Busque abaixo o que você precisa!

Após desajustes, oposição na Alece quer volta de 'cafés', reforça apoio a Ciro e aguarda PL e União

Escrito por Marcos Moreira / DIARIONORDESTE
 

Entre desencontros e expectativas, a oposição da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) entra no ano eleitoral na tentativa de resolver pendências para o almejado palanque único da oposição. O grupo terminou 2025 em crise após o rompimento do PL Ceará com Ciro Gomes (PSDB), mas busca reforçar o apoio ao ex-ministro e retomar os encontros semanais.

Conforme deputados ouvidos pelo PontoPoder, o campo oposicionista também aguarda as definições da sigla bolsonarista e do União Brasil. Enquanto o PL vive incertezas diante da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que ecoam a nível estadual, o último ainda formaliza um processo de Federação com o PP e passa por uma disputa interna, acerca do apoio ao governador Elmano de Freitas (PT), entre nomes ligados ao Palácio da Abolição e opositores declarados.

É nesse cenário de nova ruptura que os encontros semanais da ala opositora da Assembleia Legislativa devem ganhar centralidade em 2026. Por meio do chamado “Café da Oposição”, o grupo tem debatido as estratégias para a Casa e o pleito eleitoral, recebendo políticos aliados.

O grupo já articula o primeiro “Café” do ano para 3 de fevereiro, data programada para a 1ª sessão ordinária de 2026, na terça-feira, logo após o fim do recesso parlamentar. A perspectiva é contar com as presenças de Ciro Gomes (PSDB), Capitão Wagner (União) e Roberto Cláudio (União).

No entanto, a participação do deputado federal André Fernandes (PL) não é esperada no primeiro momento. A partir da pausa anunciada pelo PL, interlocutores avaliam que o parlamentar só deve retornar aos encontros após uma nova deliberação nacional, tendo em vista o peso de ser o presidente estadual da sigla. 

Ao mesmo tempo, conversas internas dão conta de que André segue em conversas constantes com o grupo, inclusive com o próprio Ciro, mas a retomada das articulações publicamente ainda deve demandar um tempo. O grupo defende que houve uma “pausa” na construção entre o PL e o ex-ministro, não uma ruptura.

MESA DE NEGOCIAÇÃO

Mesmo diante de outras crises no ano passado, o “Café da Oposição” têm conseguido reunir, de forma regular, os deputados do PL, do PSDB e das alas do PDT e do União que se opõem ao Governo Elmano de Freitas (PT), independentemente de crises e de outras deliberações dos diretórios.

No episódio mais recente, o PL anunciou a suspensão das negociações de apoio a Ciro na disputa pelo Governo do Ceará, em dezembro de 2025. O caso acabou expondo a resistência interna ao nome do tucano. 

A crise envolveu, ainda, as desavenças públicas entre André Fernandes e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A esposa do ex-presidente tem defendido o apoio ao nome de Eduardo Girão (Novo) para representar a direita na disputa, enquanto o parlamentar costurava aliança com Ciro. 

Líder do PL na Casa, a deputada Dra. Silvana (PL) ressalta que as negociações do grupo opositor seguem da mesma forma em 2026, mas a deliberação nacional só deve ser confirmada após o período de janela partidária, entre março e abril.

“O PL quer apoiar o candidato que vai ganhar. E o candidato que vai ganhar é o Ciro”, defende a parlamentar, ao afirmar que André será o responsável pelas articulações no Estado. 

A posição é reforçada pelo esposo da política, o deputado federal Dr. Jaziel (PL). Para o parlamentar, mesmo diante da suspensão anunciada pela legenda, os nomes da ala opositora seguem trabalhando com a perspectiva de ter Ciro como o nome mais competitivo para a corrida eleitoral.  

“O que está alinhavado é que será o Ciro mesmo, mas falta realmente a ordem de lá, do comando nacional. Mas o André está alinhado nessa perspectiva, nós todos, nessa perspectiva. A menos que surja um fato que desagregue. A gente está aqui pedindo a Deus para o Ciro estar dentro dessa trilha, se conter. Aí ajuda muito a nós todos”
Dr. Jaziel
Deputado federal pelo PL

O PAPEL DO GRUPO DA ALECE

A própria Assembleia Legislativa foi o palco do que foi considerado o primeiro movimento mais explícito de aproximação de Ciro com diferentes alas da oposição. Em um encontro de maio de 2025, o ex-ministro foi tratado como potencial candidato ao Governo do Ceará e anunciou apoio à pré-candidatura de Alcides Fernandes (PL), pai do André, ao Senado.

As conversas motivaram a construção de uma estratégia de frente ampla para o pleito eleitoral de 2026. Contudo, ao longo de 2025, embates públicos entre lideranças acabaram expondo limitações na articulação. 

Foi o caso de julho, quando críticas de Ciro Gomes ao ex-presidente Jair Bolsonaro fizeram André Fernandes recuar das tratativas e dizer que o PL lançaria candidato próprio. A crise foi contornada a partir da atuação de interlocutores, que costuraram uma aproximação que parecia sólida até dezembro. 

