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Janja diz que já quis 'pegar a bolsa e as cachorras' para ir embora de Brasília

Mônica Bergamo é jornalista e colunista / FOLHA DE SP

 

 

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, recebeu a coluna no Palácio da Alvorada, em Brasília, no fim do mês passado.

Era para ser uma conversa, mas virou uma entrevista. Nela, Janja revelou que, sob intensas críticas, já sentiu vontade de largar tudo para trás e voltar para sua casa, em São Paulo.

"Eu acho que isso deve ter acontecido com muitas primeiras-damas [no passado]. Muitas. E muitas também se fecharam por conta disso", disse ela, com lágrimas nos olhos.

Mas o momento passou. Janja segue em Brasília. E afirma que, ao contrário do que parece (e dizem), não mudou enfim de postura para se enquadrar ao cargo. "Não vou entrar na caixinha", diz. "Mas eu não posso sair cantando em um evento, como podia na campanha", admite.

A primeira-dama diz que ainda não sabe como vai se engajar na campanha de 2026, mesmo porque o marido ainda não decidiu se vai concorrer à reeleição.

Questionada sobre como vai lidar com a presença de outra mulher, Michelle Bolsonaro, que deve ter papel central nas eleições e já chamou Lula de pinguço, respondeu: "Eu não vou deixar ninguém atacar ele, seja homem ou seja mulher. Eu espero que ela tenha ética para saber o papel que ela tem".

Em maio, Janja foi indicada para ser a enviada especial para as mulheres na COP30, e está viajando pelo Brasil para colher depoimentos.

CLIQUE E LEIA TRECHOS DA ENTREVISTA

  • COP30

    'A gente sabe de todas as dificuldades de [o evento ser em] Belém. Mas o presidente queria muito que fosse na Amazônia porque é o lugar mais falado'

  • MICHELLE BOLSONARO

    'Não estou preocupada com a figura dela, tá? Já disse que falo [as coisas] sem precisar xingar o marido de ninguém'

  • LULA EM 2026

    'Ele fala que [vai se candidatar] se estiver forte. E forte ele está [ri]'

  • CRISE COM OS EUA

    'Ele [Lula] gosta de fazer o bom combate. Embora não seja um bom combate do lado de lá, ele faz o bom combate aqui'

  • FORA DA CAIXA

    'Não é que eu não caibo em uma caixinha. É que o mundo talvez seja grande demais para uma caixinha'

  • MUSK

    'Não me arrependo do que falei, mas sim de aquilo ter deixado na sombra todo o trabalho que a gente fez no G-20'

COP30

Qual será o seu papel na COP 30?
Estou caminhando pelo Brasil com a enviada especial para a Igualdade Racial, [a médica e diretora da Anistia Internacional Brasil] Jurema Werneck, e a enviada para Direitos Humanos, a [advogada] Denise Dora.

Nós somos as 'bagrinhas', as pobrinhas de um grupo que tem 30 enviados, a maioria deles com [atuação em] institutos, fundações, com uma inserção já solidificada em alguns temas. E resolvemos nos juntar.

Começamos por Manaus, na Amazônia. Foi uma experiência muito especial estar com aquelas mulheres e com grandes lideranças da floresta, que nos falaram de suas perspectivas e sonhos, e das dificuldades que as mudanças climáticas estão trazendo para a vida delas.

A gente vai tentar fazer essa conexão entre os anseios de uma pescadora da comunidade São Francisco, em Manaus, e os grandes líderes. Assim como as guerras, são mudanças que impactam mais fortemente a vida de mulheres e meninas.

Eu espero que ela [Michelle Bolsonaro] tenha ética para saber o papel que ela tem. Eu espero que não se repita o que ela fez [chamar Lula de pinguço]. Porque para nós, mulheres, o comportamento dela é muito ruim

Janja

primeira-dama do Brasil

Mas que soluções a COP pode trazer para essas pessoas?
Vamos lançar a carta dos biomas para a COP 30. Obviamente, eu tenho um lugar privilegiado. E vou ter o prazer de entregá-la para cada um dos líderes. Assim como fiz no G-20: entreguei pessoalmente a cada um dos líderes da sala as resoluções do GT [Grupo de Trabalho] de empoderamento das mulheres.

As pessoas me perguntam o que eu tô fazendo sentada lá [em reuniões de organismos internacionais]. Quando eu posso, eu faço isso, entendeu? Na mesa de líderes dos Brics, não tinha nenhuma mulher. No plenário, éramos eu e mais duas ou três. Aí eu falei para o meu marido [Lula]: "Não é possível um negócio desses". E ele faz aquela fala, "precisamos trazer mais mulheres para a mesa de negociação".

