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Genial/Quaest: Lula avança contra governadores no segundo turno e vê vantagem reduzir para Flávio Bolsonaro

Por Rafaela Gama — Rio de Janeiro / O GLOBO

 

 

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece como o pré-candidato mais competitivo da direita para ir ao segundo turno contra o presidente Lula (PT) em 2026, mas o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda perderia para o petista. Os dados são da pesquisa Genial/Quaest divulgados nesta terça-feira, a primeira realizada desde o anúncio de Flávio como sucessor do pai nas urnas. O levantamento também indica que Lula ampliou a vantagem em relação os governadores de direita cotados para disputar o Planalto em 2026.

 

O levantamento mostra que, nos seis cenários de primeiro turno, Flávio tem entre 21% e 27% das intenções de voto, dependendo da lista de pré-candidatos, enquanto Lula marca entre 34% e 41%. Já governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo; Ratinho Júnior (PSD), do Paraná; Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; Ronaldo Caiado (União), Goiás, tiveram, no máximo, 10%, 13%, 6% e 4% das intenções de voto, respectivamente, nos cenários em que foram testados. Já o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que articula uma candidatura ao governo do Ceará, marca 8%.

 

Lula venceria hoje em todos os cenários de segundo turno. Contra Flávio, o petista teria 46% (eram 48% em agosto, quando o nome do senador foi testado pela última vez) contra 36% do filho de Bolsonaro (eram 32% em agosto).

 

Tarcísio de Freitas, por sua vez, aparece agora em maior desvantagem frente a Lula (45% a 35%) tanto na comparação com a última rodada da pesquisa (41% a 36%), realizada em novembro, quanto com o levantamento de agosto (43% a 35%), último que testou o nome de Flávio.

 

Ratinho Júnior manteve a mesma distância em pontos percentuais em relação ao petista contabilizada em agosto (antes 34% contra 44%, e agora 35% contra 45%), mas perdeu vantagem para Lula na comparação com o resultado de novembro (permaneceu em 35%, enquanto o presidente cresceu de 40% para 45%). Zema contabilizava 36% ante os 43% do petista na rodada passada, mas agora tem 33% contra os 45% de Lula, enquanto Caiado viu a distância para Lula passar de 7 para 11 pontos percentuais em um mês — em agosto, a distância, porém, era maior, de 16 pontos.

 

Rejeição a Flávio

Apesar de aparecer bem posicionado na pesquisa, Flávio enfrenta rejeição maior que os outros nomes do campo colocados na disputa. Somam 60% os eleitores que dizem conhecê-lo e que não votariam nele. Esse índice é de 54% para Lula e de 47% para Tarcísio, que tem taxa de desconhecimento maior que os dois rivais (de 28%). A rejeição a Ratinho Júnior (39% o conhecem e não votariam nele), Zema (35%) e Caiado (40%) também é menor.

 

Além disso, 54% dos eleitores defenderam que Bolsonaro errou ao indicar o filho como pré-candidato à Presidência, enquanto 36% dizem que o ex-presidente acertou na escolha. O percentual é mais alto entre lulistas (78%) e eleitores de esquerda, mas não lulistas (71%), mas chega a 56% entre os eleitores independentes. Entre eleitores da direita não bolsonarista, 38% consideram que Bolsonaro não deveria ter indicado Flávio, ante 16% dos que se declaram bolsonaristas.

 

Entre os eleitores que veem erro de Bolsonaro na escolha de Flávio, 19% acham que o ex-presidente deveria ter indicado a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), 16% avaliam que a opção deveria ter sido feita por Tarcísio e 11% citam Ratinho Júnior.

 

Os eleitores se dividem em relação ao posicionamento de Tarcísio, que afirmou que Flávio pode contar com seu apoio. Para 42%, o governador de São Paulo errou ao declarar apoio, enquanto também 42% dizem que ele acertou.

 

A pesquisa Genial/Quaest fez 2.004 entrevistas entre os dias 11 e 14 de dezembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos.

 

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio BolsonaroPresidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo | Evaristo Sa/AFP

 

 

Genial/Quaest: Flávio supera Tarcísio no 1º turno e perde de Lula por 10 pontos no 2º turno

Arthur Guimarães de Oliveira / FOLHA DE SP

 

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderia tirar o governador de São PauloTarcísio de Freitas (Republicanos), de eventual segundo turno das eleições de 2026, segundo nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira (16).

