Flávio comemora eleição no Congresso: 'Está configurado para um presidente como Flávio Bolsonaro'
Escrito por Estadão Conteúdo / DIARIONORDESTE
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira (5) que o resultado das eleições para o Congresso criou uma base favorável a um eventual governo seu.
"A maioria esmagadora que fizemos no Congresso trará de volta a segurança jurídica que o País tanto precisa para crescer. O Legislativo federal está configurado para um presidente como Flávio Bolsonaro", escreveu em seu perfil no X (antigo Twitter).
No domingo, o PL, sigla de Flávio, elegeu 19 senadores e 121 deputados federais. Juntamente com partidos de centro-direita, o campo deve formar uma maioria parlamentar na próxima legislatura.
Flávio também afirmou que pretende trabalhar em conjunto com governadores e prefeitos e fez uma sinalização a outras siglas: "Faço o compromisso de sempre colocar o povo acima de qualquer questão partidária, pois, por exemplo, o combate efetivo ao narcoterrorismo tem que ser feito em conjunto com governadores e prefeitos", escreveu.

Três candidatos do Ceará superam 100 mil votos e ficam fora da Câmara dos Deputados
Escrito por Paloma Vargas / DIARIONORDESTE
Três postulantes cearenses ultrapassaram a marca simbólica dos 100 mil votos nas urnas nesse domingo (4), mas acabaram de fora da bancada que assumirá os mandatos no período de 2027 a 2031.
Isso ocorreu devido ao quociente eleitoral. Conforme a legislação eleitoral, os quocientes eleitoral e partidário estruturam a distribuição de mandatos no Poder Legislativo por meio do sistema proporcional, utilizado nas eleições das Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e a Câmara dos Deputados.
O caso mais emblemático de alta votação sem eleição foi o de Renato Roseno (Psol), que somou 116.905 votos. Ele era deputado estadual eleito na disputa anterior e tentava uma cadeira na Câmara de Deputados, em Brasília, pela segunda vez.
Logo em seguida aparece Luiz Gastão (PSD), com 108.924 votos — ele que já exercia o mandato de deputado federal e não conseguiu a reeleição. Em 2022, Gastão foi eleito com 96.537 votos.
A lista dos votados que não garantiram vaga conta ainda com Roger Aguiar (PSB), que conquistou 106.170 votos. Ele não tinha mandato anterior.
Por depender do desempenho global das federações e coligações partidárias para atingir o quociente eleitoral, candidatos com grande apelo popular individual muitas vezes acabam não entrando na cota final de vagas do estado.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no sistema proporcional, o eleitor vota no candidato, mas sua votação também contribui para o desempenho eleitoral do partido ou da federação.
É essa combinação entre os votos individuais e os votos da legenda que determina, no sistema proporcional, quantas cadeiras cada partido ou federação poderá ocupar. Já nas eleições para prefeituras, governos estaduais, Senado e Presidência da República, é adotado o sistema majoritário.
Renovação e derrotas de peso na bancada cearense
O resultado das urnas impôs derrotas significativas a nomes experientes do cenário político local. Entre os seis parlamentares em exercício que buscavam permanecer em Brasília e ficaram de fora estão Mauro Filho (União), que encerra um ciclo de dois mandatos consecutivos em Brasília (2018 e 2022), após ter sido deputado estadual por seis mandatos seguidos.
Integram a lista Priscila Costa (PL), que havia assumido em maio deste ano em substituição a Dayany Bittencourt (União), André Figueiredo (PDT), Eduardo Bismarck (PV) e José Airton (PT).
A configuração resultante deixará a representação do Ceará a partir de 2027 com 10 deputados estreantes e 12 parlamentares reeleitos.
