Busque abaixo o que você precisa!

José Antonio Kast é eleito presidente do Chile e direita volta ao poder

Por Carolina Marins / O ESTADÃO DE SP

 

 

O conservador José Antonio Kast confirmou o favoritismo que carregou durante toda a campanha para o segundo turno e foi eleito presidente do Chile neste domingo, 14. Com isso, o Palácio La Moneda será ocupado pela direita depois de quatro anos sob o governo de esquerda de Gabriel Boric. Kast será o primeiro presidente abertamente admirador do ditador Augusto Pinochet.

 

Com 99% das urnas apuradas, Kast recebeu 58,2% dos votos contra 41,8% da candidata governista Jeannette Jara, do Partido Comunista. “Esta não é uma vitória pessoal, não pertence a José Antonio Kast. Não pertence a um partido do qual me orgulho. Aqui, o Chile venceu, e com ele a esperança de viver sem medo”, declarou em seu discurso de vitória.

Jara já reconheceu a derrota e felicitou Kast. “A democracia falou com força e clareza. Eu acabei de comunicar com o presidente eleito José Antonio Kast para desejar o sucesso do bem do Chile”, disse ela. “A quem nos apoiou, tenham claro que seguiremos trabalhando para avançar em uma melhor vida em nossa pátria”.

Jara foi pessoalmente ao centro de campanha de Kast para felicitá-lo e os dois se reuniram. O conservador pediu respeito aos seus apoiadores quando os mesmos vaiaram ao ouvir o nome da candidata. “O respeito é essencial, porque se não o conquistarmos, a divisão continuará. Ela pode ter uma ideologia diferente, mas é uma pessoa como nós . Ela aceitou um desafio muito difícil e manteve-se fiel ao seu estilo até o fim”.

As pesquisas de intenção de votos já apontavam uma clara vantagem do conservador depois que ele conseguiu reunir os votos dos outros candidatos da direita derrotados no primeiro turno. Ele agradeceu diretamente os dois candidatos. A Kaiser agradeceu “pelo trabalho que realizou e pelo partido que construiu” e Matthei “pelo gesto muito nobre” de apoiá-lo imediatamente.

Kast também agradeceu ao terceiro colocado no primeiro turno, a surpresa Franco Parisi, que não declarou voto a ninguém, mas tinha um eleitorado que tendia mais a Kast. “Você não precisa concordar com todas as ideias, mas pode apresentar algo”, disse o presidente eleito a Parisi.

“Precisamos ser muito claros e precisos. Vamos restaurar o Estado de Direito, vamos restaurar o respeito à lei em todas as regiões, sem exceções, sem privilégios porque são os cidadãos que devemos servir. Os chilenos estão esperançosos em relação ao que vamos fazer”, continuou o presidente eleito.

Teremos um ano difícil, muito difícil, porque as finanças do país não estão em boa situação. E convidamos vocês para uma jornada de recuperação desses valores — valores essenciais para uma vida digna e saudável. Mas isso não será fácil. Exige o comprometimento de todos.

José Antonio Kast, presidente eleito do Chile

O conservador também recebeu as felicitações de Gabriel Boric, com quem falou por telefone. “Quero que ele saiba que, como Presidente da República, estarei sempre disponível para colaborar com o país”, disse o atual mandatário, que também deu um discurso no La Moneda.

Os dois agora iniciam uma transição que durará até 11 de março, quando o presidente eleito toma posse. Além de seus opositores, Kast recebeu os parabéns de futuros aliados internacionais, entre eles o argentino Javier Milei, o secretário de Estado americano Marco Rubio, o paraguaio Santiago Peña, o boliviano recém eleito Rodrigo Paz, entre outros.

Quem é o que pensa Kast

José Antonio Kast é um advogado de 59 anos, católico devoto e pai de nove filhos. Esta foi a terceira vez que ele concorreu ao La Moneda, tendo sido derrotado no passado devido principalmente às suas pautas sobre gênero.