No cenário de primeiro turno testado pelo instituto com o congressista e o chefe do Executivo paulista, Flávio tem 23% e Tarcísio, 10%, enquanto o presidente Lula (PT) fica com 41%.

No segundo turno, Lula marca 10 pontos de vantagem sobre ambos. O petista aparece com 46% das intenções de voto, enquanto o filho do ex-presidente registra 36%. Em confronto com o governador, Lula venceria com 45% ante 35% de Tarcísio.

Essa é a primeira pesquisa realizada pela Genial/Quaest após o senador ser anunciado como candidato do pai para concorrer à Presidência.

O levantamento foi feito de 11 a 14 de dezembro. Foram 2.004 entrevistas presenciais com brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

A divulgação dos resultados ocorreria nesta quarta (17), mas a Quaest informou que decidiu pela antecipação porque começaram a circular no mercado números não oficiais atribuídos à pesquisa.

Lula lidera nos demais cenários testados: contra os governadores do ParanáRatinho Júnior (PSD); de Minas GeraisRomeu Zema (Novo); e de GoiásRonaldo Caiado (União Brasil).

Contra o paranaense, a vantagem também é de 10 pontos, com os mesmo percentuais que os de Tarcísio, 45% e 35%. Em uma disputa com Caiado, a diferença é de 11 pontos. O petista venceria com 44% ante 33%. Já Zema perderia de 12, de 45% a 33%.

Lula também sai na frente nos cenários de primeiro turno. Flávio tem entre 21% e 27% das intenções, a depender de quem seria o outro candidato da oposição. Além de Tarcísio com 10%, Ratinho aparece com 13%; Zema, 6%; e Caiado, 4%.

Outro nome, o do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), tem 8%. A pesquisa testou também os nomes de Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (Democracia Cristã), que tiveram menos de 3% em todos os cenários.

Avaliação do governo Lula

Os que avaliam de forma negativa o trabalho do governo Lula se mantiveram em 38% em relação a novembro. A avaliação positiva, por outro lado, saiu de 31% para 34%, enquanto a regular foi de 28% para 25%. 3% dos entrevistados não responderam ou não souberam responder.

A desaprovação do governo se manteve estável, oscilando dentro da margem de erro de 50% para 49%. A aprovação, por sua vez, variou de 47% para 48%, também dentro da margem de erro. 3% dos entrevistados não responderam ou não souberam responder.

 

Cid Gomes também é alvo de hostilização no Aeroporto de Fortaleza

Escrito por Redação / DIARIONORDESTE
 
 

O senador cearense Cid Gomes (PSB) foi alvo de ofensas ao desembarcar no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, na madrugada da última quinta-feira (11). O vídeo foi publicado na sexta-feira (12) pela própria autora das hostilidades. Ela também se identificou como a responsável pelos ataques contra os deputados federais André Fernandes (PL) e Dayany Bittencourt (União).

Em suas redes sociais, Roberta da Horta diz ser estudante de nutrição e educadora popular na internet. Ela abordou o senador na saída da ponte de embarque, poucos instantes antes de também ofender os dois deputados“Lá vem outro, o futuro ex-senador Cid Ferreira 'Fomes', que também não faz muita coisa pela gente, não. Está aí só atrapalhando, querendo eleger o Junior Mano, o mano dos bilionários”, disse a mulher, mencionando o deputado federal indicado por Cid como pré-candidato a senador em 2026.

Em suas redes sociais, Roberta da Horta seguiu com os ataques. Ela disse que Cid "apoia as fomes e os venenos na nossa alimentação" e que o parlamentar "é descendente de escravocrata".

Hostilidades

A estudante acumula uma série de vídeos em que hostiliza autoridades públicas. 

Na mesma ocasião, além de Cid, os alvos foram os deputados André Fernandes e Dayany Bittencourt. O vídeo em que aparece o senador foi publicado após o registro no qual aparecem os deputados.

Ao ver os parlamentares chegando à área de embarque e desembarque do aeroporto, Horta chamou os congressistas de “dupla de golpistas”. Em seguida, passou a seguir o político do PL, mantendo os insultos. 

Nas gravações, ela chama os deputados de “nojentos”. É possível ouvir outras expressões, como “verme”, “otário” e “babaca”. 

