta é a menor distância entre eles desde maio de 2021.
Realizado na quinta (8) e nesta sexta (9) da semana passada, o levantamento assim pôde medir o impacto imediato das grandes manifestações comandadas pelo presidente por ocasião do 7 de Setembro, na quarta.
Bolsonaro participou de comícios paralelos a eventos oficiais para o mesmo público em Brasília e no Rio, e em São Paulo houve concentração na avenida Paulista.
Durante e após os atos, em que o presidente evitou criticar o sistema eleitoral e estimulou o golpismo explícito para os apoiadores, seus aliados montaram uma grande rede de distribuição de mensagens dando a ideia de que haveria uma "virada" em curso.
Com novas pesquisas, agregador Estadão Dados mostra 44% para Lula e 34% para Bolsonaro
Por Daniel Bramatti / O ESTADÃO
O agregador de pesquisas eleitorais do Estadão Dados já está atualizado com os dados divulgados em 12/09 pelas empresas Ipec e FSB. Segundo a Média Estadão Dados, calculada pelo agregador, Luiz Inácio Lula da Silva tem 44% das intenções de voto e Jair Bolsonaro, 34%.
Considerando-se apenas os votos válidos, ou seja, sem contar brancos, nulos e indecisos, Lula tem 49% e Bolsonaro, 37%.
O agregador é uma ferramenta interativa (clique aqui) cujos gráficos mostram o cenário mais provável da corrida presidencial nos últimos seis meses, segundo nossa metodologia. Nele, além de consultar a Média Estadão Dados, é possível ver de forma separada as estimativas das pesquisas presenciais e telefônicas.
A Média Estadão Dados, que tem atualização diária, não é a simples soma dos resultados e divisão pelo número de pesquisas. O cálculo considera as linhas de tendência de cada candidato (se estão estáveis, subindo ou caindo) e atribui pesos diferentes às pesquisas segundo sua “idade” (a data de realização) e metodologia (consideramos que, na média os resultados são mais precisos quando os eleitores são entrevistados de forma presencial, em vez de por telefone).
Os gráficos do agregador mostram 87 pesquisas sobre a corrida presidencial divulgadas nos últimos seis meses, mas nem todas são consideradas nos cálculos. Atualmente, entram na Média Estadão Dados os números das empresas que divulgaram pelo menos um levantamento nos últimos 14 dias. Essa janela de inclusão vai diminuir com o tempo. O objetivo é evitar que resultados desatualizados afetem os números do agregador. Também há salvaguardas para evitar que os chamados outliers ou “diferentões” puxem a média para cima ou para baixo. O agregador automaticamente reduz o peso de pesquisas que mostrem resultados muito distantes da média geral ou da média de Datafolha e Ipec, empresas que consideramos o “padrão ouro” por sua tradição e metodologia.