O candidato, então, aprendeu com as derrotas, deixou de lado as chamadas pautas de costumes, agregou mulheres à sua campanha e se tornou mais palatável aos chilenos, especialmente diante de uma adversária do Partido Comunista.

Desta vez, ele concorreu como candidato do Partido Republicano, que ele fundou há cinco anos por considerar a direita tradicional muito branda. Uma das autoras de sua biografia María José Hinojosa descreveu Kast, em entrevista ao Estadão, como um “encantador com devaneios messiânicos” e que se vê como “o salvador do Chile”.

Entre suas principais promessas estão levar o Chile para uma abordagem mais linha-dura contra o crime e deportar cerca de 340 mil imigrantes irregulares, em sua maioria venezuelanos. Ele não detalhou, porém, como cumprirá essas promessas, já que elas requerem muito dinheiro e parceria com os países dos deportados - não é o caso da Venezuela.

O republicano encontrará um Congresso muito amigável para governar a partir de março, quando tomará posse. Seu partido ganhou mais assentos na Câmara e no Senado e poderá contar com os votos dos outros partidos da direita para avançar com sua agenda.

Após votar na comuna de Paine, a 40 km de Santiago, Kast foi ovacionado por uma multidão que gritava “Presidente!”. Ele prometeu um governo de unidade. “Quem vencer, terá que ser presidente de todos os chilenos”, disse à imprensa após votar.

“Vou votar em Kast porque ele me dá mais confiança. O comunismo nunca foi positivo em nenhum lugar do mundo”, disse à AFP José González, um caminhoneiro de 74 anos, enquanto esperava na fila para votar no centro de Santiago.

Kast afirmou repetidamente durante sua campanha que “o país está caindo aos pedaços”. Em suas aparições públicas, atrás de vidros à prova de balas em um dos países mais seguros da região, ele retrata o Chile quase como um Estado falido dominado pelo tráfico de drogas, um país que se afastou do “milagre econômico” que o tornou uma das nações mais bem-sucedidas da América Latina.

“O que importa, mais do que benefícios sociais, são empregos e segurança. Que as pessoas possam sair de casa sem medo e voltar à noite sem pensar que algo lhes acontecerá nas esquinas”, disse à AFP Úrsula Villalobos, dona de casa de 44 anos que votou em Kast.

Segundo uma pesquisa do Ipsos de outubro, 63% dos chilenos afirmam que o crime e a violência são suas maiores preocupações, seguidos pelo baixo crescimento econômico. Especialistas apontam, contudo, que a percepção do medo no Chile é muito maior do que os números reais da criminalidade.

Os homicídios dobraram na última década, embora estejam em declínio há dois anos. Mesmo assim, houve um aumento dos crimes violentos, como sequestro e extorsão, coincidindo com a chegada ao país de gangues venezuelanas, colombianas e peruanas, como o Tren de Aragua, da Venezuela.

O governo de esquerda de Gabriel Boric, ex-líder estudantil que chegou ao poder após os protestos massivos de 2019, não conseguiu reformar a Constituição de Pinochet, o que “minou completamente seu apoio político”, segundo Robert Funk, professor de ciência política da Universidade do Chile.

Kast apoiou a ditadura militar e afirma que, se Pinochet estivesse vivo, votaria nele. Mas, nesta última campanha, evitou discutir esse e outros assuntos que poderiam lhe custar votos, como sua oposição ao aborto em qualquer circunstância.

Investigações jornalísticas revelaram em 2021 que o pai de Kast, nascido na Alemanha, foi membro do Partido Nazista de Adolf Hitler. No entanto, Kast afirma que seu pai foi um recruta forçado do exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial e nega que ele tenha sido um apoiador do movimento nazista.

Desde 2010, a direita e a esquerda se alternam no poder no Chile a cada eleição presidencial. Em 2021, após uma disputa entre Boric e Kast no segundo turno, o Chile teve o seu governo mais de esquerda da história, embora Boric tenha caminhado ao centro após derrotas constantes do governo no Congresso e na Constituinte.