Sem reagir às agressões verbais, André registrou uma parte do episódio e publicou em seu perfil no Instagram. Ao Diário do Nordeste, a equipe de comunicação que assessora Dayany Bittencourt declarou que a política não irá se posicionar sobre o ocorrido.

Já André Fernandes disse que avalia “se e qual medida tomar”. Nas redes sociais, ele publicou um vídeo, na sexta-feira, em que lamenta o episódio. "Isso é o resultado de um processo longo e perigoso", alega o deputado.

"Eu permaneci em silêncio, não reagi, percebi que o meu silêncio era o que a deixava mais furiosa. O objetivo dela não era o debate, não era a crítica, o objetivo era a imagem, ela precisava que eu reagisse para validar a narrativa que implantaram na cabeça dela, ela precisava que o 'monstro' que venderam a ela se revelasse", completou.

A autora das ofensas foi procurada pelo Diário do Nordeste, mas não retornou. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS-CE) informou que a Polícia Civil investiga as circunstâncias da ocorrência, registrada como ameaça. 

No caso de Cid, a assessoria de imprensa do parlamentar foi procurada, mas não respondeu.

 

 

 

CID GOMES OFENSAS NO AEROPORTO

 

José Antonio Kast é eleito presidente do Chile e direita volta ao poder

Por Carolina Marins / O ESTADÃO DE SP

 

 

O conservador José Antonio Kast confirmou o favoritismo que carregou durante toda a campanha para o segundo turno e foi eleito presidente do Chile neste domingo, 14. Com isso, o Palácio La Moneda será ocupado pela direita depois de quatro anos sob o governo de esquerda de Gabriel Boric. Kast será o primeiro presidente abertamente admirador do ditador Augusto Pinochet.

 

Com 99% das urnas apuradas, Kast recebeu 58,2% dos votos contra 41,8% da candidata governista Jeannette Jara, do Partido Comunista. “Esta não é uma vitória pessoal, não pertence a José Antonio Kast. Não pertence a um partido do qual me orgulho. Aqui, o Chile venceu, e com ele a esperança de viver sem medo”, declarou em seu discurso de vitória.

Jara já reconheceu a derrota e felicitou Kast. “A democracia falou com força e clareza. Eu acabei de comunicar com o presidente eleito José Antonio Kast para desejar o sucesso do bem do Chile”, disse ela. “A quem nos apoiou, tenham claro que seguiremos trabalhando para avançar em uma melhor vida em nossa pátria”.

Jara foi pessoalmente ao centro de campanha de Kast para felicitá-lo e os dois se reuniram. O conservador pediu respeito aos seus apoiadores quando os mesmos vaiaram ao ouvir o nome da candidata. “O respeito é essencial, porque se não o conquistarmos, a divisão continuará. Ela pode ter uma ideologia diferente, mas é uma pessoa como nós . Ela aceitou um desafio muito difícil e manteve-se fiel ao seu estilo até o fim”.

As pesquisas de intenção de votos já apontavam uma clara vantagem do conservador depois que ele conseguiu reunir os votos dos outros candidatos da direita derrotados no primeiro turno. Ele agradeceu diretamente os dois candidatos. A Kaiser agradeceu “pelo trabalho que realizou e pelo partido que construiu” e Matthei “pelo gesto muito nobre” de apoiá-lo imediatamente.

Kast também agradeceu ao terceiro colocado no primeiro turno, a surpresa Franco Parisi, que não declarou voto a ninguém, mas tinha um eleitorado que tendia mais a Kast. “Você não precisa concordar com todas as ideias, mas pode apresentar algo”, disse o presidente eleito a Parisi.

“Precisamos ser muito claros e precisos. Vamos restaurar o Estado de Direito, vamos restaurar o respeito à lei em todas as regiões, sem exceções, sem privilégios porque são os cidadãos que devemos servir. Os chilenos estão esperançosos em relação ao que vamos fazer”, continuou o presidente eleito.

Teremos um ano difícil, muito difícil, porque as finanças do país não estão em boa situação. E convidamos vocês para uma jornada de recuperação desses valores — valores essenciais para uma vida digna e saudável. Mas isso não será fácil. Exige o comprometimento de todos.

