Marília Arraes e Mendonça Filho reduzem vantagem de João Campos no Recife, diz Datafolha
A deputada federal Marília Arraes (PT) e o ex-ministro Mendonça Filho (DEM) reduziram a vantagem em relação ao líder João Campos (PSB) na disputa pela Prefeitura do Recife.
Filho do ex-governador Eduardo Campos e apoiado pelo prefeito Geraldo Julio (PSB), João Campos aparece com 29% das intenções de voto. No levantamento anterior, tinha 31%.
Fontes: Pesquisas Datafolha presenciais feitas no Recife com eleitores de 16 anos ou mais nos dias 5 e 6 de outubro (800 eleitores), 20 e 21 de outubro (868 eleitores), 3 e 4 de novembro (924 eleitores) e 9 e 10 de novembro (1.036 eleitores). Registros no TRE-PE, respectivamente: PE-08999/2020, PE-05988/2020, PE-06862/2020 e PE-03779/2020. A margem de erro máxima é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Contratantes: Folha de S.Paulo/TV Globo,,
Marília Arraes aparece com 22%, oscilando positivamente em relação à pesquisa anterior, quando marcava 21%. Ela ainda está empatada tecnicamente com o ex-ministro Mendonça Filho (DEM), que tem 18% das intenções —na semana passada, tinha 16%.
Mendonça, por sua vez, está tecnicamente empatado com a delegada Patrícia Domingos (Podemos), que foi de 14% para 15%.
O Datafolha ouviu presencialmente 1.036 eleitores nos dias 9 e 10 de novembro. A pesquisa, feita em parceria com a TV Globo, tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
Declararam voto em branco ou nulo 9% dos entrevistados, enquanto 4% não souberam responder.
Carlos Andrade Lima (PSL) tem 2%, Coronel Feitosa (PSC), 1%. Charbel (Novo), Thiago Santos (UP), Cláudia Ribeiro (PSTU) e Victor Assis (PCO) não pontuaram.
Considerando os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, Campos tem 33%, Marília, 25%, Mendonça, 20%, e Patrícia, 17%.
O Datafolha também mediu o índice de rejeição dos candidatos. Delegada Patrícia aparece numericamente à frente neste ranking, com 40% dos entrevistados afirmando que não votariam nela de jeito nenhum.
João Campos tem 34%, seguido por Mendonça Filho, com 31%, e Coronel Feitosa, com 30%. Marília Arraes é rejeitada por 27% dos entrevistados.
A pesquisa aponta que, em um hipotético segundo turno entre Campos e Marília, o candidato do PSB tem 41% ante 35% da petista. Declararam voto em branco ou nulo 22%, e não souberam responder 2%.
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são mostrados ao entrevistado, João Campos aparece com 20%, Marília Arraes tem 16%, Mendonça Filho, 12%, e Delegada Patrícia, 10%.
Nesse cenário, 25% não souberam responder, e 9% disseram votar em branco ou nulo.
Nos últimos dias, o fato novo das eleições do Recife é o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à candidatura de Patrícia Domingos.
Em uma live no último sábado (7), Bolsonaro pediu votos para a delegada. Pouco antes, havia demonstrado sua intenção em comentário postado em rede social. O anúncio fez com que o presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, retirasse o apoio do partido à candidata do Podemos.
No entanto, o deputado federal Daniel Coelho (Cidadania), principal aliado de Patrícia no Recife, reiterou que continuava ao lado dela. O Cidadania ocupa a vice na chapa da delegada.
O deputado estadual Marco Aurélio Meu Amigo (PRTB) retirou a candidatura para apoiar Patrícia após o anúncio de Bolsonaro.
Conhecida por ser mais alinhada ao ex-ministro da Justiça Sergio Moro, desafeto de Bolsonaro, Patrícia foi até Brasília na última segunda-feira (9) gravar com o presidente.