Com a vitória de Kast, “não devemos pensar que ele tem um mandato super forte para fazer o que quiser”, porque muitas pessoas estão votando nele por medo de Jara, estimou Funk. Elas votarão nele principalmente “apesar de seu apoio a Pinochet, não por causa de seu apoio a Pinochet”./Com AFP

Cid Gomes também é alvo de hostilização no Aeroporto de Fortaleza

Escrito por Redação / DIARIONORDESTE
 
 

O senador cearense Cid Gomes (PSB) foi alvo de ofensas ao desembarcar no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, na madrugada da última quinta-feira (11). O vídeo foi publicado na sexta-feira (12) pela própria autora das hostilidades. Ela também se identificou como a responsável pelos ataques contra os deputados federais André Fernandes (PL) e Dayany Bittencourt (União).

Em suas redes sociais, Roberta da Horta diz ser estudante de nutrição e educadora popular na internet. Ela abordou o senador na saída da ponte de embarque, poucos instantes antes de também ofender os dois deputados“Lá vem outro, o futuro ex-senador Cid Ferreira 'Fomes', que também não faz muita coisa pela gente, não. Está aí só atrapalhando, querendo eleger o Junior Mano, o mano dos bilionários”, disse a mulher, mencionando o deputado federal indicado por Cid como pré-candidato a senador em 2026.

Em suas redes sociais, Roberta da Horta seguiu com os ataques. Ela disse que Cid "apoia as fomes e os venenos na nossa alimentação" e que o parlamentar "é descendente de escravocrata".

Hostilidades

A estudante acumula uma série de vídeos em que hostiliza autoridades públicas. 

Na mesma ocasião, além de Cid, os alvos foram os deputados André Fernandes e Dayany Bittencourt. O vídeo em que aparece o senador foi publicado após o registro no qual aparecem os deputados.

Ao ver os parlamentares chegando à área de embarque e desembarque do aeroporto, Horta chamou os congressistas de “dupla de golpistas”. Em seguida, passou a seguir o político do PL, mantendo os insultos. 

Nas gravações, ela chama os deputados de “nojentos”. É possível ouvir outras expressões, como “verme”, “otário” e “babaca”. 

Sem reagir às agressões verbais, André registrou uma parte do episódio e publicou em seu perfil no Instagram. Ao Diário do Nordeste, a equipe de comunicação que assessora Dayany Bittencourt declarou que a política não irá se posicionar sobre o ocorrido.

Já André Fernandes disse que avalia “se e qual medida tomar”. Nas redes sociais, ele publicou um vídeo, na sexta-feira, em que lamenta o episódio. "Isso é o resultado de um processo longo e perigoso", alega o deputado.

"Eu permaneci em silêncio, não reagi, percebi que o meu silêncio era o que a deixava mais furiosa. O objetivo dela não era o debate, não era a crítica, o objetivo era a imagem, ela precisava que eu reagisse para validar a narrativa que implantaram na cabeça dela, ela precisava que o 'monstro' que venderam a ela se revelasse", completou.

A autora das ofensas foi procurada pelo Diário do Nordeste, mas não retornou. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS-CE) informou que a Polícia Civil investiga as circunstâncias da ocorrência, registrada como ameaça. 

No caso de Cid, a assessoria de imprensa do parlamentar foi procurada, mas não respondeu.

 

 

 

CID GOMES OFENSAS NO AEROPORTO

 

TSE precisa prestar atenção a robôs de IA que convencem eleitor a mudar voto

Por  Editorial / O GLOBO

 

 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE)O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE

 

A discussão sobre o impacto da inteligência artificial (IA) nas eleições tem destacado — acertadamente — os riscos trazidos por propaganda com imagens, áudios e vídeos fraudulentos, conhecidos como deepfakes. Um aspecto menos discutido, mas cujos danos também podem ser enormes, é a interferência de robôs como ChatGPT, Gemini e demais chatbots. Dois estudos recentes publicados nas maiores revistas científicas do mundo — a britânica Nature e a americana Science — dão uma medida do desafio que eles representam para autoridades eleitorais. Dadas as inclinações políticas das grandes plataformas digitais, e a resistência delas a assumir responsabilidades como produtoras de conteúdo, é essencial que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esteja atento aos riscos dos chatbots.