José Antonio Kast, presidente eleito do Chile

O conservador também recebeu as felicitações de Gabriel Boric, com quem falou por telefone. “Quero que ele saiba que, como Presidente da República, estarei sempre disponível para colaborar com o país”, disse o atual mandatário, que também deu um discurso no La Moneda.

Os dois agora iniciam uma transição que durará até 11 de março, quando o presidente eleito toma posse. Além de seus opositores, Kast recebeu os parabéns de futuros aliados internacionais, entre eles o argentino Javier Milei, o secretário de Estado americano Marco Rubio, o paraguaio Santiago Peña, o boliviano recém eleito Rodrigo Paz, entre outros.

Quem é o que pensa Kast

José Antonio Kast é um advogado de 59 anos, católico devoto e pai de nove filhos. Esta foi a terceira vez que ele concorreu ao La Moneda, tendo sido derrotado no passado devido principalmente às suas pautas sobre gênero.

O candidato, então, aprendeu com as derrotas, deixou de lado as chamadas pautas de costumes, agregou mulheres à sua campanha e se tornou mais palatável aos chilenos, especialmente diante de uma adversária do Partido Comunista.

Desta vez, ele concorreu como candidato do Partido Republicano, que ele fundou há cinco anos por considerar a direita tradicional muito branda. Uma das autoras de sua biografia María José Hinojosa descreveu Kast, em entrevista ao Estadão, como um “encantador com devaneios messiânicos” e que se vê como “o salvador do Chile”.

Entre suas principais promessas estão levar o Chile para uma abordagem mais linha-dura contra o crime e deportar cerca de 340 mil imigrantes irregulares, em sua maioria venezuelanos. Ele não detalhou, porém, como cumprirá essas promessas, já que elas requerem muito dinheiro e parceria com os países dos deportados - não é o caso da Venezuela.

O republicano encontrará um Congresso muito amigável para governar a partir de março, quando tomará posse. Seu partido ganhou mais assentos na Câmara e no Senado e poderá contar com os votos dos outros partidos da direita para avançar com sua agenda.

Após votar na comuna de Paine, a 40 km de Santiago, Kast foi ovacionado por uma multidão que gritava “Presidente!”. Ele prometeu um governo de unidade. “Quem vencer, terá que ser presidente de todos os chilenos”, disse à imprensa após votar.

“Vou votar em Kast porque ele me dá mais confiança. O comunismo nunca foi positivo em nenhum lugar do mundo”, disse à AFP José González, um caminhoneiro de 74 anos, enquanto esperava na fila para votar no centro de Santiago.

Kast afirmou repetidamente durante sua campanha que “o país está caindo aos pedaços”. Em suas aparições públicas, atrás de vidros à prova de balas em um dos países mais seguros da região, ele retrata o Chile quase como um Estado falido dominado pelo tráfico de drogas, um país que se afastou do “milagre econômico” que o tornou uma das nações mais bem-sucedidas da América Latina.

“O que importa, mais do que benefícios sociais, são empregos e segurança. Que as pessoas possam sair de casa sem medo e voltar à noite sem pensar que algo lhes acontecerá nas esquinas”, disse à AFP Úrsula Villalobos, dona de casa de 44 anos que votou em Kast.

Segundo uma pesquisa do Ipsos de outubro, 63% dos chilenos afirmam que o crime e a violência são suas maiores preocupações, seguidos pelo baixo crescimento econômico. Especialistas apontam, contudo, que a percepção do medo no Chile é muito maior do que os números reais da criminalidade.

Os homicídios dobraram na última década, embora estejam em declínio há dois anos. Mesmo assim, houve um aumento dos crimes violentos, como sequestro e extorsão, coincidindo com a chegada ao país de gangues venezuelanas, colombianas e peruanas, como o Tren de Aragua, da Venezuela.

O governo de esquerda de Gabriel Boric, ex-líder estudantil que chegou ao poder após os protestos massivos de 2019, não conseguiu reformar a Constituição de Pinochet, o que “minou completamente seu apoio político”, segundo Robert Funk, professor de ciência política da Universidade do Chile.

Kast apoiou a ditadura militar e afirma que, se Pinochet estivesse vivo, votaria nele. Mas, nesta última campanha, evitou discutir esse e outros assuntos que poderiam lhe custar votos, como sua oposição ao aborto em qualquer circunstância.