“Amigos do Recife, não acreditem em pesquisas. Se dependesse delas, eu não seria presidente”, disse Bolsonaro em um vídeo ao lado da delegada postado por ela nas redes sociais.
Durante a campanha, quando apresentou crescimento nas intenções de voto, Patrícia Domingos usou de maneira intensa as pesquisas para dizer que representava a única candidatura com condições de vencer o PSB no segundo turno.
Ela disputa parcela do eleitorado bolsonarista com Mendonça Filho. O nome da coligação dele, que reúne DEM, PSDB, PTB e PL, é Recife Acima de Tudo, numa alusão ao conhecido jargão de Bolsonaro.
Na propaganda eleitoral, Mendonça faz os ataques mais duros contra a delegada. Usa com frequência postagens feitas por ela em 2011 em que a candidata se refere à capital pernambucana como “Recífilis” e menciona que nunca tinha visto tanta gente feia reunida em um bar recifense.
Já João Campos, que lidera as pesquisas desde o primeiro levantamento, continua a ser o alvo preferencial dos adversários. É questionado pelas recorrentes operações da Polícia Federal na Prefeitura do Recife. Há, de acordo com as investigações, indícios de desvios de recursos públicos destinados ao combate da pandemia do novo coronavírus.
Outro ponto explorado pelos principais oponentes de Campos é a falta de experiência pública do candidato de 26 anos. Nos últimos dias, na propaganda eleitoral, o deputado tem feito um esforço na tentativa de neutralizar este argumento.
“Eu entendo se você acha que eu sou muito novo para ser prefeito da cidade do Recife, mas queria que você me conhecesse. Na minha vida, nunca dei um passo maior do que eu poderia dar”, diz.
Na vida pública, Campos foi chefe de gabinete do governador Paulo Câmara (PSB). Exerce há quase dois anos mandato de deputado federal. Na reta final da campanha, resolveu usar com maior intensidade a imagem do pai, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em acidente aéreo durante a disputa presidencial de 2014.
Marília Arraes tem centrado os ataques no primo e nas duas gestões de Geraldo Julio. A deputada federal, que integrou o primeiro escalão do governo do PSB no Recife em 2013, repete que Campos esconde no palanque o prefeito e o governador, mal avaliados em pesquisas.
Nesta terça-feira (10), houve o primeiro embate frente à frente entre os dois. Durante o único debate realizado na TV aberta, Marília, após citar operações da Polícia Federal na prefeitura, perguntou se Campos confiava na equipe de Geraldo Julio.
Ele respondeu que sim e emendou que causava estranheza uma candidata do PT falar de corrupção. O PSB em Pernambuco apoiou Fernando Haddad (PT) no primeiro turno das eleições de 2018. O PT integra o primeiro escalão do governo Câmara e, até outubro, fazia parte da gestão de Geraldo.
Após um início de campanha procurando se afastar dos principais símbolos do PT por temer um efeito antipetista em um eventual segundo turno, Marília tem intensificado o uso da imagem do ex-presidente Lula e do avô Miguel Arraes.
Ela continua a enfrentar, desde o início da disputa, o chamado fogo amigo de alguns setores do partido que queriam aliança com o PSB.
Kalil marca 63% e aparece com 55 pontos de vantagem sobre 2º colocado em BH, diz Datafolha
A quatro dias da eleição, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), mantém a liderança isolada com 63% das intenções de voto e a tendência de ser reeleito em primeiro turno, aponta o Datafolha.
Kalil oscilou negativamente dentro da margem de erro em relação aos 65% que registrou no levantamento anterior. Considerando os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, o prefeito tem 71%.
TSE define inelegibilidade do ex-governador Ricardo Coutinho, candidato a prefeito
O Tribunal Superior Eleitoral decidiu, em julgamento encerrado na noite desta terça-feira (10/11), aplicar a pena de inelegibilidade ao ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB). A conclusão foi alcançada em julgamento de três ações de investigação judicial eleitoral referentes a abusos de poder político ocorridos na campanha para sua reeleição ao cargo, em 2014.