O presidente Donald Trump vem afinal para a COP?
O meu marido falou que vai convidá-lo, né? Vamos ver. Ele está convidado, assim como todos os líderes mundiais.

A gente sabe de todas as dificuldades de [o evento ser em] Belém. Mas o presidente queria muito que fosse na Amazônia porque é o lugar mais falado, mais discutido.

Nós queremos sair das grandes tendas brancas e climatizadas em que até a água vem de fora. Nem que tenhamos que nos reunir embaixo de uma árvore.

Eu fiquei muito espantada com isso: na COP do Egito [em 2022], a água vinha da Itália. Falei "você faz uma COP por mudanças climáticas e emite carbono para trazer a água para o lugar em que isso está sendo discutido?".

MICHELLE BOLSONARO

No próximo ano, teremos uma campanha presidencial. E uma figura feminina, Michelle Bolsonaro, será central nos debates, qualquer que seja o cargo que ela dispute. Ela já chamou o presidente Lula de pinguço, e é muito difícil para um político homem, como Lula, rebater uma mulher na mesma moeda.
Sinceramente, eu não estou preocupada com a figura dela, tá? Eu já disse que falo [as coisas] sem precisar xingar o marido de ninguém. Eu jamais faria isso.

Mas, na campanha, se houver ataques, você vai responder a ela?
Qualquer você pessoa que ataque o meu marido, eu me sinto no direito de protegê-lo. Ele não precisa de proteção. Mas eu me sinto no direito. Eu não vou deixar ninguém atacar ele, seja homem ou seja mulher.
Dependendo do nível de ataque, é óbvio que eu vou me colocar.

Eu espero que ela tenha ética para saber o papel que ela tem. Eu espero que não se repita o que ela fez. Porque para nós, mulheres, o comportamento dela é muito ruim. Não é sobre ela. É sobre as mulheres.
Já somos muito atacadas. Já temos dificuldade de alcançar lugares de decisão e poder. E quando a gente alcança, precisa ter muita responsabilidade no que faz e fala. E aquele comportamento dela não é o que a maioria das mulheres espera.

Qual será o seu papel na campanha de 2026?
A minha disposição, desde o começo do governo, foi a de conversar com as mulheres. É uma pauta fundamental para mim. Tenho feito isso ao longo desses dois anos e meio de governo. E vou continuar fazendo. As mulheres querem conversar.

Eu tenho conversado com grupos de mulheres evangélicas, por exemplo. Neles, a gente não fala sobre religião, porque não é sobre isso. A minha preocupação é entender como elas olham para nós e como as políticas públicas do governo impactam, ou não impactam, a vida delas.

Você encontra resistência ao governo nesses grupos?
Nada, nenhuma. Pelo contrário. E a gente tem conversado com diferentes segmentos dos evangélicos.
Não são reuniões enormes, porque eu não vou para falar. Eu vou para escutar. Por isso priorizamos fazer reuniões menores.

O pastor [Silas] Malafaia diz que dá risada das minhas reuniões porque as mulheres evangélicas com quem eu estou conversando não têm importância.

Cada mulher tem importância. Não importa se é uma, se são duas ou se são mil. É típico de um homem falar isso.

Eu vou seguir nessa linha. Até que digam pra eu não fazer —o que não vai acontecer—, eu vou seguir conversando, priorizando o diálogo com as mulheres.

Esse vai ser o seu engajamento na campanha presidencial?
Eu acho que sim. Como eu fiz em 2022 [quando Lula disputou e venceu as eleições presidenciais], em que eu trouxe a questão das mulheres para a campanha.

Mas ainda não pensei direito. Até porque o presidente não bateu o martelo de que vai se candidatar à reeleição.

LULA EM 2026

Ele vive falando que vai se candidatar, desde que esteja bem de saúde. Ele está bem?
Ele fala que [vai se candidatar] se estiver forte. E forte ele está [ri]. Você viu o vídeo da semana passada [mostrando o presidente fazendo exercícios]?

Nesses dias fui na academia treinar na cadeira flexora e falei "meu Deus, olha o tanto de peso que tá nisso [nos aparelhos em que Lula tinha treinado]". Ele tinha feito academia de manhã.

Então, assim, ele é muito forte, graças a Deus. Ele foca muito. Nesta semana, ele treinou desde sábado até ontem [quinta]. Hoje ele não treinou porque foi viajar. A decisão de ser ou não candidato será dele. Mas ele está forte [risos].