Agora, o grupo de oposição da Assembleia tem a missão de, mais uma vez, aparar arestas e colocar todos os nomes contrários ao Governo Elmano na mesa de negociação. É nesse ponto que as conversas devem ganhar força dentro do “Café da Oposição” da Alece.

ARTICULAÇÕES PELA SAÍDA DO PDT

A oposição da Alece também vive a expectativa dos rumos partidários dos deputados Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho. Ambos os parlamentares fazem parte da bancada do PDT na Assembleia, integram o grupo e devem deixar a legenda na janela partidária.

O União Brasil e o PL são apontados como destinos partidários do quarteto, mas as negociações seguem em andamento até a janela partidária. Com a chegada de Ciro, o PSDB também passa a constar nessa equação.

"Nós vamos procurar um partido, dentro do União Brasil ou do PSDB para que a gente possa fazer a nossa filiação. Não só minha, como do grupo também, e alguns poderão ir também para o PL, dentro desse arco de aliança que está sendo montada na união das oposições no Ceará”, indicou Cláudio Pinho. 

Por sua vez, Antônio Henrique minimiza os efeitos da decisão anunciada pelo PL para os rumos do grupo. “Se tiver a suspensão para valer, mesmo assim não é uma suspensão que vai levar o PL para o PT, nem nós vamos para o PT. Então, continua sendo oposição, o ‘café’ é da oposição ao governo, não é da oposição entre nós”, salienta.

INDEFINIÇÕES NO UNIÃO BRASIL

A Federação entre União e Progressistas foi anunciada no ano passado, mas ainda aguarda definições a nível nacional e estadual. No Ceará, lados opostos disputam o comando do arranjo partidário, entre aliados de Elmano, como os deputados Moses Rodrigues (União) e Fernanda Pessoa (União), e opositores declarados, a exemplo de Capitão Wagner (União) e Roberto Cláudio (União).

Membro da oposição, o deputado Felipe Mota (União) entende que muitas definições do grupo ainda dependem das deliberações nacionais. Isso, avalia o parlamentar, só deve ser fechado nos períodos voltados para filiações e coligações partidárias 

“Nós estamos mais juntos do que nunca, mas todos nós estamos esperando a questão nacional, que não depende da gente. Não depende, depende mais dos deputados federais essa definição que não é conosco. E aí nós estamos amarrados. Então, não vou dizer para você que estou confortável com isso, porque não estou. Eu queria estar voando nisso aí já, com o PL votando no Ciro, com o PSDB, com União Progressista, mas nada disso foi definido. Nem mesmo o meu partido foi definido”
Felipe Mota
Deputado estadual pelo União Brasil

A ‘RECONSTRUÇÃO’ DO PSDB

Por outra via, como mostrou o PontoPoderCiro Gomes tem intensificado a agenda como presidente do PSDB Ceará. Desde a última semana, o dirigente tucano vem recebendo deputados, lideranças e outros políticos do interior na sede do partido em Fortaleza, com o tom de “cada vez mais candidato”, como indicam aliados nos bastidores. 

O ex-ministro retornou ao PSDB em outubro do ano passado, assumindo o comando do partido em novembro. Além dele, a legenda filiou o ex-prefeito José Sarto para presidir o PSDB Fortaleza. 

Em contato com a reportagem, Sarto avalia que a suspensão anunciada pelo PL foi algo pontual e não muda as articulações desenvolvidas ao longo do ano passado.

“O Roberto (Cláudio) está cuidando, no União Brasil, junto com o Wagner, de tentar fazer, consolidar essa aliança, ainda está longe, mas existe aí um sentimento comum. Nós temos muitas divergências, todo mundo sabe disso, mas o Roberto está fazendo essa ponte com União Brasil e o PL. Temos tido reuniões de discussão de temas, da importância de uma união pelo Ceará mesmo”
José Sarto
Presidente do PSDB Fortaleza e ex-prefeito da Capital

Além disso, Sarto reconhece o peso do comando estadual nas definições. “As questões regionais estão sendo direcionadas para as lideranças regionais. Por exemplo, aqui no Ceará, já foi dito pelo PL que a liderança regional que deve fazer essa intervenção é o deputado André Fernandes”, pontua.

Café da Oposição Alece

Eleições 2026: configuração da Alece no ano eleitoral tem volta de secretários e trocas partidárias

Escrito por  Marcos Moreira / DIARIONORDESTE
 

A configuração da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) deve passar por mudanças no último ano do atual mandato dos deputados estaduais, visando as eleições gerais de 2026. As novidades englobam o retorno de parlamentares licenciados para o secretariado do Governo Elmano de Freitas (PT) e trocas nos quadros dos partidos para o pleito.

Além da agenda própria do Executivo e da base governista no Parlamento, a Alece entra na reta final da presidência do deputado estadual Romeu Aldigueri (PSB). Eleito para o biênio 2025-2026 em dezembro de 2024, o parlamentar já anunciou a pré-candidatura para a Câmara dos Deputados. 

