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Eleições João Pessoa: ex-governador e radialista disputam liderança

Natalia Portinari / o globo

 

BRASÍLIA — Dois expoentes da “velha política”, um radialista filiado ao MDB e um deputado estadual que garante em sua propaganda ter “mãos limpas” despontam na disputa pela prefeitura em João Pessoa. Na última pesquisa Ibope, de 22 de outubro, é o ex-governador e ex-prefeito Cícero Lucena (PP) o primeiro colocado, com 21%. Em segundo lugar, com 15%, está Nilvan Ferreira (MDB), radialista líder de audiência, defensor de pautas bolsonaristas e firme crítico dos governos locais.

IbopeNo Rio, Paes lidera com 32%; Crivella e Martha Rocha estão empatados com 14%

Lucena quase foi impedido de se candidatar. Ele foi julgado inelegível pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por irregularidades em um contrato com a Embratur quando era prefeito de João Pessoa. A Justiça Federal derrubou a inelegibilidade. O ex-governador e ex-senador tem histórico com o Judiciário: em 2005, foi preso pela suspeita de desviar R$13 milhões de obras públicas através de licitações fraudulentas quando era governador. Foi inocentado em 2019.

— Passei muito tempo buscando o esclarecimento de fatos que pesavam sobre mim de forma injusta — disse Lucena ao GLOBO.

Ele vê sua posição nas pesquisas como algo natural, já que, durante uma pandemia, o eleitor procura “quem tem mais experiência, história, serviço prestado”.

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Já Nilvan Ferreira, em 2017, foi alvo de uma batida em suas lojas por vender produtos falsificados, fato hoje sob investigação criminal e citado sempre pelos opositores. O candidato diz que a operação foi armada pelo ex-governador Ricardo Coutinho (PSB).

— A cidade precisa, nesse momento, de mudança. Não sou político, sou outsider.

No terceiro lugar do Ibope, com 10%, está Coutinho, que deixou o cargo de governador em 2018 e acumula denúncias e investigações por corrupção e lavagem de dinheiro. Já o deputado estadual Wallber Virgolino (Patriota), também com 10%, rivaliza com Nilvan pelo eleitorado de direita, apostando na bandeira da renovação. As candidaturas conseguiram pulverizar a intenção de voto até agora, e muitos se preparam para surpresas na reta final.

Na esquerda, o PT trava uma batalha com o diretório municipal para impedir que o deputado estadual Anísio Maia se candidate. O partido queria compor uma chapa com Coutinho, mas os dirigentes municipais discordam. A última decisão da Justiça Eleitoral permite que Anísio siga como candidato. Ele só tem 1% das intenções de voto no Ibope, no entanto.

Isolado nas capitais, PT mira retomada a partir de cidades médias

JOÃO PEDRO PITOMBO / FOLHA DE SP
SALVADOR

Com candidaturas pouco competitivas nas principais capitais, o PT mira nas cidades médias e tem chances de vitória em pelo menos oito cidades de interior com mais de 200 mil eleitores no pleito municipal deste ano.

Na maior parte das cidades médias, a estratégia foi lançar candidaturas de ex-prefeitos que chegam à campanha amparados por um reconhecimento de campanhas anteriores e pela marca da experiência.

O objetivo do partido é retomar espaço dentre os 96 maiores colégios eleitorais brasileiros, grupo que inclui as 26 capitais de estados e 70 cidades de interior com mais de 200 mil eleitores, onde há segundo turno caso nenhum candidato tenha mais da metade dos votos válidos.

 

Na eleição de 2016, na esteira das investigações da operação Lava Jato, o PT teve um de seus piores resultados em pleitos municipais e elegeu apenas um prefeito no então grupo de 93 maiores colégios eleitorais com mais de 200 mil eleitores.

A vitória foi em Rio Branco, no Acre, com a reeleição do então prefeito Marcos Alexandre. Este, contudo, deixou o mandato em 2018 para disputar o governo do estado, deixando os petistas sem governar nenhuma cidade dentre os maiores colégios eleitorais do país.

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Para mudar este quadro, o partido confia na experiência de seus quadros para reconquistar terreno em cidades médias. Por outro lado, enfrenta obstáculos como menos partidos aliados e o fato de estar na oposição ao governo federal do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Dentre as capitais de porte médio, o PT lidera a corrida pela Prefeitura de Vitória (ES) com a candidatura de João Coser. O petista foi prefeito de 2005 a 2012 da capital capixaba, que tem cerca de 360 mil habitantes.

“Minha candidatura atende a um chamado das ruas. Em um período de crise como este, a cidade precisa de um gestor experiente com um projeto realista e sensibilidade para cuidar das pessoas”, afirma Coser, que elenca uma série de feitos de suas gestões nas áreas de educação, saneamento e assistência social.