Eu vou estar do lado dele, não importa a decisão que tome. Desde que estamos juntos, eu sempre respeitei a vida política dele.

É claro que eu sinto falta de um pouco de privacidade e de aconchego, de a gente viajar, essas coisas de casal comum. Eu já disse: a gente tem uma urgência que os casais jovens não têm. No final de semana, ficamos sozinhos, ali na piscina, vamos para [a Granja do] Torto e tal.

O pastor [Silas] Malafaia diz que dá risada das minhas reuniões porque as mulheres evangélicas com quem eu estou conversando não têm importância. Cada mulher tem importância. É típico de um homem falar isso

Janja

primeira-dama do Brasil

As pessoas te culpam muitas vezes por afastá-lo delas. Mas é ele que quer?
É claro, porque a gente tem essa urgência. É uma decisão dele. Eu nunca, em momento algum, falei pra ele: "Ah, você não vai fazer reunião neste sábado". Se ele quiser fazer reunião no sábado e no domingo, ele faz. Domingo sempre tem encontros aqui [no Palácio da Alvorada]. Quando ele precisa, chama os ministros para cá. É sempre uma decisão dele.

Eu fui sempre clara com ele: "Vou respeitar todas as suas decisões porque eu que me inseri na sua vida, e não o contrário".

Ele tem uma caminhada importante para o Brasil e para o mundo, então eu tenho que respeitar e entender isso.

CRISE COM OS EUA

Lula dava a impressão às vezes de estar desanimado no governo, fazendo mais do mesmo nesse terceiro mandato. A crise com os EUA deu novo ânimo ao presidente?
Você pergunta se colocou um pouco de pressão? De vigor no discurso? Pode ser.

Sabe o que foi aflitivo desde o primeiro dia de governo? Perceber que a gente ia ter que reconstruir o que a gente tinha construído, nos dois mandatos anteriores dele e nos da Dilma.

As coisas estavam meio "terra arrasada". Isso foi pouco falado. A gente passou dois anos fazendo isso mesmo, reconstruindo o ministério, as políticas públicas.

E não é tão prazeroso fazer isso. Você acha que ele queria estar inaugurando [obras do] Minha Casa Minha Vida paradas há dez anos? É óbvio que não. Ele queria lançar outras coisas.

E o embate com os EUA trouxe esse novo vigor?
Eu acho que sim. Ele gosta de fazer o bom combate. Embora não seja um bom combate do lado de lá, ele faz o bom combate aqui.

Nisso, o apoio do vice-presidente [Geraldo Alckmin] tem sido muito importante, o apoio do ministro Fernando Haddad, da Fazenda, também. Eles estão sendo fundamentais. É um tripé importante que se consolidou.

O tom do discurso está correto, o tom da soberania, que era algo de que não falávamos muito.

Muitas coisas que construímos no Brasil foram vendidas nos últimos dez anos [com privatizações]. Inclusive o pré-sal. Coisas que poderiam tirar o Brasil desse processo de estar sempre buscando o desenvolvimento.

A gente precisa dar um salto para realmente ser um país desenvolvido. A desigualdade ainda é muito forte, por isso há um empenho na questão das tarifas e da justiça tributária. Tudo com o objetivo de levar o país a sair do patamar de sempre, do vir a ser. A gente quer ser.

FORA DA CAIXA

Dois anos e meio depois da posse, parece que você está hoje mais recolhida do que no começo do governo.
Recolhida? Não. Eu tenho trabalhado muito, andado muito e viajado muito. Tenho feito muitas reuniões.
Talvez eu tenha saído um pouco do foco [das outras pessoas]. Talvez, finalmente...Eu acho que as pessoas tiraram um pouco desse foco ruim para colocar um pouco de luz boa no que a gente faz.

Você acredita então que isso aconteceu porque saiu do foco, e não por uma mudança de postura?
É. O trabalho que estou fazendo aqui [no governo] não é meu. Apesar de não ter cargo no governo, eu faço um trabalho conjunto. Anteontem, por exemplo, o presidente me pediu para fazer uma reunião com representantes da sociedade civil sobre temas relacionados aos autistas.

Foi um encontro com diversos órgãos do governo, do INSS ao Ministério do Esporte, para dar uma devolutiva à sociedade civil.

Então tem coisas que não aparecem, mas é um trabalho que eu faço, em parceria com ministros que entendem o meu papel de articuladora. Tanto que a plaquinha do meu gabinete continua lá, "Articulação de Políticas Públicas".