 

Ambos os estudos concluíram que as ferramentas de IA são eficazes para mudar a opinião do eleitor. No experimento “A persuasão de eleitores com o uso de diálogos entre humanos e IA”, publicado na Nature, os pesquisadores instruíram um chatbot a mudar a opinião de usuários sobre candidatos presidenciais. Escolhidos de forma aleatória, os participantes foram questionados sobre sua posição inicial, começaram a interagir com a máquina usando mensagens escritas e, ao fim, voltaram a ser questionados sobre sua intenção de voto. O experimento foi realizado na eleição americana de 2024, na canadense de abril e na polonesa de junho.

 

Nos Estados Unidos,o robô pró-Kamala Harris mudou em 3,9 pontos percentuais o voto dos simpatizantes de Donald Trump. Na mão contrária, em 1,5 ponto. No Canadá e na Polônia, a variação foi maior, de até dez pontos. Os chatbots foram programados para usar táticas de persuasão comuns, com boa educação e apresentação de evidências. Quando os pesquisadores proibiram o uso de dados apresentados como fatos, a eficácia caiu. Os pesquisadores conferiram a veracidade das informações e verificaram que, de modo geral, eram corretas. Mas os robôs programados para defender candidatos de direita fizeram mais afirmações imprecisas que os de esquerda.

 

O segundo estudo, “As alavancas da persuasão política com IA que conversa”, publicado na Science, mediu a mudança de opinião de cerca de 77 mil britânicos sobre 707 temas. Também examinou a veracidade de mais de 466 mil afirmações geradas por IA. Os pesquisadores descobriram que a estratégia mais eficiente para aumentar a persuasão é instruir os chatbots a usar a maior quantidade possível de informação na argumentação. Os modelos mais bem-sucedidos mudaram a opinião dos participantes em 25 pontos percentuais. Quanto mais persuasivo o modelo, menos precisas eram as informações fornecidas. A suspeita é que, pressionado, o chatbot não tem mais de onde tirar informações e começa a inventar.

 

A IA tem suscitado previsões apocalípticas ou otimismo ingênuo. Seus efeitos serão os que a sociedade decidir. Daí a necessidade de identificar problemas e enfrentar os riscos. No caso das autoridades eleitorais, os estudos mostram que há muito trabalho a fazer.

Datafolha: Atrás de saúde, segurança supera economia e vira principal problema do país para 16% da população

André Fleury Moraes / FOLHA DE SP

 

 

O percentual de brasileiros que veem na segurança pública principal problema do país chegou a 16%, mostra o mais recente levantamento do instituto Datafolha.

O setor está atrás de saúde, área reconhecida como o maior gargalo nacional para 20% da população, mas à frente da economia –o principal problema para 11% dos entrevistados.

É um cenário que se inverteu na comparação com o último Datafolha, de abril deste ano, quando economia era o principal problema para 22% dos brasileiros e a violência, para 11%. O nível de confiança é de 95%.

Mas não é um patamar inédito: a segurança também era o maior problema do país para a população em setembro de 2023, quando o Datafolha apontou que o setor empatava com saúde, ambos em 17%.

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre os dias 2 e 4 de dezembro de forma presencial em 113 municípios. A margem de erro da amostragem principal é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A violência é mais citada entre os homens —18% deles enxergam-na como o maior problema do país— e a saúde lidera entre as mulheres, com 26%. As respostas são espontâneas e cada pessoa só podia escolher uma opção.

A mudança na percepção, dizem especialistas, acompanha a avaliação de que o Brasil vem se tornando um país mais violento. Segundo eles, relatos de alguém que tenha sido vítima de algum delito são cada vez mais frequentes em círculos de amizade ou ambientes de trabalho.

Mas isso se deve também ao maior debate sobre o tema capitaneado por grandes operações recentes que mostraram o poderio tanto bélico quanto econômico de organizações criminosas.

