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Eleitor se moveu para a direita, e derrota de Bolsonaro é impressão, afirma Haddad à Folha

Carolina Linhares / FOLHA DE SP
SÃO PAULO

Para Fernando Haddad (PT), 57, o centro não foi o grande vitorioso em 2020. Ele vê um deslocamento do eleitorado para a direita e para a extrema direita e não crava uma derrota para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Bolsonaro administra tudo muito mal. Inclusive o próprio prestígio de que ainda goza”, diz em entrevista à Folha.

Haddad afirma trabalhar para que o ex-presidente Lula (PT) seja candidato à Presidência em 2022 e evita se colocar no jogo, embora tenha sido o plano B em 2018.

O ex-prefeito petista diz que houve frustração em seu partido com a eleição municipal, embora avalie que a sigla mantém seu tamanho —mesmo após perder prefeituras. Foram 652 cidades conquistadas em 2012, contra 256 em 2016 e 183 neste ano. Em 2020, a população governada pelo PT se manteve nos cerca de 6 milhões registrados em 2016.

A avaliação entre políticos de é a de que, na eleição de 2020, o bolsonarismo e o petismo perderam, enquanto o centro cresceu. Concorda? A minha avaliação é outra. Bolsonaro administrou mal seu próprio cacife político, e isso passa a impressão de que ele foi o grande derrotado. Mas, se considerarmos que o bolsonarismo é uma recidiva do período autoritário com requintes de obscurantismo, vamos verificar que os partidos que, de alguma forma, descendem da matriz autoritária foram os que mais cresceram. O PT ficou no tamanho de 2016, com uma leve vantagem. PSDB, MDB e PSB foram os partidos que mais perderam espaço.

Houve um deslocamento do eleitorado para a direita e para a extrema direita, mas menor do que eu esperava. O que coincide com um período em que o bolsonarismo não está tão mal avaliado, com aprovação na casa de um terço. E obviamente isso tem muito a ver com o regime fiscal do combate à pandemia, foi despejado muito dinheiro na economia —contrariando o próprio governo, que queria investir muito menos.

Quais partidos de tradição autoritária cresceram? O PP, o próprio PSL, Republicanos, DEM. Estou falando em número de votos no primeiro turno.

É prematuro dizer que Bolsonaro pode não ser reeleito? É prematuro. Os próximos dois anos estão envoltos em indeterminações, porque o ano de 2020 foi atípico. Foram investidos quase meio trilhão de reais para sustentar a economia numa situação dramática.

Políticos de centro dizem que a população rejeitou radicalismos, mencionando PT e Bolsonaro. Como vê o PT na cadeira de radical? É uma técnica de comunicação, mais do que uma definição. Qualquer cientista político sabe que o PT é um partido de centro-esquerda, sempre foi tratado dessa maneira. Se o jogo político fosse limpo, continuaria sendo tratado assim. Faz parte da narrativa desses partidos de ter escolhido um extremista em 2018. É um pouco para limpar o currículo, dizer que estavam entre dois extremos, mas isso é uma fantasia, é pouco verossímil.

Por que Bolsonaro não emplacou quem ele indicou?Há um aumento da rejeição a Bolsonaro, mas isso não contradiz o fato de que houve um deslocamento do centro para a direita, sobretudo do eleitorado do MDB, PSDB e PSB. Bolsonaro administra tudo muito mal. Inclusive o próprio prestígio de que ainda goza. Ter um terço de aprovação sem nenhuma entrega é considerável. Até por inexperiência, ele está ocupando a Presidência da República, não está exercendo o cargo.

Por outro lado, o PT e a esquerda encolheram. Não acho. O PT teve um número um pouquinho maior de votos do que em 2016 —nos grandes centros, justamente onde o bolsonarismo teve aumento de rejeição. O PT decresceu nas pequenas cidades, onde o auxílio emergencial faz muita diferença. Tudo somado, o PT ficou do mesmo tamanho.

Em comparação com 2016, seu pior momento. O PT imaginava que fosse angariar um apoio maior do que teve em 2016 e isso não aconteceu. Mas quando se fala que não ganhamos em nenhuma capital… Nós ganhamos Rio Branco (AC) em 2016, que é menor que as quatro cidades onde ganhamos no segundo turno em 2020. O PT teve um desempenho melhor nas médias e grandes cidades e perdeu apoio nas pequenas, ficou do mesmo tamanho. O que frustrou as expectativas, já que o partido imaginou que fosse recuperar pelo menos uma parte do que perdeu em 2016 .