É uma coisa que eu fiz a vida inteira, não é algo que eu inventei da minha cabeça. Não. É uma coisa que eu sei fazer. Por isso eu nunca quis um programa fechado para mim.

Não é que eu não caibo em uma caixinha. É que o mundo talvez seja grande demais para uma caixinha. Não é sobre mim. É sobre qualquer mulher. A necessidade que os homens têm de colocar a gente em uma caixinha é enorme.

Mas o próprio cargo não acaba te colocando na caixinha? Na campanha e no começo do governo, você cantava, dançava. Agora você se comporta com um pouco mais de liturgia. Ou não?
Eu continuo com o mesmo espírito. Historicamente a primeira-dama é colocada em uma caixinha, para fazer filantropia, visitar obras sociais. Quiseram me colocar numa caixinha, mas desde o começo eu falei que esse não é o meu perfil.

A caixinha estava pronta para eu entrar. A minha recusa de entrar nessa caixinha é que criou toda essa série de questões sobre o meu posicionamento. Não só internas do governo como externas, da própria imprensa, de mulheres jornalistas.

E me parecia ilógico mulheres jornalistas criticarem o fato de eu querer fazer diferente do combinado historicamente pelos homens.

Eu nunca entrei na caixinha. Toda hora querem me empurrar para dentro da caixinha. E eu sempre digo "ali, não. Não vou entrar nessa caixinha".

Mas deixa eu te falar uma coisa importante. Eu sou uma pessoa normal. É óbvio que todos os ataques que eu sofri, principalmente do meio do ano, até o final do ano [passado], é claro que me deixaram desestruturada [Janja se emociona].

Teve um momento em que eu quis pegar a minha bolsa e as minhas cachorras e sair, voltar para a minha casa. "Vou ficar lá".

Eu acho que isso deve ter acontecido com muitas primeiras-damas [no passado]. Muitas. E muitas também se fecharam por conta disso. Porque hoje a gente tem internet, mas os ataques sempre aconteceram.

MUSK

Em que momento esse sentimento foi mais agudo?
Teve muitos momentos. O da China foi o que talvez me deixou mais abalada [quando integrantes da comitiva de Lula vazaram à imprensa que ela causou mal-estar ao se dirigir ao líder chinês Xi Jinping em um jantar, o que o presidente nega].

A gente teve o caso da menina de 8 anos que morreu cheirando desodorante [em Brasília, ao participar de um desafio do TikTok]. Eu falei sobre isso com o presidente Xi e a primeira-dama. Eu estava muito impactada com aquilo. E fui duramente criticada.

Aí vem um menininho branco e bonitinho, todo certinho da internet [referindo-se ao influenciador Felipe Bressanim Pereira, o Felca], e fala que isso acontece. Aí valeu. Todo mundo se preocupou.

Eu acho maravilhoso que ele fez. Ainda bem que deu resultado. Não sou só eu que falo. A Xuxa fala disso há anos.

Naquele momento, eu tive um apoio grande das meninas que trabalham comigo, sabe? De estar ali sempre, segurando na minha mão.

Porque não é fácil. Não é fácil estar nesse lugar em que eu estou. O povo acha "ai, fica viajando".
Não é fácil, é difícil. Eu sei que quando estou na linha de frente falando com as pessoas, com as mulheres, elas olham através de mim e enxergam o presidente.

Óbvio: eu sou uma pessoa normal, e às vezes talvez me escape [palavras], como foi no caso de [quando ela disse 'fuck you'] Elon Musk. Eu já disse: não me arrependo do que falei, mas sim de aquilo ter deixado na sombra todo o trabalho que a gente fez no G-20, principalmente pela Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza.

Eu também erro. Mas sei que tenho que ter muita responsabilidade no que eu falo.

E eu não faço nada sem ter antes discutido muito com ele [Lula]. Quando eu tenho dúvida, converso com meu marido sobre as questões. As pessoas acham que não, mas a gente dialoga muito. Eu falo muito para ele das minhas angústias.

Às vezes é difícil porque ele é homem, pode não entender dessas angústias, ou esse momento por que eu passei. Por isso que ter mulheres ao meu redor é importante, né? Porque hoje eu não tenho as minhas amigas aqui comigo. Elas moram em lugares diferentes. Então eu tenho esse suporte feminino, das meninas que trabalham diretamente comigo.

É óbvio que todos os ataques que eu sofri me deixaram desestruturada

Janja

primeira-dama do Brasil

E depois desse período?
Eu passei por esse momento, mas segui firme. Tenho que seguir firme porque foi a isso que me dispus. Foi um momento ruim, mas que eu tive apoio da minha equipe e de outras mulheres. Quando eu digo que uma mulher não deve nunca soltar a mão de outra, é por isso, entendeu?