Veja a lista de deputados federais eleitos no Ceará:
PSB
- Tainah Marinho (PSB) - 265.585 votos
- Robério Monteiro (PSB) - 165.876 votos
- Idilvan Alencar (PSB) - 127.140 votos
- Dr. Acilon (PSB) - 125.161 votos
PL
- André Fernandes (PL) - 684.372 votos
- Matheus Noronha (PL) - 123.990 votos
- Dr. Jaziel (PL) - 64.870 votos
- Carmelo Neto (PL) - 56.068 votos
PSD
- Domingos Neto (PSD) - 180.434 votos
- Célio Studart (PSD) - 122.415
- Fernanda Pessoa (PSD) - 122.963 votos
Federação Brasil da Esperança (PT/PV/PCdoB)
- Fernando Santana (PT) - 129.248 votos
- Raimundo Martins (PT) - 115.424 votos
- Luisa Cela (PT) - 93.321 votos
Federação União Progressista
- Moses Rodrigues (União) - 141.205 votos
- Danilo Forte (PP) - 119.862 votos
- AJ Albuquerque (PP) - 105.259 votos
MDB
- Yury do Paredão (MDB) - 261.291 votos
- Nenen Coelho (MDB) - 98.831 votos
Federação PRD-Solidariedade
- Giordanna Mano (PRD) - 235.848 votos
- Emanuel Acrízio (SD) - 57.192 votos
Republicanos
- Erika Amorim (Republicanos) - 109.025 votos
Segundo turno exige comedimento do Judiciário
Por Editorial / O GLOBO
Definido o resultado do primeiro turno, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegando à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por diferença de quase 2 pontos percentuais, a disputa ao Palácio do Planalto entra agora numa fase decisiva. Os dois candidatos confrontarão suas ideias por meio de propaganda eleitoral, entrevistas e debates, para dar aos eleitores oportunidade de escolher entre os dois projetos. É fundamental que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) demonstrem sensatez e comedimento em suas decisões relacionadas ao pleito, de modo a não interferir na vontade do eleitor. Devem agir sobretudo nos casos absolutamente necessários, para impedir ou corrigir injustiças.
Infelizmente, não foi o que aconteceu no primeiro turno, quando os tribunais tomaram decisões que prejudicaram o bom andamento da campanha e deram margem a interpretações de favorecimento. Foi, por isso, acertada a determinação do ministro Edson Fachin, presidente do STF, de reforçar regras para evitar que pedidos fossem destinados a relatores específicos, com apresentação de petições em processos já em andamento na Corte. A resolução estabelece uma triagem para as manifestações. Elas só poderão ser vinculadas à ação depois de análise da Secretaria Judiciária e de validação da presidência do Supremo. A medida na verdade reforça regras que já existiam, mas não vinham sendo respeitadas.
O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, havia pedido a Fachin a criação de um filtro na distribuição de petições com pedidos urgentes relacionados às eleições, incluindo as apresentadas em processos em andamento. A solicitação ocorreu depois dos desdobramentos do caso Nossa Senhora Aparecida, em que o ministro Flávio Dino, do STF, derrubou uma decisão do ministro André Mendonça, do TSE. A decisão de Dino foi depois suspensa por outra decisão do ministro Luiz Fux, também do STF, até que o caso retornou para uma decisão definitiva do plenário do TSE.
A intervenção do Supremo em atribuições da Corte eleitoral já havia ocorrido no despacho do ministro Gilmar Mendes que manteve o reajuste de 15% do Bolsa Família concedido pelo governo a menos de um mês da eleição. Gilmar desarquivou um processo para tomar a decisão, antes que o caso fosse apreciado pela Justiça Eleitoral, como seria o trâmite regular.
A intenção de Fachin é evitar a sobreposição de competências, de modo que as demandas sigam o curso regular pelos caminhos do Judiciário. Se respeitadas, as normas poderão coibir o vaivém de decisões e a confusão de liminares que tumultuaram a campanha no primeiro turno. No segundo turno, é esperado que surjam conflitos e que sejam levados aos tribunais. Cada Corte deve exercer suas atribuições com serenidade e o necessário cuidado para não intervir na competência alheia. Seria uma lástima se episódios de intervenção com potencial para desequilibrar a disputa se repetissem. É preciso haver mais debate de propostas e menos ingerência do Judiciário na campanha.
Fachada do Supremo Tribunal Federal — Foto: Cristiano Mariz / Agência O Globo
Lista dos deputados estaduais não reeleitos tem decano, pastor, 85% do PSDB e sobrinho de Eunício
Escrito por Marcos Moreira / DARIONORDESTE
A Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) registrou 14 deputados estaduais que não conseguiram a reeleição no pleito eleitoral desse domingo (4). A lista de parlamentares derrotados inclui nomes tradicionais da política, como Fernando Hugo (Republicanos), político mais antigo da Casa.