Não vê erros de condução na direção do partido? Pode ter havido em campanhas específicas, mas um erro geral, não.

Considerando Boulos em São Paulo, não faltou renovação no PT? Mas o PT lançou um candidato novo também [o ex-secretário municipal e ex-deputado Jilmar Tatto].

Um nome que está na política há mais tempo, não é a juventude que Boulos representa. Foi uma eleição que favoreceu muito o recall. O fato de Boulos ter sido candidato a presidente deu uma vantagem a ele muito grande. Ele tinha uma rede social já muito bem estruturada. Boulos conta com apoio do PSOL muito entusiasticamente, é um candidato que está sendo trabalhado pelo partido como um todo. Ao contrário do PT que não trabalha em torno de figuras específicas e sim mais no global. Teve muita migração de votos do PT para Boulos.

Como as chances eram de repetir em São Paulo o que aconteceu no Rio, muita gente resolveu apostar as fichas em alguém que fosse mais representativo desse pensamento progressista. Como Tatto era menos conhecido e Boulos largou na frente, acaba acontecendo isso. O que aconteceu com Boulos em 2018 foi exatamente isso, com sinal trocado. Ele teve 0,6% dos votos.

O PT errou ao lançar Tatto? Achava difícil o PT, que governou a cidade em três mandatos, não lançar um candidato. Sempre vai haver essa discussão. Recife, São Paulo e Rio vão ser discutidos futuramente sobre a condução da direção do partido.

Era melhor ter feito aliança com PSOL e PC do B? Para isso, teríamos que ter partido do tabuleiro nacional. Não poderia ter sido uma negociação cidade a cidade.

Qual o papel de Boulos agora? Eu gosto muito dele. Um bom quadro, uma boa novidade para a esquerda.

Pode ser candidato à Presidência? Compor chapa com o PT? A minha posição sobre 2022 está muito ligada ao fato de eu estar lutando muito para que Lula recupere seus direitos políticos, sobretudo depois da desmoralização de Sergio Moro. Espero que o Judiciário faça justiça e nós possamos seguir com Lula candidato.

Esse HC [habeas corpus] tem dois anos que foi pedido e é uma demanda jurídica que tem precedência sobre as outras. Acumulam-se evidências e provas de parcialidade do [então] juiz. Eu não sei mais o que precisa acontecer para que o sistema de justiça reconheça que houve clara violação de direitos fundamentais.

Boulos disse à Folha que vai trabalhar pela união da esquerda. Acho muito difícil o PSOL e o PC do B abrirem mão de candidatos próprios em função da cláusula de barreira. A união mais relevante é a de segundo turno, é garantir que quem quer que vá para o segundo turno derrote Bolsonaro. Para não acontecer o que aconteceu em 2018, quando setores democráticos resolveram apoiar a extrema direita para prejudicar o PT.

A centro-direita apoiaria a esquerda contra Bolsonaro no segundo turno?Temos [Luciano] Huck, Ciro [Gomes] e [João] Doria. Tem que perguntar para eles se votariam no Bolsonaro. Acho engraçado que o jornalismo não pergunte isso para aqueles que votaram no Bolsonaro em 2018. Se eles nos acusariam de extremista para justificar o voto no verdadeiro extremista ou não. Conheço tucanos que não repetiriam o voto no Bolsonaro e tucanos que repetiriam. Isso é relevante para mostrar quem é de fato extremista.

E se o PT tiver que apoiar qualquer um desses três contra Bolsonaro?  Para não fazer exercício de futurologia, o PT declarou voto no Eduardo Paes [no Rio], que é do DEM. Em tese, a gente sabe distinguir um fascista de um não fascista. Aparentemente, quem não sabe é a direita.

O PT só trabalha com a hipótese de Lula candidato? Essa discussão ainda não está instalada, a não ser nessa semana que dois petistas se declararam candidatos, Jaques Wagner e Rui Costa. Mas não tem movimentação para calendário de prévias, o que seria razoável.