A começar pela Carbono Oculto, ação deflagrada em agosto em São Paulo que mirou a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) em postos de gasolina e fintechs. O esquema movimentou R$ 52 bilhões de 2020 a 2024, segundo a investigação.

Dela surgiram outros desdobramentos, a exemplo da Operação Spare, no final de setembro, que mirou 267 postos de combustível e revelou a atuação do PCC também no setor de motéis.

Mais tarde, em 28 de outubro, uma megaoperação contra o Comando Vermelho em favelas do Rio de Janeiro reforçou que a organização criminosa possui fuzis, granadas e usam mesmo drones bomba para conter o avanço policial. A operação terminou com 122 mortes, a mais letal da história do país.

São ocorrências que mostraram "uma coisa que não vinha sendo dita: a irradiação do crime organizado pelo país", afirma o coronel reformado da PM de São Paulo e ex-secretário nacional de Segurança Pública José Vicente da Silva Filho, membro do Instituto Brasileiro de Segurança Pública.

"Estava debaixo do tapete. De repente, você puxa o tapete e fala 'caramba, tem o Comando Vermelho, o PCC, eles estão dominando o crime no país'. Isso acabou assustando", afirma Vicente.

Essa percepção gerou reações. No âmbito do Congresso, por exemplo, a Câmara aprovou o projeto de lei Antifacção a partir de relatório que fala numa "sociedade refém do medo, em que o cidadão comum vive encurralado entre o domínio de grupos infratores e a limitação operacional do Estado".

O texto institui o chamado Marco Legal no Combate ao Crime Organizado e cria novos tipos penais com penas que ultrapassam 40 anos. O texto foi aprovado com mudanças pelo Senado e agora retorna à Câmara.

Outras iniciativas fazem frente ao problema da violência no âmbito federal, a exemplo da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, cuja última versão prevê um referendo sobre a redução da maioridade penal.

Mas investidas ocorrem também em níveis locais, com a criação e fortalecimento de guardas municipais e, no caso de São Paulo, com o sistema Smart Sampa —bandeira do prefeito Ricardo Nunes (MDB) que cruza o rosto de pessoas filmadas em locais públicos com banco de dados do Poder Judiciário para identificar foragidos.

Segundo o Anuário Brasileiro do setor, o número de mortes violentas chegou à mínima histórica no Brasil em 2024. Ao mesmo tempo, os registros de feminicídios cresceram 0,7% e tentativas de feminicídio, 19%. O ano passado registrou também o maior número de estupros e estupros de vulnerável da história, com 87.545 vítimas no total.

"Temos queda nos índices de homicídios, por exemplo, mas não nos crimes como violências contra a mulher, sexual ou contra crianças e adolescentes, que vêm aumentando", diz Renato Sérgio de Lima, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (que organiza o Anuário).

Há também a explosão de golpes digitais, que inundaram o país nos últimos anos. Levantamento do Datafolha publicado em agosto em parceria com o Fórum mostra que um em cada três brasileiros sofreu algum tipo de golpe financeiro digital nos últimos 12 meses.

Em números, isso representa 56 milhões de pessoas atingidas e um prejuízo de R$ 111,9 bilhões.

Em 2024 o país teve 2.166.552 casos de estelionato. Isso indica um aumento de 407% na comparação com 2018, quando foram 426.799.

A região em que a violência é mais citada como o principal problema do país é a Sudeste, onde 19% dos moradores têm essa avaliação. A menor está no Sul, com 10%. A região Nordeste, que concentra os estados mais violentos do Brasil, empata com Centro-Oeste/Norte, com 14%.

A segurança está numericamente à frente como o principal problema do país também entre aqueles com mais de 60 anos (21%).

O tema tem menor importância aos mais jovens, de 16 a 24 anos, para os quais saúde (16%) e economia (14%) são os principais problemas do Brasil —para esses, a violência fica em 5%. No recorte por idade, a margem é de seis pontos para público de 16 a 24 anos e de cinco pontos para as outras faixas.

O setor também é o maior problema do Brasil entre aqueles que se consideram bolsonaristas (18%), superando a saúde (17%). Entre os declaradamente petistas a situação se inverte: 24% deles veem na saúde o maior gargalo e 17%, na segurança.

