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Dança das cadeiras

Por  Merval Pereira / O GLOBO

 

O encerramento da janela partidária provocou uma reorganização do sistema político brasileiro, mantendo, porém, a predominância de partidos da direita. Houve crescimento do PL — que está com a maior bancada, próxima dos cem deputados federais —, diminuição significativa do União Brasil e crescimento, em número de parlamentares e em influência nacional, do PSD. Este cresceu no Rio Grande do Sul, no Nordeste e em estados-chave como Minas e São Paulo. Cerca de 120 parlamentares aproveitaram a janela para trocar de partido, confirmando a tendência direitista do Congresso e dos governos estaduais e consolidando a candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro.

 

O PT manteve-se como o principal partido de esquerda, sem perdas. Mas a esquerda perdeu parlamentares que eram do PDT. O PSB cresceu nesse espectro partidário. Além de confirmar a tendência já registrada de apoio ao candidato do PL, as trocas partidárias reafirmaram a força das siglas mais estruturadas, que têm acesso aos recursos partidários e melhores condições de enfrentar as cláusulas de barreira. O crescimento de partidos como PL e PSD tornou o Centrão menos influente, embora continue sendo um importante eixo do sistema partidário brasileiro.

A atração exercida pelo PL se explica por diversos fatores, como força eleitoral óbvia na próxima campanha presidencial e acesso a recursos dos fundos eleitoral e partidário. O partido busca ser o agregador de forças conservadoras e liberais, papel disputado com o PSD, que não por acaso tem também um candidato à Presidência de direita, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado. É um quadro de hoje, mostrando que Flávio tem uma candidatura sólida. Isso fez com que muita gente quisesse estar no partido vencedor. Mas é sinal também de que Caiado representa parte da direita e de que o PSD pode fechar acordo com Flávio para o segundo turno, se é que ele será mesmo o representante da direita — pode ser que perca força durante a campanha, quando começar a ser atacado.

A candidatura de Caiado trabalha com a possibilidade de vir a substituir Flávio durante a corrida presidencial, caso ele não resista aos ataques que certamente sofrerá, e não apenas do PT. Não foi por acaso que, ao ser anunciado candidato do PSD, Caiado fez seu primeiro pronunciamento afirmando que dará anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a todos os condenados do 8 de Janeiro. Com isso, quis se colocar diante do eleitor de direita e extrema direita como alternativa viável, caso Flávio não confirme sua liderança.

 

Ao mesmo tempo, embrulhou a promessa numa pretensa “união nacional”, dando ao ato que o afasta do eleitor de centro um caráter menos ideológico. Um retrato do PSD de Gilberto Kassab, que tem uma perna na canoa da direita e outra na da esquerda, mantendo ministérios no governo Lula. A ponto de alguns terem defendido que fosse o vice-presidente na chapa de Lula.

O PL já era o partido mais forte desde Bolsonaro e está se reforçando porque Flávio surpreendeu e está sólido na campanha, embora complique a situação junto aos moderados de direita quando abre a boca. Assim como disputa com o presidente Lula quem é o mais rejeitado, também disputa quem produz mais gafes. Na semana passada, Flávio deixou de jogar parado para defender posições absurdas numa reunião de conservadores e direitistas nos Estados Unidos. Voltou a levantar dúvidas sobre as urnas eletrônicas, afirmando que só perderá a eleição se houver fraude, e ofereceu as terras-raras, objeto de desejo de Donald Trump, em troca do apoio do governo americano à sua candidatura.

À medida que a campanha eleitoral exigir que se posicione, Flávio terá dificuldades para confirmar seu caráter moderado. A escolha do vice será um bom teste. A ex-ministra Tereza Cristina seria indicação de moderação e significaria uma inserção na comunidade do agro que abalaria Caiado. Mas o ex-governador de Minas Romeu Zema tem mais consistência política, embora tenha postura mais radicalizada.

 

PSDB filiará até 6 deputados estaduais e deve esvaziar bancadas do PDT e do União na Alece

Escrito por Marcos Moreira / DIARIONORDESTE
 
 

Um grupo de até seis deputados estaduais oposicionistas oficializará a filiação ao PSDB nesta semana, concretizando a estratégia de reforçar os quadros do partido, sob o comando de Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. A migração foi confirmada pelos parlamentares no “Café da Oposição” desta terça-feira (31), na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). 