Coutinho é candidato à Prefeitura de João Pessoa na eleição de domingo (15/11). Em nota publicada nas redes sociais pelos advogados do ex-governador, eles afirmam que a decisão, embora de efeitos imediatos, não impactará a participação dele no pleito.
"O registro de candidatura de Ricardo Coutinho foi deferido pela Justiça Eleitoral, tendo a decisão judicial transitado em julgado no dia 27/10/2020, ou seja, essa decisão não pode mais ser cassada ou modificada, de modo que ele permanece, para todos os efeitos legais, firme como candidato a prefeito de João Pessoa", diz a nota, assinada pelos advogados Igor Suassuna, Victor Barreto e Leonardo Ruffo.
O julgamento dos três recursos ordinários foi iniciado em agosto, quando o relator, ministro Og Fernandes, ainda fazia parte do colegiado. Nesta terça, após voto-vista do ministro Luís Felipe Salomão, o TSE formou maioria para seguir o relator e concluiu que Coutinho cometeu abuso de poder político na eleição em que foi reeleito governador, em 2014.
O ilícito foi cometido pela concessão desvirtuada de microcrédito via programa governamental, a distribuição de kits escolares contendo propaganda institucional e a prática de contratação e exoneração desproporcional de servidores comissionados em período eleitoral.
Os votos dos ministros trouxeram algumas diferenças em pontos específicos dos vários recursos analisados em conjunto. Ficou vencido de forma substancial o ministro Sergio Banhos, para quem não há de se aplicar pena de inelegibilidade por não haver elementos suficientes para concluir que as práticas do então governador, algumas em ano eleitoral, mas fora do período de campanha, tiveram cunho eleitoreiro.
A divergência foi atrelada ao entendimento segundo o qual toda ação de um governante trará impacto na vida da respectiva comunidade, inclusive na avaliação diante de uma potencial reeleição. O segundo mandato é possibilidade referendada pelo Supremo Tribunal Federal. O único remédio, destacou o voto divergente, seria o afastamento do mandato, situação rejeitada pela ordem legal.
"Obviamente que a questão da reeleição traz ônus e bônus. O governador não precisa ficar dentro de casa escondido durante o ano eleitoral. Na dúvida, sempre devemos optar pela licitude da conduta. Mas no caso, a questão não é só quantitativa. Parece que houve clara instrumentalização do programa de governo para fins eleitorais", destacou o ministro Alexandre de Moraes, ao votar.
RO 1514-74
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RO 1954-70
Danilo Vital é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.
Revista Consultor Jurídico, 10 de novembro de 2020, 22h02
Paes amplia vantagem sobre Crivella, que tem 62% de rejeição no Rio, mostra Datafolha
O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) ampliou, a quatro dias da eleição, a liderança na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro, enquanto o atual prefeito Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) e a deputada estadual Martha Rocha (PDT) seguem tecnicamente empatados na corrida para obter uma vaga no segundo turno, aponta o Datafolha.
O candidato do DEM tem 34% das intenções de voto. É o primeiro entre os principais postulantes a registrar uma alta para além da margem de erro desde a primeira pesquisa, divulgada em 8 de outubro, quando aparecia com 30%.
Ele chegou a aparecer com 28% em 22 de outubro e subiu seis pontos percentuais desde então.