Mas isso não impede que uma mulher te critique. Senão fica aquela coisa, só porque você é mulher, não podemos te criticar.

Eu não estou falando de crítica. Eu estou falando de ataques. De um ataque desmensurado. No começo do governo, fizeram ataques ao meu corpo, com imagens nuas na internet, de deep fake, esse tipo de coisa. Inúmeros, inúmeros, inúmeros.

Depois [foi atacada] pelas coisas que eu falo, como quando falei do genocídio em Gaza. O objetivo principal é que eu me cale, entre na caixinha e fique ali.

Ou atingir o presidente?
Com certeza. Por isso que eu tenho que ter muita responsabilidade no que falo, no que faço, em como me comporto. É óbvio que a Janja da campanha não pode ser a mesma aqui no mandato.

Mas em 2026 vai ser a Janja da campanha no mandato.
Eu não mudei a minha personalidade. Mas eu não posso sair cantando em um evento, como eu podia na campanha. Porque era diferente. Era o momento de estar fazendo aquilo. A gente precisa saber se colocar nos lugares em que estamos.

O pessoal me criticou quando eu falei com o Xi Jinping. Mas eu tenho consciência, me considero uma pessoa inteligente para saber os momentos em que eu posso falar.

Eu falei com o presidente Xi [sobre crianças vítimas da internet] e fui duramente criticada. Aí vem um menininho branco e bonitinho, todo certinho da internet [Felca] e fala que isso acontece. Aí valeu. Todo mundo se preocupou.

Janja

primeira-dama do Brasil

Eu falei com o [presidente da Rússia, Vladimir] Putin. Não posso falar com o Xi Jinping? Eu falei com o Putin, contei para ele que tenho origem eslava.

 

Alta na popularidade de Lula ainda é frágil

EDITORIAL da folha de sp

A avaliação do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou ao nível mais alto deste ano. Para 33% dos entrevistados pelo Datafolha nos dias 8 e 9 de setembro, seu desempenho é ótimo ou bom —alta de 5 pontos em relação a junho (28%).

Mas o fato de que só um terço do eleitorado tenha a opinião mais elevada sobre a atuação do presidente indica fragilidade.

As conspirações da família Bolsonaro contra o Brasil podem ter ajudado a lustrar a imagem do petista. No entanto Lula tem dificuldades crônicas em seu terceiro mandato, e a perspectiva para os próximos meses na economia e na política não parece propícia a saltos em popularidade.

O saldo ainda é negativo, já que o governo é ruim ou péssimo para 38% dos entrevistados —5 pontos percentuais a mais do que ótimo ou bom. Em fevereiro, a diferença chegava aos 17 pontos (41% e 24%, respectivamente).

Apesar da melhora, o indicador positivo está abaixo dos registrados em 2024, sempre entre 35% e 36%; jamais passou da máxima de 38%, atingida em 2023.

A polarização política contribui para esse resultado cronicamente medíocre. A degradação da nota, contudo, começa a ficar evidente no final de 2024, com a inflação de alimentos.

O pânico financeiro de dezembro, com a alta do dólar provocada pelo anúncio de um plano fiscal desastrado e frágil, também pode ter impressionado parcela do eleitorado. Boa parte do desgaste, porém, foi causado por uma campanha de desinformação nas redes sociais a respeito da tributação do Pix e, mais recentemente, pelo escândalo dos descontos fraudulentos no INSS.

O movimento contra o Pix parece atenuado, e as primeiras restituições aos lesados no INSS começaram a ser pagas. O pior da inflação passou, embora ainda pressione orçamentos. O comportamento vil dos Bolsonaros pode ter dado alguns pontos a Lula. Agora, qual é a perspectiva daqui em diante para o presidente?

A atividade econômica desacelera, por enquanto de modo suave. A partir do final do ano, deve ficar um pouco mais difundida a percepção de que é difícil encontrar emprego e de que os salários aumentam menos.

A antecipação da campanha eleitoral deve ter efeitos maiores no Congresso Nacional, com uma oposição ainda mais acirrada pela condenação de Jair Bolsonaro (PL).

A aprovação da isenção do Imposto de Renda seria relevante para Lula, mas mesmo esse projeto popular enfrentará dificuldades.

Por outro lado, a indefinição de candidaturas e projetos no campo da direita tem potencial para facilitar a campanha petista.