 

A ala oposicionista projeta um evento para oficializar a movimentação ao PSDB. Contudo, o momento pode ocorrer até mesmo depois do prazo final da janela partidária — período liberado para trocas de legendas até 3 de abril —, pois o ato deve ser simbólico, já que todos devem entregar a carta de filiação até o final da semana.

 

A partir do encontro, a ala oposicionista apontou que os seguintes parlamentares são os novos tucanos: 

  • Antônio Henrique (PDT)
  • Cláudio Pinho (PDT)
  • Felipe Mota (União)
  • Heitor Férrer (União)
  • Queiroz Filho (PDT)

O grupo também espera a filiação de Sargento Reginauro (União) ao PSDB. O parlamentar está afastado do mandato de deputado, após tirar uma licença de saúde para o tratamento contra um câncer do tipo linfoma, por 120 dias. 

Por sua vez, o deputado Lucinildo Frota (PDT) será o único a migrar para o Partido Liberal (PL). O parlamentar vai buscar um mandato na Câmara dos Deputados, compondo a chapa de federais do grupo. 

 

Antônio Henrique chegou a ser anunciado no PL pelo deputado federal André Fernandes (PL), presidente do partido no Ceará, durante um encontro da oposição no ano passado. Entretanto, a chegada de Ciro no PSDB mexeu com as negociações internas da oposição.

“Todos no PSDB. Deputado Felipe Mota, deputado Sargento Reginauro está indo hoje, porque ele está no hospital. O deputado Heitor Férrer também já entregou a ficha (de filiação). Deputado Cláudio Pinho, deputado Queiroz, deputado Antônio Henrique já entregaram a ficha. Então, nós já somos a terceira maior bancada da Assembleia Legislativa a partir de segunda-feira, será o PSDB com sete deputados, porque tem a deputada Emília (Pessoa) que já tá aí no plenário”
Felipe Mota
Deputado estadual pelo PSDB

BANCADAS ESVAZIADAS

A migração dos deputados para a sigla tucana consolida o esvaziamento do Partido Democrático Trabalhista (PDT) na Assembleia. Os últimos quatro deputados estaduais da sigla aguardavam apenas a janela partidária para confirmar a saída. 

Além disso, a movimentação deve esvaziar a bancada do União na Casa, com as saídas de Felipe Mota, Heitor Férrer e Sargento Reginauro. O outro deputado do partido é Firmo Camurça, que anunciou a ida para PSD na semana passada. 

Como mostrou o PontoPoder, a estratégia da oposição mira dois objetivos principais: o fortalecimento do PSDB para o pleito eleitoral e a formação de uma bancada aliada para um possível mandato de Ciro Gomes (PSDB) no Governo do Estado.

Por outro lado, nomes com maior potencial eleitoral para a Câmara dos Deputados devem disputar pelo União. “Tenho quase certeza de que a União Progressista fará cinco deputados federais e o PSDB fará entre sete e oito deputados estaduais”, projetou Felipe Mota.

Atlas/Estadão: Tarcísio tem 49,1% e Haddad tem 42,6% na disputa em São Paulo

POR RICARDO CORREA / O ESTADAÕ DE SP

 

 

Pesquisa Atlas/Estadão divulgada nesta segunda-feira, 30, mostra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 49,1% das intenções de voto no primeiro turno, na disputa contra Fernando Haddad (PT) no Estado. O ex-ministro da Fazenda somaria 42,6%. No cenário testado, o deputado federal Kim Kataguiri (Missão) aparece com 5%, enquanto o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra (PSDB) registra 1,2%.

 

De acordo com o levantamento realizado entre os dias 24 e 27 de março, os paulistas que apontam a intenção de votar em branco ou nulo são 1,5%. Já os que não souberam responder são 0,6%. A pesquisa ouviu 2.254 eleitores de São Paulo por recrutamento digital aleatório e tem margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-01079/2026.

 

O cenário entre Tarcísio e Haddad é o mais provável, após o ex-ministro ser confirmado como pré-candidato do PT ao pleito e o governador ter anunciado a permanência no cargo para disputar a reeleição.

 

Haddad resistia à ideia de disputar novamente o Palácio dos Bandeirantes, sobretudo em razão do favoritismo de Tarcísio, mas acabou cedendo à pressão de Lula, que precisa de um candidato competitivo em São Paulo para não perder terreno na disputa presidencial. Para os aliados do Palácio do Planalto, Haddad teria mais condições de levar a eleição ao segundo turno do que outros nomes do campo.