O sr. é candidato ao Planalto? Vamos ter um primeiro semestre decisivo, porque acredito que o Supremo vai pautar o julgamento. Se, como eu espero, o Supremo reconhecer que Sergio Moro não julgou de forma imparcial o presidente Lula, acho que as coisas se resolvem de uma maneira. Caso contrário, a direção nacional vai estabelecer alguma forma de consulta.

Se Lula puder ser candidato, vai ser ele, sem discussão?  Ele teria que ser ouvido. No PT, por unanimidade ele seria ungido representante até por toda a violência que ele sofreu.

O PT precisa se libertar de Lula? PT e Lula são eventos indissociáveis e mutuamente dependentes.

O PT ter tido um resultado aquém do esperado com Lula solto indica enfraquecimento dele? É muito difícil transferir voto para a ponta. Eleger um sucessor é uma coisa, eleger governador e prefeito depende de mil condicionantes locais.

O PT se perdeu na sua burocracia ou está no rumo certo? O PT tem 40 anos. Já é um milagre a existência do PT no Brasil. O PT não estava no roteiro histórico desse país e, de certa maneira, o antipetismo se impõe por isso. E ele vai errar e acertar e pra isso que se faz balanço interno. O Brasil sem o PT tem o passado pela frente.

Insistir em Lula não é um erro, não se mover pra frente? O erro é aceitar uma arbitrariedade como essa. É trocar um eventual, duvidoso e imoral ganho de curto prazo imaginando que nós não seremos julgados pela história quando tudo ficar devidamente esclarecido.

Em 2022, o PT pode abrir mão de ser cabeça de chapa? O PT nunca impôs nada, isso é fantasia. Ninguém pergunta ao PSDB se ele tem vocação hegemônica. Eles ficaram em que lugar em 2018? O PT e o PSDB estruturaram a política pós redemocratização. Eu acho impossível o PSDB não ter candidato à Presidência. O PT já abriu mão de vários estados em função de alianças nacionais. Acho muito difícil PT e PSDB não terem candidatos.

Moro agora trabalha numa consultoria que atende a Odebrecht, ele ainda tem condição de ser candidato? No Brasil, nada se enterra. Não conseguimos enterrar nada, a escravisão, a monarquia, o Estado Novo. Esse país tem enorme dificuldade de se resolver. Então você vai vivendo com zumbis.

Ele pode ser candidato? Não tenho a menor ideia. Pode. O que eu sempre entendi é que ele era ambicioso.

E Luciano Huck? Projeto pessoal as pessoas podem ter. Uma celebridade sempre tem uma afinidade com uma parte da opinião pública.

O sr. foi colocado na campanha, quando Covas, por exemplo, falava do rombo do caixa na prefeitura. Como se viu na campanha? Lamentei. Covas não precisava ter mentido, ele foi desmentido três ou quatro vezes por agências de checagem. Achei meio vergonhoso para justificar um grande fracasso dessa gestão, que é reduzir em 50% o nível de investimento com muito dinheiro em caixa. Se não fosse a minha gestão, São Paulo estaria na mesma situação do Rio.

Não vou pedir pra ninguém reconhecer isso agora. É bom que esteja no jornal, porque alguém vai ler essa entrevista daqui 20 anos e vai dizer: é verdade. Não peço para reconhecer porque a verdade virou uma brincadeira, não tem aderência.

Fernando Haddad, 57

  • É bacharel em direito, mestre em economia e doutor em filosofia pela USP
  • Foi ministro da Educação de 2005 a 2012, nos governos Lula (PT) e Dilma (PT)
  • Foi prefeito de São Paulo de 2013 a 2016
  • Em 2018, foi candidato a presidente pelo PT e ficou em segundo lugar, com 45% dos votos

Paraná Pesquisa: Hoje, Bolsonaro ganharia nos 1º e 2º turnos

Equipe BR Político

Pesquisa do Instituto Paraná Pesquisa divulgada nesta sexta, 4, mostrou que o presidente Jair Bolsonaro venceria todos os candidatos testados no 1º e 2º turnos das eleições em 2022. O adversário mais competitivo seria o ex-presidente Lula, num placar a favor do chefe do Planalto de 32,9% contra 17,8% para o petista no primeiro turno. Em segundo, viria Ciro Gomes (PDT), com 12,1% contra 35,8% para Bolsonaro. Em terceiro lugar, Sérgio Moro obteria 11,8% das intenções de voto, contra 33,3% do presidente.

