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As urnas em números

Não é apenas em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, que se decide a eleição presidencial, mas também em São Paulo, o maior. Em Minas, há uma divisão regional comparável à do Brasil, por isso o vencedor lá geralmente ganha no país. É como se o estado fosse uma amostra do país. Mesmo que vencer em São Paulo não signifique vencer no país, uma vitória expressiva no maior colégio eleitoral pode garantir a eleição. Em 2018, Jair Bolsonaro saiu de São Paulo com 8,1 milhões de votos à frente de Fernando Haddad, garantindo uma vitória ampla sobre o PT. Em 2022, quando perdeu para Lula, a diferença a favor de Bolsonaro caiu para 2,7 milhões, redução de 5,4 milhões de votos.

 

A situação hoje é bastante diferente. Flávio Bolsonaro está à frente por cerca de 1,5 milhão de votos em São Paulo, como mostra a nova pesquisa Genial/Quaest. Para Minas Gerais, a sondagem apontou: Lula 30% e Flávio 29%. Nesse levantamento, Lula supera Flávio por 1 ponto percentual no primeiro turno. Embora haja empate técnico, esse resultado representa uma mudança importante em relação a 2018, quando Bolsonaro venceu o PT por cerca de 2,27 milhões de votos de diferença. Em 2022 Lula já havia vencido o primeiro turno em Minas por 564 mil votos, consolidando o estado como um dos principais campos de disputa da eleição. A vitória apertada em Minas refletia uma eleição disputada voto a voto — em 2022 Lula venceu no Brasil todo por apenas 1,8 ponto percentual, uma diferença mínima de 2.139.645 votos, a menor margem de vitória numa eleição presidencial desde a redemocratização.

 

O PT hoje vive uma dicotomia. Enquanto “desmelhora” no Nordeste, onde sempre reinou, “despiora” no Sudeste. Essa é a maneira delicada como os petistas veem o quadro político atual. Mesmo que continue favorito na Região Nordeste, Lula hoje enfrenta uma oposição forte em vários estados, como o Ceará, onde Ciro Gomes está na frente; a Bahia, onde uma disputa acirrada com ACM Neto põe em risco a hegemonia petista no estado que o partido já governou por vários mandatos seguidos depois da era carlista; e Pernambuco, onde o PSD da governadora Raquel Lyra pode vencer, fortalecendo a candidatura presidencial de Ronaldo Caiado. Esse, aliás, é um detalhe interessante dentro da corrida eleitoral. O PSD em São Paulo estimula o voto em Tarcísio de Freitas para governador, mas com Caiado para presidente, o que pode atrapalhar muito Flávio.

 

O empate técnico entre Lula e Flávio em Minas define o que será a disputa eleitoral; é a velha história de que Minas reflete o Brasil. Então, até o final haverá disputa acirrada entre os dois. Tudo indica que chegarão embolados no segundo turno, em empate técnico com ligeira diferença numérica a favor de Lula, mas nada que garanta sua vitória.

 

Por mais erros que tenha cometido, Flávio ainda atrai os votos antipetistas, além dos bolsonaristas. Os antipetistas não escolhem o candidato, escolhem aquele capaz de derrotar Lula. Não precisa ser bolsonarista para querer derrotar Lula — e o antipetismo parece ser mais forte que o próprio bolsonarismo. O problema é definir se vale a pena derrotar Lula com Flávio, ou se existe mesmo essa possibilidade. As pesquisas sugerem que o antipetismo se juntará todo no segundo turno. Dos outros dois candidatos, os ex-governadores Zema e Caiado, Zema está naturalmente melhor em Minas, mas com participação pequena. Deveria ter uma vantagem grande no estado que governou por oito anos, capaz de colocá-lo na disputa do segundo turno.

 

Mas não está acontecendo. Foi aprovado como governador, mas não consegue convencer os mineiros de que é a melhor solução em nível nacional. Caiado surge aqui e ali como a alternativa segura a Flávio na direita. A propaganda eleitoral mostrará se essa tendência persiste.