 

Já Tarcísio, preferido por partidos de centro e setores da direita como candidato à Presidência, acabou mantido na disputa à reeleição após o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) escolher o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), como nome à Presidência da República. Para disputar o Planalto, Tarcísio precisaria deixar o cargo de governador até o próximo sábado, 4.

Outros cenários testados

Além da disputa entre Tarcísio e Haddad, o instituto AtlasIntel também mediu como ficaria uma disputa com a ministra do Planejamento, Simone Tebet (PSB), no lugar de Haddad. Neste caso, Tarcísio teria 48,8%, Tebet somaria 41,8%, Kim Kataguiri registraria 5% e Paulo Serra teria 1,5%. Os votos em branco e nulos somariam 2,5% e os que não souberam responder, 0,5%.

 

Tebet, até então no MDB, filiou-se ao PSB na última sexta-feira, 27, após anunciar que pretende concorrer ao Senado por São Paulo. A decisão de mudar de domicílio eleitoral se dá em razão das dificuldades para o campo da esquerda no Mato Grosso do Sul, Estado de origem da ministra. Já a ida ao PSB ocorreu pelo fato de o MDB apoiar o projeto eleitoral de Tarcísio em São Paulo. Ela deve deixar o comando da pasta nesta semana.

 

Em um terceiro cenário testado pelo instituto para a disputa ao governo paulista, o candidato do campo de Lula é Márcio França (PSB), ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Neste caso, a distância hoje seria maior. Tarcísio de Freitas somaria 49,4% contra o ex-governador, que teria 32,2%. Kim Kataguiri registraria 5,3% e Paulo Serra ficaria com 2,1%. Votos em branco e nulos seriam 9% e os que não souberam responder, 2%.

 

Até aqui, França tem mostrado intenção de disputar uma vaga ao Senado após a confirmação de Haddad como pré-candidato do PT. Contudo, como Simone Tebet e Marina Silva, de saída da Rede, são cotadas à empreitada no Parlamento, o destino do ministro está em aberto. Ele poderia tanto continuar no governo federal, abrindo mão de candidatura, ou eventualmente ser alocado como vice de Haddad, por exemplo.

 

O Atlas também mediu um quarto cenário em que Haddad seria substituído pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Neste caso, Tarcísio teria 48,4% e Alckmin ficaria com 41,4%. Kim somaria 5,3% e Paulo Serra teria 1,5%. Brancos e nulos seriam 2,2% e os que não souberam são 1,2%.

 

Hoje, a tendência maior é que Alckmin, que deixará o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio nesta semana, se mantenha na chapa de Lula, novamente como candidato a vice-presidente. O próprio petista afirmou publicamente que a vaga está aberta para o ex-governador de São Paulo. Contudo, Lula disse que Alckmin decidirá após discutir com Haddad.

 

Haveria uma possibilidade hoje menor de o vice-presidente ser candidato ao Senado, abrindo espaço na chapa de Lula para outra composição.

 

Alckmin de novo: Lula e Dilma já tentaram trocar vice, mas desistiram de mudar chapa

Malu Gaspar /Análises e informações exclusivas sobre política e economia / O ESTADÃO DE SP / Por 
Johanns Eller
Antes de confirmar que vai manter Geraldo Alckmin (PSB) como vice na chapa para a reeleição na última terça-feira (31), Lula passou meses tentando oferecer a vaga ao MDB para ampliar a aliança que deve apoiá-lo em outubro. Como o partido não topou, o presidente se viu obrigado a repetir o vice, algo que ele mesmo e Dilma Rousseff já fizeram antes, quando concorreram a um segundo mandato.

As dificuldades enfrentadas por eles naquelas ocasiões, em 2006 e 2014, se repetiram agora. De um lado, as legendas cortejadas para compor a chapa resistiram a aderir. De outro, os próprios vices sinalizaram não ter interesse em concorrer a outro cargo que não a vice-presidência, o que acabou fazendo os titulares cederem.

 

Desta vez, a troca só não ocorreu por causa da oposição de diretórios emedebistas mais ligados à direita e porque Lula consolidou seu palanque em São Paulo com Fernando Haddad (PT) à frente da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

 

No início de fevereiro, Lula tornou público em uma entrevista ao UOL o que até então era discutido há mais de um ano em conversas fechadas no Palácio do Planalto: queria que Alckmin fosse candidato em São Paulo – a governador, cargo que já ocupou por quatro mandatos, ou ao Senado.