Investigações jornalísticas revelaram em 2021 que o pai de Kast, nascido na Alemanha, foi membro do Partido Nazista de Adolf Hitler. No entanto, Kast afirma que seu pai foi um recruta forçado do exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial e nega que ele tenha sido um apoiador do movimento nazista.

Desde 2010, a direita e a esquerda se alternam no poder no Chile a cada eleição presidencial. Em 2021, após uma disputa entre Boric e Kast no segundo turno, o Chile teve o seu governo mais de esquerda da história, embora Boric tenha caminhado ao centro após derrotas constantes do governo no Congresso e na Constituinte.

Com a vitória de Kast, “não devemos pensar que ele tem um mandato super forte para fazer o que quiser”, porque muitas pessoas estão votando nele por medo de Jara, estimou Funk. Elas votarão nele principalmente “apesar de seu apoio a Pinochet, não por causa de seu apoio a Pinochet”./Com AFP

Datafolha: Atrás de saúde, segurança supera economia e vira principal problema do país para 16% da população

André Fleury Moraes / FOLHA DE SP

 

 

O percentual de brasileiros que veem na segurança pública principal problema do país chegou a 16%, mostra o mais recente levantamento do instituto Datafolha.

O setor está atrás de saúde, área reconhecida como o maior gargalo nacional para 20% da população, mas à frente da economia –o principal problema para 11% dos entrevistados.

É um cenário que se inverteu na comparação com o último Datafolha, de abril deste ano, quando economia era o principal problema para 22% dos brasileiros e a violência, para 11%. O nível de confiança é de 95%.

Mas não é um patamar inédito: a segurança também era o maior problema do país para a população em setembro de 2023, quando o Datafolha apontou que o setor empatava com saúde, ambos em 17%.

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre os dias 2 e 4 de dezembro de forma presencial em 113 municípios. A margem de erro da amostragem principal é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A violência é mais citada entre os homens —18% deles enxergam-na como o maior problema do país— e a saúde lidera entre as mulheres, com 26%. As respostas são espontâneas e cada pessoa só podia escolher uma opção.

A mudança na percepção, dizem especialistas, acompanha a avaliação de que o Brasil vem se tornando um país mais violento. Segundo eles, relatos de alguém que tenha sido vítima de algum delito são cada vez mais frequentes em círculos de amizade ou ambientes de trabalho.

Mas isso se deve também ao maior debate sobre o tema capitaneado por grandes operações recentes que mostraram o poderio tanto bélico quanto econômico de organizações criminosas.

A começar pela Carbono Oculto, ação deflagrada em agosto em São Paulo que mirou a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) em postos de gasolina e fintechs. O esquema movimentou R$ 52 bilhões de 2020 a 2024, segundo a investigação.

Dela surgiram outros desdobramentos, a exemplo da Operação Spare, no final de setembro, que mirou 267 postos de combustível e revelou a atuação do PCC também no setor de motéis.

Mais tarde, em 28 de outubro, uma megaoperação contra o Comando Vermelho em favelas do Rio de Janeiro reforçou que a organização criminosa possui fuzis, granadas e usam mesmo drones bomba para conter o avanço policial. A operação terminou com 122 mortes, a mais letal da história do país.

São ocorrências que mostraram "uma coisa que não vinha sendo dita: a irradiação do crime organizado pelo país", afirma o coronel reformado da PM de São Paulo e ex-secretário nacional de Segurança Pública José Vicente da Silva Filho, membro do Instituto Brasileiro de Segurança Pública.

"Estava debaixo do tapete. De repente, você puxa o tapete e fala 'caramba, tem o Comando Vermelho, o PCC, eles estão dominando o crime no país'. Isso acabou assustando", afirma Vicente.

Essa percepção gerou reações. No âmbito do Congresso, por exemplo, a Câmara aprovou o projeto de lei Antifacção a partir de relatório que fala numa "sociedade refém do medo, em que o cidadão comum vive encurralado entre o domínio de grupos infratores e a limitação operacional do Estado".

O texto institui o chamado Marco Legal no Combate ao Crime Organizado e cria novos tipos penais com penas que ultrapassam 40 anos. O texto foi aprovado com mudanças pelo Senado e agora retorna à Câmara.