 

Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan SantosLula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil, Edilson Dantas / Agência O Globo, Reprodução/TV Globo, Divulgação e Genial/Divulgação

Propaganda eleitoral oficial

 

 

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

A Presidência da República desembolsou R$ 255,3 milhões em publicidade no primeiro semestre de 2026. Como mostrou o Estadão, é o maior valor gasto com esse propósito para o período em pelo menos 17 anos. A coincidência entre essa escalada de gastos e o calendário eleitoral é eloquente demais para ser tratada como mero acaso administrativo.

 

A publicidade institucional é instrumento legítimo do Estado quando serve para informar o cidadão sobre serviços, direitos e campanhas de interesse público. O problema surge quando passa a divulgar realizações do governo em volume recorde, às vésperas de uma eleição. Nesse momento, a fronteira entre Estado e governo se embaralha e a comunicação assume contornos de propaganda política financiada pelo contribuinte.

 

Também chama a atenção onde esse dinheiro foi parar. Entre campanhas permanentes de fortalecimento da imagem do governo, a maior campanha temática foi justamente a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Ainda que a proposta tenha mérito próprio, não deixa de ser a principal vitrine eleitoral do governo para 2026.

 

A comparação com outras áreas do governo reforça essa impressão. Enquanto a Presidência desembolsou R$ 255,3 milhões em publicidade apenas no primeiro semestre, o Ministério das Mulheres executou R$ 118,3 milhões em todo o ano passado. As escolhas orçamentárias também comunicam. Quando divulgar ações passa a consumir mais recursos do que políticas voltadas a enfrentar problemas concretos do País, o governo revela o peso que atribui à própria exposição.

 

O problema, evidentemente, não nasceu com Lula. Presidentes de diferentes partidos recorreram à máquina de comunicação do Estado para ampliar sua presença no debate público. É justamente por isso que a questão não pode depender da moderação de cada governo. Cabe à legislação impor limites claros ao uso desse instrumento. Em ano eleitoral, o dever de informar não pode servir de atalho para promover quem disputa a permanência no poder.

 

Esses limites, porém, ficaram mais frágeis. Até 2022, a legislação restringia os gastos efetivamente realizados com propaganda oficial em anos eleitorais. Como a expressão “despesa” gerava disputas interpretativas, o Congresso alterou a lei e passou a limitar apenas os empenhos. Na prática, controla-se o compromisso de gasto, mas não necessariamente a propaganda que chega ao cidadão. Não por acaso, especialistas ouvidos pela reportagem defendem que o parâmetro deveria ser o pagamento ou a liquidação das campanhas, porque é a publicidade efetivamente veiculada e não a apenas autorizada.

 

Não importa quem ocupe o Palácio do Planalto. A comunicação do Estado não pode funcionar como extensão da campanha do governante de turno. Enquanto a legislação permitir que recursos públicos ampliem a exposição política de quem já está no poder, a disputa eleitoral continuará começando com um dos candidatos vários metros à frente dos demais. O Estado existe para informar o cidadão, não para financiar a vantagem eleitoral de quem temporariamente o governa.

Priscila Costa comenta desistência do Senado no PL Ceará e diz não ter 'projeto de poder'

Escrito por Marcos Moreira / DIARIONRDESTE

 

A vereadora Priscila Costa (PL) comentou a decisão de ser candidata a deputada federal e sair da disputa por uma vaga ao Senado no PL Ceará. A parlamentar defendeu que não tem “projeto de poder”, após o partido optar por indicar apenas o deputado estadual Alcides Fernandes (PL) para concorrer à Câmara Alta.

A medida foi confirmada pelo presidente do PL Ceará, o deputado federal André Fernandes, nessa quarta-feira (22), quando a sigla liberal realizou a convenção para oficializar os nomes da chapa de senador, deputados estaduais e federais.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Priscila Costa enfatizou que tem uma missão que “não depende de homens, cargos ou vantagens políticas” e não tem “ambição ou projeto de poder”.