Por outro lado, a Casa tem sido ponto de encontro semanal das articulações da ala opositora a Elmano visando um palanque único em 2026, por meio do “Café da Oposição”. O espaço deve ganhar mais protagonismo no ano eleitoral, tendo em vista que o grupo vive uma nova crise, após o PL Ceará suspender as negociações em torno da possível candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado.

Já as novidades voltadas para o pleito não devem ser observadas de imediato no retorno dos trabalhos no Plenário 13 de Maio — a 1ª sessão ordinária de 2026 está programada para 3 de fevereiro, data da primeira terça-feira após o fim do recesso parlamentar. Isso, porque as principais atualizações estão diretamente ligadas aos prazos da Justiça Eleitoral

De antemão, as trocas nas legendas passam pela janela partidária. De 6 de março a 5 de abril de 2026, deputados podem mudar de partido político sem correr o risco de perder o mandato por infidelidade. O período é considerado central na definição da composição das siglas para a disputa eleitoral.

Outro aspecto que mexe com o Parlamento estadual é o prazo para a chamada desincompatibilização. Até 4 de abril de 2026, os postulantes devem se afastar de cargos na administração pública para estarem aptos a disputar as eleições. É o caso dos secretários do Executivo que são deputados licenciados. 

1º vice-presidente da Assembleia, o deputado Danniel Oliveira (MDB) avalia que as mudanças são naturais dentro do Parlamento, principalmente visando o pleito eleitoral, mas o papel do Legislativo deve ser a prioridade. "Embora talvez 90% ou mais estejam correndo atrás de um novo mandato, a gente não pode esquecer que nós temos uma obrigação de que nós precisamos cumprir”, pontuou. 

“Nossa expectativa também é de que se definam os nomes para a eleição do ano que vem, até porque facilita a vida de todo mundo, e que a gente possa aprovar projetos importantes que possam ajudar o Estado do Ceará nessa alavancagem que vem acontecendo nesses últimos anos”
Danniel Oliveira
1º vice-presidente da Alece

MIGRAÇÃO ENTRE PARTIDOS

O período de janela partidária deve concretizar mudanças na configuração do Parlamento estadual, com legendas que podem ter a bancada até mesmo esvaziada, como é o caso do PDT. Atualmente, a sigla tem quatro deputados estaduais: Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho. 

Contudo, o quarteto sinalizou a saída do partido para março deste ano. Enquanto Antônio e Lucinildo já confirmaram a ideia de migrar para o PL, Cláudio e Queiroz ainda alinham se seguirão os passos do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ou do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (União), todos ex-filiados ao PDT.

Líder do PDT na Alece, Cláudio Pinho afirma já ter sinalizado ao diretório que fica “desconfortável” a permanência na legenda, tendo em vista a posição em relação ao Governo.

"Nós vamos procurar um partido, dentro do União Brasil ou do PSDB para que a gente possa fazer a nossa filiação. Não só minha, como do grupo também, e alguns poderão ir também para o PL, dentro desse arco de aliança que está sendo montada na união das oposições no Ceará”, indicou o deputado. 

Partido com o maior número de deputados estaduais eleitos em 2022 — 13 ao todo —, o PDT já tinha sofrido a primeira debandada com rompimento do senador Cid Gomes (PSB), a partir do pleito eleitoral daquele ano. O racha se deu em meio às divergências entre aliados da então governadora Izolda Cela (à época, PDT) e do ex-prefeito Roberto Cláudio (então PDT) sobre o nome a ser lançado para disputar o Governo do Ceará pelo grupo. 

O episódio fez Cid e aliados migrarem para o PSB em 2023, uma equação que envolveu também a saída de 11 deputados estaduais do PDT — entre titulares e suplentes. Foram eles:

  1. Evandro Leitão (PT) - Atual prefeito de Fortaleza.
  2. Sérgio Aguiar (PSB)
  3. Romeu Aldigueri (PSB)
  4. Osmar Baquit (PSB)
  5. Guilherme Landim (PSB)
  6. Marcos Sobreira (PSB)
  7. Jeová Mota (PSB)
  8. Lia Gomes (PSB)
  9. Oriel Filho (PT)
  10. Salmito (PSB)
  11. Bruno Pedrosa (PT)

Em paralelo, a legenda tenta empreender um novo momento na disputa eleitoral de 2026, sob a liderança do presidente estadual, o deputado federal André Figueiredo (PDT), e de outros remanescentes. Atualmente, o PDT comanda cinco prefeituras e tem quatro deputados federais.

Outra mudança na configuração da Assembleia Legislativa envolve o deputado estadual Leonardo Pinheiro (PP). O parlamentar anunciou a saída da atual legenda, que ainda formaliza um processo nacional de Federação com o União Brasil, e a ida para o PT em fevereiro de 2025. A migração aguarda a janela partidária para ser concretizada.