A declaração foi vista como uma sinalização ao MDB de que o presidente estava de fato disposto a oferecer a sua vice para outro partido e trabalhar para atrair para seu campo diretórios mais à direita, como o de São Paulo e os dos estados do Sul.

 

“Temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo”, declarou o petista na ocasião.

Mais de um mês depois, em 19 de março, Lula voltou a pressionar o vice no evento que lançou a pré-candidatura de Haddad ao governo paulista.

 

O presidente declarou que a vaga em sua chapa estava aberta para o aliado, mas ponderou que, se Alckmin se candidatasse em São Paulo, poderia “ajudar mais”, já que, em sua opinião, o grupo político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Jair Bolsonaro, “não tem senador para disputar” com a esquerda.

 

“Eu ficarei imensamente feliz em ter o Alckmin vice outra vez. É um companheiro que eu aprendi a gostar, [uma pessoa] de muita lealdade, com muita competência de trabalho, um executivo extraordinário, ele só me ajuda. Mas você tem que conversar com o Haddad para saber onde colheremos mais frutos dele. Se ser candidato ao Senado, sabe, ajuda mais”, declarou o petista.

 

Apesar de todos esses recados, Lula não conseguiu atrair o MDB, e vai repetir a dobradinha com Alckmin, que se desincompatibilizará nos próximos dias do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

 

Mesmo roteiro em 2006 e 2014

Em 2006, na eleição em que disputou o Planalto contra o então tucano Alckmin, Lula também tentou substituir o vice-presidente José Alencar, que era filiado ao PRB (atual Republicanos). Alencar foi eleito em 2002 pelo PL, mas decidiu mudar de legenda em 2005. O petista, que há tempos tentava consolidar uma aliança formal com o MDB (à época PMDB), tentou convencê-lo a se filiar ao partido, mas o mineiro não lhe deu ouvidos e escolheu a sigla alinhada à Igreja Universal.

 

Lula então buscou atrair um peemedebista “raiz” para a chapa, mas as conversas não foram adiante. A partir dali, decidiu trabalhar por uma coligação com o mesmo PSB que 20 anos depois esteve sob a ameaça de ser desalojado do Palácio do Jaburu.

 

O partido era estratégico no cálculo eleitoral. Quatro anos antes, o PSB tinha lançado para a presidência o governador do Rio, Anthony Garotinho, que quase foi para o segundo turno e colou no segundo colocado, o candidato da situação José Serra (PSDB). Garotinho já não estava mais no PSB em 2006, mas dois ministros de Lula filiados ao partido eram vistos como potenciais vices: Eduardo Campos e Ciro Gomes.

Eleição acirrada faz Lula e Flávio apostarem em propaganda na TV e abre guerra por apoio do centrão

Raphael Di Cunto / FOLHA DE SP
Brasília

Na contramão do senso comum de que a publicidade na TV e rádio se tornou pouco relevante nas eleições, as campanhas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apostam na propaganda oficial nesses veículos como um dos pontos centrais da disputa. Por isso, atuam para fortalecer suas coligações —o apoio de partidos grandes aumenta o tempo de televisão do candidato— para ganhar vantagem sobre o adversário nesses canais.

Integrantes das duas campanhas avaliam que a propaganda nessas emissoras ainda terá papel importante por causa do público atingido pela TV aberta, com renda de até dois salários mínimos. É o eleitorado em que Lula é mais forte (52% a 37% no segundo turno contra Flávio, de acordo com o Datafolha divulgado em 6 de março*). Já o rádio também pode ajudar ao atingir os rincões do país.

Numa disputa que se desenha apertadíssima, a estratégia é não apostar tudo nas redes sociais e obter um número maior de inserções na TV e rádio tanto para fortalecer sentimentos positivos em relação ao candidato e apresentar suas propostas como para desconstruir a imagem do adversário e aumentar a rejeição junto a segmentos-chave do eleitorado.

É com base nessa estratégia que Flávio tem procurado os partidos do centrão para firmar uma aliança, em especial a federação entre União Brasil e PP e também o Republicanos. Já Lula sabe que essas siglas não vão aderir à sua coligação, mas atua para conquistar apoio em determinados estados, rachá-las e evitar que ingressem formalmente na chapa de seu principal adversário.