Segundo pesquisa Ibope, Coser tem 22% das intenções de voto e está empatado na liderança com Gandini (Cidadania), candidato apoiado pelo atual prefeito Luciano Rezende (Cidadania).

Para Coser, ao contrário do pleito de 2016, o antipetismo não deve ser um fator determinante nas eleições municipais deste ano. Ele diz que sua candidatura terá capacidade de atrair um eleitorado para além do campo da esquerda.

“Os adversários vão querer usar isso [antipetismo] contra mim, mas não me preocupo. Estou no PT há 40 anos, a cidade me conhece e sabe que sou do partido. Ser do PT é uma qualidade, não um demérito.”

Discursos semelhantes têm sido repetidos em outras cidades de médio porte e cidades grandes que não são capitais. Em pelo menos outra seis, os candidatos são ex-prefeitos que estão tentando retomar o poder em suas cidades.

Maior colégio eleitoral do país fora das capitais, Guarulhos (SP) caminha para um segundo turno entre o prefeito Guti (PSD) e o ex-prefeito Elói Pietá (PT), que governou a cidade de 2001 a 2008.

Pietá tem destacado sua experiência como prefeito e faz críticas à atual gestão. “Estou voltando porque estou indignado com esta paralisia na nossa cidade”, disse o petista em propaganda no horário eleitoral.

mesma estratégia está sendo adotada em cidades como Contagem (MG), Santarém (PA), Anápolis (GO), Caxias do Sul (RS) e Vitória da Conquista (BA). Em todas elas, o PT disputa a eleição com ex-prefeitos que buscam resgatar a memória de suas gestões.

Em Contagem, cidade de 660 mil habitantes da Grande Belo Horizonte, a deputada estadual e ex-prefeita Marília Campos disputa o cargo na condição de favorita em uma coligação que inclui MDB, PSB e PC do B.

Na terceira maior cidade de Goiás, Anápolis, o ex-prefeito Antônio Gomide (PT) tenta voltar ao comando da prefeitura nesta eleição. Ele governou o município de 2009 a 2014, quando renunciou para disputar o governo do Estado –acabou em quarto lugar, com 10% dos votos.

Já na cidade de Vitória da Conquista, terceira maior da Bahia, o deputado estadual e ex-prefeito José Raimundo tenta voltar ao cargo. A cidade é simbólica para o PT: foram 20 anos de gestões petistas na cidade de 1997 a 2016, quando o partido perdeu para Herzem Gusmão (MDB).

O PT também tem candidaturas competitivas em Juiz de Fora (MG) e Feira de Santana (BA), cidades onde os candidatos são deputados que já disputaram a prefeitura em outras oportunidades, mas nunca venceram.

Na cidade mineira, a deputada federal Margarida Salomão disputa a prefeitura pela quarta vez consecutiva. Nas eleições de 2008, 2012 e 2016, ela chegou a ir para o segundo turno, mas perdeu as três eleições.

Em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, o deputado federal Zé Neto vive situação semelhante. Ele vai para a sua quinta tentativa de eleger-se prefeito –disputou o cargo em 1996, 2004, 2012 e 2016.

Nesta campanha, ele tem como âncoras a popularidade do governador Rui Costa e obras realizadas na cidade pelo governo federal durante as gestões petistas. E diz que, desta vez, está mais otimista para uma possível vitória.

“Fui candidato à prefeito em 2016 e sei o que o PT viveu. Enfrentamos uma onda antipetista muito forte. Mas o PT enfrentou a tormenta, resistiu e está se recompondo. Somo um partido muito enraizado na sociedade”, diz o petista.

Fantasias e planos - o Estado de SP

Um candidato a cargo eletivo deve ter a capacidade de projetar no imaginário dos eleitores um mundo melhor do que o conhecido por eles, evidentemente. Porém, mais do que sonhos, os candidatos sérios apresentam planos factíveis ao escrutínio público. Os que agem assim demonstram ser responsáveis, conciliando o apelo emocional das propostas à sua viabilidade, o que é muito importante em uma campanha eleitoral. Por mais que a utopia perca o seu charme quando encontra as limitações da realidade, é sempre melhor ser claro e honesto com a sociedade.

Há candidatos à Prefeitura e à Câmara Municipal de São Paulo que parecem desconhecer os limites de atuação dos cargos que almejam ocupar, prometendo aos paulistanos medidas que simplesmente não podem ser executadas em âmbito municipal – como legislar sobre matéria penal, como fazem alguns candidatos à vereança – ou são inviáveis do ponto de vista financeiro.