Entre os partidos, o PSDB foi o que mais registrou derrotados: seis dos atuais sete parlamentares tucanos — cerca de 85% da bancada — não conseguiram a reeleição. Do grupo, apenas Emília Pessoa (PSDB) seguirá na Casa, sendo acompanhada pelos estreantes Felipe Vasques (PSDB) e Davi Benevides (PSDB).
Outro caso, o PSB registrou três deputados estaduais que não conseguiram mais um mandato: Salmito, Leonardo Pinheiro e Lucilvio Girão. Por outro lado, o partido seguirá como a maior bancada da Casa após conquistar 13 cadeiras no pleito eleitoral.
O MDB também está na lista: os deputados estaduais Danniel Oliveira — sobrinho de Eunício Oliveira, e Apóstolo Luiz Henrique, pastor evangélico; não retornam para a Assembleia no próximo ano. O primeiro conquistou 81.259 votos, enquanto o segundo obteve 8.918 votos.
Além disso, como mostrou o PontoPoder, outros 12 deputados estaduais resolveram não disputar a reeleição. Parte das decisões envolve a entrada de parlamentares na disputa por vagas na Câmara dos Deputados ou Senado Federal, além dos que não concorreram com o intuito de abrir espaço a aliados políticos.
Veja os deputados estaduais derrotados nesta eleição
- Danniel Oliveira (MDB) - 81.259 votos
- Salmito (PSB) - 53.388 votos
- Bruno Pedrosa (PT) - 51.229 votos
- Leonardo Pinheiro (PSB) - 48.151 votos
- Lucilvio Girão (PSB) - 46.969 votos
- Queiroz Filho (PSDB) - 35.768 votos
- Cláudio Pinho - 35.127 votos
- Júlio César Filho (PT) - 33.473 votos
- Felipe Mota (PSDB) - 32.767 votos
- Fernando Hugo (Republicanos) - 31.224 votos
- Sargento Reginauro (PSDB) - 27.656 votos
- Antônio Henrique (PSDB) - 25.242 votos
- Heitor Férrer (PSDB) - 22.016 votos
- Ap. Luiz Henrique (MDB) - 8.918 votos
Deputados estaduais que não disputaram a reeleição
- Agenor Neto (MDB) - Apoiou o deputado estadual eleito Ilo Neto (PT), filho dele;
- Alcides Fernandes (PL) - Foi candidato ao Senado Federal pela chapa de Ciro Gomes (PSDB), mas não conseguiu ser eleito;
- Alysson Aguiar (PCdoB) - Apoiou o deputado estadual eleito Gadyel (PT), irmão dele e deputado estadual eleito;
- Carmelo Bolsonaro (PL) - Foi eleito como deputado federal e apoiou a deputada estadual eleita Bella Carmelo (PL), esposa dele;
- Fernando Santana (PT) - Foi eleito como deputado federal;
- Juliana Lucena (PDT) - Decidiu não disputar a reeleição e assumiu a Secretaria das Mulheres no Governo Elmano;
- Larissa Gaspar (PT) - Foi candidata à deputada federal, mas não conseguiu ser eleita;
- Luana Régia (PSD) - Foi candidata à deputada federal, mas não conseguiu ser eleita;
- Lucinildo Frota (PL) - Foi candidato a deputado federal, mas não conseguiu ser eleito;
- Oriel Filho (PT) - Apoiou a deputada eleita Laís Nunes (PT), ex-prefeita de Icó e cunhada dele;
- Renato Roseno (Psol) - Foi candidato a deputado federal, mas não conseguiu ser eleito;
- Stuart Castro (Republicanos) - Decidiu não disputar a reeleição.