Trata-se de cenário cinzento, sem vislumbre de grandes melhoras ou perdas decisivas. A aprovação de Lula 3 nunca foi alta. Perto do final do ano, ainda se recupera da baixa na virada de 2024 para 2025. O ano eleitoral será de economia mais frágil e de ataques da oposição. Até onde se pode ver, o presidente terá dificuldades em recuperar sua popularidade.

CNT/MDA: Lula tem avaliação positiva de 31% e negativa de 40% e lidera cenários para 2026

Cristiane Gercina / FOLHA DE SP

 

O presidente Lula (PT) tem avaliação positiva de 31% e negativa de 40%, segundo pesquisa CNT/MDA divulgada nesta segunda-feira (8). Em junho, a avaliação positiva estava em 29%. A avaliação negativa se manteve com 40%.

O levantamento ouviu 2.002 pessoas entre os dias 3 e 6 de setembro, em 140 municípios de todos os estados, incluindo o Distrito Federal. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais e para menos.

A aprovação da atuação pessoal do presidente ficou em 44%, e 49,3% desaprovam suas atitudes. Na pesquisa de junho, Lula estava com 41% de aprovação neste quesito. A desaprovação na mesma seara foi de 53% em junho para 49,3% neste mês. Em fevereiro, estava em 55%.

A aprovação de Lula é maior entre mulheres, pessoas mais velhas, com menor renda e católicos.

O presidente Lula lidera as intenções de voto no primeiro turno e venceria candidatos em seis cenários diferentes de segundo turno. A pesquisa aponta empate técnico em apenas um deles, com Ciro Gomes (PDT.).

Caso as eleições fossem hoje, Lula lidera o primeiro turno com 36,2%, Bolsonaro tem 29,7% e Ciro ficaria em terceiro lugar, com 9,6%.

Em cenário com o governador de São PauloTarcísio de Freitas (Republicanos), e sem Bolsonaro, Tarcísio tem 17,1% das intenções de voto e seria o segundo colocado no primeiro turno. Neste caso, Lula lideraria com 35,8%.

Na resposta espontânea, quando o eleitor diz o nome que lhe vem à cabeça, Lula lidera com 27,5%. Em segundo lugar vem Bolsonaro, com 21,1%. Na versão da pesquisa de junho de 2025, o atual presidente tinha 23% de intenções de voto, e Bolsonaro, 21%. Tarcísio aparece com 2,2% de intenção de votos na espontânea.

Segundo turno

O atual presidente venceria o segundo turno das eleições em seis cenários diferentes se a escolha fosse hoje. Em um deles, no entanto, teria empate técnico com Ciro Gomes (39,4% X 36%).

Lula ganharia de Bolsonaro por 45,7% a 37,7%, respectivamente, de Tarcísio (43,9% X 37,6%), Romeu Zema (45% X 30,7%), Ratinho Junior (43,4% X 36,7%) e Ronaldo Caiado (44,8% X 30,4%).

Esta é a primeira vez que o presidente Lula passa o ex-presidente Jair Bolsonaro na comparação com as duas últimas edições da pesquisa.

Lula também se sai melhor do que Bolsonaro quando a pergunta é em qual candidato não votaria de jeito nenhum. Do total, 50% disseram não votar em Lula e 58% disseram que não dariam voto a Jair Bolsonaro. Tarcísio de Freitas ficou com 47%.

Rejeição espontânea para presidente mostra Lula e Bolsonaro empatados: Lula com 40,2% e Bolsonaro com 40,1%. Tarcísio é rejeitado por 2,2% e a menor rejeição é de Eduardo Bolsonaro, com 1,1%. Não sabe/não responderam somam 11,7%.

Julgamento de Jair Bolsonaro

Segundo a pesquisa, 36% consideram que o 8 de Janeiro foi uma tentativa de golpe de estado, 29,5% acham que foi um protesto que saiu do controle, e 20% consideram que foram atos de vandalismo de forma isolada.

Sobre o desfecho de julgamento da trama golpista, que recomeça nesta terça-feira (9), 38,2% consideram que Bolsonaro vai ser condenado e que isso é o justo; 19,4% acreditam que ele vai ser condenado injustamente; 17,5% dizem que ele será absolvido e consideram isso justo; e 11,4% acham que ele será absolvido injustamente.

Agrupados, 58% acreditam que ele vai ser condenado e 29% acreditam que ele vai ser absolvido.