* Pesquisa Datafolha presencial com 900 eleitores com 16 anos ou mais nos dias 5 e 6 de outubro e registrada no TRE-RJ com o número RJ-09140/2020. A margem de erro máxima é de três pontos percentuais para mais ou para menos. ** Pesquisa Datafolha presencial com 1.008 eleitores com 16 anos ou mais nos dias 20 e 21 de outubro e registrada no TRE-RJ com o número RJ-08627/2020. A margem de erro máxima é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Contratantes: Folha de S.Paulo/Tv Globo ***Pesquisa Datafolha presencial com 1.064 eleitores com 16 anos ou mais nos dias 3 e 4 de novembro e registrada no TRE-RJ com o número RJ-02176/2020. A margem de erro máxima é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Contratantes: Folha de S.Paulo/Tv Globo Fonte: Pesquisa Datafolha presencial com 1.148 eleitores com 16 anos ou mais nos dias 9 e 10 de novembro e registrada no TRE-RJ com o número RJ-02768/2020. A margem de erro máxima é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Contratantes: Folha de S.Paulo/Tv Globo
Crivella aparece com 14% das intenções de voto, contra 11% de Martha. Os dois oscilaram negativamente dentro da margem de erro, comparado ao resultado do levantamento anterior. O atual prefeito tinha 15% e a deputada, 13%.
O Datafolha ouviu presencialmente 1.148 eleitores nos dias 9 e 10 de novembro. A pesquisa, em parceria com a TV Globo, tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
O levantamento mostra que a candidatura de Crivella ainda não colheu frutos do embarque oficial de Jair Bolsonaro (sem partido) em sua campanha. O prefeito tem explorado vídeo gravado pelo presidente em sua propaganda na TV, mas não ampliou significativamente seu eleitorado, aponta o Datafolha.
Martha Rocha, por sua vez, não sofreu efeitos diretos na intenção de voto mesmo após ter se tornado alvo preferencial dos dois principais adversários. Contudo, perdeu a dianteira que tinha com Paes na simulação de segundo turno e segue com tendência de alta na rejeição ao seu nome.
A deputada federal Benedita da Silva (PT) aparece com 8% das intenções de voto, mesmo percentual da última pesquisa. Ela está tecnicamente empatada com a pedetista, e, no limite da margem de erro, com o prefeito —um empate, nesse caso, é considerado improvável.
Num terceiro grupo estão Luiz Lima (PSL), com 5%, Renata Souza (PSOL), com 4%, Bandeira de Mello (Rede) e Paulo Messina (MDB), ambos com 2%.
Aparecem com 1% das intenções de voto Clarissa Garotinho (PROS), Fred Luz (Novo) e Glória Heloíza (PSC). Não alcançaram 1% os candidatos Cyro Garcia (PSTU), Suêd Haidar (PMB) e Henrique Simonard (PCO).
Declararam que pretendem votar em branco ou nulo 14%. Outros 3% se disseram indecisos.
No cálculo dos votos válidos, que desconsidera brancos, nulos e indecisos, Paes tem 41%, Crivella, 17%, Martha, 14% e Benedita, 10%. A eleição termina no primeiro turno caso o mais votado supere os 50% dos votos válidos.
Crivella apresentou alta em seu índice de rejeição, subindo de 57% para 62%. Em seguida, estão entre os mais rejeitados Paes (31%), Clarissa Garotinho (26%) e Benedita (24%) —a petista apresentou queda de seis pontos percentuais na taxa. Martha apresenta 14% de rejeição, e os demais, 13 pontos percentuais ou menos.
Nas simulações de segundo turno, Paes aparece à frente em todos os cenários. Ele ampliou a vantagem sobre Martha, registrando 46% ante 35% da pedetista. Enfrentando Crivella, ele aparece com 58%, e o atual prefeito, com 22%. No cenário contra Benedita, Paes registra 50% ante 27% da petista.
Na pesquisa espontânea, aquela em que o entrevistado manifesta sua intenção de voto sem que lhe sejam apresentadas as opções, 25% disseram que pretendem votar em Paes —há duas semanas eram 22%—, 10% em Crivella —contra 11% na pesquisa anterior, 8% em Martha —mesmo percentual do último levantamento— e 5% em Benedita.
Os demais candidatos aparecem, nesse tipo de levantamento, com dois pontos percentuais ou menos.
Quase um terço dos eleitores (29%) não manifestou espontaneamente sua intenção de voto.
