PDT no Ceará abre processo de expulsão de quatro deputados estaduais por aliança com o PL
O Diretório do Partido Democrático Trabalhista (PDT) no Ceará abriu um processo disciplinar para expulsar os deputados estaduais Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho dos quadros da legenda. A ação leva em conta a aliança dos parlamentares com o PL e o alinhamento com a oposição na Assembleia Legislativa (Alece).
O procedimento deve apenas acelerar a saída do quarteto. Ambos já sinalizaram a ideia de deixar o PDT na janela partidária de março, quando as trocas entre partidos são liberadas, esvaziando a bancada da legenda na Casa. Enquanto Antônio Henrique e Lucinildo estão apalavrados com o PL, Cláudio e Queiroz devem ir para o PSDB, ao seguir os passos do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB).
O processo disciplinar para a expulsão foi acatado pelo Conselho de Ética do PDT-CE em 19 de janeiro. Na ocasião, o colegiado determinou o período de oito dias corridos para os deputados enviarem suas defesas. O prazo termina nesta semana.
Ao PontoPoder, o presidente estadual da sigla, o deputado federal André Figueiredo (PDT), ressaltou que os parlamentares têm tomado uma posição “legítima”, mas contrária ao Governo Elmano de Freitas (PT), enquanto o partido integra a base.
Com isso, enfatiza o dirigente, nomes do PDT entraram com o pedido de expulsão para que os parlamentares não esperem até o fim da janela partidária para definir o rumo político. A ideia, portanto, é “acelerar” o processo.
“Nós temos pré-marcado uma reunião do diretório regional para o dia 9 de março. Dia 6 começa a janela partidária, ou seja, eles podem pedir desfiliação sem necessariamente precisar passar pelo constrangimento de serem expulsos”
Por sua vez, o deputado Cláudio Pinho, atual líder do PDT na Alece, confirmou que enviou a defesa e classificou a representação como “desprovida de prova, tipicidade e justa causa”. O parlamentar ressaltou, ainda, que permaneceu no partido com “lealdade, responsabilidade e compromisso institucional”, mesmo diante da divisão interna a partir da eleição de 2022.
REPRESENTAÇÃO INTERNA
O processo atende a representações apresentadas, ainda no início de janeiro, por membros de diversas alas da agremiação, como a Ação da Mulher Trabalhista do Ceará (AMT/CE), a Juventude Socialista do Ceará e o PDT Diversidade.
O requerimento cita que os deputados estaduais têm se manifestado publicamente em apoio a pautas e projetos defendidos por “agremiações adversárias e ideologicamente incompatíveis com o programa do PDT”.
Nesse sentido, o grupo cita diretamente o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao dizer que a legenda possui um posicionamento político-ideológico que tem se colocado “reiteradamente em campo oposto” ao PDT.
“Quando o requerido do PDT defende publicamente uma aliança com PL, ele não realiza apenas um gesto isolado de cordialidade política, mas sim dá respaldo público a um projeto político antagônico ao do seu partido. Tal conduta confunde o eleitor, enfraquece a identidade partidária e contribui para a deslegitimação do próprio programa ao qual se comprometeu formalmente no momento da filiação e da disputa eleitoral”
A representação cita, inclusive, a matéria do PontoPoder acerca do “Café da Oposição” de 2 de dezembro de 2025, quando o campo oposicionista se reuniu na Alece e reafirmou apoio a Ciro para o Governo do Estado e ao deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pré-candidato ao Senado.
SAÍDA ANTECIPADA
Líder do PDT na Alece, o deputado Cláudio Pinho afirmou que o processo é "sem necessidade", diante da proximidade da janela partidária. Ao mesmo tempo, o parlamentar confirmou que deve sair do PDT.
“Eu tinha pretensão em ficar no partido, porém com o alinhamento com o Governo, não será possível minha permanência”
O deputado Antônio Henrique também confirmou o recebimento da representação e o envio da defesa nessa quarta-feira (28). "Na verdade, eles querem que a gente saia do partido para poder, talvez, montar lá uma nova chapa (de deputados), não sei. Mas nós não fizemos nada contra o partido para ser expulso. A gente fez a defesa, eu e os outros deputados do PDT”, pontuou.
Por sua vez, Lucinildo Frota confirmou que recebeu a representação e deve enviar defesa até esta sexta-feira (30). O PontoPoder também acionou Queiroz Filho, mas ainda aguarda retorno.
