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Membros do PDT apostam que impasse sobre permanência de Ciro no partido vai até 2026

Escrito por Inácio Aguiar / DIARIONORDESTE
Nos bastidores do PDT cearense, há uma dúvida incômoda que trava movimentos políticos e impede definições para 2026: afinal, Ciro Gomes vai ou não deixar o partido? A pergunta, feita com frequência na legenda, reflete um momento de transição e incerteza para o grupo político que dominou o cenário local por quase duas décadas e tenta agora uma reestruturação. 
 
Em conversas reservadas com a coluna, parlamentares confirmam esse ambiente de indefinição. Após a eleição municipal de 2024, parte significativa da sigla aderiu informalmente ao projeto do PT no Ceará. Atualmente, o apoio a Evandro Leitão, em Fortaleza, já é formal, mas a adesão ao governo Elmano ainda esbarra na postura considerada ambígua de Ciro Gomes. 
 

Segundo apurou esta Coluna, Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, afirmou aos correligionários no Estado que, em conversa recente com Ciro Gomes, ouviu do ex-ministro que ele não pretende sair do partido nem disputar qualquer cargo em 2026.  

A declaração, porém, não convenceu os aliados cearenses. Nos bastidores, a avaliação é de que Ciro age como quem já está fora da sigla, ainda que, formalmente, permaneça filiado.

Jogo travado até a janela partidária 

Vereadores pedetistas acreditam que o impasse deve se arrastar até março de 2026, prazo da chamada janela partidária.  

A permanência de Ciro no PDT, até lá, seria uma estratégia para frustrar o desejo de muitos aliados que gostariam de aderir formalmente ao governo Elmano de Freitas (PT). 

O impasse afeta diretamente a reorganização política que o grupo comandado por André Figueiredo, presidente Estadual, e Iraguassu Filho, que comanda a legenda na Capital, pretendem acelerar. A presença de Ciro freia as negociações com o PT e a atração de novos nomes para a legenda em 2026. 

PT observa de perto e trata o assunto nos bastidores 

Enquanto o PDT vive o impasse, o PT e o grupo governista cearense observa o cenário. Dirigentes do grupo esperam uma definição mais clara de Ciro para sacramentar uma aproximação formal com o grupo majoritário do PDT.  

Enquanto isso, já tratam da possível ida de novas lideranças para a legenda. 

PDT Bancada

 

Os riscos previsíveis da politização do IR

Reformar o Imposto de Renda é tarefa das mais delicadas politicamente. Trata-se de um tributo de custo evidente para cada contribuinte, à diferença dos incidentes sobre o consumo e incorporados aos preços de bens e serviços. Assim, qualquer aumento de cobrança gera reação imediata, ainda mais quando afeta setores influentes.

Não por acaso, o governo Luiz Inácio Lula da Silva, de base frágil no Congresso Nacional, abandonou os planos iniciais de uma reforma ampla e ambiciosa do IR —tarefa que o petista não levou adiante nem quando desfrutava de grande popularidade e apoio partidário em seus dois primeiros mandatos. Em vez disso, optou por um atalho, ainda assim arriscado.

Em busca de índices maiores de aprovação, Lula seguiu uma promessa eleitoral reciclada da campanha do adversário Jair Bolsonaro (PL) e propôs a isenção do imposto para rendimentos até R$ 5.000 por mês. Para evitar a perda de receita, previu-se uma cobrança mínima sobre ganhos a partir de R$ 50 mil mensais.

O projeto tem méritos ao mirar a progressividade dos impostos, onerando os mais ricos e beneficiando estratos que, embora não possam ser considerados pobres, não estão no topo da pirâmide social. A administração petista, no entanto, não faz segredo de que essa é também, ou sobretudo, uma aposta político-eleitoral.

Não surpreende, portanto, que haja má vontade da oposição e de boa parte do centrão com o texto —por mais difícil que seja rejeitar uma medida de claro apelo popular. Como era de esperar, a tramitação corre o risco de ser contaminada por demagogia e irresponsabilidade orçamentária.

Basta o exemplo do líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), que candidamente defende estender a isenção do IR para rendimentos até R$ 10 mil e acabar com a tributação compensatória sobre os mais ricos. A primeira parte do plano visa rebater a acusação de ser contra a benesse do projeto; a segunda atende a interesses de alcance suprapartidário.

Desnecessário dizer que alterações no texto nesse sentido seriam nefastas para o Tesouro e, em consequência, para a economia do país. Calcula-se que o alívio tributário vá custar em torno de R$ 30 bilhões no próximo ano. O que não for coberto pela receita adicional será somado ao déficit federal, projetado em R$ 23 bilhões na proposta de Orçamento divulgada na sexta (29).

