Recado de Lula na hora do voto deixa aberta ferida no PT
Ao jogar no colo do petista Jilmar Tatto toda a responsabilidade na falta de apoio a Guilherme Boulos (PSOL) na reta final da campanha, o ex-presidente Lula não só reitera a esperança quase zero de ter o partido de volta ao comando da prefeitura de São Paulo como dá um sinal político evidente. Lula não quer colada à sua figura uma derrota que se desenha fragorosa na maior cidade do país.
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Ainda que o líder petista não tenha se empenhado já na escolha de Tatto como candidato — ele tentou emplacar Alexandre Padilha — a declaração feita por Lula nesta manhã em São Bernardo do Campo, no ABC, reitera a omissão velada do principal cabo eleitoral do PT na campanha paulistana. O posicionamento do ex-presidente certamente já abriu e deixará aberta por algum tempo uma nova ferida no Partido dos Trabalhadores.
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Se desde o início da semana passada Lula vinha atuando para colocar em prática uma estratégia política bem ao sabor das conveniências eleitorais — ao apoiar Boulos, o PT se tornaria uma espécie de avalista de eventual gestão do candidato do PSOL e ainda amenizaria a possível derrota — o ex-presidente agora sabe que é hora de ser pragmático. Com a esquerda fragmentada pelo país, o petista parece não pretender deixar escapar o seu principal capital político: sua própria figura, custe o que custar. / O GLOBO / Por
Resultados de 2020 terão impacto nas disputas para governador em 2022
Os resultados das eleições municipais podem até não dar um indicativo fiel do quadro para a corrida presidencial em 2022, mas em alguns estados o que acontece agora vai ter reflexos em 2022 na disputa pelos governos estaduais.
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O exemplo mais visível é em Salvador, onde ACM Neto (DEM) conseguiu fazer com que seu vice, Bruno Reis (DEM), disparasse para ter condições de vencer a eleição em primeiro turno. Assim, ACM Neto já é um nome forte para a disputa do governo do estado em 2022, ainda mais porque Rui Costa (PT), já reeleito, não poderá disputar um novo mandato.
No Paraná, Rafael Greca (DEM) tem um histórico próprio como prefeito de Curitiba, mas o apoio e a grande aliança montada pelo governador Ratinho Júnior (PSD) o transforma em fraco favorito para buscar a reeleição daqui dois anos.
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Em Belo Horizonte, a votação consagradora que deve lhe conceder um segundo mandato dá a Alexandre Kalil (PSD) também o status de candidato a governador de Minas, ainda que ele tenha tempo para decidir se abandonará o mandato de prefeito no meio.
Em Alagoas, há uma eleição no interior que impactará mais os rumos da política estadual para 2022 do que a da capital. Vice-governador, Luciano Barbosa (MDB) decidiu disputar a prefeitura de Arapiraca, segunda maior cidade do estado. O governador Renan Filho e seu pai, o senador Renan Calheiros, não concordaram e chegaram a expulsar Barbosa do MDB. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), porém, entendeu que o registro do candidato está regular.
Se o vice for eleito, Renan Filho terá dificuldades caso queira deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado, pois terá de deixar o governo na mão do presidente da Assembleia, cargo hoje ocupado por Marcelo Victor (Solidariedade), aliado do deputado Arthur Lira (PP-AL), rival dos Calheiros. O GLOBO /
As perguntas que serão respondidas em 2021 e vão definir o futuro de Bolsonaro
Com o primeiro turno das eleições municipais passado, já vão sendo computadas algumas conclusões. A derrota do presidente Jair Bolsonaro é fragorosa — seu filho Carlos teve votação muito menor do que há quatro anos, outros candidatos com o sobrenome não se elegeram, seu apoio declarado em geral lembrou beijo da morte. O PT saiu menor e outros partidos de esquerda cresceram com lideranças jovens. Não custa lembrar que também PSDB e DEM se rejuvenesceram — a maioria de seus eleitos nas capitais está na casa dos 40 ou mal passam disso. As exceções são poucas. E que os dois, com o Centrão, saem mais fortes do que as esquerdas.
O cenário que se desenha é um no qual a maioria da população continua inclinada à direita, mas preferiu políticos tradicionais ao extremismo bolsonarista. E que, no flanco da esquerda, com as pautas do impeachment e da prisão do ex-presidente Lula caindo no passado, o eleitor se afasta do PT e ensaia uma busca por alternativas.
Ainda é cedo, porém, para tirar conclusões a respeito de 2022. Pois há variáveis importantes que ainda não conseguimos avaliar. A segunda onda da Covid-19, na Europa e EUA, está mais violenta do que a primeira. Será assim por aqui? Bolsonaro conseguirá manter o pagamento do auxílio emergencial, que sustenta sua popularidade? Ou conseguirá expandir o Bolsa Família? Que tipo de pressão o governo Joe Biden fará sobre o Brasil e qual o impacto na economia do país? Aliás — qual o tamanho da crise econômica que vem?
Teremos boa parte destas respostas ainda no primeiro semestre de 2021. E elas podem definir se Bolsonaro terá chances para se reeleger ou não. Se ele chegar inteiro a 2022, porém, o grande desafio de um adversário no segundo turno será roubar votos da direita. Eles ainda são maioria. O GLOBO /
Revés em São Paulo deve reforçar apoio de Bolsonaro a Crivella no Rio
O prefeito Marcelo Crivella, que ontem de manhã já divulgava a agenda que iria cumprir como candidato nesta segunda-feira, se revigorou com o recomeço da batalha por ter passado para o segundo turno com um resultado melhor do que o previsto. Na primeira fase, Crivella entrou com aparente desânimo e um acanhado aval do presidente Jair Bolsonaro. A popularidade dos dois capengava. Mas o revés sofrido pelo nome de Bolsonaro em São Paulo ajuda o projeto de reeleição do prefeito do Rio.
Entenda a eleição 2020:Freio na antipolítica, fracasso de Bolsonaro, atraso na apuração
A esquerda está fora do jogo no segundo turno do Rio de Janeiro. E Bolsonaro vai ficar de fora do segundo turno em São Paulo, onde seu candidato Celso Russomanno ficou em quarto lugar, depois de, como nas vezes anteriores, ter iniciado a disputa com os melhores índices de popularidade. Sem poder de fogo na escolha do prefeito da maior cidade da América Latina, o Rio ganha importância em um eventual projeto de poder bolsonarista para 2022.
O mecanismo de apoio de Bolsonaro, que ungiu aliados Brasil afora em 2018, falhou dois anos depois, para a maioria dos candidatos apoiados. Mas teve potência para garantir Crivella no segundo turno. Sobretudo entre os evangélicos, para os quais o aval bolsonarista veio na reta final do primeiro turno. Em plena crise da pandemia, que foi responsável por uma votação atípica, o Rio se torna, mais do que nunca, cenário de uma queda de braço nacional. O GLOBO/