Em relação à Justiça, 49,6% acreditam que o correto é Bolsonaro ser condenado e 36,9% acreditam que o correto é Jair Bolsonaro ser absolvido. Do total, 32,2% acreditam que ele deve cumprir a pena em casa, e 31%, em penitenciária. Após eventual condenação, 39,4% acreditam que vai aumentar ainda mais polarização no país.

Romeu Aldigueri define aliança de Ciro com bolsonaristas como 'colcha de retalhos' e 'pseudounião'

Liderança no bloco governista cearense, o deputado estadual Romeu Aldigueri (PSB), presidente da Assembleia Legislativa (Alece), minimiza a articulação da oposição para as eleições de 2026, com a adesão de nomes como o ex-ministro Ciro Gomes (PDT). Para ele, a aliança entre figuras de posições tão historicamente distintas no campo ideológico mostra que o grupo adversário tenta se fortalecer por meio de uma "colcha de grandes retalhos", que não passa de uma "pseudounião". 

A declaração foi dada nessa quinta-feira (11) à Live PontoPoder. "Como Ciro Gomes vai se unir com a extrema-direita e bolsonaristas? Ele passou a vida toda atacando (esses grupos), dizendo-se progressista. Como André Fernandes (PL), que teoricamente é o grande líder da oposição, que nos faz combate, que praticamente empatou a eleição em Fortaleza, vai se unir com o que ele dizia que era reacionário? E o que ele ganha verdadeiramente com isso? Ele vai perder o protagonismo de oposição?", avaliou Romeu.

"Ao nível nacional, o PL precisa de uma candidatura presidencial. Como ele (André Fernandes) vai se unir? Vai deixar de ter uma candidatura a governador no Ceará e, assim, perder a oportunidade de fazer mais deputados federais? Porque se for se unir com esse campo do Roberto Cláudio e do Ciro, eles vão perder a quantidade de deputados. Então você acredita (na União)? Eu não, porque não faz sentido, não é programática, não pensa no estado do Ceará, e para a extrema-direita e para a direita, ela não é benéfica do ponto de vista eleitoral", complementou o deputado.

Aliança na base

Na mesma ocasião, Aldigueri afirmou que o senador Cid Gomes (PSB) não impõe restrições a possíveis alianças para a disputa estadual de 2026. O deputado negou que Cid tenha vetos até mesmo ao nome do deputado federal Moses Rodrigues (União Brasil), de quem é adversário histórico em Sobral, seu berço político.

Moses passou a ter o nome ventilado como candidato ao Senado pelo Ceará em meio a uma estratégia do grupo governista para atrair o União Brasil para a base. 

“Não há veto nenhum, o senador Cid Gomes não veta absolutamente ninguém. Muito pelo contrário, ele já disse na reunião da bancada que não há veto a absolutamente ninguém. O que ele quer é que todos os partidos sentem à mesa e construam uma chapa coletiva, majoritária, vitoriosa, para continuar o crescimento do Ceará”, disse Aldigueri durante entrevista ao PontoPoder.

Questionado sobre a histórica disputa entre Moses e seu pai, o atual prefeito de Sobral, Oscar Rodrigues (União), com o grupo liderado pelos Ferreira Gomes — atualmente, rompido — Aldigueri ressaltou que há uma clara separação entre disputas locais e o projeto estadual. 

“Temos a maturidade cívica para diferenciar isso (...) Uma coisa é eleição municipal, localizada, outra coisa é eleição estadual, onde nosso adversário é a extrema-direita”, afirmou.

 

Escrito por
e

 / DIARIONORDESTE

ROMEU ALDIGUERI

 

Tasso Jereissati reúne oposicionistas de Fortaleza e discute cenário de 2026

Escrito por Bruno Leite / DIARIONORDESTE
 
 

O ex-senador Tasso Jereissati (PSDB) reuniu representantes do bloco de oposição ao governador Elmano de Freitas (PT) e ao prefeito Evandro Leitão (PT) com base eleitoral em Fortaleza, na última sexta-feira (29). O encontro ocorreu em seu gabinete e, segundo alguns dos presentes, teve como pauta a conjuntura política visando a Eleição de 2026.

Nos registros, divulgados somente nessa segunda-feira (1º), aparecem, numa mesa junto ao líder tucano, o deputado estadual Pedro Gomes (Avante) e os vereadores fortalezenses Inspetor Alberto (PL), Marcelo Mendes (PL), Priscila Costa (PL), Jorge Pinheiro (PSDB) e PP Cell (PDT).

Nessa segunda, ao PontoPoder, Inspetor Alberto afirmou que, apesar de ter ocorrido na última semana, “o grupo só decidiu para divulgar hoje”. Segundo o político, o encontro rendeu “muito assunto” e “foi das 17h às 20h30”, tendo como foco questões “sobre o governo” e o pleito que se aproxima.