Confira a lista de deputados estaduais eleitos em 2026
- Tancredo Dos Santos (PL) - 151.396 votos;
- Gabriel Biologia (Psol) - 141.749 votos;
- Bella Carmelo (PL) - 130.802 votos;
- Abreu Júnior (PL) - 127.034 votos;
- Romeu Aldigueri (PSB) - 112.303 votos;
- Liziany Medeiros (PT) - 102.659 votos;
- Davi De Raimundão (MDB) - 95.814 votos;
- Lais Nunes (PT) - 92.485 votos;
- Osmar Baquit (PSB) - 90.218 votos;
- Sérgio Aguiar (PSB) - 88.148 votos;
- Jade Romero (PT) - 85.490 votos;
- Zezinho Albuquerque (PP) - 82.693 votos;
- Moses Filho (União) - 82.423 votos;
- Catanho (PT) - 80.441 votos;
- Guilherme Landim (PSB) - 80.192 votos;
- Jô Farias (PT) - 79.829 votos;
- De Assis Diniz (PT) - 76.854 votos;
- Domingos Filho (PSD) - 74.914 votos;
- Jeov
Orgulho e preconceito
Por Merval Pereira / O GLOBO
Sempre se soube que o Brasil é um país conservador, mesmo que seja governado pela quinta vez por um presidente de esquerda (três vezes Lula e duas vezes Dilma). A supremacia surpreendente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno da eleição presidencial, no domingo, não quer dizer, porém, que a maioria dos cidadãos seja de extrema direita. Assim como as vitórias de Lula não comprovam que a maioria daqueles momentos era de esquerda, agora também a extrema direita não define a maioria dos que votaram em Flávio.
Lula só foi eleito presidente, nas três vezes anteriores, porque voltou-se para o centro. Do “Lulinha, Paz e Amor” ao apelo a um governo de união nacional para proteger a democracia, adaptou sua agenda pública ao centro, dando lugar até à direita em certos momentos. A insinuação agora de que pode nomear o vice Geraldo Alckmin para o Ministério da Fazenda num eventual quarto mandato vai nessa direção.
Talvez seja tarde demais, pois um dos seus erros fundamentais foi vender um governo de união nacional e entregar um governo petista como os demais que montou, com exceção do primeiro, que, sob a égide do ex-ministro Antonio Palocci, foi inteligente para manter-se ao centro, continuando a política econômica do seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. Assim como o economista Joaquim Levy foi engolido pela máquina do PT quando nomeado ministro da Fazenda da então presidente Dilma Rousseff, também Alckmin terá o mesmo destino se Lula conseguir dar a volta por cima e vencer a eleição no segundo turno.
Talvez a razão mais profunda para o desgaste do governo do PT seja exatamente esta, a pretensão de seus dirigentes de ser os donos da verdade, os que sabem guiar o povo para sua redenção. O cansaço com Lula vem desse sentimento de subalternidade com que os não petistas são tratados por seus governos. Ou são manipulados pelas benesses sociais que o governo distribui, ou são relegados a segundo plano.
Há um sentimento de desprezo pelos não convertidos, que transmite uma sensação de não pertencimento a essa parte da sociedade. Lula tem sido incapaz de governar para todos, de ampliar sua base de apoio, trata com superioridade condescendente os que não o seguem. Nem ele nem o PT tentam entender os que os criticam, considerando-os inimigos, nem sequer adversários. A arrogância esteve presente até as últimas semanas da campanha, enquanto Lula considerava uma afronta à sua história a previsão de que poderia perder para Flávio.
O desprezo pelos que consideram inferiores contrasta com o fervor com que trata os excluídos. Se tivesse a mesma empatia com os que discordam de suas políticas, talvez pudesse encontrar o diálogo que o alçaria à altura dos estadistas. Não falo dos que o consideram comunista ou dos extremistas que conseguiram manipular a direita e os centristas. Exemplar dessa arrogância petista é a frase de Lula:
— Se vocês tivessem de escolher entre mim e um gênio, é uma coisa. Mas não é isso que está na mesa. Claro que Flávio não é um gênio, longe disso, mas também Lula não é imbatível. O que falta a ele e aos seus é tentar entender por que votaram no outro, e não nele. Lembro-me de quando Lula tinha mais de 80% de aprovação, e seus acólitos provocavam: — Em que planeta vivem os críticos?
Viviam neste planeta que foi se formando à medida que o governo Lula os foi desprezando e se esqueceu de ampliar sua base política para fechar-se numa redoma com os seus.
A união nacional que mobilizou os eleitores independentes na eleição de 2022 foi um estelionato eleitoral. Os que representavam a centro-direita em seu ministério foram relegados a segundo plano, assim como no governo Dilma Rousseff, a ponto de o vice-presidente Michel Temer ter se queixado por escrito de que era tratado como “um vice decorativo”. O mesmo acontecera com Levy, e aconteceu agora com as ministras Marina Silva e Simone Tebet.
Lula durante a votação neste domingo — Foto: NELSON ALMEIDA/AFP