A pesquisa também dá indicações sobre os potenciais e limites das estratégias de reta final dos principais candidatos.
Paes tem apostado sua campanha de rua na zona oeste a fim de atrair eleitores de Crivella, que tem uma gestão mal avaliada. O ex-prefeito aparece como opção de segundo voto de 33% dos eleitores do atual, à frente de 24% de Martha e 2% de Benedita.
Crivella tem tentado atrair os eleitores que aprovam a gestão Bolsonaro. Ele atualmente tem 33% desse grupo, acima de Paes e Martha, com 25% e 9%, respectivamente.
Martha, por sua vez, tem buscado atrair eleitores de Paes. A campanha avalia que o ex-prefeito tem sido escolhido por eleitores por rejeição a Crivella, numa espécie de antecipação do voto útil.
A pedetista tem usado como mote de campanha “há vida além de Eduardo Paes”, para se apresentar como uma candidata viável na disputa. A pedetista tem o segundo voto de 24% dos eleitores de Paes, contra 13% de Crivella e 15% de Benedita.
A candidata do PDT também passou a apostar num voto útil de eleitores de esquerda, com apoio de artistas vinculados a esse campo, como o cantor Caetano Veloso. Ela, porém, não lidera no segundo voto de Benedita, sendo a opção de 29% dos eleitores da petista, patamar semelhante ao de Paes (34%).
Doria é deixado de lado em campanhas até de aliados favoritos no interior de SP

Embora o governador de São Paulo tenha estado ausente nas campanhas dos dois líderes na corrida pela Prefeitura de Campinas, Dario Saadi (Republicanos) e Rafa Zimbaldi (PL), os demais seis candidatos buscam vincular os dois à figura de João Doria (PSDB) de maneira depreciativa.
Candidatos à prefeitura em cidades do interior e do litoral de São Paulo, tucanos ou aliados do governador, evitaram exibi-lo até aqui em peças de campanha, como programas do horário eleitoral gratuito na TV.
O PSDB, porém, diz que prefeitos têm solicitado vídeos de apoio e que o partido é favorito em quase todas as prefeituras do litoral.
Na capital, por exemplo, Doria vira alvo preferencial de ataques e segue ignorado pela campanha à reeleição de Bruno Covas (PSDB).
Pesquisa Datafolha de setembro mostrou que 59% dos paulistanos disseram não votar de jeito nenhum em um candidato apoiado pelo governador, rejeição maior que a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em Campinas, Saadi e Zimbaldi aparecem tecnicamente empatados na disputa, com respectivamente 22% e 27% das intenções de voto segundo a última pesquisa feita pelo Ibope. A margem de erro é de quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.
Zimbaldi, 39, se aliou ao PSDB de Doria em Campinas para fortalecer sua candidatura ao palácio dos Jequitibás. Tem sido ainda alvo de ataques devido a seu apoio, como deputado estadual, a políticas do governo paulista em tramitação na Assembleia Legislativa consideradas prejudiciais à região de Campinas.
Um exemplo foi o PL 529, que tramita em caráter de urgência e prevê a extinção de autarquias, fundações e empresas públicas, além de retirar verbas de instituições como Unicamp e Fapesp. Meios de comunicação locais destacaram que Zimbaldi votou a favor do fim do debate em torno do PL, o que na prática acelerava sua tramitação.
Mas em sua campanha ele afirma: “Não sou candidato de ninguém e nem pau mandado de ninguém”.
A indireta é para Saadi, cuja candidatura é apoiada pelo atual prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), de quem foi secretário de Esportes até recentemente. O liberal foi da base de Donizette por sete anos, até o rompimento no ano passado.
Apesar do bom relacionamento entre a atual gestão campineira e o Governo de SP, Saadi prefere mostrar que tem bom trânsito com Brasília.