A pandemia de covid-19 lançou luz sobre a necessidade de amparo socioeconômico aos cidadãos mais vulneráveis. Propostas nesse sentido, claro, não escaparam ao debate municipal e estão presentes nos programas de governo de todos os candidatos à Prefeitura da capital paulista. Entretanto, muitas dessas propostas extrapolam a esfera de atuação de um prefeito. Outras, embora não sejam ilegais, são de tal ordem complexas que para serem realizadas exigiriam uma engenharia técnica e financeira que acabaria por transferir recursos da Prefeitura para áreas que não fazem parte de seu mister – a saúde, a educação, a zeladoria urbana e o transporte.

Há quem fale na criação de um banco municipal exclusivo para atender mulheres da periferia de São Paulo, na concessão de uma linha de crédito para pequenos comerciantes de até R$ 3 mil sem juros e sem necessidade de fiança e na redução de impostos. São propostas com evidente apelo eleitoral, sobretudo em um ano em que todos os cidadãos foram afetados pela pandemia em algum grau.

Diz-se que “ninguém mora na União, as pessoas vivem nos municípios”. É verdade. A prefeitura tem um papel importantíssimo na vida diária da população. Políticas públicas adotadas na esfera municipal têm impacto direto na vida dos cidadãos. Tanto é assim que, a despeito da deliberada distorção feita pelo presidente Jair Bolsonaro, o Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceu este fato ao reafirmar a competência concorrente da União, dos Estados e municípios para a adoção de medidas de combate ao novo coronavírus. Mas a prefeitura será muito mais útil na mitigação dos efeitos da pandemia caso se concentre em aprimorar a qualidade da prestação dos serviços que já são de sua competência.

“Criar um aparato público municipal ligado a crédito não é comum. Isso exige gestão de ativos de um banco, eventuais aportes do Tesouro. Não que não possa ser feito, mas não sei se os municípios têm bala na agulha para investimentos desse tipo”, disse ao Estado o analista Fábio Klein, da Tendências Consultoria.

Segundo Marcos Mendes, pesquisador do Insper, medidas como a concessão de uma linha de crédito poderiam ser viabilizadas a partir de um “fundo de aval” aprovado pelo Poder Legislativo municipal. Mendes também destaca que não é preciso abrir um banco municipal para oferecer microcrédito, é possível fazê-lo por meio de convênio com instituições já estabelecidas. “Sairia muito mais barato. Um banco exige capital, regulação, governança. Tudo isso consumirá tempo, dinheiro e talentos”, disse o economista.

A Prefeitura de São Paulo não pode se dar ao luxo de desperdiçar recursos humanos e financeiros.

Os programas de governo estão sob escrutínio público e um deles há de sair vitorioso das urnas. É muito importante que os eleitores de São Paulo os avaliem criteriosamente, identificando o que são planos factíveis e o que não passa de uma fantasia. Serão anos muito difíceis até que o País esteja plenamente recuperado das agruras de 2020. Não convém aprofundar a crise.

Os padrões do comportamento civilizado

O ESTADO DE SP

Numa democracia saudável, a luta pelo poder, por mais acirrada que seja, não pode servir de pretexto para que se violentem os padrões básicos de comportamento civilizado. Em outras palavras, todos, candidatos e eleitores, devem respeitar esses limites ditados pela decência – que, ao fim e ao cabo, é requisito fundamental para o reconhecimento mútuo da legitimidade dos que disputam o poder.

Há algum tempo, contudo, a democracia brasileira vem sendo rebaixada por alguns a uma briga de rua, em que vence aquele que desafia os paradigmas morais que, sempre se acreditou, viabilizam a vida em sociedade. A briga de rua premia os que tratam o oponente de forma desumana, sem qualquer freio ditado pelos princípios éticos; já os que nutrem respeito pelo adversário, no mínimo por honradez, são tratados como fracos.

Quando Celso Russomanno, candidato à Prefeitura de São Paulo, sugere que seu principal adversário na disputa, o prefeito Bruno Covas, pode não terminar o mandato caso seja reeleito, revela por inteiro a ausência de limites morais que tão mal tem feito à democracia no País.

Como se sabe, o prefeito Bruno Covas sofreu de câncer. Segundo seus médicos, o tratamento a que o prefeito vem sendo submetido controlou a doença e lhe deu condições não apenas de continuar à frente do cargo, como também de concorrer à reeleição. É absolutamente repugnante que um candidato explore a doença grave de um adversário para tentar lhe tomar votos.