A esta altura, a politização do tema parece irreversível. Resta esperar que o impacto fiscal não seja desastroso —e que se possa fazer uma reforma mais criteriosa do IR no próximo governo.

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Lula diz que Tarcísio sem Bolsonaro não é nada e que governador faz o que ex-presidente quiser

Artur BúrigoCatarina ScortecciBruno Ribeiro / FOLHA DE SP

 

O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira que o governador de São PauloTarcísio de Freitas (Republicanos), não seria nada sem Jair Bolsonaro (PL) e fará o que o ex-presidente quiser. 

A declaração foi feita em entrevista à rádio Itatiaia. "Nós temos que reconhecer que o Bolsonaro tem uma força no setor de extrema direita muito forte. O Tarcísio vai fazer o que o Bolsonaro quiser. Até porque sem o Bolsonaro ele não é nada. Ele sabe disso", disse.

Questionado sobre as declarações do petista, Tarcísio respondeu que "não perde nem um minuto" pensando em críticas do tipo.

Em entrevista coletiva no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, onde estava para anunciar mais recursos para a saúde e investimentos em equipamentos, o governador foi questionado se as críticas o incomodavam.

"Não perco um minuto pensando nisso", respondeu.

Após a resposta curta, Tarcísio ficou em silêncio e passou a ser questionado sobre outros assuntos. Ele disse que pretende ficar em São Paulo para acompanhar o julgamento de Bolsonaro na semana que vem e que acredita na inocência do ex-presidente.

"Eu não sei o que vai acontecer. O que eu sei é que o Bolsonaro é inocente. Eu convivi com ele de forma muito próxima esse período todo, fui ministro dele. Um presidente que está planejando algo não nomeia os comandantes de Força do governo que está sucedendo. Então, tem muita coisa aí que não faz o menor sentido, na minha opinião. Eu acredito muito, e tenho convicção absoluta na inocência e, se houver justiça, ele vai ser inocentado."

O governador de São Paulo é cotado para ser o candidato do campo do bolsonarismo nas eleições de 2026. A pressão por unidade em torno da candidatura do governador paulista à Presidência ganhou força nas últimas semanas entre integrantes do centrão e do mercado financeiro.

Na entrevista à rádio Itatiaia, Lula afirmou ter boa relação com Gilberto Kassab, que é presidente do PSD e secretário de Tarcísio. Sobre os resultados das pesquisas eleitorais, o presidente disse que é cedo para definir um cenário.

"É muito precipitado a gente querer definir o jogo fora do estádio. Vamos entrar em campo e começar a definir o jogo. Já vai chegar o momento em que as coisas vão ser definidas, quem vai estar com quem. E aí nós vamos jogar", disse Lula.

Ele também repetiu uma fala de que será candidato à reeleição se estiver "100% de saúde", como diz estar hoje.

Lula defendeu ainda a cassação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que articula sanções contra o Brasil nos EUA para pressionar por uma anistia ao seu pai.

"Eu já falei com o presidente [da Câmara] Hugo Motta, já falei com vários deputados de que é extremamente necessário cassar o Eduardo Bolsonaro porque ele vai passar para a história como o maior traidor da história desse país. Aliás, um dos maiores traidores da pátria do mundo", afirmou Lula.

Lula também colocou na mira o governador mineiro, Romeu Zema (Novo), a quem chamou de "figura caricata" e "falso humilde".

"Se ele tiver a performance que ele teve no [programa] Roda Viva, vai ser um desastre para ele. Ou ele melhora, deixa de ser o falso humilde e começa a dizer a verdade ou ele vai ser desmoralizado na campanha".

O presidente cumpriu nesta sexta duas agendas em Minas Gerais sem a presença de Zema ou de integrantes do governo estadual. Em entrevista recente, o governador disse que receberia Lula na Cidade Administrativa, sede do governo, mas que se recusa a participar de eventos do Lula "para não ser vaiado".

Governo de Minas Gerais

O presidente da República defende a candidatura do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD) para o Governo de Minas. O congressista, porém, afirma a aliados ainda não ter definido se disputará as próximas eleições.

O nome de Pacheco também é cotado para uma vaga ao STF (Supremo Tribunal Federal) em caso de uma eventual aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso.