No segundo turno, o cenário menos folgado seria com Moro, que teria 34,7% contra 44,9% de Bolsonaro. Depois viria o embate com Lula, que obteria 33,4% contra 47% do presidente. Em terceiro, Ciro teria 31% e Bolsonaro, 48,5%.

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O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Igo Estrela/Estadão

O levantamento também traz o índice de aprovação do presidente de 50,2% contra 45,3% que o desaprovam. Já na avaliação da gestão Bolsonaro deu empate: 37,3% a consideram ruim e péssima, e 37,2%, boa e ótima. Regular, 24,2%.

João Doria (PSDB-SP) aparece lá em baixo, com 3,7%, 3,8% e 4,8% nos três cenários. Guilherme Boulos se sai melhor que o tucano: 5,7% e 4,9%, em dois cenários.

Em quarto, atrás de Lula, Moro e Ciro, vem Fernando Haddad: 8,8% e 11,5%, em dois cenários. Em seguida, vem Luciano Huck: 7,8% e 9,5%.

A pesquisa foi feita por meio de entrevistas pessoais telefônicas, com eleitores com 16 anos ou mais, em 26 Estados e Distrito Federal e em 192 municípios brasileiros durante os dias 28 de novembro a 01 de dezembro de 2020, com margem de erro de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos.

A pesquisa fraudulenta pró-Manuela em POA: A imoralidade consentida pelo TSE

As únicas coisas que funcionam bem no serviço público brasileiro, para as quais jamais faltaram todas as “verbas” compatíveis, são as eleições organizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral, por um lado, e a máquina de arrecadação tributária, por outro, em que a soma dos diversos tributos cobrados do povo, na prática de um verdadeiro “terrorismo tributário”, fazem do Brasil o campeão do mundo em cobrança tributária.

As eleições e os tributos brasileiros têm organizações “superiores” às de “1º Mundo”, gastando trilhões de reais extorquidos do povo. Por isso os brasileiros vivem numa realidade de verdadeiro “terrorismo tributário”, e na ilusão de viverem num país justo e livre.

Mas enquanto o “endeusamento” eleitoral e tributário acontece, pouca importância e verbas são destinadas aos valores essenciais da sociedade, como saúde, educação, e segurança pública, dentre outros bens e serviços públicos que deveriam merecer prioridade.

A pergunta que todos deveriam fazer a si mesmos é a quem beneficia, prioritariamente, os gastos públicos quase ilimitados com a sustentação das “máquinas” tributárias e eleitorais?

Porventura não estaria havendo absoluta “coincidência” entre os destinatários dessas gigantescas verbas públicas, e os detentores do “direito” de fazer e aplicar as leis, ou seja, os políticos com mandatos eletivos? Isso não seria “legislar” em causa própria? Não estariam se confundindo nas mesmas organizações os autores e os beneficiários dessa malsinada política?

O Brasil tem a máquina pública, inclusive a eleitoral, mais cara do mundo, caminhando ao lado de um dos povos mais pobres...

Mas enquanto a legislação aplicada sobre o povo brasileiro é bastante “dura”, o mesmo não acontece em tudo que se relaciona aos grandes interesses dos poderosos do “establishment”, do “mecanismo”, que têm plena liberdade de agir contra a moral pública com plena cobertura das leis... que eles mesmo escrevem!!!

Não é preciso ir muito longe para provar essa denúncia. A eleição municipal de 2º Turno para prefeito de Porto Alegre, realizada em 29 de novembro de 2020, pode servir de amostragem desse tipo de absurda irregularidade.

Enquanto a legislação eleitoral brasileira é das mais duras do mundo contra o “comum-dos-mortais”, mandando prender quem ousar fazer qualquer “boca de urna” nas eleições, as “grandes infrações” eleitorais, do ponto de vista “moral”, “coincidentemente”, ficam “fora” da legislação, sendo absolutamente toleradas.

Talvez a principal imoralidade consentida na legislação eleitoral, certamente por ser do interesse do “establishment”, trata-se das “pesquisas”, mesmo com a condição “esfarrapada” de registro na Justiça Eleitoral, numa espécie de “faz-de-conta” eleitoral.

