Eunício cobra lealdade para 2026 e reafirma candidatura: 'Se quiser ser candidato a senador, serei'
O pré-candidato ao Senado Federal, deputado federal Eunício Oliveira (MDB), disse que espera lealdade de quem for anunciado como seu parceiro ou parceira para a chapa eleitoral de 2026. O presidente estadual do MDB também declarou o desejo de que o cenário de 2018, onde afirma ter sido "traído" e atuado como um "candidato solteiro", não se repita.
A declaração foi feita nesta quinta-feira (7), durante entrevista à live do PontoPoder.
Eunício relembrou a situação vivida nas eleições ao Senado em 2018, quando não conseguiu se reeleger para um novo mandato na Casa. "Tiraram a eleição [de 2018] e tiraram a presidência do Congresso Nacional das mãos, novamente, de um cearense", declarou.
Para 2026, o deputado afirmou que pretende seguir adiante com a candidatura ao novo pleito e tentar conquistar uma das duas cadeiras em disputa:
Como as eleições de 2026 irão renovar dois terços do senadores, o grupo político deverá ter mais um candidato participando dessa corrida eleitoral. Apesar de não dar indícios de quem poderá ser anunciado para a segunda vaga, Eunício reforçou o desejo por uma parceria composta de lealdade, em contraste com 2018.
"A única coisa que eu quero é que meu parceiro ou minha parceira de chapa nesse grupo político que a gente pertence seja uma pessoa que possa ser igualzinha ao que eu serei: leal. [...] A única coisa que eu quero é que o escolhido ou escolhida me trate como eu vou tratá-lo, com lealdade e com correção", concluiu.
O candidato laranja
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
A confirmação da chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) à reeleição expôs, sem qualquer disfarce, uma malandragem política que avilta os interesses federativos de São Paulo. A escolha do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) como primeiro suplente de André do Prado (PL), atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e pré-candidato ao Senado, é uma manobra nada sutil com o objetivo de fazer da suplência um atalho para que Eduardo volte a assumir um mandato eletivo – a despeito de sua cassação por faltas e sua condição de réu perante o Supremo Tribunal Federal por coação e obstrução da Justiça, no contexto da cruzada lesa-pátria que o indigitado encampou desde os EUA.
Ora, não é preciso grande esforço intelectual para compreender a artimanha. André do Prado é um político obscuro, sem grande experiência em eleições majoritárias, tendo sido apenas prefeito de sua cidade natal, Guararema (SP). Por conta própria, o sr. Do Prado jamais demonstrou densidade eleitoral compatível com uma disputa da envergadura da eleição para o Senado por São Paulo. Sua súbita ascensão à condição de pré-candidato a um assento na Casa não decorre de seu capital político autônomo, mas de sua utilidade circunstancial: o presidente da Alesp não é mais do que uma espécie de candidato laranja a serviço do clã Bolsonaro, com entusiasmado apoio do presidente de seu partido, Valdemar Costa Neto.
O próprio governador paulista tratou de eliminar qualquer dúvida sobre o arranjo ao admitir que André do Prado “acertou” sua pré-candidatura ao Senado com Eduardo nos EUA. Este, por sua vez, teria “aberto mão” de disputar a vaga, ainda segundo Tarcísio. Ou seja, a formação da chapa não é resultante de uma escolha partidária orgânica, tampouco de uma construção política baseada em mérito, histórico de realizações em prol de São Paulo ou representatividade eleitoral. É uma reles concessão de espaço para contornar impedimentos jurídicos e políticos evidentes que recaem sobre Eduardo Bolsonaro, o grande beneficiário do eventual sucesso desse estratagema.
Por ter sido cassado por faltas, ser réu em ação penal e residir no exterior para escapar do alcance da Justiça brasileira, Eduardo Bolsonaro não tem condições morais e objetivas para sequer pleitear uma vaga para disputar o Senado por São Paulo, seja como titular, seja como suplente. É espantoso que um desqualificado como ele esteja no centro de uma articulação política que envolve nada menos do que as duas maiores autoridades políticas do Estado, o governador e o presidente da Alesp.
Na hipótese de que André do Prado venha a ser eleito para o Senado com o aval do clã Bolsonaro, não é desarrazoado supor que ele seja docemente constrangido a aceitar um cargo no Executivo estadual, caso Tarcísio seja reeleito, ou federal, caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição para a Presidência da República. Assim, estaria aberto o caminho para a posse de Eduardo Bolsonaro – que por ora não está inelegível – como senador.