As indefinições da Federação entre União e PP também devem mexer com a configuração da Alece, já que outras saídas podem acontecer, como sinalizam lideranças nos bastidores.

O arranjo partidário vive uma disputa interna acerca do apoio a Elmano entre nomes ligados ao Palácio da Abolição, como os deputados Moses Rodrigues (União) e Fernanda Pessoa (União), e opositores declarados, a exemplo de Capitão Wagner (União) e Roberto Cláudio (União). Simultaneamente, o PP compõe a base governista e ainda aguarda essas definições para os encaminhamentos eleitorais.

RETORNO DE TITULARES

Fotos dos deputados estaduais Fernando Santana (PT), Lia Gomes (PSB),Moisés Braz (PT), Oriel Filho (PT), Osmar Baquit (PSB) e Zezinho Albuquerque (PP) durante discurso na tribuna do Plenário 13 de Maio da Alece.
Legenda: Fernando Santana (PT), Lia Gomes (PSB),Moisés Braz (PT), Oriel Filho (PT), Osmar Baquit (PSB) e Zezinho Albuquerque (PP) devem voltar aos mandatos de deputados estaduais em abril de 2026.
Foto: Júnior Pio/Alece | Dário Gabriel/Alece.

O período de desincompatibilização provocará uma dança de cadeiras na Assembleia Legislativa. Seis deputados licenciados devem se afastar dos cargos na administração pública e ficar disponíveis para os seus partidos, tendo em vista o prazo eleitoral. São eles:

  1. Fernando Santana (PT) – Secretário de Recursos Hídricos;
  2. Lia Gomes (PSB) – Secretária das Mulheres;
  3. Moisés Braz (PT) – Secretário do Desenvolvimento Agrário;
  4. Oriel Filho (PT) – Secretário da Pesca e Aquicultura;
  5. Osmar Baquit (PSB) – Coordenador especial de Apoio à Governança das Regionais de Fortaleza (CEGOR);
  6. Zezinho Albuquerque (PP) – Secretário das Cidades.

Oriel, Moisés e Zezinho tomaram posse, mas não chegaram a exercer o cargo de deputado na atual legislatura, já que viraram secretários logo no início da gestão de Elmano, em janeiro de 2023. A situação foi diferente para Lia, Fernando e Osmar. O trio só se afastou do Parlamento no primeiro semestre de 2025.

Consequentemente, o retorno do grupo ocasiona a saída dos seus respectivos suplentes: Guilherme Sampaio (PT); Antônio Granja (PSB); Nizo Costa (PT); Guilherme Bismarck (PSB); TIn Gomes (PSB); e Almir Bié (PP). 

Fotos dos deputados estaduais Almir Bié (PP), Antônio Granja (PSB), Guilherme Bismarck (PSB), Guilherme Sampaio (PT), Nizo Costa (PT) e Tin Gomes (PSB) durante discurso na tribuna do Plenário 13 de Maio da Alece.
Legenda: Suplentes Almir Bié (PP), Antônio Granja (PSB), Guilherme Bismarck (PSB), Guilherme Sampaio (PT), Nizo Costa (PT) e Tin Gomes (PSB) podem deixar a Alece em abril de 2026.
Foto: Júnior Pio/Alece | José Leomar/Alece | Marcos Moura/Alece | Máximo Moura/Alece.

No entanto, novos rodízios partidários entre titulares e suplentes podem manter ou trazer nomes para a Casa, principalmente como forma de dar visibilidade aos políticos no ano eleitoral.  

O caso mais expressivo entre as trocas envolve Guilherme Sampaio, atual líder do Governo Elmano de Freitas na Alece. Antes da ida de Fernando Santana para a Pasta do Executivo, foi necessário um rodízio de licenças entre os titulares para deixá-lo em exercício.

Agora, com a desincompatibilização de Santana, será preciso uma nova rodada de trocas para garantir a presença da liderança do Executivo na Casa. Foi o que sinalizou o próprio Guilherme Sampaio, em retorno ao PontoPoder

“Quando se aproximar o retorno dos titulares, trataremos com a bancada sobre como ocorrerão eventuais rodízios em 2026, não somente para atender a solicitação do governador Elmano em relação a minha permanência na liderança do governo, mas também para a eventual participação de outros suplentes que possam diversificar e fortalecer a atuação de nossa bancada”
Guilherme Sampaio
Líder do Governo Elmano na Alece

Já o líder do PSB na Alece, deputado Marcos Sobreira, afirmou que o partido deve realizar um novo rodízio de licenças dentro da bancada, a partir do retorno dos secretários. A ideia é, segundo o parlamentar, garantir a permanência dos parlamentares em atuação na Casa. 