Desempenho

Se a economia é o terceiro maior problema do país para os brasileiros, segundo pesquisa Datafolha, o setor é a área de pior desempenho do governo Lula 3 segundo a maior parte dos entrevistados: 14% pensam dessa forma. Segurança e saúde aparecem empatados, com 12%, seguidos por educação (7%) e corrupção (3%).

São pontos ainda sensíveis ao governo federal —especialmente no caso da segurança, tema historicamente visto como um calcanhar de aquiles de governos de esquerda no Brasil. "Estão completamente perdidos", diz Vicente.

Some-se a isso declarações do presidente e de seus aliados que reverberaram mal. O ministro Ricardo Lewandowski já disse, por exemplo, que "a polícia prende mal e o Judiciário é obrigado a soltar" —ele alega que a frase foi retirada de contexto.

Lula, enquanto isso, se retratou após afirmar que traficantes são vítimas de usuários.

A avaliação de que a economia é a pior área do governo é maior entre jovens e adultos até 44 anos, faixa etária a partir da qual os percentuais caem a números abaixo de 10%.

Com a segurança é o contrário: aumenta de 7% da primeira faixa etária para 14% na última —num empate dentro da margem de erro para 16 anos, de seis pontos percentuais para mais ou para menos.

Neste caso, eleitores declarados de Lula e de Bolsonaro em 2022 empatam tecnicamente quando dizem que a segurança é a pior área da gestão petista: são 14% e 12%, considerando uma margem de erro de três pontos entre quem votou em Lula e de quatro entre quem votou em Bolsonaro.

A educação é avaliada como a área de melhor desempenho, vista assim por 10% dos brasileiros. Em seguida vem o combate à desigualdade social (8%), saúde (6%) e economia (5%). Além disso, 28% consideram que o governo não vai bem em nenhuma área, e 2% dizem que ele vai bem em todas.

Ipsos-Ipec: 40% dos eleitores avaliam governo como ruim ou péssimo, e 30% como ótimo ou bom

Por  Rafaela Gama / GLOBO

 

Dados da pesquisa Ipsos-Ipec, divulgados nesta terça-feira, mostram que 40% dos eleitores entrevistados classificam o governo Lula como ruim ou péssimo, enquanto 30% afirmam que a gestão federal é ótima ou boa. Outros 29% disseram que a administração é regular e 2% não souberam ou não quiseram responder. O índice dos que avaliam o governo positivamente se manteve igual ao contabilizado na última rodada da pesquisa, realizada em setembro. Já os que veem negativamente o governo oscilaram de 38% para 40%, enquanto os que o enxergam como regular decaíram de 31% para 29%. As alterações aconteceram dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

 

O levantamento também indica que a avaliação positiva do governo é melhor entre aqueles que declaram ter votado no petista em 2022 (62%) e em moradores da região Nordeste (41%), considerado reduto eleitoral do presidente, além de eleitores menos escolarizados (39%), de renda familiar de até um salário mínimo (40%) e católicos (35%). A visão negativa, por sua vez, prevaleceu entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (67%), moradores da região Sul (51%), de renda média (53%), evangélicos (47%) e brancos (46%).

 

A pesquisa também mostrou poucas oscilações tanto na aprovação da atuação do presidente, que variou de 44% para 42% desde setembro, quanto na desaprovação, que mudou de 51% para 52%. Os que não souberam ou não responderam variaram de 5% para 6%. A confiança dos eleitores no chefe do Executivo também oscilou de 41% para 40%, enquanto a desconfiança permaneceu em 56%. Foram ouvidos 2 mil eleitores, distribuídos por 131 municípios, entre os dias 4 e 8 de outubro. O índice de confiança foi de 95%.

 

 

Presidente Lula participa da 14ª Conferência Nacional de Assistência Social no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em BrasíliaPresidente Lula participa da 14ª Conferência Nacional de Assistência Social no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

 

 

Compartilhar Conteúdo

444