A suplência, nesse contexto, deixaria de ser um mecanismo de contingência republicana para se converter em instrumento de fraude à moralidade pública e à vontade do eleitorado paulista, que terá votado em um candidato que pode não exercer o mandato para o qual foi eleito. São Paulo não merece ser vítima desse expediente barato. Ademais, a banalização da suplência como meio de manipulação do exercício do mandato degradará ainda mais a já fragilizada representação paulista na Câmara Alta.
Chamar as coisas pelo nome é um imperativo para este jornal desde sempre. Tal como se desenha, a pré-candidatura de André do Prado não passa de uma tentativa de burla eleitoral cuja função primordial é viabilizar a ascensão de outro indivíduo, contornando obstáculos que, em qualquer democracia funcional, deveriam ser intransponíveis.
É lamentável que o governador de São Paulo tenha endossado esse arranjo, sabe-se lá por que razões. Caso prevaleça, a manobra não apenas comprometerá a qualidade da representação paulista no Senado, como estabelecerá um precedente perigoso.
TSE mantém quebra de sigilo da prefeita de Cascavel em ação que envolve Bebeto Queiroz
O Ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou seguimento, no início deste mês, a um pedido de liminar que tentava suspender uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra a prefeita do Município de Cascavel, Ana Afif Queiroz (PSB), e seu vice, Rogério do Zé de Lima. A decisão mantém a autorização para quebra do sigilo bancário dos gestores em um suposto esquema de compra de apoio político durante as Eleições 2024.
A investigação apura abuso de poder econômico e compra de votos em mais um processo judicial que envolve o prefeito cassado de Choró, Bebeto Queiroz, que está foragido da Justiça.
De acordo com a ação, à qual a coluna teve acesso, o esquema envolve financiamento externo de Bebeto Queiroz, que teria, supostamente, utilizado recursos para promover a "mudança repentina de posicionamento de lideranças locais" e candidatos a vereador em Cascavel durante a campanha eleitoral.
A denúncia, apresentada por Cleiton Pereira da Silva, o 'Professor Cleiton' (então candidato a prefeito pelo PT), alega que Bebeto Queiroz teria atuado por intermédio de Gerardo Pompeu Ribeiro Neto, que funcionaria como o elo para a distribuição dos recursos e o alinhamento político-ideológico dos novos aliados. A defesa deles nega as acusações.
A polêmica das provas e a "fonte independente"
O centro da disputa reside em uma gravação clandestina realizada em ambiente privado, que foi declarada ilícita pelo juízo da 7ª Zona Eleitoral do Município. A defesa de Gerardo Pompeu, que recorreu ao TSE, argumentou que a quebra de sigilo e as oitivas de testemunhas seriam provas “contaminadas “pela gravação ilegal.
No entanto, o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) e o Ministro Floriano de Azevedo Marques entenderam que a investigação possui outros indícios, independentemente da gravação, como movimentações financeiras atípicas detectadas.
Decisão do TSE
Com a negativa do recurso no TSE, a quebra de sigilo e a instrução processual, que inclui acareações entre testemunhas, prosseguem normalmente na 7ª Zona Eleitoral para elucidar a dinâmica da arrecadação e aplicação de recursos na campanha eleitoral.
Além da prefeita, do vice e de Bebeto Queiroz, o vereador eleito Flávio Guilherme Freire Nojosa também figura como investigado no processo.
A defesa dos réus nega as acusações e, no processo, sustenta que as alegações são frutos da gravação ilegal já reconhecida pela Justiça Eleitoral.

Inteligência artificial provoca terremoto em campanhas eleitorais de 2026
Patrícia Campos Mello / FOLHA DE SP
O uso de inteligência artificial já provoca um terremoto nas campanhas eleitorais deste ano.
Com ferramentas de IA, equipes mandam mensagens cada vez mais segmentadas, marqueteiros substituem pesquisas qualitativas por "eleitores sintéticos" para testar a eficácia, vídeos e publicações na internet que levavam um dia e meio para ficarem prontos são finalizados em poucas horas.
Ao mesmo tempo, as campanhas pisam em ovos por causa da resolução do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que restringe a utilização de IA. Está claro para elas que deepfakes eleitorais (vídeos e áudios não autorizados que emulam candidatos ou outras figuras públicas) estão proibidos. Mas existem dúvidas sobre a legalidade de certos recursos.
A Folha conversou com integrantes das equipes de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidatos à Presidência, de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), pré-candidatos ao Governo de São Paulo, e de deputados federais e estaduais. Alguns pediram para não se identificar, afirmando serem informações estratégicas.