"Nós temos um cronograma interno de revezamento de licenças de deputados, que desde o começo do mandato temos praticado isso. Eu já tirei licença, deputado Guilherme Landim, o deputado Jeová (Mota), outros deputados que não tiraram agora vão tirar, para que os suplentes continuem todos em exercício do cargo"
Marcos Sobreira
Líder do PSB na Alece

A posição é reforçada pelo suplente em exercício Guilherme Bismarck. "Alguns deputados têm se disponibilizado a tirar (licença) nos primeiros quatro meses, após o início do retorno de todos os outros, e nos outros quatro meses que seria pegar o último mês, que seria o mês de campanha. Então, por exemplo, começando em 2 de abril: 2 de maio, 2 de junho, 2 de julho e 2 de agosto. Aí você acabaria o primeiro (rodízio). Aí agosto, setembro, outubro e novembro, (seriam) outros deputados”, explica. 

OUTROS SUPLENTES

Deputados suplentes Pedro Matos e Tomaz Holanda durante discursos na tribuna do Plenário 13 de Maio da Alece.
Legenda: Deputados suplentes Pedro Matos e Tomaz Holanda estão no exercício dos mandatos após as licenças dos titulares das vagas.
Foto: Marcos Moura/Alece | Paulo Rocha/Alece.

Ainda no primeiro semestre de 2026, os deputados suplentes Pedro Matos (Avante) e Tomaz Holanda (Avante) devem deixar a Casa. Os titulares das duas vagas retornarão às cadeiras após saírem de licença no final do ano passado. 

Vereador de Fortaleza, Pedro Matos garantiu seis meses consecutivos no cargo após as licenças de Dra. Silvana (PL) — por motivos de saúde, em junho de 2025 — e de Alcides Fernandes (PL) — para tratar de assuntos particulares, em outubro de 2025 —, ambas com o prazo de 120 dias.

Pedro Matos está no Avante atualmente, mas concorreu a deputado estadual pelo PL em 2022, ficando na 1ª suplência do partido na Alece.

Por sua vez, o ex-vereador da Capital, Tomaz Holanda, está na vaga de Stuart Castro (Avante). O titular saiu de licença de saúde para tratar uma bulimia nervosa. O prazo de 120 dias de afastamento iniciou em 11 de dezembro de 2025. 

Em 2025, a Alece chegou a ter 13 deputados suplentes em exercício, o que representa 28% do total de vagas da Casa (46). A maior parcela das trocas envolveu licenças para tratar de assuntos particulares, por 120 dias. Na modalidade, o salário e outros benefícios do cargo são pagos somente para quem estiver em exercício.

Internamente, esse tipo de afastamento é usado como estratégia para dar visibilidade aos que ficaram na suplência, principalmente em ano pré-eleitoral. Foi o caso dos suplentes David Vasconcelos (PL), Gordim Araújo (PSDB), Keivia Dias (PSD), Léo Suricate (Psol), Manoel Duca (Republicanos) e Pedro Lobo (PT) — todos chegaram a exercer o cargo em 2025.

MOVIMENTAÇÃO NA PRESIDÊNCIA

Romeu Aldigueri durante discurso na Assembleia Legislativa do Ceará no final do ano passado.
Legenda: Romeu Aldigueri durante discurso na Assembleia Legislativa do Ceará no final do ano passado, enquanto imagem de Tainah Marinho aparece no telão.
Foto: Júnior Pio/Alece.

O ano eleitoral também marca o fim do biênio de Romeu Aldigueri (PSB) como presidente da Alece. O parlamentar foi alçado ao cargo em dezembro de 2024, encabeçando uma chapa única para a Mesa Diretora. No entanto, a escolha passou longe de ser tranquila na base aliada. 

A partir da renúncia do então presidente Evandro Leitão (PT) para assumir a Prefeitura de Fortaleza, o comando da Alece entrou em processo de sucessão ainda em 2024. Logo, o então vice-presidente Fernando Santana (PT) lançou a candidatura ao posto, mas a indicação causou mal-estar junto a um membro de peso da ala governista: o senador Cid Gomes.

À época, Cid chegou a ameaçar, em conversar com aliados, deixar a base do governador Elmano, queixando-se da concentração de poderes do PT — o partido acumula a presidência da República, o governo do Estado e a Prefeitura de Fortaleza. A postura representou um revés para a indicação de Fernando, fazendo o deputado renunciar à candidatura em 22 de novembro de 2024

Com isso, as articulações para a definição de um novo postulante precisaram ser aceleradas, com o objetivo de compor uma chapa de consenso na eleição marcada para 2 de dezembro de 2024. Foi aí que passou a ganhar força o nome de Romeu Aldigueri, à época ainda no PDT e líder do Governo na Assembleia. O parlamentar é um aliado direto de Cid e integra a ala do partido brizolista que migrou para o PSB ao lado do senador. 

A chapa única para a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa também envolveu uma composição de assentos com PT, MDB, PP, União Brasil, Cidadania, PSDB e Republicanos. A partir desse arco de alianças, Romeu tornou-se o 83º presidente da história do Parlamento Estadual. Por sua vez, Fernando Santana recebeu o comando da Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará, como parte do acordo dentro da base governista.  