"Estou apenas demonstrando um desejo meu, que eu gostaria que fosse aceito pelo Pacheco, porque pelo PT eu já sei que é aceito, mas vai depender dele. Eu gostaria que ele assumisse a responsabilidade, porque ele será governador de Minas Gerais. Eu não tenho dúvida que os adversários dele irão se desmanchar em pó na disputa para a eleição de 2026", afirmou Lula à rádio.

Mais tarde, durante ato do governo federal em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, Pacheco foi citado novamente por aliados.

Durante discurso, o ministro das Cidades, Jader Filho, afirmou que o ex-presidente do Senado é "um dos mais brilhantes políticos da minha geração" e pediu pela candidatura dele em 2026.

"Minas tem feito escolhas erradas nos últimos anos, que não honram a história do estado. Você tem uma obrigação com Minas Gerais. Não pode se omitir. Você tem que ser o futuro governador de Minas", disse o ministro ao senador.

A visita de Lula foi a sexta a Minas Gerais somente em 2025. Em Contagem, a prefeita é a aliada Marília (PT), cotada para ser vice em uma eventual chapa com Pacheco para o governo mineiro em 2026.

No mesmo evento em Contagem, Pacheco também discursou e afirmou que seu futuro político "será o futuro que cada um de vocês quiser que eu tenha".

Sem citar o nome do atual governador de Minas, o senador afirmou que as pessoas que estão em situação de rua hoje "não podem ser guinchadas, não podem ser enxotadas, têm que ser cuidadas". A fala é uma crítica a recentes declarações de Romeu Zema. Em entrevista à BBC News, divulgada em 15 de agosto, Zema comparou moradores de rua a carros estacionados em local proibido, que precisam ser guinchados.

O senador também aproveitou para fazer críticas ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e ao bolsonarismo. Pacheco disse que as divergências na política são naturais, mas que "não há dois lados quando se trata de defender a democracia e a soberania do nosso país".

"Brasileiro que ousa ir para o exterior para trabalhar contra o país é traidor da pátria. Esta bandeira do Brasil não é para enxugar suor de fascista. É um símbolo nacional que pertence a todos nós", disse ele. A plateia reagiu com gritos de "sem anistia".

Lula precisa tomar cuidado com campanha fora de hora

Por  Merval Pereira / O GLOBO

 

Lula tem que tomar cuidado, está pisando uma linha muito frágil. Se lembrar que Bolsonaro foi tornado inelegível porque usou o poder de presidente para reunir embaixadores e falar mal das urnas eletrônicas, ele tem que começar a tomar cuidado com o que faz do seu mandato.

 

Porque ele não passa um dia sem falar que só não vai ser candidato se a saúde não permitir e começa a fazer campanha. É um absurdo falar que o deputado Nikolas Ferreira ajudou o crime organizado com a história do pix. É uma ilação muito ampla e quase irresponsável.

 

Pode- se não gostar do deputado, mas o que ele fez foi só demagogia, politicagem, com o objetivo de ficar popular e não de ajudar o PCC. A não ser que haja uma indicação muito forte da Polícia Federal, dizer isso é uma irresponsabilidade.

 

Lula está em campanha forte e já sabe ou desconfia que Tarcísio de Freitas é o candidato. Os políticos tradicionais estão tentando convencer Bolsonaro de que a única chance de ser anistiado é fazer o sucessor de Lula, e Tarcísio é o que tem mais força pra isso. Vamos ver o que vai acontecer, mas Lula está em campanha mesmo.

 

 

Lula turbina divulgação de operação contra PCC e tenta impedir saldo político positivo para Tarcísio

Victoria Azevedo / FOLHA DE SP

 

O governo Lula (PT) decidiu turbinar a divulgação das ações contra o crime organizado, nesta quinta-feira (28) depois de saber que o secretário de Segurança Pública da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) participaria do anúncio à imprensa sobre a principal operação do dia, em São Paulo.

O episódio envolve um novo capítulo da disputa da Polícia Federal com o Ministério Público de São Paulo e também dá uma amostra de uma possível disputa eleitoral de Lula contra Tarcísio, sendo a segurança pública tema relevante na corrida para 2026.

Ao todo, três operações ocorreram ao mesmo tempo na quinta. A mais importante delas é a Carbono Oculto, uma parceria entre o Gaeco, do Ministério Público de São Paulo, e a Receita Federal, vinculada ao governo federal. As outras duas, Quasar e Tank, foram feitas pela PF.

Duas entrevistas à imprensa para tratar das operações foram marcadas para o mesmo horário: uma em São Paulo e outra em Brasília, às 11h.

Por trás das investigações, os governos Lula e Tarcísio disputam quem irá capitalizar politicamente os resultados da megaoperação.