Entre o 1º e o 2º turnos da eleição municipal para prefeito de Porto Alegre, onde concorriam os candidatos Sebastião Melo, pelo MDB, e a comunista Manuela D’Ávila, do PCdoB, onde Melo começou bem na frente, gradativamente essa diferença foi diminuindo. No último momento permissivo de pesquisas, 2 dias antes da eleição, quando não haveria mais condições nem tempo de rebatê-la com novas pesquisas, SURPREENDENTEMENTE aparece uma do IBOPE, encomendada e paga pelo Grupo RBS, "capacho” das Organizações GLOBO, onde Manuela “milagrosamente” ultrapassa Melo, com 51% contra 49%. E não é preciso lembrar que o “capacho” gaúcho da Globo, como a “matriz”, também gostaria de favorecer a candidata da esquerda, Manuela.

Finalizada a apuração no TSE, acabou “dando” Sebastião Melo, com uma diferença de quase 10% sobre Manuela D’Ávila, o qual acabou sendo eleito prefeito de Porto Alegre, ”desmoralizando” a pesquisa-conluio entre o IBOPE e a RBS. Mas essa “barbaridade” não é irregular na legislação eleitoral, e tudo acabará “por isso mesmo”!!!

Tudo leva a crer, portanto,a essa altura dos acontecimentos - porque foi a RBS que encomendou e patrocinou a pesquisa de “última hora” do IBOPE - é que a primeira “forneceu” o resultado que queria pró-Manuela, e o segundo só “assinou” e divulgou. E esse não foi um caso isolado no Brasil inteiro.

E essa “tchurma” parece que já está “afiando-os-dentes”, com olhares na eleição presidencial de 2022. EDITORIAL DO JORNAL CIDADE ONLINE

TSE barra primeiro prefeito sub judice e determina nova eleição em cidade goiana em 2021

Maurício Ferro / O GLOBO

 

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BRASÍLIA — O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começou a analisar nesta quinta-feira candidaturas vitóriosas nas eleições deste ano que estão com algum questionamento na Justiça Eleitoral. Dos quatro casos julgados hoje, os ministros entenderam que somente em Bom Jesus de Goiás (GO) deve ocorrer uma nova eleição.

 

Levantamento do GLOBO indica que em ao menos 96 municípios brasileiros ainda não está definido quem será o prefeito a partir de 2021. Nesses locais, as candidaturas estão “sub judice”, expressão que indica que determinado processo está em julgamento e aguarda decisão judicial.

No caso do município de Bom Jesus de Goiás, todos os magistrados concordaram pela inelegibilidade do prefeito eleito Adair Henrique da Silva (DEM) por condenação em órgão colegiado. Com isso, outra eleição será realizada.

– Por unanimidade, [o TSE] deu provimento ao 1º recurso para indeferir o pedido de candidatura ao cargo de prefeito e anular as eleições majoritárias do município de Bom Jesus de Goiás, determinando a realização de novas eleições a serem designadas pelo TRE [Tribunal Regional Eleitoral] para o ano de 2021, bem como a convocação do presidente da Câmara Municipal da legislatura a se iniciar para exercer o cargo provisoriamente nos termos do voto do relator – disse o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso.

A acusação do Ministério Público Eleitoral (MPE) argumentava que Adair estava inelegível por causa de uma condenação por improbidade administrativa. O registro de candidatura de Adair já tinha sido negado pelo juiz eleitoral, mas o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) entendeu que o prazo de oito anos de inelegibilidade determinado pela lei já tinha acabado. Assim, o TRE liberou a candidatura.

Foi essa liberação do TRE-GO que estava sendo questionada no TSE. O relator do caso, ministro Edson Fachin, já tinha dado um decisão liminar (ou seja, provisória) que impedia a diplomação de Adair antes que o processo fosse analisado.

A advogada Luciana Lóssio representou o prefeito eleito que teve 50,26% dos votos válidos. Ela falou em “dois marcos temporais” da inelegibilidade. Lóssio disse que o candidato eleito ficou inelegível a partir de uma condenação colegiada em 2009. Portanto, segundo ela, o prazo de suspensão dos direitos políticos (de 8 anos) tinha se esgotado em 2017. Ela também argumentou que, em 2012, Adair tentou concorrer na eleição, mas teve o registro de candidatura negado justamente em função da condenação de 2009.