Em peça de campanha divulgada nesta segunda-feira (9), ele mostra encontro com Davi Alcolumbre (DEM-AP), em que o presidente do Senado lhe manifesta apoio e diz: “As grandes obras dependem de recursos federais. Por isso, o prefeito de Campinas tem que ser respeitado em Brasília”.
Em outra peça, afirma: "O prefeito de Campinas precisa ter bons projetos e força política para transitar com liberdade em Brasília e trazer recursos provenientes de emendas parlamentares e fundos especiais".
Em suas idas a São Paulo, preferiu também mostrar encontros mantidos com Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Mesmo quando fala da pandemia —Saad é médico—, o candidato evita menções ou avaliações sobre a atuação da administração estadual. Fala apenas que as cidades seguiram o plano SP, elaborado pelo governo do estado, e que coube às prefeituras monitorar o cumprimento.
Já em Ribeirão Preto, o prefeito Duarte Nogueira (PSDB), que lidera a disputa pela reeleição, também não tem exibido peças em que Doria apareça.
Ele tem 31% das intenções de voto, conforme a última pesquisa Ibope, de 27 de outubro, à frente de Chiarelli (Patriota) e da ex-reitora da USP Suely Vilela (PSB), ambos com 14%. A margem de erro é de quatro pontos percentuais.
Por meio de sua assessoria, o prefeito afirmou, ao justificar a ausência do governador na campanha, que a eleição deste ano é municipal e, portanto, tem interesses locais atrelados a ela.
De uma família de tucanos históricos, o vereador e candidato à Prefeitura de Americana Rafael Macris (PSDB) fazia questão de mostrar seus vínculos com Doria antes do início da corrida eleitoral. Seu irmão Cauê Macris é deputado estadual e considerado um dos escudeiros do governador na Assembleia Legislativa, que preside.
Agora, seu material de campanha sequer exibe o logo do PSDB —a candidatura afirma que isso deve à decisão de não dar destaque a nenhum partido que faz parte da coligação Americana Grande de Novo.
Doria é mencionado indiretamente na campanha do tucano. "Temos as portas abertas com o governo federal e com o governo estadual para enfrentar os próximos quatro anos."
No litoral, há a leitura silenciosa de políticos do PSDB de que a imagem de Doria ficou desgastada com decisões contestadas sobre a classificação de isolamento da região durante a pandemia do novo coronavírus.
A associação direta ao nome do governador passou a ser interpretada como estratégia perigosa e, praticamente, não existiu nas principais cidades.
Doria não teve a imagem utilizada durante os horários eleitorais até aqui e foi lembrado nos debates quase sempre em críticas feitas por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que questionaram desde medidas de isolamento ao impasse envolvendo uma definição para a ligação seca entre Santos e Guarujá, atualmente feita por balsas.
O principal deles foi o ex-desembargador e candidato em Santos, Ivan Sartori (PSD).
“[Não há] nenhum [desgaste], somos favoritos em quase todas as prefeituras. A população sabe da importância de agir com responsabilidade e coerência, como foi feito ao longo da pandemia”, disse à Folha o presidente do PSDB paulista e secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi.
Ele ainda cita que, mesmo já próximos ao fim da campanha, prefeitos seguem pedindo a gravação de vídeos de apoio, sem precisar para quais cidades. Na Baixada Santista, há candidatos do partido nos nove municípios —Santos, São Vicente, Guarujá, Cubatão, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe e Bertioga.
"Tenho poucos segundos no programa eleitoral, então pretendemos usar os vídeos de lideranças do partido só na última semana. As pessoas entendem que é importante a ajuda do governo do estado aqui na cidade", disse a candidata à Prefeitura em São Vicente, Solange Freitas (PSDB).
Em grande parte dos vídeos já gravados, Doria fez coro à chegada da Sinovac e ao enfrentamento da crise econômica. Segundo Vinholi, o discurso é de retomada e que é necessário, portanto, de gestores preparados nas cidades. FOLHA DE SP.