 

Já em nota ao PontoPoder, a parlamentar citou que “acordos locais” pesaram nas definições do PL Ceará sobre as vagas do Senado. A política também disse que lamenta a forma como as articulações foram conduzidas. 

"Qualquer pessoa que tenha acompanhado todo esse processo percebeu que meu nome, mesmo lançado por importantes nomes da nacional do partido e com potencial de vitória demonstrado nas pesquisas, encontrou dificuldades por conta dos acordos locais sobre essas cadeiras de Senado”, ressaltou Priscila Costa. 

“Lamento a forma como tudo foi conduzido, sem que eu sequer pudesse falar sobre minha candidatura sem ser imediatamente atacada, especialmente porque tínhamos como lançar dois nomes. Nesse sentido, nunca disputei com Alcides, éramos perfeitamente complementares. Mas agora quero olhar pra frente, de cabeça erguida, e focar na missão de ser reeleita deputada federal”
Priscila Costa
Vereadora de Fortaleza pelo PL

IMPASSE RESOLVIDO

A oficialização do PL representa a saída de Priscila Costa da disputa interna pela indicação ao Senado e encerra o impasse que vinha se arrastando desde o ano passado. Enquanto Alcides Fernandes havia sido lançado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda em maio de 2025, a possível postulação de Priscila Costa foi oficializada em setembro do ano passado, com aval da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

 

Contudo, o PL Ceará entrou na chapa majoritária de Ciro Gomes (PSDB), candidato ao Governo do Estado, e resolveu indicar apenas o nome de Alcides Fernandes, pai do André. O parlamentar lançou a pré-candidatura em 10 de julho, com a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República.

Por outro lado, Priscila Costa ainda sustentava a pré-candidatura ao Senado com apoio de Michelle. A ex-primeira-dama tem feito, inclusive, críticas constantes à aliança do PL Ceará com Ciro Gomes, ao defender o apoio ao senador Eduardo Girão (Novo), outro pré-candidato ao Palácio da Abolição.

 

 

Um candidato nanico

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

Um desavisado poderia imaginar que o candidato do PL à Presidência da República é Javier Milei, tamanho o protagonismo do presidente argentino na convenção do partido destinada a consagrar Flávio Bolsonaro. Pudera: sem nada a oferecer ao eleitor além do sobrenome de seu pai, Flávio revelou seu verdadeiro tamanho no evento: minúsculo, sem apoio dos principais partidos do Centrão, o senador socorreu-se da “direita internacional” – o argentino Milei, o americano Donald Trump e o israelense Benjamin Netanyahu – e de um avatar de Jair Bolsonaro produzido por inteligência artificial para dar algum sentido à sua candidatura.

 

Por quase meia hora, Milei, ao lado de um embevecido Flávio, atacou aos gritos e palavrões o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Temos muitas razões para criticar ambos, mas é preciso fazê-lo com um mínimo de civilidade – mais ainda quando a crítica parte de um chefe de Estado, como Milei, e no momento em que esse chefe de Estado estava no Brasil.

 

No entanto, Milei representa como poucos essa vertente política direitista que faz da falta de vergonha e da insolência institucional seus principais ativos políticos. Flávio Bolsonaro, como candidato a presidente de todos os brasileiros, e não somente daqueles que urraram a cada palavrão proferido pelo presidente argentino, deveria ter evitado esse espetáculo constrangedor que nada de bom produz para o País. Mas o senador, em razão de sua própria insignificância, está cada vez mais à mercê de forças que não controla, numa campanha que começa a apostar no ultraje para impulsionar suas chances de vitória.

Além disso, é digna de repúdio a sem-cerimônia com que Flávio atrelou seu destino como candidato a atores externos, como Milei e Trump. Cada vez mais impopular na Argentina, em razão da dureza de suas medidas econômicas e de um escândalo de corrupção, Milei veio ao Brasil não para apoiar Flávio, mas para criar um incidente que o colocasse nas manchetes. Conseguiu.

 

O caso de Trump é ainda mais perigoso. O presidente americano não disfarça seu interesse em se intrometer nas eleições brasileiras, com o objetivo de instalar no Palácio do Planalto um títere para impulsionar seu projeto de converter a América Latina em seu quintal.