Todas as campanhas ressaltam, porém, que é importante ter humanos no relacionamento direto com eleitores, porque as pessoas não gostam de interagir com robôs.
Uma campanha quis avaliar qual foi a repercussão do embate entre Romeu Zema, pré-candidato do Novo à Presidência, com o STF (Supremo Tribunal Federal). Em cinco segundos, conseguiu mapear nas redes sociais potenciais detratores e apoiadores, as teses-chave e ter sugestões de resposta.
Todas as principais pré-candidaturas têm IAs treinadas com discursos, reportagens, entrevistas e materiais do candidato e rivais.
"A IA vai ‘aprendendo’ o tom do discurso do candidato, suas expressões, como ele se posiciona em relação a temas", diz Nara Alves, sócia-diretora da Ela Marketing Político, que trabalha para candidatos de vários partidos.
Isso é usado para os briefings (a descrição do que se espera de cada peça de propaganda política) e para os roteiros, determinando o que seria adequado para falar em determinada cidade. Eles também conseguem ter versões do candidato mais irônico, sério ou agressivo –e depois testam o que funciona melhor usando software de "social listening", que mede reações nas redes sociais.
"A IA vem revolucionando cada processo das campanhas, da criação de conteúdo à segmentação de mensagens e mobilização de apoiadores", diz Bruno Bernardes, sócio da PLTK, agência do marqueteiro Pablo Nobel, responsável pela campanha de Tarcísio.
Os deepfakes, que estão proibidos por resolução de TSE desde 2024, são criticados por todos os marqueteiros.
Segundo Bernardes, a última eleição presidencial argentina mostrou o perigo. Vídeos falsos usando deepfake com a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher contestando Javier Milei e com o candidato peronista Sergio Massa cheirando cocaína viralizaram a duas semanas do segundo turno em 2023.
As contas produzindo e disseminando esses conteúdos não são diretamente ligadas aos candidatos.
Para o advogado eleitoral Hélio Silveira, esse deve ser um dos principais problemas da eleição.
Silveira, que trabalhou na campanha da deputada Tabata Amaral (PSB) à Prefeitura de São Paulo em 2024 e na de Fernando Haddad (PT) ao governo em 2022, espera um uso massivo de contas falsas para distribuir mensagens atacando candidatos, muitas delas com IA.
Apesar de os deepfakes serem a faceta mais visível do uso eleitoral de IA, é nos bastidores que a tecnologia vem fazendo transformações radicais. Para além da segmentação, a criação do conteúdo ganhou muita agilidade.
Um vídeo de Ronaldo Caiado abre com uma imagem de IA de uma bandeira do Brasil tomando tiros e começa a sangrar como se fosse carne humana.
"O Brasil assiste indignado, assustado e impotente à morte de milhares de filhos seus, vítimas da criminalidade", diz o pré-candidato no vídeo.
Segundo o marqueteiro de Caiado, Paulo Vasconcelos, sem IA, levaria quatro dias para fazer a peça. Com IA, demorou algumas horas.
Os locutores dos vídeos foram 100% substituídos por IA, assim como a geração de imagens de apoio.
Conteúdo manipulado
Durante a campanha, segundo a resolução do TSE, será preciso informar que o conteúdo foi manipulado. Além disso, no período entre as 72 horas que antecedem e as 24 horas que sucedem o término do pleito serão proibidos conteúdos alterados por IA que usem imagem ou voz de candidato ou pessoa pública, mesmo que rotulados.
Algumas campanhas estão recorrendo a chatbots para poupar gastos com pesquisas qualitativas, em que grupos de leitores opinam de forma mais aprofundada sobre temas.
O "eleitor sintético" da SVA Solutions–Galaxies cria, usando dados de grupos reais de eleitores, perfis que reúnem características de determinados segmentos. Por exemplo, "viúvas do PSDB", pessoas de centro-direita que costumavam votar nos tucanos e rejeitam Bolsonaro ou esquerdistas frustrados com o PT.
Esses perfis servem para testar mensagens ou mesmo gerenciar crises. "Quando temos pouca verba para fazer uma pesquisa ampla e entender como lidar com determinada questão do candidato, é uma opção", diz Andrés Benedykt, marqueteiro do candidato a deputado federal José Dirceu (PT).
Uma pesquisa qualitativa bem feita com mil entrevistados pode sair R$ 150 mil. O eleitor sintético custa R$ 65 mil por mês e pode ser acionado a qualquer momento.
Algumas ferramentas ainda suscitam dúvida nos departamentos jurídicos. A customização de mensagens usando IA, com a adaptação de vídeo ou áudio de candidatos para chamar eleitores pelo nome ou mencionar suas cidades de origem, ainda é zona cinzenta.