A partir de abril, Romeu e Santana devem voltar a dividir o Plenário 13 de Maio. Além disso, o presidente terá a missão de lidar com forças distintas na Casa, em pleno ano eleitoral. O próprio político antecipou esse clima durante o balanço de 2025, na última sessão antes do recesso parlamentar, ao pedir um “debate em alto nível” aos pares.  

“Venho aqui já a pedir antecipadamente, eu acredito que tivemos um ano muito bom, respeitoso, mas é importante que a gente exercite ano que vem, onde os corações vão estar mais acalorados, que a gente deixe algumas questiúnculas municipais para se resolver nos municípios”
Romeu Aldigueri
Presidente da Alece

Sobre o último ano do biênio da atual Mesa Diretora, Danniel Oliveira (MDB) salienta que a expectativa é ampliar os serviços da Casa para a população de uma forma geral. “Não se limitando ao Legislativo, também fortalecendo esse papel que não é nosso, mas que a gente contribui ajudando ao Executivo, que é o que a gente tem feito bastante", acrescentou o 1º vice-presidente da Casa.  

Romeu Aldigueri deve encerrar o ciclo na Casa ao mesmo tempo em que busca uma vaga de deputado federal, tendo confirmado a postulação ao longo do ano passado. Enquanto isso, o nome da primeira-dama da Alece, Tainah Marinho (PT), já é ventilado como pré-candidata para o Parlamento estadual. 

 

 

Ivo rompe com Elmano, defende Ciro Gomes e relembra crise na família por apoio ao petista

Escrito por Luana Barros / DIARIONORDESTE
 
 

O ex-prefeito de Sobral Ivo Gomes (PSB) disse não ter mais "nenhum compromisso" com o governador Elmano de Freitas (PT) para as eleições de 2026. O rompimento ocorre após o petista se aproximar do atual prefeito de Sobral, Oscar Rodrigues (União), e do filho dele, o deputado federal Moses Rodrigues (União) — adversários dos Ferreira Gomes em Sobral. 

As declarações do ex-prefeito foram feitas durante entrevista, nesta terça-feira (6), na emissora de rádio Coqueiros FM de Sobral.

"Por que eu vou estar com uma pessoa que não tem por mim a menor consideração? Que se alia a pessoas que só querem o meu mal?", indagou Ivo. "Essa decisão (de se aproximar dos Rodrigues) representa um descompromisso meu com essa candidatura (de Elmano de Freitas). Para mim, hoje, eu não tenho mais compromisso com ela", afirmou Ivo. 

Ele, inclusive, disse que não descarta votar em Elmano, mas que irá "avaliar os cenários" para tomar a decisão. Indagado sobre o apoio a uma eventual candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará, Ivo desconversou e apontou que, até o momento, apenas a pré-candidatura de Elmano foi confirmada. 

PontoPoder acionou a assessoria de imprensa do governador Elmano de Freitas para saber o posicionamento dele quanto as falas de Ivo Gomes. O espaço continua aberto. 

Em entrevista a Live PontoPoder, no último dia 15 de dezembro, Elmano de Freitas disse que a aliança com Moses Rodrigues teve o aval do senador Cid Gomes (PSB), irmão de Ivo. “Jamais daria um passo, com a importância que isso tem, sem antes conversar com o senador Cid”, disse.

Durante a entrevista desta terça, Ivo Gomes disse estar conversando "pouquíssimo" com Cid Gomes. "Temos conversado pouquíssimo para não ter problemas", disse, sem dar maiores detalhes sobre eventuais divergências.

Rompimento entre os irmãos Ferreira Gomes 

O ex-prefeito relembrou ainda o rompimento entre os irmãos Ferreira Gomes na eleição de 2022, quando Elmano de Freitas foi eleito governador. "O apoio, dado por mim, causou uma confusão imensa na minha família, que repercute até hoje", reforçou. 

Junto a Ivo, o senador Cid Gomes (PSB) e a deputada estadual Lia Gomes (PSB) também defenderam a candidatura petista para o Palácio da Abolição. Por outro lado, Ciro Gomes apoiou o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (União). Na época, o ex-ministro chegou a falar de "traição" e que uma "faca" teria sido colocada nas suas costas. 

A "confusão" na família foi relembrada por Ivo ao falar sobre a articulação para a desaprovação das contas de seu mandato na Câmara Municipal de Sobral. 

"Na hora que uma pessoa para quem eu trabalhei, cujo apoio, dado por mim, causou uma confusão imensa na minha família, que repercute até hoje, na hora que eu mais fui atingido por essas pessoas, que passaram um ano mentindo diariamente e tentando destruir a minha reputação... Tentaram inclusive desaprovar as minhas contas", disse. 

"No dia da votação, na Câmara dos Vereadores, das minhas contas, que o Oscar queria desaprovar, porque achava, na cabeça dele, que desaprovando as minhas contas ia me tornar inelegível, neste dia, estava o secretário da Casa Civil do Governo (Chagas Vieira) tirando selfie com o deputado Moses que foi o grande articulador, a mando do pai, da tentativa de desaprovação das minhas contas", completou.