Se ficar isolado, com apoio apenas do PL, Flávio terá menos tempo de propaganda do que Lula no primeiro turno: 49% ficará com o petista e 35% com ele. Além das inserções ao longo da programação, também proporcionais ao tamanho da coligação, o presidente teria direito a 5 minutos e 44 segundos do programa diário e Flávio ficaria com 4min35s. O candidato do PSDseja Ronaldo Caiado ou Eduardo Leite, teria 2 minutos e 11 segundos.

Se conseguir o apoio de União Brasil, PP e Republicanos, no entanto, Flávio terá quase o dobro de publicidade e inserções diárias do que Lula, com 57% da propaganda contra 32% do petista. Seria uma coligação maior do que a de quando seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), disputou a reeleição, e lhe daria uma estrutura robusta na TV e rádio.

A aliança com o centrão daria ao presidenciável do PL 7 minutos e 5 segundos do programa eleitoral diário para disseminar suas ideias e desconstruir a gestão do adversário. Já o presidente teria 3 minutos e 51 segundos para apresentar suas propostas, rebater as críticas e contra-atacar. O candidato do PSD ficaria com apenas 1 minuto e 34 segundos.

Essa conta considera o cenário mais provável hoje, em que só três partidos que superaram a cláusula de desempenho —regra que exige que um partido alcance um mínimo de votos ou cadeiras para ter acesso a recursos como fundo partidário e tempo de TV— vão concorrer à Presidência.

Outros pré-candidatos, como o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), o ex-deputado Aldo Rebelo (DC) e o ativista político Renan Santos (Missão), não terão direito a propaganda, já que suas legendas não elegeram deputados federais suficientes na eleição passada.

Lula também tenta ampliar seu arco de alianças e tempo de propaganda eleitoral ao buscar o MDB para sua coligação com a oferta da vaga de vice-presidente. Mais da metade dos diretórios estaduais do MDB, porém, assinou manifesto a favor da neutralidade na eleição, para barrar o movimento do grupo do Norte e Nordeste a favor do petista.

As estimativas foram feitas pela Folha com base no cálculo do cientista político Henrique Cardoso Oliveira, da Fundação 1º de Maio (ligada ao Solidariedade), sobre o tempo de propaganda de cada partido: 90% é dividido de acordo com o número de deputados federais eleitos em 2022 e outros 10% igualmente entre os candidatos.

O cálculo vale apenas para o primeiro turno da eleição, quando a divisão da propaganda considera o tamanho dos apoios de cada candidato. Na segunda etapa, os dois candidatos que passarem dividem o tempo de forma igualitária, com 50% para cada candidatura, independentemente da quantidade de partidos em suas coligações.

A publicidade oficial na televisão e rádio começará em 28 de agosto e irá até 1º de outubro. Além do programa eleitoral, de 12min30s diários e exibidos às terças e quintas-feiras e aos sábados no caso da eleição presidencial, há inserções publicitárias ao longo da programação normal, que podem ser divididas em pílulas de 30 ou 60 segundos.

Em relação à eleição de 2022, Lula deve ganhar o apoio do PDT (que na época concorreu com Ciro Gomes) e perder do Solidariedade e Pros. Flávio Bolsonaro atua para conquistar a adesão do União Brasil (que lançou a senadora Soraya Thronicke contra seu pai em 2022 e agora está numa federação com o PP) e repetir a aliança com o Republicanos.

Ainda é incerto o papel dos partidos nanicos. Há quatro anos, Lula teve apoio de Agir, Avante, Pros e Solidariedade na eleição. O Pros foi incorporado ao Solidariedade, que rompeu com Lula por falta de espaço no governo. A sigla hoje está numa federação com o PRD e deve ficar neutra na disputa, com foco na eleição de deputados federais.

Já o Avante não decidiu seu posicionamento sobre a eleição de 2026. A sigla renderá pelo menos 11 segundos a mais na TV para o candidato que apoiar, a depender do posicionamento das demais legendas. Outros partidos que podem alterar o quadro são a federação PSDB/Cidadania e o Podemos, que não pretendem lançar nome próprio e hoje não estão alinhados a nenhuma candidatura.

*O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios de 3 a 5 de março. Com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026.

 

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