EXPULSÃO DE VEREADOR
Em paralelo, o Diretório Municipal do PDT em Fortaleza deve sacramentar a saída do vereador PP Cell, em reunião programada para 23 de fevereiro. O Conselho de Ética da sigla já aprovou o parecer favorável pela expulsão no último dia 8 de janeiro.
O caso de PP Cell é fruto de uma representação apresentada pelo vereador Adail Júnior e leva em conta possíveis “questões de desvio das ações do partido”, como apoio a André Fernandes (PL) na eleição pela Prefeitura de Fortaleza em 2024, além de oposição ao prefeito Evandro Leitão (PT).
Após a deliberação do Conselho de Ética pela expulsão, em 11 de janeiro, PP Cell se manifestou contra a decisão. “O PDT se rendeu aos encantos do PT e queria que eu apoiasse também o PT. E eu disse que não ia apoiar, vou manter a minha coerência, vou manter a minha linha de atuação”, pontuou o parlamentar, em vídeo nas redes sociais.
Pesquisa mostra Tarcísio reeleito com folga e Lula perdendo entre eleitores de SP
Painel / Editado por Fábio Zanini, espaço traz notícias e bastidores da política. Com Carlos Petrocilo/ FOLHA DE SP
Pesquisa Apex/Futura com eleitores no estado de São Paulo mostra cenário favorável para a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Ele se mantém na liderança, no intervalo de 40,4% a 42,5%, a depender do cenário de primeiro turno pesquisado. No segundo turno, o governador bate com folga seus possíveis adversários.
Tarcísio atinge 56,5%, contra 31,2% de Fernando Haddad (PT); 53,9%, contra 35,4% de Geraldo Alckmin (PSB); e 60,1%, contra 26,6% de Simone Tebet (MDB).
A pesquisa ouviu 1.200 pessoas em 257 cidades do estado entre 20 e 23 de janeiro, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais.
O levantamento também perguntou sobre a intenção de votos para presidente entre os eleitores paulistas.
Embora lidere nacionalmente na maioria das sondagens, Lula teria dificuldade no estado, onde o PT historicamente patina nas eleições.
Em cenário de segundo turno, Flávio Bolsonaro bateria o atual presidente por 50,5% a 38,2%. Lula também perderia de Tarcísio (54,2% a 34,9%) e Ratinho Jr. (49,2% a 37%)
CEARÁ: De Girão a Michelle Bolsonaro: as peças do quebra-cabeça de Ciro Gomes no início do ano eleitoral
No início do ano eleitoral de 2026, Ciro Gomes se movimenta como o principal pilar da oposição no Ceará. Com a experiência de quem já governou o Estado e disputou a presidência da República quatro vezes, o ex-ministro, filiado ao PSDB, aposta no seu capital político, consolidado ao longo de quatro décadas, para liderar um bloco que desafia a hegemonia do PT no Estado.
Entretanto, embora tenha trunfos importantes, o projeto dele e dos aliados encontra obstáculos que ainda encontram bloqueios e resistência para chegar organizado ao segundo semestre, quando ocorrem as principais definições do pleito.
O capital político de Ciro: visibilidade e recall

Ciro traz para o jogo eleitoral uma marca importante. É o nome mais conhecido da oposição cearense. Mesmo sem mandato, segue como voz ativa no debate nacional e, agora, assume o papel de reconstrução do PSDB no Ceará, sigla à qual se filiou recentemente para viabilizar sua articulação política.
Além disso, conta com o apoio de figuras como o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio e o deputado Capitão Wagner (União Brasil), nomes também presentes no noticiário político e nas urnas do Ceará na última década.
União Brasil em disputa e federação à deriva
Mas a solidez do bloco oposicionista não é linear. Ao contrário. Um dos principais entraves está no controle do União Brasil no Ceará, partido que integra a federação com o Progressistas, a chamada União Progressista. O conglomerado tem integrantes assíduos na oposição, mas uma forte bancada governista, formando um cabo de guerra para a definição do apoio eleitoral no Ceará.
Nesse jogo, alguém será enganado. E a decisão nacional sobre o Ceará, além de simbólica, terá um peso político considerável. O projeto que atrair a federação fatalmente terá o maior tempo de televisão e rádio para expor propostas na campanha.
Ciro diz confiar no presidente nacional do União, Antônio de Rueda, mas sabe que, sem controle local, a federação pode ser absorvida pela base governamental.
A instabilidade da federação é um dos pontos sensíveis da costura eleitoral.
A turbulência com o PL e o veto bolsonarista
Outro impasse veio do campo bolsonarista. Após gestos públicos de aproximação com lideranças como o deputado federal André Fernandes, o ex-ministro foi surpreendido por uma ocorrência dura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que, na passagem pelo Ceará, desautorizou qualquer diálogo com Ciro e cravou apoio à pré-candidatura de Eduardo Girão (Novo).