Para Priscila Costa, líder da oposição na Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), a reunião “demonstra o reconhecimento que o ex-governador tem que a oposição municipal de Fortaleza tem um protagonismo definidor para o futuro da cidade e do estado”.

“Nossa oposição é multipartidária e reconhecemos a importância do diálogo e da relevância que é ouvir e caminhar perto de pessoas com o nível de experiência e conhecimento sobre o estado que é o ex-senador Tasso Jereissati”, afirmou Costa.

Aliança e disputa pelo Governo do Estado

Marcelo Mendes, por sua vez, disse que ele e os colegas foram procurar Tasso porque estão “articulando e trabalhando essa união”. “Queremos que essas forças todas estejam reunidas”, comentou o parlamentar, se referindo a uma composição de siglas do centro, da centro-direita e direita.

Mendes reforçou que o rol de temas discutidos foi amplo: “Tratamos de tudo, desde o impacto das sanções do Governo Trump na política e economia brasileira, tratamos da política nacional e depois viemos para a eleição no Ceará”.

“Ficou certo que marcharemos, que torna energia será dedicada a marcharmos juntos”, desenvolveu, revelando uma “natural atenção” ao nome do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) para o Palácio da Abolição.

Especialmente sobre a participação de Ciro na eleição para o Governo do Estado, o deputado estadual em exercício Pedro Gomes também enfatizou o nome do membro do clã Ferreira Gomes.

“O que a gente tem visto é o nome do Ciro Gomes crescido em termos de adesão, tanto na população como com lideranças políticas. É quem acabará sendo um dos mais cotados para essa candidatura ao nível estadual”, citou.

Quanto a formação de um projeto político comum entre as siglas que demarcam oposição, o parlamentar mencionou que é “bem provável que exista uma união entre os partidos”. “Isso foi posto na mesa, com o objetivo comum de derrotar o PT em 2026. Há mais convergências do que divergências [no grupo de oposição]”, classificou.

Jorge Pinheiro considerou o momento como “excelente”. “Conversamos sobre os diversos cenários políticos do ano que vem e sobre os próximos movimentos que iremos tomar juntos. Falamos sobre os possíveis nomes para 2026, entre eles o nome de Ciro Gomes e do Roberto Cláudio foram pautados como excelentes opções”, admitiu. 

Ele ponderou: “Não tratamos da filiação do Ciro Gomes ao PSDB ou outro partido, pois o Ciro não estava presente”. “Esperamos contar com PSDB, PL, União, Progressistas e outros partidos e políticos que também vêm conversando regularmente”, finalizou.

Ciro em 2026 foi tema destacado

Interlocutores ligados aos envolvidos no encontro político informaram ao Diário do Nordeste que a eventual candidatura de Ciro foi um dos temas de maior atenção na reunião. O lançamento dele estaria condicionada à sua filiação a um dos partidos do bloco oposicionista e o desdobramento de alianças com o União Brasil e o Progressistas.

“Ciro está na dependência do PSDB e a oficialização da federação do União com o PP”, descreveu uma fonte, que também falou sobre a possibilidade do Partido Liberal, que passará a ser liderado pelo deputado federal André Fernandes (PL) a partir de setembro, compor uma frente de oposição no Ceará.

Outra fonte alegou que o postulante será Ciro e que isso tem sido considerado pelo PSDB como algo concreto. A decisão, pelo que argumentou o interlocutor, teria até mesmo o apoio do ex-prefeito Roberto Cláudio (sem partido), prestes a se filiar ao União.

União e Progressitas formalizaram, no mês passado, uma federação. As siglas, entretanto, ainda negociam a saída da base do Governo Lula nacionalmente e a definição sobre apoios nos estados. No Ceará, por exemplo, o Progressistas ocupa cargos no Governo Elmano e apoia a gestão em votações na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).

Já a oficialização de Ciro em um dos partidos de oposição é dada como certa no Partido da Social Democracia Brasileira — o que seria um retorno, uma vez que ele esteve na legenda entre 1990 e 1997 — e envolveria justamente a sua participação como postulante ao cargo de governador do Ceará.

A reportagem acionou todos os que participaram da reunião, incluindo o ex-senador Tasso Jereissati (por meio da sua assessoria de imprensa), não houve outras respostas até a publicação desta matéria. O conteúdo será atualizado caso haja alguma nova devolutiva.

 

Tasso e oposicionistas 1

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