Outros processos

No caso de Paraíba do Sul (RJ), o TSE definiu – por 5 votos a 2 – que é válida a candidatura da prefeita eleita Dayse Deborah Alexandre Neves, registrada nas urnas como Dayse Onofre (PL-RJ).

O relator do processo, ministro Fachin, votou pela inelegibilidade de Dayse. Argumentou que ela já havia sido condenada, em 2016, por doação acima do limite legal. A lei permite doar até 10% dos rendimentos brutos auferidos pelo doador no ano anterior ao pleito.

– A ilegalidade surge a partir do primeiro centavo superado – afirmou Fachin ao proferir seu voto.

Em seguida, o ministro Alexandre de Moraes inaugurou a divergência do relator “à luz dos critérios da razoabilidade”, por causa do valor doado. Considerou que a doação superior ao limite não afetou a legitimidade do pleito. Outros quatro ministros seguiram o voto de divergência.

Já o ministro Barroso declarou que seu voto era “curioso”, pois concordava com a necessidade de trazer o caso à “razoabilidade”. No entanto, concordava também com a conclusão de Fachin pela inelegibilidade pelo “conjunto da obra da pessoa envolvida”. Assim, ficou em 5 a 2 a votação.

No caso da cidade de Itatiaia, também no Rio de Janeiro, o relator Mauro Campbell votou por negar o pedido de registro de candidatura do prefeito eleito Dudu (PSC) e determinar a realização de novas eleições. Porém, o ministro Tarcisio Vieira pediu vista e prometeu retornar com o processo na próxima quinta-feira. Portanto, o caso ficou suspenso.

No quarto e último processo analisado pelo TSE hoje, a Corte validou a candidatura da prefeita eleita na cidade de Olho D’água Grande, em Alagoas, Maria Suzanice Higino Bahé (PP). O ministro Sérgio Banhos foi o relator e negou negou recurso do candidato derrotado José Adelson de Souza (PTB) e de seu partido, o PTB.

 

Mudança na Assembleia: cinco suplentes devem assumir vagas de deputados eleitos prefeitos

Assembleia PLENÁRIO

Com eleição de cinco deputados estaduais para prefeituras do Ceará, 10,86% da composição da Assembleia Legislativa irá mudar. Os parlamentares titulares têm até 31 de dezembro para renunciar ao mandato e assumir em 1º de janeiro de 2021 os cargos nas prefeituras.

Com a eleição de Sarto Nogueira (PDT) para a Prefeitura de Fortaleza e Nezinho Farias (PDT) para Horizonte, os suplentes Manoel Duca (PDT) e Lucílvio Girão (PP) serão efetivados. Lucílvio já está ocupando a vaga de Zezinho Albuquerque (PDT), secretário de Cidades.

Com a vitória de Vitor Valim (Pros) em Caucaia, o suplente Tony Brito (Pros) será efetivado no cargo de deputado estadual para o período 2021-2022.

Já quem assume a vaga do deputado Bruno Gonçalves (PP), eleito prefeito de Aquiraz, é Gordim Araújo (Patriota), que já exerceu a suplência no ano passado, quando Gonçalves se licenciou do mandato. 

No lugar de Patrícia Aguiar (PSD), eleita prefeita de Tauá, quem assume a vaga é Davi de Raimundão (MDB). Ele foi candidato a vice-prefeito em Juazeiro do Norte nesta eleições. A chapa dele, cujo cabeça de chapa era deputado Nelinho Farias (PSDB), saiu derrotada do pleito. Davi de Raimundão também já exerceu a suplência nesta legislatura da Assembleia, quando deputados do MDB se licenciaram.

Veja a lista completa de quem sai e quem entra na Assembleia:

  • Sarto Nogueira (PDT) sai; entra Manoel Duca (PDT)
  • Nezinho Farias (PDT) sai; entra Lucílvio Girão (PP)
  • Vitor Valim (Pros) sai; entra Tony Brito (Pros)
  • Bruno Gonçalves (PL) sai; entra Gordim Araújo (Patriota)
  • Patrícia Aguiar (PSD) sai; entra Davi de Raimundão (MDB)
  • DIARIONORDESTE

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