Outras iniciativas fazem frente ao problema da violência no âmbito federal, a exemplo da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, cuja última versão prevê um referendo sobre a redução da maioridade penal.

Mas investidas ocorrem também em níveis locais, com a criação e fortalecimento de guardas municipais e, no caso de São Paulo, com o sistema Smart Sampa —bandeira do prefeito Ricardo Nunes (MDB) que cruza o rosto de pessoas filmadas em locais públicos com banco de dados do Poder Judiciário para identificar foragidos.

Segundo o Anuário Brasileiro do setor, o número de mortes violentas chegou à mínima histórica no Brasil em 2024. Ao mesmo tempo, os registros de feminicídios cresceram 0,7% e tentativas de feminicídio, 19%. O ano passado registrou também o maior número de estupros e estupros de vulnerável da história, com 87.545 vítimas no total.

"Temos queda nos índices de homicídios, por exemplo, mas não nos crimes como violências contra a mulher, sexual ou contra crianças e adolescentes, que vêm aumentando", diz Renato Sérgio de Lima, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (que organiza o Anuário).

Há também a explosão de golpes digitais, que inundaram o país nos últimos anos. Levantamento do Datafolha publicado em agosto em parceria com o Fórum mostra que um em cada três brasileiros sofreu algum tipo de golpe financeiro digital nos últimos 12 meses.

Em números, isso representa 56 milhões de pessoas atingidas e um prejuízo de R$ 111,9 bilhões.

Em 2024 o país teve 2.166.552 casos de estelionato. Isso indica um aumento de 407% na comparação com 2018, quando foram 426.799.

A região em que a violência é mais citada como o principal problema do país é a Sudeste, onde 19% dos moradores têm essa avaliação. A menor está no Sul, com 10%. A região Nordeste, que concentra os estados mais violentos do Brasil, empata com Centro-Oeste/Norte, com 14%.

A segurança está numericamente à frente como o principal problema do país também entre aqueles com mais de 60 anos (21%).

O tema tem menor importância aos mais jovens, de 16 a 24 anos, para os quais saúde (16%) e economia (14%) são os principais problemas do Brasil —para esses, a violência fica em 5%. No recorte por idade, a margem é de seis pontos para público de 16 a 24 anos e de cinco pontos para as outras faixas.

O setor também é o maior problema do Brasil entre aqueles que se consideram bolsonaristas (18%), superando a saúde (17%). Entre os declaradamente petistas a situação se inverte: 24% deles veem na saúde o maior gargalo e 17%, na segurança.

Desempenho

Se a economia é o terceiro maior problema do país para os brasileiros, segundo pesquisa Datafolha, o setor é a área de pior desempenho do governo Lula 3 segundo a maior parte dos entrevistados: 14% pensam dessa forma. Segurança e saúde aparecem empatados, com 12%, seguidos por educação (7%) e corrupção (3%).

São pontos ainda sensíveis ao governo federal —especialmente no caso da segurança, tema historicamente visto como um calcanhar de aquiles de governos de esquerda no Brasil. "Estão completamente perdidos", diz Vicente.

Some-se a isso declarações do presidente e de seus aliados que reverberaram mal. O ministro Ricardo Lewandowski já disse, por exemplo, que "a polícia prende mal e o Judiciário é obrigado a soltar" —ele alega que a frase foi retirada de contexto.

Lula, enquanto isso, se retratou após afirmar que traficantes são vítimas de usuários.

A avaliação de que a economia é a pior área do governo é maior entre jovens e adultos até 44 anos, faixa etária a partir da qual os percentuais caem a números abaixo de 10%.

Com a segurança é o contrário: aumenta de 7% da primeira faixa etária para 14% na última —num empate dentro da margem de erro para 16 anos, de seis pontos percentuais para mais ou para menos.

Neste caso, eleitores declarados de Lula e de Bolsonaro em 2022 empatam tecnicamente quando dizem que a segurança é a pior área da gestão petista: são 14% e 12%, considerando uma margem de erro de três pontos entre quem votou em Lula e de quatro entre quem votou em Bolsonaro.

A educação é avaliada como a área de melhor desempenho, vista assim por 10% dos brasileiros. Em seguida vem o combate à desigualdade social (8%), saúde (6%) e economia (5%). Além disso, 28% consideram que o governo não vai bem em nenhuma área, e 2% dizem que ele vai bem em todas.

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