A declaração esfriou as conversas com o PL, liderada no Estado por André Fernandes, embora haja expectativa de retomada mais futura.
Diálogo com Girão: união ou confronto?
A disputa no campo conservador ganhou um novo capítulo com o avanço do nome de Eduardo Girão, que foi lançado pré-candidato ao governo. Mesmo adversário histórico, Ciro fez sinalizações de que está disposto a dialogar com o senador em nome da formação de uma unidade, mas não há sinais de que ela esteja próxima.
O desafio, porém, vai além do convencimento político: há divergências ideológicas profundas entre os dois, tanto no estilo quanto no discurso, e o sucesso dessa aproximação dependerá de concessões de ambos os lados.
Por agora, o gesto serve para manter aberta a narrativa de que Ciro está disposto ao diálogo e ao pragmatismo político.
Desfecho em aberto
Ciro Gomes tem capital político, experiência e visibilidade. Mas está diante de uma solução complexa, uma série de fatores, inclusive nacionais, que vão exigir habilidade e uma pitada de sorte nas convergências.
TSE pode reforçar desinformação e desigualdade nas redes
Fabiano Garrido / Doutor em economia (Unicamp), é sociólogo e especialista em comunicação digital; diretor-executivo do Instituto Democracia em Xeque / FOLHA DE SP
As resoluções eleitorais em discussão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ainda passarão por audiência pública, partem de uma preocupação legítima: preservar a liberdade de expressão no ambiente digital. O risco, no entanto, é que esse esforço, ao flexibilizar regras sobre impulsionamento político e restringir mecanismos de responsabilização, acabe reforçando justamente a desinformação e as desigualdades que pretende conter.
Ao permitir que conteúdos políticos sejam impulsionados por qualquer perfil nas redes sociais, mesmo sem vínculo formal com candidatos, partidos ou campanhas, o TSE inaugura uma zona cinzenta regulatória. É fundamental lembrar que impulsionamento não é mera ampliação orgânica de alcance, mas uma modalidade de conteúdo pago, baseada na compra de visibilidade, segmentação e circulação. Ao liberar esse instrumento fora do perímetro formal da disputa eleitoral, a norma favorece atores com maior poder econômico.
Essa lógica não se aplica apenas à crítica a governos ou atores políticos. A mesma regra permite, de forma simétrica, o impulsionamento pago de conteúdos elogiosos, promovidos por perfis financiados por interesses econômicos não transparentes. Forma-se, assim, um novo ringue da disputa democrática: um espaço de disputa política baseado no financiamento do alcance nas plataformas digitais, operando à margem do orçamento eleitoral de partidos e candidatos e das regras que buscam assegurar equilíbrio e transparência na competição.
Na prática, essa flexibilização abre espaço para a formação de um mercado paralelo de comunicação política, no qual narrativas críticas ou favoráveis podem ser artificialmente amplificadas por quem pode pagar mais. A influência sobre o debate público passa a ser mediada pela compra de visibilidade, aprofundando desigualdades estruturais entre quem dispõe de recursos financeiros e quem depende apenas de circulação orgânica.
Ao dissociar formalmente esse tipo de impulsionamento da disputa eleitoral, a norma explicita a opção por uma ampla liberdade de circulação de conteúdos políticos, desde que não associados formalmente a campanhas. Essa escolha, porém, desloca o foco regulatório do conteúdo e de seus efeitos para a forma de veiculação, deixando em segundo plano a discussão sobre como abusos, manipulações e distorções serão efetivamente coibidos.
É nesse contexto que emerge o segundo problema central das propostas: o modelo de responsabilização. Ao restringir a remoção de perfis aos casos de usuários comprovadamente falsos, automatizados ou à prática de crimes, a minuta afasta a possibilidade de sanções mais efetivas contra pessoas reais que difundem, de forma deliberada e reiterada, conteúdos sabidamente falsos. O critério regulatório deixa de ser a falsidade, a reiteração e a atuação articulada, e passa a ser a natureza do perfil ou a tipificação penal da conduta, criando uma distinção difícil de justificar do ponto de vista democrático.
Esse desenho institucional merece atenção especial à luz de experiências recentes. No último dia 8 de janeiro, completaram-se três anos da invasão das sedes dos Três Poderes em Brasília, episódio que evidenciou como grupos minoritários podem ser mobilizados contra a democracia quando contam com financiamento, logística e coordenação fora de marcos regulatórios claros. A lição é inequívoca: ataques à ordem democrática não dependem apenas de volume social, mas da capacidade de mobilizar recursos econômicos e comunicacionais em ambientes pouco regulados.