PontoPoder pediu posicionamento a Chagas Vieira sobre as declarações feitas por Ivo Gomes, mas ele disse que prefere não comentar.

'Eu não me misturo'

Ivo Gomes ainda chamou Oscar Rodrigues de "fascista" e relembrou o apoio do atual prefeito de Sobral ao ex-presidente Jair Bolsonaro. " Era tudo antipetista, agora são tudo petista", disse em referência tanto a Oscar como a Moses Rodrigues.

"O Ciro não pode se aliar ou receber o apoio de pessoas que apoiam o Bolsonaro, mas o Elmano pode receber apoio? É conversa fiada", alfinetou Ivo. Desde 2025, Ciro tem articulado uma frente ampla de oposição a Elmano de Freitas, inclusive com a presença de antigos adversários políticos, como o deputado federal André Fernandes (PL). 

A negociação da aliança está suspensa, após embate entre Fernandes e a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro (PL) em dezembro. Antes disso, no entanto, a aproximação de Ciro com bolsonaristas foi criticada por diversos integrantes da base do Governo. 

"O prefeito (Oscar Rodrigues) disse que não era só eleitor, era fã do Bolsonaro. (...) São essas pessoas que agora são os companheiros do Elmano. E depois não querem que o eleitor ache que político é tudo picareta", disse. "Eu me sinto, a partir de então, completamente desobrigado. Não estou dizendo que não vou votar nele, mas compromisso com ele, eu não tenho mais nenhum".

PontoPoder acionou o prefeito Oscar Rodrigues e o deputado federal Moses Rodrigues a respeito das declarações de Ivo Gomes, mas não houve retorno.  

Em vídeo publicado no Instagram, Oscar Rodrigues disse que não ouviu a entrevista de Ivo Gomes. "Mesmo porque eu não tenho meu tempo a perder com quem saiu de Sobral com o desgaste de ter perdido as eleições", disse. O prefeito afirmou que Ivo resolveu "destilar ódio porque perdeu as eleições" e acrescentou que o ex-prefeito "tinha que cuidar mais da vida dele". 

"Ele saiu de Sobral faz um ano, volta em Sobral agora para passar dois ou três dias e fica falando nas rádios. Ele não está nem acompanhando a administração de Sobral. Esse tipo de gente, eu não vou perder para dar atenção", completou.

IVO

 

Campanha eleitoral não terá como evitar tratar de crise fiscal

Por  Editorial / O GLOBO

 

Ao longo de três anos de seu terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva só demonstrou preocupação com a questão fiscal no plano da retórica. E, mesmo assim, incontáveis vezes defendeu aumento de gastos, como se as despesas, mesmo em setores prioritários como educação, saúde ou segurança, não exigissem lastro na realidade orçamentária. O novo arcabouço fiscal implementado pelo ministro Fernando Haddad se revelou uma quimera, tantas foram as exceções abertas às regras. A preocupação é ainda maior neste ano eleitoral. Lula mais uma vez concorrerá ao Palácio do Planalto e, diante dos previsíveis gastos eleitoreiros, tudo indica que o quadro fiscal tende a piorar.

 

A escalada da dívida pública se tornou o indicador mais confiável e relevante, uma vez que as metas do arcabouço têm sido burladas com frequência. A trajetória do endividamento desenha um cenário dramático. Um olhar sobre a evolução da dívida bruta do governo geral (DBGG) em relação ao PIB não deixa dúvidas sobre o agravamento da situação. Nos governos de Dilma Rousseff, ela cresceu de 51,8% para 67,6%; na gestão Michel Temer, subiu a 75,3%; durante a administração Jair Bolsonaro, recuou para 71,7%. Nos três primeiros anos do atual governo, já escalou para 79% e é provável que até o fim do ano atinja números ainda mais exorbitantes, acima de 80%. A crise fiscal se tornou, portanto, tema inevitável da próxima campanha eleitoral, já que se trata de questão crucial para o próximo ocupante do Planalto.

 

Há risco de que a deterioração galopante das contas públicas se agrave com a saída de Haddad em fevereiro, para se dedicar à campanha de Lula. Nestes três anos, ele não conteve o ímpeto gastador da gestão petista. O arcabouço fiscal foi sabotado pelo Executivo e pelo Legislativo. O próprio Lula se esmerou em desmontá-lo com seu desprezo pela contenção de gastos, criando uma profusão de programas eleitoreiros, varrendo despesas para debaixo das metas e tornando os déficits recorrentes, quando deveriam ser exceção. Mas Haddad ao menos representava um contraponto a líderes petistas que não desejam controle algum de despesas. Com sua saída, diminuirá a resistência à pressão por mais despesas no ano eleitoral.

 

O governo sempre resistiu a medidas estruturais necessárias para conter a escalada da dívida, como a desvinculação dos benefícios previdenciários do salário mínimo, a reforma administrativa com revisão das carreiras do setor público ou uma nova reforma da Previdência. A mágica para cobrir os rombos tem sido, até aqui, avançar sobre o bolso do contribuinte por meio do aumento de impostos. Como as despesas só fazem crescer, a sanha arrecadatória ultrapassou todos os limites do razoável, resultando em atritos com o Congresso e crises políticas. Doravante, não haverá mais espaço para aumento de impostos. Ninguém suporta mais.