Alguns advogados dizem acreditar que, desde que haja aviso de uso de IA, seja autorizado pelo candidato e não se trate de propaganda negativa, não há problema.
Outros acham que se trata de deepfake. Só seria possível usar IA para melhorar qualidade do áudio e vídeo. A resolução do TSE veda o uso "para prejudicar ou para favorecer candidatura" de conteúdo sintético em formato de áudio ou vídeo para criar, substituir ou alterar imagem ou voz de uma pessoa.
De qualquer maneira, muitos marqueteiros advertem que certos usos de IA podem sair pela culatra. "Acho arriscado fazer customização com áudio, qualquer estranhamento pode acabar gerando rejeição no eleitor", diz o marqueteiro Felipe Pimentel.
Ser anti-Lula não basta
A entrevista do pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) ao Estadão expõe um problema das candidaturas de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-governador de Goiás investe em temas com suposto apelo eleitoral entre eleitores conservadores, como a aversão ao PT, a promessa de anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro, a segurança pública e a crise de credibilidade do Supremo Tribunal Federal, mas parece ainda incapaz de oferecer uma agenda de transformação do Brasil. Em favor do sr. Caiado, é preciso dizer que ele não é o único.
O diagnóstico é conhecido. O País convive há décadas com baixo crescimento, perda relativa de renda e um modelo de gasto público que engessa investimentos e limita a capacidade de reação da economia. Não se trata de identificar o problema, trata-se de dizer o que fazer com ele. A direita chega à eleição com nomes competitivos e base eleitoral relevante, mas ainda sem responder à questão essencial: como libertar o Brasil do populismo perdulário e do arcaísmo estatal. Ser anti-Lula não constitui, por si só, uma proposta de país.
O principal candidato desse campo, Flávio Bolsonaro (PL), é o antípoda de Lula em nome do pai, mas evita assumir compromissos concretos com uma agenda econômica que de fato represente uma ruptura com a atual letargia. Pelo contrário: assim que começaram a circular informações segundo as quais Flávio Bolsonaro prometeria um forte ajuste, o candidato tratou de chamá-las de “fake news”.
Esse descompasso compromete a credibilidade de uma candidatura de oposição. Ajuste fiscal não é um detalhe técnico, mas o núcleo de qualquer estratégia econômica consistente. Evitar discuti-lo na campanha para convencer o eleitorado de sua necessidade urgente equivale a admitir que não há disposição para enfrentar o principal obstáculo ao crescimento do País. A consequência é clara: a candidatura deixa de se apresentar como alternativa.
A experiência recente reforça esse diagnóstico. O governo do ex-presidente Jair Bolsonaro chegou ao poder com promessas de mudanças radicais, ancoradas na agenda liberal. Falou-se em reduzir o tamanho do Estado, promover ampla agenda de privatizações e reorganizar as contas públicas. Pouco disso se materializou. Ao contrário: registraram-se expansão de gastos, flexibilização de regras fiscais e medidas orientadas pelo calendário eleitoral.
O caso do Bolsa Família, rebatizado de Auxílio Brasil, é ilustrativo. O benefício foi ampliado muito além do desenho inicial, multiplicando custos e consolidando expansão de gastos sem planejamento. Tratava-se de uma medida necessária no contexto da pandemia, mas sua condução revelou o descolamento entre o discurso de disciplina fiscal e a prática política.
Nem mesmo a agenda liberal anunciada resistiu. O próprio Paulo Guedes, então ministro da Economia, admitiu na época que precisou recalibrar suas expectativas diante da baixa aderência política às reformas, que Bolsonaro jamais apoiou. A promessa de transformação ficou pelo caminho.
Esse histórico impõe uma exigência adicional às candidaturas atuais. Não basta prometer responsabilidade fiscal. É preciso demonstrar disposição real de implementá-la – e isso começa pela clareza e pela coragem de encampar essa agenda vital para o Brasil. Evitar o debate sobre medidas estruturais pode ser uma estratégia eleitoral no curto prazo, mas compromete a consistência da candidatura.
Outros nomes da direita ensaiam movimentos e ocupam espaço no debate, mas ainda operam sob a mesma limitação. O resultado é um campo que se organiza em torno da rejeição a um governo, mas não em torno de um projeto. A eleição presidencial não pode se limitar a essa lógica. Vencer uma eleição apenas para substituir um adversário amplamente rejeitado, sem oferecer um caminho distinto, é insuficiente. O País não precisa apenas trocar de governo. Precisa definir um novo rumo.

