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Lula era a fortaleza, mas também a fraqueza do PT; a transferência de votos se deu, mas…

Publicada: 15/10/2018 - 6:58

Lula era a fortaleza do PT — e a aposta se mostrou correta. Mas também era, e seus índices de rejeição já o indicavam — a sua fraqueza. Quando o TSE declarou a sua inelegibilidade, ainda vencia todas as simulações de segundo turno, mas quase metade do eleitorado dizia não votar em alguém que ele indicasse. Outra quase metade afirmava que o faria ou poderia fazê-lo. A transferência de votos se deu de modo, vamos convir, espetacular. Em três semanas, Fernando Haddad saiu do quase nada para disputar o segundo turno e obteria, ainda que derrotado por Bolsonaro segundo as simulações feitas até agora, mais de 40% dos votos válidos. Se, no entanto, o viés não mudar, esses votos não serão suficientes para vencer o candidato do PSL. A vitória inicialmente buscada, qualquer que fosse o adversário, está assegurada. A questão agora é o que vai acontecer com o país.
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Recluso, Lula perdeu o pulso das ruas; não se deu conta de que Bolsonaro havia capturado o antipetismo

É claro que o PT paga o preço de uma estratégia, e eu já tratei do assunto aqui, que teve a sua eficácia, mas que deixou sequelas. O partido misturou dois domínios que deveriam ter permanecido separados: o da eleição e o do processo contra o ex-presidente Lula. Foi uma escolha, que fique claro!, do próprio Lula. Preso na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, o líder petista está distante da temperatura das ruas e certamente não recebeu o briefing adequado do que ia pelos bares e breus das tocas, como diria o esquerdista Chico Buarque. Jair Bolsonaro há muito já havia capturado os corações curtidos no antipetismo. Boa parte desses capturados repudia o PT por bons motivos. Ou que fale, então, o desastre a que Dilma Rousseff, uma das escolhidas de Lula — para estupefação, à época, de muitas lideranças do partido — conduziu o país. Mais: a mesma Lava Jato que encarcerou Lula havia devastado não apenas a reputação do PT, que, convenham, resistiu com poucas escoriações na comparação com outras legendas. A política como um todo foi reduzida a quase cinzas. E o “capitão” vinha se oferecendo havia pelo menos dois anos como o porta-voz dessa indignação.
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Entre derrotar a direita ou a extrema-direita e manter a hegemonia da esquerda, o PT escolheu segundo caminho

Se o PT sabe que está morto como projeto hegemônico — e está —, não podia abrir mão de manter a hegemonia da esquerda — ou, ainda melhor, das esquerdas. Ciro sempre foi leal ao partido nas alianças políticas, desde a vitória de Lula, em 2002, mas tinha vida própria e não era um deles. Entre vencer a direita ou a extrema-direita, mas sendo eventualmente reduzido ao papel de coadjuvante, e correr o risco de perder, mas seguindo protagonista na vida pública, ainda que liderando a oposição, Lula escolheu o segundo caminho.

Assim, os que se sentem constrangidos, estarrecidos ou amuados que seja Bolsonaro a liderar um dos polos da opinião têm de lembrar que assim as coisas são porque o PT fez uma escolha. E, por óbvio, há uma legião de não-esquerdistas — liberais, sociais-democratas, democratas ou simplesmente amantes da civilidade política — que não se sentem contemplados pelo bolsonarismo e que lamentam que o PT tenha pensado primeiro em seu próprio protagonismo.

Ou por outra: essa espécie de frente ou movimento antifascista com que o partido acena no segundo turno — embora evite tal nome, no que faz bem porque é conversa de iniciados — deveria ter sido efetivada no primeiro turno.
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Fosse a política só conta de chegada, PT teria se unido a Ciro. E a aposta errada sobre o PSDB

Fosse a política apenas um conta de chegada até a disputa seguinte, Lula teria escolhido o caminho mais razoável, que lhe foi oferecido por Jaques Wagner, ex-governador da Bahia e senador eleito pelo Estado. Se o objetivo fosse “vencer a direita ou a extrema-direita”, então o partido poderia ter-se aliado a Ciro Gomes (PSB), e as chances de sucesso seriam certamente maiores. A pauta de Ciro não era tão distante da pauta petista; ele não teria de responder pelo enorme passivo que o partido sabia ter; não se teria a crítica fácil de que o candidato estava sendo manipulado ou conduzido por um presidiário, e o combate a Bolsonaro certamente teria sido antecipado — afinal, os petistas demoraram a perceber o tamanho do risco. Não foi só o PSDB que apostou que o seu candidato poderia fazer frente a Bolsonaro. Também os petistas apostaram nessa possibilidade. Mas isso não aconteceu. E a facada tornou tudo mais difícil. 
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Doria é liberal escondido no PSDB, não é um tucano, diz Joice Hasselmann

São Paulo - Deputada federal eleita pelo PSL, a jornalista Joice Hasselmann afirmou que tem convidado João Doria, candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, a trocar de partido.

"O Doria é um liberal escondido no PSDB, ele não é tucano. Acho que o Doria combina muito mais com o nosso partido", afirmou Joice nesta segunda (15), em cerimônia de aniversário dos 48 anos da Rota, o 1º batalhão de choque da Polícia Militar paulista.

"Ele [Doria] não pode nem falar nesse assunto porque é candidato de outro partido, mas já deixei bem claro pra ele que acho que ele combina muito mais com o nosso partido, com as ideias do Paulo Guedes, do que com as ideias do PSDB. E o PSDB rejeita o Doria."

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