A informação de que o secretário paulista, Guilherme Derrite (PP), participaria do anúncio na capital paulista incomodou integrantes do governo federal, que falam de uma tentativa do governo Tarcísio de se aproveitar do tema. Ele foi convidado pelo Ministério Público (sob argumento de que a Polícia Militar de São Paulo atuou na ação).

Em São Paulo, além do secretário, participaram representantes dos órgãos envolvidos, incluindo o chefe da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, e promotores responsáveis pelo caso.

Em Brasília, estiveram os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), além do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência, Sidônio Palmeira, acompanhou a entrevista.

Uma pessoa com conhecimento das três operações disse à reportagem que a Carbono Oculto não teria ocorrido sem o Gaeco e sem a Receita —mas que a PF e outros ministérios públicos não tiveram participação nela.

Publicações de Lula e do canal oficial do governo nas redes sociais, no entanto, empacotaram as três ações como uma só, dando créditos principalmente à PF. Nos últimos dias, o diretor-geral da PF iniciou uma batalha contra a ideia de criação de uma agência antimáfia, dizendo que a corporação já faz esse papel.

Carbono Oculto mirou empresas do setor de combustíveis e do mercado financeiro que têm atuação nesse segmento e são usadas por criminosos do PCC (Primeiro Comando da Capital), com o objetivo de desarticular a infiltração do crime organizado em negócios da economia formal.

Pessoas próximas a Tarcísio reclamam da postura do governo federal, dizendo que há uma tentativa de se aproveitar do trabalho alheio para colher frutos políticos. Aliados do governador argumentam que Derrite participa de quase todos os anúncios de operações do MP-SP, porque a PM é a cumpridora dos mandados judiciais.

Já no governo federal, o discurso é que Derrite não teria razão para estar ali e que teria participado para obter dividendos políticos da operação.

As duas gestões também tentavam capitalizar as ações nas redes sociais. Do lado de São Paulo, deixaram a Receita Federal em segundo plano. Do lado do governo Lula, praticamente ignoraram o Gaeco.

O petista escreveu que a população viu a maior resposta do Estado brasileiro ao crime organizado na história do país e destacou a atuação coordenada da PF, da Receita e dos ministérios públicos estaduais —nesta ordem.

Em seguida, citou o trabalho integrado que foi iniciado com a criação, no Ministério da Justiça, do Núcleo de Combate ao Crime Organizado, que "permitiu acompanhar toda a cadeia e atingir o núcleo financeiro que sustenta essas práticas".

O perfil oficial do governo brasileiro no X (ex-Twitter) compartilhou publicação para comentar a megaoperação, dando crédito à gestão federal e à PF. "Uma megaoperação do Governo do Brasil e da Polícia Federal atingiu de forma inédita o cérebro financeiro do crime organizado no país", diz a legenda.

Já Tarcísio divulgou um vídeo destacando o trabalho do Gaeco. "Um grande trabalho de inteligência começou a partir daí, que envolve o Gaeco aqui de São Paulo com as polícias, e esse trabalho se espalhou para o Brasil inteiro. Envolveu o Ministério Público Federal, Receita Federal, Receita Estadual, a Polícia Federal e hoje está sendo deflagrada a maior operação do gênero no setor de combustíveis, que é a operação Carbono Oculto", disse.

Procurado, via assessoria de imprensa, Derrite afirmou que foi convidado pelo Ministério Público de São Paulo para participar da coletiva. "A operação foi coordenada pelo MP-SP e teve a colaboração da inteligência das forças de segurança do estado de São Paulo durante os últimos oito meses. A coletiva objetiva apresentar dados e números desse trabalho", diz, em nota.

A Secom da Presidência diz que a coletiva em Brasília não foi convocada em reação à participação de Derrite em São Paulo.

"A entrevista coletiva do governo federal, como de praxe, foi realizada na manhã de hoje para anunciar operações coordenadas deflagradas simultaneamente na data de hoje. O horário da coletiva foi definido a partir da disponibilidade dos ministros. Conforme esclarecido na própria coletiva, realizada em Brasília, havia alvos comuns e fluxos financeiros compartilhados entre as diferentes frentes, o que justificou a execução simultânea das operações. O foco do governo do Brasil é a cooperação federativa e a proteção do cidadão e do consumidor", diz.

Derrite é considerado um possível candidato ao Governo de SP em 2026 caso Tarcísio decida concorrer à Presidência. Se o governador tentar a reeleição, Derrite deve disputar uma vaga ao Senado no próximo ano, com apoio do bolsonarismo.

 

LULA E TARCISIO EM CAMPANHA

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