O resultado é um arranjo regulatório que combina ampla permissividade ao impulsionamento político pago com uma responsabilização seletiva da desinformação. Esse conjunto tende a aprofundar desigualdades, criar novos vetores de disputa política opacos e enfraquecer a confiança pública na integridade do processo democrático.
Justamente por ainda estarem em debate, as audiências públicas representam uma oportunidade decisiva para o aprimoramento dessas normas. Sem ajustes que reforcem transparência, responsabilização e igualdade de condições no acesso ao debate público, há o risco de que a Justiça Eleitoral, ao tentar proteger a liberdade de expressão, contribua involuntariamente para a consolidação de um ambiente digital mais desigual e mais vulnerável à desinformação.
o pensamento contemporâneo.
De Girão a Michelle Bolsonaro: as peças do quebra-cabeça de Ciro Gomes no início do ano eleitoral
No início do ano eleitoral de 2026, Ciro Gomes se movimenta como o principal pilar da oposição no Ceará. Com a experiência de quem já governou o Estado e disputou a presidência da República quatro vezes, o ex-ministro, filiado ao PSDB, aposta no seu capital político, consolidado ao longo de quatro décadas, para liderar um bloco que desafia a hegemonia do PT no Estado.
Entretanto, embora tenha trunfos importantes, o projeto dele e dos aliados encontra obstáculos que ainda encontram bloqueios e resistência para chegar organizado ao segundo semestre, quando ocorrem as principais definições do pleito.
O capital político de Ciro: visibilidade e recall

Ciro traz para o jogo eleitoral uma marca importante. É o nome mais conhecido da oposição cearense. Mesmo sem mandato, segue como voz ativa no debate nacional e, agora, assume o papel de reconstrução do PSDB no Ceará, sigla à qual se filiou recentemente para viabilizar sua articulação política.
Além disso, conta com o apoio de figuras como o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio e o deputado Capitão Wagner (União Brasil), nomes também presentes no noticiário político e nas urnas do Ceará na última década.
União Brasil em disputa e federação à deriva
Mas a solidez do bloco oposicionista não é linear. Ao contrário. Um dos principais entraves está no controle do União Brasil no Ceará, partido que integra a federação com o Progressistas, a chamada União Progressista. O conglomerado tem integrantes assíduos na oposição, mas uma forte bancada governista, formando um cabo de guerra para a definição do apoio eleitoral no Ceará.
Nesse jogo, alguém será enganado. E a decisão nacional sobre o Ceará, além de simbólica, terá um peso político considerável. O projeto que atrair a federação fatalmente terá o maior tempo de televisão e rádio para expor propostas na campanha.
Ciro diz confiar no presidente nacional do União, Antônio de Rueda, mas sabe que, sem controle local, a federação pode ser absorvida pela base governamental.
A instabilidade da federação é um dos pontos sensíveis da costura eleitoral.
A turbulência com o PL e o veto bolsonarista
Outro impasse veio do campo bolsonarista. Após gestos públicos de aproximação com lideranças como o deputado federal André Fernandes, o ex-ministro foi surpreendido por uma ocorrência dura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que, na passagem pelo Ceará, desautorizou qualquer diálogo com Ciro e cravou apoio à pré-candidatura de Eduardo Girão (Novo).
A declaração esfriou as conversas com o PL, liderada no Estado por André Fernandes, embora haja expectativa de retomada mais futura.
Diálogo com Girão: união ou confronto?
A disputa no campo conservador ganhou um novo capítulo com o avanço do nome de Eduardo Girão, que foi lançado pré-candidato ao governo. Mesmo adversário histórico, Ciro fez sinalizações de que está disposto a dialogar com o senador em nome da formação de uma unidade, mas não há sinais de que ela esteja próxima.
O desafio, porém, vai além do convencimento político: há divergências ideológicas profundas entre os dois, tanto no estilo quanto no discurso, e o sucesso dessa aproximação dependerá de concessões de ambos os lados.
Por agora, o gesto serve para manter aberta a narrativa de que Ciro está disposto ao diálogo e ao pragmatismo político.
Desfecho em aberto
Ciro Gomes tem capital político, experiência e visibilidade. Mas está diante de uma solução complexa, uma série de fatores, inclusive nacionais, que vão exigir habilidade e uma pitada de sorte nas convergências.