 

Por isso o governo deveria tratar de conter a gastança enquanto é tempo. Quanto mais cedo promover um ajuste fiscal estrutural, menor será seu custo. Do contrário, Lula criará uma armadilha para si mesmo caso seja reeleito. Os números são claros ao demonstrar que 2027 será um ano difícil, com endividamento nas alturas e pouco espaço para investimentos. A história de Dilma Rousseff e o desastre de sua Nova Matriz Econômica já deveriam ter ensinado aos petistas o custo de desprezar o equilíbrio das contas públicas.

 

O Palácio do PlanaltoO Palácio do Planalto — Foto: Daniel Marenco/Agência O Globo

Bolsonaro confirma em carta indicação de Flávio como pré-candidato e cita 'continuidade'

FOLHA DE SP

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) confirmou, em uma carta divulgada no hospital em que está internado para uma cirurgia, a indicação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato à Presidência da República em 2026.

No texto, o ex-presidente fala em "continuidade" e cita batalhas que estaria enfrentando. Ele está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, cumprindo pena por tentativa de golpe de Estado.

"Diante desse cenário de injustiça, e com o compromisso de não permitir que a vontade popular seja silenciada, tomo a decisão de indicar o Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República em 2026", diz Bolsonaro na carta.

A carta foi lida por Flávio na porta do hospital DF Star, onde Bolsonaro está internado para passar por uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral nesta quinta-feira (25), dia do Natal.

O senador afirmou que a divulgação do texto tem o objetivo de encerrar dúvidas sobre a decisão de Bolsonaro de indicá-lo para disputar a Presidência em 2026. O anúncio anterior havia sido feito por Flávio no dia 5 de dezembro e confirmado pelo PL, provocando resistências em grupos políticos próximos do ex-presidente e até em sua família.

Nas últimas semanas, Flávio vinha trabalhando pela divulgação de uma declaração de viva voz de Jair Bolsonaro em relação à pré-candidatura. Nos cálculos do senador, esse gesto seria feito em uma entrevista ao portal Metrópoles, no dia 23 de dezembro, que foi cancelada horas antes de ocorrer.

A desmarcaçãoi da entrevista foi influenciada por uma resistência dentro do próprio entorno do ex-presidente, segundo informou a colunista Mônica Bergamo. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e advogados de Bolsonaro se posicionaram contra a iniciativa, por avaliarem riscos jurídicos e políticos no momento atual.

A carta é vista por aliados de Flávio como uma alternativa para levar a público a palavra de Bolsonaro e desestimular movimentos políticos para evitar a consolidação de seu nome como pré-candidato.

Partidos do centrão, empresários e integrantes do mercado financeiro ainda trabalham pela construção de uma candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Esses grupos preferem seu nome ao de Flávio e temem que índices de rejeição ao seador possam levar a direita a uma derrota em 2026.

Flávio, por sua vez, diz avaliar que o sobrenome Bolsonaro representa uma vantagem nas urnas, e tenta divulgar seu próprio nome como uma versão moderada do pai. O apoio declarado do ex-presidente seria uma maneira de deixar claro ao eleitorado bolsonarista que não há alternativas em construção.

Bolsonaro está pronto para ser submetido à cirurgia. A equipe médica avaliou que o político está apto para ser submetido ao procedimento, que tinha previsão de início às 9h e duração de cerca de quatro horas. A estimativa inicial é que ele fique internado de cinco a sete dias para acompanhamento após a cirurgia.

Bolsonaro saiu pelos fundos da unidade da PF na quarta-feira (24) e, por volta das 9h30, foi escoltado por um comboio até o hospital, em um trajeto que durou cerca de cinco minutos. O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a realização da cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral.

Hérnia inguinal é uma condição em que um tecido do abdômen incha e faz aparecer uma protuberância na região da virilha. Além da cirurgia de correção da hérnia, os médicos avaliam submeter Bolsonaro a um procedimento anestésico, com bloqueio do nervo frênico, para controlar as crises de soluço, no começo da próxima semana.

"Depois dessa cirurgia de hérnia a gente vai reavaliar essa situação e ver se convém fazer esse bloqueio anestésico, que é um procedimento relativamente seguro, mas que não é o padrão para o tratamento de soluço. Precisa ver realmente se isso justifica o benefício, o risco", disse o cirurgião Claudio Birolini.

Segundo ele, a cirurgia de hérnia tem algum grau de complexidade, mas baixo índice de morbidade. Ela deve durar de 3 a 4 horas, e a previsão é que Bolsonaro fique internado entre cinco e sete dias, a depender da evolução do quadro.

BOLSONARTO INDO PRA HOSPITAL ESCOLTADO

Compartilhar Conteúdo

444