Ao contrário do que pensam os bolsonaristas como o sr. Russomanno, há uma linha de dignidade que não pode ser cruzada em nenhuma hipótese, pois eleição não é uma disputa terminal, de vida ou morte, que, ao menos para os amorais, justificaria toda sorte de barbaridades.

Não faz muito tempo, a presidente Dilma Rousseff, de triste memória, reconheceu que ela e seus correligionários faziam o “diabo” em época de eleição. Tal admissão causou na ocasião uma compreensível repulsa por parte dos cidadãos de bem, já bastante agastados com as artimanhas tinhosas do lulopetismo, mas ao mesmo tempo foi útil para revelar até onde estavam dispostos a ir o sr. Lula da Silva e seus discípulos para se agarrar ao poder.

Rasgada a fantasia de campeão da ética, com a qual o lulopetismo enganou muitos incautos por décadas, ficou claro para todos que a política, conforme concebida pelo PT, não era mais uma disputa de ideias, mas guerra aberta em que o adversário devia ser aniquilado.

Nisso o PT encontrou em Jair Bolsonaro seu inimigo ideal. Desde os tempos de deputado do baixo clero, o hoje presidente se notabilizou por defender nada menos que a destruição – física, até – de seus oponentes. Bolsonaro elegeu-se presidente criando e explorando fake news em redes sociais para desmoralizar seus concorrentes, atualizando o conceito de “fazer o diabo” na campanha. 

Uma vez na Presidência, Bolsonaro não perde seu tempo governando, coisa que, de resto, seria incapaz de fazer; concentra suas energias em sua campanha antecipada pela reeleição e, para esse fim, não se constrange em explorar a pandemia de covid-19 e seus cerca de 160 mil mortos para tentar ganhar votos. Estimula aglomerações, menospreza a vacina e incentiva os cidadãos a tomar remédio sem eficácia comprovada, tudo para se livrar do fardo de liderar o País neste momento tão difícil e para atribuir a terceiros – seus adversários políticos – a responsabilidade pela crise. 

O sucesso eleitoral de Bolsonaro inspirou muitos outros oportunistas a apostar na imoralidade como estratégia de campanha. Assim, uma verdadeira malta de arruaceiros políticos, a exemplo do mestre, investe na confusão e na truculência como ativo eleitoral.

Resta torcer para que a rejeição a candidatos apoiados tanto por Bolsonaro como por Lula, detectada em algumas pesquisas, se confirme, pois assim ficará claro que nem todos os eleitores se sentem confortáveis em viver numa sociedade desprovida de solidariedade e respeito ao próximo, que é a sociedade idealizada pelos liberticidas bolsonaristas e lulopetistas.

Paes lidera no Rio, seguido de Crivella e Martha Rocha empatados numericamente, diz Ibope

Bernardo Mello / O GLOBO

 

RIO - Pesquisa Ibope divulgada nesta sexta-feira mostra que Eduardo Paes (DEM) segue na liderança da eleição à prefeitura do Rio, seguido de Marcelo Crivella (Republicanos) e Martha Rocha (PDT) empatados numericamente na segunda colocação. Crivella e Martha também estão tecnicamente empatados tecnicamente com Benedita da Silva (PT).

Paes tem 32% das intenções de voto. Crivella e Martha Rocha aparecem com 14%. Benedita tem 9%. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

 Segundo a pesquisa, a candidata do PDT foi a única a crescer acima da margem de erro, numa variação positiva de seis pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, divulgado no último dia 15. Paes, Crivella e Benedita tiveram oscilações positivas de dois pontos percentuais cada um, dentro da margem de erro.
Luiz Lima (PSL) aparece com 4% das intenções de voto, e está tecnicamente empatado com Benedita. Renata Souza (PSOL) tem 2% das intenções de voto, mesma pontuação de Eduardo Bandeira de Mello (Rede). Renata e Bandeira oscilaram negativamente um ponto, enquanto Lima oscilou um ponto para cima, na comparação com a pesquisa anterior.Fred Luz (Novo) e Paulo Messina (MDB) somam 1% cada. Cyro Garcia (PSTU), Glória Heloíza (PSC), Clarissa Garotinho (PROS), Suêd Haidar (PMB) e Henrique Simonard (PCO) não pontuaram nesta pesquisa. Brancos e nulos somam 15%, oito pontos a menos do que no último levantamento, e 5% dos eleitores não souberam ou não quiseram responder em quem votariam, mesmo percentual da pesquisa anterior.O Ibope entrevistou 1.204 eleitores entre os dias 28 e 30 de outubro, de quarta a sexta-feira desta semana. A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo RJ-09598/2020. O nível de confiança - isto é, a probabilidade de que os resultados representem o momento do eleitorado - é de 95%.

 

 
 

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