 

Soube-se pela imprensa americana que Trump queria enviar representantes seus para o Brasil para disseminar suspeitas sobre nosso sistema eleitoral. O governo brasileiro negou-lhes o visto e, como esperado, capitalizou o caso politicamente, o que mostra a toxicidade de uma associação com Trump. Como revelou uma pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana, 52% dos eleitores acreditam que o tarifaço imposto pelo presidente dos EUA às exportações brasileiras é uma manobra para beneficiar a candidatura de Flávio. Ou seja, a maioria do eleitorado já enxerga no prejuízo econômico imposto ao País um benefício a um candidato que só existe como tal para resgatar o “legado” do pai – e nada mais.

 

O patriotismo proclamado por Flávio é, portanto, mais uma das farsas do bolsonarismo, cujo objetivo é transformar o Brasil em vassalo dos EUA de Trump.

 

Para piorar, tal comportamento joga água no moinho da campanha de Lula, que se refestela como protetor da “soberania” brasileira ante os ataques externos – das tarifas de Trump festejadas pelos bolsonaristas ao comportamento delinquente de Javier Milei em solo brasileiro. O mesmo Lula que outrora alinhou o Brasil ao bolivarianismo chavista, ao peronismo kirchnerista e à nostalgia castrista de Cuba agora posa de herói da Pátria contra o entreguismo de Flávio.

 

Eis aí o legado da família Bolsonaro ao Brasil: dar a um presidente medíocre, com ideias envelhecidas e sem projeto de futuro para o País, como Lula, a chance real de permanecer mais quatro anos no poder. Imperdoável.

 

Terminada a convenção do PL, ficou claro que falta a Flávio o que nenhuma ferramenta de inteligência artificial jamais será capaz de gerar: credibilidade moral, história política independente, compromisso com a democracia e um eleitorado que o siga por convicção, não por imposição. Até lá, o PL terá um avatar mal ajambrado de Jair Bolsonaro como seu candidato a presidente.

Aliados de Elmano preparam estratégia específica para a disputa em Fortaleza

Escrito por / Inácio Aguiar / DIARIONORDESTE
 

O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), será o coordenador da campanha de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT) na Capital. O gestor vai comandar os trabalhos de mobilização dos aliados no maior colégio eleitoral do Ceará. 

Com 1,7 milhão de eleitores aptos a irem às urnas, Fortaleza é o maior colégio eleitoral do Estado e, para os concorrentes, o território político mais difícil a ser conquistado na batalha eleitoral que se aproxima. 

25%
é o que o eleitorado de Fortaleza representa no total do Estado

O exemplo da complexa dinâmica da Capital está na eleição de 2024. Na oportunidade, Evandro venceu André Fernandes (PL) em uma disputa acirrada, tendo maioria de pouco mais de 10 mil votos. Nos bastidores, aliados do prefeito e do governador traçam estratégia sabendo que é um embate que não admite erros. 

Além disso, é onde a oposição ao governo é mais forte entre os municípios cearenses e concentra boa parte do poderio político e econômico do Estado. 

Maioria na Câmara

Recentemente, Evandro e o presidente da Câmara Municipal, Léo Couto (PSB), levaram a reuniões com o governador, pré-candidato à reeleição, um grupo de 34 vereadores: 35, contando o próprio presidente da Casa.

O contingente dá folgada maioria aos gestores no Legislativo Municipal de Fortaleza, que tem 43 cadeiras. Nesta conta, 8 em cada 10 vereadores são membros do grupo governista na Capital.

Comando geral

A coordenação geral da campanha de Elmano está nas mãos do ex-secretário da Casa Civil Chagas Vieira. No início desta semana, ele anunciou o ex-deputado estadual Artur Bruno (PT) como coordenador do plano de governo do pré-candidato.

A convenção partidária que confirmará Elmano como candidato ao Governo do Ceará está marcada para o dia 1º de agosto.

EVANDRO NO PT56

 

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